quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

EXISTE UM PODER BRASILEIRO?

ESTE TEXTO É A CAUSA IMEDIATA DO FACEBOOK SUSPENDER A ATIVIDADE DE PUBLICAÇÃO DOS GRUPOS QUE DIRIJO (COMUNIDADE DA FÍSICA FREUDIANA E PSICANÁLISE, CULTURA POLÍTICA, TOTALITARISMO) EM TAL INSTITUIÇÃO DIGITAL. Quem o Facebook quer proteger?

EXISTE UM PODER BRASILEIRO?
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/03/opinion/1451820549_670816.html

A cultura política intelectual brasileira vê e vivencia intencionalmente o poder como substância, algo que se pode deter, perder ou ganhar. Por isso, FHC não consegue entender que o bolivarianismo é um poder criado em solo americano e que funciona em redes mundiais. FHC é a voz sociológica paulista envergonhada de tal poder. O El Pais é a voz bolivariana pública peninsular europeia. The Economist é a voz antibolivariana anglo-americano, assim como o New York Time é a voz antibolivariana americana. Foucault estabeleceu o axioma clarividente: onde há poder, há contrapoder. O PCPT não é o contrapoder que resiste ao bolivarianismo?
O poder não é uma substância; ele existe e funciona em uma superfície política que tem como motor o estado de guerra permanente visível ou invisível. Há autonomia relativa entre o poder e a guerra? A cultura política moderna é a experiência da paz política como emulação. A competição entre os partidos políticos (instituição público/privada) é um ersatz de luta entre máquinas de guerras partidárias freudo/nietzschianas. A sombra destas é a sombra dos partidos políticos no espaço civilizado da política ocidental. Na política brasileira atual, a sombra governa os partidos políticos. Assim sendo, o estado de guerra é a essência da política brasileira.
FHC ainda pensa o mundo com a velha linguagem política europeia. No livro “América”, Baudrillard diz: “Temos na Europa a arte de pensar as coisas, de as analisar, de refletir sobre elas. Ninguém nos pode contestar essa sutileza histórica e essa imaginação conceptual, disso até os espíritos de além-Atlântico sentem inveja”. Portanto, a velha Europa detém o monopólio do poder simbólico. A cultura política intelectual europeia funciona como autointerpretação do mundo, da política mundial, pois isso é o que realmente interessa. No século XXI, o poder simbólico continua sendo um monopólio da velha Europa?
O poder bolivariano é um poder simbólico; ele é o significante-axial da cultura política intelectual americana. Trata-se de redes de relação de forças e sedução em um processo histórico (tempo = fogo) de autodissolução. O poder anglo-americano quer acelerar a autodissolução e o El Pais fazer pará-la. O poder bolivariano é um poder (redes de poder) funcionando na cultura política intelectual mundial. O poder é ação agindo em um campo constituído por outras ações, e vice-versa. A ação de FHC/El Pais age em um campo simbólico constituído de ações da cultura política jornalística (universitária, internet). Deste campo de ações, ações como a do The Economist e do New York Times agem sobre a ação de FHC/El Pais (e do Grupo Globo, porta-voz do bolivarianismo eletrônico brasileiro). O PCPT é uma ação como resistência ao poder bolivariano; ele é o verdadeiro contrapoder simbólico. The Economist e o New York Times são um poder ideológico do capital corporativo mundial que vê o bolivarianismo como redes de poder bárbaras que põem em risco o funcionamento da reprodução ampliada em extensão planetária do capital corporativo mundial que faz pendant com o poder informacionalis ocidental.
FHC ainda não consegue metabolizar (muito menos simbolizar) que o poder substância não existe, e que o poder brasileiro é uma rede das redes de poder do continente americano. Quem está fora do poder bolivariano no Brasil? Não basta se dizer neoliberal para ser o pensamento exterior à cultura política bolivariana. Esta é o dominun da América Latina. Ela sobredetermina todas as redes de poder latino-americanas, incluindo Chile e México, pois ela é o elo mais fraco da dominação do capital corporativo mundial na América. FHC deve estudar, se ainda tiver forças, a Banda de Moebius para ver isso.
A nossa cultura intelectual continua acreditando que a literatura é pura ficção literária que não faz laço social com o real. Que Tolstoi é um nobre russo da literatura universal extravagante da Europa asiática. Mas ele foi capaz de pensar o poder foucaultiano em uma versão cuja raiz está em Marx. Vejam esta citação longa para não deixar dúvidas: “A razão humana não pode compreender a correlação das causas e dos acontecimentos, mas a necessidade de em tudo achar uma causa é inerente ao espírito humano. Eis porque a inteligência, incapaz de penetrar as razões infinitas infinitamente complicadas dos acontecimentos, as quais, cada um de per si, podem fazer figura de causa, lança mão da primeira que lhe parece, seja a mais acessível das coincidências, e proclama: Esta é a causa? Nos fatos históricos que têm por objeto de estudo as ações humanas, a mais vulgar coincidência costuma ser a vontade dos deuses e depois a dos homens colocados em situação de destaque, os chamados “heróis da História”. Basta, no entanto, aprofundar um pouco qualquer fato histórico, isto é, ver agir as massas de homens que tomaram espaço neles, para nos persuadirmos de que não é a vontade deste ou daquele herói que conduz as massas, mas, muito pelo contrário, é essa mesma massa que a todo o momento é conduzida” (Guerra e Paz. v. I: 1321. Aguilar). As massas são conduzidas por trans-subjetividades articuladas em cultura política concretas.
No Brasil, a velha cultura oligárquica colonial é o modelo de uma versão de espaço público procedural? Originalmente, este deve existir e funcionar pelo confronto e diálogo entre fontes nomeadas como faz Platão no livro “A República”. O livro é um diálogo/confronto entre Sócrates e o sofista Trasímaco, o calcedônio. Na versão platônica do poder simbólico, o espaço público procedural é a Ágora (praça pública política) da cultura política intelectual. A Ágora funciona com a luz do sol (BEM/DEUS) para que os interlocutores vejam e sejam visto, ao falarem. Isto significa que eles devem ser nomeados no espaço público procedural ilustrado. O espaço procedural FHC/El País é a Ágora funcionado na calada da noite, sob, no máximo, uma diáfana luz lunar. Quem é o interlocutor de FHC oculto pelas sombras da noite dos mil engenhos de cana-de-açúcar do Vale do Paraíba paulista?
Para FHC, o debate intelectual tem a concepção de justiça de Trasímaco: “ – Se nos guiarmos, Sócrates, pela analogia dos exemplos anteriores, a justiça deve dar o bem aos amigos e o mal aos inimigos”! Portanto, o inimigo jamais deve ser nomeado, pois isso significa fazer crescer seu poder simbólico na cultura política geral. Ao contrário, o PCPT tem como guia de ação o imperativo da ética socrática: “não prejudicar”! E que vença o melhor argumento iluminado pelo Bem! Ele não deve ser a fonte de luz na articulação da cultura política intelectual? “A República” socrática não deveria ter sido a fonte de luz na articulação da cultura política ocidental?

sábado, 19 de dezembro de 2015

AFUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO WITZ


Na América Latina e especialmente no Brasil a lei não é levada a sério. Isto é um problema da cultura política continental que a comunidade jurídica deveria investigar para mudar tal axioma de nossa cultura política intelectual. Todavia, não levar a sério a forma política é um problema que a física lacaniana historial pode começar a fruir.
A forma republicana brasileira foi confeccionada por um ersatz de revolução republicana. O golpe de Estado do marechal Deodoro e do relutante, inescrutável, general comandante da tropa imperial Floriano Peixoto pode entrar para os anais da cultura witz latino-americana. Machado de Assis transformou em witz o golpe de Estado ao dizer que o único sinal notável da revolução republicana foi a mudança do nome da farmácia de sua rua, no Rio de Janeiro, de imperial para republicana. A república brasileira começa como um simulacro republicano, um witz que é o avesso do sério como comédia histórica vulgar com o marechal clown quase caindo do imponente cavalo branco ao proclamar a República. Ele estava com 41°de febre!
A forma republicana deixou de ser uma comédia histórica vulgar ao destruir o povo encantado de duas rebeliões camponesas. A revolução da contramáquina de guerra mestiça Canudos (Nordeste) e a quase revolução camponesa sertaneja do Contestado (Sul). Para deixar de ser um simulacro, o Exército brasileiro se repeti como a máquina de guerra freudiana da guerra do Paraguai, que usa violência física sem limite e sem um pingo de ética contra os povos: paraguaio, nordestino e sulista.
Na República Velha, a forma republicana torna-se o simulacro democrático oligárquico do café-com-leite (para os mineiros foi a era do ouro da política republicana) combatido pela Coluna Miguel Costa/Prestes e desintegrada pela Revolução de 1930. No comando político e militar da Revolução de 30, encontrava-se um homem biologicamente pequeno, que se tornou o gigante espiritual da cultura política republicana populista clássica brasileira. Abordei em um outro texto a relação entre o grotesco (homem pequeno) e o herói populista (gigante espiritual). Mas ainda falta reler o Getúlio trágico como witz, como personagem da comédia histórica populista vulgar. Impossível denegar toda a violência terrorista de Getúlio no início da década de 1930 e no Estado Novo. Getúlio foi mais violento do que a violência com seu terrorismo transpolítico que funda não o estado e exceção, simplesmente, mas o modelo de Urstaat republicano populista na América Latina do século XX: “Mais violento do que o violento, assim é o terrorismo cuja espiral transpolítica corresponde à mesma escalada até aos extremos, na ausência de uma regra de jogo” (Baudrillard: 30-31). Não se trata, portanto, do terrorismo da revolução islâmica mundial do século XXI.
A cultura política do simulacro é o avesso da cultura política do sério. Sua percepção imediata pelas massas (e pela sociedade) significa que não se deve, não se pode levar a sério a forma política condensada nas instituições (pública e privada), nas práticas em geral e na biografia dos grandes homens do mundo público ou privado. Os paulistas levaram a sério Getúlio e se levantaram em armas na Revolução Constitucionalista de 1932 que produziu entre os  efeitos sérios a Assembleia Nacional Constituinte, que confeccionou a Constituição hiperliberal de 1934.
Getúlio se aproveitou, oportunisticamente, da conjuntura mundial baseada no antagonismo fascismo versus comunismo (no Brasil na luta política e militar do PCB da revolução vermelha e da luta do Partido Integralista de Plínio Salgado para tomar o poder político) para destruir a democracia formalmente hiperliberal de 1934. A comédia histórica vulgar populista criou, então, uma forma política que era o ersatz de um Estado fascista, em 1937.
A conjuntura da Segunda Guerra Mundial se encerrou com a derrota do fascismo para a democracia ocidental-americana. No Brasil, a FEB se transformou em um nano movimento de massas dos pracinhas-heróis do campo de batalha italiano contra o Estado Novo fascista. Transformando a história universal de comédia histórica em comédia histórica vulgar, Getúlio Varga e o PCB (Luís Carlos Prestes) criaram o “queremismo”. Tratou-se de um movimento de massas que gritava nas ruas do Rio de Janeiro (capital política do país) “queremos Getúlio”. Prestes passou anos preso como um animal vira-lata na prisão varguista e teve sua esposa assassinada pelos nazistas em um campo de concentração. Getúlio entregou Olga Benário Prestes para os fascistas alemães.  A conciliação de Prestes com Getúlio é um momento alto da cultura política witz da história do comunismo brasileiro. O leitor deve saber que Getúlio foi deposto por um golpe militar. A democracia populista de 1946 se origina na farda verde-oliva. Esta foi um símbolo glorioso da cultura política brasileira até os militares (com a ajuda intelectual de Delfim Neto) erguerem o Urstaat militar/68 (de 1968).
Os comunistas levaram a sério esta forma política e a combateram com as armas do terrorismo urbano e da guerrilha rural. Foram esmagados como a revolução vermelha do capitão Luís Carlos Prestes. Mas o povo não levou a sério o terrorismo transpolítico do Urstaat/68 (o transformou em witz). No ocaso da ditadura militar, Geisel e Golbery escolheram um general witz para governar: o general Figueiredo. Tratou-se de um general-presidente clown que impossibilitou a continuação da ditadura militar por outros meios. O meio era o vice-presidente da República de Figueiredo, o mineiro civil boa-gente Aureliano Chaves. Outro mineiro, um Macunaíma da oligarquia liberal mineira, o herói maquiavélico Tancredo Neves (para o general Figueiredo Tancredo Never) desenvolveu as contradições biográficas e faccionais da ditadura militar e ajudou a autodissolver, no Colégio Eleitoral da ditadura militar, tal forma política. Trata-se de um momento sublime da história brasileira como comédia histórica vulgar.
 O povo também não levou a sério o governo autocrático de Sarney. A classe política witz e os intelectuais escreveram a comédia histórica vulgar da forma política sarneysista como transição verdadeiramente séria (interminavelmente witz na realidade)  para a democracia de 1988. A classe política, a comunidade jurídica e o jornalismo conjuram aquela forma autocrática como democrática e Sarney como campeão da democracia de 1988.
Com o Império oligárquico Constitucional erguido no papel na Sessão 17 do STF (sessão do dia 17/12/2015), o pai da oligarquia moderna brasileira (José Sarney, do Maranhão) pode ser tomado como o símbolo tardio de tal império. A fundação do Império Oligárquico Constitucional é o último capítulo da história republicana como comédia histórica vulgar populista. Mas se trata do populismo em sua forma islâmica, populismo sobredeterminado pela revolução islâmica mundial.
O último livro da sociologia paulista de Brasílio Sallum Jr. não trabalha com a distinção entre cultura do sério e cultura do simulacro. Ele faz um retrato de Sarney como campeão da democracia e não consegue perceber que o governo Collor de Mello é um momento trágico, para a democracia de 1988, da comédia histórica brasileira vulgar da década de 1990. A sociologia da USP sempre pensou a história e a cultura política brasileiras como lógica do sério. Assim, eles se levavam a sério como modernistas. O eu trans-subjetivo uspiano é witz por se levar grotescamente a sério. Por isso, eles odiavam e desprezavam Mário de Andrade e, principalmente, Oswald de Andrade. Ambos modernistas pensaram a cultura brasileira como comédia histórica e a nossa cultura intelectual como witz, incluindo Machado de Assis e a sua Academia Brasileira de Letras (ABL). Não foi só a burguesia paulista que gritou: “abaixo a Semana de Arte Moderna”!    
Dando um salto livre para o presente, a corrupção é um tema corriqueiro do Grupo Globo. Afundação Roberto Marinho é um livro de um auditor do Grupo Globo, Romério C. Machado. Tal auditor fez uma radiografia da corrupção - desta corporação da cultura eletrônica informacional - na época do patriarca oligárquico do mundo subcapitalista. Romério escreveu que Roberto Marinho nunca levou a sério o modelo de corrupção institucional privado do Grupo Globo. Roberto via a sua própria corrupção [havia uma identidade absoluta ente a corporação e a biografia (eu trans-subjetivo) de Roberto Marinho] como witz.
Algo mudou da era Marinho para a era do Grupo Globo de 2015? A campanha para as massas de telespectadores sobre corrupção parte do axioma de que todo o povo brasileiro (a sociedade brasileira) é corrupto. Por isso, a classe política é corrupta e os funcionários estatais são corruptos. Identidade absoluta entre a sociedade corrupta e sua classe política corrupta. O jornalismo global foraclui que a classe empresarial é corrupta. Claro que a campanha da corrupção do Grupo Globo é a comédia histórica vulgar eletrônica informacional vulgar que domina a cultura política intelectual brasileira de 2015. O significante eletrônico informacional corrupção do Grupo Globo é uma arma RSI (Real/Simbólica/Imaginária) voltada para a articulação do Império Oligárquico Constitucional da Okhrana na América Latina!       
O Grupo Globo bolivariano da oligarquia peemedebista do Museu do Amanhã da Praça Mauá participou ativamente e alegremente do golpe de Estado do STF/17. Tal golpe transformou a forma republicana em um espectro - uma alma penada à procura de um corpo político na Terra. Em Belém do Pará da minha infância feliz, a alma penada habitava as ruas, casas e cemitérios da polis ao lado dos simples mortais. Quando descobri a teoria política concreta do espectro em Marx (vivia na prosaica, quase vulgar e witz, cidade do Rio de Janeiro), tive um reencontro com os fantasmas do inconsciente nietzschiano da Floresta Amazônica, inconsciente da polis na qual vive minha infância banhada em mitos. Para não parecer uma paródia da fala dos juízes do STF, não vou acabar este texto com uma citação em latim da missa negra da sociedade alternativa do filósofo inglês John Gray.  
BIBLIOGRAFIA
BAUDRILLARD, Jean. As estratégias fatais. Lisboa: Editorial Estampa, 1991
MACHADO, Romério C.. Afundação Roberto Marinho. Porto Alegre: Editora Tchê!, 1988
SALLUM JR, Brasilio. O impeachment de Fernando Collor. Sociologia de uma crise. SP: Editora 34, 2015             
  

           

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

REVOLUÇÃO OLIGÁRQUICA NA AMÉRICA LATINA


De caio Prado Jr, “A Revolução Brasileira” iniciou a dissolução do conceito sociológico de oligarquia rural conservadora, reacionária e autárquica. Mas o fez na cultura intelectual que é a unidade teoria sem prática. Com efeito, Caio Prado busca fatos na história do Brasil quase estabelecendo a ideia de uma revolução oligárquico-burguesa: “Isso se aplica inclusive, e mesmo especialmente, podemos dizer, às relações entre os setores agrários e industrial, que longe de se oporem, antes se ligam intimamente entre si e se amparam mutuamente em muitas e essenciais circunstâncias” (Prado: 116). No entanto, ele pensa em uma oligarquia revolucionária determinada pelo capitalismo. O marxismo de Caio Prado é parte de uma epistemologia política que tem um fundamento in re da oligarquia revolucionária. Ele é de uma família de fazendeiros paulistas do café.
Em 2015, a oligarquia revolucionária parece se articular revolucionariamente na Venezuela. Trata-se da transição da cultura intelectual marxista brasileira para a cultura política intelectual venezuelana. Não se trata de uma oligarquia revolucionária definida simplesmente pela sociologia economicista marxista. Na conceituação de oligarquia revolucionária de Caio Prado, o economicismo sociológico está no comado da cultura política. Na Venezuela, a cultura política econômica está no comando da política oligárquica revolucionária.  
A oligarquia revolucionária de Leopoldo López, Lilian Tintori, María Corina Machado  e Henrique Caprilis é um fenômeno do processo de dissolução da cultura política bolivariana contrarrevolucionária. Tal dissolução está associada à desintegração do poder simbólico bolivariano na América Latina. Na política, isto começa com a vitória de Macri na Argentina, continua com o movimento de deposição de Dilma Rousseff no Brasil (impeachment) e a vitória da MUD (Mesa de Unidade Democrática) na Venezuela.
Intuitivamente, Nicolás Maduro atribuiu a vitória da MUD a uma imaginária “guerra econômica” patrocinada pelo imperialismo americano. O jornalismo usa matemática como informação para estabelecer uma realidade econômica indeterminada conceitualmente. Trata-se de mostrar que a guerra econômica de Maduro é, de fato, a economia de guerra civil bolivariana. Isto significa a cultura política econômica no comando da política na interpretação da física lacaniana da política mundial.
A economia de guerra não é um simples fato econômico. Não se trata de um fenômeno articulado por uma causalidade fáctica. Ela é um artefato econômico. Por isso se trata de cultura política econômica - fato econômico trabalhado pela cultura política como artefato. Visando não cansar o leitor, digo que a mudança para o câmbio controlado em 2003 significou o início do fim da economia de mercado. O câmbio controlado da revolução bolivariana é o prenuncio da economia de guerra civil. O uso do petróleo para financiar a revolução é um outro sintoma da economia de guerra bolivariana? A gasolina doada graciosamente para a população é um mecanismo da economia de guerra bolivariana. Ela é uma política irresponsável de destruição da petrolífera venezuelana. O montante das divisas do petróleo é de 95% de sua receita em moeda estrangeira. O preço do barril caiu de 96 para 40 dólares na última conjuntura econômica mundial. O leitor pode concluir as consequências deste fato matemático.     
As Missões é o nome dos programas sociais financiado pela receita petrolífera que constituem 95% das divisas. A revolução destruiu a economia agrícola para desintegrar a oligarquia colonial conservadora e reacionária, para dissolver o poder político oligárquico. E, infelizmente para o povo venezuelano, não a substitui por qualquer outro tipo de economia rural ou urbana. Hoje, a economia vive uma recessão com a contração do PIB em 10%. A moeda (bolívar) caiu para 792 por dólar no mercado negro, enquanto a taxa oficial permanece em 6,3%. Os preços dos alimentos básicos são fixos e isto está associado à carestia e ao desabastecimento. Como em Cuba e na Coréia do Norte, as massas só conseguem alimentos durante três dias na semana. No entanto na Venezuela, os remédios e medicamentos em geral desapareceram das farmácias, clínicas e hospitais. As massas de pessoas com câncer são obrigadas a se resignarem com a crônica da morte anunciada. A economia bolivariana é a economia de guerra civil contra as massas, em geral. A projeção da inflação é de 159% em 2015 e de 204%, em 2016. 
O jornalismo especializado da Globo News desinforma e contrainforma diariamente o seu telespectador construindo a imagem de uma oposição desunida na MUD. E não diz algo consistente sobre o recuo de Maduro que reconheceu a vitória da MUD e não fraudou o processo eleitoral, após declarar que ia instituir a política de banhos de sangue para garantir a “revolução bolivariana”. De fato, tal revolução se metamorfoseou em uma contrarrevolução bolivariana. A economia de guerra civil é o conteúdo da cultura política econômica que define a política venezuelana como um antagonismo contradialético entre a revolução oligárquica e a contrarrevolução bolivariana.
Tal revolução oligárquica começou com Macri, continuou com o PMDB de Michel Temer (impeachment) e a adaptação do animal político bolivariano petista/dilmista ao novo equilíbrio de força entre a oligarquia revolucionária e o bolivarianismo, derretido pela lógica do desmoronamento. Aconselhada pelo ministro da Justiça, Dilma Rousseff enviou mensagens à Maduro de que ele seria suspenso do MERCOSUL, se ele fraudasse a eleição. A ideia da suspensão é de Macri. Maduro está isolado no cenário internacional e é hoje um refém da China, que não tem um papel político decisivo no poder mundial em relação à América.  
A Globo News diz que a oposição é um saco de gatos famintos. A MUD é uma frente de partidos que vai do centro-esquerda à direita mais conservadora. Ela significou uma mudança na tática da oposição que passou do caminho revolucionário violento para a revolução pacífica pelo voto. Ela quer tomar o poder de Estado pela via eleitoral para isolar completamente Nicolás Maduro no concerto das Nações e no seio das massas venezuelanas. Em seguida, Nicolás Maduro pode renunciar ou pode ser deposto através de um impeachment. Maduro representa o terrorismo bolivariano de Estado na América Latina.
 Representando Leopoldo López, Lilian Terturi declamou: “Ganhamos, queremos paz e reconciliação”. Ela é a chefe atual livre da Vontade Popular da revolução oligárquica que havia optado pela derrubada de Maduro através de uma revolução violenta.
Em 2015 na América Latina, começou a ser esboçado a construção de um poder simbólico oligárquico. Trata-se de uma trans-subjetivação oligárquica de massas que é uma superfície RSI (Rela/Simbólica/Imaginária) contínua à superfície de uma trans-subjetividade de massas mundial. A contradição principal na cultura política mundial se dá entre a oligarquia informacional mundial contrarrevolucinária e a oligarquia islâmica assustada (espantada) com seu protagonismo na política mundial. A trans-subjetividade islâmica é o fantasma de uma revolução mulçumana mundial.
Se livrando da dominação da cultura política do simulacro mundial que ocultou a presença avassaladora da economia de guerra civil no planeta, o século XXI aparece como um século revolucionário acossado pôr contarrevoluções no centro e na periferia. A cultura política informacional não vai conseguir transformar a revolução em witz (transformá-la em comédia histórica vulgar) para em seguida foracluí-la (rejeitá-la) da cultura política mundial. Na França, François Hollande é a contrarrevolução ecológica  e os ambientalistas (que ele encarcerou - na COP 21 em Paris - através de seu estado de exceção parlamentar-constitucional) são o fantasma do futuro da trans-subjetividade ecológica de massas. Esta aparece no horizonte como a revolução ecológica com o capital corporativo ecológico mundial ou sem ele.  
A trans-subjetividade ecológica é a subjetividade ecológica das massas sem sujeito na cultura política intelectual mundial. Na cultura intelectual, ela significa o fim, afinal, da filosofia do sujeito!     
Bibliografia
CAIO PARDO Jr. A revolução brasileira. SP: Brasiliense, 1987
Outros

Jornalismo diário da Globo News                                                                

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

BAUDRILLARD: ESQUERDA/DIREITA

      CONTRACIÊNCIA POLÍTICA LACANIANA
  • “Não existe metalinguagem, portanto, mas o escrito que se fabrica com a linguagem poderia, talvez, ser um material dotado de força para que nela se modificassem nossas formulações. Não vejo outra esperança para os que escrevem atualmente.” (Lacan. S. 18: 116)  
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  • Em uma de seus dizeres brilhantes e axiomáticos, Marx diz: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos” (Marx. 1974: 335). Os homens fazem a história desde quando? Não seria a partir da ANTIGUIDADE GRECO/ROMANA e depois na era moderna? Se Hegel estiver certo (e Nietzsche concorda parcialmente com ele), a história é feita pela dialética senhor-escravo até a modernidade política. Homens fazendo história significa liberdade na praxis. Isso só existiu na polis grega e na república romana e, mutates mutandes, na modernidade política até a emergência do totalitarismo: russo e alemão. Estes mostraram que os homens não fazem a história; que a máquina de guerra (neste caso psicótica) faz a história. 
  • O totalitarismo sobredeterminou as cadeias de significantes e a linguagem política da história universal. A partir do stalinismo e do hitlerismo pode-se ver clara e distintamente que as máquinas de guerra fazem a história desde a civilização arcaica. Em breves momentos da política universal os homens, as mulheres e as crianças fizeram a história. Portanto a história universal é esta dialética, em última instância, -  sempre favorável às máquinas – entre a máquina de guerra e o homem. Por último, a tradição de todas as máquinas desintegradas pelo tempo pesa como chumbo no cérebro das máquinas vivas? A máquina de guerra é o significante universal da história universal a partir da civilização arcaica. Ele sempre retorna de forma diferente e lúdica: “Qual é a função do esquecimento, nessa revelação? Ainda mais particularmente, não será o esquecimento a fonte e, ao mesmo tempo, a condição indispensável para que o Eterno Retorno se revele e transforme, de uma só vez, até mesmo a identidade daquele a quem ele se revela” (Klosowski: 76). A consciência da máquina de guerra (se ex-istir) só será estabelecida se as outras possíveis identidades dela forem esquecidas. De qualquer modo, os homens, as mulheres e as crianças sempre esquecem que as máquinas de guerra sempre dominaram a história política universal. A dialética hegeliana senhor versus escravo pode agora ser vista também como a dialética máquina de guerra versus homem!  
  • O livro mais importante e original sobre a máquina de guerra freudiana é o “L’échange symbolique et la mort”. O modelo de máquina de guerra que sobredetermina a história universal é o capital, na definição de Marx (Baudrillard. 1976:7-12). O capital é uma máquina de guerra articulada pela lei do valor – pela lógica econômica do simulacro de simulação – que aparece na história universal arcaica: “O capital PRODUTOR de juros, ou, como podemos chamá-lo em sua forma antiga, o capital usurário, pertence, como o irmão gêmeo, o capital mercantil, às formas antediluvianas de capital que por longo tempo precedem o modo capitalista de produção e se encontra nas mais diversas formações econômicas da sociedade” (Marx. 1985: 680). A hipótese de Baudrillard precisa ser investigada e usada como modelo lógico na história política universal. No entanto, é preciso evitar que tal modelo baudrillardiano não transforme a história política universal em uma visão de mundo economicista. O risco baudrillardiano é fazer da história universal uma visão de mundo totalitária, transformá-la na concepção de mundo do homem unidimensional de Marcuse.               
  • I
  • Bobbio esclareceu na década de 1990 que a linguagem política é por si mesma pouco rigorosa, pois em grande parte feita de palavras extraídas da linguagem comum. "Mais do que pouco rigorosa do ponto de vista descritivo, é composta de palavras ambíguas, senão mesmo ambivalentes, no que se refere a conotação de valor". Qualquer criança de dez anos sabe que esquerda/direita são metáforas espaciais da linguagem política inventada na Revolução Francesa. "Direita" e "esquerda" não são conceitos absolutos, mas relativos. Não são conceitos substantivos ou ontológicos. Não são qualidades intrínsecas ao universo político. São lugares do "espaço político"; representam uma determinada topologia política, que nada tem a ver com ontologia política. Direita e esquerda não são palavras que designam conteúdos fixos de uma vez para sempre. "Esquerda/direita são termos que a linguagem política europeia passou a adotar no decorrer do século XIX, e preserva até hoje, para representar um universo conflituoso da política"
  • O problema da explicação de Bobbio é que ele não metabolizou/simbolizou a revolução cultural/intelectual do pós-modernismo europeu. Quando esquerda/direita tornaram-se simulacros existindo no regime oligarquia política híbrida, o par perdeu todo o seu potencial dialético. Com o neoliberalismo, esquerda/direita tornaram-se o homem unidimensional (Marcuse) do espaço político como simulacro de simulação. O espaço político movido pela lógica do simulacro de simulação introduz a esquerda no paraíso artificial da política (Baudrillard). A esquerda esquece a emancipação, ou simula que luta pela emancipação e a direita simula a defesa da tradição. Engraçado, pois esquerda e direita tornaram-se duas categorias tradicionais da política na segunda metade do século XX. No entanto, trata-se da tradição como simulacro de simulação.
  • Direita/esquerda podem ser parte de uma cultura política nacional, regional, continental, mundial. Elas podem funcionar como artefatos ideológicos poderosos dependendo da história, por exemplo, nacional.
  • A cultura política opera com metáforas espaciais, se elas fazem parte da tradição histórica. Esquerda/Direita são metáforas da política mundial. No entanto, elas precisam se constituir nas histórias dos países, regiões ou continentes. Na cultura política, a metafórica é parte da lógica do significante. O significante é algo material, pois ele articula/produz a realidade política. A metáfora espacial é vivida como "real" pelos governos, partidos, eleitores, população, multidões, etc.. Mas a cultura política pode ser capturada pela lógica do simulacro de simulação. 


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CRISE DO BOLIVARIANISMO E GOLPE DE ESTADO

No Brasil, o populismo é um fenômeno que se constitui como efeito da Revolução de 1930. Durante três anos, Getúlio instala um estado de exceção que é a redução da política ao quase grau zero da hegemonia. Governar no lugar do bloco-no-poder define a política getulista até 1934. Neste período Getúlio lança o modelo populista com a articulação das massas urbanas ao Estado pelo laço social do direito trabalhista: discurso do direito.
Em outra conjuntura, o Estado de direitos populista se tornaria um Estado industrial. Fundada em uma transsubjetividade histérico-oligárquica, a nossa história se vê confrontada pela história do Príncipe republicano populista: urbano-rural. O estado histérico-oligárquico colonial significa as mil republicas dos pequenos oligarcas, dos pequenos mestres oligárquicos. A República Velha foi seu apogeu político. O histérico-oligárquico significa que a realidade política não é jamais articulada pelo Príncipe hegemônico. Aquele é histérico por tornar impossível a articulação da realidade política pelo discurso do mestre hegemônico! Ele é a destituição do saber do grande mestre freudiano, permanentemente.
Getúlio suprassume os mil mestres oligárquicos como Príncipe populista. A história da constituição da cultura política populista é o corolário do Príncipe. Tal cultura articula um bloco-no-poder industrial nacional populista que lança na América Latina a ideia e o fantasma do futuro de um novo polo de poder capaz de mudar o equilíbrio de força - completamente favorável aos EUA - na América Latina, dissolvendo a fórmula “as Américas para os americanos”.
Getúlio é confrontado pelas forças do bloco-no-poder ligadas ao EUA e se suicida após a solução oligárquica – da cultura política sulista - de seu afilhado (Gregório Fortunato, o anjo negro de Getúlio) que resolve assassinar Carlos Lacerda, inimigo figadal letal de seu mestre. A República do Galeão entra em ação e impulsiona um levante branco dos generais comodantes de tropas contra o presidente da República, que engolfa os ministros militares. A República do Galeão era composta por oficias da aeronáutica que funcionava como um grupo paramilitar sob o comando monocrático de Carlos Lacerda (UDN).
Após um breve intervalo do governo Café Filho (vice de Getúlio) entre 1954-1955, Juscelino Kubitschek (JK) toma o poder nas eleições presidenciais e retoma a construção do Príncipe populista agora moderno/urbano, entre 1956-1961. Com ele, o Príncipe se torna uma revolução populista das classes médias urbanas, uma cultura política populista intelectual moderna na arquitetura, música, teatro, cinema, etc. A Praia de Copacabana, a Bossa Nova e Brasília são os símbolos deliciosos, na era JK, da revolução populista como junção de princípio de prazer e princípio da esperança. Mas a política continua sob controle oligárquico com a UDN, o PSD e o PTB quase populista. Esta defasagem entre a cultura política e a política é reduzida pela instalação da formação do capital dependente e associado industrial. JK havia encontrado o caminho para a revolução populista em uma aliança econômica com o capital industrial estrangeiro que não era majoritariamente americano. Com uma intenção populista-bonapartista, o paulista Jânio Quadros substitui  JK e participa de um golpe de Estado branco - contra si próprio - antes de  completar um ano de governo.
Vice de Jânio, João Goulart é proibido de assumir plenamente o poder executivo pela ESG (General Geisel e o coronel Golbery de Couto e Silva) que em aliança com a oligarquia política realiza um golpe de Estado branco/parlamentar, que implanta o parlamentarismo. Depois de liderar um movimento exitoso para a volta do presidencialismo, Goulart deixa claro que quer a mudança da Constituição que permita a participação dele na eleição presidencial de 1965. JK era o outro candidato populista. Sem chances de vencer a eleição, a UDN com Carlos Lacerda se alia ao IPES/IBAD/CIA para desfechar o golpe de Estado civil-militar que implantaria, em 1964, a ditadura militar no país.
Entre 1964 e 1968, a esquerda marxista e/ou populista dirige a oposição na política formal e na política de massas. Em 1968, um populismo militar conservador desfecha um golpe de Estado dentro do golpe e instala um Urstaat militar. É o tempo do terrorismo urbano de esquerda e das guerrilhas  rurais do PCdoB e da APML. A história do populismo de esquerda parecia que tinha sido encerrada!
Na década de 1970, a cultura populista de esquerda quase marxista articulou-se à Teologia da Libertação populista, ao novo sindicalismo populista de Lula e, finalmente, ao PT. Este caldo de cultura política fez renascer o Príncipe populista , na política, em uma nova versão: bolivarianismo de esquerda. No campo simbólico para si da década de 1960, de Glauber Rocha, o filme "Terra em Transe" é a bíblia tropicalista (romance universal) do bolivarianismo de esquerda, secundado pelo "Tropicalismo" de Rogério Duprat, Tom Zé, Gil e Caetano. A cultura política bolivariana de esquerda nasce no Brasil, mas só aparece como significante com Hugo Chaves, na Venezuela, quase duas década depois da fundação do PT.
O bolivarianismo tem sua raiz na cultura intelectual populista clássica da Cepal, de Raúl Prebisch e Celso Furtado, na década de 1940. FHC foi a parte moderna do populismo cepalino, na década de 1960, com a teoria do capital dependente e associado como hegemônico no bloco-no-poder dos países da América Latina. FHC foi o pai intelectual do bolivarianismo de direita na América Latina. FHC tomou o poder nacional na década de 1990 e o entregou para o bolivariano de esquerda Lula da Silva no início do século XXI.
O bolivarianismo é o poder simbólico que articula a realidade política por uma lógica de sentido sustentada por uma fé islâmica laica das massas intelectuais na cultura política bolivariana. Não se trata de uma crença na dominação burocrática racional (partido/Príncipe moderno ou Estado moderno), mas de uma crença em um poder quase racional de fazer a gestão do irracional. A fé islâmica é mais profunda na Venezuela, pois aí o bolivarianismo é um fenômeno econômico que beneficia uma parte considerável da população pobre e não-pobre. Mesmo com a Venezuela mergulhada na economia de guerra (que desarticulou a economia de mercado), o bolivarianismo chavista está longe de ensarilhar as armas. A fé islâmica das massas bolivarianas pode ser a arma que os exércitos bolivarianos precisam para aprofundar a revolução chavista. O golpe de Estado bolivariano é o fantasma do futuro da conjuntura, que é pontuada pela eleição parlamentar de dezembro de 2015.
No Brasil, a crise estrutural da hegemonia do capital dependente e associado no bloco-no-poder abalou o bolivarianismo petista. O PT nada fez para mudar o curso desta crise cuja lógica encontra-se na globalismo do capital corporativo mundial. A lógica do desmoronamento da Petrobrás foi outro golpe de Estado pombalino que o bolivarianismo deu contra si próprio. Uma linha de força histórica se constitui como um tempo histórico que corrompe e dissolve a cultura política bolivariana como poder simbólico. Isto significa que a realidade política pode deixar de ser articulada pela lógica de sentido bolivariana. Nesta linha de força histórica, o bolivarianismo caminha para sua autodissolução como cultura política intelectual. Isto está visível com a perda do controle da narrativa política, que o PT manteve na era Lula. Trata-se do fim do Projeto Hegemonia Petista. A decomposição do bolivarianismo pode ser percebida no estado de confusão ideológico/transsubjetiva que se instalou na comunidade psicanalítica bolivariana. Parece que o Príncipe Bolivariano está se transformando em vapor. Já é possível ver que o bolivarianismo é incapaz de se estabelecer como equilíbrio de antagonismo: “Heráclito (dizendo que) o contrário é convergente e dos divergentes nasce a mais bela harmonia, e tudo segundo a discórdia”. Talvez, o golpe de Estado bolivariano não seja um fantasma do futuro apenas venezuelano. No programa Política da Globo News dirigido pelo jornalista bolivariano Carlos Monforte, o general da cúpula do Exército Brasileiro Luiz Felipe Linhares defendeu a legislação antiterror como um artefato  necessário para a atividade da Okhrana  brasileira, Disse que esta é articulada à Okhrana mundial (Comunidade de Informação Mundial). O general disse que taxistas, garçons (podemos acrescentar aí porteiros de prédios comercial e residencial) são os olhos e ouvidos das redes informacionais (de Vigilância) da Comunidade de Informação Brasileira. Os leitores precisam ler o Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sábato. O melhor livro latino-americano sobre as máquinas de guerras freudianas informacionais ficcionais! A Okhrana bolivariana não é o ovo da serpente no século XXI latino-americano?           
No “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, o fantasma do futuro é o contraconceito de tempo político que pode definir a linha de força histórica que articula a realidade política. Nas palavras de Marx:
“O golpe de Estado fora sempre uma ideia fixa de Bonaparte. Com esta ideia em mente voltara a pisar o solo francês. Estava tão obcecado por ela que constantemente deixava-a transparecer. Estava tão fraco que, também constantemente, desistia dela. A sombra do golpe de Estado tornara-se tão familiar aos parisienses sob a forma de fantasma, que quando finalmente apareceu em carne e osso não queriam acreditar no que viam. O que permitiu, portanto, o êxito do golpe de Estado não foi nem a reserva reticente do Chefe da Sociedade de 10 de Dezembro nem o fato de a Assembleia Nacional ter sido colhida de surpresa. Se teve êxito, foi apesar da indiscrição daquele e com o conhecimento antecipado desta – resultado necessário e inevitável de acontecimentos anteriores”.

Pedro I fundou o Império democrático com um golpe de Estado pombalino. Fundou um simulacro de Império liberal/pombalino, como disse Joaquim Nabuco. O Brasil é a terra da cultura política do golpe de Estado pombalino. O bolivarianismo mortalmente ferido no campo simbólico não pode se servir desta técnica pombalina tradicional do golpe de Estado para se perpetuar no poder político com a ajuda da economia de guerra  (capaz de gerar uma spaltung no mundo brasileiro) que está batendo furiosamente à porta da economia de mercado? Nos últimos meses quantos vezes o jornalismo e a classe política falaram em golpe de Estado? Agora ele se encontra na forma de vapor. Mas ele não pode estar em processo de condensação material no mundo invisível da cultura política? Brasil e Venezuela não é um xifópago bolivariano?  
Com a bênção da União Européia, o estado de exceção quente articulado hoje na França não pode se tornar o paradigma/fantasma do futuro, no campo da cultura política intelectual mundial, da política do século XXI? Parece que não há descontinuidade entre a superfície bolivariana latino-americana e a superfície da política europeia (França) em novembro de 2015                                                                                                                          

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ECONOMIA DE GUERRA E ESQUERDA BOLIVARIANA


Na ciência econômica da guerra, o neoliberal clássico Hayek se submeteu, conscientemente, ao grande teórico do capital monopolista nacional de Estado: Keynes. Na teoria da economia de guerra, o problema central é a relação entre gastos deficitários e receitas públicas. Em tal economia, o populismo da irresponsabilidade fiscal de Keynes deixa de ser uma norma econômica patológica para se transformar na única solução para a vida econômica territorial. Há uma espécie de normalização do pathos: - claro que o orador populista bolivariano se serve de argumentos quase racionais, mas não pode deixar de usar o seu carisma e a sua habilidade oratória para convencer as massas intelectuais. A economia de guerra é um objeto da ciência econômica carismática e retórica capaz de evitar as revoltas das massas em estado de extrema necessidade. Na atualidade, ela faz pendant com a cultura política informacional sedutoramente espetacular. Esta é capaz de transformar a miséria das massas urbana e rural em informação espetacular, em medusa sedutora. Tal adaptação das massas à economia de guerra está a pleno vapor na Venezuela.      
A questão cadente da economia de guerra é - quem paga pela guerra? A Venezuela instalou a economia de guerra, quando o bolivarianismo chavista estabeleceu que a economia oligárquica liberal era o inimigo a ser aniquilado. A conservação do poder bolivariano exigia a destruição do conteúdo econômica do poder político oligárquico. O bolivarianismo chavista é a forma mais extrema do populismo pós-modernista na América Latina. Tal bolivarianismo é um populismo de irresponsabilidade fiscal sem limite que usou a riqueza da nação (renda do Petróleo) para financiar um estado de economia de guerra permanente. Este ergue uma forma de regime político/econômico no qual massas improdutivas e a subelite bolivarianas gastam improdutivamente a riqueza da nação. Jamais passou pela cabeça de Hugo Chaves usar a renda do petróleo para qualquer projeto de industrialização no país. Em 2015, a Venezuela de Maduro saiu do estado latente da economia de guerra para o abismo da economia de guerra.
A economia de guerra manifesta se caracteriza pela lógica do desmoronamento da economia de mercado e das instituições econômicas e outras instituições não-estratégica para a conservação do poder bolivariano. Na Venezuela, falta alimento, produtos de higiene, remédios, material hospitalar, produtos escolares, papel para a imprensa etc. A energia elétrica e a água são bens de consumo cada vez mais raros. O transporte de massas alcançou o nível cubano. Enfim, trata-se de um estado de miséria material impossível de esconder com o nefasto discurso ideológico bolivariano. Por isso, o presidente Maduro encarcerou os líderes da oposição oligárquica liberal capazes de comandar um levante popular contra o bolivarianismo. E diante da eleição parlamentar de dezembro perdida, fala de golpe de Estado antibolivariano das massas eleitorais oligárquicas.
O modelo brasileiro é um modelo híbrido bolivariano/oligárquico. O governo FHC foi governado pelo PSDB (bolivarianismo de direita) com o PFL (oligarquismo articulado como simulacro de liberalismo econômico). Nos governos Lula/Dilma Roussef, o país foi governados pelo PT (bolivarianismo de esquerda) com o oligarquismo conservador colonial peemedebista (PMDB). A lógica de sentido da realidade política brasileira da República Democrática pombalina de 1988 é articulada pelo subpoder simbólico bolivariano com suplemento oligárquico. O xifópago bolivariano (PT/PSDB) se distingue imaginariamente – para as massas intelectuais ideologicamente disponíveis – como esquerda versus direita liberal. A universidade estatal bolivariana é a instituição que acolhe caninamente tal paradigma esquerda versus direita. Hoje, um professor planeja um curso de graduação sem saber se ele será concluído. O déficit emergencial bolivariano no orçamento da universidade é parte da economia de guerra na educação, que impede que ela funcione como uma instituição racional. A irracionalidade é a “lógica” da vida da universidade estatal. Mas a universidade não rompe com o bolivarianismo!   
O Brasil não instala o estado de economia guerra do tipo venezuelano. Ele conserva a economia como lógica oligárquica do simulacro de simulação, que Celso Furtado estudou na década de 1970. O bolivarianismo de esquerda lulista instalou o mecanismo do estado de guerra econômico (extraído do governo FHC) com o Bolsa Família. A economia brasileira jamais deixou de ser uma economia dependente subdesenvolvida, como Espírito Objetivo. A questão nordeste denuncia o desenvolvimento desigual territorial com tal região subdesenvolvida submetida à região Sudeste em aliança com o  Sul e o Centro-Oeste semidesenvolvidos. O desenvolvimento desigual dependente e associado fez do Sudeste (São Paulo) o centro econômico do pais. Nesta região funcionava um simulacro de simulação de economia de mercado, pois se tratava, de fato, de um subcapitalismo moderno do Engenho de cana-de-açúcar.
No governo Dilma Roussef, a governança oligárquica neoliberal de um Joaquim Levy quer usar Hayek sem Keynes. Quer cortar o Bolsa Família - símbolo keynesiano da economia de guerra bolivariana na paz e na guerra. Os economistas veem este problema candidamente como um quid pro quo entre cavalheiros desenvolvimentistas keynesianos e neoliberais hayekeanos.
A Venezuela vive, atualmente, na economia de guerra a céu aberto. A vida venezuelana mergulhou na mais negra irracionalidade. Um estado de loucura permanente se avizinha nesta pátria. E, apesar de tudo, o bolivarianismo crê que pode conservar o poder político. A aproximação de Maduro com o islã político, nos leva a ver (e ouvir) que o bolivarianismo se sustenta pela fé islâmica laica das massas chavistas no poder simbólico bolivariano. O Brasil atual petista também não possui esta fé de islamismo político no poder simbólico bolivariano?
Em outro texto escrevi:
                
Assim como o imperialismo é história territorial, a DEPENDÊNCIA é história territorial e uma linguagem ideológica oca na relação ideia/fenômeno da atual história mundial. A dependência significa subcapital industrial dependente e associado. Vamos falar de fatos. Não é esta dependência que está em desintegração no Brasil (e na América Latina)? O subcapital industrial paulista não está vivendo sob o tacão da lógica do desmoronamento econômica? Isto não é a essência da CRISE BRASILEIRA? 
A economia de guerra do bolivarianismo de esquerda não é o apogeu da crise do capitalismo territorial no planeta?                                     

            

sábado, 14 de novembro de 2015

PARIS SOCIALISTA- PODER POLÍTICO CIVIL MILITARIZADO


Um problema cadente da filosofia e das ciências naturais é o VER. A biologia precisou de um aparelho-prótese do olhar científico (o microscópio) para constituir a natureza como realidade do real. Mas o senso comum dessa realidade natural só a conhece através dos efeitos maléficos sobre o corpo humano que tem como causa as quase-coisas: vírus, bactéria etc. Ou conhece através do combate dada a elas pela medicina: remédios. A astrofísica precisou do telescópio para constituir o cosmo celestial como algo inteligível para a ciência moderna.
A política mundial é uma realidade micro e macro. E não existe aparelho-prótese que seja a alavanca da investigação científica no campo da ciência política lacaniana. Então, como desenvolver a cultura do VER neste campo de pensamento? A filosofia é conciliação com a realidade (filosofia hegeliana do Estado) ou é conciliação da realidade com a filosofia (o fascismo como conciliação com a filosofia nietzschiana).
A contraciência política lacaniana trabalha com o tempo na história mundial. Se o tempo fático é um impossível freudiano, o tempo artefático é um raio em um céu azul. O artefato é o fato articulado como lógica de sentido do mundo; o artefato é o fato (real) como realidade do real, isto é, articulado como lógica de sentido do real: lógica fática. O artefato é o fenômeno como realidade do real; como lógica do sentido, a coisa fatual se dissolve no fenômeno. Como realidade mundial, o artefato é o fenômeno constituído pelo poder simbólico que articula o real da coisa como lógica do sentido da realidade do real.

A história universal tem sido a história da luta pela posse do poder simbólico sobre as coisas e as pessoas. A luta se faz no terreno da cultura política intelectual mundial, em geral. A partir da antiguidade greco-romana, o paradigma de poder simbólico é o poder metafísico. Como o poder simbólico constitui a elite, a elite greco-romana é a forma de elite aristocrática (metafísica): Príncipe Philosophia. Na era moderna, o poder simbólico europeu se constituiu a partir das ciências modernas que tem suas raízes na filosofia e, talvez, na cultura política intelectual cristã medieval. Em Maquiavel, o Príncipe renascentista já é o Príncipe da quase ciência política moderna. Em Montesquieu, o Príncipe moderno/representativo é o Príncipe da física historial. Tais escritores são parte da cultura política intelectual que inscreveu o poder simbólico na realidade mundial. Eles fazem parte da construção da elite europeia ocidental moderna. Inglaterra e Alemanha também se constituíram como cultura política intelectual de articulação do poder simbólico e da elite moderna: Hobbes, Hegel e outros. Mas foi a economia política liberal capitalista inglesa que constituiu o Príncipe capitalista que reinou na política mundial a partir do século XIX: elite capitalista ocidental!
A Inglaterra foi hegemônica na política mundial até a Segunda Guerra Mundial. Esta foi um choque entre os Príncipes nacionais europeus (Inglês versus alemão) e deste último com o Príncipe asiático (russo/soviético). Com o fim da guerra, a Europa devastada cedeu a hegemonia para os EUA na política mundial. O poder político americano é o poder articulado por um subpoder simbólico (ersatz de poder simbólico), poder de uma subelite americana. O modelo deste subpoder simbólico se constituiu pela junção do discurso da universidade com a cultura política informacional. A televisão e o jornalismo são as instituições-coisas ativas deste subpoder. Tal poder significou a derrocada final do poder simbólico metafísico ocidental. Marcuse não estabeleceu que os EUA possuem um subpoder simbólico que articula, a partir da década de 1960, uma realidade do real como lógica de sentido totalitária?   
Na América Latina, um subpoder simbólico foi constituído a partir da CEPAL, com o argentino Raul Prebisch e o brasileiro Celso Furtado. Trata-se de um subpoder simbólico populista que está na origem do subpoder simbólico bolivariano do século XXI. Tal poder tem um elemento que o faz um fenômeno da história mundial. Trata-se da militarização como laço social, militarização de grandes cidades como o Rio de Janeiro para combater o narcotráfico e militarização da sociedade civil na Venezuela. Ao defender a militarização da Europa, Zizek é o bolivariano da esquerda europeia que bebe na fonte bolivariana da esquerda latino-americana na qual ele possui muitos amigos.
Os atentados terroristas islâmicos em Paris (Charlie Hebdo e Bataclan) fizeram da França o centro concreto da política mundial em um choque de civilizações. Mas o americano Samuel Huntington jamais disse nada sobre a natureza deste choque. Trata-se de um choque que se define no estado de guerra aberta oligárquico pela posse do poder simbólico mundial entre o Oriente e o Ocidente. Na história universal, tal choque não é uma novidade! Hoje, o Islã se constitui como uma vontade política (uma cultura política intelectual) que quer o poder simbólico mundial. Não se trata da hegemonia política sobre a realidade mundial, simplesmente. O poder simbólico islâmico quer uma existência territorial; note-se que o islã não ataca as instituições do capital corporativo mundial; ele ataca instituições e população civil das cidades, no Oriente e no Ocidente. A guerra islâmica não faz distinção entre alvo militar e alvo civil.
O islã político é um fenômeno totalitário? Há alguma ligação, no campo simbólico, dele com o fascismo alemão? O Estado Islâmico é uma junção de Oriente e Ocidente? Trata-se de um subpoder simbólico que nos remete para a origem da civilização arcaica na qual o discurso do mestre totalitário articula-se ao Urstaat arcaico? Como fenômeno totalitário, o islã político é uma vivencia intencional de constituição de Urstaat islâmico mundial. O islã político não oculta tal intenção. O Urstaat é constituído por máquinas de guerra divinas que instalam o estado de guerra para estabelecer a paz permanente. O Egito imperial arcaico teve mil anos de paz! Por isso, a violência da máquina de guerra islâmica é divina para os muçulmanos como a violência do Urstaat primordial era divina, na civilização arcaica, para a população civil. A violência divina tem como finalidade a paz na história universal.
 O Presidente socialista François Hollande disse que a França está em guerra com o Estado islâmico. O Estado francês vai passar a caçar, perseguir, captura e matar terroristas islâmicos no território francês e alhures. As fronteiras foram fechadas; Hollande diz que será impiedoso. Paris foi militarizada. Isto pode parecer algo banal para os brasileiros que já são um efeito intersubjetivo do subpoder simbólico bolivariano que militarizou a vida da sociedade civil. Mas para um europeu ocidental isto não é uma excrescência? O europeu quer viver em paz; quer segurança na cidade; quer que Paris seja uma festa! Mas Paris hoje não foi o espetáculo da militarização do poder político civil? O parisiense está entre cila e caríbdis?  
A contraciência política lacaniana trabalha na interseção do tempo fático com o tempo artefático. Ela observa a borboleta voando. E o Partido Socialista Francês é a borboleta voando em direção a uma floresta. Qual floresta? A militarização do poder político civil não é a borboleta morta fixada na parede do gabinete do presidente Hollande. Isto não é um fenômeno político singular francês. O Partido Socialista aparece como um fenômeno especial. Ele é a vanguarda da constituição do Urstaat mundial ocidental: a Floresta! A militarização do poder político ocidental se faz ex nihilo; ele tem o complexo industrial militar mundial e a Okhrana mundial como base de sua história universal. Por que a comunidade de informação mundial estacionada em Paris não se antecipou ao atentado do Bataclan? No 11 de Setembro, a comunidade de informação americana também nada sabia sobre a engenharia do atentado terrorista islâmico. Um promotor de Paris disse que o Estado Islâmico está preparando um 11 de Setembro francês.
Hoje, a cultura política informacional existe na Comunidade de informação mundial, na televisão mundial, no jornalismo mundial, nos Estados nacionais e instituições do capitalismo mundial, como o complexo industrial militar. Mas as pessoas não conseguem VER tal fenômeno. Elas também não conseguem VER que o choque de civilizações é um choque entre civilizações que querem possuir o poder simbólico mundial articulando-o ao poder político do Urstaat. Não conseguem VER! Não querem VER! O PCPT prega no deserto mundial de homens e ideias?