sexta-feira, 27 de janeiro de 2017


THOMAS MANN- O ESTADO CULTURAL INDUSTRIAL NAZISTA DE MASSAS DA AMÉRICA

                                                            I
Sempre considerei invulgar o livro O cânone ocidental (Harold Bloom) não incluir Thomas Mann no CÂNONE OCIDENTAL LITERÁRIO.  

Bloom não faz a leitura ideológica liberal do cânone ocidental, pois, comunistas notáveis foram incluídos no Pantheon literário do cânone ocidental: o poeta do PC chileno Pablo Neruda (1904) e o Deus de Platão da alta cultura da Cuba comunista: Alejo Carpentier (1904-1980). (Bloom: 442)

A esquerda americana cultural usou Lacan e Derrida para depor o liberalismo literário de Bloom de sua posição quase soberana na crítica literária. Como tomei conhecimento de tal fato?

Na Escola de Comunicação, fiz amizade com os garotos das famílias ricas burguesas cariocas. Eles me chamaram para integrar o grupo de estudo de literatura que funcionava em um belo apartamento do Bulhões, na Avenida Atlântica.

Eles falavam fluentemente o alemão e haviam debatido, inúmeras vezes, o Dr. Fausto, em alemão. Claro que esses garotos burgueses me conquistaram e passei a ter por eles uma admiração secreta. Quando eles discutiam o Dr. Fausto em alemão, eu arranjava uma desculpa esfarrapada e me retrava; eles não manifestavam o menor gesto de contrariedade ou censura.

Em 1984, adquiri o livro de Thamas Mann. E pedi aos meus jovens burgueses algumas sessões de leitura do livro. Descobri, então, que toda a discussão deles, em alemão, sobre o Dr. Fausto era uma farsa witz com minha pessoa.

Já como professor de ciência política, li a atitude dessa jovem burguesia culturail witz comigo como a manifestação de um profundo ódio ao pensar, e, por tabela, a alta cultura burguesa europeia.

 Na era Lula, eles ajudaram a montar o jornalismo bolivariano que dominou o país até a queda de Dilma Rousseff.

Com Bulhões e seus amiguinhos ricos de Copacabana ao Leblon descobri o quê?

Me foi revelado, sem que eu desejasse, a visão teológica brutal [da burguesia cultural esteticista do Sudeste] nossa vida nacional. Na Escola de Comunicação, os professores diziam que a visão brutal (de gangsterismo tupiniquim americanizado) mafiosa do jornalismo carioca e paulista era uma herança do abominável e grotesco CHATÔ.

O mau-cheiro que exala do ersatz de cultura do jornalismo pode ser apreciado com o exercício no jornalismo escrito de Eliane Cantanhede, em um grande jornal paulista, e no jornalismo falado de Sergio Aguiar e da, novamente, Eliane (um ˂pazzo> personagem cultural do universo da realidade carioca romanceado por Machado de Assis), ambos da GloboNews.
                                                                                  II

Li várias vezes o Dr. Fausto e fui em inúmeras conferências e mesas redondas sobre esse romance que anunciou em uma profecia racional poética o Estado cultural industrial nazista de massas americano. Claro que os literatos e especialista brasileiros, europeus e americanos jamais sentiram o odor que exalava concentrado do capítulo I ao VI.

O mau cheiro do fascismo alemão cultural {inebriantemente sedutor, mera sugestão de um sexo sgrammaticatura aristocrático e burguês} pula para fora do mar do a Filosofia na alcova suplementado pelos 120 dias de Sodoma. Ou a escola da libertinagem. O mau-cheiro evoca o sujeito gramatical sugestão do belo sgrammaticatura para ser usado na política mundial. A alta intelectualidade da sociedade dos significantes civil burguesa doou ao Partido nazista a ideia de usá-la na política alemã de 1930.      

Lionel Richard diz:
“Le beau n’est plus qu’un instrument de fascination, de suggestion, de soumission de l’individu. A ce point qu’un art aussi populaire que le cinéma est considéré par Goebbels comme ne pouvant avoir que subsidiairement une fonction distractive. Il le souligne en 1941: l’apparente distraction ne doit être qu’une ruse pour faire passer plus facilement l’éducation, l’édification idéologique, la meilleure propagande étan celle qui imprègne, la vie de manière presque imperceptible: (Richard: 19).

Não se trata de l’édification idéologique, e sim de edificação da theologia saecularis, que o Partido nazista transformou em articulação da hegemonia gramatical da política alemã: causa imediata e eficiente da II Guerra Mundial.

Pessoal, se Bloom esqueceu o Dr. Fausto, foi por sentimentalismo classe média simbólica industrial universitária fazendo pendant com a theologia saecularis liberal americana.
                                                                                 III

A cultura industrial moderna é sintetização. (Zizek/Mao: 223). A cultura alemã nazista achou o caminho da política mundial como sintetização do artista-herói com o burguês culto. Tal fato é o sujeito gramatical teológico do Dr.Fausto.

A sintetização do biográfico ( Serenus Zeitblom) e do biografado (Adrian Leverkühn) é o laço gramatical literário de prata que arca com unidade narrativa romanceada da theologia saecularis liberal de Mann.  

O biógrafo é um burguês universitário descendente da alta cultura alemã burguesa que cultivava e cultuava:
“de temperamento humano tendente à harmonia e ao raciocínio, um erudito e conjuratus da ‘Legião latina’, não desprovido de relações às artes (toco viola d’amore); mas, filho das Musas no sentido acadêmico do termo, gosto de considerar-me descendente dos humanistas alemães da época da Epistolae obscurorum virorum...”(Mann: 8)   

O biografado é o gênio musical erudito de divinis influxibus ex alto sob invasão do reino dos Inferos (DIABO ou SGRAMMATICATURA), isto é, a condensação da energia gramatical theologia saecularis em matéria irracional sgrammaticatura como parcela inquietante dessa esfera de luz (Deus ou GRAMÁTICA theologia saecularis). (Mann: 9).

Dando um passo à frente:
“Tudo isso a forma derivada da palavra faz também comparecer. Deixa ser também entendido diretamente. Ora fazer também comparecer, deixar também entender e ver outra coisa, nisso está faculdade de egklisis, pela qual a palavra, que estava de pé, perde o equilíbrio e se inclina para lado. Por isso se chama egklisis paremphaticos. A palavra qualificativa, paremphaino diz de modo autêntico a atitude fundamental dos gregos frente ao ente, como o consistente”. (Heidegger: 93).        

O tema do ente gramatical literário como o consistente Dr. Fausto no ser da forma cultura nazista da política mundial é o quê?
Trata-se da apresentação na tela gramatical literária da evasão do Oceano Pacífico da cultura alemã de um peixe-fenômeno da alta cultura burguesa fazendo pendant com a baixa cultura da música com cheiro animalesco de mulher SEGUNDA MÃE.

Mulher que canta de ouvido - com a voz estridente das baixas classe populares- canções de rua e de soldado para a criança burguesa. Ao contrário, a bela voz da burguesa cultural Segunda Mãe Elsbeth Leverkün não canta a música erudita por pudor e, assim, não inebria a sua criança burguesa de alta política alemã liberal burguesa. (Mann:  39).

Mann define a política fascista alemã como um silêncio musical da alta cultura que se subtrai do processo cultural theologia saecularis musical de invasão e metabolização das massas simbólicas como sujeito gramatical povo-criança alemã. Assim, o povo-criança é subtraído do processo de metabolização inventado pelo homo culto europeu e entrega, intencionalmente, aquela mulher-serva com mau cheiro animalesco da política fascista alemã a criança-alemão hereditariamente gramatical culta.     

Finalizo minha apresentação [dessa investigação do começo do objectum popperiano (Popper: 46): o artefato que se encontra no caminho de nosso agir político na cultura nacional alemã fazendo pendant com o artefato formação da cultura da política burocrática industrial de Thomas Mann – Estado cultural industrial nazista mafioso de massas da América

Eis o comentário de liga de prata gramatical entre Darnton, Benjamin, Baudelaire e Mann.
                                                        
                                                                  ROBERT DARNTON

Na ORDEM ABSOLUTISTA francesa do século XVIII, havia um departamento burocrático para cuidar do escritor, para o policiamento do ato de escrever. Por quê?

Robert Darnton procura responder a tal indagação.

O trabalho de policiamento da República das letras era feito pelo inspetor do comércio livreiro; ele também inspecionava os indivíduos que escreviam os livros. Joseph d’Hémery fazia relatórios bem organizados sobre a vida do escritor parisiense. Assim, o leitor fica a par de que não existia uma sociedade de escritor, e sim uma República das letras. Os escritores viviam espalhados pela sociedade de Paris.


O escritor não é o intelectual dos Quaderni del Carcere. Ele não é o intelectual hegemônico e tão pouco é o rhetor percipio, pois, não é capaz de criar a ideia que lhe possibilite invadir e subtrair parcelas da articulação da hegemonia do território da subjetividade territorial da sociedade absolutista dos ricos aristocratas fazendo pendant como os ricos burgueses.

O escritor não é um ator hobbesiano, ou seja, uma força gramatical teológica prática capaz de produzir efeito dissipativo na Ordem Absolutista. Ele ainda não tomou a forma no real do ser da política mundial do ATOR KANTIANO LIBERAL.

Então por que a Encyclopédie gerou uma tremenda tempestade no século XVIII? (Darnton: 247).

Encyclopédie: “Era ela, como perguntou uma autoridade, ‘trabalho de referência ou machine de guerre? (Idem: 248). Qual espécie de máquina de guerra (M.Q)? M.Q livro no lugar errado da prateleira e, portanto, inútil, ou uma M.Q. colonial brasileira como o engenho de cana-de-açúcar que anda, isto é, a máquina de guerra bandeiras (ou entradas)? Ele é a M.Q. que voa como a borboleta?

O QUE FAZ A MÁQUINA DE GUERRA Encyclopédie artesanal?

O que faz a máquina de guerra nazista cultural industrial?




                                                                       V

O romantismo carrega em seu código literário genético à oposição ao burguês. Há livros mais à mão, disponíveis, sobre tal fenômeno da política da cultura europeia da era que vai de 1885-1925. Menciono, especialmente, O moderno e o modernismo. A soberania do artista (1885-: 1925), de Frederick R. Karl. E, também, o Les règles de l’art. Genèse et structure du champ littéraire. (Boudieu: 89-103). Não posso subtrair o maravilhoso e definitivo Paris bohéme. 1830-1930.

O problema é a chave gramatical filosofal dos alquimistas que abre todas as portas para a spaltung da cultura da política do Ocidente. Estudando a alquimia, o intelectual fascista hobbesiano descobriu que não se tratava do cálice sagrado ou da arca da aliança e sim da caixa de pandora.

Se tratava de transformar a baixa matéria como tal da cultura da política em ouro gramatical    theologia saecularis sgrammaticatura da política que não é uma explosão no espaço da vida OCIDENTAL.

De fato, trata-se da explosão do próprio espaço gramatical theologia saecularis ocidental.
 Thomas Mann diz:
“De resto, rogo encarecidamente ao leitor que ponha aquilo que acabo de dizer em tom sentimental exclusivamente na conta do autor destas linhas, e não creia que falei expressando a mentalidade de Leverkühn. Sou um homem à moda antiga, que perseverou apegado a certas concepções românticas, das quais também faz parte a patética oposição entre artistas e burgueses. A uma comunicação do etilo da precedente, Adrian teria respondido com frieza, desde que achasse que valeria a pena refutá-la”. (Mann: 36).

A propósito, quem {ou o quê] é o músico genial erudito Adrian Leverkhün?

No texto A modernidade, Walter Benjamin estabelece que consiste no ser da cultura da política mundial o sujeito gramatical baudelairiano como força prática estética:
“A apreciação mais feliz é do simbolista Gustave Kahan quando diz que ‘o trabalho poético se parecia em Baudelaire com um esforço físico”. (Benjamin: 7).

Traduzindo! Trata-se da máquina de guerra poética que faz a liga gramatical theologia saecularis literária e guerra gramatical no território da subjetividade territorial europeia ocidental.   

A força prática gramatical em narrativa theologica saeculares sgrammaticatura é um fenômeno político da cultura revolucionária burguesa da Revolução Francesa. (Lenin: 29).   


BENJAMIN, Walter. A modernidade e os modernos. RJ: Tempo Brasileiro, 1975
BOURDIEU, Pierre. Les règles de l’art. Genèse et structure du champ littéraire. Paris: Seuil, 1992  
BLOMM. Harold, O cânone ocidental. RJ: OBJETIVA, 1995
DARNTON, Robert. O grande massacre dos gatos. E outros episódios da história da revolução francesa. RJ: Graal, 1986
 KARL, Frederick r.  O moderno e o modernismo. A soberania do artista (1885-1925). RJ: Imago, 1985
MANN, Thomas. Dr. Fausto. Tradutor Herbert Caro. RJ: Nova Fronteira, 1984
LENIN. Cuadernos filosoficos. Madrid: Editorial Ayuso, 1974
POPPER. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. SP/Belo Horizonte: EDUSP/Itatiaia, 1975
RICHARD, Lionel. Le nazisme et l aculture. Bruxelles: Editions Complexes, 1988
 SADE, Marquês. A filosofia da alcova. SP: Círculo do Livro, Sem Data
 SADE, Marquês. Os 120 dias de Sodoma. Ou a escola da libertinagem. SP: Iluminuras, 2013
ZIIZEK. Apresentação de Mao. Sobre a prática e a contradição. RJ: Zahar, 2007
          

  


             
  



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