segunda-feira, 14 de novembro de 2016

REVOLUÇÃO NA AMÉRICA


                                           José Paulo Bandeira
Hegel diz que a história universal acabou com a Revolução Francesa, o Estado moderno prussiano e a filosofia da fenomenologia do espírito dele. Depois, ele, ele considerou que tudo poderia ter sua refundação na América.

Marx tentou ligar a sua filosofia materialista dialética da sociedade de classes à história universal para dar uma lição em seu rhetor percipio Hegel em história universal dialética. O Manifesto do Partido Comunista diz em uma reflexão mais poiética do que gramatical racional:
“La historia de todas las sociedades que han existido hasta nuestros dias es la historia de las luchas de clases”. (Marx e Engels: 21).

Não que não exista a gramatica das lutas de classes nas sociedades não-capitalistas modernas. A dialética da gramática de interesses na sociedade de classes em linguagem narrativa escrita é um ponto de partida consistente para se repensar o recomeço da história universal na América.         

                                                                             II
Há varias noites a multidão americana tomou de assalto a rua de várias importantes cidades dos EUA. Os jornais de papel de São Paulo e a televisão carioca não sabem qual é a gramatica de sentido transdialético de tal acontecimento. Eles tremem em pensar que pode ser uma revolução comunista americana.

Contando com competentes profissionais, o jornalismo brasileiro é intensamente um jornalismo limitado pela visão-de-mundo provinciana, demasiadamente caipira/urbana burguesa da excrecência fazenda colonial das 12 famílias apostólicas negras da sociedade dos ricos associados do Vale do Paraíba RIO/SÃO PAULO.   

Quando Alexis de Tocqueville resolveu viajar até à América e escrever o seu deliciosamente sexual furta-cor De la démocratie en Amérique, não creio que ele poderia imaginar que seu discurso só se revelaria como a verdade da América no século XXI.

Cito no original para os leitores dos EUA poderem ler, pois, sei que o português é uma língua pouco conhecida nesse país. Mas sei também que a comunidade de língua espanhola latina com um pouco de esforço pode ler na língua portuguesa sem maiores problemas.

Tocqueville viu a articulação (na invenção da modernidade americana do campo de poder mundial em língua inglesa não-científica) do poder americano como uma Spaltung na história universal do campo de poder/língua em narração política grega/latina/ou línguas europeias modernas nacionais.

Em língua inglesa falada na América ergue-se um novo campo de poder/saber narrativo político sem nome, sem significante, pois, todos os nomes ou significantes da história universal foram, finalmente, jogados para fora da língua da tela gramatical política mundial por aquele que não tem um nome, o inominável. Rigorosamente, a modernidade política é uma fundação da América sem Nome-do-Pai? Com efeito, a questão verdadeira não é essa questão lacaniana.

Talvez, Parmênides ilumine melhor nossa estrada:
“6. Simplício, Física, 117, 2:
                 Necessário é o dizer e pensar que (o) ente é; pois é ser,
                     E nada não é”. (Parmênides: 142).

O ente em língua inglesa ainda não nomeado é um campo de poder/saber narrativo que invade a América, portanto, ele é o percipio que articula a subjetividade territorial americana nacional fazendo pendant com o trans-sujeito que regula o campo de ´poder mundial na articulação hegemônica da modernidade europeia ocidental:
“ Les gouvernements démocratiques pourront devenir violents et cruels dans certains moments de grande effervescence et grands périls; mais ces crises seront rares et passagères.
Lorsque je songe aux petites passions des hommes de nos jours, à la mollesse de leurs moeurs, à l’étendue de leurs lumières, à la pureté de leur religion, à la  doucers de leur morale, à leurs habitudes laborieuses et rangées, à la retenue qu’ retenue qu’ils conservent presque tous dans le vice comme dans la virtu, je ne crains pas qu’ils rencontrent dans leurs chefs des tyrans, mais plutôt des tuteurs.
Je pense donc l’espèce d’oppression dont les peuples démocratiques sont menacés ne ressemblera à rien de ce qui l’a précédée dans le monde; nos contemporains ne sauraient en trouver l’image dans leus souvenirs. Je cherche en vain moi-même une epression qui reproduise exactement l’idée que je m’en forme et lar renferme; les anciens mots de despotisme et de tyrannie ne conviennent point. La chose est nouvelle, il faut donc tâcher de la définir, puisque je ne peux la nommer.
 Je veux imaginer sous quels traits nouveux le despotisme pourrait se produire dans le monde: je vois une foule innombrable d’hommes semblables et égaux qui tournent sans repos sur eux-mêmes pour se procurer de petits et vulgaires plaisirs, dont ils emplissent leur âme. Chacun d’eux, retiré à l’écart, est comme étranger à la destinée de tous les autres: ses enfants et ses amis particuliers forment pour lui toute l’espèce humaine; quant au demeurant de ses concitoyens, il est à côté d’eux, mais il ne les voit pas; il les touche et ne les sent point; il n’existe qu’en lui-même et pour lui seul, et, s’il lui reste encore une famille, on peut dire du moins qu’il n’a plus de patrie.
Au´dessus de ceux-lá s’élève un pouvoir immense et tutélaire, qui se charge seul d’assurer leur jouissance et de veiller sur leur sort. Il est absolu, détaillé, régulier, prévoyant et doux. Il ressemblerait à la puissance partenelle si, comme elle, il avait pour objet de préparer les hommes à l’âge viril; mais il ne cherche, au contraire, qu’à les fixer irrévocablement dans l’enfance; il aime que les citoyens se réjouissent, pourvu qu’ils ne songet qu’a se réjouir. Il travaille volontiers à leur bonheur; mais il veut en être l’unique agent et le seul arbitre; il pouvoit à leur sécurité, prévoit et assure leurs besoins, facilite leurs plasirs, conduit leurs principales affaires, dirigi leur industrie, règle leurs successions, divise leurs héritages; que ne peut-il leur  ôter entièrement le trouble de penser et la peine de vivre?” (Tocqueville: 433-434).      

O campo de poder/saber narrativo tocquevilliano articulou-se como subjetividade territorial americana tutorial de sentido no real de uma configuração singular historial R.S.I. (Real/Simbólico/Imaginário), onde se forma o Ser gramatical da política da modernidade.

O campo de poder tutorial em tela é regulado pela gramática transdialética da banda de Moebius physis/metaphysis da modernidade articulada como liberdade versus igualdade. Para o leitor se apossar de uma visão global do campo tutorial americano, cito, outra vez, um trecho longo, mas definitivo, sobre a política americana (e, consequentemente mundial), no século XXI:
“ C’est ainsi que tous les jours il rend moins utile et plus rare l’emploi du libre arbitre; qu’il renferme l’action de la volonté dans un plus petit espace, et dérobe peu à peu chaque citoyen jusqu’à l’usage de lui-même. L’égalité a préparé les hommes à touts ces choses: elle les a disposés à les souffrir et souvent même à les regarder comme un bienfait.
Aprés avoir pris ainsi à tour dans ses puissantes mains chaque  individu, et l’avoir pétri à sa guise, le souverain étend ses bras sur la société tout entière; il en couvre la surface d’un réseau de petites règles compliquées, minutieuses et uniformes, à travers lesquelles les esprits les plus originaux et les âmes les plus vigoureuses ne sauraient se faire jour pour dépasser la foule; il ne brise pas les volantés, mais il les amollit, les plie et les dirige; il force rarement d’agir, mais il s’oppose sans cesse à ce qu’on agisse; il ne détruit point, il empêche de naître; il ne tyrannise point, il gêne, il comprime, il énerve, il éteint, il hébète, et il réduit enfin chaque nation à n’être plus qu’un troupeau d’animaux timides et industrieux, dont le gouvernement est le  berger”. (Tocqueville: 434-435).

O rebanho de animais políticos industriosos fazendo pendant como o seu rhetor percipio pastor/tutor é a condição necessária do discurso do maître tocquevilliano? Na gramática da subjetividade territorial tutorial, a multidão - como forma política industrial - é o primeiro passo na formação da subjetividade territorial nacional como matéria metafísica do Trans-sujeito do americanismo depois da II Guerra Mundial?

Tocqueville continua:
“ J’ai toujours cru que cette sorte de servitude, règlée, douce et paisible, dont je viens de faire le tableu, pourrait se combiner mieux qu’on ne l’imagine avec quelques-unes des formes extérieures de la liberte, et qu’il ne lui seraît pas impossible de s’établir à l’ombre même de la souveraineté du peuple”. (Idem: 532).

A gramática sexual da revolução freudiana americana criou nas regiões do ente tutelar a ideia da liberdade freudiana como homo sexualis narcose (Freud: 100), onde “a anatomia é o destino” (Baudrillard: 12, 13).

A revolução freudiana do americanismo dos direitos iguais, da igualdade sem restrição entre o homem e a mulher faz pendant com a semblância de uma liberdade política do corpo sexualis. Trata-se do jardim das delícias do erotismo imortalizado pela alta e baixa cultura americana cujo efeito libertário mais humilde foi o movimento hippie na década de 1960:
“É a história atual do feminino, no interior de uma cultura que produz tudo, que faz tudo falar, tudo gozar, tudo discorrer. Promoção do feminino como sexo integral (direitos iguais, gozo igual), do feminino como valor, a expensas do feminino como princípio da incerteza. Toda a liberação sexual está dentro dessa estratégia de imposição do direito, do estatuto do feminino como sexo e do gozo como prova multiplicada do sexo”. (Baudrillard: 26).

Sem o estabelecimento de um campo de poder/ língua inglesa industrial em narração freudiana, o fenômeno que Baudrillard descreve seria improvável.      

Trata-se da subjetividade territorial da matéria metafísica desejo sexualis que articula biografias sexualis individuais e grupais de homens e mulheres livres em busca da felicidade - como técnica da arte de viver, no mundo-da-vida, pelo uso do prazer do amor sexual (Freud: 93, 101).

O discurso freudiano se constituiu como uma ideologia contemporânea oca (Dumont: 22-23; Adorno: 138, 140) do americanismo que articulou a Industria cultural (Adorno: 113-159) como filosofia política econômica alien da sociedade de espetáculo eletrônico/sexual (Debord: tese 32, p. 32).
Tocqueville diz mais, ainda:
Nos contemporains sont incessamment travaillés par deux passions ennemies: ils sentent le besoin d’être conduits et l’envie de rester libres. Ne pouvant détruire ni l’un ni l’autre de ces instincts contraires, ils s’efforcent de les satisfaire à fois tous le deux. Ils imaginent un pouvoir unique, tutélaire, tout-puissant, mais élu par les citoyens. Ils combinent la centralisation et la souveraineté du peuple. Cela leur donne quelque relâche. Ils se consolent d’être un tutelle, en songeant qu’ils ont eux—mêmes choisi leurs tuteurs. Chaque individu souffre qu’on l’attache, parce qu’il voit que ce n’est pas un homme ni une classe, mais le peuple lui-même, qui tient le bout de la chaine.

Dans ce systeme, les citoyens sortent un moment de la dépendence pour indiquer leur maître, et y rentrent.
Il y a, de nous jours, beaucoup de gens qui s’accommodent très aisément de cette espèce de compromis entre le despotisme administratif et la souveraineté du peuple, et qui pensent assez garanti la liberté des individus, quand c’est au pouvoir national qu’ils la livrent. Cela ne me suffit point. La nature du maître m’importe bien moins que l’obéissance”. (Tocqueville: 435-36).
O maître tutor é a subjetividade territorial despotismo democrático da modernidade:
“Je ne niera pas cependant que’une constituition semblable ne soit infiniment préferable à celle qui, aprés avoir concentré touts les pouvoirs, les dèposerait dans les mains d’une homme ou d’une corps irresponsable. De toutes les différentes formes que le despotisme démocratique purrait prendre, celle-ci serait assurément la pire”. (Idem: 436).

O despotismo democrático é uma forma do fenômeno universal da história universal. Trata-se   da tirania. Na Grécia, a tirania popular (da democracia sem lei ou limite no uso da violência real das massas populares) é o avesso da politeia. O magister ludi dos jogos de linguagem em filosofia política Leo Strauss diz:
“Il n’est pas nécessaire de faire preuve de beuacoup d’attention ou de réflexion pour s’apercevoir qu’il y a une différence essentielle entre la tyrannie telle que l’ont analysée les classiques et cella de notre temps. La tyrannie d’aujourd’hui, contrairement à la tyrannie classique, dispose de la ‘technologie’ et de l’ ˂ idéologie>. (Strauss: 38).

A tirania democrática dispõe da técnica industrial e da ideologia política no século XX. No século XXI, ela é industrialismo da subjetividade territorial nacional fazendo pendant com a teologia política negra no campo de poder/saber narrativo do inglês industrial tirânico democrático.  

                                                 SOCIEDADE DE CLASSES HOJE

O campo de poder tirânico democrático é uma forma do campo de poder hobbesiano com a multidão da soberania popular hobbesiana e o ator hobbesiano nas regiões do ente da política nacional como os partidos políticos e as classes sociais (direito) com o ente da política mundial (avesso) como a nova burguesia industrial simbólica do capital eletrônico industrial e da velha grande imprensa de papel.

A subjetividade gramatical territorial tutelar da tirania é a língua em narração soberana da política universal. Ela é a matéria metafísica do agir político do Príncipe negro universal do discurso do maître no real onde o Ser da política toma forma. A subjetividade tutorial tocquevilliana é regra gramatical universal na articulação e funcionamento de qualquer subjetividade territorial historial universal? Indo adiante.        

Marx diz: “Por burguesía se comprende a la clase de los capitalistas modernos, propietarios de los medios de producción social, que emplean el trabajo asalariado”. (Marx e Engels: 21). Assim nasceu a burguesia moderna, um significante que se transmutou nos últimos 200 anos, até perde sua gramática original.

Os marxistas detêm o monopólio da investigação da sociedade de classes. O erro do marxismo é associar sociedade de classes da modernidade e do século XXI somente com a dialética da luta de classes entre burgueses e operários industriais.

Eles ficaram cegos para as transformações do capital e da forma burguesia, da sociedade capitalista e da sociedade burguesa como tal. Na final década de 1970, Ralph Miliband censurava os marxistas pelo reducionismo do pensamento político marxista à luta de classes Era a era da mulher e do multiculturalismo:
“O foco, sempre, está no antagonismo de classe e no conflito de classe. Isso não quer dizer que o marxismo não reconheça outros tipos de conflito dentro das sociedades e entre eles – raciais, religiosos, nacionais, etc. Mas considera essas rivalidades, conflitos e guerras como diretas ou indiretamente decorrentes de conflitos de classes ou relacionados com eles; se é certo ou não esse modo de ver, não é questão aqui. O fato é que no marxismo esse é o foco principal, essencial.
O próprio Marx subestimava grandemente, e reduzia equivocadamente, sua contribuição e a de 
Engels para esse enfoque sobre o antagonismo de classes”. (Miliband: 23).

O Príncipe em filosofia marxista lacaniano pensa as lutas de classes como um ente/ator hobbesiano do campo de poder mundial/nacional americano em língua narrativa inglesa industrial. As lutas de classes são articuladas como industrialização da subjetividade territorial da sociedade de classes nacional/mundial.  

Hoje, uma classe operária ariana negra americana faz sua luta de classe a favor de Donald Tump.

Hoje, uma burguesia simbólica industrial comanda as lutas do capital mundial na política mundial. 

Com o fenômeno burguesia industrial, não se pode mais pensar a burguesia a partir da regra gramatical de Marx supracitada. A propriedade dos meios de produção define apenas uma fração da burguesia mundial. Além disso, a burguesia deixou de ser somente um fenômeno nacional e se tornou um fenômeno mundial. O ente globalismo neoliberal é responsável por tal transformação, mas não só ele.

A burguesia simbólica industrial mundial surgiu na América com o Império transnacional americano (Furtado: 45, 49) e depois assumiu a sua forma completa com o globalismo neoliberal. Ela domina o planeta no século XXI. O que ela é e como age?

Antes de responder a essa interrogação desejo mostrar que o marxismo ocidental tardio entendeu que o significante classe social havia mudado desde Marx, Engels e Lenin. O incompreendido estruturalista Poulantzas diz na década de 1960 que a classe social existe:
“como efeito global das estruturas no domínio das relações sociais, os quais conotam, nas sociedades de classe a distribuição dos agentes-suportes por classes sociais: e isto na medida em que as classes sociais determinam o lugar dos agentes-suportes relativamente às estruturas de um modo de produção e de uma formação social. Confundir estes domínios tem um nome na história do pensamento marxista: é o ‘antropologismo do sujeito’ ”. (Poulantzas. 1977: 62).

No meu marxismo lacaniano, as classes sociais são o efeito do trans-sujeito do campo de poder/saber em língua narrativa na subjetividade territorial da banda de Moebius nacional (direito) e nacional (avesso). A burguesia simbólica industrial mundial é, precisamente, o caso da gramática da sociedade de classes do século XXI. Mas não só ela. Peço desculpas, mas não tenho como desenvolver e mostrar o mapa geopolítico da sociedade de classe integral nesse modesto texto.

No livro As classes sociais no capitalismo de hoje, Nicos Poulantzas fala da nova-pequena burguesia da década de 1970. Vou pegar uma carona nesse discurso marxista que se tornou best-seller na América Latina.

Na década de 1970, Poulantzas continua leninista falando em imperialismo e no papel do Estado nacional na reprodução das classes sociais:
“ Les divers fonctions de l’État dont il a été questions jusqu’ici se concentrent, toutes, vers la reproduction élargi du MPC: le moment déterminant de cette reproduction concerne la  reproduction élargi des classes sociales, des rapports sociaux. Mais l’État a ici un rôle propre et spécifique, en intervenant d’une part dans la reproduction des places des classes sociales, d’autre part dans la ˂qualification assujettissement > - des agents de telle façon qu’ils puissent ocupper ces  places, et, ainsi, dans la distribution des agentes parmi ces places”. (Poulantzas. 1974: 82-83).

O Estado nacional deixou de existir como vontade de potência gramatical de reprodução das classes e dos lugares dessas classes no conjunto das relações sociais, e, também, no assujeitamento dos agentes, pois, estes se transmutaram em atores hobbesianos do campo de poder mundial hobbesiano.
Hoje, no lugar do Estado há um trans-sujeito burguês capitalista mundial fazendo pendant com a subjetividade territorial nacional/mundial na conjugação e articulação gramatical teológica (econômica, política, cultural) do ente classes sociais industriais e do ator hobbesiano também industrial da banda Moebius nacional (direito) e mundial (avesso).

Um fenômeno que distingue a era de Poulantzas da nossa época é o desaparecimento do bloco-no-poder nacional. Há efetivamente um bloco-no-poder mundial. O conceito de bloco-no-poder ficou restrito à superfície da política mundial:
“Quant au terrain de la domination politique, celui-ci est également occupé non pas par une seule classe ou fraction de classe, mais par plusiers classes et fractions de classe dominantes. Ces classes et fractions constituent, sur cet terrain, une alliance spécifique, le bloc au pouvoir, fonctionnant en règle générale sous la direction d’une des classes ou fraction dominantes, la classe ou fraction hégémonique. Cette classe ou fraction, qui peut d’ailleurs ne pas s’identifier avec celle qui détient la prépoderance dans la domination économique, est elle-même variable selon les étapes: ce peut être la bourgeoisie industrielle, la bourgeosie commerciale ou la bourgeoisie bancaire. Ceci dépend des tournants et des étapes concrètes de la lutte des classes”. (Poulantzas. 1974: 91).

A burguesia industrial simbólica alterou tal gramática do bloco-no-poder. Ela naturalmente se tornou a classe da articulação gramatical hegemônica da tela teológica política mundial ou gramatical ou agramatical. Gramatical ou agramatical significa a passagem de uma era civilizacional do capitalismo mundial para uma era dominada pela barbárie do Príncipe negro agramatical.   

A burguesia industrial simbólica articula-se concretamente como ente da junção do capital eletrônico mundial com o capital digital mundial. Se ela possui a preponderância econômica, isso, pouco importa. O fundamental é ela consistir no REAL como SER do ente capital mundial, pois, é no real da realidade dos fatos mundiais que o ser industrial do ente toma forma como burguesia simbólica industrial hegemônica. 

A burguesia simbólica se divide em fração que detém a propriedade dos meios simbólicos e a outra que tem a posse e está no exercício do poder simbólico. O poder simbólico de Bourdieu é:
“O poder simbólico como poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo; o poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou económica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário. Isto significa que o poder simbólico não reside nos ‘sistemas simbólicos’ em forma de uma ‘illocutionary force’ mas que se define numa relação determinada – e por meio desta – entre os que exercem o poder e os que lhes estão sujeitos, quer dizer, isto é, na própria estrutura do campo em que se produz e se reproduz a crença? O que faz o poder das palavras e das palavras de ordem, poder de manter a ordem ou de a subverter, é a crença na legitimidade das palavras e daquele que as pronuncia, crença cuja produção não é da competência das palavras”. (Bourdieu: 14-15).

Na nossa interpretação o poder simbólico é o poder do campo de poder/saber língua hegemônica em narrativa aberta da burguesia simbólica. A crença é necessária para a massas metabolizarem a narrativa. Agora, a articulação hegemônica se realiza na tela teológica política. Nesta, a crença adquire um semblância próximo ao sacro.

O poder simbólico é a plurivocidade de discurso que gera a semblância da política e da economia mundial capitalista como único destino para o planeta. Tal semblância é o cimento gramatical que mantém a unidade do bloco-no-poder mundial.

Partindo do conceito de nova pequena-burguesia de Poulantzas (Poulantzas. 1974: 195-334) não se trata de pensá-la pela determinação estrutural de classe e posição de classe. Mas de refletir sobre a gramática estrutural de classe na subjetividade territorial orbital e a gramatica conjuntural da subjetividade territorial nacional. Os EUA possuem a gramática orbital mais completa na atualidade. Mas o Brasil possui uma gramática territorial nacional burguesa bem desenvolvida.

A gramática orbital se encarna em conjunturas da subjetividade territorial nacional ou mundial.
 As eleições nacionais americanas significam uma conjuntura gramatical política de spaltung da subjetividade territorial americana que faz pendant com a expansão de tal spaltung para outros territórios nacionais. O que aconteceu?

Primeiro é preciso mencionar o papel da nova pequena-burguesia simbólica industrial como classe-apoio do bloco-no-poder burguês mundial/Língua inglesa industrial em narração neoliberal do globalismo. Tal pequena burguesia fez campanha em todo o planeta para o partido democrata de Hilary Clinton. O bloco-no-poder simbólico apoio em peso e intensamente Hilary contra Donald Trump conseguindo dividir o partido republicano. Uma parte do partido republicano se envolveu em um apoio aberto ao partido democrata.

Como já havia acontecido na Grã-Bretanha como o brexit que significou o choque da subjetividade territorial nacional com o globalismo da União Europeia, Trump desafiou o globalismo neoliberal da burguesia simbólica e de seu ente (a pequena-burguesia simbólica industrial) que age nos territórios nacionais, atacando o discurso que só fosse semblância do bloco-no-poder mundial como única alternativa para o capitalismo mundial.

Apresentou como semblância democrata e socialdemocrata europeia etc. o discurso do combate ao aquecimento global, controle do complexo industrial-militar, e abertamente disse que vai investir capital nas Forças Armadas americanas, criando uma nova corrida armamentista, e também expandir o governo negro da Okhrana (FBI, CIA, NSA...) para articular um Estado tirânico democrático americano capaz de impor respeito aos terroristas islâmicos e, sobretudo, a China.

O chefe do FBI agiu para implodir a candidatura de Hilary nos últimos momentos da eleição. Ele deu um empurrão na campanha de Donald no rumo certo. Mas a vitória de Donald é um efeito da subjetividade territorial nacional tirânica democrática transformada em tela heteróclita teológica fascista.                     

A pequena-burguesia simbólica derrotada consiste em uma banda de Moebius mais-valia (Mehwert) e a o mais-gozar ou plus-de-jouir = Mehrlust (Lacan: 29-30). Ela produz a mais-valia do capital simbólico industrial como força de trabalho intelectual especializada. Mas ela possui um laço sexual perversus com o bloco-no-poder mundial do globalismo, pois, ela realiza-se em um mais-gozar perversus. Trata-se do gozo burguês teológico perversus do pequeno-burguês. Tal fato, a torna uma força extremamente perigosa para a vida das nações, pois, a lealdade desse ator hobbesiano está associada ao amor sexual cego que ela tem pelo seu maître - o campo de poder/língua inglesa em narração neoliberal do globalismo. 

A burguesia simbólica é povoada por atores hobbesianos privados como: Editores do jornalismo da Indústria Cultural; cúpula dos cientistas de Harvard, Stanford, Princeton University, Oxford, Sorbonne; celebridades do mundo do cinema, da televisão e alta-costura; sites industriais da internet; elite do poder; elite política industrial nacional na cúpula dos partidos e dos governos; prêmio Nobel etc.

A pequena-burguesia simbólica industrial é constituída pelo jornalista como tal, pelo professor e pesquisador que faz o trabalho burocrático acadêmico, pelos psicanalistas do campo freudiano, pelo chamado baixo clero da classe política da subjetividade territorial nacional etc.

Na eleição americana de 2016, Donald derrotou todos esses poderosos exércitos teológicos tirânicos democráticos no terreno da subjetividade territorial americana.  

Após a vitória do Príncipe tirânico demoncrático negro, uma multidão tomou a rua da América durantes várias noites. Esta resposta do real é um ente espontâneo sem teoria revolucionaria? Multidão revolucionária na rua sem teoria revolucionária é um impossível freudiano. Mas não há teoria americana revolucionária visível. Então, de onde ela vem?
“ Las ideas – escribe Marx citando a Bauer – que la Revolución francesa había engendrado no llevarón más allá  del orden que ella quería suprimir por la violencia.
“ Las ideas jamás pueden llevar más allá de un antiguo orden mundial; no pueden hacer outra cosa  que llevar más allá de las ideas de ese antiguo orden. Hablando en términos generales, las ideas no pueden ejecutar nada. Para la ejecución de las ideas hacen falta hombres que dispongan de cierta fuerza práctica”. (Lenin: 29).

A multidão americana da era da subjetividade territorial digitalis é a fuerza práctica da revolução teológica política furta-cor mundial. No cerco a ela, há exércitos teológicos negros fazendo pendant com os exércitos do bloco-no-poder mundial: burguesia simbólica industrial e pequena-burguesia industrial.

Tendo que enfrentar a revolução teológica furta-cor mundial, o bloco-no-poder mundial caminhará para a aceitação de uma atmosfera fascista teológica na tela gramatical burguesa mundial?                              
             
ADORNO/HORKHEIMER. Dialética do Esclarecimento. RJ: Jorge Zahar Editor, 1985
BAUDRILLARD, Jean. Da sedução. SP: Papirus, 1991
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. SP: Difel, 1989
DEBORD, Guy. La Société du Spectacle. Paris: Gallimard, 1992
FURTADO, Celso. Criatividade e dependência na civilização industrial. SP: Companhia das Letras, 1978, 2008
FREUD. Sigmund. Obras Completas. v. XXI. O mal-estar na civilização. RJ: Imago, 1974
LACAN, Jacques. O Seminário. De um Outro ao outro. Livro 16. RJ: Zahar, 2008
LENIN. Cuadernos filosóficos. Madrid: Editorial Ayuso, 1974
MARX E ENGELS. Obras Escogidas de Marx e Engels. Tomo 1. Madrid: Editorial Fundamentos, 1975
MILIBAND, Ralph. Marxismo e política. RJ: Zahar Editores, 1979  

PARMÊNIDES. Os Pré-Socráticos. Fragmentos, doxografia e comentários. Os Pensadores. Edição Especial. SP: Abril Cultural, 1978
Pulantzas, Nicos. Les classes socialis dans le capitalisme aujourd’hui. Paris: Seuil, 1974
POULANTZAS. Nicos. Poder político e classes sociais. SP: Martins Fontes, 1977

STRAUSS, Leo. De la tyrannie. Correspondance avec Alexandre Kojève (1932-1965). Paris: Galllimard, 1997   
                
                             
             

                 
                 
                        


                       
            

        



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