terça-feira, 11 de dezembro de 2018

NOTA SOBRE A REPÚBLICA NEOFASCISTA


José Paulo



O neofascismo é spaltung (quebra de mundo) na Ordem 1988. Ele surge na formação gramatical brasileira como um fenômeno natural da vida política em extensão. Cabe na letra às avessas de Guimarães Rosa: “O sertão está em toda a parte”.

O sertão está em toda a parte como o deserto latino-americano de uma democracia sem democratas, de um poder judiciário liberal sem liberais, DE um capitalismo sem capitalistas. É um sertão triste, tristonho, uma circunstância sem homens e ideias, gramática da comunicação e sem gramáticos na economia e política.

O marxismo no Brasil foi uma potente máquina intelectual de convencimento da existência de um capitalismo brasileiro com relações sociais de produção e relações técnicas de produção capitalistas. Belos livros marxistas foram publicados entre nós. Nenhum deles estudou a mente do capitalista brasileiro.

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A MENTE DO CAPITALISTA BRASILEIRO

Só a partir do momento no qual (na mente do capitalista) teve vida independente o capital de empresa, tem adquirido este um sentido definido e claramente delimitado.

Na história econômica capitalista, o capital tem que existir como um significante no cérebro do capitalista. As várias espécies de “cultura cerebral capitalista” determinam o modo de existência do capitalismo por nações ou regiões geoeconômicas.

No Brasil, o significante capital que domina o cérebro capitalista é o conceito de capital de Adam Smith. Trata-se de uma concepção na qual o capital é sinônimo de meios de produção produzidos. A doutrina dos 3 fatores da produção (natureza, trabalho, capital) se acha ligada a esta definição. O capital gasto em salários da força de trabalho e, por conseguinte, gasto com os meios de subsistência do trabalho não cai de modo algum no conceito de capital de nosso empresário.

Para o nosso empresário, o capital não é uma relação social criada na relação trabalho/capital. Ele não é efeito da produção da mais-valia no processo de produção do trabalho produtivo da sociedade industrial capitalista.

O nosso empresário não concebe o capital: a) como parte da história econômica da sociedade industrial capitalista; b) não concebe o capital como relação social de produção e relação técnica de produção; c) confunde os símbolos do capital que edificam uma empresa capitalista, as coisas como dinheiro, meios de produção, meios de subsistência, mercadorias com o significante capital.
O cérebro de nosso empresário é a geleia geral do tropicalismo.

O sentido da produção capitalista é obtenção de “ganancia”. “Ganancia” ou benefício quer dizer excedente: o capital adiantado deve voltar a seu ponto de partida, com um suplemento, um aumento, um incremento. Assim se tem valorizado. O suplemento é a mais-valia se se refere ao capital total de uma sociedade. Produzir mais-valia significa que o valor de troca (preço) de todos os bens produzidos durante um período de produção (durante um ano) é bem maior que a soma paga a classe trabalhadora assalariada, maior que o salario do trabalho, mais elevado que o valor de câmbio (preço) da força de trabalho, superior ao fundo de salários.

A relação social em tela ocorre em uma determinada história econômica capitalista. A competição entre as empresas capitalistas é parte da história econômica para a sobrevivência das empresas mais fortes tecnicamente; a relação técnica de produção age sobre a baixa do preço da mercadoria no fim da cadeia capitalista, ou seja, no mercado dos meios de bens de consumo improdutivos. O cérebro do empresário brasileiro não metaboliza a sociedade industrial capitalista como um modo de existência empresarial competitivo. O empresário brasileiro é o sujeito gramatical que não quer morrer e assim os preços das mercadorias não obedecem à lógica da gramática do modo de produção e circulação de uma sociedade industrial moderna.

Sem competição capitalista, o cérebro capitalista colonial não estabelece a relação entre técnica e criação científica como essência de sua prática econômica. Assim o empresário não se constitui como força prática econômica de reinvenção do capitalismo nesta hora na qual a invenção é o gramático capitalista, por excelência.

NO Brasil, os mass media, os economistas em geral, os políticos-empresários e o novo governo nacional esperam que a velha indústria retome um crescimento econômico que cessou há mais de 30 anos. Para eles, basta investir no capital (= meios de produção produzidos) para que o milagre do crescimento econômico retorne. Fantasia econômica brasileira no lugar da história econômica real do capitalismo nacional.

A música diz tudo: “a sua piscina está cheia de ratos, as suas ideias não correspondem aos fatos”.
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                                                                                  II

O marxista Florestan Fernandes escreveu sobre uma burguesia autocrática. Ele fala do caráter totalitário da burguesia brasileira fazendo pendant com o militarismo. A nossa burguesia gerou o Estado militar 1964 em reação ao aprofundamento da democracia 1946.

Em 2019, um governo com uma facção militar poderosa é apresentado pelos mass media como um fato natural. Para a burguesia totalitária é um fato natural. A burguesia financia os mass media, os mass media representam na sociedade de comunicação de massa a lógica da gramática da burguesia brasileira.

Para Hegel o Estado é o palco da história. Para Marx, o palco da história é a sociedade civil burguesa na formação social capitalista. Nós brasileiros vivemos em um ersatz de capitalismo e a burguesia brasileira não é um sujeito de uma história gloriosa de revoluções burguesas. No Brasil, sempre se falou em revoluções (qualquer escaramuça ou quartelada era apelidado de revolução). Assim, tivemos a Revolução 1930 de Getúlio Vargas envolta em trevas discursivas nas quais andei sem rumo nos bancos universitários. 1930 não foi uma revolução burguesa, foi um movimento civil/militar da oligarquia do Sul do país.

Os paulistas publicaram uma volumosa bibliografia sobre a burguesia do café e a burguesia industrial paulista das duas primeiras décadas do século XX. Eles apresentaram São Paulo como o  centro da vida econômica capitalista a partir do fim da era escravagista. Da oligarquia paulista, o maravilhoso marxista moral Caio Prado Jr criou uma Editora para publicar seus próprios livros sobre a existência  do capitalismo no Brasil desde a era colonial. Essa baboseira toda encheu de fumos machadianos (delírio gramatical em Machado de Assis) minha vida como estudante universitário e professor universitário, também.

Hoje me livrei dos fumos machadianos. Mas para tal feito tive que inventar um campo científico no domínio da história: psicanálise em gramática marxista.  Esta gramática corresponde ao método crítica das ideologias científicas (economia política) e filosóficas (filosofia neo-hegeliana e socialista) de Marx. O marxismo e a economia política entre nós (não temos filosofia) é o campo das ideologias a partir do qual com um martelo a vapor (método da gramática da comunicação) despedacei a nossa literatura ideológica científica e a recriei como psicanalise em gramática marxista.

De fato, a universidade carioca e paulista vivia nas brumas de Avalon das ideologias teóricas europeias. O universitário é um ser ideológico. Esta é a causa de um ersatz de ideologia (lulismo) tomar de assalto a nossa vida universitária.

O lulismo corrupto desgraçou o marxismo; durante um grande período da vida docente ministrei aula de marxismo para 3 alunos. Com o colapso da ideologia marxista da ilustração tupiniquim, os alunos se tomaram de aversão sexual (aversão que envolve o sentido olfativo) pelo odor pútrido que exalava dos livros marxistas. Não desisti! Chegueis a situação insustentável de ministrar um curso de marxismo para um aluno. Só a liberdade de cátedra garantiu a continuação de meus cursos sobre marxismo.

Depois do câncer (tenho de registrar que a universidade me tratou como uma pessoa gravemente doente e não com máquina descartável, pois, fungível) e mais de um ano de tratamento, voltei ministrando aulas sobre a realidade brasileira. No tratamento quimioterápico vomitei constantemente devido aos remédios. Isto não me impediu de escrever um livro sobre a história do Brasil da contemporaneidade. Comecei a pensar as máquinas de guerra gramaticais: freudiana, euclidiana (De Euclides da Cunha) e outras.

Ao voltar a lecionar concentrei nas matérias sobre história brasileira.  Tinha publicado outro livro sobre Brasil no qual fiz um ensaio de interpretação do nosso triste Lula da Silva. Neste ensaio, bebi em Gilberto Freyre e na literatura da década de 1920 (e 1930) para tecer uma biografia do nosso líder sertanejo de Pernambuco/São Paulo. Pedi para os alunos lerem o ensaio.

Na sala de aula uma aluna inteligente e estudiosa saída da classe média popular fez uma declaração de amor ao meu Lula. Como estudei na escola de comunicação, me lembrei das aulas nas quais os professores falavam em obra aberta a interpretação do leitor. Constatei com desprazer e frustração que os professores da ECO falavam a verdade.

No meu pós-câncer, aprofundei a crítica do Brasil lulista. Publiquei mais livros e desenvolvi uma intensa e extensa publicação no mundo cyber. Na universidade, me choquei com o lulismo estudantil.
Os estudantes são seres sensíveis e verdadeiros no mundo da inteligência. Eles fazem do discurso político ou do discurso ideológico um bálsamo de alimento de sua espiritualidade, ou na terminologia da segunda metade do século XX, um elixir (ou uma panaceia) para a sua subjetividade envenenada por maus fluídos.

Comecei a usar o martelo a vapor da física marxista que inventei. A reação foi violenta, simbolicamente, e os estudantes se sentiram como se o professor pretendesse decretar uma orfandade ideológica precoce deles. Vi que a situação era gravíssima quando uma aluna esperta (inteligente e culta) se reportou à administração me acusando de assedio moral. Pedi minha aposentadoria e continuei meu trabalho de Sísifo até inventar o campo científico psicanálise em gramática marxista. Aliás, comecei a estudar Freud e Lacan com os professores da Eco Carlos Henrique Escobar e Muniz Sodré.

Nos últimos dias de novembro comecei a pensar que a segunda spaltung (que nos levará a uma República neofascista) ocorrerá por meio de forças práticas gramaticais da própria sociedade civil.
Escrevi alguns textos sobre o neofascismo. Os submeto à leitura do  cyberleitor:
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 ESTADO DE POLÍCIA ELETRÔNICO
Após uma campanha de vários dias sobre assédio sexual do homem que exerce magia branca João de Deus, o governador de Goiás soltou seus cães da polícia secreta sobre o nosso mágico branco. Acusado de charlatanismo nas redes sociais. conhecido nos EUA e na Europa, João é o líder carismático de uma comunidade mágica com seguidores e detratores em muitas partes do mundo.
Secundando o Jornal O Globo, a Globo News resolveu decretar a morte simbólica do mágico curandeiro. A emissora usa a tática de atacar uma celebridade do mundo carismático religioso como o início da instalação do “Estado de polícia eletrônico” da era bolsonarista.
O Estado de polícia eletrônica é a junção da sociedade de comunicação de massa com o aparelho policial estadual. Na província, o aparelho policial se submete docilmente à política dos massa media carioca. Tudo leva a crer, que a ideia de criar uma força-tarefa da inteligência (policia secreta estadual) para investigar o mágico João foi do governador.
A aliança do estado de Goiás com a Globo News e jornal o Globo (Grupo Globo) faz surgir esse estranho fenômeno esdrúxulo na vida brasileira: “Estado de polícia secreta eletrônico”. Uma empresa privada da comunicação de massa passa a ter poder de dizer à polícia estadual quais cidadãos devem ser investigados pela polícia secreta (Okhrana local). O caso João de Deus deixou de ser um caso jurídico da vida regular do mundo judicial-policial.
O Grupo Globo tem sua força acrescida, tem o crescimento de sua força informacional elevada a uma potência até então desconhecida na vida brasileira. João de Deus foi escolhido como alvo tático de uma milícia eletrônica cujos jornalistas demonstram soberba (pretensão a superioridade sobre as pessoas que possuem um lugar de destaque na sociedade, arrogância de se apresentar como pilar moral da nação , orgulho narcísico em deter o monopólio da organização da cultura nacional para os profanos) ao aniquilar pela violência real policial qualquer pessoa por eles considerada inimiga.
A era Bolsonaro começou com a emergências de fenômenos autocráticos como esse Estado de polícia eletrônico e o culto da autoridade (ersatz de culto da personalidade da antiga URSS) decretada pelo presidente do STF. É possível que o governo Bolsonaro multiplique a criação de fenômenos totalitários como os supracitados.
A vontade da soberania popular 2018 parece que vai alterando a paisagem liberal-democrática ao povoá-la com estranhos fenômenos autoritários.
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A AURORA DA REPÚBLICA NEOFASCISTA

A percepção crítica nacional espera que uma formação neofascista surja das ações do governo Bolsonaro. Agora estamos vendo que o neofascismo tropicalista tem como força prática o Grupo Globo, e massa de mulheres assediadas, realmente ou na fantasia.

A comunidade mágica carismática João de Deus foi estabelecida como alvo da criação de um Estado de polícia neofascista. O Grupo Globo (jornal o Globo e Globo News) induziu a criação de uma força sob comando da polícia secreta de Goiás para fechar o local do culto mágico de cura celebração divina e reza sob a liderança da celebridade internacional João de Deus.

A destruição da sede da comunidade em tela é uma repetição gramatical do aniquilamento físico do arraial de Canudos e dos camponeses do Contestado pela República Velha autocrática do período que se encerra em 1930.

Eu acuso o estado de Goiás ( e a polícia do governo do Estado de São Paulo) de propor a criação de uma República neofascista nacional como continuação por outros meios da República Velha autocrática. O povo que recebe a cura milagrosa e a terapia mágica de João de Deus é o verdadeiro objeto da violência simbólica e real do Estado de polícia neofascista (Globo News + estado de Goiás).

A República neofascista é inventada a partir da destruição da espiritualidade e moralidade do povo mais humilde de um lugar provinciano e que historicamente usa e abusa da violência real do Estado contra camponeses e trabalhadores assalariados agrícola e do pastoreio.

A Globo News transformou o caso da comunidade mágica supracitado em um problema político prático nacional, ou seja, problema da criação da República neofascista usando a credulidade de mulheres que se acreditam defendida pela altruísta Globo News.
Como questão prática nacional (e internacional) o caso da comunidade mágica não deveria ser objeto do poder dos juízes do STF?

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POVO MÁGICO MESTIÇO, EVANGÉLICOS, ELITE BRANCA, GLOBO NEWS
O Grupo Globo (jornal O Globo, Globo News, cadeia de rádio e televisão) transformou em um problema prática nacional as denúncias de assédio do mago moderno João de Deus.
O governo de Goiás criou uma força-tarefa policial-judicial para criminalizar João. Uma delegada de polícia alva, de um clã familial do poder goiano diz que o governo vai destruir o sítio onde o povo mágico JD reza, celebra, vive milagres. Os milagres são conhecidos internacionalmente e enchem de ira os evangélicos espalhados pelos quatro cantos do planeta.
Vendo uma oportunidade para atrair (aumentar) a audiência das mulheres para a televisão, a Globo News transforma João de Deus em um alvo tático-assediador contumaz. As denúncias já estavam na internet e há acusações contra JD na justiça goiana.
Goiás passou a ser um palco da aliança entre a elite do poder ariana caipira, o internacionalismo evangélico e a Globo News. Relatos na televisão sobre assédio de JD são feitos por evangélicos americanos. Ao contrário na Globo News, âncoras gays e lésbicas usam mulheres assediadas (na fantasia, ou realmente) para a partir do bode expiatório evangélico JD fabricarem uma República Neofascista tropicalista.
Passamos a viver em tempos evangélicos neofascistas. A associação entre cristianismo e fascismo é uma página negra da história da Igreja do Papa Pio XII. A Igreja de Pio XII favoreceu a fuga dos nazistas para, especialmente, a América Latina. Hoje, o Vaticano faz um trabalho de propaganda para desfazer o fascismo do Papa Pio XII. Na atualidade, o cristianismo evangélico vai aparecendo como a força prática religiosa do neofascismo na América Latina.
Causa espécie assistir o espetáculo da televisão secular no Brasil associada ao evangelismo neofascista como força prática de construção de uma xifópaga República neofascista. No Brasil, o neofascismo bebe na fonte de energia espiritual do conservadorismo e do neoconservadorismo da sociedade. O jornalismo brasileiro aparece como uma força cultural que não vê problema em ajudar a construir a República neofascista enquanto clama por liberdade de expressão para o próprio jornalismo.
Os últimos movimentos da chefia do STF parecem dizer, abertamente e sem meias palavras, que o poder judiciário brasileiro é capaz de servir ao novo senhor política enunciado (República neofascista) ?
Acrescentando força à narrativa neofascista, a elite intelectual de esquerda continua brincando de lulismo em Curitiba: “caravana natalina libertem Lula”.

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JOÃO DE DEUS E A TELEVISÃO
Há relatos de mulheres que falam do assédio sexual de João de Deus a elas. Os relatos fazem parte do jornalismo da Globo News há 3 dias consecutivos. Sou secular e para mim João de deus é parte do pensamento mágico brasileiro das multidões de crentes, daqueles que creem na cura mágica de João.
Parece que a emissora carioca quer reduzir a pó João de Deus com sua programação, que para as centenas de milhares curados por João, é um jornalismo eletrônico infame.
Há um nítido massacre militarizado visualmente de João. Como o jornalista gosta de dizer uma fotografia (imagem) vale por mil palavras. A fotografia eletrônica funciona como verdade. Para a massa de fiéis da Globo News, a emissora fala a verdade; trata-se de uma verdade religiosa laica (para os que creem no jornalismo da irreflexão) não de uma verdade científica; trata-se de uma verdade ideológica, pois a religião é a forma mais antiga de ideologia, ela é ideologia tradicional.
O bombardeio noturno e diurno a João é uma demonstração do poder policial da Globo News. Punir João (com a pena máxima da morte simbólica) é a mensagem enviada pelo jornalista eletrônica. O jornal de papel não tem como funcionar como um poder policial punitivo dessa magnitude, por exemplo.
A mensagem tem uma dimensão política? A TV faz uma demonstração de seu poderio militar eletrônico como uma ameaça aberta e direta a Jair Messias Bolsonaro. A Globo News se envolveu aberta e diretamente na campanha para eleger Bolsonaro. Ela sugeriu uma pessoa para ocupar a pasta do ministério da Educação. Bolsonaro ignorou a Globo News. Talvez a partir desse fato a emissora tenha resolvido passar para a tática pós-modernista de transformar o presidente da República em um REFÉM.
A política ad nauseam de ataques a João é feita em nome da mulher. A Globo News diz que fala em nome da mulher. Ao contrário, a emissora usa o movimento de mulheres para fazer sua política corporativa empresarial. A lógica empresarial conduz a política da Globo News. Trata-se de interesses econômicos da corporação grupo Globo no comando da programação jornalística diuturna. A mulher é apenas um artefato útil da sociedade de comunicação dos mass media carioca.
Enfim, a Globo News quer medir força com o homem mágico João!
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NOSSA MÁQUINA DE GUERRA SEXUAL

João de Deus pode ter assediado as mulheres crentes que buscavam cura real ou fantasiosa para seus males. Trata-se de um problema criminal que deve obedecer aos preceitos constitucionais, aos artigos dos direitos individuais da Constituição 1988.

Quando o jornalista Pedro Bial levou evangélicas americanas para relatar estupros cometidos por JD; quando um repórter de Goiás é pressionado pela Editora da TV Carioca para forjar entrevista com prováveis evangélicas (que nunca mostram o rosto) acusando nosso mago de estupro (fraude); quando uma polícia evangélica diz para a TV que tem 200 casos registrados de estupro em São Paulo, então, JD vira um estuprador en masse.

A imagem que as várias forças em tela estão fabricando é a de um JD freudiano. Trata-se do Pai da Horda do livro “Totem e Tabu”. O Pai da Horda é o animal despótico que é dono de todas as mulheres (o incesto inexiste na horda) e de toda a riqueza da tribo. Ele é uma máquina de guerra sexual que devora as filhas antropofagicamente em rituais sexuais.

A imagem que a Globo News está fabricando é a de JD como máquina de guerra sexual ou psicopata sexual. Como esse homem mágico, que pratica magia branca e milagres há muitas décadas, pode ser uma máquina de guerra sexual sem que a comunidade dos fies soubesse? Como ele pode ter se tornado uma celebridade internacional (Europa e EUA) se JD é uma máquina sexual psicopática?

O essencial é que o Grupo Globo escolheu JD para demonstrar sua força, seu poder de destruir uma pessoa poderosa, para o novo presidente da República. O poderes da República assistem de camarote e impávidos ao espetáculo sórdido, abjeto, ilegal do uso público da TV para aniquilar indivíduos sob a proteção do manto da Constituição. A TV viola o segredo de justiça sem pudor.

O Grupo Globo manda uma mensagem mafiosa para todos: não se deve criticá-lo, pois isto significa a possível destruição do crítico. JD é apenas um alvo-objeto escolhido a dedo pela alta administração da TV Globo para apresentar a TV como poder mafioso tout court da era neofascista.

O poder judiciário regula a política (judicialização da política); e anda de conluio com a atividade mafiosa neofascista da TV.

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Falo da República neofascista como um fenômeno que significa a segunda spaltung na vida nacional. Esta República está dormido na escuridão da tela gramatical da nossa sociedade. Observa-se que ela quer vir à luz; ela quer ser a parte dominante visível da gramática da comunicação da nossa história.
Ela é o ovo da serpente que o novo governo só tem que romper a casca.  

O governo foi eleito para realizar a satisfação dos desejos neofascistas da realidade nacional. Quem sobreviver poderá falar da gramática em narrativa lógica da República neofascista em nossas terras.    


         
             







sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

CAPITALISMO E CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL-CELSO FURTADO


José Paulo
                                    


Seguindo a exposição do livro “Criatividade e dependência na civilização industrial”, o leitor pode se espantar com a falta de spaltung que caracteriza o mundo atual ocidental. Isto consiste que a organização do mundo tem como ponto-de-partida da história econômica da grande empresa do capitalismo organizado, planificado setorialmente pelas corporações capitalistas  mundiais. 

O que é a grande empresa?
“Em síntese :a grande empresa é um conjunto organizado hierarquicamente de relações sociais que é posto a serviço de uma vontade programada para condicionar o comportamento de segmentos da sociedade”. (Furtado. 1978/2008: 44).

A história econômica da grande empresa se encaminhava para a criação da sociedade capitalista industrial do futuro ocidental:
“Se deixarmos de lado a visão economicista do capitalismo industrial como simples forma de organização da produção e o observarmos como sistema de organização social, captamos sem dificuldade o  real significado da considerável concentração de poder que hoje o caracteriza”. (idem\: 43-44).

A sociedade industrial capitalista é a sociedade civil industrial no comando da economia, da cultura, da política e do Estado. Como uso racional e planificado do excedente público, a política econômica do Estado passa a ser um efeito técnico das disputas entre a sociedade industrial e o Estado nacional social (Furtado. 2008: 45;44).

Estudo a gramática da ciência econômica de Celso Furtado desde a década de 1980. Em meu livro de 2002 “Capitalismo corporativo mundial” falo da CEPA de Celso:
“O cepalismo é a vontade de saber de uma classe dirigente periférica e ocidentalista. Na década de cinquenta, a Comissão Econômica para a América Latina ocupa o lugar do maître no discurso político latino-americano. A CEPAL será o agente, o poder como agenciamento de inscrição de um saber no lugar do Outro (sociedade como campo dos saberes de um dispositivo industrial). Ela tornar-se o protagonista de uma vontade de saber-poder industrializante. Não se trata apenas de um grupo intelectual orgânico de uma burguesia industrial periférica; este grupo não representa na esfera ideológica os interesses da burguesia industrial periférica; ele é a atividade de uma considerável vontade de saber preocupada com o desenvolvimento autônomo de países periféricos. Para a cepal, a industrialização periférica só pode ser o motor de um desenvolvimento integral: econômico, social e político.  Esta vontade de saber nacional é também um efeito do modo de articulação hegemônico no século XX: hegemonia com burocracia”. (Bandeira da Silveira: 106).

Uma mudança qualitativa na natureza do poder econômico em junção com a nova sociedade da técnica da comunicação anuncia a aurora da nova sociedade capitalista industrial capitalista:
“Mas a concentração do poder econômico, reforçada pelo avanço nas técnicas de comunicação, acarretaria modificações de monta nas chamadas relações econômicas internacionais, cuja especificidade apenas começa a ser objeto de estudo”. (Furtado. 2008: 45).

A natureza neocolonial do “capitalismo corporativo mundial” não escapa a Celso:
“A expansão das empresas, fora das fronteiras nacionais dos países em que se origina, assumiu historicamente uma multiplicidade de formas. O controle das operações comerciais internacionais com frequência prolongou-se em atividades industriais complementares da produção primário-exportadora. Assim, os frigoríficos, as usinas beneficiadoras de algodão, produtoras de azeites vegetais e outras similares servem para consolidar o controle pelos interesses comerciais dos fluxos de produtos primários destinados `exportação. Em casos especiais esse controle ganhou profundidade, estendendo-se às atividades produtoras, dando origem ao sistema de ‘plantações’ característico dos regimes coloniais”. (Furtado. 2008: 46).

A era Lula quis se articular ao modo de produção capitalista industrial mundial pela forma de capitalismo neocolonial de “plantação”.  

A história econômica mundial da aurora da sociedade industrial do capitalismo corporativo mundial produz efeitos ciclópicos na política planetária:
“O capitalismo corporativo mundial já alterou a nova topografia política internacional. Esta nova topografia política mundial será um fator determinante nas políticas nacionais? Para o leitor interessado, esta nova topografia política é uma produção histórica. Primeiro, o capitalismo corporativo mundial derrotou o socialismo burocrático europeu. Este fenômeno suprimiu um dos três polos da axiomática mundial.  O Fim da URSS e do Leste socialista europeu é um acontecimento que tem um agente histórico:  o modo de produção capitalista corporativo mundial”. (Bandeira da Silveira:  267-268).

Na periferia neocolonial  do terceiro-mundo superficial da ordem capitalista corporativa mundial  jazia adormecidos fenômenos que despertam, retroativamente, em 2018 no Brasil:
“O discurso racista é o cimento institucional e ideológico do Estado brasileiro. Foucault fala de um racismo de Estado no início do novecentos. Todavia, este discurso racista é um reagenciamento conjuntural do discurso racial da guerra”. (Bandeira da Silveira: 192).
Há uma  guerra racial em curso no nosso país; trata-se da guerra racial dos de baixos formada por pelotões de mestiços e pretos  ou “negros’; guerra contra a sociedade ariana do rico; o governo Bolsonaro é um governo de generais e de uma militarização do poder civil como fato inédito da política brasileira; os generais messiânicos (de Jair Messias Bolsonaro) vão comandar intelectual e politicamente a guerra racial urbana; um ensaio geral já foi realizado no Rio com o  governo de intervenção nacional de Temer comandado por generais do primeiro exército. Esta conjuntura militarizada da política em extensão acera em 2019.

Avançando na questão do  discurso racial:
“O  discurso do  racista é o discurso revolucionário pelo avesso. Com esta fórmula, Foucault explica o uso  do discurso  racista no neocolonialismo, no nazismo e no Estado soviético. No caso alemão, a explicação fica incompleta. Os nazistas criaram uma cultura política estetizante.  Esta cultura é o simulacro da cultura política populista”.  (Bandeira da Silveira: 195).

O cyberpopulismo racialista de estrema direita do clã Bolsonaro afronta a nação da brasilidade com os dizeres que transformam a sociedade tribal do Xingu e de Roraima em um inimigo da política de Estado. O índio como inimigo do poder de Estado introduz na política brasileira a racialização política acelerada da nossa sociedade. Trata-se da política como dialética amigo (economia de commodities) e inimigo (índio).  Vindo da cultura racional da guerra dos generais, uma gramática da política de Carl Schmitt passa a nos dominar:
“A distinção especificamente política a que podem reportar-se as ações e os motivos políticos é a discriminação entre amigo e inimigo. Ela fornece uma determinação conceitual no sentido de um critério, não como definição exaustiva ou especificação de conteúdo. Na medida em que ela é derivável de outros critérios, corresponde, para o político, aos critérios relativamente independentes das demais contraposições: bom mau, no moral; belo e feio, no estético etc". (Schmitt: 51-52).

Há spaltung (quebra de mundo) com a vitória do clã Bolsonaro nas urnas, em 2018. O discurso  racialista da política nacional e a gramática militarista da política de Carl Schmitt viram o Brasil pelo avesso.

Fazendo junção com os efeitos da história econômica capitalista mundial sobre o Brasil, nossa história nacional  retoma uma linha gramatical de força (colonial) cujo fio parecia ter sido rompido:
“No Brasil, o discurso do racista é um cimento ideológico da sociedade colonial; ele é o efeito de múltiplas determinações e da luta das subjetividades raciais agregadas no processo de colonização.
No século XIX, o discurso do racista vira, abertamente, a ideologia aristocrática da classe dominante brasileira”. (Bandeira ad Silveira: 196).

O nosso funesto destino de terceiro-mundo superficial do capitalismo neocolonial foi escrito na gramática, virtualmente, que hoje nos assombra como um pesadelo messiânico:
“Há um grupo de significantes – aristocratismo versus populismo; Estado ético e Estado imoral; público versus privado; moderno versus tradicional; universitário e oligárquico; civilização e barbárie – que articulam a repressão da cultura política populista pela ideologia brasileira. Esta ideologia política guiou a governabilidade FHC na transição para o modo de produção corporativo mundial. Todavia, a crise brasileira pode implodir a ideologia brasileira e dificultar o funcionamento político do modo de produção corporativo mundial no Brasil”. (Bandeira da Silveira: 197-198).

Na era FHC e na era Lula, tratou-se de conduzir o país para o caminho do capitalismo neocolonial do terceiro-mundo superficial com aparência de mundo ocidental. O governo Temer rasgou as aparências de semblância de mundo civilizado europeu entre nós. A era Bolsonaro aparece como um aprofundamento da era Temer.

Enquanto a Ásia seguia a linha de força gramatical da sociedade cyberindustrial capitalista, o Ocidente escolheu o caminho do cyberBanco no comando da economia, cultura e política. Donald Trump resolveu retomar o caminho da nova sociedade industrial capitalista que Obama ajudou a desenvolver no Oriente.

Trump ainda não gramaticalizou que o mundo não é mais das nações; as nações são do mundo do capitalismo corporativo mundial.

Bandeira da Silveira, José Paulo. Capitalismo corporativo mundial. RJ: Papel e Virtual: 2002
FURTADO, Celso. Criatividade e dependência na civilização industrial. SP: Companhia das letras, 2008 (1978).
SCHMITT, Carl. O conceito do político. Petrópolis: VOZES, 1992        

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

CAPITALISMO E CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL HOJE. PARTE 1


José Paulo



Devemos nos interrogar a razão do nosso capitalismo ter permanecido periférico? É o caso de todas as formações capitalistas nacionais da América Latina.

O quê os países da América Latina têm em comum para permanecer na periferia do capitalismo dominante mundial?  Podemos considerar que eles são possuídos por uma mesma ideologia econômica tradicional colonial de relação senhor/escravo?

Há uma distinção de ideologia econômica entre países colonialmente dominados pelo modo de produção escravistas e os fora desse domínio a partir do início do século XIX. O Brasil está no primeiro caso e Argentina e México no segundo caso.  Em comum todos sempre viveram na periferia do capitalismo mundial.

A distinção entre metrópole capitalista desenvolvida e periferia não depende da ideologia metropolitano em contraponto à ideologia periférica. Um país não se torna capitalista desenvolvido pela força de uma vontade ideológica de sua elite econômica (ou política ou cultural).

O capitalismo moderno desenvolvido significou a criação (descoberta e invenção) de uma sociedade moderna industrial capitalista. Em Marx, trata-se do modo de produção especificamente capitalista industrial moderno no comando da economia, cultura, política, técnica moderna. Na psicanálise em gramática marxista, dizemos que se trata da gramática da sociedade industrial capitalista da modernidade.

No fim da década de 1970, Celso Furtado tentou nacionalizar a escola de estudos europeia sobre criatividade e dependência na civilização industrial. Vivíamos sob o comando dos generais em conluio com economistas (tecnoburocratas liberais em economia, ma non troppo) como Delfim Neto, Mario Henrique Simonsen e Bulhões de Carvalho. Generais e economistas liberais no governo do Estado brasileiro mexeram nas relações capital e trabalho, mas não como o banqueiro do baixo clero da Banca internacional (ersatz de economista) Paulo  Guedes quer fazer no governo Bolsonaro.

O Estado militar pensava a economia capitalista dependente/periférica como um estágio para a criação, descoberta, invenção de uma sociedade industrial capitalista nos trópicos. Vários livros de marxistas glorificavam o governo Geisel pelo projeto de construir uma sociedade industrial capitalista brasileira. Nesta, o Estado brasileiro precisa ser dotado de um conteúdo econômico capitalista industrial. Empresas estatais como a Petrobrás dão a força do direito para o Estado em tela.  
Com o governo Bolsonaro, temos generais controlando ramos do aparelho de Estado, mas sem controle da máquina estatal da economia e, portanto, subservientes à facção de economistas da escola liberal de Pinochet: chicago boys.

Liderados pelo banqueiro Paulo Guedes, o clã econômico é a oligarquização bancária da nossa política econômica.  Uma oligarquização extensiva à sociedade de comunicação, pois conta com a máquina de propaganda (publicidade) Globo News pregando a necessidade de destruição dos direitos econômicos do trabalho (público e privado). Trata-se de um clã xifópago que age segundo o princípio  da pornografia político. Esclareço.

O clã xifópago pornográfico quer retirar os direitos econômicos do trabalhador estatal, excetuando os direitos econômicos dos generais e militares em geral. Esta proposta obscena tem o apoio de jornalistas como Gerson Camarotti, Merval Pereira e quejandos que se autoproclamam como defensores da moralidade econômica do país; eles são parte do xifópago.  

Com Guedes, vulgo posto Ypiranga, no comando da economia nacional, o governo Bolsonaro vai aparecendo como um  governo desprovido de moralidade econômica. Uma Reforma da Previdência com conteúdo de moralidade econômica precisa ser uma reforma democrática da Previdência; nesta, o objetivo é acabar com os privilégios e não bajular o Mercado Financeiro escroque brasileiro, desnacionalizado.  

Em seguida minha narrativa vai mostrar quais são os reais dilemas da nossa história econômica atual.             

sábado, 1 de dezembro de 2018

SUBLEVAÇÃO DA HISTÓRIA ECONÔMICA CAPITALISTA - PARTE 2



 José Paulo


Na Parte 1 do Sublevação da história econômica capitalista...

Uma experiência em uma sala ou caixote fechado. No interior desta um gato (vivo) e um frasco de gás venenoso, tudo disposto de modo a que se a desintegração radioativa ocorresse o frasco seria quebrado e o gato morreria. No mundo cotidiano, a morte do gato tem 50% de probabilidades de ocorrer, e, sem olhar para o interior do caixote, podemos dizer com segurança que o gato ou estava vivo ou morto.

No mundo quântico, a realidade objetiva estremece. Segunda a teoria, nenhuma das duas possibilidades de concretização (gato vivo ou morto) tem realidade a não ser que seja observada. Assim, a desintegração nem aconteceu nem não aconteceu e o gato não morreu nem sobreviveu até que um observador tenha olhado para o interior do caixote, obviamente aberto. Os teóricos que aceitam a versão pura da Mecânica Quântica dizem que o gato existe em um estado indeterminado que não é vida ou morte, até que um observador olhe para dentro do caixote: “Nada é real se não é observado”. (Gribbin:13).

 Na experiência, o observador pode ser um vulgata (jornalista)? Ou tem que ser um físico quântico? Ou um psicanalista gramatical? O real observado encontra-se em uma relação determinada com o observador; o gato (fato) do vulgo não é o mesmo gato do cientista; o real  do vulgo não é o mesmo real do cientista; o real do vulgo não é o Real  do R.S.I. em psicanálise em gramática marxista. Aqui é o real da gramática da realidade objetiva como materialidade  do fenômeno econômico capitalista no qual se define pela relação capital/trabalho ou gato fechado na caixa em uma situação indeterminada de existência.

O real da relação capital/trabalho é a produção da mais valia, do excedente econômico no sobretrabalho. Trata-se de uma existência complexa.  A determinação da mais valia depende da existência da quantidade de trabalho investido como valor como forma de trabalho social; isto é o  que faz que o dinheiro apareça como a verdadeira forma do valor (Marx. Sem Data:15) ; o valor da mercadora corresponde a quantidade relativa de trabalho contido nela; o valor do trabalho se determina pelos meios de vida necessários para a existência  do trabalhador; o excedente é o trabalho que sobra, parte da produção de valor econômico que sobra, e que cai no bolso do capital depois de cobrir o necessário para a subsistência do trabalhador. (Marx. Sem Data: 12).

A produção da mais valia ocorre em um estado de indeterminação no qual não se sabe se o trabalho é o gato vivo ou morto. O gato vivo é aquele observado por Marx, no século XIX da sociedade industrial, como luta de classe tout court. No final do século XX, a luta de classe econômica do trabalho cessou; o gato está novamente dentro da caixa fechada historial.

O gato novamente dentro da caixa significa a sociedade industrial como fenômeno insignificante no Ocidente. Neste afundar do Ocidente, a sociedade industrial encontra-se em estado de subsunção real (Marx. 1978: 55) em relação à sociedade bancaria. Nesta curva da estrada, a história econômica não tem como contradição principal o capital versus o trabalho; ao contrário, tem como contradição principal a sociedade bancária versus a sociedade industrial subsumida; esta contradição tem no lado direito o Ocidente e no avesso o Oriente asiático em uma geopolítica econômica planetária.        

 A sociedade industrial asiática não é homóloga à do modo de produção especificamente capitalista do século XIX europeu. Hoje, as forças produtivas sociais do trabalho  são cyberforças. No entanto, a realidade capitalista objetivada asiática pode ser tomada como o próximo da realidade objetiva europeia relatada por Marx;
“As forças produtivas sociais do trabalho, ou as forças produtivas diretamente social, socializado (coletivizado) por força da cooperação; a divisão do trabalho na oficina, a aplicação da maquinaria, e em geral a transformação  do processo produtivo em aplicação consciente das ciências naturais, mecânica, química etc. para fins determinados, a tecnologia etc. assim como os trabalhos em grande escala correspondente a tudo isso (só esse trabalho socializado está em condições de utilizar no processo imediato de produção os produtos gerais do desenvolvimento humano, como a matemática etc. assim como, por outro lado, o desenvolvimento dessas ciências pressupõe determinado nível de processo material de produção); esse desenvolvimento da força produtiva do trabalho objetivado, por oposição ao trabalho mais ou menos isolado dos indivíduos dispersos etc. e com ele a aplicação da ciência – esse produto geral do desenvolvimento social – ao processo imediato de produção; tudo isso se apresenta como força produtiva do capital, não como força produtiva do trabalho; ou como força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital, e em todo caso nunca como força produtiva quer do operário individual, quer dos operários associados no processo de produção. A mistificação implícita na relação capitalista em geral, desenvolve-se agora muito mais do que podia ou teria podido se desenvolver no caso da subsunção puramente formal do trabalho ao capital”. Marx. 1978: 55).  

Há uma sublevação na história econômica capitalista.  Trata-se da sublevação da sociedade industrial asiática contra a subsunção real da história industrial à sociedade bancária no Ocidente. A sublevação econômica ocorre por dentro do processo de globalização econômica inventado pelo Ocidente; é uma sublevação pacífica. Aqui, a sublevação aponta para uma  quebra ou spaltung (Labica: 113) do mundo  ocidental; a sublevação econômica aparece como spaltung historial mundial; e a contradição econômica entre sociedade industrial e sociedade  bancária  aparece como uma contradição em gramática marxista na história - Ocidente versus Oriente.

No capitalismo weberiano, a burocracia privada (fábrica) é um aparelho equivalente à burocracia estatal. O domínio da burocracia privada no século XIX faz pendant com a sociedade industrial liberal no comando da economia, cultura e política.

No século XX, aparece a soberania da burocracia bancaria, ou seja, a sociedade bancária  assume o comando da economia, política e cultura em conluio (mas em contradição) com a burocracia estatal. A sociedade fictícia (de capital fictício) é a propriedade fundamental da gramática do capitalismo sob domínio da oligarquia financeira internacional. Sem fundamento gramatical industrial, a política do Estado nacional serve à narrativa lógico-ficcional do Banco. Esta narrativa bancária fala de uma sociedade de serviço (do emprego pouco qualificado) no lugar da sociedade industrial com sua divisão profissional de trabalho manual e intelectual simbólico. A sociedade das profissões modernas é substituída por uma sociedade do trabalho precário, como trabalho simbólico. Assim, o lugar da ciência e da técnica moderna na forças produtivas industriais é jogada para o canto escuro do quarto de dormir, em um hotel barato  da Lapa carioca.      

Em uma profecia racional (Weber. 1968: 316), Weber fala do fim do capitalismo e no nascimento de um Egito antigo ultraracional:
“Una vez eliminado el capitalismo privado, la burocracia estatal dominaría ella sola. Las burocracias privada y pública, que ahora trabajan una ao lado de la otra y, por lo menos posiblemente, una contra otra, manteniéndose, pues, hasta cierto punto mutuamente en jaque, se fundirían en una jerarquía única; a la manera, por ejemplo, del Egipto antiguo, sólo que en forma incomparablemente más racional y, por tanto, menos evitable”. (Weber. 1984: 1074).

A sociedade asiática da contemporaneidade se define pela complementariedade da burocracia estatal em junção com a burocracia privada? Ou melhor seria falar da sintetização da burocracia estatal com a burocracia privada em uma profecia racional de Mao?

Mao diz:
“até agora, análise e a síntese não foram claramente definidas. A análise é mais clara, mas pouco foi dito sobre a síntese. Tive uma conversa com Ai Ssu-ch’i. Ele disse que hoje eles só falam sobre síntese e análise conceituais, e não falam sobre síntese e análise práticas objetivas. Como analisamos e sintetizamos o Partido Comunista e o Kuomintang, o proletariado e a burguesia, os proprietários de terras e os camponeses, os chineses e os imperialistas?”. (Zizek. 2008: 219).

A gramática maoista é uma bússola para a compreensão da sociedade asiática industrial do presente?  É razoável dizer que existe uma realidade objetiva como sintetização das burocracias privada e estatal? Trata-se de uma prática objetiva em narrativa lógica de sintetização do capitalismo com o socialismo asiático que se articula como a nova sociedade industrial; a produção da contemporaneidade tem a gramática industrial asiática como um fundamento irrevogável?  

A profecia de Weber e a dialética da sintetização de Mao não são suprassumidos pela sociedade cybernética? A sociedade burocrática moderna é hoje um suplemento da cybersociedade do século XXI. A cadeia de significantes do presente é: cybersociedade civil que socializa desde a infância o ser humano via mundo digital; cybersociedade política representada na América por Donald Trump e no Brasil por Jair Messias Bolsonaro; cyberEstado nacional articulado por redes internacionais de comércio, ciência, cultura, técnica digital;  cybercapitalismo  industrial das grandes corporações capitalista da internet e mais ainda; mundo da cybersociedade das relações internacionais tout court, onde a polícia secreta (Okhrana) e o complexo industrial militar são os sujeitos políticos na dimensão invisível da tela cybergramatical.

A consciência da história do presente vive em um mundo onde se diz que a consciência histórica inexiste:
“Sería más justo no tomar la  consciência histórica como un fenómeno radicalmente nuevo, caso verdaderamente extremo de la investigación histórica, sino como una transformación relativa, aunque ‘revolucionaria’, en el interior de aquello que constituye desde siempre el  comportamiento del hombre cara a cara con su pasado”.(Gadamer:80).

A crise mundial se caracteriza pelo seguinte  gozo: o velho (passado) não quer morrer e o novo (futuro) não quer nascer. O comportamento do homem cara a cara com seu passado morto faz necessário incluir na cybersociedade a consciência histórica para que o passado não fabule, (com seus fantasmas ou espectros) como um pesadelo o cérebro dos vivos.

Como a realidade observada da contemporaneidade, o gato de Schrödinger, para o vulgo (jornalista), ainda se encontra na caixa lacrada historial para a consciência histórica. Para a psicanálise em gramática marxista, a realidade observada(gato com a caixa aberta)  é aquela da sociedade industrial  que nasce e da sociedade bancária como spaltung do mundo ocidental.

  BAUDRILLARD, Jean. Simulacres et simulation. Paris: Galilée, 1981
BAUDRILLARD, Jean. Les stratégies fatales. Paris: Éditions Grasset & Fasquelle, 1983
BAUDRILLARD, Jean. Da sedução. Campinas: Papirus, 1991
FAYE, Jean-Pierre. A razão narrativa. A filosofia heideggeriana e o nacional-socialismo. SP: Editora 34, 1990
FIORAVANTI, Eduardo. El capital monopolista internacional. Barcelona: EdicionesPenínsula,  1976
GADAMER, Hans-Georg.  El problema de la conciencia histórica. Madrid: Tecnos, 1993
GLUCKMANN, André. Le discours de la guerre. Paris: Union Générale D’Éditions, 1974
GRIBBIN, John. À procura do gato de Schrödinger. Lisboa: Editorial Presença, 1988
LABICA, Georges. As “Teses sobre Feuerbach” de Karl Marx. RJ: Jorge zahar editor, 1990
LÉNINE, V. Oeuvres. Tome 22.  L’Imperialisme, Stade suprême du capitalisme. Paris/Moscou: Editions Sociales/Editions du Progrès, 1977
MARX, Carlos. Teorias de la plusvalia. V. 1. Madrid: Alberto Corazon Editor,Sem Data
MARX. Pensadores. SP:  Abril Cultural, 1974a
MARX. Karl. O capital. Livro 1. Capítulo VI.  Inédito. SP: Editora Ciências Humanas, 1978      
WEBER, Max. História geral da economia.  SP: Editora Mestre Jou, 1068
WOLTON, Dominique.  Penser la communication.  Paris: Flammarion, 1997
WEBER, Max.  Economia y sociedade. México:  Fondo de Cultura Económica, 1984
ZIZEK, Alavoj. (org). Mao.Sobre a prática e a contradição. RJ:  Zahar, 2008  
        

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

SUBLEVAÇÃO DA HISTÓRIA ECONÔMICA CAPITALISTA. Parte 1


José Paulo.





A desconstrução do significante realidade teve como alvo a ideia de objetividade em Marx. A realidade em Marx diz:” o concreto é o concreto porque é a síntese de muitas determinações, isto é, unidade do diverso”. (Marx. 1974a: 122). ). Determinação implica o conceito de causalidade, desmoralizado pelo avanço da física quântica?

A realidade na física quântica se define como a realidade que não existe até que possa ser medida; a realidade só existe se um observador está olhando para ela, medindo-a. O experimento do Gato de Schr6odinger é um caminho para se entender o que é a realidade. O axioma fundamental da teoria quântica é: nenhum fenômeno elementar é um fenômeno até ter sido observado em um processo de observação. (Gribbin: 146).    

A economia é um fenômeno elementar para a existência humana; ela é um artefato (Lacan) como recurso evolutivo do homem que se estabiliza como história econômica do capitalismo moderno; o problema da realidade objetiva em Marx remete para a economia política moderna; a estrutura e funcionamento do capitalismo moderno tem o mesmo valor científico da realidade da física quântica.;  a realidade para Marx é aquela da física clássica. (Marx. Capital).  

Marx fala de uma realidade que pode ser objetivamente (a economia medida matematicamente) medida e fala de algo que não pode ser medido - a luta:
“na consideração de tais transformações é necessário distinguir sempre entre a transformação material das condições econômicas de produção, que pode ser objeto de rigorosa verificação da ciência natural, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo, as formas ideológicas pelas quais os homens tomam consciência deste conflito e o conduzem até o fim”. (Marx. 1974ª: 136).

A luta se passa no terreno ideológico. Não há como medir a luta. Ela não é um fenômeno elementar como a economia da produção; mas é prudente não perder de vista o conteúdo econômico da luta. A luta das massas faz a história? (Althusser). Qual a relação da luta das massas com a história econômica? Falamos da história da transformação material das condições econômicas de produção.

Baudrillard usa o método da desconstrução heideggeriano para nulificar Marx. No entanto, ele não desconstrói a gramática de Marx. Ele nunca suspeitou que há uma gramática da crítica da economia política. Aliás, ele parte da deslegitimação da produção econômica como gramático da realidade. Por quê? Em Heidegger o acontecimento fundamental qual é? Qual é o acontecimento fundamental em Baudrillard?

O acontecimento fundamental em Heidegger é o fim da metafísica ocidental. Trata-se do afundar da Europa. (Faye: 126) Em Baudrillard o acontecimento fundamental  é o afundar da América?
Primeiro Baudrillard diz que a realidade não é mais regulada pelo paradigma da produção; a sedução entra no lugar da produção. De onde vem a sedução?  Eis o segredo da desconstrução/construção baudrillardiarna.  

O CAPITAL FICTÍCIO NO COMANDO ADA ECONOMIA, CULTURA E POLÍTICA E MASSA MEDIA É A FONTE DE ENERGIA NARCÍSICA DA SEDUÇÃO.

Weber diz que fenômenos na cultura e ideologia vem antes do modo de produção especificamente capitalista e se integram a este como elementos gramaticais do gramático capitalista moderno. (Weber. V. 2).

Em Baudrillard, a soberania da sedução na realidade é simplesmente a sedução do capital fictício que domina o Ocidente, e se traduz como o afundar da hegemonia do Ocidente em relação ao Oriente. Trata-se de uma profecia do futuro (Weber).

Sobre o paradigma  da produção:
“É a história atual do feminino, no interior de uma cultura que produz tudo, que faz tudo falar, tudo gozar, tudo discorrer”, (Baudrillard: 26).

A mulher no centro da cultura encontra-se associada a produção. A desconstrução da produção segue sem tocar no problema da gramática da produção material da economia:
“Do discurso do trabalho ao discurso do sexo, do discurso da força produtiva ao discurso da pulsão corre o mesmo ultimato de pro-dução, no sentido literal do termo. A acepção original, com efeito, é não a fabricação mas a de tornar visível, de fazer aparecer e comparecer. O sexo é produzido como se produz um documento ou como se diz de um ator que ele se produz m cena”. (Baudrillard. 1991: 43).

De propósito, Baudrillard omite a história econômica capitalista em sua desconstrução da produção. Assim, ele pode dizer algo sobre a produção associada à sedução:
“Produzir é materializar à força o que é de uma outra ordem, da ordem do segredo e da sedução. A sedução é sempre em todo o lugar o que se opõe à sedução. A sedução retira alguma coisa da ordem do visível; a produção erige tudo em evidência, trata-se de um objeto, de um algarismo ou de um conceito”. (Baudrillard. 1991: 43).

A gramática da produção é aquela do modo de produção industrial capitalista no comando da economia, política e cultura, isto é, no comando da história como agir narrativo, como linguagem econômica entrelaçada com ações econômicas. (Faye: 121). O imperialismo é uma alteração radical na história econômica, como nos diz Lenin no O Imperialismo, etapa superior do capitalismo”. No imperialismo, a gramática da produção industrial se desfaz com a fusão do privado com o público no capitalismo monopolista de Estado (Lenin). Na sociedade de classes, a oligarquia financeira passa a deter a hegemonia no capitalismo monopolista de Estado e depois no capitalismo monopolista internacional. Assim, o capital industrial se perde como força de direito como força gramatical de articulação da realidade objetiva.

A hegemonia do capital fictício não afunda o Ocidente? A hegemonia do Ocidente sobre o Oriente (Ásia) se desfaz, paulatinamente. A China aposta em um modo de produção industrial com autonomia relativa em relação à dominação do capital fictício ocidental. Nesta nova conjuntura da história econômica da produção capitalista, o pensamento pós-moderno de Baudrillard afunda junto com a Europa:
“Que tudo seja produzido, que tudo se leia, que tudo advenha ao real, ao visível e ao algarismo da eficácia, que tudo seja transcrito em relações de força. Em sistemas de conceitos ou em energia computável, que tudo seja dito, acumulado, arrolado, recenseado; assim é o sexo no pornô, mas esse é geralmente o empreendimento de toda a nossa cultura, cuja obscenidade é a condição; cultura do mostrador, da demonstração, da monstruosidade produtiva”. (Baudrillard. 1991: 44).
Baudrillard nos apresenta a soberania da narrativa sexual do americanismo como ersatz da metafísica ocidental. Predomina o princípio gramatical da pornografia generalizada no domínio da cultura e dos mass media. Trata-se da soberania do obsceno como estratégia fatal para o Ocidente do transpolítico. (Baudrillard. 1983:29).  A sociedade de comunicação com os mass media no comando da cultura e no mundo-da-via, eis a estratégia do domínio transpolítico do Banco no globalismo neoliberal. Vive-se a era do texto entretenimento comunicacional.  

A gramática do texto comunicacional está associada à história do Ocidente da modernidade tardia; o fenômeno R.S.I individualismo é uma poderosa farmácia de sonhos, utopias, estilo de vida, realização da satisfação dos desejos, estado de sublimação como vontade de viver livremente, razão prática freudiana e uma unidade especial entre teoria/prática da secularização.

Wolton diz assim:
“dans cette perspective, l’originalité du modèle occidental, à travers ses racines judéo-chrétiennes puis l’émergence des valeurs modernes de l’individu libre, est d’avoir mis nettement en avant l’idéal d’émancipation individuelle et collectivew. Communiquer implique d’une part l’adhésion aux valeurs fondamentales de la liberté et de l’égalité des individus, d’autre part la recherche d’une ordre politique démocratique. Ces deux signifcations ont pour conséquence de valoriser le concept de communication dans sa dimension la plus normative, celle qui renvoie à l’idéal d’échanges, de compréhension et des partages mutuels”. (Wolton: 15).

Pense leitor a estratégia da comunicação moderna (conjunto de técnicas da comunicação à distancia) servindo docilmente á dominação e hegemonia do Banco. A estratégia da comunicação é um ponto de inflexão na história econômica capitalista moderna.

A estratégia não é ocultar o domínio do Banco; não se trata de uma estratégia ideológica. Entreter, criar jogos de distração, seduzir pelo jogo, ir além do sexual. (Baudrillard.  1991: 15). Jogos de sedução tendo como alvo a morte da produção econômica como princípio da realidade:
“a lei da sedução é primeiro a de uma troca ritual ininterrupta, de um lance maior onde os jogos nunca são feitos, de quem seduz e de quem é seduzido e, em virtude disso, a linha divisória que definiria a vitória de um e a derrota de outro é ilegível – me não há outro limite para esse desafio ao outro de ser ainda mais seduzido ou de amar mais do que eu amo senão a morte”. (Baudrillard. 1991: 29).
  

A desconstrução da produção pela sedução como realidade do mundo nos arremessa, de quatro, para o simulacro de simulação: o real mais real que o próprio real da produção. O simulacro de simulação é a cibernética no comando da economia, cultura, política, mass media:
“- simulacros de simulação, baseados na informação, no modelo, no jogo cibernético, - operacionalidade total, hiper-realidade, objetivo de controle total”. (Baudrillard.1981:177).

A conjuntura da hiper-realidade é aquela do domínio do globalismo neoliberal na história da economia mundial. Trata-se da estratégia ocidental que significa o afundar do domínio econômico do Ocidente sobre a Ásia - uma certo Oriente; afundar do domínio econômico  do cyberBanco e, portanto, da cyberoligarquia financeira ocidental.

Mais uma vez, a história econômica da produção capitalista aponta um outro caminho.  Nela, a linguagem cyber se entrelaça com ações na produção em uma história econômica na qual Donald Trump se torna o herói incompreendido do Ocidente. Trump luta contra a hegemonia Oriental na história econômica mundial Ocidente versus Oriente. Então, é considerado um louco Shakespeariano de um filme de Kurosawa. Trump dissolve no ar a estratégia globalização econômica a qual o PCC usou para a instalação de um modo de produção industrial capitalista com uma gramática distinta do capitalismo moderno industrial.

As aventuras da realidade retornam à física quântica, pois, pois. A perda da soberania da produção econômica na configuração R.S.I (Real/Simbólico/Imaginário) da história econômica capitalista, eis algo que faz afundar a Europa. Ao contrário, a América reage contra o seu afundamento e põe Trump no comando da história econômica do americanismo. Os resultados do trumpismo parecem articular uma realidade econômica catastrófica? Trump instala uma guerra comercial com a China que pode levar à pólemos? Apressadamente, os mass media da periferia do americanismo se deixam seduzir pelo discurso da guerra (Glucksmann; 1974), discurso sedutor fácil da pólemos. Estes massa media funcionam pela estratégia de fazer sofrer a audiência em uma relação sadomasoquista.                   





terça-feira, 27 de novembro de 2018

IDEOLOGIA: FREUD, LACAN, MARX



José Paulo


A psicanálise em gramática marxista mergulha no objeto ideologia em uma profundidade que precisa de cilindro de respiração.  Trata-se de estabelecer laço gramatical entre a ideologia  e o “supereu cultural” em Freud. (Freud. V. XXI: 166). Qualquer pessoa interessada no domínio ideológico desconfia que existem vários caminhos para a exploração dessa mina de cobre na Europa.

O supereu cultural é o supereu de uma época de civilização. A ideologia está associada à uma época civilizacional como a ideologia cristã (ideologia tradicional) e a ideologia moderna. A ideologia cristã serve ao mandamento “amar ao próximo, seu inimigo” (Freud. V. XXI: 167); o supereu funciona a partir de mandamentos que ele envia às massas gramaticais.; massas gramaticalizadas como cristã ou moderna.

Amar seu inimigo significa a renúncia à realização do instinto de morte; significa a renúncia ao “narcisismo das pequenas diferenças” por onde a agressividade realizada (violência simbólica contra o outro) define povos (classes sociais, formações políticas, formações ideológicas) em relação a outros povos etc. (Freud. V. XXI: 136).

O amar ao inimigo como a ti mesmo de São Paulo funda a ideologia cristã. Freud diz que a ideologia cristã funciona pelo mecanismo credo quia absurdum (creio porque é absurdo) :
“Acho que agora posso ouvir uma voz solene me repreendendo: ‘É precisamente porque teu próximo não é digno de amor, mas, pelo contrário, é teu inimigo, que deves amá-lo como a ti mesmo’. Compreendo então que se trata de um caso semelhante ao do Credo quia absurdum”. (Freud. V. XXI: 132).
Freud diz:
“O supereu de uma época de civilização tem origem semelhante ao supereu de um indivíduo. Ele se baseia na impressão deixada atrás de si pelas personalidades dos grandes líderes – homens de esmagadora força de espírito ou homens em quem um dos impulsos humanos encontrou a sua expressão mais forte e mais pura e, portanto, quase sempre, mais unilateral”. (Freud. V. XXI: 166).

Como o Cristo-homem é um mito cristão, a narrativa do Evangelho é o fato real da ideologia cristã; artefato ideológico. Na narrativa, Jesus Cristo é apresentado como o grande homem, ou melhor, como líder carismático místico, homem deificado.

A narrativa do Evangelho é aquela de um fato que realmente aconteceu; não se trata da ideia verdadeira como aquela que nos mostra a coisa como ela é em si. (Faye: 85). Ela é a narrativa ideológica do ora penso o eu sou, e não ora eu penso o eu duvido. (Faye: 93). Trocando em miúdos, na narrativa ideológica, o “pensar” não duvida da existência do sujeito gramaticalizado como eu sou amigo dos amigos e “penso” o inimigo nas pequenas diferenças narcísicas estabelecidas pelo supereu cultural de uma época civilizatória.

Falando mais exatamente, se se duvida que há um inimigo, então se pensa; se eu me engano, eu sou um sujeito ideológico.  Pensar implica duvidar se há um inimigo. O eu sou do texto ideológico é o autoengano existencial da certeza de que há um inimigo. Todo o pensamento moderno representativo diz que não há inimigo, e sim concorrente, competidor ou adversário. Por isso, Lacan vai buscar a ideologia moderna no supereu cultural que produz a massa social (como um fenômeno da pólemos na sociedade por outros meios) como corpo despedaçado molecularmente. No domínio ideológico, o eu (sujeito) não duvida do supereu!

São Paulo não duvida que romanos e judeus são inimigos. (Bíblia: 2136).         

Lacan pensou a ideologia moderna de um modo brilhante, maravilhoso e terrível, pois a pensou através da relação dos indivíduos com a pólemos. (Lacan. 1988: 125; Derrida.1994:110-111):
“Nenhuma forma de supereu, portanto, é passível de ser inferida do indivíduo para uma dada sociedade. E o único supereu coletivo que se pode conceber exigiria uma desagregação molecular integral da sociedade. É verdade que o entusiasmo em que vimos toda uma juventude sacrificar-se por ideais de nada faz-nos entrever sua realização possível no horizonte de fenômenos sociais de massa que assim suporiam uma escala universal”. (Lacan. 1988:138-139).

O relato político não é uma ideologia com a transformação: relatório narrativo em dúvida. (Faye: 92). O eleitor pode duvidar da narrativa ideológica, dos espectros ideológicos que pilotam o supereu cultural.

A gramática da ideologia cristã se define pela renúncia à realização geral do instinto de morte?
O supereu cristão é a fonte da ideologia cristã:
“Quando, outrora, o Apóstolo Paulo postulou o amor universal entre os homens como fundamento de sua comunidade cristã, uma extrema intolerância por parte da cristandade para com os que permaneceram fora dela tornou-se uma consequência inevitável (...) Tampouco constitui uma possibilidade inexequível que o sonho de um domínio mundial germânico exigisse o antissemitismo como seu complemento”. (Freud. V. XXI: 136-137).

A gramática da ideologia faz do inimigo de sua imaginação seu “suplemento”, algo como o suplemento da fala. (Derrida. 1973: 177).  

Na “Epístola aos Romanos”, Paulo diz:
Amor para com todos os homens, mesmo para com os inimigos. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  (Bíblia: 2140; 2141). A propósito, o amor pelos fracos faz pendant com o amor pelo poder político romano:
“Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus (...) É também por isso que pagais impostos, pois os que governam são servidores de Deus, que se desincumbem com zelo do seu ofício”. (Bíblia: 2141).  

A estratégia de Paulo é fabricar uma narrativa para neutralizar a intolerância cristã em relação ao o poder político secular, ou seja, ao Estado romano, evitando assim o choque do Império com a cristandade:
“Para os romanos, que não fundaram no amor sua visa comunal como Estado, a intolerância religiosa era algo estranho, embora, entre eles, a religião fosse do interesse do Estado e este se achasse impregnada dela”. (Freud. V. XXI: 137). 

A narrativa ideológica cristã é o modelo de narrativa religiosa em uma época na qual o Estado secular domina a política. Frente ao processo  de secularização, o Estado  cristão fundado na comunidade do amor é uma impossibilidade lógica gramatical do século XXI.       
                                                                       
Julgar na narrativa ideológica é uma rua de mão única. Só Deus julga; Deus é a própria narrativa em ação na parúsia:
“Assim, cada um de nós prestará contas a Deus de si próprio.
Deixemos, portanto, de nos julgar uns aos outros”. (Bíblia: 2142).

                                                                            II
   
A gramática da ideologia clássica tem como mecanismo gramatical um sujeito (fora do espaço ideológico) como o inimigo a ser punido.

A gramática da ideologia da modernidade exige a desintegração da pessoa na massa. Trata-se de um novo momento na história universal. Na pólemos, a pessoa vive o estado de liberdade freudiano absoluto de realização do instinto de morte: desejo de matar. (Freud. V. XXI: 116). A ideologia da civilização significa a renuncia ao estado de liberdade freudiano. (Feud. V. XXI: 116).
A propósito, a vida civilizada europeia associa ideologia e sublimação:
“a sublimação do instinto constitui um aspecto particularmente evidente do desenvolvimento cultural; é ela que torna possível às atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas ou ideológicas, o desempenho de um papel importante na vida civilizada”. (Freud. V. XXI; 118).  

                                                                         A IDEOLOGIA ALEMÃ

Althusser fez uma teoria da ideologia. A ideologia é ligada ao Estado; ela aparece como um artefato dos parelhos ideológicos de Estado. O Estado é dominação (aparelho repressivo de Estado) e articulação da hegemonia (aparelhos ideológicos de Estado):
“Ao que sabemos, nenhuma classe pode, de forma duradoura, deter o poder de Estado, sem exercer ao mesmo tempo sua hegemonia sobre e nos Aparelhos ideológicos de Estado”. (Althusser. 1983: 71).
Aparelho ideológico é: Igrejas, escola, família, aparelho jurídico, sistema político e partidos políticos, sindicato, imprensa e mass media (rádio, televisão), aparelho cultural (Letras, Belas Artes, esportes).
Segundo Althusser, a ideologia em Marx é um sistema de ideias, de representações que domina o espírito de um homem ou de um grupo social. Ele não fala como Lacan da ideologia moderna que produz as massas despedaçadas molecularmente.

No Marx do livro “A ideologia alemã”, a ideologia não tem história. A ideologia é concebida como pura ilusão, puro sonho ou seja, nada. Toda a sua realidade está fora dela. A ideologia é uma construção imaginária cujo estatuto é o mesmo estatuto teórico do sonho anterior a Freud. O estatuto em tela é o da filosofia e da ideologia (uma vez que a filosofia é a ideologia por excelência):
“A ideologia é então para Marx um bricolagem imaginário, puro sonho, vazio e vão, constituído pelos ‘resíduos diurnos’ da única realidade plena e positiva, a da história concreta dos indivíduos concretos, materiais, produzindo materialmente sua existência”. (Althusser. 1983:83).

Althusser diz que as ideologias têm história; a ideologia em geral como estrutural não tem história. A estrutura da ideologia em geral se define como uma “representação” da relação imaginária dos indivíduos com suas condições reais de existência. A ideologia representa a relação imaginária dos indivíduos com as suas condições reais de existência.
Não são as suas condições reais de existência, seu mundo real que os “homens” “se representam” na ideologia, e sim a sua representação da relação imaginária com as condições reais de existência.

A ideologia de Althusser usa a terminologia lacaniana da configuração R.S.I. (Real/Simbólico/Imaginário). A inscrição do sujeito na ideologia se faz por via lacaniana. Na configuração ideológica temos o Imaginário no comando do R.S.I.

A ideologia não é aquela de um sujeito dotado de consciência e crendo nas ideias que sua consciência lhe inspira, aceitando-as livremente, que deve agir segundo suas ideias, imprimindo nos atos de sua prática material as suas próprias ideias enquanto sujeito livre. Se ele não o faz, algo vai mal. (Althusser. 1983: 90). Esta é a concepção da ideologia da vulgata do texto ideológico que circula na cultura brasileira através do jornalismo e da velha ciência política do texto universitário.

Em Althusser, a ideologia existe em atos inscritos em práticas. Pascal diz: “Ajoelhai-vos, orai e acreditareis”. A ideologia não tem a ver com ideias, e sim com práticas, rituais, aparelho ideológico:
“a ideologia existente em um aparelho ideológico material, que prescreve práticas materiais reguladas por um ritual material, práticas estas que existem nos atos materiais de um sujeito, que age conscientemente segundo a crença”. (Althusser. 1983: 92).

A ideologia tem uma função especial: ela constitui indivíduos concretos em sujeitos. A ideologia é o texto das evidências como evidências que o sujeito não pode deixar de reconhecer: “é evidente”, é exatamente isso! É a verdade! A dúvida é excluída do texto ideológico, como já apontamos. Trata-se do mecanismo do reconhecimento ideológico e do desconhecimento como mecanismo inverso.
Em Althusser, o texto ideológico existe (Evangelho, Testamento), como no caso da ideologia cristã, em suas práticas, rituais, cerimonias, sacramentos. A ideologia cristã diz que existe um Sujeito (Deus) diferente dos sujeitos concretos; os sujeitos existem como sujeitos submetidos ao Sujeito. Trata-se de uma ideologia que é o avesso do pensamento que diz que o sujeito é livre e caminha com as próprias pernas. Na ideologia cristã, o indivíduo é interpelado como sujeito (livre) para livremente submeter-se às ordens do Sujeito, para aceitar, portanto, (livremente) sua submissão, para que ele realize por sim mesmo os gestos e atos de sua submissão. Por isso é que caminham por si mesmos.

Cabe aos aparelhos ideológicos inculcar a ideologia dominante; isto significa que há resistência. (Althusser. 1983: 112). Lenin diz que a política é o domínio das lutas ideológicas do partido em filosofia materialista com o partido em filosofia idealista. (Lenin: 267, 268). 

Qual é o lugar da política na história das ideologias modernas?

A ideologia política moderna é um artefato vital para a constituição da unidade da classe dominante, e, portanto, da sociedade civil cum sociedade política. Os partidos políticos legais servem à ideologia dominante no fenômeno aparelho ideológico de Estado político. Este realiza a ideologia política da classe dominante em seu regime constitucional (as leis fundamentais durante a monarquia do Antigo regime, o Parlamento, o regime representativo parlamentar da burguesia em seus períodos liberais).

O aparelho político de Estado (inclui chefe de Estado, o governo que ele dirige diretamente) não se confunde com a administração (que executa a política do governo). No entanto, o aparelho político de Estado (chefe do estado, governo, administração) é uma parte do aparelho de dominação de Estado.

O que se deve entender por aparelho ideológico de Estado político? O sistema político da representação parlamentar, por exemplo. O AIE da política define-se como um modo de representação (eleitoral) da vontade popular ou soberania popular por meios dos deputados eleitos:
“Mas o que permite, em última instância, falar do sistema político como de um aparelho ideológico de Estado  é a ficção, que corresponde a uma certa realidade , de que as peças desse sistema, assim como seu princípio de funcionamento, apoiam-se na ideologia da liberdade e da igualdade do indivíduo eleitor, na livre escolha dos representantes do povo pelos indivíduos que compõem esse povo, em função da ideia  que cada qual faz da política que deve seguir o Estado. Foi sobre a base dessa ficção (ficção porque a política do estado está determinada, em última instancia, pelos interesses da classe dominante na luta de classes) que se criaram os partidos políticos, aos quais cabe expressar e representar as grandes opções divergentes (ou convergentes) da política nacional. Cada indivíduo pode, então, livremente expressar sua opinião, votando no partido político de sua escolha) se é que este não tenha sido condenado à ilegalidade)”. (Althusser.1983: 116).  

No parágrafo acima o que Althusser designa como ideologia é ersatz de ideologia tout court.   

O partido político pode representar os interesses das classes. Aqui, ele possui uma realidade material que o põe e repõe na política como algo que é não é simplesmente um aparelho ideológico político de Estado. Contudo, o regime representativo liberal tende a fazer da política uma atividade autotélica com autonomia absoluta institucional dos representantes  em relação à sociedade de classes. 

Na teoria da ideologia de Althusser, falta a gramática da ideologia presente em Freud, Lacan e Marx. Na gramática da ideologia alemã, a linguagem ideológica tem como centro de seu funcionamento o espectro, fantasma, fantasia, imaginação dos indivíduos e das massas. O fantasma pode ser aquele do texto utópico do “Manifesto do Partido Comunista” (espectro do futuro ou tempo futuro dos que ainda não nasceram) ou espectros do passado no “A ideologia Alemã” (Derrida. 1993:227-234).  e no “O 18 do Brumário de Luís Bonaparte”: “o passado pesa como um pesadelo no cérebro dos vivos”.  

São  espectros  ideológicos: o ser supremo, o ser ou  a essência, a vaidade do mundo, os seres bons e maus, o ser e seu reino, os seres, o homem-Deus, o homem, o espírito do povo (Volksgeist), o Todo  ou totalidade real, o “Espírito Santo”, a verdade, o direito, a lei, a boa causa. (Marx. 1974: 178-180).

A gramática da ideologia remete para pensamentos “corporificados” -os fantasmas-, objetivados, que dominam o mundo, quando a história tem sido a história da teologia, portanto, uma história de fantasmas. Em Marx, a teologia é o falar de espectros ideológicos:
“Todos los ‘fantasmas’ a que hemos pasado revista eran representaciones. Estas representaciones, prescindiendo  de su fundamento real (del que prescinde también, por los démas, Stirner), concebidas como representaciones dentro de la conciencia, como pensamientos en la cabeza del hoimbre, arrancadas de su objetividad para retrotraerlas al sujeto, elevadas de la susrtancia a la autoconciencia, no son otra cosa que manias o ideas fijas”. (Marx. 1974: 181).     
Relendo Marx com Freud e Lacan, o espectro ideológico pilota como mandamento a narrativa do supereu cultural no campo da psicanálise em gramática marxista.  

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado. Nota sobre os Aparelhos ideológicos de Estado. RJ: Graal, 1983
BÍBLIA. A Bíblia de Jerusalém. SP: Edições paulinas, Sem data
DERRIDA, Jacques. Gramatologia. SP: Perspectiva, 1973
DERRIDA, Jacques. Spectres de Marx. Paris; Galilée, 1993
DERRIDA, Jacques. Politiques de l’amitié. Paris: Galilée, 1994
FAYE, Jean-Pierre. A razão narrativa. SP: Editora 34, 1990
FREUD. Obras Completas. V. XXI. RJ: Imago,1974
LACAN, Jacques. Escritos. RJ: Jorge Zahar Editor, 1998
Lenin. Materialismo y empiriocriticismo. Barcelona: Grijalbo, 1975
MARX & ENGELS. La ideologia alemana. Barcelona: Grijalbo, 1974
     
  
   


     



   




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

GÊNESE VIRTUAL DO PODER NACIONAL


José Paulo


A conjuntura atual começa com o impeachment de Dilma Rousseff.  A teoria política do impeachment foi fabricada na página PCPT (Psicanálise, Cultura Política, Totalitarismo). A força prática do impeachment foi o Congresso Nacional.

O PCPT é aquela força estética kantiana desinteressada na política. (Kant:49-50). O PSDB é a força prática guiada pelo interesse de tomar o poder. Os juristas que preparam o impeachment serviram: uma causa pessoal (Janaína Pascoal); uma causa política (Miguel Reali); um ideal (Hélio Bicudo).

O PCPT agiu desinteressadamente na construção do significante poder nacional. Explico! Ao assumir o segundo governo, a sra. Dilma plantou no comando da economia uma personalidade da irracional oligarquia financeira internacional. Representado o capital fictício (Marx: 463), o ministro da economia deu uma guinada de 180° graus na política econômica nacional. Ele começou a instalar um programa ultraliberal de destruição do Estado getulista 1988.

O ministro governava em uma luta aberta contra o Estado nacional e a Constituição1988. Ao desenvolver a contradição oligarquia financeira internacional versus Estado nacional 1988, o ministro se tornou um alvo do PCPT. Então, o PCPT iniciou a ciberpolítica de derrubada do governo Dilma Rousseff tecendo a teoria política do impeachment.

Como não se tratava de uma política negativa, o PCPT começo a atualizar a gramática do poder nacional (contida na ideologia nacional da Constituição 1988) - ou o poder nacional como gramático virtual na conjuntura Rousseff.

Michel Temer assumiu a presidência da República depois de uma fase de debates no Congresso. O PCPT gramaticalizava a necessidade de convocar eleição para presidente da República. A defesa irrealista de convocar eleições gerais nacionais por uma facção do parlamento inviabilizou a proposta do PCPT. Tal delírio político abriu a porta para o poder cair no colo de Temer como uma graça divina.

O governo Temer começa com a política “Uma ponte para o futuro” escrita por Moreira Franco e um desconhecido assessor da presidência. Trata-se de uma política governamental voltada para a desnacionalização do poder brasileiro inscrito na Constituição 1988. A desnacionalização do poder foi a ponte para o futuro da economia como capitalismo neocolonial do terceiro-mundo.

A formação de um poder econômico desnacionalizado estabelece: a) o trabalho assalariado em um regime de quase-escravidão (Reforma Trabalhista); b) a destruição do campo de saberes nacional encarnado pela universidade estatal; c) a ideologia do ruralismo como destruição da floresta Amazônica e dos povos indígenas, e como inimiga fatal do trabalhador rural e do pequeno produtor.  

A política de Temer-Moreira Inviabiliza a construção do Estado-cientista como força prática cultural  e científica para a fabricação da gramática do novo modelo industrial que não  se confunde com “economia criativa”. O novo modelo industrial será o habitat da formação de uma nova classe operária sujeito grau zero lulista (bolivariano).

O governo Temer será lembrado como um fenômeno político de desnacionalização da vida brasileira. As privatizações indiscriminadas do sistema de empresas estatais, a entrega da exploração dos poços de petróleo ao capital estrangeiro (em uma era de condenação geral  do regime econômico fóssil) aparece como verdadeiros atos de traição ao poder brasileiro. Observe-se que a ideologia ultraliberal eletrônica da desnacionalização do poder econômico brasileiro é uma obra dos editores-jornalistas da Globo News. A Globo News é o o paradigma dos fenômenos heteróclitos brasileiros, pois, fornece uma mistura bizarra de ideologias: ultraliberalismo e neogetulismo, multiculturalismo e autocratismo cultural, familialismo bissexto e libertarismo freudiano, messianismo ultramontano, e capitalismo neocolonial do  terceiro-mundo. A cooptação en masse e molecular dos intelectuais e artistas de esquerda fazem da emissora uma força estética prática regulada por interesses econômicos ocultos  do grande público.       

Nas eleições 2018, o candidato camuflado em verde-oliva do Exército se aliou com o baixo clero do poder oligárquico financeiro internacional na tomada do poder econômico de Estado. O baixo clero é formado por economistas tupiniquins com doutorado para estrangeiros da Universidade de Chicago. Trata-se de uma força prática intelectual de ocupação da subjetividade cultural do território nacional pelo capitalismo neocolonial do terceiro-mundo.

O leitor pode estar pensando que a facção militar no governo de Bolsonaro é uma força intelectual e política voltada para a construção do poder nacional. A quimera do poder bolsonarista é uma composição compósita e heteróclita de militarismo, ruralismo, cristianismo, ultraliberalismo, lavajatismo (O governo Bolsonaro cooptou o juiz Sérgio Moro, para ser o ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro-gramático da força prática Lavajato) . Com esta mistura bizarra, Bolsonaro e seus filhos (seguidores do filósofo bissexto carioca de estrema-direita Olavo de Carvalho) tomaram o poder de Estado. O Estado getulista 1988 se apresenta como o alvo tático dos ataques da tropa circense messiânica (de Jair Messias Bolsonaro).

O PCPT se volta para a oposição estética desinteressada ao bicho-de-sete cabeças bolsonarista. Sem ligação com uma força prática específica, o PCPT navega no ciberoceano de ideias e utopia capitalista. É óbvio que o PCPT faz a gramática da oposição democrática nacional.  Ele volta suas baterias para a construção virtual do poder nacional em confronto com a via capitalista neocolonial do terceiro-mundo: abismo que assombra a todos, justos e injustos!    

KANT. Crítica da faculdade do juízo. RJ: Forense Universitária, 1993
MARX. O capital. Crítica da economia política. Livro 3. V. 5. SP: Difel, 1985