quinta-feira, 27 de abril de 2017

REFORMA TRABALHISTA - bürokratische post-capitalist periférica

FILOSOFIA DA DESESPERANÇA, 27/04/2017

José Paulo



                                   
Aprendi a matutar como os europeus, considerando que pensar é algo que Heidegger, Gramsci e Alain Touraine sabem fazer (sabiam, é claro). Para minha sorte, Touraine estudou a América-Latina em seu belo e extraordinário livro Palavra e sangue. É um livro de 1989, anterior a derrubada do Muro de Berlim, do colapso do Leste Europeu e do significante infame comunismo realmente existente europeu.

Estes fatos novos teriam certamente alterado a ótica do Palavra e sangue? Provavelmente! Porém, o conteúdo essencial sobre a história da América Latina continua um tesouro de ideias intacto esperando ser tomado de assalto (pois, se trata de uma nave pirata francesa real navegando nos mares outrora do Atlântico na costa do Rio de Janeiro, ou, quem sabe do Caribe) mediante a gramaticalização (do inconsciente do discurso do político do nosso pirata real) das ciências da gramática da política universal. Não se trata de uma tarefa simples daquelas que se possa fazer com um dos pés nas costas, vou logo avisando para o leitor!

Entre outras coisas, palavra e sangue significa que a política era afeita à palavra dada e ao sangue derramado caso a palavra se estiolasse, não fosse honrada! É uma referência à cultura da política oral dos senhores caudilhos (palavra igual a honra, igual ao contrato real com selo régio que significava o agir do Estado colonizador imperial como ferro em brasa para marcar o corpo do colonizado e o fogo dos canhões da marinha real e dos arcabuzes do exército para que o contrato real a ser comprido não parasse de se inscrever no imaginário (e mais seriamente ainda na imaginação) tanto do colonizador como do colonizado, especialmente).

O rei só confiava no fogo da batalha (ou na forca, ou na fogueira ardente alimentada com o óleo do corpo devorado, ou nos pregos da cruz, ou no pelotão de fuzilamento ao exercer seu poder imperial. Assim, tornava-se claro que o Estado real era um poder determinante e causalmente determinista.

Assim, não havia céticos quanto a existência do poder político e da política real tout court.    

A política internacional é feita de palavra e sangue? Sabemos que o direito internacional é muito precário como força de direito na relação entre as nações, que dirá na relação entre os antigos três mundos, de Alain, desaparecidos: 1°mundo ocidental (Oeste capitalista, de sociedade de mercado, sob o comando da economia da banca); 2°mundo (Leste comunista, sob o comando da política   bürokratische revolucionária, trata-se de um pleonasmo, pois, pois; 3°mundo (mundo da cultura da identidade [principalmente religiosa] no comando da política local).

As relações internacionais podem ser realisticamente caóticas (lógica do caos). Ou saltando alguns degraus e encurtando a conversa, elas podem ter uma unidade imaginária fazendo pendant com uma unidade forjada por laço gramatical no real da referida conjunturalmente relações internacionais.

Tal unidade não pode ser, ou uma unidade militar, ou política ou cultural; ela tem que ser uma unidade ideológica tout court posta e reposta por discursos produzidos e reproduzidos por estratos intelectuais competentes e oligárquicos. A propósito, ela pode ser o equilíbrio do terror atômico, se este fenômeno militar se constituir em uma ideologia gramatical lógica em narração teológica materialista racional absorvida (– apaixonadamente pelos povos- como perceberam Fidel Castro e o único Mao asiático sob o comando da política bürokratische revolucionária comunista) pelo ser do real da política mundial: Os EUA é um tigre de papel. Um witz atômico na política das relações internacionais. É o que crê a Coréia do Norte moleque do sorrateiro Kim Jong-un 김정은.

La parole et le sang conta uma história de que antes da spaltung do Leste, a orgulhosa ideologia da modernização (Touraine: 10) gramaticalizou o inconsciente das relações internacionais no Oeste, Leste e Sul (terceiro-mundo, onde os brasileiros habitavam, com a garota de Ipanema, a bossa nova e Jorge Ben), ideologia da modernização que a UDN  e os generais da ESG (Escola Superior de Guerra da democracia 1946-1964) usaram – tutelados pelo governo americano – para destruir a democracia populista que  resistia à gramaticalização da economia da sociedade livre de mercado no comando da política do país.

A modernização, a modernidade com racionalização impostos a ferro e fogo pelas ditaduras desde a década de 1950 sob comando dos governos dos EUA tinha seus intelectuais competentes caboclos e servos fiéis das ditaduras latino-americanas. No Brasil, alguns ainda servem ao Estado federal de Brasília com suas ideias autocráticas que são úteis e necessárias e bem casadas com tirania da oligarquia do uso do dinheiro alheio internacional do capital produtivo, do capital internacional e da renda (riqueza privada e pública) do que restou dos territórios que desejavam se tornarem em NAÇÕES AUTÔNOMAS da política do capital fictício mundial.

O notável e notado mundialmente presidente Lula chegou a bradar pelos quatros cantos do planeta que o Brasil tinha se tornado uma nação com autonomia absoluta em relação ao poder econômico do capital financeiro mundial.

Houve uma conjuntura internacional onde:
“O otimismo vindo da Filosofia das Luzes havia sido abalado pela crise do capitalismo, pelo estranho fracasso das democracias em face da ascensão das ditaduras e pela atração do regime soviético sobre muitos. Contudo, nunca tinham sido completamente cortadas as pontes entre os que falavam de modernidade ou de racionalização e os que eram mais sensíveis às luta e classes, ao exercício do poder e aos movimentos sociais. Mas, hoje (1989), existe ainda uma linguagem que possa ser compreendida, ao mesmo tempo, em Nova Iorque, Moscou e Teerã? “ (Toraine. 1989: 14; 1988: 10).

Para falar da loucura na gramática no discurso do político do Kant fazendo pendant com Swedenborg (David-Ménard: 71), Monique David-Ménard publicou a esclarecedora, necessária e inteligente gramaticalização psicanalítica do inconsciente de Kant cum Swedenborg no livro - A loucura na razão pura. Kant, leitor de Swedenborg (1990).

De Alain Touraine, O livro Critique de la modernité é de 1992. Ao contrário de FHC, Touraine se preocupava com a loucura invadindo seu discurso na demolição da gramática da ideologia da modernidade.

No Brasil foi traduzido em 1994, pela Editora Vozes. Trata-se de um livro sobre o inconsciente ideológico gramatical da modernidade (e dos fundamentos das teorias da modernidade, modernização e do modernismo, para quem quiser gramaticalizar o inconsciente do discurso do político do Touraine de 1992, amigo dileto (no diálogo e no embate de ideais) de nosso Fernando Henrique, então, presidente da República, que jamais desconfiou que seu discurso pudesse estar tomado pela loucura!   

Retomar o Crítica da modernidade é um fato extemporâneo na nossa cultura da política imaginária? Não me parece, pois, ministros do governo Temer, retomaram seus cargos de deputados na sessão da votação da “reforma trabalhista”, e falaram em modernidade, com veemência, para convencer os deputados, incautos, indecisos e inseguros a aprovar a velha ideia moderna (da década de 1980) do modo de produção econômico flexível para os patrões. Este substitui o direito formal liberal (secular) que trata, no século XX, das relações coletivas entre o capital e o trabalho (das democracias do século XX) pela REGRA do que vale é o NEGOCIADO MANO A MANO. Afinal, mesmo que a relação capital versus trabalho seja substituída pela relação PATRÃO e EMPREGADO, não se trata de uma negociação entre pai e filho ou entre amigos da amizade oligárquica, onde a justiça do patrão-oligárquico consistiria em fazer o bem para o amigo e prejudicar os outros empregados.

Abandona-se a velha luta de classes tout court por uma outra forma de luta de classes? A regra no lugar do contrato jurídico liberal transmuta a relação patrão e empregado em uma luta gramatical de outra espécie de classes, pois, as palavras (entre os interlocutores em negociação militarizada) vão funcionar como pingos de sangue (no corpo/alma do empregado) em cada palavra do patrão.

O patrão deixa de ser a encarnação-personificação do capital (o capitalista da civilização moderna da GRANDE INDÚSTRIA) para ser transmutar no Príncipe econômico de Maquiavel que traz a fortuna e a virtú para a o uso da regra na relação entre o capital gramatical (feito por palavras do Príncipe) e o trabalho gramatical biográfico individual da regra em uma relação de desequilíbrio de força integralmente desfavorável em sua relação como o Príncipe-negro-Patrão.

Há uma nova sociedade gramatical, uma sociedade de classes sociais gramatical, mas, ela não tem como antagonismo principal os trabalhadores do conhecimento e/ou os trabalhadores em serviços versus a classe pós-capitalista dominante (Drucker: XV). Esta visão é um erro crasso do livro Sociedade pós-capitalistas - de Peter Drucker. Pois, tal sociedade pós-capitalista não é uma sociedade gramatical de classes sociais. 

No entanto, Peter mostrou o rumo razoável do confronto e dialogo do mundo do século XXI. Então, Peter faz parte da cultura da política emergente que vai, aos poucos, dar o salto gramatical quântico da ficção dos discursos fantasiosos obsoletos, extemporâneos (enlouquecidos, pois, sem âncora nem no real dos fatos da carcomida sociedade mundial) de políticos (e jornalistas) para a cultura da política do real do ser da sociedade da política mundial contemporânea que surge agora passível de ser observada, palpável, por enquanto, pelo uso de um simples telescópio.               

O blog josé paulo bandeira seguirá esta linha de investigação como toda a cautela necessária na gramaticalização (telescópio simples doméstico) dos fatos e artefatos teórico/político na produção do contemporâneo!   

Existem dois livros no currículo do empresariado: O Príncipe, de Maquiavel e o L’arte de la guerra, de Sun Tzu.

DE Maquiavel, as faculdades de administração e de ciência política do status quo do patronato vão ensinar para o filho do novo patrão nos bancos escolares a regra do Siglo de Oro da mequetrefe economia produtiva, comercial e bancária extravagante bürokratische post-capitalist periférica:

Existem modos de existir para vós. Oh! jovens patrões:
“Deve, pois, um Príncipe, não ter outro objetivo, nem outro pensamento, nem ter qualquer outra coisa como prática, a não ser a guerra (patrão negro versus empregado), seu regulamento e sua disciplina (um quadro de borboletas fixadas na parede do bureau de regras precisas e rigorosas) porque essa é a única arte que se espera de quem comanda” (Maquiavel: 34): a bureaucracy post-capitalist.

A guerra/luta de classes gramatical bürokratische post-capitalist, não se iludam jovens estudantes do patronato, se faz (e fará, e fareis) contra essa multidão de jovens (educados pela técnica digitalis da internet) que buscam como a Dora de Freud um novo maître - um Príncipe econômico da era negra da regra e do tempo descontínuo no trabalho = emprego intermitente ao sabor bipolar do humor do discurso do político do psicótico.  

Sem o saber, os deputados brasilienses rezam a velha cartilha da regra desse Príncipe negro da ofensiva neoliberal requentada da desesperança que para mim tem o sabor da mistura de macarrão com sardinha! A classe dirigente oligarquia financeira mundial perdeu a galinha das ideias de ouro na década de 1990. 

O Príncipe negro de uma era de desesperança não precisa se preocupar com a novo formato do mundo, pois, nada parece ter mudado em milênios; ele só precisa saber que o empregado não é o galo do vizinho (ou outro país a ser conquistado onde ele vai realizar banhos de sangue gozosos) que ele vai matar, pois, não suporta o canto desse galo nos fins de semana em sua fazenda-campestre em algum interior urbanizado do estado de São Paulo, ou no interior do Pantanal dos subservientes estados do centro-oeste.  

Sun TZU ensina ao estudante-patrão da guerra/luta de classes gramatical bürokratische post-capitalist:
“Si un homme tue un innocent, lui dérobe ses vêtements, ainsi que sa lance et son épée, il commet un crime plus grave que’en s’introduisant dans une étable ou dans une écurie pour y voler um boeuf ou um cheval. Le tort est plus considérable, le délit plus graves et le crime plus noir. N’importe quel homme sensé sait que c’est mal et que c’est inique. Mais, lorsqu’il s’agit du meurtre commis en attaquant un pays, on n’y voit aucun mal; on applaudit et on parle de justice. Peut-on dire que cela s’appelle savoir ce qui est bien et ce qui est mal?”. (Sunt Tzu: 45).

O saber do aprendizado do jovem-patrão na faculdade de administração consiste basicamente em não confundir empregado e raposa no escritório-galinheiro, certo?

DAVID-MÉNARD, Monique. A loucura na razão pura. Kant, leitor de Swedenborg. SP: Editora 34, 1996
MAQUIAVEL. O Príncipe e Escritos políticos. SP: Editora Folha de São Paulo, 2010
SUN TZU. L’art de la guerre. Paris: Flammarion, 1963
TOURAINE, Alain. La parole et le sang. Politique et société en Amérique Latine. Paris: Éditions Odile Jacob, 1988
TOURAINE, Alain. Palavra e sangue. Política e sociedade na América Latina. Campinas/SP: Trajetória cultural, 1989
TOURAINE, Alain. Crítica da modernidade. Petrópolis: Vozes. 1994
TOURAINE, Alain. Critique de la modernité. Paris: Fayard/ 1992

Nenhum comentário:

Postar um comentário