segunda-feira, 17 de abril de 2017

DA SÉRIE - A CONDIÇÃO NARCÍSICA DO SOCIÓLOGO GRAMATICAL DA USP



por José Paulo                                                                  

IDEOLOGIA GRAMATICAL E DECADÊNCIA EM 1988                                                                          
O sociólogo da USP é uma criação de um narcisismo associado a auto ilusão da criação da sociedade de classe média simbólica, espraiada por cidades paulistas, como efeito de um capitalismo industrial. O Brasil jamais soube o que é uma sociedade capitalista tout court. Este auto ilusão e ser parte da sociedade capitalista fez dos marxistas da USP (e do PCB) uns pobres diabos biográficos individuais, pois, uns apologéticos risíveis, writs, de que São Paulo é um país capitalista fazendo pendant com uma sociedade do burguês rico capitalista.

O magistral literato Antônio Cândido diz, eivado de séria sinceridade sobre Florestan Fernandes:
“Por isso, posso dizer como este texto (de Florestan) é vivo enquanto expressão do seu modo de ser intelectual e manifestação lúcida das suas ideias. Das suas ideias vistas de diferentes etapas de uma vida fecunda, como não há outra mais fecunda no Brasil de nosso tempo”. (Fernandes: VII).
Florestan Fernandes é o intelectual mais fecundo do que a própria ideia de fecundidade. 

Ele não precisava seguir o conselho de Erasmo do Elogio da Loucura, conselho ao qual que restou seguir o patológico narcisismo da vida universitária/pública/brasileira:
“Assim, pois, sigo aquele conhecido provérbio que diz: Não tens quem te elogie? Elogia a ti mesmo”. (Erasmo: 15).     

Na formação da graduação da Faculdade de Filosofia da USP na década de 1940, o núcleo uspiano intelectual (que subtraiu do PCB a articulação da hegemonia da sociedade simbólica do Sudeste) recebia aulas em francês sem dominar a língua francesa (Fernandes: VII- VIII). Assim, não restou a tal núcleo senão o aprendizado da sociologia independente da verborrágica aulética ilegível dos professores europeus, em francês. Pobrezinhos recém-saídos dos cueiros intelectuais da adolescência!

Tal fato foi a fonte de um incremento excedente narcísico extraordinário que construiu a vontade de potência adolescente de saber paulistano (da sociologia paulista) cujo efeito mais importante foi um dos membros do núcleo de iluminados afrancesados no purgatório linguístico à força, um membro galgar a presidência da República no início do regime político 1988, na década de 1990: FHC.

Com Fernando Henrique a sociologia paulista tornou-se uma ideologia gramatical da alta cultura brasileira? A ideologia gramatical é a forma da cultura política, ou que invade o real, ou é absorvida pela sociedade dos fatos política – como direção intelectual e moral do estrato dirigente (da classe simbólica) sobre as massas da sociedade de classes da sociedade de classes gramatical. Tal ideologia gramatical paulista significava o momento de uma nova articulação da hegemonia do estrato dirigente após a decadência do populismo marxista (cujo grande intelectual é Nelson Werneck Sodré) na cultura brasileira em geral, e na sociedade política ainda não possuída pelo libertino econômico aura sacra fames.

Com o PT, sob a influência discreta da sociologia gramatical paulista, a ideologia gramatical marxista (união da sociologia marxista com o cinema de Glauber Rocha e o tropicalismo musical e mais ainda outros fenômenos menores gramaticais) parou de inscrever a decadência da ideológica brasileira populista (decadência como efeito, principalmente, da intervenção prática do Estado militar nazista 1968 na cultura  do país) no campo do nosso Grande Outro, isto é, no simbólico de Hegel-Lacan (Hegel: 356-357).  Havia uma euforia esperançosa no país tomado pela luta de classes gramatical entre o PT (trabalhadores) e o PSDB (os ricos).  

Dois livros seminais expuseram, em detalhes, a decadência do populismo getulista fazendo pendant com a decadência do populismo marxista do PCB: De Francisco Weffort, O populismo na política brasileira (1980); de Octávio Ianni, O colapso do populismo no Brasil (1975). A fofoca, intriga, futrica de lavadeira a beira do rio lavando roupa suja uspiana diz que Ianni subtraiu a ideia da pesquisa sobre a decadência do populismo de seu amigo Weffort. Florestan diz que tinha dois tigres culturais querendo devorá-lo (teoricamente, é claro) o tempo todo: Fernando Henrique e Octávio Ianni. Ele jamais se referiu a Weffort com elogios grandiloquentes!  
                                                                                      II

Lukács observou sobre a decadência ideológica da Alemanha na revolução liberal 1848:
“Una de las cuestiones críticas más importantes de la preparación ideológica de Alemania para la revolución del 48  es la disputa, con, y la disolución del hegelianismo. Este proceso de la disolución caracteriza el final de la última gran filosofia de la sociedad burguesa”. (Lukács: 19).

A autodissolução da ideologia gramatical populista foi a nossa questão crítica [alemã} que se encontra na fundação do regime de 1988. Basta recordar que Fernando de Collor é um fenômeno antipopulista intempestivo, inconsistente simbolicamente, na política brasileira da década de 1990. E caiu ao se chocar com a decadência do populismo que ainda possuía armas políticas institucionais fortíssimas no modo de produção econômico-político do coronelismo urbano-rural espraiado por todo o território da subjetividade territorial da cultura política gramatical do país (Saez: 75-103).      

Com a decadência da ideologia gramatical populista, um fenômeno homólogo ao da revolução liberal europeia 1848 alegrou a vida de um país que queria, finalmente, despontar no cenário internacional como uma das nações do continente Americano.
Encaminho umas e outras interrogações:

Por que a ideologia gramatical tropicalista uspiana deu com os burros n’água?

Por que o significante libertino econômico (instituição imoral da utópica República europeia tornada um significante imemorial revolucionário do Marquês de Sade) se tornou o signo ersatz negro de uma súbdita gramática da sociedade do rico industrial (na parceria público-privado) e rentista/ instaurando a era da sedução da riqueza pública graciosa (a árvore que dá ouro maduro a ser recolhido do chão) para a classe política da Assembleia Constituinte de 1988?

Por que achar que o jornalismo anticientífico mundial pode dizer o que é este estranho e inacreditável fenômeno da cultura política gramatical negra (que invadiu o real da política tout court), e que nos conduz para “a lógica do pior”?   

O libertino desejo econômico do estrato dirigente é aquele terrível e temido desejo aura sacra fames abominável pelo Imperii romano, pois, foi um desejo psicótico dissipador que contribuiu, decisivamente, para a decadência milenar do Imperator romano sobre o planeta.

Porquê? Porquê? Porquê?.....

ERASMO DE ROTTERDAM. Elogio da loucura. SP: Abril Cultural: 1972
FERNANDES, Florestan. A condição do sociólogo. SP: HUCITEC, 1978
HEGEL. Estética. Lisboa: Guimarães Editores, 1993
IANNI, Octávio. O colapso do populismo no Brasil. RJ: CB, 1975
LUKÁCS, George. Marx y  el problema de la decadencia ideológica. México: Siglo XXI, 1981
SAEZ, Décio. Estado e  Democracia. Ensaios teóricos. Coleção Trajetória 1. Campinas: IFCH-INICAMP, 1994
WEFFORT, Francisco. O populismo na política brasileira. RJ: Paz e Terra, 1980          



     
            
                                                                                      


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