segunda-feira, 4 de maio de 2015

A insustentável leveza do significante

Psicanálise, Cultura Política, Totalitarismo (PCPT)

Endereço do grupo Psicanálise. Cultura Política, Totalitarismo no  Facebook:  https://www.facebook.com/groups/psicanalise.culturapolitica.totalitarismo/?fref=ts
José Paulo Bandeira e Almir Pereira.
O Grupo PCPT (Psicanálise, Cultura Política, Totalitarismo) é um campo de pensamento transdisciplinar. Trata-se do campo contraciência freudiana da política. Tal campo está aberto às múltiplas e diversas intervenções disciplinares das ciências humanas (sociologia, ciência política, antropologia, direito, economia, historiografia, geografia), das ciências da comunicação, da psicanálise, do marxismo, da psicologia, da metapsicologia, das neurociências, da filosofia e da literatura. Também está aberto às intervenções das ciências ambientais, da biologia e da física. A ideia é articular a história da natureza à história política universal!
O Grupo não aceitará que seja veiculado qualquer tipo de publicidade, seja econômica, seja política ou de cunho ideológico. Espera que seus integrantes não se deixem alienar - em sua participação -, ou pela lógica da mercadoria, ou pela lógica política do simulacro de simulação. Espera também que a reflexão possa ser metabolizada como cultura contratotalitária.

FATOS & VERSÕES.
Neste domingo de abril (26/04), três jornalistas falam sobre política brasileira. Elas querem tornar a política uma coisa mais prosaica do que o prosaico. Eles querem dizer o sentido dos fatos políticos. Elas são pagas a peso de ouro, e o brilhantismo delas é a prova de que elas valem o que recebem da indústria de comunicação. Mas como só os deuses têm o poder de dizer sobre o sentido do fato, a resistência das nossas jornalistas à linguagem da metáfora e da metonímia (linguagem do inconsciente político) empurra o jornalismo da televisão para o tédio do prosaico. A Editora desse tipo de programa acredita que o tele-espectador típico goza apenas com o prosaico. Seria o gozo narciso interrompido a cada palavra, fórmula ou sentença das jornalistas. Renan Calheiros briga com Eduardo Cunha por causa dos direitos dos trabalhadores? Isso é o fato jornalísticos do Fatos & Versões? Isso é pura ilusão e enganação. Indo além! Ele briga com Cunha numa disputa pelo poder no PMDB? Isso é o fato jornalístico mediado pela ciência política. Assim o jornalismo se aproxima do artefato. Lacan diz: não ex-siste fato, apenas artefato. Este é o fato manufaturado pelo simbólico através da cultura política. Por quê Renan disputa o poder no PMDB? Trata-se de uma causa mecânica da política partidária? Ou então todo político se define pela vontade de obter, cada vez mais, poder? A vontade política tem como motor o desejo de poder? Que desejo é esse? Freud fala do desejo de dominação da pulsão de morte. Esta remete, rigorosamente na física freudiana da política, para o inconsciente político. O motor na história política universal natural são as energias pulsão de morte e narcisismo. Assim Renan quer o PODER no PMDB como um modo de fazer a gestão das energias supracitadas que são fundamentais para o seu equilíbrio psíquico. Eu diria que elas são essenciais para o equilíbrio da alma de Renan no cotidiano da sua vida pública e privada. O contraconceito de indivíduo diz: o indivíduo é um campo de força constituído pela acumulação, distribuição e uso das energias míticas (pulsão de morte e narcisismo) biograficamente. Renan é um campo de força sob à luz do sol político: a opinião pública. Então, ele vai jogar com as energias da galera partidária mexendo com a força da opinião pública: o eleitor. Isso tem um pingo de cálculo, mas o jogo narcísico – que sustenta tal política - se passa na dimensão do inconsciente político. Trata-se, portanto, não de fatos políticos, mas de artefatos da cultura política. Detalhe: por que Renan é o presidente do Congresso? Talvez porque ele saiba que a política é feita de artefatos políticos! A política em si como fato é o túmulo de qualquer político e de qualquer jornalista política por mais brilhantes e sedutores que eles sejam! 

PAULO COELHO/RAUL SEIXAS
Entre os significantes da cultura musical da década de 1970 temos Raul Seixas e Paulo Coelho. Metamorfose ambulante é a letra de um rock? Raul foi um pioneiro do rock brasileiro? Não era bossa nova, tropicalismo, samba, sertanejo. Não era música popular brasileira em um sentido amplo? um determinado modo musical de organizar a relação da cultura política com a cultura no mundo da vida? A ditadura militar usou a violência de sua máquina de guerra semiclandestina para perseguir Paulo Coelho, pois ele fazia as letras das músicas de Raul:
“Prefiro ser/Essa metamorfose ambulante/Eu prefiro ser/Essa metamorfose ambulante/Do que ter aquela velha opinião/Formada sobre tudo/Do que ter aquela velha opinião/Formada sobre tudo/Eu quero dizer/Agora o oposto do que eu disse antes/Eu prefiro ser/Essa metamorfose ambulante”. O PCB odiou esta letra! Paulo e Raul aconteceram na minha adolescência. Meu irmão João Paulo e sua turma tinham um laço simbólico muito forte com eles. Meu irmão e seu bando usavam drogas as mais variadas, faziam um sexo anárquico e não queriam nada com trabalho ou estudo. Queriam apenas viver intensamente como se a morte já tivesse marcado a hora de vir apanhá-los. O PCB dizia que Raul e Paulo significam a alienação da luta política. Em termos da junção da ética com a cultura política, o PCB era um partido tradicionalista. A ética do partido era a ética do trabalho weberiana traduzida para a política. O militante tinha que ser um ser moral com uma alta disciplina sexual. Um asceta sexual voltado para a vida familiar. O PCB era um partido modelado pela cultura patriarcal do Engenho: a ética do domínio senhorial colonial para a classe média urbana de Copacabana. Raul e Paulo constituíram um significante antagônico ao significante ética sexual do Engenho para a classe média urbana do sudeste. Trata-se do significante lacaniano ética do desejo. Mas eles não queriam abrir todas as comportas do desejo. Eles queriam fazer da ética do desejo um laço social: sociedade alternativa. Esta faz parte de uma filosofia, defendida por Raul Seixas, baseada nos Escritos de Aleister Crowley e a Lei de Thelema. O escritor ocultista britânico Aleister Crowley influenciou muito Raul Seixas,(especialmente em suas composições). Isso é uma lenda urbana ou um artefato simbólico muito real: a ética do desejo de Raul e Paulo?
“Então vá!/Faz o que tu queres/Pois é tudo/Da Lei! Da Lei!/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa.../"-Faz o que tu queres/Há de ser tudo da Lei". A lei da sociedade alternativa é a lei da ética do desejo da comunidade dos psicóticos divinos?     

PMDB/MDB
O PMDB saiu de uma costela do saudoso MDB. Este foi o partido que congregou esquerda e direita em uma frente política oposta à ditadura militar. O MDB era um verdadeiro partido político weberiano. Este é uma instituição política no qual o uso da violência física ou simbólica é limitada. Em uma época das máquinas de guerra guerrilheiras e terroristas de esquerda, o MDB fazia política pacífica para fazer a ditadura militar desmoronar. No governo Figueiredo, o MDB virou o PMDB. O general Golbery do Couto e Silva bolou um novo sistema partidário que proibia aos novos partidos usarem a sigla do regime bipartidário instalado no governo Castelo Branco com o MDB e a Arena.
No governo autocrático de Sarney, o PMDB dominava a cena política brasileira. Ele era um partido claramente hegemônico a serviço do regime autocrático civil do simulacro de presidente da República José Sarney. Primeiro, o PMDB existiu como um partido político. Quando assumiu o poder no aparelho de Estado, ele abandonou a forma partido ideológico (MDB) para se transformar em partido de patronagem de cargos. Mas a lógica do fantasma do futuro (Marx) máquina de guerra oligárquica já articulava a prática peemedebista. O PMDB se tornou uma máquina de guerra política oligárquica com a conquista dos governos estaduais em 1986. Mas esta alma política do partido (do futuro) de 1986 já articula a prática dele desde o momento que ele tornou-se o principal partido-apoio da autocracia Sarney. De um ponto de vista da vida biográfica partidária da política, o PMDB representa o fato político original da República Democrática de 1988. Um fato político (partido político) em fusão com o artefato político máquina de guerra política oligárquica de 1986. Em tal tempo histórico, o futuro articula - em um espaço invisível (o da prática partidária) - o presente. Este fato político (PMDB) não condensa a história molecular do futuro da República Democrática? A história atual não é a história do dominus das máquinas de guerra freudianas sobre a política? A física freudiana da política brasileira contemporânea pode lançar uma luz capaz de dissipar o véu ideológico opaco que parece ocultar a verdade sobre tal época histórica em um desmoronamento orgânico?  

EPISTEME DO ENGENHO/MODERNISMO
Não é salutar deixar a discussão do modernismo somente nas mãos da comunidade das Letras ou dos arquitetos. É preciso pensar o modernismo como teoria e questão prática e como um significante que não se desintegrou na lógica do “tudo que é sólido dissolve no ar. Para mim, o significante modernismo é articulado no “Os Sertões” (Euclides da Cunha) na vida e na obra de Lima Barreto (arcano da comunidade dos psicóticos divinos no Brasil) e em Mário e Andrade e Oswald de Andrade. Vejam bem, estou falando do significante modernismo! Do significante modernismo como estrutura e fenômeno. Tal significante tem dois fenômenos que são acontecimentos-marcas dele: Canudos e a Semana e Arte Moderna paulista. O modernismo tem uma lógica que só é inteligível na dialética inconsciente político ariano versus inconsciente político mestiço. Ele é o fenômeno de constituição de um discurso mestiço (Gilberto Freyre falou que o brasileiro é espiritualmente mestiço) que se fragmentou na cultura – música, literatura, artes plásticas – e espera a hora e se articular como cultura política mestiça para além do mundo-da-vida, ou seja, na política em si. A física freudiana da história é um fragmento de tal cultura política mestiça. Este significante modernismo não se desintegrou no ar.
No entanto, o significante foi agenciado pelo grande fenômeno biográfico individual psicótico da política brasileira: J. K. (Juscelino Kubitschek). JK foi uma soma de energia narcísica fabulosa que moveu montanhas no Brasil. Mas exatamente transferiu a capital do país do Rio (da Corte) para Brasília (Sertão). Entregou para o PCB o desenho estético e prático da nova capital. Trata-se de um desenho feito pelo significante modernista. Quem quiser conhecer a episteme do Engenho baixada nas cidades brasileiras deve ir `a Parati, simulacro de cidade colonial. Trata-se de uma cidade cujo desenho é a lógica do caos, da desordem arquitetural. A arquitetura moderna parece ser o avesso do caos da arquitetura caótica do Engenho, feito com um engenho que segue a lógica da dimensão caótica do cérebro. O luso-brasileiro é antes de tudo um ser guiado pelo caos cerebral. O discurso do arquiteto modernista é uma coisa séria no Brasil. É o significante que tentou estabelecer uma episteme política alternativa à episteme do Engenho. JK é o modernismo arquitetural psicótico na cultura política da década de 1950 especificamente na dimensão da política brasileira. As questões que martelam meu cérebro são: este modernismo não se constituiu como um significante moderno articulado ao inconsciente político ariano? E no século XXI não foi desintegrado pela lógica do desmoronamento do tudo que não é discurso do senhor do Engenho dissolve no ar?   

MAMA ÁFRICA
Na história ariana universal, a África sempre foi um continente negro incapaz de ameaçar o poder do inconsciente político ariano? Como afirmação da raça negra, a África sempre esteve sobre controle do poder ariano. Nos USA, os negros não constituem uma ameaça ao poder branco, e, atualmente, são cassados e assassinados nas ruas pela máquina de guerra policial ariana. Mas como uma figura do inconsciente político mestiço, a África é uma ameaça às sociedades arianas europeias e americanas. Os americanos fazem de conta que o presidente da República é negro. Obama é fruto do casamento de um negro africano com uma branca americana. Ele é um mestiço puro sangue americano. Não se pode desconsiderar que a luta dos negros nos USA e no Brasil faz sentido. Mas trata-se de uma luta que não tem um sentido, ou conteúdo, ou forma revolucionária. É uma luta pela integração dos negros à sociedade de classes ariana. No Brasil, os negros sempre estiveram sobre controle do poder oligárquico ariano, quando escravos do Engenho, depois como homens livres para serem encarcerados no campo de concentração para a raça brasileira de mestiços, negros e brancos pobres: a prisão brasileira. Ao formular a filosofia política da episteme política do discurso do senhor de Engenho, Oliveira Vianna mostrou que a dialética essencial para o poder ariano era a dialética inconsciente político mestiço versus inconsciente político branco. Ao contrário da luta dos negros, o movimento molecular (ou de massas) dos mestiços em direção às altas esferas da aristocracia tem o poder de dissolver esta como aristocracia e poder ariano. O que está em questão é o dominus do inconsciente político ariano na história universal. O modelo americano de fazer o país com imigrantes subsumidos ao poder ariano está passando por uma transição na qual o inconsciente ariano é violentamente sacudido pela invasão Spanish vinda pelo México. A dinastia política bush é mais fluente em espanhol do que em inglês. O Spanish representa o poder da mestiçagem na paisagem de uma América demograficamente perdida em termos arianos. A Europa quer evitar a mestiçagem advindo com a Imigração via o mar Mediterrâneo construindo um monstruoso Urstaat união europeia e financiando a fabricação de Urstaats portáteis na Líbia e em inúmeros países que são o celeiro da invasão da Europa pela lógica do inconsciente político mestiço.  Na Europa, Portugal condensa a história colonial da expansão do inconsciente mestiço. Excetuando uma elite branca irredutível, os portugueses são espiritualmente mestiços. Se a Europa tomar Portugal como ponto de partida para a história universal do século XXI, apenas estaria se submetendo à história universal natural, a história em si. Mas a história mitológica e a história objetiva (articulada pelo mito) que sustentam o poder ariano (o inconsciente ariano é baseado no mito de que existe raça ariana) estão longe de ensarilhar suas armas. Elas têm como agente de seu poder ariano as máquinas de guerra psicóticas que sempre dominaram a história universal. O s homens não fazem sua própria história. As máquinas de guerra psicóticas fazem a própria história e a história dos homens, das mulheres e das crianças. Vocês acreditam que é uma coincidência histórica que a mais conhecida, notável e magnifica máquina de guerra psicótica da América Latina da segunda metade do século XX até agora ser uma máquina ariana psicótica terrorista (Pablo Escobar)?
COMO A VIDA, A CLASSE MÉDIA É UM POLÍGONO
A cólera de Marillena Chaui explode quando ela pensa na classe média brasileira. Quando a classe média tornou-se uma força capaz de encolerizar seus próprios intelectuais? A década de 1950 é a época de uma classe média lendária como uma cornucópia. Dessa saiu a música, as artes plásticas, (a literatura?), o teatro, a arquitetura, a medicina, a engenharia a nova política. JK era um político oriundo da classe média. A ditadura militar buscou interromper a produção maravilhosa de tal cornucópia. Aí a classe média virou um movimento de massas pacífico contra o governo militar e máquinas de guerra terrorista e guerrilheira. A contradição ditadura militar versus classe média – especialmente do Rio e São Paulo -  gerou o Urstaat militar - a cultura política totalitária militarizada da época médice. Nestes anos de chumbo, a classe média desceu ao inferno. O totalitarismo militar perseguiu, capturou, torturou e assassinou a classe média. Para a classe média de oposição, a história tornou-se um vale de lágrimas. Mas a classe média continuou a fazer oposição na música (e no teatro) usando a televisão, o rádio, a feira, o estúdio, a sala de estar, a universidade, enfim. Como uma fusão da música do povo, especialmente mestiço, e a música da classe média, a música popular brasileira tornou-se um pensamento mestiço cujo som e poesia reverbera até hoje - graças aos deuses do candomblé, da macumba e das religiões sincréticas! Então, a classe média floresceu como um movimento de multidões – principalmente no Rio e em São Paulo – que concorreu para o desmoronamento da ditadura militar. A morte de Tancredo Neves e a covardia de Ulisses Guimarães permitiram que o ex nihilo oligarca José Sarney capturasse a revolução liberal da classe média. Sarney implantou um governo autocrático oligárquico e corrupto que levou Collor de Mello ao poder. O governo collorido foi o governo despótico de um tirano pós-moderno em plena Democracia de 1988. A classe média foi para a rua e derrubou Collor de Mello e seu bando oligárquico chefiado pelo capo PC Farias. Então, um político da classe média de Juiz de Fora assumiu o governo e convidou um intelectual da classe média carioca da USP para ser o ministro da economia. Eles acabaram com o caos econômico e criaram o modelo oligarquia política híbrida. Depois de FFHC, a classe média foi para a rua e para a urna eleger Luís Inácio LULA DA SILVA. FHC passou a faixa presidencial para Lula com uma alegria sincera. Me digam! O ódio de Marillena Chaui não é mais odioso que o próprio ódio? Na infância, meu pai me ensinou que a política é um polígono de vários lados e ângulos, como a vida!   

O FIM DO SIGNIFICANTES
Talvez um problema de ordem prática da história do século XXI seja, precisamente, o do fim dos significantes. Na sua atualização, um significante é estrutura e fenômeno em uma determinada cultura política. Se a estrutura psicótica se atualiza como fenômeno na biografia de um indivíduo, isso significa que a estrutura conseguiu fazer uma aliança com as forças caóticas do cérebro. Isso pode correr com a biografia de um partido político. Então, o biografado é articulado por um laço no qual o real se define como alucinação. No inconsciente freudiano, a alucinação é pura desordem da relação do cérebro como a realidade externa. Integrada ao inconsciente político, a alucinação pode existir como “discurso” do credo quia absurdum ou do nonsense do PT, por exemplo. Neste “discurso”, o significante desintegra-se material e espiritualmente na cultura política na qual ele habita. Como o espaço é curto, falo dos significantes resilientes e dos que se desintegram na cultura política brasileira.
Liberdade e igualdade são significantes da cultura política liberal europeia que fizeram uma leve marca na cultura política brasileira na democracia de 1988. O PT gostava do significante igualdade social e a grande imprensa capitalista do significante liberdade de comunicação. A crise brasileira parece ter desintegrada o significante igualdade social. Este implica que a sociedade capitalista produza riqueza para ser distribuída pela população. A crise da sociedade capitalista entre nós atua como causa do fim do significante. A liberdade da comunicação industrial parece imune à ação da força que quer desintegrá-la. O significante liberdade de imprensa foi dissolvido pela ação dos governos chavistas na Venezuela. O prolongamento de governos petistas associado a crise capitalistas da comunicação industrial pode significar o fim do significante liberdade na cultura industrial de massas? O monopólio da cultura industrial por máquinas de guerra totalitárias (evangélicos) podem concorrer para a dissolução do significante supracitado como estrutura e fenômeno. Ou seja, isso significa o fim do significante que se não existe mais como estrutura não nascerá de um fenômeno qualquer.
O significante revolução é uma tradição da cultura brasileira. Quais as forças e processos que concorreram para a sua dissolução na cultura política do século XXI? Há uma crise brasileira já tornada visível (ao menos nas publicações do PCPT) que dificilmente encontrará uma solução efetiva dentro dos marcos da Constituição de 1988. No entanto, a cultura industrial repeti, durante 24 horas por dia nos 7 dias da semana, que a solução pode ser Eduardo Paes ou Jacques Wagner em 2018. Que em último caso ou Lula ou Aécio Neves podem resolver a crise brasileira. A esperança de que o significante revolução não retorne faz a alegria (e garante o gozo narcísico) da sociedade de comunicação industrial. A cultura industrial de massas não fala da revolução para as massas. Verdade que isso é parte da lógica da comunicação: “não falar de corda em casa de enforcado”. Se a sociedade se constituir como uma vontade revolucionária o que faria a sociedade do espetáculo industrial? Ela espera que a “classe política” não se deixe permear por tal vontade, pois a revolução é a peste para a sociedade industrial do espetáculo. Vale qualquer espetáculo, menos o espetáculo revolucionário. Assim, o Brasil é subtraído de um recurso política. evolutivo político usado pela história universal desde pelo menos a antiguidade greco-romana.
A desintegração do significante Brasil merece uma postagem especial!   

CLASSE OPERÁRIA CAPITALISMO DE ENGENHO
Como significante político, a classe operária surge nas greves no fim da década de 1970 no ABC. Este significante coletivo aparece associado ao significante biográfico individual Luís Inácio Lula da Silva. A classe operária emerge em um campo de forças sob jugo do poder despótico ditadura militar. Trata-se de um poder funcionando na cultura política totalitária militar. Na sociedade de classes da década de 1980, a classe operária constituiu-se como um campo de força de acumulação de energia narcísica (mito) capaz de substituir a hegemonia da classe média na luta contra o Urstaat militarizado. FHC já falava na necessidade de criação de um partido no qual a classe operária tivesse uma participação de destaque. Mas a ideia do PT saiu do cérebro de Lula. O Partido dos Trabalhadores foi criado através de uma aliança da classe operária (sindicalista) com a classe média (intelectuais revolucionários e a massa da sociedade civil de classe média). Na sua origem, a ideia PT já nasceu como partido híbrido, ou seja, metade partido político metade máquina de guerra. A classe operária era o território onde o PT constituía –se como partido político; a classe média revolucionária era o território social onde o PT constituía-se como máquina de guerra. A partir de sua fundação, o PT se destacava como   alternativa de poder em relação ao PMDB, principalmente depois que este partido assumiu a forma obscena de uma máquina de guerra política grotesca da oligarquia brasileira. Na década de 1980, a classe média revolucionária quis derrubar o governo autocrático de Sarney e fundar através de uma revolução política a República Democrática. Então, ela dirigiu a massa popular no incêndio do centro da cidade do Rio de Janeiro. Uma semana depois em uma manifestação da CUT no ABC, o presidente desta central sindical Jair Meneguelli disse aos operários: “os companheiros do Rio mostraram o caminho”. Diferente de Lula, Jair articulava-se (e articulava) a classe operária como um significante biográfico revolucionário.     
No entanto, no caminho do PT tinha uma pedra: o PSDB. Trata-se de um partido que surge de uma aliança de uma classe média temperada por um liberalismo político natimorto com o capitalismo de Engenho paulista (burguesia paulista) e uma fração totalitária da oligarquia brasileira. Na disputa partidária, o PT batia os outros partidos eleitoralmente e na rua. Ele detinha a hegemonia das massas: fusão urbana da massa operária com a massa de classe média. Na eleição de 1989, pilotando um partido invertebrado e nanico, Collor de Mello foi alavancado pelo apoio de uma aliança do capitalismo de Engenho com a oligarquia brasileira totalitária e a fração burguesa encastelada na indústria de comunicação. O dono do sistema Globo Roberto Marinho teve um papel decisivo tático para derrotar Lula e fazer Collor tomar o governo federal. Aí, massas da classe média em si derrubaram Collor. A classe média assumiu o poder com Itamar Franco e FHC no ministério da economia (da fração do liberalismo político do PSDB). Tirando o país do caos econômico, o PSDB tornou-se – com FHC – um partido imbatível nas urnas. O PSDB governou durante oito anos. Em uma conclusão lógica da história política do século XXI, Lula substituiu FHC no governo Federal só depois da noiva ter sido prostituída. Com Lula, o PT tornou-se um partido do capitalismo de Engenho (na forma capitalismo dependente e associado) e a classe operária classe apoio do bloco no poder sob a hegemonia concreta do capitalismo de Engenho paulista. Com Dilma Rousseff, a classe operária conheceu o inferno da Divina Comédia. E agora José? A festa acabou!      
EPISTEME POLÍTICA PROCEDIMENTAL
No O processo civilizador, v. II, pg 203, Norbert Elias estabelece um conceito freudiano de indivíduo: partes de si contra partes de si. As partes são as instâncias e agencias (Eu, Supereu e Id), que na física freudiana da história funcionam como centros de força alimentados por energias míticas (pulsão de morte e narcisismo). Niklas Luhmann pensa a pessoa como centro doador de sentido e de direito no agir da troca a ser realizada em termos de conteúdo daquilo que se espera.  O agir com sentido é parte do sistema, ou seja, um conjunto estruturado pela episteme procedimental que está na junção da sociologia com o direito. Ele é uma redução seletiva de possibilidades em comparação com as possibilidades infinitas do mundo circundante habitado pelo homem concreto. A conexão de sentido que faz o laço das ações do sistema não coincide com a conexão de sentido das ações do homem concreto. A pessoa habita o sistema e o homem concreto o mundo-da-vida. No sistema, o sentido do agir é finito (limitado pela episteme procedimental do direito). No mundo da vida, o sentido do agir é infinito? Acredito que Luhmann tem uma visão anárquica do mundo-da-vida! Na física freudiana, o sentido articula-se seja pela lógica do inconsciente freudiano, seja pela lógica do inconsciente político; o indivíduo é sempre (esteja fora ou dentro) um artefato simbólico articulado por uma cultura política. O indivíduo é um significante articulado (atravessado, capturado) por um campo de força endógeno (partes de si contra partes de si); como ele não é, de modo algum, o homo clausus, ele faz parte de um campo de forças exógeno (sociedade/Estado). Além disso, o indivíduo pode ser um campo de força em si sociológico, um campo de força de acumulação de energia mítica que se volta para o exterior, para a realização de obras, para a construção do mundo exterior. O indivíduo carismático da sociologia weberiana é o exemplo mais acabado desse contraconceito de indivíduo. A história é habitada por indivíduos, pessoas, bandos, aparelhos e por um número limitado de artefatos simbólicos (religião, ciência, indústria de comunicação, partido político, música etc.) sem sombra de dúvida. Mas o homem não faz a sua própria história; a máquina de guerra freudiana faz a sua própria história e a história dos homens, mulheres e crianças.
A episteme política legitimação pelo procedimento faz do discurso do direito (o significante direito moderno) o centro estratégico da organização (articulação) das relações do Estado com a sociedade. A pessoa como centro de sentido e de direito (sujeito do direito) é o centro tático do funcionamento do significante direito. Isso excluiu naturalmente a lógica do inconsciente político (campo de acumulação de energias míticas e campo de forças) e, portanto, o contraconceito de indivíduo. A episteme do direito procedimental se define pelo esforço sério, justo e intenso onde se investigará a verdade e a justiça e que, eventualmente, com a ajuda dessas instituições também as pessoas recuperarão os seus direitos. Esta episteme política pressupões um mundo não estruturado pelo significante injustiça: “fazer o bem para os amigos, prejudicar os outros”. A injustiça é o significante elementar da episteme política do Engenho. Ela estrutura a relação Estado-sociedade, entre nós, desde o Brasil colonial. A episteme procedimental é estruturada pela significante sério; ela não admite a ironia e a comédia como parte do conflito institucionalizado por regras e normas jurídicas. O poder do Engenho quer usar a retórica da episteme procedimental (a vulgata de tal episteme) para qualificar os opositores - que usam a ironia e a comédia como formas de revelação do mundo invisível do discurso do senhor do engenho – como não-pessoas. A episteme procedimental é um artefato e um fato de países desenvolvidos em termos de cultura em si e cultura política liberal: países civilizados. O Brasil é (e sempre foi) um país mergulhado na barbárie!      
BIRDMAN
 Alejandro González Iñárritu é um diretor mexicano que dirigiu Birdman (2014) com  Michael Keaton como protagonista, ex-Batman, há anos sem um papel relevante na sala escura. Poderia ser mais um filme interessante de Hollywood, simplesmente. Mas Keaton é um psicótico interpretando uma personagem psicótica. A personagem é uma celebridade do mundo do cinema de super-heróis conhecida como Birdman. Um pássaro é um ser capaz de                                                                                      vencer a gravidade da estrutura psicótica? Na Broadway, Riggan Thomson (Keaton) o personagem da realidade americana tenta voar para fora da gravidade de Birdman. Este é a representação da estrutura psicótica de Thomson que só pode ser vencida se ele obtiver o poder de ser um pássaro, de voar planando sobre os cidadãos de Nova York. O desejo de voar está associado a uma mitologia antiga que finalmente se tornou realidade com a tecnologia aeronáutica do século XX. Voar se transformou em um mito americano da conquista do cosmo. Trata-se e um investimento de capital e de energia narcísica que diz muito sobre a sociedade e o povo americano. A guerra da independência contra os colonizadores ingleses é um acontecimento que funde a dupla energia mitológica: pulsão de morte e narcisismo em uma escala épica na articulação do significante NAÇÃO AMERICANA. Depois, por mais que os marxistas e historiadores tentem fornecer uma explicação tranquilizadora da Guerra de Secessão apontando causas econômicas, ideológicas, humanitárias etc. para o banho de sangue de 300000 americanos, tal guerra foi, com efeito, a explosão/implosão mítica de uma parcela do povo branco que refundou o significante USA. Trata-se de uma guerra de duas magnas máquinas de guerra psicóticas: a do Sul contra a do Norte.  Hollywood sempre foi um centro cultural capitalista de energia narcísica que tratou as máquinas de guerra freudianas (pulsão de morte sem limite) como um fato natural da vida americana, especialmente nos filmes de faroeste. Hoje, o fascínio por tais máquinas parece ser irreversível. Como é irreversível a glorificação do narcisismo como o poder mítico dos USA. Na última cena do filme, pelos olhos da filha de Riggan Thomson (Emma Stone como Sam Thomson), o espectador é levado a conclusão que Thomson plana finalmente sobre a cidade. Com a ajuda da internet, o sucesso na   Broadway é a acumulação de energia narcísica que faz Thomson vencer sua estrutura psicótica. No filme, não existem psiquiatria, psicanálise ou indústria farmacêutica. Apenas a história cultural da vida americana regada à bebida alcóolica! 

CIVILIZAÇÃO/BARBÁRIE
No Manifesto do Partido Comunista, Marx usa o significante civilização para se referir aos povos e países capitalistas modernos (Europa ocidental) em um contraponto aos povos e países bárbaros não capitalistas. Na década de 1930, Norbert Elias publicou o seu Livro O processo civilizador  e a dupla de conceitos que fazem o contraponto da história sociológica é “civilizado” e “incivilizado”. Assim, o termo barbárie desaparece. A civilização se mede pelo nível de sua tecnologia, a natureza de suas maneiras, o desenvolvimento de sua cultura científica ou visão e mundo. Na cultura europeia, ingleses, franceses e alemães articulam o significante civilização de diferentes modos. Na década de 1970, Arnold Toynbee usou o conceito para fazer uma história das civilizações que começa com a civilização arcaica principalmente da Suméria e do Egito. Parece que civilização é a marca, o ponto de inflexão na história da espécie humana pela contraposição Urstaat-sociedade primitiva e pela dialética história da espécie humana versus história da natureza (inflexão técnica na relação humanidade-natureza). Na década de 1990, Samuel P. Huntington publicou o seu influente O choque de civilizações. Trata-se de um livro da cultura política republicana conservadora dos USA. Talvez não seja errado definir generosamente o conceito de civilização de Huntington como cultura ampliada. A cultura deixa de ser um artefato superestrutural para incluir a infraestrutura. Em Huntington, civilização é nada menos do que o conceito de totalidade histórica de Marx. Assim, a civilização ocidental é uma civilização ao lado de outras como a sínica, a hindu, a islâmica, a africana e a latino-americana. O Ocidente incluiu a Europa e a América do Norte, e também outros países de colonização europeia como a Austrália e a Nova Zelândia. Huntington parece incluir a sociedade tribal no conceito de civilização e ignorar inteiramente a dialética civilização versus barbárie. Trata-se do republicanismo conservador politicamente correto!
Um contraconceito de civilização pode ser articulado na história universal com o campo da física da história trabalhando com a diferença entre humano, homem e máquina de guerra. O humano é um significante freudiano. O humano se diferencia dos animais com cérebro por ser portador de um aparelho psíquico (eu, supereu, id). O homem é uma invenção da cultura política da antiguidade greco-romana. É um ponto de inflexão da história universal (desde a civilização arcaica) sob o dominus da máquina de guerra freudiana habitando uma sociedade bárbara. Mas o Egito arcaico teve mil anos de paz! O homem é o terreno existencial, simbólico, real e imaginário de onde surge a geoistória da civilização ocidental. A cultura política da antiguidade greco-romana se define pela vontade política de substituir o dominus da máquina de guerra freudiana pelo significante homem: polis, ética da cidade, episteme política filosófica, enfim, civilização antiga em contraposição à sociedade barbara sob o dominus da máquina de guerra. Na física da história, civilização e barbárie são significantes que articulam a energia mítica (pulsão de morte e narcisismo) em um campo de forças sob uma determinada cultura política. Países dominados por culturas políticas totalitárias (onde se cultiva o dominus da máquina de guerra freudiana) não podem ser considerados como civilização, mesmo que sejam geoistoricamente ocidentais. É o caso da Alemanha e da Itália fascistas. Este é um Ocidente bárbaro em plena modernidade europeia, pois dominado - na cultura política  e na política em si- pelas máquinas de guerra partidárias e por uma  hipermáquina de guerra estatal psicótica e terrorista: Urstaat fascista. Ao definir tudo como civilizado na história universal (axioma histórico do politicamente correto) - foracluindo o significante barbárie -, a douta ciências humanas não jogou o bebê (as redes de significantes universais) com a água suja fora da bacia ? A física da história não põe e repõe as redes de significantes universais de volta nos seus devidos lugares? Nos lugares da episteme política global RSI (Real/simbólico/Imaginário) que articula, potencialmente, diferentes e lúdicas repetições da dialética história da espécie humana versus história da natureza?  

COLÔMBIA/GALÁN/PABLO ESCOBAR
A novela Pablo Escobar, senhor do tráfico (Globosat HD) está centrada, no momento, no acontecimento definido pelo choque político entre Luís Carlos Galán e os Extraditáveis como se autodesignaram os chefes do cartel de Medellin. A história da máquina de guerra pabloescobar está no meu “Leitura materialista da política universal (B)”( http://politicajosepaulobandeira.blogspot.com.br/2015/03/b-leitura-materialista-da-politica.html)
 Mas o episódio Galán é um acontecimento que condensa uma história universal da Colômbia como exemplo para a América Latina. Galán não é um ser trágico da antiguidade grega, não é o homem (=civilização antiga greco-romana) e não é uma máquina de guerra oligárquica. No entanto, ele tentou agenciar (e mobilizar) a sociedade civil e o Estado de seu país para uma luta política contra o narcopoder encarnado por Pablo Escobar. Essa era, obviamente, sua estratégia para obter o poder legal colombiano. Seu assassinato dirigido por Mexicano (lendário bandoleiro da guerra das Esmeraldas aliado de Escobar) não fez dele um ser trágico burguês deste período da história da Colômbia, um personagem de uma tragédia histórica (Marx). Ele se constituiu como uma força inercial mítica movido por energia mítica (pulsão de morte e narcisismo) que – mesmo com a aplicação de força descomunal sobre si pelo cartel de Medellín -, não parou, não mudou o seu curso ou se sentido político. O assassinato de Galán é uma coisa que introduz na Colômbia da década de 1980 a tragédia política:
(icajosepaulobandeira.blogspot.com.br/2014/02/oligarquia-epolitica-o-livro-oligarquia.html)
 Galán estava situado no grau zero da modernidade política - onde não existe a modernidade como estrutura. E no entanto, ele é o Barão de Münchhausen que puxa o cavalo pela crina para sair do pântano. E o cavaleiro que quer sair do pântano é o Príncipe Moderno latino-americano usando a ossatura da máquina de guerra oligárquica: partido liberal. O que Pablo Escobar espiritualmente decepou com o ato material de Mexicano (assassinato de Galán) não foi a experiência de retirar a Colômbia do dominus das maquinas de guerras freudianas?
POLÍTICA INTERNACIONAL/MUDANÇA CLIMÁTICA
“Independentemente do que façam os políticos em suas cúpulas contra a mudança climde massasática, boa parte das espécies do planeta está condenada a desaparecer. Uma revisão dos últimos estudos que analisaram a relação entre o aquecimento global e a biodiversidade mostra que, no pior dos cenários, uma em cada seis espécies de animais e plantas será extinta. O desastre afetará todos os ramos da árvore da vida, mas geograficamente terá como foco a América do Sul e a Oceania. Os últimos relatórios do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) retratam uma série de cenários para o final do século, as chamadas trajetórias de concentração representativa (RCP). O destino final de cada trajetória é uma determinada concentração de dióxido de carbono e, com o efeito estufa, um consequente aumento da temperatura”.
A ONU deveria criar um Grupo Intergovernamental Transdisciplinar de Especialistas sobre Mudança Política Planetária? A visão do hic e nuc das mídias eletrônicas e do jornalismo de papel de massas ignora – inconscientemente ou conscientemente – que os fenômenos políticos não são estruturas eternas. Eles são significantes que nascem, evoluem (ou involuem) e chegam ao fim. Alguns significantes são resilientes e, portanto são exceção à lei geral do significante: “qualquer significante é mortal”. Os significantes têm história e é possível pela investigação dessa prever o futuro deles. Potencialmente, o futuro pode vir a atuar no presente pela lógica do fantasma do futuro (Marx). O PCTP tem abordado tal fenômeno. A lógica do fantasma do futuro já está atuando sobre os significantes Brasil, USA, China? Se seguirmos a lógica político-ambiental, o problema da política internacional não é o das relações entre as Nações-Estado. E o problema da política ambiental não é reservar uma parte do planeta para as espécies não-humanas sobreviventes? Da política internacional, o problema consiste em saber que países (Nações) estarão no futuro! Entre nós, a lógica do fantasma do futuro é a desintegração do significante Brasil. Sou professor de sociologia política e constatei ao longo da última década que o significante Brasil inexiste na subjetividade dos alunos! Se nada for feito para alterar tal fantasma, o Brasil não é o país do futuro! Antes a frase estava além do conteúdo; agora o conteúdo vai além da frase! Qual a lógica do fantasma do futuro dos USA? Trata-se da substituição do dominus do inconsciente político ariano pela simples existência do inconsciente político mestiço na política em si e na política do mundo-da-vida. Esse fantasma não significa o desaparecimento dos USA tal como o conhecemos? E A China? Ao contrário do Brasil e dos USA, A China é um significante da civilização arcaica. Em 500 antes de Cristo, tal pais já possuía um Urstaat totalitário burocrático e uma cultura política totalitária sustentada por um episteme política que é a junção do discurso do mestre chinês com uma filosofia política militar. A China já foi invadida ao longo dos milênios por vários povos, fragmentada pela cultura política feudal ou militar, possuída – em uma parte de seu território geográfico - pelo Japão no século XX. No entanto, o significante retornava a sua forma original: lógica da resiliência do significante. Então, entre Brasil, USA e China quem estará no futuro e quem não estará? Não existe determinismo histórico sobre o futuro (assim como não existe determinismo histórico sobre o passado) e, portanto, a lógica do fantasma do futuro não é um determinismo histórico. Mas o que fazer?  

MARILYN MANSON


Há uma distância estrutural (e abissal) entre a comunidade dos psicóticos divinos americanos e a máquina de guerra psicótica terrorista americana.
 Marilyn Manson (nome artístico de Brian Hugh Warner) é um músico americano, líder e vocalista de uma banda epônima de Metal Industrial, conhecido por dizer que os USA  é totalitário. Seu nome artístico foi formado a partir dos nomes Marilyn Monroe e Charles Manson, mostrando o que ele considerava o último e mais perturbante dualismo da cultura estadunidense: um amalgama de cultura industrial de massas com o totalitarismo lumpesinal das máquinas de guerra psicóticas e terroristas do mundo-da-vida. Em 13-14 de setembro de 2002, seu primeiro show, The Golden Age of Grotesque, foi realizada no Los Angeles Contemporary Exhibitions Centre. O crítico Henry Max comparou-os aos trabalhos de "materiais de pacientes psiquiátricos dada ao uso como terapia". Eis claramente anunciado o laço simbólico do músico com a comunidade dos psicóticos!  Associar a cultura americana como a estética do grotesco é um ato simbólico de alguém que expõe os USA como cultura política totalitária que tomou o lugar do totalitarismo alemão no campo simbólico mundial. Os nazistas usaram a estética do belo como um modo de sugestão para as massas. Marilyn faz a associação direta, na vida americana, do grotesco como estética das máquinas de guerra psicóticas totalitárias. Seria excessivo dizer que essa banda de metal industrial é uma máquina de guerra totalitária musical? Marilyn é uma máquina de guerra musical que celebra e glorifica o significado de Charlie Manson para a vida americana? Seus versos são uma clara evocação da pulsão de morte como SENHOR ABSOLUTO (Hegel): “quando eu for Deus, todos morrem”. Ele diz do contraste entre a indústria da música (que canta o amor 24 horas por dia durante sete dias da semana) e a violência sem limite das máquinas de guerra (estatal, civil, lumpesinal) no mundo-da-vida: “cantamos o amor e nos matamos”. O grande Outro da música do Marilyn Manson é a cultura política totalitária americana constituída pelo direito a posse de armas; pelo amor ao Deus da cultura política cristã; pelo amor ao discurso do mestre americano encarnado pelo presidente da República (governo):
Vocês amam suas armas? Sim!
Vocês amam Deus? Sim!
Vocês amam o seu governo? Sim!
No entanto, o Marilyn biográfico é o avesso de Charlie. Ele é originário de uma família de classe média. Se esse retrato de Marilyn não for uma lenda midiática, ele é filho único de Barbara e Hugh Warner - e primo de quarto grau do comentarista conservador Pat Buchanan. Marilyn Manson nasceu em Canton, Ohio, no dia 5 de janeiro de 1969. Tendo um pai católico e uma mãe episcopal, Brian estudou na escola Heritage Christian School do primeiro ao décimo ano. Mais tarde foi transferido para o Cardinal Gibbons High School, em Fort Lauderdale, Florida. Formou-se em 1987, e tornou-se um estudante no Broward Community College em 1990. Manson trabalhava para uma licenciatura em jornalismo e foi ganhando experiência no campo de escrever artigos de música para a revista de estilo de vida do sul da Flórida, 25th Parallel. Ao longo de sua vida foi construindo seu estilo de vida inspirado na cultura política dos psicóticos divinos norte-americanos até aparecer, finalmente, como uma máquina de guerra musical psicótica. Não há uma sombra de dúvida que conhecê-lo significa ver o espelho da vida americana sem distorções!        
                                
                                                                                                                                             
              


                          

domingo, 26 de abril de 2015

UM POUCO MAIS DE FÍSICA DA POLÍTICA

Psicanálise, Cultura Política, Totalitarismo (PCPT)

Endereço do grupo Psicanálise. Cultura Política, Totalitarismo no  Facebook:  https://www.facebook.com/groups/psicanalise.culturapolitica.totalitarismo/?fref=ts
José Paulo Bandeira e Almir Pereira.
O Grupo PCPT (Psicanálise, Cultura Política, Totalitarismo) é um campo de pensamento transdisciplinar. Trata-se do campo contraciência freudiana da política. Tal campo está aberto às múltiplas e diversas intervenções disciplinares das ciências humanas (sociologia, ciência política, antropologia, direito, economia, historiografia, geografia), das ciências da comunicação, da psicanálise, do marxismo, da psicologia, da metapsicologia, das neurociências, da filosofia e da literatura. Também está aberto às intervenções das ciências ambientais, da biologia e da física. A ideia é articular a história da natureza à história política universal!
O Grupo não aceitará que seja veiculado qualquer tipo de publicidade, seja econômica, seja política ou de cunho ideológico. Espera que seus integrantes não se deixem alienar - em sua participação -, ou pela lógica da mercadoria, ou pela lógica política do simulacro de simulação. Espera também que a reflexão possa ser metabolizada como cultura contratotalitária.


REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL/AUSCHWITZ
hhttp://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/18/politica/1429310629_943954.html
hhttp://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/17/politica/1429304117_352824.html
O Congresso brasileiro discute a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Esta é uma questão prática que põe 87% da população a favor da mudança na lei. “A preocupação das pessoas, que é a disseminação da violência no cotidiano, é correta. Mas a solução é equivocada. O número de menores infratores responsáveis por crimes violentos é inferior a 1% do total”, segundo uma pesquisa da USP”. Os partidos se dividem com a esquerda contra e o PSDB e o DM a favor. O PMDB racha. Então se apenas 1% dos menores matam, por que transformar os 99% em possíveis candidatos da população carcerária para adultos, ou seja, para maiores de 18 anos?
A mudança é puxada pela “bancada da bala” constituída por delegados e policiais deputados. Eles representam a vontade da maioria da população nesta questão da violência associada à segurança. A política tem várias dimensões e esta é uma dimensão do mundo-da-vida. “As pessoas têm opiniões cristalizadas com base em sentimentos de medo e de raiva. Justiça não rima com vingança”. Certamente, a opinião da maioria está alicerçada no campo dos afetos, principalmente da cólera da população contra o cotidiano violento. Mas podemos ir além dessa superfície para pensar essa questão prática da política do mundo-da-vida?
Por que a esquerda assume uma posição no campo do liberalismo político e a direita assume uma posição totalitária? Interrogação complexa que deveria ser respondida por uma investigação empírica sobre a articulação entre pensamento político e prática política dos partidos. Mas não é preciso fazer nenhuma investigação profunda para chegar à conclusão que a bancada da bala é uma formação política totalitária no Congresso Nacional. Como efeito de um estado de guerra permanente freudiano, a violência física sobre o corpo da população é um exercício do poder das máquinas de guerra estatais e criminais em uma superfície política do mundo-da-vida. Esta colossal aplicação de força sobre o significante população (matéria e espírito) a transforma em uma massa (em uma opinião pública majoritária) disponível, abstratamente, para a cultura política totalitária. Então, ergue-se um campo de batalha no qual os partidos vão decidir se a população juvenil vai virar cliente da prisão brasileira. Entre nós, a prisão é um artefato totalitário sagrado (da cultura política totalitária brasileira), intocável, exterior à reflexão e simbolização no espaço público procedimental. A maioria abstrata totalitária parece “legitimar” a prisão brasileira como o recurso para solucionar a questão da violência. Isso não amarra as mãos do parlamento e da comunidade jurídica do campo do liberalismo político brasileiro? Com efeito, a verdadeira questão deve ser posta na mesa. A prisão brasileira é um artefato totalitário porque ela é um CAMPO DE CONCENTRAÇÃO para uma raça brasileira formada por mestiços, negros e brancos pobres. Uma questão prática não é apenas um problema empírico, pois ela é parte da cultura política de um país!   

MÚSICA/FÍSICA
Assistindo Caetano Veloso, Seu Jorge, Xande de Pilares e a banda Dônica (Tom Veloso?) não resisti a fazer o primeiro texto sobre música no campo da física da história. A música popular do século XX está associada à lógica do valor, à lógica da mercadoria. Ela é um artefato importante na cultura industrial de massas capitaneada pelos USA no mundo-da-vida mundial. Mas é só isso? Através da lógica do valor o que a música organiza (articula) como mundo? A cultura totalitária da ditadura militar no Brasil gerou um ambiente opressivo na política em si e no cotidiano do mundo-da-vida. A cultura totalitária da ditadura foi um vórtice monstruoso de desintegração da energia narcísica no mundo-da-vida. Isso tornou a vida mais triste nestes Tristes Trópicos. A história destes é a história do monopólio da RIQUEZA NARCÍSICA (energia narcísica) nas mãos da elite oligárquica-totalitária do Engenho de cana-de-açúcar. A ditadura militar é a ditadura do Engenho de cana-de-açúcar militarizada, é o dominus do discurso do Engenho militarizado. Neste dominus sombrio, Caetano, Gil, Chico, Milton, Lô Borges e uma comunidade de músicos antitotalitários fizeram o bom combate ao totalitarismo brasileiro colonial na sua versão militar. Tal comunidade continua seu combate em um refluxo da música popular brasileira. Esta cabe inteiramente no conceito libertário de cultura brasileira de Gilberto Freyre. Como contraconceito, tal comunidade antitotalitárias de músicos constituem parte de uma luta pela organização da dupla energia (pulsão de morte e narcisismo) que organizam (articulam) o mundo na história política universal natural. Tal comunidade liga o Brasil à história universal. Por quê? A música erudita era a música do mundo aristocrático, uma música que, com raras exceções, é um artefato, logicamente, ligado ao inconsciente político ariano. A música popular brasileira mestiça é uma música que por fios invisíveis se liga à Canudos, é um artefato simbólico do inconsciente político mestiço. Em um campo global de forças mundial, a música popular brasileira é um significante sonoro-poético que não deixa morrer a dialética inconsciente político mestiço versus inconsciente político ariano:
“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada”

TELEVISÃO E NARCISISMO
A Corporação de Ofício Freudiana se fecha no uso técnico da linguagem freudiana inacessível ao leigo. Mas ela é impotente para analisar a lógica do narcisismo na cultura, especialmente, industrial. Durante 24 horas por dia, a televisão transmite a propaganda com celebridades (Papa Francisco, Obama etc.) e finaliza com o dizer: “todo mundo tem algo a falar. Ligue para nós” (telefonema pago pelo espectador). O Papa e o presidente dos USA estão no espelho televisivo. Eles são a imagem do espectador que crê na mensagem. Trata-se da lógica do valor, pois a televisão é uma empresa capitalista interessada em vender uma mercadoria. O que este veículo eletrônico está vendendo além da ligação paga do espectador? Ele vende a energia narcísica que é um significante que estrutura o mundo-da-vida. O espectador é narciso fascinado com sua imagem no espelho d’água: Francisco (energia narcísica sagrada); Obama (energia narcísica laica). A energia narcísica é um significante mais universal do que o universal da história universal
No Brasil colonial, o Padre José de Anchieta (canonizado em 2014 pelo papa Francisco) ficou, ao mesmo tempo, maravilhado e horrorizado com uma prática das tribos indígenas brasileiras. Trata-se da prática dos índios usarem veneno de bicho para engrossarem o pau (pênis). Isso encantava as índias mais bonitas e com uma disposição sexual anárquica. Este investimento narcísico no falo não é algo que se remeta para o inconsciente freudiano. Com efeito, tal narcisismo é um significante de um inconsciente político primitivo. Tal articulação não tem a ver com a energia narcísica mitológica grotesca? A sociedade primitiva se define por evitar o Urstaat. Mas ela não é capaz de viver sem a energia narcísica grotesca - o gozo corporal narcísico que inscreve a sexualidade primitiva no Grande Outro, no campo do Simbólico.
Tal gozo narcísico pode ser um gozo espectral? um gozo sexual sem corpos materiais envolvidos? Isso não é o que a televisão e o espectador compartilham no “todo mundo tem algo para falar”? São corpos espectrais do imaginário de uma determinada cultura política cultural, industrial e totalitária. Esta distribui energia narcísica, a conta gota, para o espectador. Como evocação obcedante (e obcecante) o gozo narcísico inscreve uma certa sexualidade imaginária do espectador no Grande Outro. Na sociedade do espetáculo industrial, a necessidade desse consumo de energia narcísica cotidiana não é algo equivalente à necessidade de oxigênio em um ambiente rarefeito de tal energia? 

EUROPA/IMIGRAÇÃO
O estado de guerra freudiano permanente em regiões da África e do Oriente Médio é a liberação de energia mítica (pulsão de morte) do buraco negro simbólico estacionado sobre a Terra. Isso não é um fenômeno da física teórica, mas um contraconceito da física da história universal. A desintegração de países e principalmente de povos milenares tem como efeito funesto a dissolução das epistemes políticas orientais. Isso não é similar a uma catástrofe ambiental ciclópica? “Segundo o Ministério Público da Itália, entre 500 mil e 1 milhão de pessoas estariam na Líbia aguardando o momento de cruzar o Mediterrâneo”. A Europa está entrando em um estado psíquico permanente de horror e pânico com a invasão em massa das “hordas hunas”. (A estética do grotesco se tornará a estética natural do planeta?) E os imigrantes ilegais morrendo em massa no mar! Trata-se de um fenômeno milenarista! Assim, não estamos próximos da subsunção da razão europeia às energias míticas (pulsão de morte e narcisismo)?  A lógica do inconsciente político não irá dissolver no ar a cultura política liberal europeia (e o humanismo) modelada pela razão moderna? O buraco negro simbólico está tragando a organização das sociedades orientais por antigas culturas políticas e suas respectivas epistemes políticas. Qual o significado (em termos de potência) do Terrorismo islâmico diante da Imigração? Esta não é a bomba de Hiroshima e o terrorismo a guerra de guerrilha cubana? Tal espetáculo humanitário e político assustador pode ser atribuído a geopolítica dos USA para as regiões em desintegração. Até quando esta brincadeira de criança vai continuar nos meios intelectuais, políticos e da cultura industrial de massas?
A Imigração significa, em última instância, a desintegração da energia narcísica que a Europa vem acumulando e consumindo em larga escala que sustenta a razão moderna e a episteme política europeia como algo distinto da episteme capitalista. A Europa foi capaz de manter uma episteme cultural fazendo pendant com a episteme capitalista na articulação política de muitos países do continente. Trata-se do conceito concreto hegemonia gramsciano. O último artefato político desta episteme da hegemonia foi o modelo oligarquia política híbrida em um processo acelerado de desmoronamento. O que é preciso fazer para mostrar que o conceito CRISE (política, econômica, cultural) foi tragado pelo buraco negro simbólico e liberado em uma escala de fenômenos sem solução política no horizonte de eventos? Hegel (não Marx) formulou a seguinte ideia: o homem só formula problema passível de solução, ao menos teoricamente. A produção do contemporâneo parece estar associada a um fantasma do futuro: o fim da história universal. Isso é a visão do contemporâneo moldado pelas velhas linguagens articuladas principalmente em torno do discurso da universidade. Estão cegos? Não veem que o discurso da universidade está subsumido à lógica do desmoronamento? Que ele não é mais capaz nem de articular o capitalismo mundial e nem a política mundial? Nem de conceituar sobre tais fenômenos? O velho mundo está morrendo e o novo mundo está sendo anunciado! Não conseguem ver isso?  



CUBA
Estive em Cuba, como turista, na década de 1990. Conheci cubanos a favor e contra o regime, a favor e contra a revolução. Constatei que mesmo só tendo ração alimentar para 3 dias na semana, a maioria da população apoiava o poder fidelista. Confesso que fiquei intrigado e achando que a ideologia política (socialismo fidelista) tinha um poder material e espiritual para além de minha vã ciência política marxista. Minha ida à Ilha fortaleceu minhas convicções de que o totalitarismo marxista estava com os dias contados! No Brasil, Lula e o PT faziam profissão de fé antitotalitária. Isso me dava uma certa tranquilidade espiritual! Quanta ingenuidade!  
Mas o que é o socialismo fidelista? Ele não é, certamente, aquela civilização superior ao capitalismo em termos materiais e espirituais. Então, os cubanos são energúmenos prolixos? Não há riqueza material e cultural para distribuir em Cuba como há nos USA. Os cubanos ignoram isso? A fé cega em Fidel (e Guevara) jogou um véu opaco sobre a realidade realmente existente do povo cubano? Eles metabolizaram o discurso fidelista de que miséria material e da cultura intelectual da vida cubana é causada pelos USA? A esquerda totalitária latino-americana repeti este truísmo ideológico há décadas. Muito emprego depende disso na América Latina! Por razões da geopolítica norte-americana, Obama parece quere pôr um fim nesta versão totalitária da esquerda latina e, consequentemente, causar um desemprego em massa da esquerda.  
Então, Cuba é creio porque é absurdo? Credo quia absurdum? Lógica que Freud disse fazer funcionar a cultura política cristã, em geral. Não quero defender Cuba, mas a física da história política universal me põe em uma posição da qual não posso escapar. Em termos de riqueza energética (energia narcísica), a Revolução Cubana significou uma distribuição da RIQUEZA NARCÍSICA por toda a população. A sexualidade anárquica de uma parte da população é a expressão desta democratização da energia narcísica. Cuba foi o paraíso sexual “tropical” da década de 1990 para, principalmente, os canadenses da terceira idade. É claro que a elite se apossou, e se apossa, da parte mais requintada, luxuosa do narcisismo do país. Fidel tem duas ilhas (dois paraísos naturais bucólicos) para viver e gozar a vida. A episteme do engenho é a episteme do marxismo cubano. Cuba é certamente uma Ilha como um senhor de Engenho: Fidel Castro (agora fazendo pendant, no poder, com o irmão Raul). Há décadas, o discurso fidelista do senhor de Engenho é soberano na Ilha. No entanto, o apoio do povo cubano ao regime é uma adesão baseada na crença de que a cultura política socialista desfez o laço absoluto elite/massa, em termos de distância social. O homem do povo vê sua imagem refletida em um espelho d’água que tem a imagem de Fidel no outro lado do espelho. A televisão cubana passa o dia inteiro dizendo que essa é a verdade cubana. Meninos, eu vi! 
PSICANÁLISE/GRAMSCI
A crítica de Gramsci à psicanálise se resume na ideia do pensamento de Freud ser uma inimaginável - até então – concentração de energia narcísica em um significante: homo clausus. Por isso este marxista considerou Freud o último ideólogo da ilustração do século XVIII. Hoje está ficando claro que a ligação de Freud – na maturidade – com o Romantismo alemão salvou a psicanálise, se esta ligação transforma o pensamento freudiano em física freudiana da história. Nesta borda, não existe psicanálise ou psicanalista!
O marxismo de Gramsci é muito ligado à filosofia do sujeito. No entanto ao abordar a questão sexual a partir da literatura psicanalítica, Gramsci estabelece um esboço de modelo de história dos instintos que pode surpreender o leitor desprovido de preconceitos ideológicos em relação seja à Gramsci, seja a Freud. Gramsci estabelece uma dialética entre a cultura política rural patriarcal e a cultura política civil (ética-civil). Parece que a mulher é o objeto a partir do qual a violência física e simbólica sobre o corpo e o espírito dela sofre uma mutação quântica na passagem do campo para a cidade. O campo concentra na Itália rural uma taxa de crimes sexuais monstruosos, realização de desejos bestiais dos homens e o incesto em 30% por cento das famílias. A civilização citadina italiana parece resolver este quadro de violência sobre a mulher de um modo descontínuo. A civilização deve ser entendida pelo conceito de hegemonia que não depende para existir e funcionar apenas da ideologia como um artefato superestrutural. O modelo americano de hegemonia implica a expansão da elite como “força motriz de uma expansão universal, de um desenvolvimento de todas as energias nacionais”. A hegemonia é um fenômeno como “unidade de fins econômicos e políticos, mas também unidade cultural e moral”. Gramsci diz que a vida instintual (inconsciente) deve ser regulada pela racionalização da produção e do trabalho (racionalização instrumental do modelo americano). Portanto, na esfera da estrutura econômica também! De qualquer ângulo que se observe não se trata de inconsciente freudiano articulado como homo clausus. A hegemonia é uma expansão da classe dominante através da cultura e do Estado: aparelhos de hegemonia. A hegemonia remete para o inconsciente da sociedade de classes! A hegemonia significa um agenciamento das massas (como uma forma de população da civilização industrial) pela razão moderna (ciência). Tal agenciamento significa direcionar a energia nacional (pulsão de morte e narcisismo) para a construção da nação capitalista. Em Gramsci, nota-se um esforço impressionante de transformar o marxismo em uma física da política: ciência marxista da política. E no horizonte dessa física não está a superposição do inconsciente freudiano com o inconsciente político? Em uma carta de 15 de fevereiro à Tania, ele escreve: “Eu não tenho conhecimentos vastos e precisos sobre a psicanálise”!     
PSDB/EPISTEME DO ENGENHO
 “Na semana passada, o presidente da Câmara foi obrigado a recuar e adiar por uma semana a votação das emendas para evitar que um requerimento apresentado pelo PSD, para retirada da matéria de pauta, fosse aprovado com apoio do PT e de parte do PSDB. Depois da intervenção do presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), os tucanos voltaram a apoiar o texto-base do projeto”.
O PSDB não é um saco de gatos famintos. Em algumas questões práticas chegou a agir como um partido pautado pela lógica do liberalismo político. Mas na questão estratégica da terceirização do trabalho se decidiu pelo modo de produção flexível do capitalismo de Engenho mineiro de cana-de-açúcar. O discurso do senhor de Engenho se fez atualizar pela voz ativa do presidente do PSDB, o mineiro do “Grande Sertão: veredas” Aécio Neves. De uma família que funde oligarquia social (são latifundiários) e oligarquia política (ele é sobrinho do indefectível, para a ideologia dominante, Tancredo Neves (Never), nosso Napoleão Bonaparte do sertão mineiro), Aecinho sabe agir como um agente da política oligárquica, ele que é a maior parte do tempo, na vida público-privada, um playboy de Belo Horizonte. A vocação para a política oligárquica lhe foi ensinada pelo Tio.
Com efeito, a presidência nas mãos de Aecinho significa que o PSDB minerou no sentido de transforma-se em uma máquina de guerra política do Engenho. Agora, o modelo arcaico (simbólico) do PSDB é a máquina de guerra freudianas que fundou o Brasil: as bandeiras. Esta caçava, capturava e matava os índios seja para escraviza-los, seja pelo prazer de matar o bugre. Os banhos de sangue como os corpos da sociedade primitiva brasileira é o significante a partir do qual se ergue o Brasil oligárquico. As bandeiras eram o Engenho que caminha em direção ao sertão (ao interior do Brasil). Ela trazia a casa (Engenho) nas costas. Para o PSDB real, os trabalhadores estão no lugar dos índios (e depois dos escravos afro-brasileiros). A repetição do discurso do senhor (Aécio Never) de Engenho significa pôr os trabalhadores no lugar de um objeto colonial: o escravo (amarelo, negro, ou mestiço). Quando chegou ao poder, a esquerda passou a ser um instrumento – uma máquina de guerra política totalitária – a serviço da Dama. Trata-se de um caso de amor cortês, e a Dama é a classe oligárquica. Para servir à Dama, a esquerda ajudou a desintegrar o significante REVOLUÇÃO BRASILEIRA. Lula disse para uma jornalista: “minha filha, não existe esse negócio de oligarquia no Brasil. Você devia arrumar um psicanalista” (versão livre da fala de Lula). O PT glorificou Sarney como campeão da fundação da República Democrática de 1988. E no entanto, Sarney é mais oligárquico que a própria oligarquia brasileira. Sarney não vem de uma família oligárquica e começou sua vida como funcionário do Banco do Brasil. Sua biografia autorizada é uma empulhação que não joga um fiapo de luz se quer para iluminar esse grande mistério da política brasileira: o oligarca ex nihilo. Com o PSDB de Aecinho, a condensação de energia narcísica do Engenho mineiro na política nacional conduz o país por qual deserto?  Para o bonapartismo  oligárquico do “Grande Sertão: veredas” do Rosa?  

OS 7 ERROS DE FHC QUE ABALARAM O BRASIL
1) Quando professor de sociologia escreveu o livro “Capitalismo dependente e associado” que defendia este modelo econômico como a via de desenvolvimento para o Brasil (e países da América Latina) pós-capitalismo colonial. Ele jamais imaginou que um dia este modelo seria corretamente apresentado como uma forma de capitalismo de Engenho, portanto, uma espécie de capitalismo colonial. 2) Influenciado por este modelo econômico criou (a partir do governo Itamar Franco) o modelo de capitalismo neoliberal autárquico na época do globalismo do capitalismo corporativo mundial. Isso define a crise estrutural e orgânica da economia brasileira. 3) Desfechou um golpe de Estado branco na Constituição da República Democrática de 1988 (dizem que até com compra de votos) para implementar os 8 anos seguidos de mandato para a presidência da República. Ele queria se reeleger. Este golpe encerrou a vida do modelo oligarquia política híbrida. 4) Impediu que o Congresso começasse o processo de impeachment de Luís Inácio LULA da Silva com o argumento que o PSDB deveria deixar Lula sangrar até o fim do mandato. Lula se reelegeu em 2006 e ainda elegeu, em 2010, Dilma Rousseff: um poste político. 5) impediu que o Congresso começasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Agora a imprensa a esta glorificando como a mãe-salvadora da Petrobrás e vestal petista. 6) Entregou o PSDB para Aécio Neves. Este está transformando o PSDB em uma máquina de guerra do Engenho de cana-de-açúcar de Minas Gerais. Isso significa que o PSDB vai desmoronar como possibilidade de partido político e de um  partido orientado pelo liberalismo político. 7) Se autodeclarou o Príncipe da Sociologia brasileira nos tempos de professor da USP, ele que fez apenas uma sociologia modelada pela episteme política do Engenho. Com efeito, deveria ter se declarado o barão da sociologia brasileira!      

BIANCA RAMONEDA/GLÓRIA PEREZ
Bianca entrevistou Glória na televisão acompanhadas de um público seleto formado por professores e estudantes da PUC e artistas da Globo. Glória fez uma formulação de um velho problema filosófico como algo de uma filosofia espontânea pop: “não há sentido no cotidiano; a ficção (novela) atribui sentido às ações do cotidiano” (versão livre da fala e glória). Trata-se da separação absoluta entre ficção e sociedade; separação absoluta entre linguagem (toda linguagem é uma ficção) e ação no mundo-da-vida. No campo freudiano, Freud estabeleceu uma linguagem (chiste, ato falho etc.) associada ao desejo: inconsciente freudiano. Esta linguagem aparentemente tomada pelo nonsense é plena de sentido. Abreviando, o desejo é um significante que atribui sentido à realidade externa: “desejo, logo existo”. Ele é um significante de uma linguagem natural que, inclusive, organiza o cérebro contra o espontâneo caos cerebral. Assim não há a partir do campo freudiano uma separação absoluta entre ficção (linguagem) e vida cotidiana. A linguagem (ficção) é constitutiva da vida cotidiana.
As pessoas com sorte na vida nascem e se desenvolvem em alguma família ou em algum tipo de associação social. Gramsci pensou um conceito marxista de “família” a partir da literatura psicanalítica. O taylorismo e a racionalização em geral são os novos métodos organizando o mundo-da-vida. “Estes novos métodos requerem uma rígida disciplina dos instintos sexuais (do sistema nervoso), isto é, um reforçamento da “família” em sentido amplo (não no sentido de tal ou qual forma de sistema familiar) da regulamentação e estabilidade das relações sexuais”. Isso é a “família” como laço social ou sociedade. Taylorismo, fordismo, toyotismo, enfim, aquilo que se pode considerar como a racionalização do mundo pela linguagem capitalista, em geral, constituem o cotidiano. Tal racionalização do mundo moderno pela ciência significa que várias linguagens (da física, da química, da engenharia, da medicina etc.) estruturam e atribuem significados (ou então significações) ao mundo-da-vida. O indivíduo entra em uma pharmácia e os frascos e embalagens dos produtos (remédios e outras mercadorias) contém o sentido do mundo criado pela ciência moderna. Isso independe do indivíduo saber que tais linguagens (ficção) estruturam o mundo.
O maior físico moderno fez esta fórmula ainda não entendida inteiramente: “A tradição pesa como chumbo no cérebro dos vivos”. A tradição é o discurso do mestre articulada no mundo por culturas política totalitárias em tantas épocas históricas. A tradição é constituída por ideias-força que agem no cérebro humano. Ela é linguagem quase orgânica como coerção (violência simbólica cerebral) que articula massa cerebral e sentido. Claro que não se trata de substituir a separação absoluta entre ficção e sociedade pela identidade absoluta entre linguagem e  realidade exterior ou interior (segundo o velho vocabulário freudiano). Ficção e realidade mantém uma autonomia relativa que define suas especificidades. Se não for assim, caímos novamente na episteme política totalitária. A plateia letrada na alta cultura burguesa da escola de comunicação da PUC/RJ poderia ter problematizado a fórmula supracitada de Glória Perez?    

PRÉ-FÍSICA DA COMUNICAÇÃO INDUSTRIAL/MUNIZ SODRÉ
Comecei minha vida universitária na EcO (Escola de Comunicação da UFRJ) na década de 1970. Nessa escola fiz o primeiro curso de Freud com o filósofo althusseriano Carlos Henrique Escobar. Não tive a oportunidade de fazer cursos com Muniz Sodré, então um jovem intelectual com maior projeção na indústria cultural do que na universidade. Na década de 1980, Sodré se tornaria o marxista pós-moderno especialista em cultura pós-industrial no jargão preferido da comunidade cultural de comunicação. Sodré sempre buscou uma formação transdisciplinar. Além de jornalista e literato fez cursos de graduação e pós-graduação em direito, sociologia da comunicação e Letras. Mas para o que importa aqui, ele é o primeiro intelectual a fazer uma pré-fisica da sociedade de comunicação industrial. Seu livro “A máquina de narcísico” é quase a obra de um físico freudiano da política. Ele pensa a telerrealidade a partir dos conceitos de máquina e de narcisismo. Quanto ao conceito de máquina não cabe nesta postagem uma discussão mesmo que seja breve. Mas em relação ao conceito de narcisismo, ele já o pensa a partir da ideia de energia psíquica (14), se aproximando de um contraconceito de narcisismo como energia mítica. Sodré também parece quase conceber a história a partir das epistemes política balbuciando sobre um conceito de episteme pós-moderna que funcionaria pela lógica do simulacro narcísico (25, 28, 40). No entanto, sua pré-fisica nunca se desenvolveu pela falta de significantes como cultura política, máquina de guerra freudiana, discurso (Lacan), episteme política (Lacan/Bandeira da Silveira), inconsciente político e outros contraconceitos. Talvez sua leitura equivocada da história do Brasil (como dialética entre brancos e negros) tenha bloqueado seu percurso em direção à física freudiana da política. Se tivesse feito a boa leitura de Gilberto Freyre saberia que a dialética brasileira tinha como principal significante o inconsciente político mestiço, a espiritualidade mestiça como disse Gilberto no “Casa-Grande e Senzala”. A física da política poderia ter sofrido uma influência decisiva da ECO, na figura de Muniz Sodré. Mas eu jamais fui convidado para participar de qualquer evento naquela instituição universitária. Então, esta postagem não é aquele tipo de ajuste de contas feito por Marx em relação à filosofia europeia no magistral “A ideologia alemã”. É só uma pontuação sobre a história intelectual do Rio de Janeiro do meu ponto-de-vista! 

CÂNCER/MITO/LULA
“A preocupação com a imagem aparece em outra iniciativa recente do ex-presidente. Nas últimas semanas, ele lançou página especial para desmentir "mitos" sobre ele, como o de que teria saído na capa da revista Forbes como um dos homens mais ricos do Brasil. O "mito 3" desmente justamente que o ex-presidente, que agora exibe sua rotina saudável, tenha tido um recaída do câncer”.
Em trinta anos 40% da população mundial terá câncer. A ciência capitalista é o discurso que organizou e articulou a vida especialmente a partir da segunda metade do século XX. Ela mantém Lula vivo!  O organismo de Lula programou a morte do ex-presidente e todos os tipos de câncer começam devido ao crescimento anormal e fora de controle das células. As células cancerosas também podem invadir outros tecidos, algo que as células normais não fazem. O crescimento fora de controle invadindo outros tecidos é o que torna uma célula em cancerosa. O câncer na laringe tem um potencial fatal alto. Mas a família esperava que o mais velho morresse primeiro, e, no entanto, morreu o mais jovem.
A medicina não perde tempo com a causa (ou causas) que produz tal doença. Como uma ciência moderna, ela descarta a ação das forças mitológicas (as energias pulsão de morte e narcisismo) no organismo humano. Culturas medicinais antigas da Ásia sempre se preocuparam com a busca do equilíbrio do organismo frente ao caos que as energias supracitadas significam para o corpo humano. Com sua inteligência e cultura sertaneja, Lula parece saber que o mito move a história e joga (brinca no sentido de Walter Benjamin) com isso. Ele parece querer usar o mito (o seu carisma que é uma energia mítica) contra a fusão das energias míticas (pulsão de morte e narcisismo) que programou a morte anunciada de seu organismo, pois depois da sua biografia política ele continuará vivo espiritualmente para além de seu corpo físico. A medicina mantém Lula vivo, a política o manterá vivo espiritualmente nas próximas décadas. Ele não quer morrer como Sade que inclusive não queria túmulo para não ser cultuado na posteridade. Isidoro Eduardo poderia falar disso melhor do que eu! Mas Lula não é o Marquês de Sade, pois este articulou a máquina de guerra sadiana através da sua escritura. Qual a obra realizada por Lula? Onde se encontra a materialidade de seu carisma? O Carisma é a condensação em uma biografia individual de uma grande concentração de energia narcísica. Se o amor é um significante que condensa energia narcísica, o amor ao mestre é a relação narcísica entre o líder e as massas. Estas amam o mestre como imagem de si no espelho político. Mas afinal o que as massas amam no líder? Exatamente o fato de ele ter deixado de ser um membro da massa (um ser político vulgar) e ter se tornado um elemento da aristocracia. O amor ao mestre, não se trata de um amor vulgar (a massa não abraça o baixo, o inferior), pois a massa ama o superior, o que está no alto: o aristocrata! Para as massas do sertão, Lula é um Príncipe da linhagem da família real brasileira; ele vem depois de Pedro I e de Pedro II na linhagem dinástica política brasileira.  

EPISTEME POLÍTICA CAPITALISTA OU PARADIGMA CAPITALISTA?
Benjamin Franklin fez um manual do discurso do capitalista antes do modo de produção especificamente capitalista existir no século XIX. Seu axioma “time is Money” pode muito bem fazer parte da episteme política capitalista. Mas foi Marx que produziu o contraconceito episteme política capitalista. Thomas Khun fica próximo do contraconceito de episteme política com seu conceito de paradigma? Ele diz: “Um paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”. A episteme política não é algo que possa ser inscrita no conceito sociológico de comunidade. Como contraconceito, ela foi criada a partir da articulação entre o discurso do mestre e a filosofia ex-sistindo e funcionando em uma cultura política determinada, isto é, a cultura política grega da antiguidade. O discurso do capitalista é uma versão moderna do discurso do mestre da antiguidade. Assim como este não articula qualquer comunidade na antiguidade, ou seja, a comunidade de senhores e escravos, o discurso do capitalista não articula a comunidade capitalista constituída por burgueses e operários. O significado mínimo de comunidade no Houaiss é: “conjunto de habitantes de um mesmo Estado ou qualquer grupo social cujos elementos vivam numa dada área, sob um governo comum e irmanados por um mesmo legado cultura e histórico”. Essa ilusão sociológica (ou talvez antropológica) do laço social como comunidade é claramente idealista e antidialética. A episteme política se refere ao laço social (sociedade) na história universal que é dialética e materialista. Ela implica o conceito de guerra. A episteme política é articulada, nas diferentes épocas históricas, por máquinas de guerra de pensamento e por máquinas de guerra políticas em uma determinada cultura política.
O capital é o centro da episteme capitalista. Ele é uma relação social (Marx), um laço social ou sociedade (Lacan), ele é uma máquina de guerra econômica (física freudiana da política). Na sua forma acabada, o capital ex-siste na dialética com o trabalho assalariado do qual ele expropria a mais-valia (riqueza da sociedade) para a reprodução ampliada do próprio capital. Trata-se, portanto, de um contraconceito materialista e dialético do maior físico da história econômica universal. E o que é a mais-valia? Ela é condensação da energia pulsão de morte e da energia narcísica desviada para o processo de produção que tem como significante referencial o trabalho excedente. No processo de produção capitalista, a classe operária é abstratamente separada da história mítica (definida pelos motores míticos energia narcísica e pulsão de morte) e mergulhada em uma história prosaica que Max Weber designou como o fenômeno moderno de desencantamento do mundo. A luta de classes não põe e repõe a classe operária como uma linha de força da história universal? esse breve comentário é suficiente para mostrar o quanto o conceito de paradigma está obsoleto?                                                                            
              

                          

                                                          

segunda-feira, 13 de abril de 2015

EPISTEME E POLÍTICA


CHARLES DARWIN: máquina de guerra cientifica da biologia
A teoria biológica de Darwin já estava encaminhada em 1939. Mas este cientista era um membro da cultura política da ordem (anglicana, vitoriana, Wigh) em choque com a cultura política contra a ordem: socialista, anárquica, reformista. Durante vinte anos o manuscrito Origin os Species foi cuidadosamente guardado no estúdio de Darwin. Por causa desta investigação científica, ele apresentava um quadro de estado paranoico. Ele se isolou, evitou festas e declinou convites ingênuos; chegou a instalar um mecanismo do lado de fora de seu estúdio para espiar os visitantes que subiam a rampa de sua casa; recusou-se por vários anos a dormir em qualquer outro lugar, a não ser que a casa fosse segura, casa de algum parente mais próximo. Ele tinha medo de ser assassinado? Ele concebia a sociedade habitada por máquinas de guerra, inclusive, no mundo-da-vida?
Nosso biólogo inglês emerge na cultura política mundial como uma máquina de guerra científica do campo da biologia moderna em 1859. Neste ano, Darwin foi praticamente forçado a publicar seu livro. Mas o fez com apenas algumas sugestões escassas sobre as origens do homem. Os 20 anos de ocultamento dos estudos sobre as origens das espécies significam que Darwin sabia do choque simbólico traumático que seu livro ia produzir na cultura científica, em geral, e na cultura política dominante do império ocidental onde o Sol nunca se põe?
Sua biologia falava de contingência e acaso na história natural e articulava uma rede de significantes que explicavam a vida como um estado permanente de guerra. A pulsão de morte de Nietzsche e Freud tem uma raiz na ciência biológica? Da rede de significantes darwinista caiu o objeto a (dejeto ou lixo simbólico) atraído pela gravidade do campo do campo da cultura liberal Vitoriana. Tal lixo foi capturado pela vulgata darwinista liberal do modo de produção especificamente capitalista. Na cultura liberal darwinista (“darwinismo social”), o progresso da sociedade - assim como a evolução da natureza – desenvolve-se pelo extermínio dos indivíduos mais fracos (não adaptados). A competição anárquica, o livre comércio, o imperialismo inglês, o extermínio de raças, a desigualdade de sexos, a inferioridade dos negros eram fatos naturais e a biologia darwinista o paradigma para a explicação da história da humanidade. A biologia darwinista tornou-se um significante-mestre do discurso do capitalista da era liberal no século XIX. Não foi um acaso o funeral deste mais notável cientista que já existiu acontecer na Abadia de Westminster. Como explicar que o corpo não tenha sequer sido sepultado nesta Abadia?
O livro “Darwin. A vida de um evolucionista atormentado” trabalhou com o conceito de cultura política para reconstituir a vida do nosso biólogo. Agora trata-se de refazer a vida de Darwin tendo como ponto de partida o contraconceito cultura política do campo da física das máquinas de guerra científicas e culturais políticas que fabricaram materialmente e dialeticamente a era moderna no século XIX. Trata-se de pensar Darwin como a máquina de guerra científica do campo da biologia que gerou uma revolução quase bíblica no campo das ciências e da cultura política capitalista. Então, por que Marx o admirava incondicionalmente? Será que Marx viu em Darwin a possibilidade do marxismo ser algo homólogo à uma ciência biológica. Pensou na possibilidade da ciência da história ex-sistir e funcionar como história econômica universal natural? O contraconceito de capital não estabelece que este é uma máquina de guerra econômica (homóloga a espécie humana como máquina de guerra natural) já existente na mais antiga história da civilização? O capital instala a guerra na sociedade assim como a espécie humana instala um estado de guerra permanente contra a natureza? Darwin e Marx estão mortos para o século XXI?      


MERCADO: GUERRA E PAZ
Max Weber diz que na história universal o mais frequente na criação das cidades era a coexistência uma grande máquina de guerra patrimonial principesca (ou senhorial territorial) com o mercado. A grande máquina de guerra política da antiguidade é definida a partir do conceito “administração política”. Este conceito trabalha pela lógica do poder a partir da qual um quadro administrativo em si ou uma burocracia irracional (só existe burocracia racional na era moderna tardia que se caracteriza pelo uso limitado da violência regulado pelo direito moderno) usa violência física sem limite sobre a população para garantir uma determinada ordem vigente em determinado território geográfico em um certo período de tempo. A lógica do poder ex-siste e é articulada em uma cultura política concreta associada a um determinado inconsciente político.
O conceito de mercado pode ser definido como associação econômica? Ou melhor seria adiantar para o leitor que se trata de um contraconceito do campo da física das máquinas de guerra. Se o capitalista é a personificação do capital. O mercador é a personificação da lógica do mercado, da lógica da mercadoria, da lógica do valor. Se a lógica do poder é concreta a lógica da mercadoria é abstrata. Mas o mercado tem o seu lado concreto, pois ele é habitado por máquinas de guerra econômicas. Estas se caracterizam pelo uso da violência econômica (física, mas principalmente simbólica) para desfazer o laço econômico (laço social) do “inimigo” em uma hiperdialética. Trata-se de uma dialética onde a dialética concreta   é mais dialética do qualquer conceito de dialética. É o contraconceito de  dialética.    Entretanto, a cidade não é o lugar do mercado que bloqueia (às vezes obtêm êxito, às vezes não) a lógica da máquina de guerra econômica. A cidade é essa estrutura que busca a paz econômica, antes de se definir como algo que buscava a paz pública.
O incomum historiador Fernand Braudel já pensa o mercado constituídos por redes, malhas e conquistas. Toda rede mercantil associa uns aos outros certos números de indivíduos, de agentes (máquinas de guerra econômicas), pertencentes ou não à mesma firma, situados em vários pontos de um circuito ou de um feixe de circuitos. O comércio vive desses revezamentos, dessas cooperações e ligações que se multiplicam como por si sós com o crescente sucesso do interessado. O laço econômico é um laço social fundado na confiança e na obediência cega. A lógica econômica concreta se instala como uma cultura política mercantil baseada no entendimento e na colaboração mercantis. Isso exige fidelidade, confiança pessoal, exatidão, respeito pelas ordens dadas: uma espécie de ética comercial muito rigorosa. Talvez não seja demais dizer que tal cultura política funciona por uma solidariedade mercantil que tem a força de lei ocidental (força simbólica) similar à solidariedade de classe social. No entanto a lógica da solidariedade mercantil é confrontada na rivalidade dos negócios, de indivíduos a indivíduos e, mais ainda, de cidade a cidade ou de “nação” a “nação”. As redes mercantis completam-se, associam-se, substituem-se, afrontam-se também. Há “inimigos complementares”, há coexistências hostis, feitas para durar. Frente a frente durante séculos, os mercadores cristãos e os mercadores da Síria e do Egito fizeram a guerra econômica mas sem que a balança se desiquilibrasse entre “inimigos econômicos” indispensáveis uns aos outros. Braudel pensou a guerra econômica das máquinas de guerra mercantis como uma dialética que não é nem a dialética de Hegel, nem a de Marx, nem a dialética negativa de Adorno. Trata-se da dialética que contem em si a guerra e paz como lógica que busca não a destruição do objeto ou a síntese das redes mercantis antagônicas. É preciso pensar em uma dialética que evita tanto a identidade absoluta entre sujeito e objeto ou a autonomia absoluta deles. A dialética mercantil tem como lógica a sustentação da autonomia relativa entre sujeito (máquina de guerra) e objeto (inimigo econômico). Enfim, o mercado mundial é constituído por redes mercantis que tem como nós máquinas de guerra econômicas de diferentes tipos, espécies, cores e sabores. Mas como diz Aristóteles fazemos a guerra para viver a paz (econômica).
  O liberalismo econômico autista prega que o mercado obedece meramente à lógica pacífica. Como Braudel mostrou o mercado é um geostóricosignificante que contém a guerra, a paz e as máquinas de guerra mesrcantis. Isso já é o contraconceito de mercado na física das máquinas de guerra. Braudel fez a física da história econômica mercantil. O liberalismo econômico faz uma defesa do mercado como o lugar da autonomia de decisão, da liberdade de comprar e vender, de investir, de empenhar-se. Mas na alcova admite as escolhas não assim tão livres, pois estão limitadas pelos recursos sempre nas mãos de poucos. Os recursos são um monopólio de poucos ricos (oligarquia) que querem transformar o mercado no alfa e no ômega da política mundial. O mercado é o motor do mundo e a explicação final da vida. Assim uma aristocracia econômica pretende ser o dominus da história política universal (totalitarismo econômico) no lugar do Urstaat. Este que sempre foi o significante-mestre universal da história política universal enredada no inconsciente político ariano (=mito). Para o totalitarismo econômico (inclusive para o economicismo de Marx) o mercado seria a passagem do mito para a história?   

BURACO NEGRO SIMBÓLICO
 “Stephen Hawking descreve no artigo que o que existe no buraco negro não é nem o horizonte de eventos nem o "firewall", mas um “horizonte aparente”. Esse fenômeno seria capaz de reter e manter a matéria temporariamente, com a possibilidade de liberá-la posteriormente, porém em um formato totalmente distorcido e "bagunçado".
“O objeto caótico em colapso irá irradiar de forma determinística, porém caótica. Será como a previsão do tempo na Terra. Ela é determinada, mas caótica, então há perda efetiva de informação. Não é possível prever o clima com mais de alguns dias de antecedência”, compara Hawking, na conclusão de seu artigo.
Em entrevista à “Nature”, o físico Don Page, especialista em buracos negros da Universidade de Alberta, no Canadá, afirma que a nova teoria de Hawking é plausível, porém radical ao apresentar a possibilidade de que “qualquer coisa, em princípio, poderia sair de um buraco negro”.
Esta teoria do buraco negro de Stephen de Hawking é o ponto e partida para pensar o contraconceito de buraco negro simbólico da física das máquinas de guerra. O “horizonte aparente” é o centro de gravidade constituído por energia narcísica que atrai a matéria RSI (Real/Simbólico/Imaginário) da história política universal como objeto caótico em colapso que irá irradiar de forma determinística, porém caótica, a liberação  posterior de  máquinas de guerras de várias espécies. Em determinadas épocas históricas, a matéria liberada transforma a terra em um território geostórico caótico onde só existem máquinas de guerra totalitárias e escravos (ou povos a serem escravizados) como a Idade Média Europeia (e o Brasil colonial). Neste tempo geostórico, o significante dominação weberiano é realmente um tipo ideal que raramente se instala na terra.     
Tal episteme totalitária (RSI) age sobre o mundo aplicando força sobre o caos do cérebro constituindo discursos que articulam a história política universal desde a civilização arcaica. O discurso do mestre é o primeiro artefato epistémico na produção de tal história através da articulação de cultura política totalitária e das máquinas de guerra totalitárias derivadas de tal cultura. O buraco negro simbólico é compatível com o contraconceito de repetição  Nietzschiana (eterno retorno do mesmo) para a história política universal. Já a algum tempo, um buraco negro simbólico está atraindo a matéria do RSI {homem (grego), humano (Freud), instituição política (Weber) etc.} e liberando Coisa totalitária na superfície política do mundo-da-vida e na política stricto sensu. No mundo-da-vida, há liberação de nanomáquinas de guerra em escala planetária no lugar da humanidade. Na política stricto sensu, o homem moderno condensado em instituição política (que se define pelo uso inibido de violência) está sendo substituído por cultura política totalitária que articula máquinas de guerra totalitárias que se definem como um polígono. No primeiro lado deste polígono, encontra-se o Urstaat que é liberado pelo buraco negro simbólico - modelo arcaico de toda e qualquer máquina de guerra totalitária. O discurso do mestre é o outro lado do polígono totalitário que libera cultura política que estrutura o mundo a partir da estrutura RSI INJUSTIÇA. Trata-se de um polígono totalitário menor dentro do polígono maior totalitário. Os vários lados da INJUSTIÇA são: a) fazer o mal sem ser punido; b) sofrer o mal sem reparação; c) usar o poder para ajudar os amigos; c) usar o poder para prejudicar os outros (objeto=inimigo). Este é o RSI que está sendo liberado caoticamente pelo buraco negro simbólico estacionado próximo à TERRA. Pura ficção científica?     

INTELECTUAL/COMÉDIA
O conceito de intelectual passou para o proscênio da vida cultural com Gramsci. Com este marxista italiano e fundador do PCI, o intelectual passou a existir – de um modo distinto do homo clausus cultural burguês – como agente da articulação da cultura com a política. Trata-se obviamente do intelectual “orgânico” em um contraponto ao intelectual inorgânico. Mas Gramsci vai além! O Príncipe Moderno é o intelectual coletivo na figura do Partido Comunista. Para existir, o Príncipe necessitava da existência do intelectual hegemônico. Esta episteme política marxista concebia a política moderna – talvez a política ocidental em várias épocas – como dominação e hegemonia. A dominação se refere ao exercício do poder político pela violência física exercido por uma máquina de guerra militarizada. A hegemonia significa o exercício do poder político exercido pelo discurso ideológico no território da cultura através dos intelectuais. Com a cultura industrial de massas, o exercício desse poder ideológico adquiriu uma importância descomunal. Mas afinal, o que é o poder?
O poder é a aplicação de força sobre determinada matéria (objeto). A aplicação física pode chegar até a desintegração do objeto. Quando o Estado age como uma máquina de guerra militarizada aplicando força sobre a multidão, a finalidade política, em geral, é a desintegração do objeto (multidão). O poder ideológico é uma espécie de poder político cuja aplicação de força simbólica sobre o objeto-multidão a desfaz como laço social. No Brasil, a ação da televisão contra a multidão de 2013 buscava esta finalidade. Trata-se da televisão, especialmente, como máquina de guerra clowniana que faz da comédia vulgar a sua arma simbólica contra a multidão. Nesta máquina ideológica, os seus intelectuais são clowns eletrônicos que dramatizam a violência da multidão como algo terrível. O clown ideológico faz as massas televisivas gozarem com a violência das máquinas de guerra do mundo-da-vida no cotidiano apresentando-a como comédia vulgar, e, simultaneamente, condena a violência da multidão como quase terror, como quase terrorismo. A lei contra o terrorismo no Congresso é uma lei tecida – com imagens e palavras – pela televisão. E tudo isso se passa no terreno da hegemonia? No lugar da produção de ideias, a televisão irradia palavra-imagem. Isso é um espelho d’água narcísico que captura o desejo grotesco das massas de espectadores: sentir horror. Essa energia narcísica articula as massas de espectadores ao inconsciente político ariano!
Gramsci acreditava que a produção de ideias hegemônicas organizava um espaço de interseção entre a cultura e a política. Esta seria a função dos intelectuais no funcionamento do poder político. Hegemonia versus contrahegemonia seria o resultado de uma dialética que, no terreno da cultura, opunha intelectuais representando classes antagônicas. Assim, poder e contrapoder seriam artefatos simbólicos da sociedade de classes. Não é preciso um grande esforço para entender que a teoria gramsciana do intelectual perdeu sua substância: a dialética da sociedade de classes. Então por que os intelectuais universitários continuam dizendo que a política é pautada pela lógica direita versus esquerda? Baixa comédia? Eles continuam fazendo de conta que a direita representa o capitalismo e a esquerda o socialismo! Essa é a função atual do intelectual? Fingir que há um espaço de exercício da hegemonia capitalista e de contrahegemonia socialista? Enquanto o intelectual moderno gramsciano brinca de fazer política no plano das ideias, a cultura industrial de massas é o poder clowniano que age no plano fáctico 24 horas por dia, todos os dias, de segunda à segunda. Isso é a verdadeira comédia de massas. Esse poder faz e desfaz, cotidianamente, os laços simbólicos da população quanto à capacidade desta de interpretação da crise nacional. Mas a comédia foi sempre um monopólio cultural do poder usado pela cultura política totalitária como um exercício de força simbólica para desfazer a multidão como laço social? 
No século XII, os clérigos goliardos constituíram-se como uma contramáquina de guerra clowniana transformando a política em alta comédia através da poesia satírica. A ordem feudal taxou-os de errantes, vagabundos, lascivos, pseudo-universitários e bufões. Eles misturavam, com muita competência, a vida clerical, a vida universitária e a bufonaria da feira. Como surgiu esta contramáquina de guerra poética satírica em um mundo que tinha horror, sobretudo, à anarquia intelectual e a comédia? A poesia goliárdica atacava todos os representantes da ordem no século XII: o eclesiástico, o nobre e até o camponês. Na Igreja, os alvos favoritos dos goliardos eram o papa, o bispo e o monge. Os goliardos aparecem como a primeira contramáquina de guerra poética que procura promover, dentro do quadro urbano, uma cultura laica. Eles podem ser classificados como um artefato simbólico do espírito grotesco romântico, pois engendraram uma galeria de eclesiásticos metamorfoseados em besta: monge, bispo, papa. Existe hoje no Ocidente algo levemente parecido com esta contramáquina de guerra poética? Trata-se da primeira máquina de guerra intelectual contratotalitária mergulhada em um mundo católico-feudal hiper-totalitário! Charlie Hebdo seria – até ser destruído física e simbolicamente pelo Islã Político – a repetição diferente e lúdica dos goliárdicos? Existe no Brasil a possibilidade de surgimento de um pensamento político que faça da alta comédia uma arma simbólica para a defesa das multidões políticas?      
ERCEIRIZAÇÃO DO TRABALHO/CAPITALISMO DE ENGENHO

A CUT considera que a terceirização das relações trabalhistas seja o fim da CLT. Falando pelo governo, Joaquim Levy é contra o projeto de EDUARDO CUNHA por considerar que ele vai acarretar a imigração do trabalho formal para o terceirizado provocando uma queda fatal para o governo na arrecadação. Para o governo seria, portanto, um problema fiscal enquanto para os trabalhadores é uma questão que atinge os consagrados direitos trabalhistas instituídos na ditadura militar. Para a CUT, o projeto da terceirização é uma ofensiva da burguesia industrial sobre os direitos da classe operária. Trata-se de luta de classes econômica levada no terreno político: Congresso nacional. Toda luta de classe é uma luta política! Em bloco, o PT se bate contra o projeto mostrando que é um partido operário, o partido da classe operária brasileira. Já o governo Dilma Roussef é contra o projeto por ele ser um problema fiscal rotundo! O governo não é o governo da classe operária. Parece pusilânime? O governo quer que a CUT o defenda na rua contra o impeachment, mas nega na prática, em um momento crucial e fatal para os operários, sua ligação orgânica com os trabalhadores. É o velho problema da autonomia relativa do Estado em relação às classes sociais. O Estado pode não ser uma correia de transmissão dos interesses das classes; de nenhuma classe. Marx nos ensinou isso no seu livro “18 Brumário de Luís Bonaparte”. Então, por que o senhor de Engenho político do Vale do Paraíba (líder do modelo por excelência de partido oligárquico entre nós) tornou-se o defensor dos interesses econômicos, políticos e ideológicos do capitalismo no Brasil? O PMDB não é uma instituição política (WEBER), mas uma máquina de guerra oligárquica colonial que volta seus canhões contra a classe operária.  Por quê? Porque tal máquina é organicamente ligada no campo simbólico ao capitalismo autárquico, do capitalismo de engenho tocado a carro de boi. A verdadeira desgraça da classe trabalhadora não é o capitalismo, mas a espécie de capitalismo brasileiro. Os operários são os escravos “modernos” desta forma de capitalismo colonial. O discurso do capitalista no Brasil é o discurso do senhor de engenho: EDUARDO CUNHA!               

RACIALIZAÇÃO/USA
“North Charleston, terceira cidade mais povoada da Carolina do Sul, tem 100.000 habitantes, 47% dos quais são negros e 37%, brancos. O departamento de polícia, entretanto, é composto em 80% por brancos, segundo os últimos dados do Departamento de Justiça, de 2007”.
A força policial branca da polícia norte-americana enlouqueceu? O racismo pode ser concebido como uma coisa ligada ao campo dos afetos, uma paixão que agencia a cólera contra o outro, ou será contra o Outro? A inexistente sociologia disciplinar concebia o racismo como um problema entre dois grupos “raciais”. No caso dos USA entre brancos e negros. Lá, uma gota de sangue negro faz de um branco um negro. Os USA querem que a racialização da sociedade seja um problema biológico. No entanto, a espécie humana é geneticamente mestiça.
A racilização não é um fato biológico, mas um artefato do laço social (=sociedade) da episteme política RSI (Real/Simbólico/Imaginário). Ela é um saber articulado pelo discurso do mestre americano, no caso dos USA. Oliveira Vianna estabeleceu que a episteme política brasileira (episteme do engenho de cana-de-açucar) fez um laço social em torno da relação “étnica entre branco senhorial e mestiço como problema central da história política brasileira. Segundo Vianna, a questão brasileira sempre foi impedir que a comunidade dos mestiços tomasse o poder político material ou Espiritual. Trata-se do discurso do senhor de engenho associado ao inconsciente político ariano em uma dialética com o inconsciente político mestiço. Assim, o Brasil faria parte de uma linha de força da história política universal. Já os USA teriam se constituído por uma linha de força moderna? A episteme política americana seria uma liberação do buraco negro simbólico responsável pelo mundo moderno americano que assimilou a população negra africana como uma mercadoria das redes mercantis a partir dos Grandes Navegações. O africano foi liberado pelo buraco negro simbólico - que estacionou ao lado da Terra - como mercadoria de um capitalismo mercantil que está na origem do modo de produção especificamente capitalista. A injustiça é a estrutura que articula o mundo-da-vida moderno que teve como motor o capital mercantil como a máquina de guerra totalitária que antecede na aurora da modernidade o grande capital industrial.        
No Brasil, a inexistente ciência política disciplinar e o jornalismo dos quatro costados insistem que os USA é um país democrático, um país de uma cultura política democrática com esta mancha antidemocrática: a racialização da sociedade. Se a racialiização não é um problema sociológico, o que ela é de fato? Não se trata de uma racialização sociológica espontânea entre brancos e negros. A racilização não é um fato da cultura política americana no mundo-da-vida? Ela é externo-centrada em relação à vida democrática dos USA? Uma herança patológica do modo de produção escravista colonial americano? Se é assim, tal modo de produção foi o motor da constituição de uma cultura política totalitária secular que é parte do mundo-da-vida americano no século XXI. A opinião liberal norte-americana acredita que se a população da força policial for inundada por negros, a racialização será desfeita como laço social e a questão da violência policial resolvida. No Brasil, a força policial é constituída de negros e mestiços – em sua maioria – fazendo parte de uma máquina de guerra híbrida totalitária que – segundo a Anistia Internacional – assassinou 1000000 de negros e mestiços nos últimos 30 anos. Isso é a cultura política totalitária brasileira que cultiva e articula máquinas de guerra totalitárias. Não se trata de patologia, mas de normalidade e normalização da sociedade brasileira no mundo-da-vida. Por que nos USA isso é uma simples patologia curável com a engenharia social dos saberes inexistentes da sociologia, da antropologia e da ciência política agenciados pela boa-vontade do poder americano?      

A PESTE NEGRA POLÍTICA
A CPI da Petrobrás recebeu o Tesoureiro do PT para interrogatório. José Vaccari Neto representa a burocracia do PT e ele é provavelmente da facção stalinista que domina o partido desde que José Dirceu assumiu a Secretaria Geral deste aparato político. Este já foi a esperança utópica de representação da praxis manufatureira política capaz de produzir um país próspero e livre.  A maioria do eleitorado acreditava nisso de 2003 até o fim de 2014. Hoje, o PT é anátema!
A burocracia do partido e a representação parlamentar do PT construíram a versão – tecida pelo marqueteiro do partido João Santana – de que o partido é inocente, que ele não fez nada. O discurso do PT diz que a Crise da Petrobrás não existe (assim como não existe a CRISE BRASILEIRA) e a prova disso é a vitória de Dilma Rousseff na eleição de 2004. O PT ignora a queda brusca da popularidade da presidenta e do governo (e a sua possível desintegração) a taxas alarmantes mesmo para o mais autista dos políticos. O autismo é o traço unário do político brasileiro. Essas taxas são a prova matemática de que a CRISE BRASILEIRA caiu na boca do povo. Mas o trabalho da toupeira é invisível.
Um funcionário do Congresso espalhou ratos na sala da CPI e foi imediatamente demitido por Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal. O rato é um animal que vive nas catacumbas e nos esgotos e sempre foi uma ameaça à humanidade. Ele é o portador da peste negra que costumava dizimar as populações da terra até o advento da era moderna. Para o funcionário da Câmara, o conceito concreto de político brasileiro (condensado no PT) significa a peste negra política. Trata-se de uma peste que pode também trazer a morte à população. O político que espalha a peste negra é o avesso da elite republicana. Ele é a prova definitiva que não existe uma ELITE REPUBLICANA e, portanto, ele é a CERTEZA da impossibilidade de solução da CRISE BRASILEIRA dentro do arcabouço constitucional da República Democrática de 1988. A solução da elite-peste negra é demitir o funcionário e, se puder, calar todos aqueles que estejam mostrando que a peste é a lógica do desmoronamento do país. O gesto de Eduardo Cunha foi um ato totalitário aplaudido pelo PT e por quase todos os deputados presentes na reunião da CPI. Este episódio de ratos  e vaccaris no Congresso Nacional não jogou uma estranha luz no conceito concreto POLÍTICO BRASILEIRO?

DA TIRANIA/FERNANDO PESSOA
No Brasil, Fernando Pessoa é apenas conhecido, principalmente, por sua poesia. O livro “Ultimatum e páginas de sociologia política” é um livro sobre física da política. É um livro de 1918 escrito por causa da Primeira Guerra Mundial. Esta é concebida como um fato do campo dos instintos, ou seja, do inconsciente político europeu. O conceito de tirania de Fernando Pessoa tem como essência a ideia de força: “Temos, pois, que a tirania é o exercício de força”. A essência da força tirânica é o que nos: “obriga absolutamente a fazer ou deixar de fazer uma cousa, sem que possamos tomar outro partido; ou nos obriga a fazer ou deixar de fazer uma cousa, castigando-nos ou sujeitando-nos a prejuízos e a males vários de tomamos outro partido”. Há três espécies de força: a forca física; o número; o habito (tradição e fantasma do futuro=utopia). Há várias formas de tirania como, por exemplo, as tiranias religiosa e política. Quando rezo, a tirania religiosa é a força aplicada por mim em mim. A Inquisição foi tirania política exercida em nome da religião católica. O homem (mulher ou criança) bomba é tirania política em nome do Islã político.
Uma forma de tirania é a TIRANIA DO DESTINO, a única tirania absoluta. A tirania do destino substitui o acaso pela lei natural, a sorte é tragada pelo determinismo. Quando na política de um país (de um povo) é suprimido o acaso e ele passa a ser regido pelo determinismo da lei natural, isso é a mais totalitária das tiranias: a tirania do destino. Qual força tirânica (como um conjunto de forças que constituem um poder político unitário em um quadro global de forças) constitui-se como uma aplicação global de força que determina o destino do Brasil? A nossa tirania do destino NÃO é ter uma elite impotente para solucionar a CRISE BRASILEIRA? As páginas de Fernando Pessoa (sobre a política como física das forças do inconsciente político e da razão) não podem jogar uma luz sobre a tirania do destino brasileiro? O poeta diz: “Uma ideia expressa é uma força; nunca é demais fazer valer os direitos da Inteligência”! A poesia da física da política não pode ser uma força capaz de reverte a tirania do destino? 

FÍSICOS LITERÁRIOS DA POLÍTICA/MACHADO DE ASSIS
Já está estabelecido Fernando Pessoa como o maior físico poética da política em língua portuguesa. Agora estabelece-se Machado de Assis como o maior físico literário da “última flor do Lácio, inculta e bela”. O conto em extensão “O Alienista” é um objeto físico-literário, uma obra-prima da interseção da ficção com a cultura política na superfície literária do mundo-da-vida O General Golbery do Couto e Silva foi o gênio da raça política da ditadura militar? Quem disse esta barbaridade? Já Machado de Assis é o gênio da raça universal. “O Alienista” poderia constar no cânone literário ocidental como o conto mais canônico da língua portuguesa ao lado do Hadji Murad, de Tolstoi, o mais canônico dos contos canônicos da literatura ocidental.
A estrutura da superfície da cultura política literária do mundo-da-vida de Itaguaí (Rio de janeiro) faz dessa cidade um objeto que é a junção de uma cidade ficcional com uma cidade real, ou seja, uma cidade mitológica. Com o nosso Machado, Itaguaí torna-se um significante ficcional-real da física da política brasileira. Há um contraconceito de poder nessa física. Ele é um conceito dialético do choque de forças entre a aplicação de violência física-simbólica do poder psiquiátrico sobre a população e a reação da cidade como força autodefensiva (contraforça): “A ideia de meter os loucos na mesma casa (hospício), vivendo em comum, pareceu em si mesma um sintoma de demência, e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico” (Machado. O. C: 254). Depois a cidade se rebelou contra a Casa Verde: “Morra o Dr. Bacamarte! Morra o tirano! uivaram fora trezentas vozes. Era a rebelião que desembocava na Rua Nova”  (Idem: 271)).  
Para os amantes de Michel Foucault, “O Alienista” pode ser reconstruído pela episteme política microfísica do poder: a cidade com um território geográfico literário ocupado por um dispositivo de saber-poder: a psiquiatria. Para a física da política, Itaguaí é o território físico-literário ocupado por uma máquina de guerra psiquiátrica literária. Trata-se da máquina de guerra psiquiátrica mitológica que teria criado o protótipo literário do hospício Juliano Moreira carioca de Jacarepaguá: o campo de concentração para psicóticos. Os contraconceitos estratégicos do Alienista são: a superfície literária da cultura política como mundo-da-vida; a máquina de guerra psiquiátrica mitológica e a cidade como contrapoder.
O alienista é a narrativa sobre o médico Simão Bacamarte que caminha para atingir sua finalidade em Itaguaí como máquina de guerra psiquiátrica – regulamentada pelo poder legislativo - contra todas as expectativas: “_ Os cálculos não são precisos, disse ele, porque o Dr. Bacamarte não arranja nada. Quem é que viu agora meter todos os doudos dentro da mesma casa? _Enganava-se o digno magistrado; o médico arranjou tudo. Uma vez empossado da licençcomeçou logo a construir a casa” (Idem: 255). A cidade inteira ia sendo encarcerada como louca como um personagem do “Elogio da Loucura”: _ Nada tenho a ver com a ciência; mas se tantos homens em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?” (Idem: 270). Se o Dr. Simão Bacamarte ressuscitasse hoje quem ele encarceraria na Casa Verde: o PCPT ou a classe política brasiliense? Ambos?
CUBA/USA
A aproximação entre Cuba e os USA é um signo capaz de enviar um conjunto de sinais, capaz de articular múltiplas significações. Obama é esta máquina de guerra política americana que tem o poder quase divino de provocar uma mudança histórica no imaginário latino-americano. Guevara estabeleceu que com Cuba a América seria duas: a América dos USA (e Canadá) e a América Latina. Não se trata de uma repartição entre uma América anglófila e uma América luso-espanhola (latina)? Esse fantasma do passado é um hábito-força que se juntou a um hábito-força fantasma do futuro (socialismo realmente existente) que Cuba queria tornar sangue e ossos em toda a América luso-espanhola. Assim, a história política das Américas tornou-se uma história determinada pela lógica fantasmática. O fim da Guerra Fria não esconjurou a lógica do fantasma do futuro que parecia ter se materializado nos corpos políticos dos governos petistas (=Lula) e dos bolivarianismos no século XXI. Octávio Ianni diria que tal ciclo histórico está sendo encerrado e com ele o gozo conspiratório da história fruído principalmente pela esquerda.
Os USA patrocinaram golpes de Estado em toda a América Latina (latrina política para norte-americanos como Henry Kinssinger e o general Wernon Walters). Vivi toda minha infância, adolescência e uma parte longa da minha vida adulta em uma ditadura militar que os USA ajudou a implantar e a se reproduzir em nome da luta contra o comunismo. É praticamente impossível esquecer tal fato! João Goulart, JK, Miguel Arraes e Brizola eram comunistas? O golpe de Estado USA+ militares totalitários+ oligarquia brasileira foi desfechado contra eles! Foi um golpe de Estado que interrompeu o desenvolvimento do conceito concreto de democracia no Brasil e da constituição da elite republicana, entre nós. A corrupção na escala ciclópica é uma obra política da aliança dos generais com os coronéis do SERTÃO ARIANO!   Esse é o mais fáctico significado do conceito de ditadura militar brasileira: corrupção e antires publicanismo. Agora que chegou a hora da onça descer para beber água (a CRISE BRASILEIRA), o país talvez se empenhe em simbolizar a partir das significações que Obama e Raul Castro estão doando à América. Obama é a máquina de guerra imperial de um império agora inexistente. Em relação à Cuba, o ato de Obama obedece a um cálculo político da lógica do desmoronamento do conceito concreto IMPERIO AMERICANO!     
CRISE BRASILEIRA/2015
Comecei a estabelecer o conceito de CRISE BRASILEIRA em 16/09/2014 e 23/09/2014. Estava ministrando na universidade um curso chamado “Crises da realidade brasileira”. A turma era formada por uma maioria de alunos petistas e do PSOL. Os alunos interpretaram o conceito como uma tentativa de ganhar votos para Marina Silva em um reduto do PT e de Dilma Rousseff. Na época, o PCPT não existia e os textos foram publicados no meu blog. Em setembro de 2014, a ideia de crise brasileira era vista como um simples delírio professoral. Freud diz que se você delira sozinho, você está louco. Se outros participam do teu delírio você não está louco, pois o delírio que faz laço social não deve ser catalogado como loucura. Freud não considerava Hitler louco! Em 2015, o delírio crise brasileira é a linguagem-espelho da realidade! Até FHC usa o termo crise brasileira.
O conceito concreto CRISE BRASILEIRA é a síntese de múltiplas contradições e determinações. Na velha linguagem usada por FHC é a crise que contém várias crises: econômica, política, moral etc. Como contraconceito, a CRISE BRASILEIRA é a crise das cadeias de significantes (econômica, política e cultural) sobredeterminada por um significante. Este é a junção da cultura totalitária com a cultura oligárquica. Os leitores do PCPT já sabem que a interseção do totalitarismo com o oligárquismo se define na episteme política “Engenho de cana de açúcar”. Tal episteme nasceu no Nordeste brasileiro e seu maior interprete continua sendo Gilberto Freyre? Trata-se da dialética senhor versus escravo metamorfoseada em dialética entre o inconsciente político ariano e o inconsciente político mestiço. [Gilberto concebeu o Engenho pela dialética senhor ariano e escravo (negro)].  Trata-se do discurso do senhor do engenho como modelo da episteme política que tem articulado a nossa história política, desde o Brasil colonial. Sim! Caio Prado Jr sempre teve razão! A história brasileira é a repetição (diferente e lúdica) do modelo Brasil colonial! Ele só não podia saber o quanto esta verdade é verdadeira! Caio Prado diz que a revolução brasileira ou se faz por uma ruptura radical com o Brasil colonial, ou não se faz!
Agora, a Crise Brasileira está se transformando na lógica do desmoronamento das classes sociais subalternas urbanas: classe operária e classe média. Na imprensa, o recatado sacerdote do jornalismo independente Juan Arias já escreve sobre a necessidade de uma ruptura política, antes que seja tarde demais. Este jornalista espanhol-brasileiro representa os interesses das classes subalternas e do país na nossa cultura. Ele é o movimento das contradições do passado, presente e futuro na cultura. No entanto, Dilma Rousseff diz para todos os presidentes das Américas – reunidos para encerrar o fim da Guerra Fria no continente americano-  que não há crise no Brasil. Ela é o avestruz que enterra a cabeça sob a terra para deixar a tempestade de areia passar na Austrália ou em algum desenho animado norte-americano da minha infância! Só falta os petistas substituírem o marketing de João Santana por cantigas de nina! O PCPT está esperando ansioso!                 

DIALÉTICA E POLÍTICA
Engels foi severamente reprovado por sua dialética da natureza. Ele tentou conceber a NATUREZA por uma episteme política ignorada pela comunidade científica e odiada pela filosofia positivista. Hegel concebeu a NATUREZA como impossibilidade epistêmica. Engels não devia ter ignorado este axioma do mestre da dialética moderna. Vanguarda das máquinas de guerra de pensamento capitalista, a filosofia positivista sempre considerou a dialética materialista uma pseudofilosofia e um método científico naïf. Ela ignorou que Lenin usou a dialética materialista para fazer a Revolução Russa em um país semicapitalista. Os positivistas consideram a Revolução Bolchevique algo da lógica fáctica, da lógica dos fatos. Lenin que sabia que a dialética é a lógica artefatual dos fatos foi além do conceito de revolução marxista impossível na Rússia semicapitalista e dominantemente feudal. O conceito dizia: só se pode fazer revolução socialista nos países capitalistas desenvolvidos. Então, Lenin transitou do conceito para a Ideia de revolução. No “Cadernos sobre a dialética de Hegel”, ele concebeu a Ideia de revolução, ou seja, o contraconceito de revolução: “O conceito não é ainda a noção mais alta; ainda mais alta é a “Ideia” = unidade do conceito e do real”. Essa episteme materialista dialética contida na episteme global RSI (Real/Simbólico/imaginário) de Lacan diz que o REAL é a lógica fáctica. Mas, ele é, essencialmente, o buraco negro do conceito dialética materialista. Mas não do contraconceito dialética materialista. O conceito europeu de revolução social pode cair no buraco negro oriental europeu (e depois asiático) e ser liberado como contraconceito Revolução Russa (e Revolução chinesa). Diante destes fatos históricos, o positivismo é apenas uma máquina de guerra ideológica capitalista niilista!
O contraconceito de CRISE BRASILEIRA é parte da episteme (contraepisteme) da física da política. Na lógica da contraepisteme desta física, o conceito de crise brasileira está sendo atraído pela gravidade da energia narcísica do buraco negro (= REAL). Por canais misteriosos, Dilma Rousseff sabe que o Real pode tragar a multidão na rua. Então, ela espera isso, ou seja, isso que para ela é um fenômeno misterioso. Ela deve se achar um personagem do filme Hobbit. O Real brasileiro deve ser visto como a estrutura que sustenta a distância absoluta entre a superfície política do mundo-da-vida (RUA) e a política institucional. Trata-se de uma estrutura totalitária. Nesta estrutura, o partido é e não é partido. A física da política pensa o partido como força. E Lenin diz que “a força é a unidade negativa na qual é resolvida a contradição do todo e da parte”. Um partido como instituição política é uma força constituída para levar para a política institucional a lógica da multidão, se esta representa a maioria da população: força numérica (todo). Assim. o partido resolve a contradição entre si (parte) e o todo (Nação).
O partido deixa de ser um partido quando a sua lógica passa a ser apenas a lógica da parte desligada do todo: privatismo político. Ele deixa de ser um partido e passa a agir como máquina de guerra política de uma cultura política totalitária-oligárquica. Nessa contraepisteme política,  a dialética materialista é a dialética do inconsciente político. A política não é um agir orientado pelas consciências. Isso é o mínimo que uma política do homem poderia almejar! Ela é hoje no Brasil o domínio das maquinas de guerra política, mediática, jurídica. Por isso, o leitor não deve se impressionar com a sociedade do espetáculo das máquinas de guerra. Em algum momento, o buraco negro pode também tragar as máquinas de guerra e liberar a revolução brasileira!   
NAÇÃO/ELITE NACIONAL
Um europeu disse que a nação é uma comunidade imaginada. Ele esqueceu de dizer que ela não é apenas da ordem do imaginário. Ela é também um artefato simbólico fabricado na interseção da cultura em si com a cultura política no mundo-da-vida e na política in nuce. A União Europeia tem o lado do desmoronamento da lógica articuladora das nações europeias? Nas duas grandes guerras mundiais, as nações europeias viram e viveram o espetáculo de banhos de sangue de dezena de milhões de pessoas no enfrentamento dessas nações como magnas máquinas de guerras psicóticas. O enfrentamento principal na Segunda Guerra foi entre duas magnas máquinas de guerra psicóticas e totalitárias: Hitler e Stalin. Cansados de tais máquinas de guerra psicóticas, uma elite ilustrada imaginou a União Europeia. O globalismo neoliberal da década de 1990 parece ter atribuído um sentido apenas capitalista a tal projeto de unidade da Europa. Então, a coisa toda é sugada pelo buraco negro simbólico estacionado na política mundial.
O Brasil também foi fabricado como comunidade imaginada e artefato simbólico nacional. Apenas para ficar em um exemplo, o conceito de cultura brasileira de Gilberto Freyre era essa fabulação imaginária e simbólica do Brasil-nação. As religiões afro-brasileiras, o sincretismo religioso, a Semana de Arte moderna, a música clássica de um Vila Lobos e a música popular brasileira - que encantaram brasileiros e até estrangeiros - são – foram – um agenciamento da riqueza narcísica (energia narcísica) para o cultivo e a articulação do Brasil-nação. Isso exigiu uma vontade de saber-poder voltada para a construção da nação e para a sua reprodução. Qual foi o papel da classe política nesse processo cultural em si e cultural político? Nenhum? Entre nós, a classe política não se constitui culturalmente como elite nacional. Os marxistas latinos americanos já baterem suficientemente nesta tecla. O fascínio pela Cuba de Fidel não se encontra no fato de uma ilha do Caribe ter engendrado uma elite como elite nacional ao lado dos USA? Os norte-americanos não têm sua elite nacional como um dos tesouros do Tesouro dos USA? Agora, que o capitalismo constituiu-se como uma máquina de guerra econômica antinacional como devem os latino-americanos (e o Brasil) agir diante desse fato?