quarta-feira, 31 de maio de 2017

DA SOCIOLOGIA GRAMATICAL DAS CRISES MÚLTIPLAS


José Paulo 

 A era da Precarious social grammar class.                                                                         I


A sociologia gramatical da política se vê obrigada a abordar a impolítica gramatical como fenômeno que está no comando das múltiplas crises mundial e especialmente no Brasil.

A sociologia gramatical toma um impulso de aceleração da gramaticalização do inconsciente do discurso do político do maître gramatical tradicional da modernidade com a entrada em cena do protagonismo da classe simbólica gramatical. Tal fenômeno é a verdadeira revolução sociológica gramatical na divisão do trabalho intelectual e na sociedade de classes tradicional gramatical do mundo industrial moderno do século XIX.

A nova sociologia gramatical usa a tática de escapar de ausência de “disciplina mental” (neolalismo [Gramsci. 1975: 2342], particularismo provincial da ciência política e da sociologia universitária do americanismo), e, é claro, de se subtrair ao domínio do marxismo paulista e do leninismo da esquerda partidária, todos eles soberanos, em algum grau, no Brasil como ideologia gramatical dominante na nossa cultura da política econômica.

Há uma divisão entre as antigas profissões (jornalista de papel e eletrônico, professor, editor de Editoras de papel, produtores de televisão e do mundo da música...) e as novas profissões do ciberespaço. O administrador da nova bürokratie revolutionäre do hipertexto fractal no mundo do leitor e do autor, do consumidor e do produtor... Há uma divisão entre os sujeitos gramaticais tradicionais do mundo da modernidade (AUTOR E LEITOR) e os novos sujeitos gramaticais do hipertexto fractal. Os primeiros são do mundo da produção e leitura do Um texto. Os segundos (navegador, surfista do ciberespaço) são da produção e consumo DO TEXTO.

Para não cair no NEOLOLALISMO toda hora, trabalho com a aproximação da linguagem da nova sociologia gramatical com a língua criada na cultura da política econômica mundial da modernidade que eclode no século XIX e que até hoje é usada cotidianamente pelas profissões intelectuais tradicionais. É urgente e necessário aproximar os dois planetas em questão: o planeta da dialética do possível e da realização do possível e o planeta do atual e da virtualização do atual da atualidade, vice-versa.  

O elo gramatical da transdialética entre os dois aspectos supracitados (dialética do possível e dialética do virtual) é o domínio soberano na cultura da política econômica gramatical mundial da classe simbólica em suas duas formas: tradicional terrena, pedestre, nacional; a classe moderna do mundo orbital, do ciberespaço, enfim, a classe simbólica moderna como efeito do significante hipertexto fractal planetário.

A transdialética gramatical supracitada da classe simbólica produziu efeitos sobre o mundo do trabalho com o modo de produção flexível do capital mundial no qual a regra toma o lugar da lei gramatical [CONTRATO = REDE NARRATIVA DE INSTITUIÇÕES GRAMATICAlZÁVEIS}, o negociado sgrammaticatura toma o lugar do legislado gramatical. A gramática da sociedade do trabalho é substituída por um mundo do trabalho sgrammaticatura. Não estou exagerando:
"Uma convenção ou um contrato, para tomar um exemplo privilegiado, tornam a definição de um relacionamento independente de uma situação particular; independente, em princípio, das variações emocionais daqueles que o contrato envolve; independente da flutuação das relações de força". (Lévy: 77).

Com o CONTRATO, não é necessário criar ou recriar e NEGOCIAR algo de novo em cada situação particular. A regra como anverso do contrato é o reino da sgrammaticatura no comando das relações trabalhistas. A regra NEGOCIAR faz nascer uma espécie de classe operária sgramaticatura, sem narrativa; e que só na luta pela violência gramatical na divisão internacional do trabalho pode retornar ao cenário da cultura da política da economia geral da luta de classe gramaticalizável como NARRATIVA proletária viva, autêntica e verdadeira!     

As reformas do trabalho no planeta têm ainda produzido o seguinte efeito na sociedade de classes da sociologia gramatical. A criação de uma classe social cuja gramática em narração lógica é a precariedade que o trabalho sofrerá no mundo-da-vida. Por exemplo, a total insegurança jurídica (judicial) na vida cotidiana do proletariado simbólico pela falta do contrato legal do trabalho e a aposentadoria como a possibilidade de irrealização. A aposentadoria torna-se um impossível freudiano ao lado de: governar, ensinar e psicanalisar (Freud. v. XXIII: 282)            

 Um efeito da transdialética da sociologia gramatical da classe simbólica é a formação da classe social gramatical precária, ou mais universalmente precarious social grammar class. Trata-se, de fato, de um proletariado gramatical precário, pois, sgrammaticatura como sujeito gramatical no discurso do político do direito do liberal.

                                                                                II

No Brasil, os constituintes de 1988 constituíram na lei um proletariado gramatical jurídico de Estado de direitos de massas gramaticalizadas bureaucratically no Título II. Capítulo II. Dos Direitos Sociais. O Estado 1988 é um Estado bürokratie revolutionäre do proletariado simbólico como antessala política da classe simbólica tradicional da modernidade do proletariado do bolivariano. Se trata de um Estado tradicional da modernidade em um contraponto ao Estado moderno da modernidade do hipertexto fractal. Com efeito, este último Estado é uma montagem que só existe parcialmente, e em crise na atualidade atual, em países da Escandinávia, que assiste aturdida a emergência da precarious social grammar class ariana simbólica.   
                                                                                 
Na atualidade, há uma classe gramatical simbólica tradicional (efeito da sobredeterminação da classe simbólica moderna ou classe intelectual do hipertexto fractal) proletária em uma transdialética com a classe do burguês gramatical cultural. Assim, a transdialética gramatical tradicional versus moderno retoma seu lugar soberano na cultura da política da economia do século XXI.

A velha classe operária manual não é mais uma classe sociológica como tal in bruto pré-gramatical simbólica. Ela é uma classe gramatical tradicional da modernidade do século XXI como reterritorialização impolítica [na América de Donald Trump e da Inglaterra conservadora) do trabalho na divisão internacional do trabalho simbólico. Na América Latina ela não faz a passagem perene da possível reterritorialização do trabalho simbólico tradicional em impolítica no poder após o apagar da estrela do Sertão de Euclides da Cunha que guiava Luís Inácio da Silva, o Lula do discurso do político do bolivariano da proletarização da classe política do Regime Liberal 1988.

Ainda não sei qual o destino dos significantes gramaticais e seus respectivos sujeitos da sociedade liberal-democrática. Infelizmente, Foucault pensou a sociedade: disciplinar, administrativa e governativa (onde se situaria a sociedade liberal-democrática?). Mas sua morte prematura não deixou que ele chegasse a sociedade liberal-democrática ou autoritária-ditatorial que dominaram o século XX na teoria e na prática da cultura da política econômica ocidental e oriental. Assim sendo, ficamos no escuro sobre o futuro da democracia e da ditadura?  

Foucault morreu na década de 1980, às vésperas da transformação do planeta pela globalização econômica tout court fazendo pendant com o globalismo da cultura da política da economia.  Morreu sem sentir o gostinho do nascimento (e evolução) do ciberespaço e da primeira sociedade planetária como tal do hipertexto fractal, da cultura do texto (Pierre Lévy: 1996:47, 48-49, 63, 68-69,). Mas nada nos impede de pôr o discurso do político gramatical do Foucault no espaço da sociedade do ciberespaço ou hipertexto fractal. É preciso fazer tal empreitada com cuidado e vagarosamente!  
                                                                                         III
Se toda classe social é uma classe política, ou seja, a política como articulação da luta de classes (Miliband: 24). Mas a política com autonomia em relação à classe econômica, pois, a política como epifenômeno da luta de classes econômica é filosofia do economicismo, uma ideologia nefasta que transforma a política em impolítica (Miliband: 14). No texto da juventude, A questão judaica, Marx já despreza a impolítica. Em Marx, o tema da emancipação pela política é a consecução de direitos civis, ampliação do sufrágio, instituições representativas, restrições ao poder autoritário-conservador monárquico fazendo pendant com o controle do poder arbitrário e a violência sem limite gramatical do Estado vigente. (Miliband: 17).

Marx diz:
“Así como o Estado evangeliza cuando, a pesar de ser ya Estado, se comporta cristianamente hacia los judíos, así también el judío pontifica cuando, a pesar de ser ya judio, adquiere el derecho de ciudadanía dentro del Estado”. (Marx. 1982: 476).

O Trabalho de evangelização do Estado evita a ideologia gramatical da violência sem limite do Estado que se comporta de modo cristão face aos judeus. Marx começa a gramaticalizar a sociedade burguesa pela passagem da theologia naturalis em theologia saecularis. Os direitos do homem e os direitos do cidadão não são ainda um fenômeno de interpretação ideológica para a classe que se emancipa revolucionariamemnte; ainda se encontra, o fenômeno da emancipação, no campo da theologia saecularis:
“No basta, ni mucho menos, con indagar quién há de emancipar y quién debe ser emancipado. La crítica tiene que preguntarse, además, otra cosa: de qué clase de emancipación se trata; cuáles son las condiciones que se hallan implicitas en la naturaleza de la emancipación que se postula”. (Marx. 1982: 466).   

Toda a passagem do texto de Marx como ideologia gramatical para a ideia do texto de Marx como evangelho Lacan deve ao jovem Marx, lido de madrugada a luz de lamparina, para não acordar ninguém da casa. (Lacan. S. 20: 32-33).
  PROLETARIZAÇÃO DA SOCIEDADE IMPOLÍTICA BURGUESA DO BOLIVARIANO.

O sentido sociológico gramatical histórico da Carta Constitucional de 1988 é o a carta roubada de Edgar Allan Poe. Para melhor iluminar tal sentido sou o personagem que diz para a criança deleuziana a leitura surda que ela fez da Carta 1988.

O Preâmbulo transborda de significações constitucionais (confundido o leitor) ao dizer qual é o sentido da política sociológica gramatical da Carta:
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil”.

Sob a proteção de Deus significa que a Carta 1988 é um Evangelho secular do Estado como Deus mortal (Hobbes: 109-110). Ela não é um documento escrito em papel possível jurídico que deve ser realizado como uma ideologia gramatical da política democrática. Ela é o texto jurídico e judicial registrado em papel de uma teologia materialista racional liberal-democrática-social com o objetivo de preparar a invasão do real da sociedade oligárquica colonial conservadora brasileira e, portanto, ser absorvido por tal sociedade, transformando-a em uma sociedade nacional do burguês autêntico liberal, se sujeitos gramaticais liberais tomassem esta obra nas mãos.  

O ponto de partida da invasão é aquele que diz dever o Brasil seer uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social. Pode ser coincidência ou não, mas o Regime 1988 é o regime no qual a sociedade brasileira viu se desenvolver a sociedade do estado de guerra quase hobbesiano. Pois, de fato, trata-se da restauração do estado de guerra branca das facções e clãs oligárquicos, inicialmente, da sociedade colonial escravagista. Tal estado de guerra se ampliou com a forma da modernidade da guerra molecular e a forma oculta ou aberta da guerra lumpesinal branca ou criminal dos de baixo, que tem raiz no Brasil colonial. A forma lumpesinal de guerra aberta ou oculta dos de cima é um fenômeno inventado no regime 1988.  

Com a Carta 1988, deveria ter se estabelecido, no mínimo múltiplo comum, a transdialética fundação teológica da sociedade civil do burguês liberal versus o estado de guerra branco oligárquico do modo de produção da cultura da política da economia do coronel do Sertão de Rosa e/ou Euclides! A genealogia dessa tela transdialética gramatical encontra-se nos meus livros de papel, desde o ano 2000, em textos digitalis dos anos 2000 e na segunda década do século XXI no blog José Paulo Bandeira e nos livros digitais publicados na editora amazon. Agora faço a gramaticalização mínima sociológica gramatical historial da Carta 1988.

A Carta deseja mais do que a sociedade civil burguesa do livro de Hegel Fundamentos de la filosofia del derecho, pois em Hegel não existem direitos sociais. Os direitos sociais já são lidos pela esquerda como um efeito da história ligada às lutas de classe do proletariado contra o burguês hegeliano, portanto, ele tem como AUTOR os textos de MARX. Esta percepção da esquerda nos permite entrar por esse território ideológico gramatical, pois, os direitos trabalhistas das eras getulistas são um efeito transversal antecipatório da luta de classes do proletariado) ou um efeito direto da própria luta de classes.     

Mas os direitos individuais são os direitos da sociedade civil hegeliana começando com o direito à propriedade das persones privadas, o direito à liberdade do indivíduo, o direito à segurança, o direito ao Contrato todos declarados no Preâmbulo da nossa Carta:
“Frente a las esferas del derecho privado y del bienestar privado, dela família y de la sociedad civil, el Estado es por una parte una necesidad exterior y su poder superior, a cuya naturaleza están subordinadas las leyes así como los intereses de aquellas esferas, y respecto de la cual son dependientes; pero por otra parte es su finalidad inmanente y tiene su fuerza em la unidad de su finalidad última universal y del interés particular de los individuos, en que ellos tienen respecto del Estado deberes en la medida en que tienen a la vez derechos”. (Hegel: 688).

A esquerda hegeliana e Marx e Engels têm o livro em tela de Hegel como o Evangelho da sociedade civil do burguês e do Estado liberal da modernidade tradicional idealista do início do século XIX. No livro A questão judaica, Marx refaz o Evangelho da dialética idealista do burguês hegeliano como teologia materialista racional. Aqui traçaremos um paralelo entre o Evangelho de Marx e a o Evangelho Carta 1988.
   TÍTULO I. Dos princípios fundamentais. Sociedade civil burguesa? Estado liberal-democrático?  

Artigo 1°. São fundamentais: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político. Parágrafo único. Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição.

O Artigo 1° fazendo pendant com os Artigos 4° 5° tratam da emancipação, mas de qual classe de emancipação? A soberania popular define a forma de poder como representativa ou direta constitucionalmente. Direta? Pode ser direta como uma politeia?

A cidadania é o conjunto de direitos civis que deve garantir a dignidade da pessoa, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político (e a segurança pública e privada do cidadão, as diversas formas de liberdade, inclusive a religiosa, etc.). E temos ainda os direitos humanos. 

Sobre a segurança especificamente, Artigo 5°:
X - São invioláveis a intimidade, a vida privada;
XI – a casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre ou para prestar socorro ou durante o dia, por determinação judicial.

São muitos as alíneas que tratam da segurança do cidadão. O que a crítica prática constitucional diz é que (em relação ao poder policial) esta segurança só funciona como segurança do burguês ou seu sucedâneo brasileiro: o homem rico. Assim, a prática do direito segurança nos lança para as páginas de Marx:
Veamos ahora  lo que se refiere a la otra parte de los derechos humanos, los droits de l’homme, como algo aparte de los droits du citoyen.
Marx diz:
“La seguridad es el supremo concepto social de la sociedad burguesa, el concepto de policía, según el cual la sociedad existe solo y unicamente para garantizar a todos y a cada uno de sus miembros la conservación de su persona, de sus derechos y de su propriedad. A esto quiere referirse Hegel cuando llama a la sociedad burguesa ‘el estado de necesidad y de entendimento”. (Marx. 1982: 479).

A crítica de Marx ao conceito de segurança é clara:
El concepto de seguridad no quiere decir que la sociedad se sobreponga a su egoísmo. La seguridad es, por el contrario, el aseguramiento de ese egoísmo.
Como vemos, ninguno de los derechos del hombre ya más allá del hombre egoísta, del hombre considerado como miembro de la sociedad burguesa: es decir, del individuo replegado en si mismo, em su interés privado y en arbitrio individual y disociado de la comunidade. Muy lejos de concebir al hombre como ser genérico, estos derechos hacen, por el contrario, de la sociedad un marco externo a los individuos, una limitación impuesta a su independencia originaria. El único nexo que los matiene en coheson es la necesidad natural, la necesidad y el interés privado, la conservación de su propriedad y de su egoísta persona”. (Marx. 1982: 480).

A Carta 1988 é uma Carta retórica: conjunto de regras que constituem a arte do bem dizer, a arte da eloquência escrita ou oratória para usos dos juízes, dos parlamentares ou uso do político (ou do jornalista) em relação ao eleitor e às massas de rua para assegurar que o país vive sob o domínio homem brasileiro verdadeiro e autêntico como cidadão? Certamente, este é o ideal-virtual que não se atualizou até agora (que permaneceu no possível e não se realizou como possibilidade).

De fato, A Carta é virtualmente o convite à emancipação da sociedade conservadora do oligarca-coronel urbano-rural pela atualização da vida do burguês virtual nacional:
“Y este hecho resulta todavía más enigmático cuando vemos cómo los emancipadores políticos llegan incluso a rebajar la cidadania, la comunidad política, al papel de simples medio para la conservación de los llamados derechos humanos, y cómo, por tanto, se declara al citoyen servidor del homme egoísta, degradándose con ello la esfera en que los hombres se comportan como uma comunidad, para supeditarla a aquella en que el hombre se conduce como un ser aislado y parcial; y que, por último, no se considere como hombre auténtico y verdadeiro al hombre em cuanto ciudadano, sino em cuanto burguês”. (Marx. 1982: 480).

Para atualizar o virtual mínimo do trecho supracitado, ou seja, homem burguês, teríamos o bolivariano burguês com FHC se ele não tivesse feito uma coalizão com a sociedade conservadora do oligarca-coronel urbano-rural, inclusive, para desfechar um golpe de Estado constitucional para governar 4 anos além do que a Constituição determinava, alterando a Carta. O golpe de Estado consistiu na desgraça da democracia que é a regra constitucional FHC de reeleição.

Então FHC não é o homem burguês que realizou o possível burguês da Carta 1988. Com FHC, a classe política da sociedade nacional não mudou do coronelismo, do homem-coronel para o homem-burguês. A classe política heteróclita fez da política a impolítica do bolivariano, ou quase burguês, ou quase coronel (um ser indeterminado), pois, política sem gramática burguesa ou do coronelismo, sem articulação da hegemonia do homem burguês ou do modo de produção da cultura da política da economia oligárquica-coronel urbano-rural. Sendo sgrammaticatura burguesa, o PSDB perdeu a eleição para a gramática da sociedade proletária do bolivariano Lula e seu Partido dos Trabalhadores, o conhecido em vários continentes pela sigla PT.  

Lula e o PT são uma continuação da história do populismo trabalhista de Getúlio Vargas. JK, Jânio Quadros e João Goulart. O primeiro Estado getulista de 1930 já é um Estado populista de exceção (em sua clara vivência intencional, internacional, nacional-socialista gaúcho). O segundo Estado getulista (1937) é um Estado nazista da periferia lacaniana RSI (Real/Simbólico/Imaginário) terceiro-mundista populista avançado. O governo de 1950 de Getúlio do regime democrático é um populismo nacional industrial associado com as multinacionais ainda precariamente. JK realizou o possível Estado populista industrial de massas trabalhistas tornando-o um Estado populista dependente e associado de massas proletárias.

Quero dizer que Lula e o PT são um efeito do Capítulo II. Dos Direitos Sociais, do Artigos 6° ao Artigo 11°. O Capítulo II significa não mais do que a teologia racional materialista do Estado Social atualizada no real da sociedade nacional. Assim, há de aceitar a existência de uma sociedade do trabalho bürokratisch habitada por dezenas de milhões de cidadãos.

A evolução demográfica deixando para trás a divisão nacional do trabalho populista estabeleceu uma maioria de massas da população do lado de fora do Estado Social populista. No entanto, parecia que a política econômica de FHC seguida fielmente por Lula resolveria tal problema com o surgimento de um proletariado (designado retoricamente de classe média emergente, pois, o brasileiro virtual-eletrônico identifica proletário com perdedor) do mundo privado de dezenas de milhões de pessoas. O caminho FHC-Lula do bolivariano parecia ter resolvido a relação entre evolução demográfica acelerada e crescimento econômico com o estabelecimento de uma sociedade de classe proletária (crescente no mundo de serviço) do mundo-da-vida privado industrial dependente associado se espraiando por várias regiões do país.

O desenvolvimento notável do capitalismo de commodities de São Paulo, do Centro-Oeste e até do tradicional miserável Nordeste parecia ser o outro elo vitorioso de uma nação que parecia disputar um lugar garantido de destaque no concerto das nações prósperas do século XXI.

Ainda no governo Lula, a partir de 2008, com a guinada na política de FHC-Lula para Lula-Mantega o país tomou o rumo da internacionalização do capitalismo privado dependente e associado nacional com o altamente complexo e deslumbrante Estado populista industrial de massas do bolivariano. Aí, o sistema de corrupção público-privado enredou as empresas campeãs do internacionalismo proletário industrial privado com o nacionalismo proletário do Estado social de massas do bolivariano. A tamanha complexidade dessa realidade se voltou contra o país que acabou se desmantelando peça por peça no governo bolivariano latino-americano chavista de Dilma Rousseff.    
Portanto, o país está muito longe da atualização da virtualidade de Carta 1988. Ele não conseguiu realizar a possível sociedade civil do burguês contida na Constituição e quebrou o Capítulo II Dos Diretos Sociais transformando a sociedade do trabalho bürokratisch e/ou privada em uma sociedade de precariedade dominada por um fenômeno: precarious social grammar class                   
  
                                                               DO OBJETO REAL OU VIRTUAL
      
Um texto (um livro) é um objeto virtual. Na psicanálise gramatical de Deleuze, o objeto virtual é ligado à pulsão sexual constituindo uma série de objetos correlativa ao dos objetos reais associados ao princípio de realidade fazendo pendant com as pulsões de conservação. Na psicanálise gramatical tudo tem início com a relação pulsional da criança com a Mãe real (objeto real) e com a Mãe virtual (objeto virtual). (Deleuze. 169-171)

A minha abordagem da proletarização da classe política brasileira do regime 1988 se refere a ela como uma série de objetos pulsionais reais em correlação com objetos virtuais pulsionais. O objeto real é da ordem do possível e da realização desse possível como o olhar para Mãe envaido de pulsão narcísica. O objeto virtual é o livro que a Mãe dá para a criança começar a manuseá-lo por imitação (o objeto virtual não é a sucção do seio da Mãe), sem saber ler, mas que nunca se engana que se trata de manejar um objeto virtual. (Deleuze. 170).

A proletarização da classe política brasileira é o livro manuseado como objeto virtual pela criança, o bolivariano. Este livro é o A questão judaica manuseado de forma invertida como foco virtual de uma paixão de contemplação que se transforma em uma força prática do poder bürokratie governativa:
“ Como Hegel ha reivindicado ya para la esfera de la sociedad civil el poder ‘policiaco’ y el poder ‘judicial’, tenemos que el poder gubernativo no es otra que la administración del Estado, que él desarrolla como la burocracia”. (Marx. 1982: 357).       

O Brasil nunca realizou ou atualizou o possível e o virtual da Carta 1988 como sociedade civil burguesa e Estado liberal moderno. E se desfez de uma força prática do poder bürokratie governativa e também sociedade burocrática do trabalho, de uma sociedade civil privada do trabalho e destrói o poder governativo burocracia em um momento no qual o estado de guerra em suas variadas formas e espécies via, pari passu, ganhando terreno no urbano e também no rural.
                                                                                 FINAL SEM ACABAR

Se é possível integrar Marx ao hipertexto ciberespaço via Lacan e seu evangelho marxista que dirá o Foucault do um texto como o gouvernementalité. Se toda luta de classes sociológica in bruto é uma luta política, toda luta de classe gramatical simbólica do mundo precarious social grammar class ariana simbólica só pode ser luta impolítica. Trata-se de luta de classe inconsciente ao contrário da luta operária com consciência de classe sociológica naturalis social do século XIX até o início da II Guerra Mundial.

Miliband diz que Marx anteviu a classe simbólica trabalhadora produtiva além do trabalho manual e industrial:
“Em O Capital, Marx também observa suscintamente que ‘a fim de trabalhar produtivamente, não mais é necessário que se faça por si mesmo um trabalho manual; basta ser um órgão do trabalhador coletivo e desempenhar uma das funções subalternas’.
Sob esse ponto de vista, é claro que a expressão ‘classe trabalhadora’ vai muito além de trabalhadores manuais e industriais” (Miliband: 28). A ideia do trabalho intelectual produtivo do capital (ciência como força produtiva) encontra-se em Marx assim:
“Do mesmo modo porque se pode considerar a produção da mais-valia absoluta como expressão material da subsunção formal do trabalho ao capital, a produção da mais-valia relativa pode ser considerada como a de subsunção real do trabalho no capital”. (Marx. 1978: 56).
Desde o início está claro que a subsunção real ao capital é a subsunção da classe gramatical tradicional proletária da modernidade que é mais que o trabalho industrial e/ou manual ou dos operários associados no processo de produção. Vou citar Marx, pois, pode parecer para o leitor pura invencionice falar de classe intelectual do trabalho produtivo do capital. Cito também porque me parece um texto teórico virtual do século XIX admirável, pois, passível de atualização na atualidade do século XXI:
“As forças produtivas sociais do trabalho, ou as forças produtivas do trabalho diretamente social, socializado (coletivizado) por força da cooperação; a divisão do trabalho na oficina, a aplicação da maquinaria, e em geral a transformação do processo produtivo em aplicação consciente das ciências naturais, mecânica, química etc., para fins determinados, a tecnologia etc., assim como os trabalhos em grande escala correspondente a tudo isso (só esse trabalho socializado está em condições de utilizar no processo imediato de produção os produtos gerais do desenvolvimento humano, como a matemática etc., assim como, por outro lado, o desenvolvimento dessas ciências pressupõe determinado nível de processo material de produção); esse desenvolvimento da força produtiva do trabalho objetivado, por oposição ao trabalho mais ou menos isolado dos indivíduos dispersos etc., e com ele a aplicação da ciência – esse produto geral do desenvolvimento social – ao processo imediato de produção; tudo isso se apresenta como força produtiva do capital, não como força produtiva do trabalho; ou como força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital, e em todo caso nunca como força produtiva quer do operário individual, quer dos operários associados no processo de produção. A mistificação implícita na relação capitalista em geral, desenvolve-se agora muito mais do que podia ou teria podido se desenvolver no caso da subsunção puramente formal do trabalho ao capital. Ademais, é aqui que o significado histórico da produção capitalista surge pela primeira vez de maneira cabal (de maneira específica), precisamente por força da transformação do processo imediato de produção e do desenvolvimento das forças produtivas sociais do trabalho”. (Marx. 1978: 55-56).  

Então, em tudo isso que se apresenta como força produtiva do capital ou como força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital encontra-se a genealogia do trabalho como classe simbólica intelectual gramatical tradicional.

Este foi o problema principal do país. Não conseguir transformar a força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital associado e dependente em fonte narcísica de articulação de uma classe simbólica política proletária. Hoje já está claro que a proletarização da classe simbólica política caiu no poço de uma lumpen-proletarização que transmutou a possibilidade e virtualidade da política da Carta 1988 em IMPOLÍTICA lumpen-proletária. 

Este processo é um jogo de significantes gramaticais e seus efeitos nos sujeitos gramaticais. Buscar os responsáveis pelo domínio da impolítica lumpen-proletária no nosso país é só uma maneira de consolo para o significante poder ‘policiaco’ da sociedade civil idealizada hegelianamente e a eclosão do iceberg foucaultiano da gouvernementalité com a sua sociedade disciplinar e seu Estado de Polícia de regulamentos e táticas disciplinares para controlar a população mais desgraçada das nossas populações desgraçadas, pois, completamente do lado de fora da história do Brasil de 2017.  

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. RJ: Graal, 1988
FOUCAULT, Michel. Dits et écrits. 1954-1988. V. III. 1976-1979
FREUD. Obras Completas. v. XXIII. RJ: Imago, 1975  
HEGEL. Fundamentos de la filosofia del derecho. Madrid: Libertarias/Prodhufi, 1993
HOBBES, Thomas. Leviatã. SP: Abril Cultural, 1974
LACAN, Jacques. Livre XX. Encore. Paris: Seuil, 1975
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? SP: Editora 34, 1996
MARX, Karl. O Capital. Livro I. Capítulo VI. Inédito
MARX e Engels. Carlos e Federico. Obras Fundamentalis 1. Marx. Escritos de juventude. México: Fondo de Cultura Económica, 1982
MILIBAND, Ralph. Marxismo e política. RJ: Zahar, 1979
      

                  


      

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