quinta-feira, 17 de novembro de 2016

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA?

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA?



       José Paulo Bandeira
                                                                        I
“ ˂Vou-me Embora pra Pasárgada> foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. Estava certo de ter sido em Xenofonte, mas já vasculhei duas ou três vezes a Ciropedia e não encontrei a passagem. O douto Frei Damião Berge informou-me que Estrábão e Arriano, autores que nunca li, falam na famosa cidade fundada por Ciro, o Antigo, no local preciso em que vencera a Astíages. Ficava a sueste de Persépoles. Esse nome de Pasárgada, que significava ‘campo dos persas’ ou ‘tesouro’ dos persas’, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias, como o de ˂ L’invitation au Voyage> de Baudelaire”. (Manoel Bandeira: 80).         
                                                                            II
Ontem ouvi um discurso no Senado do brilhante senador Roberto Requião. Ele estava se sentindo muito atingindo pela ofensiva do MERCADO que vai inundar todos os veículos de comunicação com a ideia propagandista de que todas as forças contra a política do governo Michel Temer são comunistas. Requião evocou (em sua imaginação) a repetição histórica tupiniquim do grande choque entre Hitler versus Stalin em Moscou. A derrota do exército fascista alemão em Moscou foi o início da desagregação gramatical do fascismo alemão, em 1942.

No A revolução burguesa no Brasil, Florestan Fernandes expõe o modelo autocrático-burguês de transformação capitalista no Brasil. Florestan e Fernando Henrique Cardoso pensavam o pais por um platô marxo-weberiano. Octávio Ianni desenvolveu um marxismo puro sangue de Caio Prado Júnior. Nenhum deles jamais chegou perto de imaginar qual era o enigma do século XX brasileiro.

O Partido em filosofia marxista lacaniana vai aos poucos penetrando em tal enigma. A fórmula simples é que o Brasil é uma sociedade burguesa a partir da era colonial. Toda a discussão se existia ou não capitalismo na era colonial significa apenas que capitalismo era um significante marxista ficcional da semblância discursiva do Partido em filosofia marxista USP, criado por Caio Prado Junior.  

Claro que o mundo colonial não é capitalista escravista, feudal escravista, ou simplesmente escravista colonial, rigorosamente. Estes significantes são ficcionais do romance brasileiro colonial feito pelos nossos marxistas ou do PCB ou do Partido Comunista USP. 

Com a abolição da escravatura pela inocente Princesa Isabel, os fazendeiros paulistas foram obrigados a aceitar, muito contrariados, finalmente, a substituição do trabalho escravo afro-brasileiro pelo trabalho assalariado italiano. 

Os italianos eram anarquistas que, durante duas décadas, mostraram para a burguesia urbana paulista da fazenda de café no que consistia uma verdadeira luta de classes entre proletários e uma burguesia que era ainda escravocrata na sua trans-subjetividade territorial paulista. 

O modelo autocrático-burguês capitalista é um modelo de uma sociedade burguesa escravocrata espiritualmente. A autocracia burguesa não é uma autocracia da modernidade europeia. Ela é uma autocracia inventada na história colonial brasileira. Ela é a autocracia escravocrata paulista continuada por meio da empresa rural do café (usando o trabalhador italiano “assalariado”) da sociedade burguesa da fazenda de café burguesa.

Vou adiantar a solução do enigma.

O Brasil jamais foi capitalista. Até hoje a revolução capitalista é um fenômeno desconhecido entre nós. A Revolução burguesa no Brasil não é uma revolução capitalista. Desde a Colônia, o Brasil é uma sociedade burguesa oligárquica sem capitalismo

O modelo autocrático-burguês não é a história da revolução capitalista tupiniquim. Ela é a história imóvel da fabricação da sociedade burguesa ariana dos ricos associados São Paulo/Rio. A sociedade burguesa do Sudeste significa a consistência de uma dominação teológica política escravocrata durante todo o século XX, com semblância liberal tupiniquim. 

A teologia política do discurso do maître burguês colonial tem sua continuação na burguesia do café e despois na burguesia urbana subindustrial paulista. O nosso urbano é uma arquitetura escravagista burguesa paulista. O jornal O Estado de São Paulo é a vanguarda dessa arquitetura trans-subjetiva tela teológica heteróclita ariana. Ele tem intelectuais juristas do estamento dominante da USP burguesa pensando nas melhores táticas para a destruição do Estado gramatical brasileiro da Constituição 1988, que ainda não saiu do papel. Hoje, a USP é o comitê central teológico político da sociedade burguesa dos ricos escravocratas associados SP/RJ. O Grupo Globo os usa frequentemente!            
                                                                             III

Meu professor de Itú deixou páginas verdadeiramente magistrais sobre a burguesia paulista. Vejam esta: 
“ No processo da revolução burguesa, a burguesia se torna a classe social nacional. Impõe-se como a classe dominante. Domina, suprime ou incorpora forças sociais remanescente do escravismo, colonialismo e latifundismo. Esses remanescentes aparecem, modificados, no caciquismo, gamonalismo, coronelismo, caudilhismo, e outras manifestações sociais de base agrária, que marcam a vida política local, regional e nacional pelo século XX adentro. A própria burguesia nacional, inicialmente, possui base agrária. Mas combina-se com interesses predominantes no comércio e setor bancário. Depois, inicia empreendimentos industriais ou associa-se a capitais aplicados na indústria. Liga os seus negócios com os da burguesia estrangeira, cujos capitais são mais vultosos e cuja tecnologia é mais avançada. Assim, à economia primária exportadora, ou de enclave, juntam-se a industrialização substitutiva de importação e a associação de capitais, ou joint ventures. Nesse percurso, a burguesia faz e refaz as suas alianças. Ela própria adota um discurso liberal, civilizado, parnasiano, em suas relações com a burguesia estrangeira e os setores sociais privilegiados das maiores cidades dos seus respectivos países”. (Ianni: 9-10). 

Há similitudes que apontam para o mesmo modelo de sociedade autocrática-burguesa na América Latina? Esta era a investigação de Octávio Ianni que precisa ser retomada, de onde ele parou, pela nova geração de intelectuais latino-americanos na universidade e outras instituições de pesquisa historial. Notem, que Ianni diz que o discurso liberal é a semblância burguesa da sociedade dos ricos associados trans-subjetivamente territorial autocrática-escravagista. Além disso, ao contrário do que meu rhetor percipio comunista diz, jamais consistiu, entre nós, uma burguesia nacional.  A burguesia brasileira sempre foi um entre geopolítico fragmentado no real do ser do território da physis e da metaphysis da sociedade territorial nacional.   

Tal burguesia nacional é uma mera ficção significante marxista (sustentada hoje pelo discurso jornalístico do Estado de São Paulo e do Grupo Globo) - semblância da realidade dos fatos sociedade burguesa das 12 famílias apostólicas negras ricas associadas RJ/SP, que dominam o restante da burguesia fragmentada em todo o pais do Sul ao Norte. 

O mais extraordinariamente impressionante é o domínio político e teológico/espiritual que ela possui sobre a potente burguesia de commodities do Centro-Oeste, que é o fenômeno que mais se aproximou de uma revolução capitalista, entre nós. 
Tal domínio se faz, em parte, através do DEM (ocrata) - ou será DEMON (crata) - que é, hoje, um partido/máquina de guerra política satélite da hegemonia negra do PSDB sobre o sistema partidário nacional

O magister ludi negro dessa hegemonia é FHC o Pai do Bruce do filme Braveheart (é um filme norte-americano de 1995, estrelado e realizado por Mel Gibson. Estreou no Brasil em 14 de julho de 1995 e nos cinemas portugueses em 15 de dezembro daquele ano).  

A crise gramatical brasileira (crise da língua portuguesa em narração política ideológica), talvez, tenha produzido um efeito sobre a burguesia de commodities do Centro-Oeste pondo-a na posição irrevogavelmente contrária em relação a uma possível revolução capitalista brasileira do século XXI, ao lançar tal burguesia centro-oeste para o interior de uma tela agramatical fascista teológica do Sudeste Rio/SP. 

Retomo meu saudoso Ianni do fundo de minha memória de lembranças adoráveis da década de 1980 
no Rio ou em São Paulo. A burguesia latino-americana:
“ Simultaneamente, é oligárquica, caudilhesca, autoritária, nas atividades internas, nas suas relações com os trabalhadores da cidade e do campo. Essa é a ocasião em que surge o populismo: umas vezes, bastante autoritário; outras, com alguma abertura democrática; dependendo do jogo das forças sociais que se acham em confronto. É assim que a burguesia emerge e afirmar-se como classe social nacional. (semblância nacional ficcional marxista). Confere à nação a sua fisionomia: liberal, em seu discurso para efeito externo; autoritária, em suas relações com operários, camponeses, mineiros, empregados, ou índios, afro-brasileiros e outros. A nação criada pela burguesia latino-americana não compreende o povo, os cidadãos; compreende a população, os trabalhadores. Há uma nação da burguesia que não é precisamente a nação do povo”. (Ianni: 10).   

nação brasileira é aquela nação escravagista, até hoje, da sociedade burguesa dos ricos associados arianos RJ/SP.  

Como nunca se constitui um Estado gramatical nacional de uma sociedade burguesa hegeliana, entre nós, a país não conheceu a consistência do fenômeno europeu bloco-no-poder. Sobre isso, o marxismo da USP tem razão. Nesse território tupiniquim prevalece o bloco-de-poder como exercício da política representativa burguesa escravagista:
“Primeiro, as rupturas que resultam das disputas internas no bloco de poder. Revelam controvérsias entre burguesias nacionais e estrangeiras, ou seus setores, em geral compreendendo também o exército e outras forças armadas. Naturalmente entram nas disputas também segmentos da classe média, intelectuais e a alta hierarquia da Igreja. Ocasionalmente, essas lutas internas no bloco de poder podem levar alguns dos seus elementos a buscar apoio entre trabalhadores da cidade e campo; ou buscar reforço nos movimentos sociais e partidos de base operária, camponesa e outras categorias assalariadas”. (Ianni: 16). 
                                                                      IV 

Com a modernidade de Marx, a revolução é exposta na gramatica de Marx com todas as letras:
“ Las ideas – escribe Marx citando a Bauer – que la Revolución francesa había engendrado no llevarón más allá  del orden que ella quería suprimir por la violencia.
“ Las ideas jamás pueden llevar más allá de un antiguo orden mundial; no pueden hacer outra cosa que llevar más allá de las ideas de ese antiguo orden. Hablando en términos generales, las ideas no pueden ejecutar nada. Para la ejecución de las ideas hacen falta hombres que dispongan de cierta fuerza práctica. 
La Revolución francesa engendró las ideias del comunismo (Babeuf), que, elaboradas en forma coerente, contenían la ideia de un nuevo Weltzustand”. (Lenin: 29).
                                                     A CARTA AOS BANQUEIROS (LULA- junho/2002)

Do PT, A Carta ao povo brasileiro, é o mais infame e obscuro documento da história do comunismo no Brasil. Vergonha da nação comunista mundial 

Sua confecção visou desbloquear o veto da sociedade burguesa RIO/SÃO PAULO (a Lula), pois, ela concretamente/empiricamente a articulação hegemônica (pela vanguarda teológica da rede jornal O Estado de São Paulo fazendo pendant como a família Robertomarinho proprietária do Grupo Globo), no Brasil, em nome da hegemonia abstrata da burguesia oligárquica financeira mundial. A dívida do Estado brasileiro com burguesia financeira mundial é impagável.  

Com o americanismo, tal hegemonia superposta se transformou na hegemonia do trans-sujeito Diabo industrial alemão do americanismo sobre a trans-subjetividade latente territorial brasileira. 

O fim da memória cultural política econômica do glorioso passado do combate (kampf) comunista ao longo do século XX foi riscado do tradicional mapa geopolítico teológico brasileiro, com a ajuda de velhos jornalistas do PCB que venderam sua velha alma comunista à sociedade dos ricos associados sob o comando da família Robertomarinho. 

Os jovens jornalistas do Grupo Globo podem não saber que trabalham para uma máquina de guerra do capital eletrônico do Diabo. Mas o velho jornalista está careca de saber, e morre de prazer com esse gozo burguês, pois, goza em língua narrativa burguesa sem narração política nacional, sem ser burguês.   

Hoje, a esquerda bolivariana brasileira, ao contrário da venezuelana, não tem como carta tática na mão, para negociar com O Diabo em tela, a sua identidade comunista. Triste fim do Policarpo Quaresma bolivariano! A reforma do sistema partidário vai encerrar a vida legal de todos os partidos ideológicos da esquerda bolivariana (PSOL, PCdoB. Rede, PSTU...). Renan sabe, já há algum tempo, que se entrou na era transideológica da política mundial, na qual qualquer partido ideológico sobrevive como uma simples excrecência política. Adeus amigos do tempo comunista!

O sentido teológico sagrado da Carta de Lula é um paralelismo entre Lula e apóstolo Pedro abjurando conhecer Jesus/comunista três vezes, enquanto Cristo morria na Cruz judaico/romana - criando a mais maravilhosa teologia cristã comunista da história das religiões monoteístas. 

O fundamentalismo evangélico do americanismo é o Diabo que veio do Norte do continente americano e invadiu nossa trans-subjetividade territorial católica secular colonial.  Assim, o Brasil teve sua alma religiosa brasileira invadida pelo Diabo e aniquilada como vontade de potência gramatical sagrada para a política!

Lula e o PT fizeram um PACTO com o Diabo para governar bolivarianamente nosso país. 

Se antecipando à história, a burguesia instalou uma tela agramatical teológica fascista cujo princípio motor é evitar tanto a revolução gramatical capitalista e/ou a revolução gramatical comunista lacaniana. A era da revolução comunista heteróclita é algo do século XX europeu asiático ou da Ásia como tal. 

A revolução gramatical teológica furta-cor não abjura desse passado comunista secular, mas também o considera uma narrativa em língua russa ou em mandarim de um passado que não deve pesar como chumbo no cérebro gramatical comunista do século XXI americano. 

A possibilidade de uma revolução simultânea, paralela, superposta gramatical capitalista/gramatical comunista na América (de um desenvolvimento associado e combinado de revolução capitalista e comunismo do século XXI) é ainda uma visada viciosa burguesa da velha linguagem da ciência política universitária. Como professor de ciência política durante quase 40 anos na UFRJ bolivariana, adquiri alguns vícios gramaticais no uso da linguagem da ciência real da política.  

Rigorosamente, a história consiste em domínios da banda de Moebius na qual duas superfícies contínuas são o direito (revolução capitalista) e o avesso (revolução comunista) de um espaço mundial sem descontinuidade política. 

Trata-se da refundação da história universal!

Carta aos Banqueiros significou o fim do comunismo brasileiro? 

De fato, significou o fim do comunismo totalitário brasileiro como paradigma da história do comunismo americano do século XXI. Vivemos uma era na qual o capital descentralizou o trabalho simbólico espalhando-o por todo o planeta, principalmente, o concentrando, na Ásia. Tal geopolítica gramatical teológica negra (globalismo do Diabo industrial do americanismo) orienta-se no sentido de bloquear o surgimento de uma tela gramatical geopolítica teológica furta-cor na trans-subjetividade territorial da América. 
                                                             ESTADO SOCIAL

A guerra política da sociedade burguesa Rio/São Paulo visa a destruição do nosso Estado social 1988. A Constituição 1988 contém a gramática teológica furta-cor da passagem do Estado comitê central do burguês rico (Estado particular da sociedade burguesa Rio/São Paulo) para o Estado de toda a sociedade nacional latente - comunidades urbano-rural (vice-versa) e sociedades tribais da Floresta Amazônica. Trata-se do Estado gramatical teológico furta-cor da América.   

Antecipando à transformação do desejo sexual perversus em vontade de potência negra dos ricos SP/RJ, e, portanto, em vontade de destruição do Estado social, o magister ludicearense em ciência gramatical teológica do Estado escreveu para o então, inconsistente, Príncipe em filosofia gramatical do Estado:
“ Esse contraste que assim estabelecemos nos permite escapar ao erro usual de muitos que confundem o Estado social com o Estado socialista, ou com uma socialização necessariamente esquerdista, da qual venha a ser o prenúncio, o momento preparatório, a transição iminente. Nada disso”. (Benevides: 180). 

Carregando na mão de tinta historial, Benevides diz:
“ A Alemanha nazista, a Itália fascista, a Espanha franquista, o Portugal salazarista foram, e continuam sendo, nos dois últimos casos, ‘Estados sociais’. Da mesma forma, Estado social é a Inglaterra de Churchill e Attle; os Estados Unidos, em parte, desde Roosevelt; a França, com a Quarta República, principalmente; e o Brasil, desde a Revolução de 30. 
Estado social é, por último, na órbita ocidental, uma de suas mais recentes criações: a República Federal Alemã, que assim se confessa e proclama textualmente em sua Constituição, adotada em Bonn, capital provisória daquele país”. (Benevides: 181).

A crise brasileira atual é um deslocamento e condensação de contradições lógicas e antagonismos gramaticais das três grandes eras: colonial, imperial, republicana. 

Oliveira Vianna pintou a tela teológica dialética da sociedade burguesa colonial/imperial/republicana que hoje se resume ao furo que o Partido Comunista Lacaniano mestiço fez no domínio hegemônico da sociedade burguesa dos ricos arianos sobre o resto do país: 
“ Os mestiços inferiores - os que, por virtude de regressões atávicas, não têm capacidade de ascensão nem desejos de operar essa ascensão – estes, sim, é que ficam dentro do seu tipo miscigênio. Na composição do nosso caráter coletivo entram, mas apenas como força revulsiva e perturbadora. 
Nunca, porém, como força aplicada a uma função superior: como elemento de síntese coordenação, direção.
Essa função superior cabe aos arianos puros, com o concurso dos mestiços superiores e já arianizados. São estes os que, de posse dos aparelhos de disciplina e de educação, dominam essa turba informe e pululante de mestiços inferiores e mantendo-a, pela compressão social e jurídica, dentro das normas da moral ariana, a vão afeiçoando, lentamente, à mentalidade da raça branca”, (Vianna: 109).

Na linguagem antiga, o texto de Oliveira Vianna é a expressão do pensamento privado burguês rico associado. Aliás, eles não têm coragem de expressar publicamente tal pensamento.    

A sociedade burguesa ariana rural possui uma origem teológica mítica. Ela é o engenho-que-anda e, que, na sua andança, destrói os fragmentos da sociedade tribal em território brasileiro. Ela é a primeira máquina de guerra do Diabo cristão consistente - máquina psicopática que fundou o país. 

A sociedade burguesa urbano-caipira ariana dos ricos associados SP/RJ é a última máquina de guerra aristocrática negra da nossa história. Só que agora ela serve ao Diabo alemão industrial do americanismo. Ela é o motor que mantém funcionando a tela agramatical teológica fascista dessa segunda década do século XXI, com semblância liberal parnasiana civilizada intramuros, onde quem não domina o código cortês parnasiano está, de antemão, rejeitado.     

A memória privada familial da sociedade paulista é:
“É a bandeira uma pequena nação de nômades, organizada solidamente sobre uma base autocrática e guerreira, mesmo as de colonização. O bandeirante lhe é, ao mesmo tempo, o patriarca, o legislador, o juiz e o chefe militar”. (Vianna: 81).   

A toupeira da história, pacientemente e lentamente, cavou e escavou na subjetividade territorial da sociedade rica ariana do subcapitalismo colonial (ersatz de capitalismo moderno), que adquiriu a forma capitalismo associado e dependente. Uma poderosa classe operária daí brotou e derrotou o Estado militar (comitê central da sociedade dos ricos associados), e foi o motor da era teológica do bolivariano comunista em pele de cordeiro socialdemocrata.

Primeiro. O bolivariano é o governo operário da sociedade burguesa rica. Cansado do compasso e régua de economia política inventada pelo PSDB (FHC e Pedro Malan), o bolivariano quis reinventar a roda econômica do subcapitalismo paulista industrial e, assim, criou a maior confusão da história econômica do país. 

Segundo. Um sistema político partidário de máquinas de guerra bandeirante surgiu no lugar do sistema político de partidos políticos da Constituição 1988. Hoje, é difícil saber de qual cérebro saiu a ideia da § 4° do Capítulo V. Dos partidos políticos. Artigo 17:
“É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar”.
Tal § 4° parece uma verdadeira alucinação política dos constituintes, pois, se tratava de uma época onde o partido fascista europeu havia virado fumos machadianos (fantasma vaporoso de um passado que a Europa queria esquecer inteiramente). 

Hoje a letra da lei se encarnou na máquina de guerra partidária do Diabo. Vou descer à terra e mostra como   § 4° antecipou a crise atual. 

Na eleição de 2014 presidencial surgiu uma carismática líder (oriunda da pobreza, da doença e da falta de alfabetização infantil) dos seringais do Acre e tarimbada, ao lado de Chico Mendes no combate ás máquinas de guerra burguesas bárbaras da Floresta Amazônica, possuídas por um desejo sexual psicopático infinito de destruição da Floresta. 

Ela se tornou um político profissional fazendo carreira no PT e no governo Lula. As massas urbanas e rurais aprenderam a confiar em Marina Silva. Ela foi candidata à eleição de 2014, depois, que a fantasia lacaniana Okhrana explodiu o avião de Eduardo Campos, candidato do PSB. 

A gramática da crise econômica já era visível para a percepção teológica do Partido Comunista Lacaniano, que na época consistia na página do Facebook PCPT (Psicanálise, Cultura Política. Totalitarismo). Antecipando a destruição de Marina (pelo uso de violência simbólica sem limite nos debates e propaganda da televisão e rádio) pelas máquinas de guerra psicopáticas negras PT e PSDB, o PCPT fez inúmeras tentativas de contato com Marina Silva, em vão.

Tive que assistir, sem poder fazer nada, a redução de Marina ao pó das areias do Deserto teológico da bíblia cristã dos seringais do Acre. Ali tive certeza que o país perdera o último bonde para a história do século XXI virtuoso. 

Paulo Benevides refletia, e sonhava, em Belo Horizonte sobre a passagem utópica, no Brasil, do Estado burguês COISA (comitê central da sociedade dos ricos associados SP/RIO)) para o Estado gramatical teológico furta-cor de toda a sociedade nacional constituída por cidades e capitais, comunidades urbano/rurais e rurais como tal, quilombolas reais e fictícios e pela sociedade tribal do Xingu? 

Seu texto é a expressão do saber universitário da década de 1990:
“ À medida, porém, que o Estado tende a desprender-se do controle burguês de classe, e este se enfraquece, passa ele a ser, consoante as aspirações de Lorenz von Stein, o Estado fator de conciliação, o Estado mitigador dos conflitos sociais e pacificador necessário entre trabalho e o capital”. (Benevides: 181).

A era do bolivariano poderia ter sido aquela da criação do Estado Benevides. Mas não aconteceu!

O Estado bolivariano foi um Estado voltado para governar a sociedade dos ricos paulistas, mas sobretudo, para a sociedade burguesa oligárquica financeira mundial. Também foi o verdadeiro jardim do Éden da burguesia bancaria brasileira da família carioca Moreira Sales.

O Príncipe em teologia furta-cor do Estado gramatical integral parece um raio em um céu azul do novembro carioca. Tal percepção natural da política se deve ao fato da total ausência de investigação teórico/historial da comunidade jurídica encarnada no Estado brasileiro 1988. 

Hoje ele é a força revolucionária que só tem um caminho. Ir em frente, seguir navegando no combate à sociedade dos ricos associados e de sua classe política teologicamente fascista disposta a dissolver o Estado gramatical integral 1988. A superfície subterrânea do território trans-subjetivo rico/associado mais classe política negra já percebeu que a era do simulacro de simulação da política brasileira se encerrou.

Sob a chefia política do mais brilhante e sagaz magister ludi dos jogos de guerra da política representativa do Sertão nordestino do coronelismo, os exércitos negros da política avançam para destruir, com a guerrilha parlamentar, a vanguarda do Príncipe em filosofia teológica do Estado gramatical encarnação da comunidade jurídica realmente consistente. 

Hoje, o território tático geopolítico gramatical é o Congresso nacional onde ocorre o choque principal é entre o Príncipe negro da DEMON (cracia) do Sertão das Alagoas e a revolução democrática teológica gramatical furta-cor.                                  

 MANOEL BANDEIRA. Poesia Completa e Prosa. Volume Ùnico. Itinerário de Pasárgada. RJ: Aguilar, 1986
BENEVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. Belo Horizonte: Livraria Del Rey, 1993
IANNI, Octavio. Classe e Nação. Petrópolis: Vozes, 1986
LENIN. Cuardenos filosóficos. Madrid: Editorial Ayuso, 1974
VIANNA, Oliveira. Populações meridionais do Brasil. Populações do Centro-Sul. v. 1. Niterói: EDUFF, 1987                

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