domingo, 1 de fevereiro de 2026

modernidade petrificada do capital e metamateria

 

modernidade petrificada do capital e metamatéria 

Com Descartes, a revolução moderna é revolução contra a forma geral e universal do romance RSI (Real, Simbólico, Imaginário). A revolução produz a <subjetividade moderna>:

“La conception moderne de la raison comme conscience de soi subjective, conception formulée au moyen de représentation quai-mathématiques du monde , fut au départ proposée comme véhicule de l1émancipation dans un certain nombre de domaines. Aux yeux de Descartes, la raison devait fournir les moyens grâce auxquels l’homme pourrait se ,rendre maître et possesseur de la nature>; de même, elle commandait à l’homme de se hisser au-dessus des paissions naturelles et de se maîtriser conformément aux lois propres de cette raison”. (Cascardi: 31).  

A modernidade deve romper como o romance RSI da tradição ocidental greco-romana-medieval da gramática, da história, da poesia, da retórica (Descartes. 1973: nota 5, p. 38):

“Fui nutrido nas letras, desde a infância, e por me haver persuadido de que, por meio delas, se podia adquririr um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. Mas, logo que termineiesse todo esse curso de estudos, ao cabo do qual se costuma ser recebido na classe dos doutos, mudei inteiramente de opiião. Pois me achava enleado em tantas dúvidas e erros, que me parecia não haver obtido outro proveito, procurando instruir-me, senão cada vez mais na minha ignorância [...] E, enfim, o nosso século parecia-me tão florescente e tão fértil em bons espíritos como qualquer dos precedentes. O que me levava a tomar a liberdade de julgar por mim todos os outros e de pensar que não existia doutrina no mundo que fosse tal como dantes me haviam feito esperar”. (Descartes. Idem: 38-39). 

Fundar a <subjetividade> no lugar da alma/corpo dos antigos…, eis o projeto da modernidade:

“E entre as várias opiniões igualmente aceitas, escolhia apenas as mais moderadas; tanto porque são sempre as mais cômodas para a prática, e verossimilmente as melhores, pois todo execesso costuma ser mau, como também a fim de desviar menos do verdadeir caminho, caso eu falhasse, do que, tendo escolhido um dos extremos, fosse o outro vo que deveria ter seguido. E, particularmente, colocava entre os excessos todas as promessas pelas quais se cerceia em algo a própria liberdade”. (Descartes. Idem: 50). 

A contrarrevolução pós-modernista procurou desintegrar a gramática subjetividade, não deixando sequer a poeira da verossimilhança do romance RSI da <verdade> matemática do mundo  como modernidade. A liberdade da subjetividade de pensar o mundo sem o passado estético, eis o que a contrarrrevolução pós-modernista enterrou em um sepulcro eterno. A nova modernidade só pode existir retomando a subjetividade com passado de uma tela de plurivocidade de poder estético.  

                                                        2

A subjetividade modernista é um corte de um novo tipo gramatical com o passado das línguas da antiguidade, não é um corte barroco de conciliação da antiguidade com a modernidade:

“Descartes proposait  un programme d’autocritique qui exigeait que soient rejetées la sagesse des Anciens et l’expérience cumulée  du passé en faveurs des vérités de la raison que ouvait certifier l1espriti réfléchissant sur lui-même”. (Cascardi: 34). 

Verdades da tradição e verdades da razão cartesiana, eis o kid da gramática de Descartes:

“Ela culmina em uma dúvida universal que põe em questão a verdade de todas as representações e, portanto, a realidade atual de todos os conteúdos de consciência, mas não os atos conscientes (as diversas maneiras de pensar), em particular o ato de representar”.

“Ao apresentar o conteúdo que exibe na consciência como uma coisa, a ideia o distingue de qualquer outro conteudo que podeeria ser interpretado como uma afecção do próprio sujeito: <o que> ela apresenta, ela apresenta como coisa, isto é, como um conteúdo de determinado que não é nem uma afecção nem a mera consciência de uma afecção (ou a consciência                                                           de um ‘estado subjetvo; o que ela apesenta como um conteúdo determinado está ,diante> e, por isso, se opõe ao próprio sujeito. assim, as ideias como representações têm a função de opro [<obversari>] ao sujeito na consciência os conteudos que ela tornam presentes”. (Landim Filho: 60). 

A subjetividade moderna rechaça a ligação com a língua qumilato da metamatéria das afecções hobbesianas. (Hobbes; Capítulo 5). A pós-modernidade implodiu todas as categorias da língua cartesiana como; sujeito/objeto, consciência individual etc. Na nova modernidade do século XXI, a subjetividade não é desligada da língua phenylato das afecções. (Bandeira da Silveira. Língua -Fenilato, marco/2025).
A subjetividade modernista se desenvolve com a economia política e a crítica da economia política do capitalismo da sociedade industrial. As línguas de Adam Smith e Marx estabelecem um poder estético realista realista do capital sem ligação com a língua da metamatéria phenylato? 

O Cogito ergo sum é um ato de consciência que envolve uma ideia que torna o sujeito consciente de seu ato de consciência”. (Landim: 58). 

O cogito ergo sum é um hegemonikon capitalista que ignora a relação da língua do capital industrial com a língua phenylato natural da população trabalhadora? Nem Adam nem Marx observaram tal fenilatofenômeno do capitalismo moderno? o poder estético realista realista do capital moderno exclui da civilização capitalista a língua quimilato metamaterial da população trabalhadora produtora de valor de troca como riqueza material e espiritual da sociedade capitalista?       

                                                          3    

O texto de Adam Smith possui desejo, encorajar ou coragem e preguiça como modo de explicação da prática operária. O desejo é expressão de afecções e a preguiça e a coragem são afecções? 

Adam S. parece em um diálogo com Hobbes e não ser parte do programa cartesiano de uma ciência da economia política:

“do mesmo modo que encoraja a apropriação, a recompensa liberal do trabalho aumenta o engenho das camadas baixas. Os salários do trabalho constituem um encorajamento desse engenho que, como qualquer outra qualidade humana, aumenta proporcionalmente ao encorajamento que recebe [...] Não consideramos certamente os nossos soldados como as pessoas mais engenhosas existentes na população do país; mas quando esses soldados são epregues em certos tipos de trabalho e liberalmente pagoa à peça, os seus opficiais são frequentementes obrigados a estipular com aqueles que alugam o trabalho desses homens o pagamento de uma quuantia por dia, variável de acordo com o preço pago por cada peça. Até se começarem fazer estes contratos, a emulação mútua e o desejo de um maior ganho levavam frequentemente os soldados a trabalharem em execsso e a adquirirem doenças devidas a um trabalho exagerado. É precisamente a realização destes exageros durante quatro dias de trabalho por semana que constitui a verdadeira causa da preguiça durante os outros três, tão largamente criticada; o exagero do trabalho, quer mental, quer físico, efetuado durante diversos dias a fio, é em muitos homens seguido de um desejo de descanso que, se não for restringindo pela força ou por alguma necessidade imperiosa, se torna quae irresistível. É um chamamento da natureza, que requer alguma indulgência, algum sossego e, por vezes, alguma diversão”. (Smith: 75).

A <natureza> do trabalhador é a metamatéria quimilato que se expressa como desejo que estabelece limite para o esforço a mais do homem:

“Se este desejo não for satisfeito, as consequências podem ser perigosas e algumas vezes fatais; mais tarde ou mais cedo acabam por afetar o trabalhador da doença típica do seu trabalho. Se os patrões ouvissem sempre o que é ditado pela razão e pelo espírito humanitário, seriam levados muitas vezes a moderar o esforço dos seus homens em vez de o animarem. Julgo que em todo os negócios é possível verificar que um homem trabalha de forma suficientemente moderada para lhe ser possível ter uma produção constante não apenas preserva a sua saúde como ainda, ao longo do ano, executa maior quantidade de trabalho”. (Smith: 75). 

O texto de Smith parece o romance RSI do operário na fábrica em uma relação de força entre a língua phenylato e a exigência da estratégia do cálculo capitalista de produção de lucro. Em Ricardo, a lógica do valor elimina a presença da língua phenyilato no trabalho:

“A estima em que se tem as distintas classes de trabalho fica pronto ajustada no mercado com bastante precisão para todos os fins práqticos, e depende em grande parte da habilidade relativa do trabalhador e da intensidade do trabalho executado. A escala , uma vez formada, é suscetível de muito pouca variação. Si um dia de trabalho de um oficial <joyero> é mais valioso que o de um trabalhador usual, faz tempo que tem sido ajustado e colocado na posição correspondente em escala de valor”. (Ricardo: 37). 

Assim, a economia política já não é mais um romance RSI do trabalho. Ricardo cita Smith:

“Porém ainda que o trbalho seja a medida real do valor em cambio de todas as coisas, não é a que se emprega comumente para estimar o valor. Com efeito, é difícil averiguar a proporção existente entre as quantidades distintas de trabalho. O tempo empregado em duas distintas classe de trabalho não será sempre o único meio de determinar esta proporção, Os distintos graus da moléstia sofrida e da destreza exercitada, devem assim mesmo tomar-se em conta”. (Ricardo: 37).        

 Aqui, a língua phenylato reabre a ferida na economia política como romance RSI do trabalhador. O trabalhador não é apenas um animal- máquina de trabalho do capital industrial. 

                                               4

Marx tem douas espécies de texto. Um é o <crítica da economia política> que desenvolve a gramática a economia política de ricardo. O outro é o romance do trabalhador que cria e desenvolve a tela do romance RSI do trabalho da sociedade industrial capitalista: <De te fabula narratur! [Sur toi c’est ici rapporté!]>. (Faye; 150-151).  O livro ‘teoria s da mais-valia é crítica da economia politica ricardiana. “o capital” é o romance RSI a Adam Smith. Os doi são parte do programa da subjetividade da modernidade econômica capitalista. Um juntando no romance RSI modernidade impura com língua phenylato e o outro criando um a subjetividade  modernista capitalista pura sem língua metamaterial quimilato, Encaminho uma ilustração de imagem textual da modernidade pura do “Teorias da mais-valia”:

Marx exemplifica a diferença entre trabalho produtivo e improdutivo com o general intellect gramatical> (Bandeira da Silveira; 05/2022):

“Uma ator, inclusive um clown, pode ser, portanto, uma obreiro produtivo se trabalha à serviço de um capitalista, de um patrão, e entrega a este uma quantidade maior em trabalho da que recebe dele em forma de salário. Em troca, o alfaiate que trabalha a domicílio por dias, para reparar as calças do capitalista, não cria mais que um valor de uso e não é, por tanto, mais que um obreiro improdutivo. O trabalho do ator se cambia por capital, o do alfaiate por renda. O primeiro cria mais-valia; o segundo não faz mais que consumir renda”. (Marx. 1974: 137).

A crítica da economia política de Ricardo estabelece o poder d’ars de governo realista realista do capital. sobre o trabalho na sociedade industrial de subjetividade modernista sem língua metamaterial quimiliato: <De te fabula narratur”. 

                                                                    5

A realidade objetiva capitalista é estruturada com o general intellect gramatical como trabalho improdutivo [em contraponto ao trabalho produtivo] pelo poder d’ars realista realista capitalista:

“A força de trabalho do obreiro produtivo é uma mercadoria. O mesmo ocorre com a do obreiro improdutivo. Porém enquanto que o primeiro produz mercadorias para o comprador de sua força de trabalho, o segundo não lhe entrega mais que valores de uso, reais ou fictícios. O que caracteriza o obreiro improdutivo é o fato de que , em vez de produzir mercadoria para seu comprador, é este este quem se as subministrar a ele:

Com o trabalho de algumas hierarquias mais respeitáveis da sociedade ocorre o mesmo que com o dos serviços domésticos; não produz nenhum valor…O soberano, por exemplo, como todos os funcionários de justiça e de guerra que dependem dele, com todas as tropas de terra e de ma, são obreiros improdutivos. São servidores do público, mantidos com uma parte do produto anual do trabalho dos demais…E neta mema categoria devemos incluir algumas das profissões mais sérias e mais importantes, em parelha algumas mais frívolas; o clero, os juristas, os médicos, osescritores de todas as classes; os comediantes, os bufões, os músicos, os cantores e bailarinos etc. (A. Smith. libro 2, cap. 3).” (Marx. 1974: 139). 

A imagem textual do general intellect gramatical como trabalho improdutivo não é de Marx, e sim de Adam Smith. Este tem claro que o general intellect gramatical no capitalismo industrial é criado pelo poder estético realista realista capitalista. O pode d’ars realista realista capitalista tem o general intellect gramatical do Estado como um trabalho que não cria mais-valia: trabalho improdutivo.  Ora! se o general intellect gramatical for empregado pelo capitalista, ele se torna trabalho produtivo de criação de mais-valia para o capital industrial. Hoje, há professores como parcela do trabalho produtivo de criação de mais-vala para o capital industrial do ensino. Tal classe social de professores pode ser parte intelectual da luta de classe contra o capital.  

                                                    6  

Delirar é tomar a ficção por realidade. O Brasil subdesenvolvido (Bandeira da Silveira; 2019) delira que é um país rico, desenvolvido. O poder estético realista realista capitalista corta o delírio pela raiz:

“Um país é tanto mais rico quanto menos numerosa é a sua população produtiva com relação à população geral, do mesmo modo que ao capitalista individual lhe resulta mais vantajoso rempregar a menos obreiros para produzir a mesma mais-valia. Um país é tanto mais rico quanto menos numerosa é sua população produtiva com relação à população improdutiva, sempre e quando a quantidade de produtos permaneça invariável, A escassez relativa da população produtiva não faz mais que expressar sob uma forma distinta o grau relativamente elevado da produtividade do trabalho”. (Marx. 1974: 177-178). 

O poder estético realista realista parte da técnica de produção para um proletariado industrial produzir a mais-valia relativa no comando da mais-valia absoluta. Daí a reduzida classe operária do país desenvolvido e a extensa classe operária do país subdesenvolvido. Sobretudo, a acumuação ampliada de capital é estratégtia prioritária em relação a produção de lucro:

“E ricardo se interessa mais todavia pela acumulação que pelo <ganancia> líqui, e se admira esta é, pura e simplesmente, porque serve de veículo à acumulação”. (Marx. 1974: 178). 

A acumulação capitalista é o bem comum que garante a continuidade da sociedade capitalista, que a mundializa. A classe capitalista mundializada se desenvolve a partir das relações técnicas de produção da mais-valia relativa:

“Quando a produtividade social do trabalho não se acha todavia bastante desenvolvida e, portanto, a margem de mais-valia é relativamente pequena, a classe dos que vivem do trabalho alhei é necessariamente reduzida, em comparação com o número dos que trabalham. Porém via crescendo proporcionalmente, até chegar a adquirir proporções muito considerável, a medida que se desenvolve a produtividade e, por conseguinte, a mais-valia relativa”. (Marx. 1974: 297). 

O poder d’ars realista fantástico do capitalismo subdesenvolvido se baseia na mais-valia fiscal, no mais-gozar público para reproduzir uma burguesia fictícia que não depende do grau de desenvolvimento das relações técnicas de produção, como produção de mais-valia relativa. A luta de classe da burguesia fictícia pela mais-valia fiscal determina que o poder estético mass media esteja sob controle do dominante capitalista; poder d’ars do governo da burguesia fictícia em luta eterna contra a população das classes socias do dominado. Esse poder estético realista fantástico usa a metamatéria da língua phenylato como parte da luta de classe burguesa fictícia contra o dominado.      

                                                       7

Do “Grundrisse”, o texto “O método da economia política” serve para a análise da gramática da <crítica da economia política> como também para o romance RSI (Real, simbólico, Imaginário) do trabalho assalariado: 

“Por essa razão, para a consciência para a qual o pensamento conceitualizado é o ser humano efetivo, e somente o mundo conceituado enquanto tal é o mundo efetivo - e a consciência filosófica é assim determinada -, o movimento das categorias aparece, por conseguinte, como o ato de produção efetivo - que, infelizmente, recebe apenas um estímulo do exterior -, cujo resultado é o mundo efetivo; e isso que no entanto, é uma tautologia - é correto na medida em que a totalidade concreta como totalidade de pensamento, como um concreto de pensamento, é ‘de fato’ um produto do pensar, do conceituar; mas de forma alguma é um produto do conceito que pensa fora da intuição e representação em conceitos [...] Por isso, também no método teórico o sujeito, a sociedade, tem de estar continuamente presente como pressuposto da representação”. (Marx. 2011: 55).

A produção da representação conceitual pressupõe o sujeito sociedade como língua nacional. Porém, o que é determinante para a totalidade concreta o romance RSI é a intuição. Esta é produzida na língua metamaterial phenylato, língua das afecções. O texto do método …fala da relação entre a língua qumilato e a língua do romance RSI do trabalho, tomando como ilustração a Inglaterra, país onde o capitalismo estava mais desenvolvido:

“Por exemplo do trabalho mostra com clareza como as próprias categorias mais abstratas, apesar de sua validade para todas as épocas - justamente por causa de sua abstração -, na determinibildade dessa própria abstração, são igualmente produto das relações históricas e têm sua plena validade só para essas relações e no interior delas. A sociedade burguesa é a mais desenvolvida e diversificada organização histórica da produção”. (Marx. 2011: 58). 

No capitalismo moderno, o trabalho como língua quimilato faz pendant com sua representação conceitual mais desenvolvida. No texto do método…há uma parte sobre poder estético, que o professor de economia com o qual estudei esse texto ignorou assim como ignorou o trabalho como processo da <intuição> da língua metamaterial phenylato. O poder estético serve para se pensar as épocas da civilização/barbárie ocidental até chegar ao  capitalismo moderno:

“6) a relação desigual do desenvolvimento da produção material com, por exemplo, o desenvolvimento artístico”. (Marx. 2011: 62). O poder estético não é mais desenvolvido onde as relações técnicas de produção o são:

“Consideremos, p. ex., a relação da arte grega e, depois, a de Shakespeare, com a atualidade. Sabe-se que a mitologia foi não apenas o arsenal da arte grega, mas seu slo. A concepção da natureza e das relaçõe sociais, que é a base da imaginação grega e, por isso, da ]mitologia] grega, é possível com ‘máquinas de fiar autométicas’, ferrovias, locomotivas e telégrafos elétricos? Como fica Vulcano diante dee Roberts e Co., Júpiter diante do para-raios e Hermes diante do Crédit Mobilier? Toda mitologia supera, domina e plasma as forças da natureza na imaginação e pela imaginação.; desparece, por conseguinte, com o domínio efetivo daquelas forças. Em que se converte a Fama ao lado de Printing House square/ A atre grga pressupõe a mitologia grega, <i, e.,> a natureza e as próprias formas sociais já elaboradas pela imaginação popular de maneira inconscientemente artística. Esse é seu material”. (Marx. 2011: 63). 

O poder estético grego é popular, fruto da imaginação da multidão barroca da tela do romance RSI da pratica política universal: 

“Não uma mitologia qualquer, i.e., não qualquer elaboração artística inconsciente da natureza (incluído aqui tudo que é objetivo, também a sociedade). A mitologia egípcia jamais poderia ser o solo ou ou o seio marterno da arte grega. Mas, de todo modo,, [pressupõe] uma mitologia. Por conseguinte de modo algum um desenvolvimento social quew exclua toda relação mitológica com a natureza, toda relação mitologizante com a natureza. toda relação mitologizante com ela; que, por isso, exige do artista uma imaginação independente da mitologia”. (Marx. 2011: 63). 

O poder estético pode ser mitologisante ou da imaginação de um artista como Shakespeare. O artista moderno é o agente a produção do poder estético da época barroca. Um poder estético barroco estrutura a história da época moderna. Hoje, o artista não produz mais o oder estético da sociedade capitalista cibernética? a técnica industrial cibernética criou um outro modo de parecer psíquico de produção de poder estético?  O romance RSI cibernético se desenvolve e se realiza a partir de qual plurivocidade de poder d’ars? Época na qual  trabalho assalariado se exauri como língua quimilato metamaterial de produção de mais-valia das afecções?          

                                                                8

O romance RSI do trabalho infantil parece o poder d’ars realista fantastico dantesco:

“A fabricação de fósforos de atrito data de 1833 quando se inventou o processo de aplicar o fósforo ao palito de madeira. Desde 1845 desenvolveu-se rapidamente na Inglaterra, espalhando-se das zonas mais populosas de londres, para Manchester, Birmingham, Liverpool, Bristol, Norwich, Newcastle e Glasgow e com ela floresceu ob trismo, que, segundo descoberta de um médicfo de Viena já em 1845, é a doença peculiar dos trabalhadores dessa indústria> A metade dos trabalhadores são meninos com menos de 13 anos e adolescentes com menos de 18 anos. Essa indústria é tão insalubre, abjeta e mal afamada que somente a parte mais miserável da classe trabalhadora, viúvas famintas etc., cede-lhe seus filhos , ‘crianças esfarrapadas, subnutridas, sem nunca terem frequentado escola’. Entre as testemunhas inquiridas pelo comissário White (1863), 270 tinham menos de 18 anos, 40 menos de 10, 10 apenas 8 e 5 apenas 6. O dia de trabalho variava entre 12, 14 e 15 horas, com trabalho noturno, refeições irregulares, em regra no próprio local de trabalho, emppesteado pelo fósforo,. Dante acharia que foram ultrapassadas ness indústria suas mais cruéis fantasias infernais”. (Marx. 1946: 191). 

A produção da mais-valia absoluta é para o capital constante um poder estético realista realista vampiresco:

O capital constante, os meios de produção só existem, do ponto de vista da criação da mais-valia, para absorver trabalho e com cada gota de trabalho uma porção proporcional de trabalho excedente. Se não realizarem isto, sua mera existência constitui pura perda para o capitalista, pois durante o tempo em que estão parados representam adiantamento inútil de capital [...] O prolongamento do trabalho além dos limites diurnos naturais, pela noite adentro, serve apenas de paliativo para apaziguar a sede vampiresca do capital pelo sangue vivificante do trabalho [...] Os trabalhadores são homens e mulheres, adultos, adolescente e crianças de ambos os sexos. A idade dos jovens e das crianças percorre toda a escala, dos 8 anos (em alguns casos dos 6) até aos 18 anos. Em alguns ramos, as meninas e as mulheres trabalham à noite mescladas com os homens”. (Marx. 1946: 200). 

O poder d’ars realista realista do capital faz da classe operária bucha de canhão de uma civilização para a burguesia/barbárie para o proletariado como realidade objetiva e subjetiva de uma tela gramatical, retórica, ideológica da sociedade capitalista:  

“Portanto, ao alargar a jornada de trabalho, a produção capitalista, que é em substância, produção de mais-valia, absorção de trabalho excedente, conduz ao empobrecimento da força humana de trabalho, despojada de suas condições normais de desenvolvimento e de exercício físico e moral. Produz, além disso, a extenuação e a morte prematuras da mesma força de trabalho, alarga o tempo de produção do operário durante certo prazo a costa de encurtar a duração de sua vida’. (Marx. 1946: 208).      

                                                           9

Marx é o autor do romance RSI, isto é, <romance do poder estético> capitalista (Bandeira da Silveira; novembro/2025). O poder estético capitalista faz do homem,  da mulher, da criança - coisa. Um poder que petrifica o humano:

“No capitalismo neoliberal globalizado, as relações de troca de mercadoria-dinheiro articulam a realidade material da coisificação. A relação social é vivida como relação social entre coisas, entre mercadorias-dinheiro: relação-coisa. rigorosamente, a mercadoria só existe na troca de mercadorias através do equivalente universal. (Marx, 1996: 98). Assim, a relação social só existe em sua materialidade de circulação de mercadoria-dinheiro”. (Bandeira da Silveira. setembro/2021: 19). 

Marx: 

“Também aqui os indivíduos só entram em relação entre si como indivíduos determinados. Essas relações de dependência ,cioisal., por oposição às relações de dewpendência <pessoal> (a relação de dependência coisal nada mais é do que as relações sociais autônomas contraposta a indivíduos aparentemente independentes, i. e., suas relações de produção recíprocas deles próprios autonomizadas), aparecem de maneira tal que os indivcíduos são agora dominados por <abstrações> , ao passo que antes dependiam uns dos outros. A abstração ou ideia, no entanto, nada mais é do que a expressão teórica dessas relações materiais que os dominam. As relações só dem naturalmente ser expressas em ideias, e é por isso que os filósofos conceberam como o peculiar da era moderna o fato de ser diomada pelas ideias e identificaram a criação da livre individualidade com a derrubada fácil desse domínio das ideias. Do ponto de vista ideológico, o erro era tão mais fácil de cometer porquanto esse domínio das relações (essa dependência coisal que, aliás, se reverte em relações determinadas de dependência pessoal, mas despidas de toda ilusão) aparece na consciência dos próprios indivíduos como domínio das ideias e a crença na eternidade de tais ideias, i. e., dessas relações coisais de dependência, é consolidada, nutrida, inculcada por todos os meios, é claro, elas classes dominantes”. (Marx. 2011: 112). 

O poder estético coisal cria relações de dependência pessoal despidas de ilusões de classes sociais, e isto parece na consciência da crítica do indivíduos como estrutura gramatical, retórica, ideológica do dominante:

“Por isso, as condições patriarcais, bem como as antigas (justamente com as feudais) declinam com o desenvolvimento do comércio, do luxo, do ,dinheiro>, do <valor de troca> na mesma medida em que com eles emerge a sociedade moderna”. (Marx. 2011: 106).        

                                                      10

O poder d’ars realista mágico pode estruturar o olhar da sociedade em relação à <circulação>, em relação ao Banco;

“O Banco não teria aumentado a riqueza da nação em um passe de mágica, mas tão somente desvalorizado seus próprios papéis em uma operação muito banal. Com essa desvalorização, paralisação súbita da produção! De modo algum, grita o proudhonismo. A nossa nova iorganização bancária não se satisfaria com o mérito negativo de suprimir a base metálica e deixar todo o resto inalterado. Criaria condições de produção e intercâmbio inteiramente novas, e, portanto, interviria sob pressupostos inteiramente novos. A introdução dos bancos atuais não revolucionou a seu tempo as condições da produção? Sem a concentração de crédito que suscitou, sem as rendas do Estado que criou em antítese à renda da terra e, desse modso, as finanças em antítese à propriedade fundiária, o ‘interesse do dinheiro’ em antítese ao ‘interesse da terra’  , sem este novo instituto da circulação, teria sido possível a grande indústria moderna, as sociedades por ações etc., as mil formas de papéis de circulação que são tanto produtos do comércio e da indústria modernos com suas condições de produção? (Marx. 2011: 74). 

O romance do poder estético realista mágico cria o olhar verossímil das classe sociais sobre a circulação;

“Uma determinação essencial da circulação é que ela faz circular valores de troca (produtos ou trabalho), com efeito, valores de troca determinados como <preços>> Portanto, nem todo tipo de troca de mercadorias, p. ex., escambo, prestação <in natura>, corveias feudais etc. institui a circulação. Para a circulação são necessárias sobretudo dus coisas: <primeira>: o pressuposto das mercadorias como preço; ,segundo>: não atos de troca singulares, mas um ambiente de trocas, uma totalidade de trocas em contínuo fluxo e operando mais ou menos em toda a superfície da sociedade; um sistema de atos de troca> a mercadoria é determinada com valor de troca [...] Por isso, no dinheiro, o valor de troca se lhe contrapõe como algo distinto. Só a mercadoria posta como dinheiro é a mercadoria como puro valor de troca, ou a mercadoria como como puro valor de troca é dinheiro”. (Marx. 2011: 135). 

Marx não maneja o romance do poder estético realista realista para fazer parecer a circulação como poder realista mágico?  

                                                            11

O romance do poder estético da modernidade capitalista parte da relação entre o método da economia política e a língua phenylato. O livro “Teoria positiva do capital” é um diálogo com a teoria negativa do capital? 

“Sem Dúvida, o próprio Fisher tem opinião completamente diversa acerca da sua relação com a linguagem usual. Está consciente, sim, de sua discordância frontal em relação à linguagem científica que adquiriu direito de cidadania com Smith; em compensação, acredita ele ser um defensor e depositário tanto mais fiel do uso da linguagem popular - segundo meparece, porém, apenas baseado num exame não suficientemente rigoroso e imparcial desse uso. Com efeito, a linguagem é sem dúvida nada bem disciplinada; ela não se prende à precisão nem à coerência, e em especial tende fortemente a extensões elásticas ocasionais, praticadas em sentido ‘transposto’ ou ‘fugurado’ com base em simples analogia; nesses casos, porém, o uso linguístico não pode ser interpretado como coerente quando tomado ao pé da letra. Portanto, quem já se contenta com o fato de poder mencionar algum modo de falar que se ajusta afirmativamente a uma definição propsta, certamente conseguirá haurir da linguagem popular esse tipo de confirmação para as mais heterogêneas definições de capital entre si conflitantes [...] eis aqui um claro sintoma de que o espírito da língua só está disposto a atribuir o nome de capital em seu ‘sentido próprio’, ou seja, como designação técnica, a um determinado grupo mais restrito de bens”. (Böhm-Bawerk. 1986: 65-66). 

A definição técnica de capital se desfaz da relação entre economia politica e língua quimilato, da linguagem popular usada pelo próprio Adam Smith. Em Marx, o capital é técnica e relação social de produção, é sociedade de classes socias antagônicas. A partir do romance estético do trabalho, a língua quimilato, das afecções passam a fazer parte da relação capital/trabalho. Thomas Piketty exclui do capital a relação social de produção, o capital em sua relação com o trabalho? 

Piketty:

“Antes de tudo, ao longo de todo o livro, quando falamos de ‘capital’, sem outra especificação, excluiremos sempre aquilo que os economistas muitas vezes chamam - de modo inadquado, na minha opinião - de ‘capital humano’, ou seja, a força de trabalho, as qualificações, a formação, as capacidades individuais. No contexto dee livro, o capital é definido como o conjunto de ativos não humanos que podem ser adquiridos, vendidos e comprados pelo capital imobiliário (imóveis, casas), utilizado para moradia, e pelo capital financeiro e profissional (edifícios e infraestrutura, equipamentos, máquinas, patentes etc.), usado pelas empresas e pela adminstração pública”. (Piketty: 51-52). 

Assim, o capital não possue relação com a língua quimilato e, por conseguinte, com a luta de classe, esta sob influência profunda e intensa do romance do poder estético do trabalho. Ora! a língua dos desejos como expressão de afecções se encontram na gramática da troca de produtos: 

“A troca direta, na qual o supérfluo da própria produção é trocada fortuitamente pelo supérfluo da produção estrangeira, é apenas a <primeira ocorrência> do produto como valor de troca em geral e é determinado por necessidades, desejos etc. fortuitos. Mas caso aconteça de a troca continuar, caso devenha um ato continuado que contém em si mesmo os meios para uma permanente renovação, tem lugar, progressivamente, desde o exterior e de modo igualmente fortuito, a regulação da troca recíproca por meio da regulação da produção recíproca, e os custos de produção, que em última instância se resolvem todos em tempo de trabalho, deveriam assim a medida da troca. Isso nos mostra a gênese da troca e do valor de troca da mercadoria [...] um produto posto como valor de troca não é mais determinado essencialmente como simple produto [...]; ele é posto como <relação>, mas, mais precisamente, como relação universal, não como relação a uma mercadoria, mas a toda mercadoria, a todo produto possível. Expressa, por conseguinte, uma relação universal; o produto que se relaciona a si mesmo como a realização de um <quantum determinado> de trabalho universal, de tempo de trabalho social, e por isso é o equivalente de todo outro produto na proporção expressa em seu valor de troca [...]”. Marx. 2011: 151). 

A prática econômica dialética universal, negativa, significa regulação na superfície da troca; esta regulada pelo tempo de trabalho social no processo de produção.  O romance do poder estético do capital inexiste sem o tempo de trabalho universal materializado na troca de produtos. Então, na prática econômica regular, a língua das afecções não param de não funcionar? A autonomia relativa da prática econômica em relação à língua econômica popular se estabelece como crítica da economia política e teoria positiva do capital? ‘     

                                                               12

O dinheiro é a pedra filosofal do romance do poder estético da modernidade petrificada: 

“O  dinheiro, por isso, é o deus entre as mercadorias. Em razão disso, o dinheiro, como objeto tangível singularizado, pode ser acidentalmente buscado, achado, roubado, descoberto, e a riqueza universal pode ser inegavelmente incorporada às posses de um indivíduo singular. De sua figura de servo, na qual se manifesta como simples meio de circulação, converte-se repentinamente em senhor e deus no mundo das mercadorias. Representa a existência celeste das mercadorias, enquanto as mercadorias representam sua existência mundana”. (Marx. 2011: 165). 

O dinheiro é um pode estético realista fantástico celestial, tela gramatical, retórica, ideológica sagrada do mundo para o indivíduo:

“Logo, sua relação ao indivíduo manifesta-se como puramente contingente; ao passo que, ao mesmo tempo, essa relação a uma coisa sem absolutamente nenhuma relação com a individualidade lhe confere, pelo caráter de coisa, o poder universal sobre a sociedade, sobre o inteiro mundo dos prazeres, dos trabalhos etc. Seria, p. ex., como se o achar de uma pedra lhe proporcionasse, independente de minha individualidade, a possessão de todas as ciências. A possessão do dinheiro me coloca em relação com a riqueza (social) exatamente na mesma relação que a pedra filosofal me colocaria com as ciências”. (Marx. 2011: 165). 

o poder estético do dinheiro não põe o indivíduo em relação com a riqueza do romance do poder d’ars da modernidade petrificada? Tal riqueza é a língua phenylato/alquilato, língua das afecções, lingua da vida, do que me faz viver na língua popular da economia política. Nos EUA, o poder do dinheiro parece ser um símbolo vital das elites com a lista Epstein? 

“Por essa razão, o dinheiro não é apenas <um> objeto da mania de enriquecimento, mas sim o seu objeto. A mania de enriquecimento é por essência <auri sacra fames>. A mania de enriquecimento enquanto tal, como uma forma particular de pulsão, i, e., diferente da obsessão por riqueza particular, p. ex., por roupas, armas, joias, mulheres, vinho etc., só é possível quando a riqueza universal, a riqueza enquanto tal, está individualizada em uma coisa particular, i, e., quando o dinheiro está posto em sua terceira determinação. O dinheiro, portanto, não e apenas o objeto, mas, ao esmo tempo, a fonte da mania de enriquecimento, A ganância também é possível sem dinheiro; a mania de enriquecimento é o produto de um determinado desenvolvimento social, desenvolvimento que não é <natural>, por opsição ao <histórico>. Daí a lamentação dos antigos sobre o dinheiro como a fonte de todos os males. A mania por prazer em sua forma universal e a avareza são as duas fontes particulares de avidez por dinheiro. A mania abstrata por prazer presupõe um objerto qu contenha a possibilidade de todos os prazerews”. (Marx. 2011: 165-166). 

A avareza e a mania de prazer universal são afecções que, como pulsão, põe o indivíduo em relação com a riqueza da vida da língua quimilato. Assim, a crítica da economia política é, ao mesmo tempo, o romance do poder estético da modernidade petrificada pelo dinheiro deus da sociedade de mercadorias. Poder estético sagrado romanceado  como método da economia política que começa com a intuição da língua phenylato/alquilato.  .

                                                              13

Conhecida como big tech, a empresa de tecnologia multinacional criou uma nova gramática de valor. Ministro da Fazenda da Áustria-Hungria, Böhm-Bawerk desenvolveu o conceito de <valor subjetivo>: Em última análise, as proporções de troca são determinadas pelos respectivos desejos das respectivas utilidades  (Cutler: 59, 60). A satisfação da necessidade é relacionada à lógica hierárquica ao bem-estar humano (Böm-Bawerk. v. 1: 163). Então, a relação do valor com a vida do indivíduo pressupõe a língua alquilato das afecções como permanecer vivo, não morrer, funcionar pelo princípio do prazer etc. Assim, o valor subjetivo estruturaria a utilidade marginal do valor. A big tech das redes sociais estruturaria uma relação com o usuário a partir do bem-estar deste? As afecções alquilato estruturam a vida do cibernauta? Essas seriam  o valor subjetivo do bem-estar? Fazer o bem, o ethos, o eros é aquilo que move a vida do cibernauta nas redes sociais e estruturam o lucro da big tech? A big tech não obtém sua taxa de lucro estabelecendo uma relação como usuário a partir do pathos, do fazer o mal, do Tanatos? Esses seriam bens livres destituídos de valor, pois em excesso?  Ou bem econômico de valor (Böm-Bawerk: 156). pela utilidade para o indivíduo em proporcionar-lhe prazer na língua phenylato?  O valor pressupõe escassez e a ausência de valor pressupõe abundância. O ar atmosférico será transformado em valor econômico na medida em que ele se torne escasso. Assim como a água potável. Transformar a natureza em bem econômico capitalista faz dela uma força produtiva elementar de produção de valor subjetivo do capitalismo (Böm-Bawerk. v. 1; 108-109). 

O valor subjetivo pode existir como a extração do usuário da mais-valia afeccional pelo capital da big tech? A mais-valia afeccional não é capaz de gerar altas taxas de lucro para o capital digital? O Estado socialdemocrata quer oferecer bens livres de valor marginal, no setor da saúde, para a população, bens em abundância. São bens para o bem estar da população. Eles seriam parte da lingua popular do alquilato. São bens comuns, bens que não são objeto de venda e compra, bens disponíveis em excesso a disposição de todos. Essa seria a democracia socialista do alquilato. O juizo de valor do bem comum, do ethos, do fazer o bem para o indivíduo não estrutura a existência como o bem da utilidade marginal do phenylato, do pathos, do fazer o mal, do Tanatos. A direita descobriu tal fato e faz sua política do phernylato que gerou Bolsonaro, Trump, Milei e seu retorno ao poder político na Bolivia e no Chile. Ela propõe a democratização da política e da ideologia do phenylato a partir do indivíduo phenylato. Trump é o apogeu dessa democracia do poder estético realista fantástico do phenylato? Ele não é a destruição do romance do poder estético realista realista do bem comum como concepção política de mundo da língua alquilato popular?           

                                                       14

Como ciência exata natural, a economia política é da época do capitalismo liberal:

“O físico observa os processos da natureza, quando se manifestam na forma mais característica e estão mais livres de influências perturbadoras, ou, quando possível, faz ele experimentos que assegurem a ocorrência do processo, em sua pureza. Nesta obra, o que tenho de pesquisar é o modo de produção capitalista e as correspondentes relações de produção e de circulação. Até agora, a Inglaterra é o campo clássico dessa produção> Este o motivo por que a tomei como principal ilustração de minha explanação teórica. Se o leitor alemão, farisaicamente,, encolher os ombros diante da situação dos trabalhadores ingleses, na indústria e na agricultura, ou se, com otimismo, tranquilizar-se com a ideia de não serem tão ruins as coisas na Alemanha, - sinto-me forçado a adverti-lo: <De te fabula narratur!> ´A narrativa é a teu respeito]”. (Marx. 1996: 5). 

A tela narrativa fabulosa é já o romance do poder estético capitalista liberal. Porém, a economia política deixa de ser praticada como ciência exata na época do mercantilismo capitalista europeu do espaço público procedural austro-hungaro da teoria do valos subjetivo marginalista:

“Objeta-me que a mediação de estados de bem-estar é <inexequível na prática>, por não ser possível demonstrar a igualdade completa entre vários estados e porque ‘não há absolutamente como certificar qual dentre as várias condições numéricas ocorre na realidade. Acontece, porém, que simplesmente não é este o objeto em discussão [...] Não se trata de determinar, com todas as garantias de correção e exatidão objetiva, o grau de intensidade que ocorre na realidade entre dois sentimentos ou estados; trata-se [...] de uma simples avaliação subjetiva, de um operar com padrões simplesmente imaginária, sem pretensão de exatidão e até sem pretensão de ser correta”. (Böhm-Bawerk. v. 2: 169). 

Em se tratando do sofrimento do trabalhador, não se trata de operar com ele de modo exato, e sim como uma gramática do sofrimento em um romance do poder estético do mercantilismo capitalista-colonialista europeu. 

                                                        15  

Husserl iluminou a origem da consciência individual galilaica da modernidade petrificada:

“En tout cas, on n’en reste pas à la nouvelle mathématique. Bientõt, son rationalisme étend sa prise sur la science d’une <science de la nature mathématique: <galiléenne>, comme elle fut longtemps appelée à bon droit. Aussitôt que cette science fut sur la voie de la réalisation et du succès, l’idée même de la philosophie (comme science de la totalité du monde, du tout de l’étant) s’en trouva changée”. (Husserl: 27). 

Em relação ao valor subjetivo do sofrimento humano, a gramática utilitária marginal não escapa à consciência galilaica:

“Pois em boa parte dos casos - e provavelmente também em sua parte maior e mais importante - nos quais o período de trabalho e o sofrimento do trabalho se movimentam com liberdade total, a utilidade marginal e o sofrimento marginal coincidem exatamente, e então também o valor dos bens é aferido pela utilidade marginal [...]”. (Böhm-Bawerk. v. 2: 158-159). 

A evolução da história europeia rompe com a gramática do sofrimento marginal? Forma-se um bloco estético-político do trabalho como romance do poder estético da multinacional corporativa europeia. Tal fato produz uma transformação na concepção política de mundo do trabalho do novo espírito capitalista da empresa:

“Todos os dispositivos ao novo espírito do capitalismo - quer se rate de terceirização, quer da proliferação nas empresas de centros autônomos de lucro, de círculos de controle de qualidade ou das novas formas de organização do trabalho - de fato vieram, em certo sentido, atender às demandas de autonomia e responsabilidade que se fizeram ouvir no início da década de 70 em tom reivindicativo: os executivos desligados de suas linhas hierárquicas para assumirwem ‘centros autônmos de lucro’ ou para realizar ‘projetos’ e os operários subtraídos às formas mais divisionárias de organização do trabalho em lina de montagem, realmente perceberam que seu nível de responsabilidade aumentou, ao mesmo tempo que era reconhecida sua capacidade para agir de maneira autônoma e parademonstar criatividade [...]”. (Boltanski e ève Chiapello. O novo espírito do capitalismo. SP: Martins Fontes, 2007,430). 

O sofrimento do trabalho passou a ser objeto do romance do poder estético da multinacional europeia. A criatividade do trabalho passa a ser parte do poder d’ars econômico do operário. 

                                                         16

O capitalismo de hoje mudou a natureza estrutural do trabalho industrial? O trabalho industrial da modernidade galilaica era produtor de mais-valia material econômica. Hoje, o trabalho industrial produz mais-valia metamaterial, mais-valia afeccional. É trabalho industrial a produção do valor subjetivo afeccional do cibernauta das redes sociais das big techs. É trabalho industrial a produção de mais-valia afeccional no capitalismo industrial de serviços e entretenimento. Um cineastas é um trabalhador industrial,pois,produz valor subjetivo  afeccional para o consumidor do filme. Este paga pela mercadoria fílmica e obtém seu mais-gozar metamaterial; através do filme, o consumidor sente amor, ódio, coragem covardia, ira e bondade etc. O cineasta, os atores e operarios do trabalhador industrial cinematográfico se tornaram um ponto estratégico de acumulação de capital cultural industrial. Tal capitalismo alterou a forma de governo de vida republicana , quanto a liberdade e igualdade, afecções políticas criadas pela Revolução francesa republicana?        

                                                16

Marx discute com os socialistas franceses e Proudhon a revolução republicana francesa. Seria a revolução francesa uma revolução capitalista da liberdade e da igualdade. Na prática política econômica, liberdade e igualdade parecem ser do modo de produção simples de mercadoria:

“ Cada um dos sujeitos é um trocador, i. e,, cada um tem a mesma relação social com o outro que o outro tem com ele. A sua relaç como trocadores é, por isso, a relação da <igualdade>. É impossível dectar qualquer diferença ou mesmo antagonismo entre eles, nem sequer uma dissimilaridade. Além disso, as mercadorias qur trocam são, como valores de troca, equivalentes ou ao menos valem enquanto tais (poderia ocorrer apenas um erro subjetivo na avaliação recíproca, e caso um indivíduo lograsse o outro, isso se daria não pela natureza da função social na qual se confrontam, pois esta é a mesma; nela, os dois são <iguais>; mas somente devido à astúcio natural, à arte da persuasão etc.; em suma, unicamente devido à pura superioridade de um indivíduo sobre o outro”. (Marx. 2011: 185). 

A liberdade republicana se escora no trabalho livre em um contraponto ao trabalho compulsório. No modo de produção capitalista, o trabalho livre é o trabalho assalariado, Assim, a revolução republicana seria uma revolução capitalista. Marx parte do poder estética realista realista quando víncula a produção simples de mercadorias e o trabalho industrial capitalista? Ele fornece a imagem textual da prática política econômica da revolução republicana? 

O realismo realista de Robespierre parte da sociedade francesa dividida entre rico e pobre. O problema consiste em legitimar o pobre como cidadão da republica:

“Mas os ricos, os homens poderosos, pensaram de outra forma. Por um estranho abuso das palavras, eles restringiram a certos objetos a ideia geral da propriedade; eles se denominaram os únicos proprietários; eles pretenderam que somente os proprietários fossem dignos do nome de cidadãos; eles chamaram seu interesse particular de interesse geral, e, para assegurar o sucesso dessa pretensão,, tomaram todo o poder social. E nós! Ó fraqueza humana! Nóa que pretendíamos reconduzi-los aos princípios da igualdade e justiça, ainda é com esses absursdos e cruéis preconceitos que procuramos, sem nos darmos conta, criar nossa Constituiçâo”. (Zizek. 2008: 57).

Em uma população de 210 mihões o Brasil tem mais de 100 milhões de pobres que decidem quem será o presidente da república, os parlamentares, governadores e prefeitos. O Brasil é uma república constitucional do pobre com quer Robespierre. A diferença com a França de Robespierre consiste no seguinte; o capital do capitalismo criminoso do Banco controla os meios de comunicação de massa, e um modo de parecer psíquico mass media faz o senso comum das massas trabalhadoras e dos pobres. O rico controla o parlamento e outras instituições estatais em uma dominação do acesso da população à  língua phenylato. Com as big techs das redes sociais, o pobre com celular se torna objeto da língua quimilato de uma prática econômica  da política da representação burguesa. O pobre vota no capitalismo criminoso do Banco contra o Estado socialdemocrata representado pelo Sistema ùnica de Saúde (SUS) e escola pública. O capitalismo criminoso não quer desintegrar essa realidade econômica da prática política republicana de 1988?      

                                                     17

A dromoscopie é uma tela de um poder d’ars hiperbólico, de um realismo absoluto e essencialista. Nees tela, a civilizaçã ocidental é um modo de parecer psíquico desintegrador da sociedade:

“Réfléchir, puisque comme prétendait Paul Klee, <les objets m’aperçoivent …> la phénoménologie des figures, l’origine de la géométrie, voilà mon territoire. L’abstraction n’existe pas, tout figure, l’informe est une novation de l’Occident, le rien, le vide, le néant, mots barbares inaugurés par una civilization de prédateurs, de destructeurs…la nôtre. “ (Virilio. 1984: 16).

A civilização ocidental parece loucura petrificada da história universal? Marx fala da loucura em relação ao poder estético da economia como auri sacra fames, de Vírgilio: 

“quando negativamente, como no dinheiro, ela advém <loucura>; a loucura, entretanto, como um momento da economia e determinante da vida prática dos povos”. (Marx. 2011: 208). 

A relação utilitária entre o objeto e o capital-dinheiro gera a loucura que agencia as afecções enlouquecedoras da metamatéria da língua quimilato dos povos:

“A única utilidade que um objeto pode ter em geral para o capital só pode ser a de conservá-lo e de aumentá-lo. Já vimos, no dinheiro, como o valor autonomizado en quanto tal - ou a forma universal da riqueza - não é capaz de nenhum outro movimento que não seja o quantitativo; o de multiplicar”. (Marx. 2011: 209-210). 

A globalização liberal pós-modernista pôs o capital financeiro no comando da economia, política e cultura:

“O enriquecimento é, assim, uma finalidade em si. A atividade determinante da finalidade do capital só pode ser o enriquecimento, i. e., a expansão, o aumento de si mesmo”. (Marx. 2011: 21). 

Donald Trump 2025 rompeu com a lógica gramatical, retórica, ideológica desse poder estético  de enriquecimento pelo capital financeiro? Pelo dinheiro como riqueza universal? 

Marx:

Fixado como riqueza, como forma universal da riqueza, como valor que vale como valor, o dinheiro é, portanto, o impulso permanente de continuar para além de seu limite quantitativo: processo sem fim. A sua própria vitalidade consiste exclusivamente em que : só se <conserva> como valor de troca diferindo do valor de uso e valendo por si à medida que se <multiplica continuamente> (Marx. 2011: 210).
O dinheiro-capital é a imagem textual da loucura da economia dos povos:

“Tudo o que é dito aqui do dinheiro vale ainda mais para o capital, em que o dinheiro realmente se desenvolve pela primeira vez em sua determinação consumada. Como valor de uso, i. e., como algo útil, só pode se contrapor ao capital enquanto tal aquilo que o aumenta, o multiplica e, por isso, o conserva como capital”. (Marx. 2011: 211). 

O romance econômico do poder estético do dinheiro tem na afecção auri sacra fames a alavanca para o romance do poder d’ars do capital; do capital-dinheiro como forma de governo louco da economia dos povos. Trump quer nacionalizar, americaniza,  o poder estético auri sacra fames. Sua loucura de enriquecimento nacional gera o que se chama ingenuamente de geopolítica estadunidense da atualidade.      

                                                      18

A angustia do capitalista é um fato do modo de parecer psíquico do romance do poder estético do capital;

“o que este último, um ‘frio calculista’ tão mais profundamente angustiado, porque tal prestação de serviço de que agora necessita é imputável exclusivamente à sua universal fraqueza humana, mas de forma alguma[é] desejada por ele em sua <qualidade de capitalista>. (Marx. 2011: 212). 

A relação do capitalista com o mundo gera a angústia dele? O que é o mundo para o angustiado capitalista? é a cultura como quer o antropólogo? 

Lacan: 

“A partir daí, pode-se levantar a questão de saber o que o mundo, o que chamamos de mundo no começo, com toda a inocência, deve ao que lhe é devolvido por esse palco. Tudo o que temos chamado de mundo ao longo da história deixa resíduos superpostos, que se acumulam sem se preocupar minimamente com as contradições> O que a cultura nos veicula como sendo o mundo é um empilhamento, um depósito de destroçõs de mundos que se sucederam e que, apesar de serem incompatíveis, não deixam de se entender muito bam no interior de todos nós”. (Lacan. S. 10: 43). 

Qual mundo angustia o capitalista, isto é, seu mundo? A cultura ocidental? o mundo da angústia do capitalista parece ser gerado pelo  poder estético do realismo mágico? 

“Tudo o que diz claude Lévi-Straus sobre a função da magia e a do mito tem seu valor, desde que saibamos que se trata da relação com o objeto que tem de objeto do desejo”. (Lacan. S. 10: 47)   

Qual é o objeto de desejo do capitalista? É o capital-dinheiro como valor pelo valor, análogo a arte pela arte? Qual a relação da realidade imaginária do capitalista com o dinheiro como riqueza universal? 

Lacan: 

“Isso significa que, em tudo o que é demarcação imaginária, o falo vira, a partir daí, em <i(a)>, o que chamei de imagem real, imagem do corpo funcionando na materialidade do sujeito como propriamente imaginário, isto e, libidinizado, o falo aparece a menos, como uma lacuna. Apesar de o falo ser, sem dúvida, uma reserva operatória, não só ele não é representado no nível imginário, como é também cercado e, para dizer a  palavra exata, cortada da imagem especular”. (Lacan. S. 10: 49). 

Como sujeito da angústia, o capitalista não tem a gramática fálica do capital produtivo industrial em seu imaginário. Ela falta no imaginário do valor pelo valor, do capital pelo capital. A relação do imaginário do objeto do desejo do capitalista com a pulsão é definitivo para o entendimento da angústia? Qual é a pulsão do capital pelo capital, da riqueza monetária como um processo sem fim de acumulação de dinheiro? 

Lacan: 

“uma espécie de trans-espaço, o qual tudo leva a crer, no fim dec contas, que seja feito de pura articulação significante, mas deixando a nosso alcance elementos intuitivos”. (Lacan. S. 10: 49). 

A intuição parece ser a relação do objeto de desejo com a língua metamaterial das afecções? O objeto de desejo é a expressão da química metamaterial, expressão da pulsão como quimilato? 

                                                   19

A angustia do capitalista refere-se a castração imaginária na qual a gramática do capital produtivo é cancelada no imaginário do valor pelo valor na narrativa do capitalista:

“Ora, o que são as histórias senão uma imensa ficção? O que pode assegurar uma relação do sujeito com esse universo de significações senão que, em algum lugar, existe gozo? Isso ele só pode assegurar por meio de um significante, e esse significante falta, forçosamente> Nese lugar da falta, o sujeito é chamado a dar o troco através de um signo, o de sua própria castração”. (Lacan. S. 10: 56). 

o signo da castração é a imagem textual virtual da gramática do capital produtivo - produtor de mais-valia - que falta no imaginário do capitalismo da globalização liberal, por exemplo. O signo não significa o corte com a expressão da pulsão no imaginário. Mas qual pulsão? 

Lacan:

“os objetos oral e anal são aí promovidos em detrimentos de outros” (Lacan. 2003: 224). 

A merda é o objeto pulsional da globalização liberal, do valor pelo valor, do capital pelo capital. Ela significa o objeto expresso da língua quimilato, língua das afecções, lingua da vida. A merda petrificada é a pos-modernidade do imaginário angustiado do capitalista nu. Então, o que pode ser a gramática do capital produtivo no imaginário do capitalista como objeto afeccional de pulsões? 

Lacan:

“Esses outros objetos, nominalmente o olhar e a voz (se deixar-mos para depois o objeto em jogo da castração), fazem corpo com essa divisão do sujeito e presentificar, no campo mesmo do percebido, a parte elidida como propriamente libidinal. Como tais, eles fazem recuar a apreciação da prática intimidada poe eles serem encobertos, através da relação especular, pelas identificações do eu [<moi>] que se pretende respeitar”. (Lacan. 2003: 224). 

A gramática do capital industrial requer um hegemonikon distinto das identificações especular do  eu do capitalista. Esse hegemonikon parece ser o general intellect gramatical (GIG)do romance do poder estético da sociedade industrial capitalista. O hegemonikon GIG é estratégicopara a reprodução amplida do capital industrial e da sociedade produtiva capitalista. Xi Jinping parece ser o hegemonikon pessoal socialista da sociedade industrial  capitalista do mercantilismo capitalista asiático. Enquanto, o americanismo recorre ao nacionalismo economico para escapar da produção da merda petrificada mass media que é o produto na “cultura” do valor pelo valor etc. 

Marx:

“Na verdade, esse trabalhador ‘produtivo’ está tão interessado na merda que rem que fazer quanto o próprio capitalista que o emprega e que não dá a mínima para a porcaria”. (Marx. 2011: 213). 

O trabalhador produtivo doa mass media se mostra bem interessado na merda que produz para a sociedade, porcaria que inunda o trans-espaço da língua quimilato, língua das afecções phenylato. Como general intellect gramatical mass media, o trabalho produtivo digital parece ser produção de merda como expressão pulsional das afecções phenylato.      

                                                   20

A metamatéria petrificada phenylato do romance do poder d’ars do capital se expressa na voz e no olhar do mass media como produção de merda como imagem virtual. Donald Trump 2025 á essa produção de merda mass media nos EUA e nas relações internacionais:

“Aos blocos semânticos dae equilíbrio. Onde o abstrato entr, amarre com arame. Ao lado de um primal deixe um termo erudito; Aplique na aridez intumescência. Encoste um cago ao sublime. E no solene um pênis sujo”. (Manoel de Barros: 302). 

Trump pinta o mundo nacional americano e as relações internacionais com seu pau sujo de merda mass media. Trata-se da nova imagem do déspota mass media. Que corresponde à forma de governo da vida nacional e internacional mass media do cagar sobre o sublime do mundo construído pelo mercantilismo capitalista asiático. O cagar de Trump é legitimado pelo mass media como geopolítica do nacionalismo americano, um pastiche paródico do nacionalismo americano mercantilista do Pai fundador Hamilton do  republicanismo celestial estadunidense. .  

 No romance do poder estético recente, Trump aparece como o antagonista da globalização liberal de Bill Clinton? Ele quer se aproximar do mercantilismo capitalista de Xi Jinping? Daí o campo político paradoxal, imposto por um poder despótico realista fantástico paraconsistente ao mundo cibernético das big techs.    

                                                       21

Na psicologia industrial, interessa saber o quanto o trabalhador suporta o sofrimento do trabalho. No romance do poder estético capital/trabalho, interessa saber a relação do trabalho com o metamaterial com a vida do trabalhador:

“o trabalhador devém coparticipante no desfrute da riqueza universal até o limite de seu equivalente - um limite quantitativo que, aliás, vira limite qualitativo, como em qualquer troca. Mas ele não está vinculado a objetos particulares nem a uma maneira de satisfação particular> Ele nãoi está excluído qualitativamente do círculo de seus prrazers, mas só quantitativamente. Isso o diferencia do escravo, no servo etc [...] Mas o que é essencial é que a finalidade da troca, para ele, é a satisfação de suas necessidades. O objeto de sua troca é objeto imediato da necessidade, não o valor de troca enquanto tal [...] O que ele troca não é por conseguinte, o valor de troca, não é riqueza, mas meios de subsistência, objetos para a preservação de sua vitalidade, para a satisfação de suas necessidades de modo geral, físicas, sociais etc.”. Marx. 2011: 222). 

A relação do valor de troca como riqueza com o metamaterial para no limite da satisfação das necessidades físicas, sociais etc. para preservar sua vitalidade:

“Somente como exceção pode o trabalhador, com força de vontade, força física e perseverança, avareza etc., transformar sua moeda em dinheiro, como exceção de sua classe e das condições gerais de sua existência[<Dasein>]”. (Marx. 2010: 224). 

Para o trabalhador, a relação da riqueza universal com a metamatéria alquilato seria a passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade. Portanto, o paraíso perdido do alquilato é um fato da vida do trabalhador do capital. Ao contrário: 

“Devem se comportar como pura máquina de trabalho e, se possível, pagar inclusive pelo seu desgaste natural. Prescindindo da pura brutalização dai resultante - e uma tal brutalização tornaria impossível inclusive aspirar à riqueza na forma universal, como dinheiro, como dinheiro acumulado - (e a participação dos trabalhadores em prazeres mais elevados, inclusive espirituais; a agitação por seus próprios interesses, assinar jornais, assistir conferências, educar os filhos, desenvolver o gosto etc.; sua única participação na civilização que os distingue dos escravos só é economicamente possível pelo fato de que o trabalhador amplia o círculo de prazeres nos períodos em que os negócios vão bem, significa dizer, nos períodos em que poupar é, até certo ponto, possível)”. (Marx. 2011: 255). 

A relação entre civilização capitalista moderna e a metamaterialidade da vida operária depende da poupança da riqueza universal. Marx incluiria a luta de classe no círculo de prazeres civilizados da classe operária? Aqui, a vida operário pode vincular alquilato e phenylato?  O ódio ao capital pode ser visto como parte do círculo de prazeres do trabalho?           

                                                   22

Com Shakespeare, o mundo é teatro, a realidade objetiva como narrativa ficcional. Com Donald Trump, o mundo se torna o Gabinete do Dr. Caligari, isto é, a realidade americana e a internacional modelada por  problemas psiquiátricos do presidente dos EUA e de sua elite lúmpen-política. De fato, para se conhecer a história do mundo deve-se pôr entre parenteses a polarização ideológica econômica socialismo (China) e capitalismo (EUA). A história do capitalismo mundial ainda se estabelece na relação entre economias nacionais e destas com a economia internacional. Como Xi Jinping não faz da economia chinesa um amontoado ficcional de problemas psiquiátricos, parto da gramática econômica de Xi Jinping:

“devemos empenhar-nos em garantir e melhorar a vida do povo priorizando a garantia das condições de vida das massas de baixa renda, subsidiar os alunos universitários pobres, estabilizar e criar mais empregos e reforçar a construção do sistema de seguridade social urbano e rural. Devemos conscientizar o ovo para fomentar a ideia de melhorar a vida e se enriquecer através de trabalhos laboriosos, fazendo com que a melhoria da vida se torne não apenas o objetivo do Partido e do governo, mas também a própria meta de todo o povo”. (Xi Jinping. v. 1: 136-137). 

A economia nacional chinesa tem uma concepção política de desenvolvimento que faz do pobre seu personagem principal. O Romance do poder estético chinês ergue uma tela gramatical, ideológica e retórica na qual as massas pobres parecem parte da República Popular da China. Como na gramática republicana de Robespierre? Nessa…, não existe política e ideologia para retirar o  pobre   da pobreza. Ao contrário, a gramática de Xi Jinping parte do pressuposto que os pobres devem ser retirar, pelo seu próprio esforço, da pobreza. O subsidiar os estudantes universitários pobres aponta para a relação do pobre com o general intellect gramatical chinês. A ideia de desenvolvimento econômico chinês parte do pressuposto de que o general intellect gramatical deve estar no comando da economia, política e cultura? A produção da mais-valia do general intellect gramatical faz do trabalho produtivo, trabalho criador de capital general intellect gramatical. A engenharia chinesa parece ser o poder d’ars mais extraordinário na história da atualidade nacional e internacional.Enquanto Trump faz da economia um hospício machadiano de Itaguaí, a China  faz do da gramática da mundialização da indústria da época digital e real o poder estético que invade o imaginário mundial.      

                                                            23

No romance do poder estético asiático, a gramática de Xi Jinping pressupõe a passagem do mercantilismo capitalista (governo no comando do mercado) para o capitalismo mercantilista (mercado no comando do governo):

“Na atual situação, os quadros de todos os níveis, especialmente os quadros dirigentes, devem aprofundar seu estudo através da prática, aprofundar as práticas por meio do estudo, estudar novas questões e sintetizar as novas experiências, aprendendo a utilizar de forma correta a ‘mão invisível’ e a ‘mão visível’ e tornando-se assim especialistas em relações entre governo e mercado”. (Xi Jinping. v. 1: 144). 

Mao:

“Até agora, a análise e a síntese não foram claramente definidas. A análise é mais clara, mas pouco foi dito sobre a síntese. Tive uma conversa com Ai Ssu-ch’i. Ele disse que hoje eles só falam sobre síntese e análise conceituais, e não falam sobre síntese e analise práticas objetivas. Como analisamos e sintetizamos o partido Comunista e o kuomintang, o proletariado e a burguesia, os proprietários de terras e os camponeses, os chineses e os imperialistas? (Zizek. 2008:219). 

A conciliação entre o governo e o mercado é possivel graças ao poder estético realista barroco maoista. A meio termo é o general intellect gramatical mundial:

“Em inglês no original: <general intellect>. Cf. a distinção que Marx faz entre o trabalho ‘geral’ e ‘coletivo’ no terceiro tomo de ‘O capital’. ‘Ambos desempenham seu papel no processo de produção, ambos se fundem, mas também ambos se diferenciam. É  trabalho geral todo trabalho científico, toda descoberta, toda invenção. Está condiconado, em parte, pela cooperação com seres vivos e, em parte, pela utilzação dos trabalhos de antecessores’. Em troca, o ‘trabalho coletivo pressupõe a cooperação direta dos indivíduos’ (ou seja, a organização comunista da do sociedade). <Das Kapital>, III, p. 125-126”. (Rosdolsky: 539).

Marx:

“portanto, todos os progressos da civilização ou, em outras palavras, todo aumento das <forças produtivas sociais>, ‘se se quiser, das <forças produtivas do próprio trabalho> - tal como resultam da ciência, das invenções, da divisão e combinação do trabalho, do aperfeiçoamento dos meios de comunicação, da criação do mercado mundial, da maquinaria etc. - não enriquecem o trabalhador, mas o <capital>; em consequência, só ampliam o poder que domina o trabalho; só multiplicam a força produtiva do capital. Como o capital é a antítese do trabalhador, tais progressos aumentam unicamente o ,poder objetivo> sobre o trabalho. A <transformação do trabalho:> (como atividade viva, intencional) em <capital> é em si o resultado da troca entre capita e trabalho, porquanto a troca confere ao capitalista o direito de propriedade sobre o produto do trabalho (e o comando sobre  trabalho). A tranformação só é posta no próprio no próprio <processo de produção. Portanto indagar-se se o capital é produtivo ou não, é uma questão absurda. O próprio trbalho s´é <produtivo> quando incorporado ao capital, ali onde o capital constitui o fundamento da produção e o capitalista, portanto, é o comandante-em-chefe da produção”. (Marx. 2011; 241). 

O capitalismo mercantilista asiático é o general intellect gramatical como produtor de mais-valia metamaterial - no espaço cibernético internacional?       

                                                     24

O romance do poder estético capital/trabalho aguarda uma ciência política materialista? E mais ainda - uma ciência política metamaterialista? 

Sobre os modos de produção, trabalho e riqueza:

“Eles deixaram de ser escravos, não para se tornarem trabalhadores assalariados, mas para se converter em ‘camponeses autossuficientes’ que trabalham o estritamente necessário para o consumo próprio. No que se refere a eles, o capital como capital não existe., porque, em geral, a riqueza autonomizada só existe seja pelo trabalho forçado <imediato>, a escravidão, seja pelo trbalho forçado <mediado>, o <trabalho assalariado>. A riqueza não se confronta com  trabalho forçado imediato como capital, mas como <relação de dominação>; por essa razão, com base no trabalho forçado imediato, também só é reproduzida a relação de dominação para a qual a própria riqueza só tem valor como fruição, não como riqueza propriamente dita, relação que, por isso, jamais pode criar a <industria universal>”. (Marx. 2011: 256). 

A ciência política materialista do capital pensa o capital como ersatz da dominação do modo de produção de riqueza com trabalho forçado imediato que não é capital. Como capital, o trabalho forçado não parece ser trabalho forçado imediato ao produzir mais-valor, isto é, <Mehrwert>. (Marx. 2011: 247). O trabalhador assalariado não sabe que produz mais-valor para o capital. Assim, a luta de classe na tela do romance do poder estético tem no economista seu artista da ideologia econômica da prática política do capital:

“Para justificar o capital, para fazer sua apologia, os economistas buscam abrigo, por essa razão, nesse processo simples, explicam o capital justamente por um processo que torna sua existência impossível. Para demonstrar o capital, o demonstram omitindo-o. Vove me paga o meu trabalho, troca meu trabalho pelo produto dele próprio e me desconta do valor da matéria-prima e do material que você me forneceu> Isso significa que somos <sócios>, que introduzims diferentes elementos no processo de produçãoe os trocamos de acordo com o seu valor.  Dessa maneira, o produto é transformado em dinheiro e  dinheiro é dividido de tal modoque você, capitalista, recebe o preço de sua matéria-prima e de seu instrumento, e eu, trabalhador, recebo o preço que o trabalho acrescentou a eles”. (Marx. 2011: 253). 

Marx revela um pder d’ars realista mágico para as consciência do capitalista e do trabalhador, poder estético do capital que estabelece o caráter do trabalho forçado imediato do assalariado:

“Se, ao contrário, é necessária, por exemplo, somente meia jornada de trabalho para conservar vivo um trabalhador por uma jornada de trabalho inteira, o mais-valor do produto resulta evidente, visto que, no preço, o capitalista pagou só meia jornada de trabalho e recebe, no produto, uma jornada inteira em forma objetivada; por conseguinte, não deu <nada> e troca da segunda metade da jornada de trabalho. Não é troca, mas unicamente um processo em que recebe, sem troca, <tempo de trabalho objetivado>, i,e., <valor>, que pode fazer dele um capitalista. A meia jornada de trabalho <nada> custa ao capital: em consequência, ele recebe um valor pelo qual não deu nenhum equivalente. E o aumento dos valores só ode se dar porque é obtido um valor acima do equivalente, portanto, porque um valor <é criado>”. (Marx. 2011: 254-255). 

Não se trata da forma de governo republicana capital/trabalho, na qual capital e trabalho são troca de valor equivalentes; não se trata da <igualdade> republicana entre rico capitalista e pobre assalariado na prática política da cidadania capital/trabalho. Assim, não há crítica da economia política desvinculada da ciência política materialista de Marx e Engels. A ciência política materialista não é já o poder estético do romance da revolução social? Um poder estético que não cabe nos gêneros literários antes da revolução social dos trabalhadores: 

“A revolução social do século XIX não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro. Não pode iniciar sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa do passado. As revoluções anteriores tiveram que lançar mão de recordações da história antiga para se iludirem quanto ao próprio conteúdo. A fim de alcançar seu próprio conteúdo, a revoluçao do século XIX deve deixar que os mortos enterrem seus mortos. Antes a frase ia além do conteúdo; agora é o conteúdo que vai além da frase’. (Marx. 1974: 337). . 

                                                              25

O mais geral na tela gramatical, retórico, ideológico de Marx é a relação entre história e natureza. A partir da modernidade, o mais geral é a relação entre história do capital e natureza? Assim, parto da relação entre a história do romance estético do capital e a natureza, hoje, como metamaterialidade química, quimilato. A história do romance do poder estética é um processo sem fim, sem limites da realidade objetiva da natureza? Estaria pensando em crise climática em relação a esse processo sem fim do capital? Depois, que a China fez do capital produtivo seu motor histórico de desenvolvimento da China eterna, não é necessário e urgente um retorno a Marx?

Marx:

“por outro lado, a produção de <valor excedente relativo, i. e., a produção de valor excedente fundada no aumento e no desenvolvimento de forças produtivas, requer a produção de novo consumo; requer que o círculo de consumo no interior da circulação se amplie tanto quanto antes se ampliou o círculo produtivo. Primeiro, ampliação quantitativa do consumo existente; segundo, criação de novas necessidades pela propagação das existentes em um círculo mais amplo; terceiro, produção de novas necessidades e descobertas e criação de novos valores de uso”. (Marx. 2011: 332-333).                                                          

                                                         26

Marx:

“Em outras palavras, para que o trabalho excedente ganho não permaneça simples excedente quantitativo, mas para ao mesmo tempo o círculo das diferenças qualitativas do trabalho (e, com isso, do trabalho excedente) seja continuamente aumentado, diversificado e mais diferenciado em si mesmo [...] O valor da antiga indústria é conservado [pelo fato de] que é criado um fundo para uma nova indústria, onde a relação entre o capital e trabalho se põe em uma forma nova.. Daí a exploração de toda a natureza para descobrir novas propriedades úteis das coisas; troca universal de produtos de todos os climas e países estrangeiros; novas preparações (artificiais) dos objetos naturais, com o que lhes são conferidos novos valores de uso [...] A exploração completa da Terra, para descobrir tanto novos objetos úteis quanto novas propriedades utilizáveis dos antigos”. (Marx. 2011: 333).

A fronteira da natureza para o capital fez a passagem da natureza natureza para a natureza metamaterial do homem; as afecções quimilatos se transformaram em objeto natural útil para a acumulação de capital. A afecção advém capital; homem, mulher, criança advém capital.  [O gelo da Groenlândia advirá capital como os novos objetos na medida em que a água e afecções se tornarem utilidade marginal, valor subjetivo]; a natureza toda congelada advirá capital subjetivo marginal:

“bem como suas novas propriedades como matérias-primas etc.; daí o máximo desenvolvimento das ciências naturais; similarmente, a descoberta, criação e satisfação de novas necessidades surgidas da própria sociedade; o cultivo de todas as qualidades do ser humano social e sua produção como um ser, o mais rico possível em necessidades, porque rico em qualidades e relações - a sua produção como um produto social universal o mais total possível (porque, para um desfrute diversificado, tem de ser capaz de desfrute e, portanto, deve possuir um elevado grau de cultura) tudo isso é igualmente uma condição da produção baseada no capital. Isso não é só divisão do trabalho, essa criação de novos ramos de produção, isto é, de tempo excedente qualitativamente novo; mas a venda de determinada produção dela mesma como trabalho de novo valor de uso; o desenvolvimento de um sistema abrangente em constante expansão de modos de trabalho, modos de produção, aos quais corresponde um sistema de necessidades constantemente ampliado e mais rico”. (Marx. 2011: 333).     

A gramática-retórica-ideologia do general intellect gramatical (GIG) e o próprio GIG advém capital em uma produção de necessidades universal metamaterial quimilato. Tudo advém capital em uma indústria universal quimilato? O capital é potência e ato em ato plotiniano de necessidades metamateriais de uma indústria universal; assim desaparece a fronteira entre indústria universal e natureza quimilato em geral. A natureza abre as comportas para a indústria da metamatéria milenarista.      

                                                               27

No fim do século XX, Jean Baudrillard anunciou o fim da gramática da economia política no livro “Da sedução”. A contrarrevolução extrarrepublicana da globalização liberal pós-modernista:

“A ordem estabelecida nada pode contra isso, pois a lei é um simulacro de segunda categoria enquanto que a simulação ´é de terveira categoria, para além do verdadeiro e do falso, para além das equivalências, para além das distinções racionais sobre a sobre as quais funcionam todo o social e todo o poder. É pois aí, < na falta do real>, que é preciso fazer pontaria à ordem”. (Baudrillard, Jean. simulacros e simulação. Lisboa: Relógio D’água, 1991: 31). 

A China é a revolução da gramática da economia política a partir de Marx e Mao. Nela, o capital produtivo comanda o capital financeiro da globalização. Marx é restaurado como história da economia política mundial:

“Portanto, da mesma maneira que a produção baseada no capital cria, por um lado, a indústria universal - isto é, trabalho excedente, trabalho criador de valor-, cria também, por outro ado, um sistema de exploração universal das qualidades naturais e humanas, um sistema da utilidade universal, do qual a própria ciência aparece como portadora tão perfeita quanto todas as qualidades físicas e espirituais, ao passo que nada aparece elevado-em-si mesmo-legítimo-em-si-mesmo fora desse c´rculo de produção e trocas sociais”. (Marx. 2011: 333). 

A gramática asiática da economia política faz do general intellect gramatical mundial <capital> Aí, tem-se a subsunção do general intellect gramatical ao capital asiático com motor da história econômica universal. A passagem do mercantilismo capitalista ao capitalismo mercantilista é uma lógica e história natural da economia política chinesa da indústria universal e do <consumo universal>. A identidade entre produção e consumo substitui a contradição entre produção de valores de troca e consumo de valores de uso; a diferença entre produção e consumo se evanesce e o efeito é uma nova sociedade de classe sociais asiática como ideal da economia política metamaterial quimilato. A China estabelece uma economia política internacional na qual há conciliação barroca entre o nacional mercantilista e o cosmopolitismo do comércio mundial.      

                                                        28

O capital revoluciona a metamatéria quimilato do general intellect e destrói, ao mesmo tempo,  a natureza; transforma o general intellect em general intellect gramatical da civilização do capital e cria a sociedade burguesa; o capital retira da natureza ser parecer de poder estético realista fantástico - que modela a metamatéria quimilato mitológica; o capital modifica a matéria e o espírito de língua de necessidade física em língua de necessidade metamaterial phenylato/alquilato:  

“Nos estudos preliminares à <Crítica da economia política> encontra-se uma versão, segundo a qual a história da espécie humana está comprometida com uma conversão automática de ciência natural e a tecnologia em uma autoconsciência do sujeito (<general intellect>) que controla o processo da vida material”. (Habermas.61982:4).

Marx:

“Dessa forma, é só o capital que cria a sociedade burguesa e a apropriação universal da natureza, bem como da própria conexão social pelos membros da sociedade. ‘Daí a grande influência civilizadora do capital’; sua produção de um nível de sociedade em comparação com o qual todos os anteriores aparecem somente como desenvolvimentos locais da humanidade e como idolatria da natureza. Só então a natureza torna-se puro objeto parao homem, pura coisa da utilidade; deixa de ser reconhecida como poder em si; e o próprio conhecimento teórico das suas leis autônomas aparece unicamente como ardil para submetê-la às necessidades humanas, seja como objeto de consumo, seja como produção. O capital, de acordo com essa sua tendência, move-se para além tanto das fronteiras e dos preconceitos nacionais quanto da divinização da natureza, bem como da satisfação tradicional das necessidades correntes, complacentemente circunscrita a certos limites, e da reprodução do modo de vida anterior. O capital é destrutivo disso tudo e revoluciona constantemente, derruba todas as barreiras que emendem o desenvolvimento das forças produtivas, a ampliação das necessidades, a diversidade da produção e a exploração e a troca das forças naturais e espirituais”. (Marx. 2011: 334). 

Enfim, repito, como general intellect gramatical, o capital é potência e ato em ato plotiniano. 

                                                     29

O fim do Estado na hist´ria universal hegeliana parece ter um desfecho final com o capital desintegrando, paulatinamente, o Estado territorial nacional? 

Marx:

“portanto, de acordo com sua natureza, o capital põe um <obstáculo> para o trabalho e a criação de valor que está em contradição com sua tendência de expandi-los contínua e ilimitadamente. E uma vez que tanto põe obstáculo que lhe é <especifico> quanto põe um obstáculo, o capital é a contradição viva”. (Marx. 2011: 345). 

O estado territorial nacional se tornou obstáculo á expansão ilimitada do capital. Esse é a razão do capital desossa o Estado? 

Marx:  

“Na relação escravista, não causa nenhum mal-estar aos senhores o fato de que os trabalhadores não concorrem com eles como consumidores. (A <produção de luxo>, tal como tem lugar na Antiguidade, é de fato um resultado necessário da relação de escravidão. Não é a superprodução, mas o <superconsumo> e o <consumo ensandecido> que convertidos no monstruoso e bizarro, marcaram o declínio do antigo sistema de Estados”. (Marx. 2011: 356). 

O que faz desaparecer o sistema de Estado da antiguidade é o modo de produção escravista estabelecendo a afecção quimiiato aura sacra femmes como superconsumo,e consumo louco de luxo; O que faz desaparecer o Estado territorial nacional á a auri sacra femmes como capital que na sua expansão tem o Estado como obstáculo. Por outro lado, o Estado republicano protege as afecções quimilato como direito fundamental individual e o direito político das massas como revolução barroca republicana. O capital tem que desintegrar o Estado republicano, e, por conseguinte, as massas republicanas. O capital é a contradição viva com o republicanismo das massas revolucionárias. 

                                                      29

Há o tempo louco da febre da riqueza (ouro, “Minas de prata”). Há o tempo louco shakespeariano:

“O que se diz aqui do tempo é válido também, por conseguinte, ou por isso mesmo, para a história, mesmo se esta última pode consistir em consertar, nos efeitos de conjuntura, e se trata qui do mundo, a disjunção temporal: <The time is out of joint>, o tempo está desarticulado, demitido, desconjuntado, deslocado, o tempo está desconcertado, concertado e desconcertado, desordenado, ao mesmo tempo, desregrado e louco. O mundo está fora dos eixos, o mundo se encontra deportado, fora de si, desajustado. Diz Hamlet”. (Derrida: 1994 34-35).

Há o tempo louco do romance do poder estético do capital?

Marx:

“A capacidade de trabalho não sai mais rica do processo, sai mais pobre do que nele entrou. Pois não só fabricou as condições de trabalho necessário como condições pertencentes ao capital, mas a valorização inerente a ela como possibilidade de criação de valor, que agora existe igualmente como valor excedente, produto excedente, em uma palavra, como capital, como domínio sobre a capacidade de trabalho viva, como valor dotado de poder e vontade próprios, confrontando-a em sua pobreza abstrata, inobjetiva, puramente subjetiva”. (Marx. 2011: 372). 

O capital é poder sobre a capacidade de trabalho em um tempo louco do poder do capital realista fantástico como vontade própria:

“A capacidade de trabalho viva produziu não só a riqueza alheia e a própria pobreza, mas também a relação entre essa riqueza, como riqueza que se relaciona consigo mesma, e ela própria, como a pobreza de cujo consumo a riqueza extrai para si novas energias vitais e se valoriza outra vez, Tudo isso resulta da troca [...] seu próprio produto, posto por ela mesma, tanto como sua própria objetivação quanto como sua objetivação enquanto um poder dela própria independente, poder que antes domina, a domina por meio de sua própria ação”. (Marx. 2011: 372). 

A prática do trabalho objetivado em capital é um poder realista fantástico de domínio sobre o trabalhador. A relação governante/governado, dominante/dominado, desaparece no sistema  fabril. A forma de governo despótica do capital é um poder realista fantástico criado pelo trabalho objetivado como valor do capital. Não são leis econômicas (Duménil; 1978) do capitalismo, e sim uma tela de gramática do trabalho objetivado produtor de mais-valor: < De te fabula narratur! (Sur toi c’est ici rapporté!”,        

                                                             30

Marx não concebe a realidade como o homem ingênuo ou empírico. Para este, a realidade é feita de encadeamentos de fatos sem teoria, ou pior, sem gramática, ideológica, retórica:

“Aqui desapareceu a aparência, ainda presente na primeira consideração do processo de produção, de que o capital, por sua vez, traria consigo um valor qualquer da circulação. Em lugar disso, as condições objetivas do trabalho aparecem agora como produto do trabalho - seja como valores em geral, seja como valores de uso para a produção. No entanto, se desse modo o capital aparece como produto do trabalho, o produto do trabalho aparece igualmente como capital - não mais como simples produto nem como mercadoria permutável, mas como <capital>; trabalho objetivado como domínio, comando sobre o trabalho vivo. Também aparece como produto do trabalho o fato de que seu produto aparece como <propriedade alheia>, como modo de de existência autônomo como <valor> existente por si mesmo; o fato de que o produto do trabalho, o trabalho objetivado, é dotado de alma própria pelo trabalho vivo e se fixa diante dele como <poder estranho> (Marx. 2011: 373). 

O que é afinal o trabalho objetivado ou produto enquanto um poder estranho? Poder estranho frente ao trabalho vivo. Um poder realista ou nominalista? o trabalho:

“põe a si mesmo como mera capacidade de trabalho carente e privada de substância diante dessa realidade estranhada, que não pertence a ele, mas a outro; que põe sua própria realidade não como um ser para si, mas como mero ser para outro e também, portanto, como mero ser-outro, ou ser do outro contra si mesmo [...] São as possibilidades latentes no próprio seio do trabalho que, em virtude do processo de produção, existem fora dele como efetividades - mas como efetividades que lhe são <alheias> -, que constituem a riqueza em oposição ao trabalho”. (Marx. 2011: 373). 

 Trata-se do proprietário da realidade da produção de riqueza; A riqueza com realidade estranhada para o trabalho; A riqueza como um poder estranho e alheio ao trabalho, a riqueza como propriedade do capital na medida em que ela é valor de troca: Essa riqueza é um poder estético que no auri sacra femmes mostra sua realidade estranhada para o trabalho; A relação do poder da riqueza com a língua quimilato cria um realidade estranhada para o trabalho; A riqueza não é um poder realista para o trabalho, e sim um poder nominalista; Ela torna estranho para o trabalho a língua como valor-de-troca/valor-de-uso no espelho da realidade do trabalho objetivado. O valor-de-uso da força de trabalho pelo capital cria o trabalho excedente que é, ao mesmo tempo, capital. Essa realidade não é empírica e não está ao alcance da consciência da classe operária? Traço de um longo e intenso debate dos marxistas europeus. Traço que se faz presente, com Lenine,  na revolução russa; a consciência revolucionária da classe operária vem de fora dela, advém do partido revolucionário de Marx e Engels; a consciência tem como fonte a língua phenylato das afecções como o ódio ao capitalista e língua alquilato com o amor ao partido revolucionário.O poder nominalista do partido revolucionário cria a língua revolucionária do trabalho vivo como trabalho objetivado? Um general intellect gramatical de um poder nominalista revolucionário faz pe

                                                     31

A história da língua quimilato [e do discurso político] é o combate eterno entre o poder estético realista e o nominalista:

Dupré:

“la garantie traditionnelle, selon laquelle les mots utilisés adéquatement touchent le réel comme il est en lui-même, fait défaut”. 

“Cette dissolution du lien médiéval avec la réalité a changé de manière essentielle la nature du langage dans son rapport à la réalité. En détachant les mots des choses, elle a fourni une condition indispensable, bien que négative, à ce que la langage se développe librement au-delà de sa fonction de nommer le réel. La langage n’avait bien sûr jamais été <purement> référentiel. sans quoi la poésie n’aurait pu exister, pourtant la pleine conscience de l’indépendance du <verbum> dans son rapport à la <res> existai à peine avant la philosophie nominaliste. Sans le vouloir, elle créa un espace plus large pour la créativité métaphorique. Le nominalisme a gardé de manière conséquente sa méfiance à l’égard de l’écran verbal se trouvant entre l’esprit et l’observation directe, qui nous donne seule accès à la réalité”. (Rorty. 1994: 45). 

A realidade é constituída ou pelo romance do poder estético realista ou romance nominalista, como o romance do capital, em Marx. O capital é um poder estético nominalista como potência e ato em ato na língua quimilato da modernidade petrificada?              

                                                         32

O Estado hegeliano de Gramsci é aparelho de Estado e aparelho de hegemonia. É uma concepção quase idealista. Marx pensa o Estado na gramática do capital como Estado jurídico que articula o direito de propriedade capitalista à prática econômica do proprietário capitalista:

“A relação de troca , por conseguinte, é totalmente cancelada, ou é ,pura aparência>. Além disso, o direito de propriedade aparecia originalmente fundado no próprio trabalho. Agora, a propriedade aparece como direito sobre o trabalho alheio e como impossibilidade do trabalhador de se apropriar do próprio produto. A separação completa entre propriedade e trabalho, e, mais ainda, entre riqueza e trabalho aparece agora como consequência da lei que partiu de sua identidade”. (Marx. 2011: 376-377). 

A propriedade fundada no próprio trabalho seria isso um efeito do poder realista realista da não separação completa entre propriedade e trabalho, entre riqueza e trabalho. A separação completa já é efeito de um poder realista fantástico do capital como proprietário do Estado jurídico? Diz Marx, Estado burguês-jurídico como comitê do capital.    .  

Marx:

“na medida em que a relação do capital excedente II com o capital excedente I é uma consequência, portanto, dessa primeira relação -, vemos que, por uma estranha consequência, o direito de propriedade de parte do capital converte-se dialeticamente no direito sobre o produto alheio ou no direito de propriedade sobre o trabalho alheio, o direito de se apropriar do trabalho alheio sem equivalente, e da parte da capacidade do trabalho viva, na obrigação de se relacionar com seu próprio trabalho ou seu próprio produto como <propriedade alheia>. O direito de propriedade converte-se de um lado, no direito de se apropriar de trabalho alheio e, de outro, na obrigação de respeitar o produto do próprio trabalho e inclusive como valores pertencente a outros. No entanto, a troca de equivalentes, que aparecia como operação original e era expressa juridicamente pelo direito de propriedade, mudou de tal maneira que de um lado, a troca é só aparente, uma vez que a parte do capital trocada por capacidade de trabalho viva ém em primeiro lugar, ela própria trabalho alheio apropriado sem equivalente”. (Marx. 2011: 376). 

O Estado do capital não estabelece uma igualdade entre capital e trabalho.  O Estado do capital jamais será uma forma de governo republicana. Assim , a prática política da modernidade petrificada é esse antagonismo permanente entre o Estado do capital e o Estado republicano. A riqueza produzida pelo trabalho excedente jamais será republicana. Uma outra superfície da prática política é a apropriação do mais-valor público, fiscal, entre as classes sociais de uma república em subsunção ao Estado jurídico do capital.    

                                                          33

Com o <marxismo ocidental>, a luta do partido idealista contra o partido materialista (Lenin. 1975: 267-268) cria um campo de combate do idealismo que se caracteriza pelo abandono da crítica da economia política. Assim, o materialismo na gramática de Marx se torna um problema estratégico para a luta de classe e revolução social. No idealismo marxista, o Estado não é parte da gramática da economia política do capital. A própria subjetividade deixa de ser tratada como um problema materialista, ao contrário de Marx:

“As condições objetivas da capacidade de trabalho viva são pressuostas como existência autônoma frente a ela, como a objetividade de um sujeito distinto e autonomamente contraposto a ela; a reprodução e a valorização, i. e., a ampliação dessas condições objetivas, são ao mesmo tempo, por essa razão, a sua reprodução e nova produção com a riqueza de um sujeito estranho, indiferente e autonomamente contraposto à capacidade de trabalho.O que é reproduzido e produzido de novo não é somente a existência dessas condições objetivas do trabalho vivo, mas sua existência com valores autônomos, i. e., pertencentes a um sujeito estranho, ante a capacidade de trabalho viva. As condições objetivas do trabalho ganham existência subjetiva diante da capacidade de trabalho viva - do capital surge o capitalista; por outro lado, a existência simplesmente subjetiva da capacidade de trabalho ante suas próprias condições confere-lhe uma forma meramente objetiva e indiferente em relação a elas - a capacidade de trabalho é só um valor de uso particular ao lado das próprias condições de sua valorização como valores de outro valor de uso”. (Marx. 2011: 379). 

O valor de uso da capacidade de trabalho produz a valorização do capital, o capital como mais-valor. O trabalho excedente que produz e reproduz o capital é parte da modernidade de objetivação, isto é, da modernidade petrificada do capital. O romance do poder estético da riqueza de um sujeito estranho à capacidade objetiva de produção de mais-valor.    

A capacidade de trabalho do trabalho vivo sob comando do capital não gera a <subjetividade> da classe operária. Como trabalho objetivado, ela gera um sujeito estranho à qualquer subjetividade de classe. A republica operária necessita da subjetividade operária que na gramática do capital inexiste, O capitalista é essa subjetividade estranha como resultado da gramática econômica do capital. No realismo terra plana do marxismo vulgar, a subjetividade da classe operária não é posta a partir da gramática econômica do produção de mais-valor, do trabalho excedente objetivado como capital na reprodução ampliada do capital, da fabricação da sociedade capitalista que exclui a subjetividade operária. Esta será, então, uma conquista da luta de classe no processo da passagem da classe em si sem subjetividade para a classe para si como emancipação do capital, como subjetividade materialista revolucionária:

“A capacidade de trabalho comporta-se em relação ao trabalho vivo, como algo estranho - e o é também no que diz respeito à sua orientação etc. - quanto o material e o instrumento. Por essa razão, o produto também se apresenta à capacidade de trabalho como uma combinação de material alheio, instrumento alheio e tra balho alheio - como <propriedade alheia> -, e, após a produção, ela fica unicamente mais pobre de energia vital despendida, mas, de resto, recomeça a lide como capacidade de trabalho simplesmente subjetiva, existente separada de suas condições vitais. Reconhecer os produtos como seus próprios produtos e julgar a separação das condições de sua efetivação como algo impróprio e imposto à força - sto é uma consciência formidável, produto ela própria do modo de produção fundado no capital, e o dobre de finados desse modo de produção, da mesma maneira que que, com a consciência do escravo de que ele não pode ser a propriedade de um terceiro, com a sua consciência como pessoa, a escravidão só pode continuar vegetando em uma existência artificial e deixou de poder continuar como base da produção”. (Marx. 2011:380). 

 Assim como a subjetividade do escravo, a subjetividade operária parece ser um fenômeno revolucionário, pois faz com que escravo e operário tomem consciência do modo de produção como romance do poder estético, seja do senhor, seja do capitalista; romance no qual ele escravo e operário parece ser um sujeito estranho, pois, alheio à distribuição da riqueza que ele mesmo produz.   

                                                           34

É possível observar a evolução de uma cultura nacional pela nacionalização da ultima síntese da cultura mundial? Marx é a última síntese da cultura mundial. No Brasil, há a nacionalização de Marx como aconteceu na Rússia de Lenin? O último esforço que vale a pena de ser mencionado da nacionalização da gramática da economia do capital de Marx se deu com o professor paulista Luís Pereira na década de 1970. O contexto é o combate que Parreira faz ao marxismo ocidental e ao marxismo americano de Paul Baran e Paul Sweezy. Ao analizar o capitalismo monopolista americano, eles substituíram o mais-valor pela categoria de excedente econômico. (Pereira. 1977: 76-90). Pereira restaura o mais-valor na análise do capitalismo monopolista. Adversário de luiz Pereira na USP, a obra mais importante de Florestan Fernandes segue Baran e Sweezy, em seu “ A Revolução burguesa no Brasil”. (Fernandes; 1987). Luiz Pereira introduziu  Althusser  na USP, gramática inimiga do marxismo-weberiano de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Luiz passou para o althusserianismo graças a seus alunos cariocas, meus amigos do grupo de Manoel de Barros, Severino Cabral e Carlos Henrique Escobar. Luiz Pereira fez a crítica do althusserianismo e do marxismo americanas, por estes serem uma ideologia idealista na gramática econômica do capital de Marx:

“Em última análise, a proposição de Poulantzas - de que na etapa concorrencial do modo de produção capitalista a instância econômica é a dominante sobre as demais e de que na etapa monopolista desse modo de produção é a instância jurídico-política a dominante sobre as outras - guarda analogia - no que se refere à supra-estrutura do modo de produção capitalista - com a proposição de Baran e Sweezy referente à infra-estrutura da mesma etapa monopolista do desenvolvimento desse modo, ao proporem, para esta, a ‘lei do excedente econômico crescente’ em substituição à lei da baixa tendencial da taxa de lucro’admitida por eles como válida apenas para a etapa concorrencial”. (Pereira. 1977: 88). 

Florestan e FHC não operam com o mais-valor e sim com excedente econômico? Isso claramente é um fato gramatical em Florestan Fernandes, o chefe da escola marxista-weberiana da USP. Parece que FHC não chegou ao capitalismo monopolista americano, ultima etapa do capitalismo mundial na década de 1970. FHC faz a leitura weberiana de Marx na sua teoria sobre capitalismo dependente na América Latina.. Meu  livro “Teoria global do capitalismo” é uma resposta à nacionalização de Marx pela USP. (Bandeira da Silveira; 2020).          

                                                           35

Os marxistas brasileiros não entenderam, como Luiz Pereira entendeu,  direito a função da lógica materialista gramatical do conceito de conjuntura:

“Sem apelar a nenhuma das correntes existentes no interior do materialismo histórico, pode-se denominar <conjuntura política> cada ‘momento atual da luta de classes numa formação social que reproduz o modo de produção capitalista. (Pereira. 1977: 98). 


A conjuntura apresenta a luta de classe de distintos momentos e, portanto, as diferentes gramáticas conjunturais da sociedade capitalista. Ela parece ser a verdade gramatical, retórica, ideológica de diferentes sociedades capitalistas, seja no país desenvolvido, seja no subdesenvolvido. A conjuntura da década de 1970 é completamente diferente das décadas do regime econômico de 1988:

“Em muitos textos gramaticalizei a sociedade de comunicação de massa no comando da política e cultura fazendo pendant com as gramáticas da história econômica do capitalismo. A sociedade de comunicação de massa é o espaço juridicamente vazio do estado de exceção, espaço entre o estado de natureza (violência) e o estado de direito no qual a lei parece vigorar na ficção de sua dissolução. O país sob comando da gramática do mass media faz da lei mais doque ficção, pois, a lei ou o discurso do direito funciona como aparências de semblância natural (Arendt: 30-31)”. 

“Se o capitalista é o proprietário dos meos de produção econômicos, o mass media é o proprietário da realidade. Uma periodização na história do século XX começa com o mass media como soberano na politica e cultura e como discurso em ato do capitalismo. O mass media se constitui como uma gramática do monopólio das aparências de semblância (Debord: 20) até o surgimento do cyber”. (Bandeira da Silveira. 2019a: 180). 

A conjuntura cyber é distinta da conjuntura do mass media eletrônico? O ciberespaço fez um laço gramatical entre saber acadêmico, mass media digital e corporações multinacionais de espionagem cibernéticas. As instituições econômicas empresariais, governos e organizações criminosas compram os serviços da Capgemini, multinacional francesa que vende serviço de espionagem para um mercado público e privado, legal e ilegal: a mercadoria do capital da comunicação de massa não tem pátria ou statuto jurídico. Essa é a conjuntura de 2026. Nela, governo é gramática:

“Le philosophe m’aurait-il pas le droit de s’élever au-dessus de la foi qui régit la grammaire? Tous nos respect aux gouvernantes; mais ne serait-il pas temps pour la philosophie d’abjurer la foi des gouvernantes”. (Nietzsche. 1971: 54). 

Soma a Nietzsche que se trata do governo da gramática em um romance do poder estético de uma conjuntura mass media digital- acadêmica da multinacional francesa cibernética Capgemini.O poder estético governamental digital da Capgemini não desterritorializa  a soberania do Estado territorial nacional?  

                                                                    34

A análise da conjuntura política mundial a partir da gramática do capital é uma forma de nacionalização de Marx:

“desgraçadamente se lê a história política atual como algo comum aos países na Europa, Estados Unidos e América Latina. Trata-se de uma versão da história para consumo do mass media. Como a linguagem neoliberal da história econômica domina o Ocidente isto cria a ilusão de que a política é a ascensão da extrema direita nos dois continentes. O extremismo é um efeito da gramática neoliberal no capitalismo subdesenvolvido industrial na Europa - e do capitalismo subdesenvolvido com sociedade industrial em colapso na América Latina”. 

“Outro erro comum é atribuir ao capital cibernético da sociedade de comunicação a ascensão do extremismo. Donald Trump usou a internet (assim como Obama) para alavancar sua chegada ao pode americano. O Brexit também faz parte desse fenômeno cibernético generalizado. Todavia, Trump e Brexit só se tornaram inteligíveis a partir das gramáticas do campo de poderes americana e inglesa. Essa história ainda não foi escrita por causa da vida preguiçosa confortável, intelectual das universidades anglo-americana”, (Bandeira da Silveira. 2019b: 129).

O romance do poder estético da gramática do capital tem na prática política mundial sua inteligibilidade. Donald Trump 2025 atacou de frente a universidade americana procurando desintegrar o poder estético da universidade. Qual a relação com a gramática do capital? A China de hoje criou a gramática econômica do capitalismo mercantilista fazendo pendant com o multilateralismo. Trump iniciou uma resposta com a gramática mercantilista capitalista com bilateralismo e destruição do multilateralismo. Isso é a conjuntura mundial de 2026. O extremismo de Trump e a política moderada de Xi Jinping  são um reflexo do combate da gramática do capital asiático versus a gramática do capital americano. A velocidade da mudança de conjuntura se deve. O extremismo mercantilista trumpista não parece “explicar” retroativamente o “fascismo” latino-americano; a conjuntura neoliberal se deveu à gramática econômica da globalização liberal do capital financeiro.   

“A política no Chile se tornou prisioneira da dialética direita versus esquerda, pois, ambas, no frigir dos ovos, são articuladas pela linguagem neoliberal. O campo neoliberal é o ponto de partida para o estudo da história chilena. Pois, ele destruiu o campo da esquerda socialista, pelas armas, destruição aprofundada com a contrarrevolução monetarista neoliberal de Pinochet. O espectro de Pinochet pesa como chumbo na dialética da política como campo de saberes/poderes no chile de Hoje”. (Bandeira da Silveira. 2019b; 129-130). 

Um político ligado a Pinochet venceu a eleição de 2025 contra a esquerda chilena. Porém, a conjuntura mundial não é a mesma de Pinochet se compararmos a gramática do capital de hoje com a de ontem. O neoliberalismo latino-americano insiste na prática da privatização do Estado e da sociedade. Tal movimento político é extemporâneo em relação às gramáticas do capital asiática ou americana. O mercantilismo de Trump é um desejo fraco de estatizar a economia americana. Aos trancos e barrancos Trump quer criar um novo lugar para  Estado territorial nacional na gramática do capital americana. Uma imagem da vida americana de ponta-cabeça.           

                                                       35

Entra-se em uma conjuntura de país desenvolvido com a utopia do capital cibernético como o grau zero do homem. O homem fungível substituído pela máquina.  A utopia quer a emancipação do capital em relação à capacidade de trabalho viva humana de criar mais-valor. A utopia mais louca fala da emancipação do capital em relação ao general intellect gramatical; fala também do exército de robôs humanoides abolindo a capacidade de trabalho do homem vivo; Essa utopia define os países desenvolvidos em relação aos países subdesenvolvidos. A utopia diz que será a realização do comunismo de Mar do livro “A ideologia alemã”, realização que enquanto o robô trabalha o homem pesca de manhã, caça de tarde e ler livros à noite. A utopia do capital emancipado do homem é difundida por Bill Gates e outros barões das big techs. Seria o discurso dos barões da tecnologia digital a lei necessária irrevogável da história do fim do homem? 

A gramática materialista do capital cria uma conjuntura de país subdesenvolvido diferente da conjuntura do grau zero do homem? 

“A forma mercadoria é uma série de relações de poder (Cleaver: 90). Ela ergue um campo de poderes econômico ou cyber ou tradicional. O campo de poderes do capitalismo cyber se tornou invisível para o campo dos sujeitos dominados assalariados e não-assalariados. Portanto, ele não necessita de ideologia capitalista para se ocultar. Rigorosamente, vivemos em uma época de obsolescência da função da ideologia na formação capitalista industrial avançada. Por isso, uma imensa classe operária não age como classe antagônica no campo de poderes capitalistas”. (Bandeira da Silveira. 2029b: 99).   

O campo desenvolvido é o da modernidade petrificada do capital organizando a metamatéria das afecções do trabalhador. O campo subdesenvolvido é o campo da organização tradicional da língua quimilato do trabalhador.  O capital se emancipou da necessidade da hegemonia como direção intelectual e moral sobre a capacidade de trabalho vivo. A ideologia dos aparelhos ideológicos se tornou modo de ser psíquico mass media, isto é, o grau zero da ideologia de Marx a Gramsci e Althusser. A ideologia mass media é fenilato-ideologia; ela faz a gestão e organiza a capacidade trabalho vivo em relação ao território das afecções quimilato. A fenilato-ideia do Youtube se conexa diretamente com o território da vida afeccional do trabalho:

“Um proletariado cyber é distinto da classe operária pré-diluviana. Se ele se define pelo cyber (como relação social), a pauperização e a precariedade do capitalismo subdesenvolvido cyber articula um proletariado da sociedade salarial e não-salarial. Trata-se do trabalho não-assalariado remunerado, por exemplo, de mulher, jovem, branco e negro. Também, aposentados e pensionistas constituem  parte do proletariado cyber na formação social subdesenvolvida [...] A acumulação primitiva tradicional criou o encaixe da acumulação capitalista mundial entre povos colonizados (vivendo sob a guarda de modo de produção não capitalista) e nações colonizadoras desenvolvidas capitalistas, e/ou imperialistas”. (Bandeira da Silveira. 2019b: 99-100). 

A exploração da riqueza afeccional quimilato pelas big techs das redes sociais é um fronteira homem/máquina que faz do homem, mulher, criança, do jovem e do velho o indício de que o capital não se emancipa do homem. Enfim;

“ A jornada de trabalho generalizada de intensa exploração e de subsunção do trabalho ao capital incluindo o setor de serviço no capitalismo subdesenvolvido é parte de uma ofensiva do capital com o proletariado cyber na defensiva e com pouca força de resistência para estabelecer limites à exploração de que é objeto”. (Bandeira da Silveira. 2019b: 100).

A proletarização do mundo obscurece a potência e ato em ato do  romance do poder estético da classe operária estabelecida no  Marx do “Grundrisse”?    

                                                       26

A empresa multinacional de tecnologia tem no lugar trabalho assalariado o general intellect [gramatical] (GIG). O romance do poder estético da big tech é a subsunção do general intellect gramatical ao capital? Este general intellect produz é produção de mais-valor relativo. Em certas situações de mais-valor absoluto. O mais-valor produzido pelo GIG é mais-valor quimilato, pois, o trabalhador existe no processo de trabalho na relação de produção de mais-valor econômico que agencia as afecções do GIG. Há o fim da fronteira entre a natureza afeccional do trabalhador e o processo econômico. O que significa a subsunção do trabalho combinado GIG ao capital? 

Marx:

  • não selecionada

    ‘Em sua combinação, esse trabalho aparece servindo a uma vontade e inteligência estranhas, e dirigido por tal inteligência - tendo sua unidade anímica fora de si, assim como sua unidade material subordinada à unidade objetiva da maquinaria, do ‘capital fixo’, que, <monstro animado>, objetiva o pensamento científico e é, de fato, sua síntese, e de maneira nenhuma se comporta como instrumento em relação ao trabalhador singular, trabalhador que antes existe nele como pontualidade singular animada, como acessório singular vivo ]...] O próprio trabalho, assim como seu produto, é negado como trabalho do trabalhador particular, singularizado. Com efeito, o trabalho singularizado negado é de fato trabalho posto como trabalho coletivo ou combinado > Todavia, colocado desta maneira, coletivo ou combinado, o trbalho- seja como atividade, seja convertido na forma imóvel do objeto - é posto simultaneamente e imediatamente como algo estranho distinto do trabalho singular efetivamente existente - como objetividade alheia (propriedade alheia), bem como subjetividade alheia (a subjetividade do capital”. (Marx. 2011: 387). 

  • não selecionada

    O capital da big tech tem vontade e é uma inteligência hegemonikon que dirige o GIG. Isso é a subsunção do trabalgo GIG ao capital cibernético. Há um troca de valores entre o capital e o GIG que, além de produzir mais-valor material também produz mais-valor metamaterial químico. Assim, a gramática do quimilato das relações técnicas de produção faz pendant com a ciência da física no capital fixo. e variável:

  • não selecionada

    “Por isso, o capital é a existência do trabalho social - sua combinação como como sujeito e objeto -, mas essa própria existência existindo de maneira autônoma em relação aos seus momentos efetivos - ou seja, ele próprio como existência particular ao lado do trabalho social.Por seu lado,  capital aparece consequentemente como o sujeito dominante e proprietário do trabalho alheio, e sua própria relação é uma relação de uma contradição tão completa quanto a da relação do trabalho assalariado”. (Marx. 2011: 387). 

  • não selecionada

    Enfim, esse processo diz que não há subjetividade do GIG, e sim subjetividade do capital. Essa gramática materialista do capital e do GIG põe de volta o problema da subjetividade como um fato do romance do poder estético da modernidade petrificada com metamaterial químico.     

  • não selecionada

                                                      27

  • não selecionada

    O cibernauta pode ser levado ao engano de considerar sua relação com a big tech como de um consumidor capitalista? A big tech presta um serviço ao usuário da rede social. 

  • não selecionada

    “quem de fato põe <valor> é antes o prestador de serviço,; troca um valor de uso - um certo tipo de trabalho, serviço etc. - por <valor, <dinheiro>. Na Idade Média, por essa razão, os que se orientam à produção e à acumulação em parte procedem dali, do lado do trabalho vivo, em oposição à nobreza fundiária: consumidora acumulam e, com isso, devém [potencialmente} , em perído posterior, os capitalistas. O  capitalista tem origem, em parte, no servo emancipado”. (Marx. 2011: 385). 

  • não selecionada

    A big tech age como o servo emancipado do consumo de riqueza metamaterial quimilato.  Ela estabelece com o usuário uma relação econômica do modo de produção feudal metamaterial químico. O usuário existe como um lumpemproletariado de Marx, porém como lumpesinato cesarista feudal, os efeitos na prática política pode ser observado com a eleição de Bolsonaro e Trump. E com a abertura de um campo da direita que é naturalmente metamaterial químico contra as classes populares, contra materialmente o dominado e a forma de governo da república da história universal. Base social químilato  da forma de governo do Estado do capital.    

  • não selecionada

                                                        28

  • não selecionada

    Tem problemas do espaço público procedural europeu ignorados pelo marxismo brasileiro:

  • não selecionada

    “esse Bonaparte, que se erige em chefe do lumpen-proletariado, que só aqui reencontra, em massa, os interesses que ele pessoalmente persegue, que reconhece nessa escória, nesse refugo, nesse rebotalho de todas as classes a única em que pode apoiar-se incondicionalmente, é o verdadeiro Bonaparte, O Bonaparte ,sans phrase>. Velho e astuto <roué>,concebe a vida histórica das nações e os grandes feitos do Estado como comédia em seu sentido vulgar, como uma mascarada onde as fantasias, frases e gestos servem apenas para disfarçar a mais tacanha vilania”. (Marx. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. SP: Abril Cultural, 1974: 372).
    O lumpesinal cesarista de Napoleão III é uma comédia como gênero estético?

  • não selecionada

    Adorno:

  • não selecionada

    “O que aconteceu às categorias do trágico e do cômico atesta o declínio dos géneros estéticos enquanto géneros”. (Adorno. 1988; 225).

  • não selecionada

    “O 18 do Brumário…” escapa da estética idealista do gênero, pois, o trágico e o cômico como gêneros do romance do poder estético do cesarismo de Napoleão III. Então, aparece o cômico na história materialista da política. O que parece ser Luis?

  • não selecionada

    “Marx parte do campo político francês da modernidade subdividido esteticamente entre a revolução francesa mais Napoleão Bonaparte e a revolução de 1848 mais Napoleão III. O primeiro é o campo político trágico e o segundo o campo político cômico”. (Bandeira da Silveira. 7/2024: 123). 

  • não selecionada

    Qual poder estético é agenciado por Luís?

  • não selecionada

    “Marx estabelece a relação entre arte e política, estética no campo político ou como revolução moderna [tragédia histórica do capital] ou como contrarrevolução [comédia política cesarista moderna ou bonapartismo]. 1848 ainda e um revolução burguesa que Napoleão III transforma em comédia grotesca. (Bandeira da Silveira. Idem: 124).  

  • não selecionada

    A revolução cria uma consciência de classe realista realista que retira as classe sociais da modernidade petrificada do capital?    

  • não selecionada

     Há um paralelo entre a comédia bonapartista e o romance do poder estético da época do governo de Bolsonaro? O bolsonarismo é a nossa comédia cesarista grotesca vulgar?  

  • não selecionada

    “A igreja barroca ainda é um poder escópico ,potência e ato em ato> plotiniano barroco, mas não é poder escópico potência e ato em língua fenilato-a como na idade Média”. (Bandeira da Silveira. Julho/2025: cap. 9, parte 3). 

  • não selecionada

    O bolsonarismo é parcela do lumpesinal cesarista do poder estético escópico grotesco metamaterial. Ele se parece ser um mergulho na língua fenilato brasileiro da atualidade. Ele é a comédia dos trópicos da <revolução da gargalhada> de José de Alencar como contrarrevolução cesarista grotesca da gramática materialista do capital do capitalismo criminoso do Brasil profundo? (Bandeira da Silveira. 07/2021: 14).   

Nenhum comentário:

Postar um comentário