segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

MOROLOGUS -máquina de comunicação de massa


José Paulo

OS mass media são uma máquina de comunicação morologus. Máquina de comunicação de dizer tolices, extravagancias, disparates, besteiras para a audiência. O morologus é o princípio de funcionamento da gramática da comunicação mass media.

O disparate de Goya se tornou o signo irrevogável no mundo da cultura ocidental com a soberania dos mass media do americanismo no mundo-da-vida. Sobre o americanismo, Heidegger é revelação na tradução brasileira:
“A maquinação é o acabamento incondicionado do ser enquanto vontade de poder.  Mas mesmo a maquinação enquanto essência do ser tem ainda uma inessência.
A inessência da maquinação exige uma humanidade que não desertifique toda tradição, mas propague para além da desertificação, isto é, para o interior de sua inessência, justamente uma tradição desertificada da metafísica (e, isto é, da história ocidental), essencialmente sem raízes. Esta instauração da inessência da maquinação está reservada ao americanismo.
Mais tenebroso do que toda e qualquer selvageria asiática é esta ‘moralidade’ desenraizada e alastrada até o engodo incondicionado.
Somente aqui o abandono do ser alcança a condição extrema de uma constância.
Será que reconhecemos suficientemente que tudo o que há de tenebroso reside no americanismo e de modo algum no mundo russo? (Heidegger. 2000: 156-157).  

O que é o americanismo senão um ersatz de ser social como sociedade de comunicação de massa.  Esta é o fim da história econômica da metafísica como organização da cultura do mundo ocidental. A máquina morologus de comunicação é um bandade Moebius. No lado direito o morologus, no avesso a teologia da comunicação de massa.
                                                                        II
O fim da era econômica da metafísica significa o início da era teológica heideggeriana. No livro “A ideologia alemã”, Marx diz que a era da metafísica é a era das ideologias filosóficas. Então, temos o fim da era das ideologias substituída pela era das teologias. Em Lacan, o livro “O Capital” é visto como o evangelho secular revolucionário da classe operária (Lacan. S.20:32). A teologia de Marx é o falar do capital fazendo pendant com o falar da revolução social como texto utópico. No entanto, me interessa a teologia heideggeriana dos massa media.
 Heidegger fala da teologia do americanismo:
“A teologia tornar-se diabologia que não se restringe certamente ao inofensivo do ‘diabo’ enquanto um anjo decaído, mas introduz e solta pela primeira vez a inessência  incondicionada de Deus na verdade do ente.  O desdobramento expressivo das diabologias é ainda iminente”.  (Heidegger. 2000: 160).

A teologia de Heidegger é falar de um  diabo que pode ser uma coisa análoga ao diabo do romantismo alemão:
“MEFISTÓFELES
                                                          Sou parcela do Além
Força que cria o mal e também faz o bem! (Goethe: 59).

A sociedade de comunicação de massa é Força que cria o mal?
A teologia fazendo pendant com a metafísica ocidental é a criação do falar do mal pela sociedade de comunicação de massa. O discurso dos massa media é o falar ficionalizado do mal da sociedade. Os mass media são a Força diabólica que criam o mal ao ficcionalizarem as misérias das nações e da Terra. Usa-se vulgariza-se e banaliza-se informação científica para ficcionalizar o mal que aflige os seres humanos. Por exemplo, a sociedade capitalista industrial asiática é um mal mundial, pois gera a poluição que se traduz por catástrofe climática. A fome e as doenças endêmicas na África são um mal a ser remediados pelos países civilizados do Ocidente. No Brasil, a violência urbana é um mal indeterminado que se traduz na ficcionalização do mundo como rua colonial ameaçadora e delegacia de polícia. Nos EUA, o terrorismo é o mal ficcionalizado pelo americanismo fazendo parelha com o serial killer americano.  Na Europa, o mal é as massas que se revoltam organizadas pelo WhatsApp contra estado de exceção econômico do Banco de Macron.  

 Faz o bem?
Os mass media fazem o bem ao organizarem a cultura nacional, como no Brasil. Porém, trata-se de um bem diabólico. A organização da cultura serve à gramática de dominação econômica do Banco que levará o país rumo a um apocalipse econômico.  

Um outro aspecto é a teologia do sentido:
“Alors que l’intelligence décompose le sens, le myte le compose.  C’est pourquoi il ne saurait être compris d’après une supposée valeur explicative: le mythe n’est pas une science des primitifs mais un moyen de compréhension immédiate du réel. L’opposé du symbolique, c’est, proprement, le dia-bolique”. “(Godin:732).

A força de lei dos mass media se deve a atividade de compreensão imediata do real como teologia do mal em imagens mitológicas eletrônicas. Trata-se, portanto, de pensar os mass media como ersatz do mito. O dia-bolique se encontra na oposição entre o simbólico e o saber mitológico. Qual mito?
 O simbólico nos remete para a logos de uma época em oposição ao discurso mitológico:
“Car le langage n’appartient pas exclusivement au domaine du mythe; dès le départ, une autre force est agissante en lui, la force du logos”. (Cassirer:120).

A teologia da leitura de Heidegger pela psicanálise em gramática econômica da sociedade de comunicação de massa pensa a linguagem dos mass media em uma unidade concreta com o mito. Tal fato é correlato ao início da linguagem e arte:
“Comme le langage, l’art, dans ses débuts, se révèle étroitement mêlé au mythe. Mythe, langage, et art forment d’abor une unnité concrète encore indivise, qui ne se déploie que progressivement en une tríade de modes de figuration spirituels et indépendants”. (Cassirer: 120-121).
A teologia da imagem eletrônica é o início de uma era na qual a linguagem aparece em um todo concreto indivisível com o mito e a estética:
“Cari l n’y a pas ici des désignations simplement <abstraites>; chaque mot se transforme immédiatement en une figure mythique concrète, en dieu ou en démon”. (Cassirer: 119).

A sociedade de comunicação de massa secreta uma linguagem religiosa secular.

A linguagem da sociedade de comunicação de massa funciona através de uma teologia de imagens figurativas em uma ação ersatz do dia-bolique no lado direito; no lado avesso, ela se constitui pela “matematização galilaica” (Husserl: 16) da cultura informacinalis como ersatz de metafísica:
“A ‘matemática’ só se torna decisiva para a metafísica com a mudança da veritas para a certitudo. A matemática não é contudo aí apenas um modelo de conhecimento ‘maximamente rigoroso’. Ao contrário, o elemento matemático – o estar-certo -caracteriza o modo fundamental do ser enquanto a re-presentacionalidade”. (Heidegger: 160).  

A compreensão imediata do real como o estar-certo da matematização da cultura dota os mass media de uma força violenta, injusta, sem regra, arbitrária. A gramática dos mass media contém seu WhatsApp, ou seja, a força sem regra, arbitrária da comunicação (Derrida. 1994: 20). E mais ainda:
“il s’agit toujours du rapport entre la force et la forme, entre la force et la signification; il s’agit toujours de force <performative>,  force illocutionnaire ou perlocuttionaire, de force persuasive et de rhétorique, d’affirmation de signature, mais aussi et surtout de toutes les situations paradoxales où la plus grande force et la plus grande faiblesse s’échangent étrangement”. (Derrida. 1994: 20-21).  

A estatística usada nos mass media é uma invasão do real como certitudo ou estar-certo que caracteriza o modo de funcionamento do ser da sociedade de comunicação de massa como re-presentacionalidade. No domínio da subjetividade, os mass media trabalham com a certitudo articulando a verdade como vontade de poder:
“Na mudança essencial da verdade enquanto veritas para a verdade enquanto certitudo está prelineado o ser enquanto re-presentacionalidade do re-presentra-se, na qual a essência da subjetividade desdobra-se. O nome mais simples para a determinação da entidade do ente que aqui vai se preparando é a ‘vontade’: vontade enquanto querer-se”. (Heidegger: 162).  

Os mass media trabalham a subjetividade da audiência como vontade de poder (vontade como querer-se):
“Logo que o ser se abre porém como vontade sob o modo de vontade de poder, o ser-si-mesmo da subjetividade na qual a vontade quer a si mesma mostra-se como a constante legitimação do poder comandar enquanto a maneira decisiva do querer-para-além-de-si (a extensão do poder)”. (Heidegger: 163-164).

A audiência não é inocente ou passiva. Ela é a subjetividade (sujeito sgrammaticatura) como vontade de poder legítima de comandar o real da realidade dos fatos da política e do Estado de polícia. Dou um exemplo.

A televisão carioca começou uma campanha para destruir o milagreiro João de Deus. João foi preso pela polícia (Estado de polícia) que se apresenta como extensão da vontade poder “mulher assediada” sexualmente pelo milagreiro. O poder da televisão é a extensão da vontade poder da multidão de mulheres que se definem como uma subjetividade assediada. A máquina de comunicação morologus é a produção de besteira que leva a gramaticalização da realidade dos fatos pela psicanálise em gramática econômica. Esta gramaticalizou a ficcionalização da libido de João de Deus pelos mass media como a produção da besteira  <João de Deus é uma versão caipira latifundiária do dom Juan europeu>.  Para o João de Goiás, a multidão de mulheres é parte de seu latifúndio sexual. A relação da psicanálise em gramática econômica com a animalidade dos mass media se apresenta assim:
“Este indeterminado, este sem-fundo, é igualmente a animalidade própria ao pensamento, a genitalidade do pensamento: não esta ou aquela forma animal, mas a besteira. Com efeito, se o pensamento só pensa coagido e forçado, se ele permanece estúpido enquanto nada o força a pensar, aquilo que o força a pensar não é também a existência da besteira, a saber, que ele não pensa enquanto nada o força?”. (Deleuze: 434).

Os mass media e a psicanálise em gramática econômica constituem uma banda de Moebius do ser da cultura Ocidental no século XXI.


CASSIRER, Ernest. Langage et mythe. À propos des noms de dieux. Paris: Minuit, 1973
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. RJ: Graal, 1988
DERRIDA, Jacques. Force de loi. Paris: Galilée, 1994
GODIN, Christian. La totalité. V. 1. De l’imaginaire au simbolique. Paris: Champ Vallon, 1998
GOETHE. Fausto & Werther. SP: nova Cultural, 2002
HEIDEGGER, Martin. Nietzsche. Metafísica e niilismo. RJ; Relume Dumará, 2000
HUSSERL, Edmund. A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental. RJ: Forense Universitária, 2012
LACAN, Jacques. Encore. Le Seminaire. Livre XX. Paris; Seuil, 1975    


  

  





  

  






  

sábado, 15 de dezembro de 2018

ÁSIA HOJE - NEOMERCANTILISMO E GLOBALIZAÇÃO


José Paulo

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O capitalismo venceu o comunismo. A estrambótica extrema-direita americana diz o contrário: A América virou comunista. São dois pontos-de-partida do debate internacional. Aqui na terrinha tórrida, o clã Bolsonaro segue Steve Bannon. Cúspide!
O capitalismo venceu o comunismo, mas isso não se traduz como fim da história. A partir do momento que o comunismo deixou de ser uma alternativa histórica, o planeta voltou à linha de força gramatical da história universal na qual Ocidente e Oriente se apresentavam como signos hegemônicos universais. 


GRAMÁTICA CAPITALISTA ASIÁTICA
O neomercantilismo asiático (sistema de Estados fortes em conteúdo econômico) é um fato natural da história econômica planetária?
A Europa criou a estratégia União Europeia de enfraquecimento dos Estados-nação fazendo pendant com a globalização econômica e a financeirização em escala ocidental. Olhando de hoje trata-se de uma estratégia que é o avesso do neomercantilismo.
Os EUA querem reinar como potência mais poderosa do planeta. Para a América um sistema neomercantilista nas Américas é inimaginável: triunfo do axioma do século XIX “as Américas para os americanos.
A gramática capitalista asiática é neomercantilismo cum globalismo. Há claramente um NOVO equilíbrio de poder mundial no qual a história econômica capitalista industrial é mais forte que a geopolítica da indústria militar convencional. A geopolítica da indústria milita nuclear aparece como uma espada de dâmocles no domínio, planetário, da história da gramática capitalista asiática.
A gramática asiática tem na China um país com ambições a se tornar a primeira potência mundial nas próximas décadas. Tal ambição lembra aos EUA que ele é uma civilização capitalista em decadência inelutável. Obama metabolizou a decadência americana com a ideia de um poder mundial multipolar. Donald Trump rechaça a doutrina Obama e quer um mundo unipolar do americanismo. Trata-se de um delírio, pois, não tem ancoragem na realidade dos fatos internacionais e nos fatos do domínio do capitalismo corporativo mundial sobre o Banco.
O Ocidente criou uma estratégia para se livrar da sociedade industrial de classes sociais e da luta de classes. O colapso da URSS gerou a percepção sensível de que o capitalismo vencera o comunismo. Então, o Ocidente passou a se dedicar aos problemas existenciais da liberdade do individualismo à enésima potência sexual. Voltado para resolver o problema do terrorismo islâmico, do desequilíbrio climático, efeito estufa, capitalismo em fusão com ecologia etc, o Ocidente esqueceu o desenvolvimento da gramática capitalista industrial asiática.
No terceiro-mundo americano, os mass media fazem propaganda do Ocidente da bancocracia mostrando imagens da sociedade industrial capitalista asiática como a grande poluidora da atmosfera terrestre. Nós do terceiro-mundo tupiniquim, engolimos a propaganda da bancocracia como a verdade planetária.
Se a Europa via recuar e construir um sistema neomercantilista, tal estratégia ainda não faz parte da consciência europeia.
Nas Américas, o neomercantilismo é um anátema para todos os países submetidos (formal ou realmente) ao poder do americanismo. Parece que a decadência civilizatória da América vem acompanhada de uma visão de mundo caipira nuclear da nova situação mundial.
A gramática asiática carrega em si a ideia pacífica de uma mudança no equilíbrio de poder mundial através da história econômica capitalista.
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                                                                                      II
A essência do capitalismo chinês encontra-se em transformação permanente. A categoria capitalismo de Estado entra em choque com o capitalismo corporativo mundial que significa a partilha do cybercapitalismo  industrial entre o sistema neomercantilista asiático e, pari passu, com o capitalismo americano e o capitalismo europeu ocidental. Com certeza, a essência do capitalismo chinês é neomercantilista. Há dúvidas  se o capitalismo chinês é neocolonial resolutamente.

Um pan-latino-americanismo-neomercantilista é um acontecimento muito real impossível de ser suportado pelas nossas elites burguesas que comandam um processo de decadência civilizatório econômico cujo signo mais irrevogável é o apocalipse econômico venezuelano? 

A Venezuela foi vítima de uma conjuntura na qual a esquerda irracional obteve a hegemonia nas urnas. O coronel Hugo Chave se caracterizou pela destruição da economia semi burguesa realmente existente de seu país. No lugar desta, a Venezuela passou a viver da renda do petróleo em uma sociedade militarizada. Se tornou comum no Brasil, os massa media falarem de um NarcoEstado venezuelano sob o comando do Exército nacional.

A sobrevivência de Maduro no poder se deve ao poder militar do bolivariano. Os EUA encenam uma intervenção militar no país de Chaves, mas isto é improvável. Pois, a Venezuela se tornou uma neocolônia econômica do equilíbrio de poder entre a América versus a China mais a Rússia. A situação neocolonial da Venezuela parece apontar para a escolha do poder militar venezuelano em fazer desse país um protetorado chinês.

A Argentina vive uma crise econômica catastrófica. Macri tomou o poder do peronismo com promessas baseadas em um liberalismo economicista privatista da bancocracia que jogou, de fato, o país no colo do FMI e da bancocracia ocidental. É a mesma situação do Brasil que desde Dilma Rousseff têm a economia, cultura e política sob o comando da bancocracia.

A gramática da bancocracia tem gerado regimes neofascistas representativo como o de Victor Orbán. No Brasil, o problema consiste na existência de um bloco histórico em decomposição. Este se define pela aliança do Banco com o velho modelo industrial do capitalismo do automóvel no comando da economia real. O velho modelo industrial ´é uma força do atraso, pois, ele não quer morrer e deixar que emerja a criação de um espaço público procedural, que seja expressão da articulação da hegemonia do capitalismo corporativo mundial em um espaço de pan-latino-americanismo neomercantilista.

No centro do bloco histórico do automóvel + Banco, uma empresa de comunicação funciona organizando a cultura nacional. Ela representa os interesses econômico, político e ideológico do Banco e da velha indústria paulista da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O Brasil é um país no qual as elites não sabem o que elas fazem. A elite jornalística do Grupo Globo não sabe que ela é a organizadora da cultura nacional, pois, ela não sabe nada de como se organiza a cultura nacional pelos mass media. É um trabalho baseado em uma experiência empírica que não acumula saber técnico e se recusa a ser parte da consciência histórica nacional.

O Grupo Globo detém o monopólio da organização da cultura nacional. O Governo Federal, o Congresso, a universidade estatal, todos não sabem como quebrar o monopólio em tela. O cyberespaço ´é um espaço fragmentado culturalmente, repartido em sua “fala” (escrita que é um ersatz de fala) sem gramática (como o whatsapp) até o infinito; e esta é a razão para ele não quebrar o monopólio dos massa media. A cybercultura realmente existente ainda não obteve êxito em articular-se como forma de articulação da hegemonia nacional. Ainda não apareceu um centro hegemônico de organização da cultura nacional no cyberespaço.

                                                                                    III

A nossa elite econômica tem potência para sair da crise brasileira? Ela crê que se destruir o Estado neogetulista 1988, em um passe de mágica, a velha indústria voltará a crescer. Privatizar pornograficamente o aparelho econômico estatal é a panaceia da bancocracia para uma retomada do desenvolvimento econômico. Um analfabeto banqueiro em história econômica capitalista da produção do contemporâneo está no comando da política econômica. Trata-se de um banqueiro com negócios familiares na área de educação privada: sr. Paulo Guedes.  

Movido por esse interesse de acumulação de fortuna familiar, o banqueiro, em conluio com o Grupo Globo, traça planos para destruir a universidade estatal. Conhecido como “posto ypiranga”, o banqueiro quer transformar o Estado em um Estado barato a serviço de seus interesses econômicos. O banqueiro trabalhou no Chile de Pinochet e por osmose metabolizou a gramática neofascista da ditadura de Pinochet.

O banqueiro carioca prepara uma reforma trabalhista inspirada na reforma trabalhista de Victor Orban. Esta reforma se aproxima da ideia de trabalho compulsório da Alemanha nazista de Hitler. O banqueiro e seu colega do ministério da Infraestrutura vão mergulhar o Brasil em um capitalismo neocolonial do terceiro mundo superficial. A Nigéria é o capitalismo neocolonial do terceiro-mundo profundo, para efeito de comparação.

A visão capitalista neocolonial de mundo do governo Temer e, agora, do governo Bolsonaro organiza a cultura nacional através dos mass media. A visão-de-mundo em tela legitima a fabricação da gramática da república neofascista das famílias e clãs cariocas (RobertoMarinhos, Bolsonaros, Guedes). 

                                                                              IV

O leitor deve estar se perguntando como o planeta chegou  à situação atual da conjuntura capitalista asiática como efeito da história econômica industrial capitalista. O neomercantilismo do final do século XIX ergueu o capitalismo europeu colonial fazendo de geoespaços do terceiro mundo mercados de consumo das mercadorias das metrópoles capitalistas. Trata-se do colonialismo capitalista tout court.

Na produção da contemporaneidade, um novo colonialismo nos espera como atractor no horizonte da era da globalização do capitalismo corporativo mundial (Bandeira da Silveira; 2002). A Venezuela é uma colônia econômica chinesa. A África está em um processo de recolonização, agora, pelo capitalismo asiático.  A Argentina pode enviesar para um capitalismo neocolonial do terceiro mundo com o colapso da política de Macri. Após o fracasso retumbante da política econômica do sr. Paulo  Guedes, o Brasil não terá saída a não  ser evoluir para o  capitalismo neocolonial do terceiro-mundo?

O estado de violência real gerado por uma stásis dos de baixo, entre nós, já é um efeito da decadência de nossa civilização industrial. Trata-se de um efeito da história econômica do capitalismo tupiniquim. A China já se ofereceu para fazer do Brasil um protetorado do capitalismo industrial asiático. Ela quer colonizar com gente (camponeses inclusive) e coisas (e internet das mercadorias)  o Brasil.

Quem não tem cão, caça com gato?

O colapso da política do banqueiro Paulo Guedes poderá resultar na formação de um novo governo econômico na era Bolsonaro?  O governo econômico do sr. Guedes é uma ditadura neofascista sustentada por um governo criptomilitar. O colapso da ditadura Guedes poderá provocar uma mudança de direção na política econômica? Só há uma direção que pode surgir como alternativa à ditadura Guedes. Já falamos do neomercantilismo pan-americano latino. Este necessita de ideias econômicas que só serão produzidas em um espaço procedural a ser criado no Brasil e na América-Latina.

Uma ideia é a transformação do Estado getulista 1988 em um Estado neomercantilista do século XXI. Para isto, a organização da cultura nacional tem que ser arrancada das garras neocoloniais dos mass media.

Como fazer?     

BANDEIRA DA SILVEIRA, José Paulo. Capitalismo corporativo mundial.Papel & Virtual (PUC/RJ), 2002.       


        



           

    





terça-feira, 11 de dezembro de 2018

NOTA SOBRE A REPÚBLICA NEOFASCISTA


José Paulo



O neofascismo é spaltung (quebra de mundo) na Ordem 1988. Ele surge na formação gramatical brasileira como um fenômeno natural da vida política em extensão. Cabe na letra às avessas de Guimarães Rosa: “O sertão está em toda a parte”.

O sertão está em toda a parte como o deserto latino-americano de uma democracia sem democratas, de um poder judiciário liberal sem liberais, DE um capitalismo sem capitalistas. É um sertão triste, tristonho, uma circunstância sem homens e ideias, gramática da comunicação e sem gramáticos na economia e política.

O marxismo no Brasil foi uma potente máquina intelectual de convencimento da existência de um capitalismo brasileiro com relações sociais de produção e relações técnicas de produção capitalistas. Belos livros marxistas foram publicados entre nós. Nenhum deles estudou a mente do capitalista brasileiro.

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A MENTE DO CAPITALISTA BRASILEIRO

Só a partir do momento no qual (na mente do capitalista) teve vida independente o capital de empresa, tem adquirido este um sentido definido e claramente delimitado.

Na história econômica capitalista, o capital tem que existir como um significante no cérebro do capitalista. As várias espécies de “cultura cerebral capitalista” determinam o modo de existência do capitalismo por nações ou regiões geoeconômicas.

No Brasil, o significante capital que domina o cérebro capitalista é o conceito de capital de Adam Smith. Trata-se de uma concepção na qual o capital é sinônimo de meios de produção produzidos. A doutrina dos 3 fatores da produção (natureza, trabalho, capital) se acha ligada a esta definição. O capital gasto em salários da força de trabalho e, por conseguinte, gasto com os meios de subsistência do trabalho não cai de modo algum no conceito de capital de nosso empresário.

Para o nosso empresário, o capital não é uma relação social criada na relação trabalho/capital. Ele não é efeito da produção da mais-valia no processo de produção do trabalho produtivo da sociedade industrial capitalista.

O nosso empresário não concebe o capital: a) como parte da história econômica da sociedade industrial capitalista; b) não concebe o capital como relação social de produção e relação técnica de produção; c) confunde os símbolos do capital que edificam uma empresa capitalista, as coisas como dinheiro, meios de produção, meios de subsistência, mercadorias com o significante capital.
O cérebro de nosso empresário é a geleia geral do tropicalismo.

O sentido da produção capitalista é obtenção de “ganancia”. “Ganancia” ou benefício quer dizer excedente: o capital adiantado deve voltar a seu ponto de partida, com um suplemento, um aumento, um incremento. Assim se tem valorizado. O suplemento é a mais-valia se se refere ao capital total de uma sociedade. Produzir mais-valia significa que o valor de troca (preço) de todos os bens produzidos durante um período de produção (durante um ano) é bem maior que a soma paga a classe trabalhadora assalariada, maior que o salario do trabalho, mais elevado que o valor de câmbio (preço) da força de trabalho, superior ao fundo de salários.

A relação social em tela ocorre em uma determinada história econômica capitalista. A competição entre as empresas capitalistas é parte da história econômica para a sobrevivência das empresas mais fortes tecnicamente; a relação técnica de produção age sobre a baixa do preço da mercadoria no fim da cadeia capitalista, ou seja, no mercado dos meios de bens de consumo improdutivos. O cérebro do empresário brasileiro não metaboliza a sociedade industrial capitalista como um modo de existência empresarial competitivo. O empresário brasileiro é o sujeito gramatical que não quer morrer e assim os preços das mercadorias não obedecem à lógica da gramática do modo de produção e circulação de uma sociedade industrial moderna.

Sem competição capitalista, o cérebro capitalista colonial não estabelece a relação entre técnica e criação científica como essência de sua prática econômica. Assim o empresário não se constitui como força prática econômica de reinvenção do capitalismo nesta hora na qual a invenção é o gramático capitalista, por excelência.

NO Brasil, os mass media, os economistas em geral, os políticos-empresários e o novo governo nacional esperam que a velha indústria retome um crescimento econômico que cessou há mais de 30 anos. Para eles, basta investir no capital (= meios de produção produzidos) para que o milagre do crescimento econômico retorne. Fantasia econômica brasileira no lugar da história econômica real do capitalismo nacional.

A música diz tudo: “a sua piscina está cheia de ratos, as suas ideias não correspondem aos fatos”.
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                                                                                  II

O marxista Florestan Fernandes escreveu sobre uma burguesia autocrática. Ele fala do caráter totalitário da burguesia brasileira fazendo pendant com o militarismo. A nossa burguesia gerou o Estado militar 1964 em reação ao aprofundamento da democracia 1946.

Em 2019, um governo com uma facção militar poderosa é apresentado pelos mass media como um fato natural. Para a burguesia totalitária é um fato natural. A burguesia financia os mass media, os mass media representam na sociedade de comunicação de massa a lógica da gramática da burguesia brasileira.

Para Hegel o Estado é o palco da história. Para Marx, o palco da história é a sociedade civil burguesa na formação social capitalista. Nós brasileiros vivemos em um ersatz de capitalismo e a burguesia brasileira não é um sujeito de uma história gloriosa de revoluções burguesas. No Brasil, sempre se falou em revoluções (qualquer escaramuça ou quartelada era apelidado de revolução). Assim, tivemos a Revolução 1930 de Getúlio Vargas envolta em trevas discursivas nas quais andei sem rumo nos bancos universitários. 1930 não foi uma revolução burguesa, foi um movimento civil/militar da oligarquia do Sul do país.

Os paulistas publicaram uma volumosa bibliografia sobre a burguesia do café e a burguesia industrial paulista das duas primeiras décadas do século XX. Eles apresentaram São Paulo como o  centro da vida econômica capitalista a partir do fim da era escravagista. Da oligarquia paulista, o maravilhoso marxista moral Caio Prado Jr criou uma Editora para publicar seus próprios livros sobre a existência  do capitalismo no Brasil desde a era colonial. Essa baboseira toda encheu de fumos machadianos (delírio gramatical em Machado de Assis) minha vida como estudante universitário e professor universitário, também.

Hoje me livrei dos fumos machadianos. Mas para tal feito tive que inventar um campo científico no domínio da história: psicanálise em gramática marxista.  Esta gramática corresponde ao método crítica das ideologias científicas (economia política) e filosóficas (filosofia neo-hegeliana e socialista) de Marx. O marxismo e a economia política entre nós (não temos filosofia) é o campo das ideologias a partir do qual com um martelo a vapor (método da gramática da comunicação) despedacei a nossa literatura ideológica científica e a recriei como psicanalise em gramática marxista.

De fato, a universidade carioca e paulista vivia nas brumas de Avalon das ideologias teóricas europeias. O universitário é um ser ideológico. Esta é a causa de um ersatz de ideologia (lulismo) tomar de assalto a nossa vida universitária.

O lulismo corrupto desgraçou o marxismo; durante um grande período da vida docente ministrei aula de marxismo para 3 alunos. Com o colapso da ideologia marxista da ilustração tupiniquim, os alunos se tomaram de aversão sexual (aversão que envolve o sentido olfativo) pelo odor pútrido que exalava dos livros marxistas. Não desisti! Chegueis a situação insustentável de ministrar um curso de marxismo para um aluno. Só a liberdade de cátedra garantiu a continuação de meus cursos sobre marxismo.

Depois do câncer (tenho de registrar que a universidade me tratou como uma pessoa gravemente doente e não com máquina descartável, pois, fungível) e mais de um ano de tratamento, voltei ministrando aulas sobre a realidade brasileira. No tratamento quimioterápico vomitei constantemente devido aos remédios. Isto não me impediu de escrever um livro sobre a história do Brasil da contemporaneidade. Comecei a pensar as máquinas de guerra gramaticais: freudiana, euclidiana (De Euclides da Cunha) e outras.

Ao voltar a lecionar concentrei nas matérias sobre história brasileira.  Tinha publicado outro livro sobre Brasil no qual fiz um ensaio de interpretação do nosso triste Lula da Silva. Neste ensaio, bebi em Gilberto Freyre e na literatura da década de 1920 (e 1930) para tecer uma biografia do nosso líder sertanejo de Pernambuco/São Paulo. Pedi para os alunos lerem o ensaio.

Na sala de aula uma aluna inteligente e estudiosa saída da classe média popular fez uma declaração de amor ao meu Lula. Como estudei na escola de comunicação, me lembrei das aulas nas quais os professores falavam em obra aberta a interpretação do leitor. Constatei com desprazer e frustração que os professores da ECO falavam a verdade.

No meu pós-câncer, aprofundei a crítica do Brasil lulista. Publiquei mais livros e desenvolvi uma intensa e extensa publicação no mundo cyber. Na universidade, me choquei com o lulismo estudantil.
Os estudantes são seres sensíveis e verdadeiros no mundo da inteligência. Eles fazem do discurso político ou do discurso ideológico um bálsamo de alimento de sua espiritualidade, ou na terminologia da segunda metade do século XX, um elixir (ou uma panaceia) para a sua subjetividade envenenada por maus fluídos.

Comecei a usar o martelo a vapor da física marxista que inventei. A reação foi violenta, simbolicamente, e os estudantes se sentiram como se o professor pretendesse decretar uma orfandade ideológica precoce deles. Vi que a situação era gravíssima quando uma aluna esperta (inteligente e culta) se reportou à administração me acusando de assedio moral. Pedi minha aposentadoria e continuei meu trabalho de Sísifo até inventar o campo científico psicanálise em gramática marxista. Aliás, comecei a estudar Freud e Lacan com os professores da Eco Carlos Henrique Escobar e Muniz Sodré.

Nos últimos dias de novembro comecei a pensar que a segunda spaltung (que nos levará a uma República neofascista) ocorrerá por meio de forças práticas gramaticais da própria sociedade civil.
Escrevi alguns textos sobre o neofascismo. Os submeto à leitura do  cyberleitor:
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 ESTADO DE POLÍCIA ELETRÔNICO
Após uma campanha de vários dias sobre assédio sexual do homem que exerce magia branca João de Deus, o governador de Goiás soltou seus cães da polícia secreta sobre o nosso mágico branco. Acusado de charlatanismo nas redes sociais. conhecido nos EUA e na Europa, João é o líder carismático de uma comunidade mágica com seguidores e detratores em muitas partes do mundo.
Secundando o Jornal O Globo, a Globo News resolveu decretar a morte simbólica do mágico curandeiro. A emissora usa a tática de atacar uma celebridade do mundo carismático religioso como o início da instalação do “Estado de polícia eletrônico” da era bolsonarista.
O Estado de polícia eletrônica é a junção da sociedade de comunicação de massa com o aparelho policial estadual. Na província, o aparelho policial se submete docilmente à política dos massa media carioca. Tudo leva a crer, que a ideia de criar uma força-tarefa da inteligência (policia secreta estadual) para investigar o mágico João foi do governador.
A aliança do estado de Goiás com a Globo News e jornal o Globo (Grupo Globo) faz surgir esse estranho fenômeno esdrúxulo na vida brasileira: “Estado de polícia secreta eletrônico”. Uma empresa privada da comunicação de massa passa a ter poder de dizer à polícia estadual quais cidadãos devem ser investigados pela polícia secreta (Okhrana local). O caso João de Deus deixou de ser um caso jurídico da vida regular do mundo judicial-policial.
O Grupo Globo tem sua força acrescida, tem o crescimento de sua força informacional elevada a uma potência até então desconhecida na vida brasileira. João de Deus foi escolhido como alvo tático de uma milícia eletrônica cujos jornalistas demonstram soberba (pretensão a superioridade sobre as pessoas que possuem um lugar de destaque na sociedade, arrogância de se apresentar como pilar moral da nação , orgulho narcísico em deter o monopólio da organização da cultura nacional para os profanos) ao aniquilar pela violência real policial qualquer pessoa por eles considerada inimiga.
A era Bolsonaro começou com a emergências de fenômenos autocráticos como esse Estado de polícia eletrônico e o culto da autoridade (ersatz de culto da personalidade da antiga URSS) decretada pelo presidente do STF. É possível que o governo Bolsonaro multiplique a criação de fenômenos totalitários como os supracitados.
A vontade da soberania popular 2018 parece que vai alterando a paisagem liberal-democrática ao povoá-la com estranhos fenômenos autoritários.
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A AURORA DA REPÚBLICA NEOFASCISTA

A percepção crítica nacional espera que uma formação neofascista surja das ações do governo Bolsonaro. Agora estamos vendo que o neofascismo tropicalista tem como força prática o Grupo Globo, e massa de mulheres assediadas, realmente ou na fantasia.

A comunidade mágica carismática João de Deus foi estabelecida como alvo da criação de um Estado de polícia neofascista. O Grupo Globo (jornal o Globo e Globo News) induziu a criação de uma força sob comando da polícia secreta de Goiás para fechar o local do culto mágico de cura celebração divina e reza sob a liderança da celebridade internacional João de Deus.

A destruição da sede da comunidade em tela é uma repetição gramatical do aniquilamento físico do arraial de Canudos e dos camponeses do Contestado pela República Velha autocrática do período que se encerra em 1930.

Eu acuso o estado de Goiás ( e a polícia do governo do Estado de São Paulo) de propor a criação de uma República neofascista nacional como continuação por outros meios da República Velha autocrática. O povo que recebe a cura milagrosa e a terapia mágica de João de Deus é o verdadeiro objeto da violência simbólica e real do Estado de polícia neofascista (Globo News + estado de Goiás).

A República neofascista é inventada a partir da destruição da espiritualidade e moralidade do povo mais humilde de um lugar provinciano e que historicamente usa e abusa da violência real do Estado contra camponeses e trabalhadores assalariados agrícola e do pastoreio.

A Globo News transformou o caso da comunidade mágica supracitado em um problema político prático nacional, ou seja, problema da criação da República neofascista usando a credulidade de mulheres que se acreditam defendida pela altruísta Globo News.
Como questão prática nacional (e internacional) o caso da comunidade mágica não deveria ser objeto do poder dos juízes do STF?

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POVO MÁGICO MESTIÇO, EVANGÉLICOS, ELITE BRANCA, GLOBO NEWS
O Grupo Globo (jornal O Globo, Globo News, cadeia de rádio e televisão) transformou em um problema prática nacional as denúncias de assédio do mago moderno João de Deus.
O governo de Goiás criou uma força-tarefa policial-judicial para criminalizar João. Uma delegada de polícia alva, de um clã familial do poder goiano diz que o governo vai destruir o sítio onde o povo mágico JD reza, celebra, vive milagres. Os milagres são conhecidos internacionalmente e enchem de ira os evangélicos espalhados pelos quatro cantos do planeta.
Vendo uma oportunidade para atrair (aumentar) a audiência das mulheres para a televisão, a Globo News transforma João de Deus em um alvo tático-assediador contumaz. As denúncias já estavam na internet e há acusações contra JD na justiça goiana.
Goiás passou a ser um palco da aliança entre a elite do poder ariana caipira, o internacionalismo evangélico e a Globo News. Relatos na televisão sobre assédio de JD são feitos por evangélicos americanos. Ao contrário na Globo News, âncoras gays e lésbicas usam mulheres assediadas (na fantasia, ou realmente) para a partir do bode expiatório evangélico JD fabricarem uma República Neofascista tropicalista.
Passamos a viver em tempos evangélicos neofascistas. A associação entre cristianismo e fascismo é uma página negra da história da Igreja do Papa Pio XII. A Igreja de Pio XII favoreceu a fuga dos nazistas para, especialmente, a América Latina. Hoje, o Vaticano faz um trabalho de propaganda para desfazer o fascismo do Papa Pio XII. Na atualidade, o cristianismo evangélico vai aparecendo como a força prática religiosa do neofascismo na América Latina.
Causa espécie assistir o espetáculo da televisão secular no Brasil associada ao evangelismo neofascista como força prática de construção de uma xifópaga República neofascista. No Brasil, o neofascismo bebe na fonte de energia espiritual do conservadorismo e do neoconservadorismo da sociedade. O jornalismo brasileiro aparece como uma força cultural que não vê problema em ajudar a construir a República neofascista enquanto clama por liberdade de expressão para o próprio jornalismo.
Os últimos movimentos da chefia do STF parecem dizer, abertamente e sem meias palavras, que o poder judiciário brasileiro é capaz de servir ao novo senhor política enunciado (República neofascista) ?
Acrescentando força à narrativa neofascista, a elite intelectual de esquerda continua brincando de lulismo em Curitiba: “caravana natalina libertem Lula”.

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JOÃO DE DEUS E A TELEVISÃO
Há relatos de mulheres que falam do assédio sexual de João de Deus a elas. Os relatos fazem parte do jornalismo da Globo News há 3 dias consecutivos. Sou secular e para mim João de deus é parte do pensamento mágico brasileiro das multidões de crentes, daqueles que creem na cura mágica de João.
Parece que a emissora carioca quer reduzir a pó João de Deus com sua programação, que para as centenas de milhares curados por João, é um jornalismo eletrônico infame.
Há um nítido massacre militarizado visualmente de João. Como o jornalista gosta de dizer uma fotografia (imagem) vale por mil palavras. A fotografia eletrônica funciona como verdade. Para a massa de fiéis da Globo News, a emissora fala a verdade; trata-se de uma verdade religiosa laica (para os que creem no jornalismo da irreflexão) não de uma verdade científica; trata-se de uma verdade ideológica, pois a religião é a forma mais antiga de ideologia, ela é ideologia tradicional.
O bombardeio noturno e diurno a João é uma demonstração do poder policial da Globo News. Punir João (com a pena máxima da morte simbólica) é a mensagem enviada pelo jornalista eletrônica. O jornal de papel não tem como funcionar como um poder policial punitivo dessa magnitude, por exemplo.
A mensagem tem uma dimensão política? A TV faz uma demonstração de seu poderio militar eletrônico como uma ameaça aberta e direta a Jair Messias Bolsonaro. A Globo News se envolveu aberta e diretamente na campanha para eleger Bolsonaro. Ela sugeriu uma pessoa para ocupar a pasta do ministério da Educação. Bolsonaro ignorou a Globo News. Talvez a partir desse fato a emissora tenha resolvido passar para a tática pós-modernista de transformar o presidente da República em um REFÉM.
A política ad nauseam de ataques a João é feita em nome da mulher. A Globo News diz que fala em nome da mulher. Ao contrário, a emissora usa o movimento de mulheres para fazer sua política corporativa empresarial. A lógica empresarial conduz a política da Globo News. Trata-se de interesses econômicos da corporação grupo Globo no comando da programação jornalística diuturna. A mulher é apenas um artefato útil da sociedade de comunicação dos mass media carioca.
Enfim, a Globo News quer medir força com o homem mágico João!
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NOSSA MÁQUINA DE GUERRA SEXUAL

João de Deus pode ter assediado as mulheres crentes que buscavam cura real ou fantasiosa para seus males. Trata-se de um problema criminal que deve obedecer aos preceitos constitucionais, aos artigos dos direitos individuais da Constituição 1988.

Quando o jornalista Pedro Bial levou evangélicas americanas para relatar estupros cometidos por JD; quando um repórter de Goiás é pressionado pela Editora da TV Carioca para forjar entrevista com prováveis evangélicas (que nunca mostram o rosto) acusando nosso mago de estupro (fraude); quando uma polícia evangélica diz para a TV que tem 200 casos registrados de estupro em São Paulo, então, JD vira um estuprador en masse.

A imagem que as várias forças em tela estão fabricando é a de um JD freudiano. Trata-se do Pai da Horda do livro “Totem e Tabu”. O Pai da Horda é o animal despótico que é dono de todas as mulheres (o incesto inexiste na horda) e de toda a riqueza da tribo. Ele é uma máquina de guerra sexual que devora as filhas antropofagicamente em rituais sexuais.

A imagem que a Globo News está fabricando é a de JD como máquina de guerra sexual ou psicopata sexual. Como esse homem mágico, que pratica magia branca e milagres há muitas décadas, pode ser uma máquina de guerra sexual sem que a comunidade dos fies soubesse? Como ele pode ter se tornado uma celebridade internacional (Europa e EUA) se JD é uma máquina sexual psicopática?

O essencial é que o Grupo Globo escolheu JD para demonstrar sua força, seu poder de destruir uma pessoa poderosa, para o novo presidente da República. O poderes da República assistem de camarote e impávidos ao espetáculo sórdido, abjeto, ilegal do uso público da TV para aniquilar indivíduos sob a proteção do manto da Constituição. A TV viola o segredo de justiça sem pudor.

O Grupo Globo manda uma mensagem mafiosa para todos: não se deve criticá-lo, pois isto significa a possível destruição do crítico. JD é apenas um alvo-objeto escolhido a dedo pela alta administração da TV Globo para apresentar a TV como poder mafioso tout court da era neofascista.

O poder judiciário regula a política (judicialização da política); e anda de conluio com a atividade mafiosa neofascista da TV.

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Falo da República neofascista como um fenômeno que significa a segunda spaltung na vida nacional. Esta República está dormido na escuridão da tela gramatical da nossa sociedade. Observa-se que ela quer vir à luz; ela quer ser a parte dominante visível da gramática da comunicação da nossa história.
Ela é o ovo da serpente que o novo governo só tem que romper a casca.  

O governo foi eleito para realizar a satisfação dos desejos neofascistas da realidade nacional. Quem sobreviver poderá falar da gramática em narrativa lógica da República neofascista em nossas terras.    


         
             







sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

CAPITALISMO E CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL-CELSO FURTADO


José Paulo
                                    


Seguindo a exposição do livro “Criatividade e dependência na civilização industrial”, o leitor pode se espantar com a falta de spaltung que caracteriza o mundo atual ocidental. Isto consiste que a organização do mundo tem como ponto-de-partida da história econômica da grande empresa do capitalismo organizado, planificado setorialmente pelas corporações capitalistas  mundiais. 

O que é a grande empresa?
“Em síntese :a grande empresa é um conjunto organizado hierarquicamente de relações sociais que é posto a serviço de uma vontade programada para condicionar o comportamento de segmentos da sociedade”. (Furtado. 1978/2008: 44).

A história econômica da grande empresa se encaminhava para a criação da sociedade capitalista industrial do futuro ocidental:
“Se deixarmos de lado a visão economicista do capitalismo industrial como simples forma de organização da produção e o observarmos como sistema de organização social, captamos sem dificuldade o  real significado da considerável concentração de poder que hoje o caracteriza”. (idem\: 43-44).

A sociedade industrial capitalista é a sociedade civil industrial no comando da economia, da cultura, da política e do Estado. Como uso racional e planificado do excedente público, a política econômica do Estado passa a ser um efeito técnico das disputas entre a sociedade industrial e o Estado nacional social (Furtado. 2008: 45;44).

Estudo a gramática da ciência econômica de Celso Furtado desde a década de 1980. Em meu livro de 2002 “Capitalismo corporativo mundial” falo da CEPA de Celso:
“O cepalismo é a vontade de saber de uma classe dirigente periférica e ocidentalista. Na década de cinquenta, a Comissão Econômica para a América Latina ocupa o lugar do maître no discurso político latino-americano. A CEPAL será o agente, o poder como agenciamento de inscrição de um saber no lugar do Outro (sociedade como campo dos saberes de um dispositivo industrial). Ela tornar-se o protagonista de uma vontade de saber-poder industrializante. Não se trata apenas de um grupo intelectual orgânico de uma burguesia industrial periférica; este grupo não representa na esfera ideológica os interesses da burguesia industrial periférica; ele é a atividade de uma considerável vontade de saber preocupada com o desenvolvimento autônomo de países periféricos. Para a cepal, a industrialização periférica só pode ser o motor de um desenvolvimento integral: econômico, social e político.  Esta vontade de saber nacional é também um efeito do modo de articulação hegemônico no século XX: hegemonia com burocracia”. (Bandeira da Silveira: 106).

Uma mudança qualitativa na natureza do poder econômico em junção com a nova sociedade da técnica da comunicação anuncia a aurora da nova sociedade capitalista industrial capitalista:
“Mas a concentração do poder econômico, reforçada pelo avanço nas técnicas de comunicação, acarretaria modificações de monta nas chamadas relações econômicas internacionais, cuja especificidade apenas começa a ser objeto de estudo”. (Furtado. 2008: 45).

A natureza neocolonial do “capitalismo corporativo mundial” não escapa a Celso:
“A expansão das empresas, fora das fronteiras nacionais dos países em que se origina, assumiu historicamente uma multiplicidade de formas. O controle das operações comerciais internacionais com frequência prolongou-se em atividades industriais complementares da produção primário-exportadora. Assim, os frigoríficos, as usinas beneficiadoras de algodão, produtoras de azeites vegetais e outras similares servem para consolidar o controle pelos interesses comerciais dos fluxos de produtos primários destinados `exportação. Em casos especiais esse controle ganhou profundidade, estendendo-se às atividades produtoras, dando origem ao sistema de ‘plantações’ característico dos regimes coloniais”. (Furtado. 2008: 46).

A era Lula quis se articular ao modo de produção capitalista industrial mundial pela forma de capitalismo neocolonial de “plantação”.  

A história econômica mundial da aurora da sociedade industrial do capitalismo corporativo mundial produz efeitos ciclópicos na política planetária:
“O capitalismo corporativo mundial já alterou a nova topografia política internacional. Esta nova topografia política mundial será um fator determinante nas políticas nacionais? Para o leitor interessado, esta nova topografia política é uma produção histórica. Primeiro, o capitalismo corporativo mundial derrotou o socialismo burocrático europeu. Este fenômeno suprimiu um dos três polos da axiomática mundial.  O Fim da URSS e do Leste socialista europeu é um acontecimento que tem um agente histórico:  o modo de produção capitalista corporativo mundial”. (Bandeira da Silveira:  267-268).

Na periferia neocolonial  do terceiro-mundo superficial da ordem capitalista corporativa mundial  jazia adormecidos fenômenos que despertam, retroativamente, em 2018 no Brasil:
“O discurso racista é o cimento institucional e ideológico do Estado brasileiro. Foucault fala de um racismo de Estado no início do novecentos. Todavia, este discurso racista é um reagenciamento conjuntural do discurso racial da guerra”. (Bandeira da Silveira: 192).
Há uma  guerra racial em curso no nosso país; trata-se da guerra racial dos de baixos formada por pelotões de mestiços e pretos  ou “negros’; guerra contra a sociedade ariana do rico; o governo Bolsonaro é um governo de generais e de uma militarização do poder civil como fato inédito da política brasileira; os generais messiânicos (de Jair Messias Bolsonaro) vão comandar intelectual e politicamente a guerra racial urbana; um ensaio geral já foi realizado no Rio com o  governo de intervenção nacional de Temer comandado por generais do primeiro exército. Esta conjuntura militarizada da política em extensão acera em 2019.

Avançando na questão do  discurso racial:
“O  discurso do  racista é o discurso revolucionário pelo avesso. Com esta fórmula, Foucault explica o uso  do discurso  racista no neocolonialismo, no nazismo e no Estado soviético. No caso alemão, a explicação fica incompleta. Os nazistas criaram uma cultura política estetizante.  Esta cultura é o simulacro da cultura política populista”.  (Bandeira da Silveira: 195).

O cyberpopulismo racialista de estrema direita do clã Bolsonaro afronta a nação da brasilidade com os dizeres que transformam a sociedade tribal do Xingu e de Roraima em um inimigo da política de Estado. O índio como inimigo do poder de Estado introduz na política brasileira a racialização política acelerada da nossa sociedade. Trata-se da política como dialética amigo (economia de commodities) e inimigo (índio).  Vindo da cultura racional da guerra dos generais, uma gramática da política de Carl Schmitt passa a nos dominar:
“A distinção especificamente política a que podem reportar-se as ações e os motivos políticos é a discriminação entre amigo e inimigo. Ela fornece uma determinação conceitual no sentido de um critério, não como definição exaustiva ou especificação de conteúdo. Na medida em que ela é derivável de outros critérios, corresponde, para o político, aos critérios relativamente independentes das demais contraposições: bom mau, no moral; belo e feio, no estético etc". (Schmitt: 51-52).

spaltung (quebra de mundo) com a vitória do clã Bolsonaro nas urnas, em 2018. O discurso  racialista da política nacional e a gramática militarista da política de Carl Schmitt viram o Brasil pelo avesso.

Fazendo junção com os efeitos da história econômica capitalista mundial sobre o Brasil, nossa história nacional  retoma uma linha gramatical de força (colonial) cujo fio parecia ter sido rompido:
“No Brasil, o discurso do racista é um cimento ideológico da sociedade colonial; ele é o efeito de múltiplas determinações e da luta das subjetividades raciais agregadas no processo de colonização.
No século XIX, o discurso do racista vira, abertamente, a ideologia aristocrática da classe dominante brasileira”. (Bandeira ad Silveira: 196).

O nosso funesto destino de terceiro-mundo superficial do capitalismo neocolonial foi escrito na gramática, virtualmente, que hoje nos assombra como um pesadelo messiânico:
“Há um grupo de significantes – aristocratismo versus populismo; Estado ético e Estado imoral; público versus privado; moderno versus tradicional; universitário e oligárquico; civilização e barbárie – que articulam a repressão da cultura política populista pela ideologia brasileira. Esta ideologia política guiou a governabilidade FHC na transição para o modo de produção corporativo mundial. Todavia, a crise brasileira pode implodir a ideologia brasileira e dificultar o funcionamento político do modo de produção corporativo mundial no Brasil”. (Bandeira da Silveira: 197-198).

Na era FHC e na era Lula, tratou-se de conduzir o país para o caminho do capitalismo neocolonial do terceiro-mundo superficial com aparência de mundo ocidental. O governo Temer rasgou as aparências de semblância de mundo civilizado europeu entre nós. A era Bolsonaro aparece como um aprofundamento da era Temer.

Enquanto a Ásia seguia a linha de força gramatical da sociedade cyberindustrial capitalista, o Ocidente escolheu o caminho do cyberBanco no comando da economia, cultura e política. Donald Trump resolveu retomar o caminho da nova sociedade industrial capitalista que Obama ajudou a desenvolver no Oriente.

Trump ainda não gramaticalizou que o mundo não é mais das nações; as nações são do mundo do capitalismo corporativo mundial.

Bandeira da Silveira, José Paulo. Capitalismo corporativo mundial. RJ: Papel e Virtual: 2002
FURTADO, Celso. Criatividade e dependência na civilização industrial. SP: Companhia das letras, 2008 (1978).
SCHMITT, Carl. O conceito do político. Petrópolis: VOZES, 1992        

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

CAPITALISMO E CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL HOJE. PARTE 1


José Paulo



Devemos nos interrogar a razão do nosso capitalismo ter permanecido periférico? É o caso de todas as formações capitalistas nacionais da América Latina.

O quê os países da América Latina têm em comum para permanecer na periferia do capitalismo dominante mundial?  Podemos considerar que eles são possuídos por uma mesma ideologia econômica tradicional colonial de relação senhor/escravo?

Há uma distinção de ideologia econômica entre países colonialmente dominados pelo modo de produção escravistas e os fora desse domínio a partir do início do século XIX. O Brasil está no primeiro caso e Argentina e México no segundo caso.  Em comum todos sempre viveram na periferia do capitalismo mundial.

A distinção entre metrópole capitalista desenvolvida e periferia não depende da ideologia metropolitano em contraponto à ideologia periférica. Um país não se torna capitalista desenvolvido pela força de uma vontade ideológica de sua elite econômica (ou política ou cultural).

O capitalismo moderno desenvolvido significou a criação (descoberta e invenção) de uma sociedade moderna industrial capitalista. Em Marx, trata-se do modo de produção especificamente capitalista industrial moderno no comando da economia, cultura, política, técnica moderna. Na psicanálise em gramática marxista, dizemos que se trata da gramática da sociedade industrial capitalista da modernidade.

No fim da década de 1970, Celso Furtado tentou nacionalizar a escola de estudos europeia sobre criatividade e dependência na civilização industrial. Vivíamos sob o comando dos generais em conluio com economistas (tecnoburocratas liberais em economia, ma non troppo) como Delfim Neto, Mario Henrique Simonsen e Bulhões de Carvalho. Generais e economistas liberais no governo do Estado brasileiro mexeram nas relações capital e trabalho, mas não como o banqueiro do baixo clero da Banca internacional (ersatz de economista) Paulo  Guedes quer fazer no governo Bolsonaro.

O Estado militar pensava a economia capitalista dependente/periférica como um estágio para a criação, descoberta, invenção de uma sociedade industrial capitalista nos trópicos. Vários livros de marxistas glorificavam o governo Geisel pelo projeto de construir uma sociedade industrial capitalista brasileira. Nesta, o Estado brasileiro precisa ser dotado de um conteúdo econômico capitalista industrial. Empresas estatais como a Petrobrás dão a força do direito para o Estado em tela.  
Com o governo Bolsonaro, temos generais controlando ramos do aparelho de Estado, mas sem controle da máquina estatal da economia e, portanto, subservientes à facção de economistas da escola liberal de Pinochet: chicago boys.

Liderados pelo banqueiro Paulo Guedes, o clã econômico é a oligarquização bancária da nossa política econômica.  Uma oligarquização extensiva à sociedade de comunicação, pois conta com a máquina de propaganda (publicidade) Globo News pregando a necessidade de destruição dos direitos econômicos do trabalho (público e privado). Trata-se de um clã xifópago que age segundo o princípio  da pornografia político. Esclareço.

O clã xifópago pornográfico quer retirar os direitos econômicos do trabalhador estatal, excetuando os direitos econômicos dos generais e militares em geral. Esta proposta obscena tem o apoio de jornalistas como Gerson Camarotti, Merval Pereira e quejandos que se autoproclamam como defensores da moralidade econômica do país; eles são parte do xifópago.  

Com Guedes, vulgo posto Ypiranga, no comando da economia nacional, o governo Bolsonaro vai aparecendo como um  governo desprovido de moralidade econômica. Uma Reforma da Previdência com conteúdo de moralidade econômica precisa ser uma reforma democrática da Previdência; nesta, o objetivo é acabar com os privilégios e não bajular o Mercado Financeiro escroque brasileiro, desnacionalizado.  

Em seguida minha narrativa vai mostrar quais são os reais dilemas da nossa história econômica atual.             

sábado, 1 de dezembro de 2018

SUBLEVAÇÃO DA HISTÓRIA ECONÔMICA CAPITALISTA - PARTE 2



 José Paulo


Na Parte 1 do Sublevação da história econômica capitalista...

Uma experiência em uma sala ou caixote fechado. No interior desta um gato (vivo) e um frasco de gás venenoso, tudo disposto de modo a que se a desintegração radioativa ocorresse o frasco seria quebrado e o gato morreria. No mundo cotidiano, a morte do gato tem 50% de probabilidades de ocorrer, e, sem olhar para o interior do caixote, podemos dizer com segurança que o gato ou estava vivo ou morto.

No mundo quântico, a realidade objetiva estremece. Segunda a teoria, nenhuma das duas possibilidades de concretização (gato vivo ou morto) tem realidade a não ser que seja observada. Assim, a desintegração nem aconteceu nem não aconteceu e o gato não morreu nem sobreviveu até que um observador tenha olhado para o interior do caixote, obviamente aberto. Os teóricos que aceitam a versão pura da Mecânica Quântica dizem que o gato existe em um estado indeterminado que não é vida ou morte, até que um observador olhe para dentro do caixote: “Nada é real se não é observado”. (Gribbin:13).

 Na experiência, o observador pode ser um vulgata (jornalista)? Ou tem que ser um físico quântico? Ou um psicanalista gramatical? O real observado encontra-se em uma relação determinada com o observador; o gato (fato) do vulgo não é o mesmo gato do cientista; o real  do vulgo não é o mesmo real do cientista; o real do vulgo não é o Real  do R.S.I. em psicanálise em gramática marxista. Aqui é o real da gramática da realidade objetiva como materialidade  do fenômeno econômico capitalista no qual se define pela relação capital/trabalho ou gato fechado na caixa em uma situação indeterminada de existência.

O real da relação capital/trabalho é a produção da mais valia, do excedente econômico no sobretrabalho. Trata-se de uma existência complexa.  A determinação da mais valia depende da existência da quantidade de trabalho investido como valor como forma de trabalho social; isto é o  que faz que o dinheiro apareça como a verdadeira forma do valor (Marx. Sem Data:15) ; o valor da mercadora corresponde a quantidade relativa de trabalho contido nela; o valor do trabalho se determina pelos meios de vida necessários para a existência  do trabalhador; o excedente é o trabalho que sobra, parte da produção de valor econômico que sobra, e que cai no bolso do capital depois de cobrir o necessário para a subsistência do trabalhador. (Marx. Sem Data: 12).

A produção da mais valia ocorre em um estado de indeterminação no qual não se sabe se o trabalho é o gato vivo ou morto. O gato vivo é aquele observado por Marx, no século XIX da sociedade industrial, como luta de classe tout court. No final do século XX, a luta de classe econômica do trabalho cessou; o gato está novamente dentro da caixa fechada historial.

O gato novamente dentro da caixa significa a sociedade industrial como fenômeno insignificante no Ocidente. Neste afundar do Ocidente, a sociedade industrial encontra-se em estado de subsunção real (Marx. 1978: 55) em relação à sociedade bancaria. Nesta curva da estrada, a história econômica não tem como contradição principal o capital versus o trabalho; ao contrário, tem como contradição principal a sociedade bancária versus a sociedade industrial subsumida; esta contradição tem no lado direito o Ocidente e no avesso o Oriente asiático em uma geopolítica econômica planetária.        

 A sociedade industrial asiática não é homóloga à do modo de produção especificamente capitalista do século XIX europeu. Hoje, as forças produtivas sociais do trabalho  são cyberforças. No entanto, a realidade capitalista objetivada asiática pode ser tomada como o próximo da realidade objetiva europeia relatada por Marx;
“As forças produtivas sociais do trabalho, ou as forças produtivas diretamente social, socializado (coletivizado) por força da cooperação; a divisão do trabalho na oficina, a aplicação da maquinaria, e em geral a transformação  do processo produtivo em aplicação consciente das ciências naturais, mecânica, química etc. para fins determinados, a tecnologia etc. assim como os trabalhos em grande escala correspondente a tudo isso (só esse trabalho socializado está em condições de utilizar no processo imediato de produção os produtos gerais do desenvolvimento humano, como a matemática etc. assim como, por outro lado, o desenvolvimento dessas ciências pressupõe determinado nível de processo material de produção); esse desenvolvimento da força produtiva do trabalho objetivado, por oposição ao trabalho mais ou menos isolado dos indivíduos dispersos etc. e com ele a aplicação da ciência – esse produto geral do desenvolvimento social – ao processo imediato de produção; tudo isso se apresenta como força produtiva do capital, não como força produtiva do trabalho; ou como força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital, e em todo caso nunca como força produtiva quer do operário individual, quer dos operários associados no processo de produção. A mistificação implícita na relação capitalista em geral, desenvolve-se agora muito mais do que podia ou teria podido se desenvolver no caso da subsunção puramente formal do trabalho ao capital”. Marx. 1978: 55).  

Há uma sublevação na história econômica capitalista.  Trata-se da sublevação da sociedade industrial asiática contra a subsunção real da história industrial à sociedade bancária no Ocidente. A sublevação econômica ocorre por dentro do processo de globalização econômica inventado pelo Ocidente; é uma sublevação pacífica. Aqui, a sublevação aponta para uma  quebra ou spaltung (Labica: 113) do mundo  ocidental; a sublevação econômica aparece como spaltung historial mundial; e a contradição econômica entre sociedade industrial e sociedade  bancária  aparece como uma contradição em gramática marxista na história - Ocidente versus Oriente.

No capitalismo weberiano, a burocracia privada (fábrica) é um aparelho equivalente à burocracia estatal. O domínio da burocracia privada no século XIX faz pendant com a sociedade industrial liberal no comando da economia, cultura e política.

No século XX, aparece a soberania da burocracia bancaria, ou seja, a sociedade bancária  assume o comando da economia, política e cultura em conluio (mas em contradição) com a burocracia estatal. A sociedade fictícia (de capital fictício) é a propriedade fundamental da gramática do capitalismo sob domínio da oligarquia financeira internacional. Sem fundamento gramatical industrial, a política do Estado nacional serve à narrativa lógico-ficcional do Banco. Esta narrativa bancária fala de uma sociedade de serviço (do emprego pouco qualificado) no lugar da sociedade industrial com sua divisão profissional de trabalho manual e intelectual simbólico. A sociedade das profissões modernas é substituída por uma sociedade do trabalho precário, como trabalho simbólico. Assim, o lugar da ciência e da técnica moderna na forças produtivas industriais é jogada para o canto escuro do quarto de dormir, em um hotel barato  da Lapa carioca.      

Em uma profecia racional (Weber. 1968: 316), Weber fala do fim do capitalismo e no nascimento de um Egito antigo ultraracional:
“Una vez eliminado el capitalismo privado, la burocracia estatal dominaría ella sola. Las burocracias privada y pública, que ahora trabajan una ao lado de la otra y, por lo menos posiblemente, una contra otra, manteniéndose, pues, hasta cierto punto mutuamente en jaque, se fundirían en una jerarquía única; a la manera, por ejemplo, del Egipto antiguo, sólo que en forma incomparablemente más racional y, por tanto, menos evitable”. (Weber. 1984: 1074).

A sociedade asiática da contemporaneidade se define pela complementariedade da burocracia estatal em junção com a burocracia privada? Ou melhor seria falar da sintetização da burocracia estatal com a burocracia privada em uma profecia racional de Mao?

Mao diz:
“até agora, análise e a síntese não foram claramente definidas. A análise é mais clara, mas pouco foi dito sobre a síntese. Tive uma conversa com Ai Ssu-ch’i. Ele disse que hoje eles só falam sobre síntese e análise conceituais, e não falam sobre síntese e análise práticas objetivas. Como analisamos e sintetizamos o Partido Comunista e o Kuomintang, o proletariado e a burguesia, os proprietários de terras e os camponeses, os chineses e os imperialistas?”. (Zizek. 2008: 219).

A gramática maoista é uma bússola para a compreensão da sociedade asiática industrial do presente?  É razoável dizer que existe uma realidade objetiva como sintetização das burocracias privada e estatal? Trata-se de uma prática objetiva em narrativa lógica de sintetização do capitalismo com o socialismo asiático que se articula como a nova sociedade industrial; a produção da contemporaneidade tem a gramática industrial asiática como um fundamento irrevogável?  

A profecia de Weber e a dialética da sintetização de Mao não são suprassumidos pela sociedade cybernética? A sociedade burocrática moderna é hoje um suplemento da cybersociedade do século XXI. A cadeia de significantes do presente é: cybersociedade civil que socializa desde a infância o ser humano via mundo digital; cybersociedade política representada na América por Donald Trump e no Brasil por Jair Messias Bolsonaro; cyberEstado nacional articulado por redes internacionais de comércio, ciência, cultura, técnica digital;  cybercapitalismo  industrial das grandes corporações capitalista da internet e mais ainda; mundo da cybersociedade das relações internacionais tout court, onde a polícia secreta (Okhrana) e o complexo industrial militar são os sujeitos políticos na dimensão invisível da tela cybergramatical.

A consciência da história do presente vive em um mundo onde se diz que a consciência histórica inexiste:
“Sería más justo no tomar la  consciência histórica como un fenómeno radicalmente nuevo, caso verdaderamente extremo de la investigación histórica, sino como una transformación relativa, aunque ‘revolucionaria’, en el interior de aquello que constituye desde siempre el  comportamiento del hombre cara a cara con su pasado”.(Gadamer:80).

A crise mundial se caracteriza pelo seguinte  gozo: o velho (passado) não quer morrer e o novo (futuro) não quer nascer. O comportamento do homem cara a cara com seu passado morto faz necessário incluir na cybersociedade a consciência histórica para que o passado não fabule, (com seus fantasmas ou espectros) como um pesadelo o cérebro dos vivos.

Como a realidade observada da contemporaneidade, o gato de Schrödinger, para o vulgo (jornalista), ainda se encontra na caixa lacrada historial para a consciência histórica. Para a psicanálise em gramática marxista, a realidade observada(gato com a caixa aberta)  é aquela da sociedade industrial  que nasce e da sociedade bancária como spaltung do mundo ocidental.

  BAUDRILLARD, Jean. Simulacres et simulation. Paris: Galilée, 1981
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ZIZEK, Alavoj. (org). Mao.Sobre a prática e a contradição. RJ:  Zahar, 2008