terça-feira, 17 de janeiro de 2017

DIREITO GRAMATICAL NATURAL, JUSTIÇA, ALTA POLÍTICA



 JPBandeira 

Este opúsculo gramatical digital é fruto de uma leitura que fiz da fala do historiador Marco Antônio Vila no programa Roda Viva realizado ontem (16/01/2017, 21:00).

Marco é o modelo vivo [de intelectual brasileiro público] de gramática das artes plásticas do fim da nossa alta política, pois, só diz aquilo que é a sua verdade, no momento de sua fala pública.
Ele não é o imbecil e pobre-coitado príncipe Míchkin (do romance “O Idiota”, de Dostoievski) que é possuído pela compulsão estúpida de dizer a verdade sempre: ou no mundo público em geral, ou na política da vida privada do mundo-da-vida, ou no mundo da política como tal.   

Há a terapia gramatical de Heidegger da cura no evangelho da fenomenologia “Ser e Tempo”. O intelectual público gramatical invade o lugar do analista (Freud e Lacan) e pratica a cura dizendo a verdade da política para as massas sujeito grau zero sgrammaticatura.

Dizer a verdade sobre um objectum popperiano qualquer da política nacional (aquilo que está no caminho de nossa ação) requer a junção de uma ideia sobre o objectum com o próprio objectum. Ontem ao vivo na televisão Marco Vila fez tal milagre acontecer. Explico agora!

Dois enunciados de Marco Vila sobre a gramática da política brasileira criaram um novo conceito de CRISE BRASILEIRA.

Primeiro, Marco diz que a ‘elite do poder’ é inculta. Ela é despossuída da faculdade gramatical neurônica de ver a política como alta política. Então, ela é incapaz de metabolizar a alta cultura da política criada para ela conduzir o país para fora da crise, enfim, finalmente, em direção a uma tela gramatical em narração teológica da alta cultura democrática, por exemplo, politeia representativa.

Segundo, ele diz que há uma nova interpretação carioca da política nacional fazendo pendant com a política mundial. Talvez, Marco não se referisse a física gramatical teológica do real de JPBandeira. 

Vamos admitir a hipótese que ele se referiu ao anônimo sujeito gramatical digitalis JPBandeira, senão, a ideia Vila de Krisis vira apenas fumos machadianos do meu cérebro! 

O conceito de KRISIS de Marco Vila é simples e elegante.

a)            Todas as forças sgrammaticatura da política nacional e local (institucional ou de rua) que paralisaram a biografia intelectual da política simbólica de JPBandeira [a arquitetura gramatical da física teológica é da década de 1990] de 2003 a 2012 são causa gramatical teológica da nossa crise catastrófica atual.   

b)           Todas as forças negras da INVASÃO da nossa política nacional [que a emasculou como fenômeno de alta cultura gramatical nacional] se constituem como um poder fascista Criminostat contido na fórmula de um burguês cultural espanhol: ‘quando ouço falar em alta cultura saco meu revólver’.

c)            A sintetização é assim. O fenômeno SPALTUNG nacional da política é a disjunção, a separação intransponível {em um campo de entendimento hegeliano conjuntural gramatical teológico da política nacional} entre a biografia cultural gramatical teológica de JPBandeira e a biografia gramatical ideológica {avesso da gramática em narração teológica da política nacional fazendo pendant com a política mundial} da classe política de Brasília.

d)           Marco só diz a verdade, então, ele também considera que o juiz do STF Enrique Ricardo Lewandowski mais o presidente do Senado Renan Calheiros e JPBandeira cometeram um crime constitucional.
Eles conduziram o Senado à decisão prática legislativa de uma punição senatorial da presidente Dilma Roussef que não a destruísse como pessoa biográfica. Eles se orientaram, com boa fé, pela ideia gramatical hobbesiana de que em determinada circunstancia da política nacional, a política é o monarca soberano. Assim, a vontade divina da soberania popular de ideia do homem comum moderno europeu é: a política democrática é o homem gramatical da política e sua circunstância.

e)           Hobbes diz que o perdão é uma ideia da gramática do direito natural bebido na fonte da cultura cristã primitiva? Talvez sim, talvez não! Mas a teologia gramatical de Hobbes contém a ideia gramatical de que o Estado é o Deus mortal (Pensadores:  110), ou seja, um TRANS-SUJEITO gramatical divino em narração teológica da política na história universal.

A gramática em narração teológica hobbesiano do direito natural não pode ser desprezada em uma situação nacional na qual o direito artificial moderno 1988 não consegue mais dar um passo, andar com as suas próprias pernas, pois, está na posição de 4 gramatical teológica:

A legislação gramatical teológica do direito natural hobbesiano diz:
“A sexta lei de natureza é Que como garantia do tempo futuro se perdoem as ofensas passadas, àqueles que s arrependem e o desejem. Porque o perdão não é mais do que uma garantia de paz, a qual, embora quando dada aos que perseveram em sua hostilidade não seja paz, mas medo, quando recusada aos que oferecem garantia do tempo futuro é sinal de aversão pela paz, o que é contrário a lei da natureza.

A sétima lei é Que na vingança (isto é, a retribuição do mal com o mal) os homens não olhem à importância do malpassado, mas só a importância do bem futuro. O que nos proíbe aplicar castigo com qualquer intenção que não seja a correção do ofensor ou o exemplo para os outros. Pois esta lei é consequência da que lhe é anterior, a qual ordena o perdão em vistas da segurança do tempo futuro. Além do mais, a vingança que não visa ao exemplo ou ao proveito vindouro, é um triunfo ou glorificação, com base no dano causado ao outro que não tende para fim algum (pois o fim é sempre alguma coisa vindouro). Ora, glorificar-se sem tender a um fim é vanglória [(van)glória], e contrário à razão, e causar dano sem razão tende a provocar a guerra, o que é contrário a lei da natureza [da política gramatical teológica na história universal}. E geralmente se designa pelo nome de crueldade. (Hobbes: 95).

A violação da 7° lei fazendo pendant com a 6° lei gramatical teológica da física da política mundial só pode desembocar no fato seguinte:
“Assim, multidão seria levada a uma situação de guerra, contrariamente ao fim para que é instituída toda soberania”. (Idem: 119). O fim da soberania do monarca rhetor percipio do poder governamental é a paz!

Na conjuntura do impeachment da sra. Rousseff, as massas do bolivariano e as massas contra o bolivariano se chocavam com frequência em muitos capitais do país. Havia a possibilidade de tal fenômeno político de rua - encarnado em uma violência sem limite das multidões inimigas progredir? Sim, com certeza:
“Shmittt y rapelle l’insistance de Platon sur la distinction ˂liée> (verbunden) à celle des deux types d’ennemi (polémios et ekhthrós), à savoir la distinction entre pólemos (˂la guerre>) et stásis (˂émeute, soulèvement, rébellion, guerre civile>). (Derrida: 110-111).

Uma força da transformação da política em stásis é o sujeito gramatical ekhthrós força prática da política nacional:
“Os homens que tem em alta conta sua sabedoria em questões de governo têm tendência para a ambição”. (Hobbes: 66). É Caio Júlio César!  

Esquecer uma lei gramatical da política e da guerra de que o mediador portador da ideia gramatical da paz possui salvo-conduto, é lançar a história universal para o reino integral da barbárie:
“É também uma lei de natureza Que a todo aqueles que servem de mediadores para a paz seja concedido salvo-conduto. Porque a lei que ordena a paz, enquanto fim, ordena a intercessão, como meio. E o meio para a intercessão é o salvo-conduto”. (Hobbes: 97).

O estado de guerra das máquinas de guerra do Brasil colonial não adquiriu uma outra forma gramatical teológica na Ordem Liberal 1988? Ele não é beneficiado e autoalimentado por uma semblância criada e recriada pela tela-eletrônica GloboNews? Esta não diz em ritornelo para as massas: a guerra não vai parar de não se inscrever no campo do Simbólico da política nacional?  Não há perigo!  Continuem crentes do pastor de almas eletrônicas Grupo Globo!

Nessa conjuntura cultural da política nacional, a aparência da semblância (Arendt: 30-32) ideologicis do real da realidade política é efeito da cultura industrial eletrônica de uma narrativa sem narração (subtração da memória gramatical teológica da história nacional do final do século XX até agora). 

A cultura industrial usa oportunisticamente a conveniência que vai ao encontro de seu interesse político da existência na política da rua do delirante discurso do comunista (no lado direito da Ordem Liberal) fazendo pendant com o discurso do fascista (no lado avesso da Ordem Liberal).

O efeito de poder e a causa do prazer desse efeito comunista-fascista {= totalitário despótico asiático} se constituíram em uma química ersatz de gramatica corrosiva da nossa memória da política. E, portanto, age como um elemento derrogatório, e um desiderato às avessas, do valor da alta cultura da política fazendo pendant como alta política nacional. Perde-se, assim, um recurso tático teológico para que o significante Ordem Liberal 1988 não desmanche a céu aberto urbano! 

Leitor jovem, a alta política nacional teceu a gramática constitucional 1988 em narração com fios de prata teológicos gramaticais. Então por que a guerra colonial senhorial assaltou, sem resistência alguma, as fortalezas da Ordem Liberal Gramatical narrada em língua portuguesa teológica 1988?

Hobbes diz:
Por último, levando em conta os valores que os homens tendem naturalmente a atribuir a si mesmos, o respeito que esperam dos outros, e o pouco valor que atribuem aos outros homens – o que dá origem entre eles a uma emulação constante, assim como querelas, facções, e por último à guerra, à destruição de uns pelos outros e à diminuição de sua força perante um inimigo comum -, tudo isto torna necessário que existam leis de honra, e que seja, atribuído um valor aos homens que bem serviram, ou que são capazes de bem servir ao Estado; e também que seja posta força nas mãos de alguns, a fim de dar execução a essas leis. Mas já foi mostrado que não é apenas toda a milícia, ou forças do Estado, mas também o julgamento de todas as controvérsias, que pertence à soberania. Ao soberano compete, pois, também conceder títulos de honra, e decidir qual ordem de lugar e dignidade que cabe a cada um, assim como quais os sinais de respeito, nos encontros públicos, que devem manifestar uns para com os outros”. (Hobbes: 115).

Marx foi freudiano antes de Freud. Hobbes foi lacaniano antes de Lacan. Os debiloides psicanalistas brasileiros não creem em tal verdade? Olha, se tiver visão para tal, então:
“E todo e qualquer vício que possa ser tomado como efeito do poder...”. (Hobbes: 73).

O conceito de política em Lacan é a fórmula da matematização topológica do inconsciente lacaniano com o nome alingua:
“O que anuncio do próprio sujeito como sendo efeito do discurso...”. (Lacan. S. 16: 47).

O sujeito gramatical teológico é um efeito do inconsciente alingua do discurso do político do capitalista lacaniano. Bela tese gramatical da theologia saecularis do domínio da psicologia lacaniana. O inconsciente lacaniano invade a teologia de Hobbes e toma de assalto o lugar do significante PODER HOBBESIANO:  e todo e qualquer vício que possa ser tomado como efeito do poder.         

Habermas diz em uma leitura do Iluminismo ultra racionalista  algo verdadeiro sobre a teologia gramatical de Hobbes:
“Se assumirmos a perspectiva de Kant e olharmos para trás em direção a Hobbes, descobriremos um modo de ler que vê em Hobbes o teorizador de um Estado constitucional burguês sem democracia, muito mais do que o apologista do absolutismo desenfreado. Segundo Hobbes, o soberano só pode distribuir suas ordens na linguagem do direito moderno.  Este garante uma ordem que propicia às pessoas privadas liberdades subjetivas segundo leis gerais: “Pois os soberanos mais não podem fazer pela felicidade no interior do Estado do que preservar os cidadãos de guerras internas e externas, permitindo que eles gozem com sossego de sua fortuna, adquirida mediante o próprio esforço”. (Habermas: 123).       

Quero falar, ainda, sobre a justiça no A República de Platão.

A justiça do sofista é o sujeito gramatical: ajudar o amigo, prejudicar os outros.
“A justiça deve dar o bem aos amigos e o mal aos inimigos”. (Platão: 18).

Sócrates diz para o notável sofista Trasímaco: para o amigo Trasímaco - não existe semblância da realidade dos fatos e artefatos da política:
“E quando falas de amigos e inimigos te referes aos que o são realmente ou apenas em aparência”. (Platão: 21).

Para a política do homo ideologicis inimigo-semblância é uma impossibilidade lógica, pois, no discurso do ideólogo não há a fronteira gramatical teológica entre realidade e ficção/semblância. 

Tudo é fato!  Por tal lógica do homo ideologicis o JUDEU tem que ser O INIMIGO, pois, é a certeza absoluta factual:  inimigo ideológico dialético mestiço inferior da raça superior ariana alemã!               
Na história teológica gramatical do Brasil colonial, a justiça do burguês senhorial latifundiário é homóloga a do sofista de Platão.

A justiça de Sócrates é o sujeito gramatical teológico: não prejudicar!

Não prejudicar o homem grego da politeia. Sócrates não é Jesus Cristo, ele tem uma pátria e os inimigos de sua pátria são inimigos de Sócrates. Ele não é um infâme traidor!

A justiça gramatical teológica socrática não se aplica aos inimigos da pátria grega. Para Sócrates a justiça não contempla o bárbaro. O bárbaro é o homólogo da máquina de guerra sgrammaticatura freudiana colonial da atualidade brasileira.

A justiça do físico da teologia gramatical é: toda pessoa tem direito à felicidade - não ser destruída em sua vida biográfica teológica gramatical por um efeito do exercício do poder político contingente!
A física teológica não é aquela justiça do injusto, pois, o injusto é: “quem na realidade acomoda a sua conduta à verdade e não às aparências, uma vez que não deseja parecer injusto, mas sê-lo”. (Platão: 55).  

Por usar sem limite a violência real sobre homens, mulheres e crianças, a máquina de guerra freudiana da política, em qualquer dos mundos da política, deve ser objectum popperiano do rigor do poder da justiça da Ordem Liberal 1988.   

A máquina de guerra freudiana na política é o tirano - se ele é homo homini lupus (Platão: 319-321, 327).       

“O desejo sexual característico do injusto é a dominação universal”. (Badiou: 51).

Hoje, há um Imperator burocrático despótico industrial asiático governando o planeta?

Zizek, célebre militante eslavo da filosofia ocidental diz:
“ Husserl a Sartre, continuam no horizonte do esquecimento do Ser, presas, no fundo, dentro do niilismo da realização da metafísica), bem como Adorno e Horkheimer (para quem todo o pensamento ocidental, e não ocidental, é totalizado-equalizado como o desdobramento gradual da dialética do Esclarecimento que culmina no ‘mundo administrado de hoje’ – de Platão à Otan, como se costuma dizer) ”. (Zizek: 431).        

Na atualidade ainda faz justiça um enunciado assim:
“- Logo, considerando o que está em jogo em nossa discussão, os melhores são aqueles que fazem o processo político avançar, sabendo, quando convém superar as dificuldades ou sair dos impasses. Para tal, imagino, que devam ser esclarecidos, capazes, e sobretudo, preocupados coo o bem público”. (Badiou; 123).

Os melhores, eis o anverso do ersatz gramatical teológico nomeado por classe política nacional da alta cultura da política cosmopolita, entre os adoradores do Diabo!


ARENDT, HANNAH. A vida do espírito. O pensar. O querer. O julgar. RJ: UFRJ Editora/Relume Dumara, 1992
BADIOU, Alain. A República de Platão. Recontada por Alain Badiou. RJ: Zahar, 2014
DERRIDA, Jacques. Politiques de l’amitié. Paris: Galilée, 1994
HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia.  Entre facticidade e validade. v. I. RJ: Tempo Brasileiro, 1997
HEGEL. Filosofia da história,  Brasília: Editora UNB, 1995
HOBBES. Leviatã. Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Pensadores. SP:  Abril Cultural, 1974
LACAN. Jacques. O Seminário. Livro 16. De um Outro ao outro. RJ: Zahar, 2008
PLATÃO. A República. Diálogos. III. SP: Edições de Ouro, Sem Data
ZIZEK, Slavoj. Menos que nada. Hegel e a sombra do materialismo dialético. SP: Boitempo, 2013
 
 
        

                   
 

      



 
   
                  

    

          

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