sexta-feira, 4 de novembro de 2016

NIETZSCHE, LACAN, HEIDEGGER - DO PRÍNCIPE EM FILOSOFIA GRAMATICAL


NIETZSCHE, LACAN, HEIDEGGER - DO PRÍNCIPE EM FILOSOFIA GRAMATICAL

           José Paulo Bandeira
            (03/11/2016) 

Gramática transdialética em narrativa – amigos que odeio, pois, são um estorvo. Inimigos que adoro, pois, são inimigos de meus amigos.                                                               
                                                                  I

Durante o Estado militar, Ernildo Stein foi considerado um inimigo do Estado militar brasileiro pelo simples exercício da filosofia como docente universitário. Tal fato não produziu um efeito no sentido de mudar a sua visão da relação entre filosofia e política. Ele não conhecia a ideia de Lenin do Partido em filosofia (extraída do Marx de 1845), ou melhor, do Príncipe em filosofia como junção filosofia/política. (Lenin. 267-268).  

Na década de 1970, o sociólogo do marxismo francês Bourdieu percebeu tal problema não metabolizado pelo Partido em filosofia burguesa universitária:
“É preciso, pois, abandonar a oposição entre leitura política e a leitura filosófica, e submeter a uma leitura dupla, inseparavelmente política e filosófica, escritos definidos fundamentalmente pela sua ambiguidade”. (Bourdieu: 12).      

O professor Ernildo crê que há uma disjunção irrevogável entre filosofia e política desde a criação da filosofia pelos gregos. A filosofia é o lugar do pensar e a política do fazer. É um truísmo da modernidade que as ideias da política não são extraídas da filosofia política, do pensamento político. As ideias da política se originam em partidos políticos, enquanto a filosofia é um ofício de professores universitários. Por isso, Ernildo considera grave a ideia de que Heidegger seja o pastor do ser (Heidegger. 1973: 202).

Pastor do ser significa a possibilidade de um pensamento político heideggeriano do ser. Se o Real é onde o ser se forma (Lacan. S.20: 47), o pensamento político do ser faz pendant com o ser da política nas regiões do ente, onde a política é consistente transcendendo sua existência ideológica e empírica: “Desta maneira o homem é considerado o lugar privilegiado para a manifestação do ser, manifestação que se realiza pela experiência do nada”. (Heidegger. 1973: 227). 

A vontade de potência niilista da experiência do nada no ser da política moderna representativa não é a causa ausente (não visível na cultura política econômica intelectual mundial) da crise da gramática de sentido da modernidade política no século XXI? Tal acontecimento não articula ser e ente - na política - em uma unidade dialética materialista teológica? 

Trata-se da passagem da política mundial como campo ideológico leninista (toda luta de classe é uma luta ideológica política de classe) para o território da teologia política. A política mundial é, ou a teologia política do falar do Deus cristão, ou a teologia política do falar do Diabo industrial do americanismo.  

Se a teologia cristã é falar de Deus (Lacan. 20: 45); a teologia negra é falar do Diabo. Deus (direito) e Diabo (avesso) não constituem a banda de Moebius que articula a política da modernidade para além da ideologia e do empírico? 

Tal banda se articula como o trans-sujeito no qual a língua em narrativa gramatical doa o sentido da política. Portanto, a crise da política hoje não é uma crise ideológica, e sim uma crise teológica da política. Nada disso faz parte da interpretação de Ernildo Stein, enfim, desse brilhante, simpático e generoso tradutor de Heidegger.

Ernildo Stein não se aventura a pensar que há uma physis da política em Heidegger como problema da articulação entre ser e ente, articulação de uma gramática dialética materialista que suporta a autonomia relativa do ente em relação ao ser, vice-versa. Afinal, Heidegger não rejeitou oficialmente a dialética? A própria palavra de Heidegger enterra tal problema, mesmo ele sabendo da mercadoria matéria metafísica e da política moderna como matéria metafísica em Marx? 

Heidegger deixou claro que o caminho para se pensar a política não era o do homo logicus aristotélico (que provocou o desvio burguês através do significante lógica do significante na psicanálise francesa, e, portanto, bloqueou o surgimento da psicanálise marxista de Lacan até o Seminário 16). O caminho é o do homo gramaticalis (Heidegger. 2007: 13-14). A influência de Heidegger na ideia de razão gramatical do Seminário 20 salta aos olhos do leitor que conheça o abc da filosofia de Heidegger e minimamente a psicanálise lacaniana. 

A minha diferença com Stein é que esse professor pensa Heidegger em alemão como o filósofo da Floresta Negra. Já eu penso Heidegger na língua portuguesa com filósofo da Floresta Amazônica.  
     
                                                           II

Após Nietzsche, o Partido em filosofia estabeleceu uma outra relação da filosofia com a política representativa. Esta saiu do domínio dos objetos das regiões do ente do conjunto prática empírica para o domínio da ficção:
“ É conveniente, não obstante, não se servir da ‘causa’ e do ‘efeito’ senão em termos de puros ‘conceitos’, ou seja, como ficções convencionais que servem para designar, para pôr-se de acordo, porém, de modo algum para explicar alguma coisa. No ‘em si’ não há vestígios de ‘nexo causal’, de ‘necessidade’, de ‘determinismo’ psicológico’, o ‘efeito’ não é consequência de alguma ‘causa’, nenhuma ‘lei’ impera ali. (Nietzsche. 1971: 39).           

Então a política é percebida como um articula-se da gramática na prática da língua da política. Há uma gramática de sentido da política no real que é onde o ser se forma:
“ A estranha similaridade que guardam entre si um conjunto de filosofias indianas, gregas e alemãs, tem uma explicação simples. Efetivamente, quando há parentesco linguístico é inevitável que em virtude de uma filosofia gramatical (exercendo no inconsciente as mesmas funções gramaticais em domínio e direção) tudo se encontra preparado para um desenvolvimento análogo aos sistemas filosóficos, enquanto que o caminho parece fechado para quaisquer outras possibilidades de interpretação do universo. As filosofias do grupo linguístico uro-altaico (nas quais a noção de sujeito está pouco desenvolvida) provavelmente observaram e interpretaram o mundo com outros olhos e seguiram por caminhos diferentes dos dos indo-europeus ou mulçumanos. O fascínio que exercem certas funções gramaticais é, no fundo, o exercido por determinadas valorações fisiológicas e certas particularidades raciais. Isto para refutar as afirmações superficiais de Locke a respeito da origem das ideias”. (Nietzsche. 1971: 38).  

Caro leitor, o Partido/Príncipe em filosofia gramatical é indo-europeu fazendo pendant com o islâmico ou uro-altaico.    

                                                                  III       

A revolução da linguística com Ferdinand de Saussure vela a ideia da língua em narração como trans-sujeito da política. Com boa vontade, é possível ver em Greimas esta pegada saussuriana. A revolução da linguística foi um golpe de Estado literário no domínio do Príncipe em filosofia gramatical no pensamento político europeu. O Príncipe em filosofia linguística é o fenômeno político mais extraordinário do século XX. 

O Lacan burguês da lógica do significante é um golpe de Estado simbólico no Príncipe em filosofia linguística. A spaltung Mai 68 no pensamento político de Lacan o moveu para a psicanálise marxista e para o Partido em filosofia psicanálise marxista, enfim, na direção do Partido Comunista Lacaniano.

A propósito, a razão gramatical dialética materialista deve muito ao Pastor do Ser da Floresta Amazônica.

Citarei um longo trecho de Ernildo sobre a passagem da pastoral política do ser para a suprassunção da Metafísica pela Era da Técnica Industrial heideggeriana (que acaba por articular o trans-sujeito industrial do americanismo [Heidegger. 2000: 156-157]:
“ Carnap entenderia de maneira bem diferente a questão da superação da Metafísica. Propôs sua solução no conhecido ensaio de 1932: Superação da Metafísica pela Análise Lógica da Linguagem. Todo o movimento neopositivista, inspirado em Frege, levado avante por Wittgenstein através do Círculo de Viena, encaminha-se nesta direção: a Metafísica constitui-se de proposições destituídas de sentido. A análise lógica de suas proposições levará à sua superação. Realizada esta tarefa, o pensamento neopositivista envereda pelo caminho fecundo do pensamento lógico da filosofia das ciências
Enquanto a filosofia das ciências põe todo o seu empenho em promover a atividade científica na era da técnica, através dos subsídios indispensáveis da reflexão metodológicaHeidegger vê, em todo este processo, um signo do esquecimento do serSua crítica, à inelutável invasão do planeta pelo domínio da técnica não deve ser vista como postura anticientífica ou simplesmente reacionária e pessimistaele quer salvar um espaço essencial para o humano, que não pode ser dissolvido no processo técnico , e nisto coincide singularmente com os pensadores neo-hegelianos e neomarxistaQuando afirma que ‘a ciência não pensa’, não o faz como uma crítica, mas como uma constatação do que é a estrutura interna da ciênciaHeidegger reconhece o fenômeno da autonomização das ciências do âmbito da filosofia como um acontecimento inevitável e que não possui nada de negativo. O que ele quer impedir é que a razão se instrumentalize inteiramente e perca a visão do todo. Também para Heidegger está morta a possibilidade de uma filosofia primeira, no sentido clássico, e com isto libertou ele o homem e a obra humana de modelos cosmológicos superados”. (Heidegger. 1973: 202).

Com esse trecho brilhante, cheio de alegria (gaia ciência), em tela, o leitor pode compreender por que o Estado militar usou o SNI (Okhrana do Estado militar) na caça, ao cerco (que levou Ernildo ao exílio na Alemanha, e, finalmente, no encarceramento de Stein (quando ele regressou a sua terra natal) nos porões malcheirosos da DITADURA MILITAR, nos calabouços infectado da sujeira negra (matéria metafísica do Diabo) da Máquina do Diabo do americanismo Estado militar brasileiro após 1964.

Preciso, contudo, retomar Ernildo de um ângulo que não se encontrava à disposição da filosofia brasileira no final da década de 1960. Primeiro faço minha elaboração me apoiando na interpretação que um colega gaúcho de Stein do espaço público procedural de Hegel: “A confrontação e o diálogo são as formas mesmas de produção de conceito”. (Rosenfield: 23). 

Não é para levar a sério este axioma da filosofia sulista brasileira?

No início da década de 1980, Denis L. Rosenfield já metabolizara a ideia da filosofia/máquina de guerra de pensamento estelar hegeliano. Há um porém? Trata-se de uma máquina de guerra hegeliana da Ciência da Lógica, a obra magistral de Hegel. É a máquina de guerra da lógica dialética que faz pendant com o homo logicus dialeticus

No Brasil, tal máquina/homo logicus dialeticus fundou o Partido em filosofia comunista USP, de Caio Prado Júnior (CPJ). Confira tal fato da nossa cultura política econômica intelectual paulista no livro Notas introdutórias à Lógica Dialética, de CPJ; na França, há o excepcional Lógica formal/lógica dialética, de Henry Lefebvre.

Denis diz: "A medida que o conceito se apropria do mundo, à medida que se reconhece no produto de sua própria atividade, ele chega a apreender-se como essencialmente histórico. A liberdade só se produz no círculo que vai da pura imediaticidade a imediaticidade mediada. Ou melhor, o percurso, que leva do ser ao conceito não é somente o percurso que põe a identidade entre estes dois termos, mas, também, a sua diferença. O conceito contido na imediação do ser não é o conceito que se põe como ser. O ser que se tornou presente a si é o que vive da objetivação de sua própria subjetividade. Pensar o percurso próprio da liberdade, reconhecer na sucessão dos acontecimentos o surgimento de um conteúdo fundamental, eis o ato graças ao qual a comunidade humana se pensa como a culminação de todo um processo histórico e, assim, torna-se progressivamente livre. A vontade tem, então, o direito (e o dever) de dizer não ao que acontece historicamente, ela tem o direito (e o dever) de transformar o existente, ela tem o direito de não aceitar o que lhe é imposto. Marcuse tem razão ao afirmar que Hegel ‘considera o pensamento como uma atividade, não inofensiva, mas perigosa’, cujo exercício, estendido aos cidadãos e determinando a sua prática, os leva a pôr em questão as formas tradicionais de cultura e inclusive a subvertê-las’. Em suma, partindo do que está aí, a crítica efetua uma atividade cujo objetivo é tornar-se este ser-aí um ser conscientemente posto: seu objetivo é de produzir, no que é, a figura do que assim veio a ser. Dizendo não ao que é da ordem do simplesmente histórico, a crítica eleva-se ao que é verdadeiramente conceitual, ao que se realiza segundo o movimento do ‘fundamento’ e cujo fim é liberar, no presente, o que se encontra voltado para o futuro”. (Rosenfield: 25). 

A revolução moderna é obra da máquina crítica de pensamento fazendo pendant a língua francesa em narração dialética. Trata-se do Partido em filosofia gramatical francês em narração do choque entre o velho mundo aristocrático e o novo mundo da sociedade dos significantes burguesa.  Tal fato é uma excelente definição da Revolução Francesa extensivo a outras situações dialéticas como a Revolução Bolchevique e a Revolução Comunista de Mao Tse Tung.  

A fenomenologia do Espírito da Revolução moderna é a máquina de guerra do Partido em filosofia gramatical narrativa que não põe e repõe o problema do tempo como a estrutura mais fundamental do ser. 

O ser-aí (Dasein) ex-siste como antecipação, como programação gramatical de seus projetos, caracterizando-se, então, como condição de possibilidade, como ser-possível, em direção ao futuro. Porém, o ser-aí ex-siste como um ser já jogado, já no mundo. Ele também se encontra voltado para o passado e depende de sua memória cultural política econômica na língua em narração revolucionária. A transformação da língua francesa em língua em narração revolucionária burguesa foi um trabalho complexo do Partido em filosofia do Esclarecimento e do Príncipe Jacobino (Príncipe centauro moderno metade Maquiavel metade Gramsci) e das forças políticas como os sans-culottes e Marat, com seu jornal Le amie du peuple

Não podemos esquecer que o ser-aí ex-siste como presença, existe no presente, e se articula revolucionariamente pela apreensão intuitiva da realidade dos fatos em uma conjuntura política. Somados, esses são os elementos constitutivos do ser-aí como tempo na estrutura mais fundamental da gramática de sentido revolucionário do ser.  No entanto, há ainda o problema de consistência do Príncipe em filosofia gramatical como ser do ente e/ou como ente do ente no real da realidade dos fatos políticos mundial.   

Hegel estava pensando nos crimes da Revolução francesas, e se a Revolução em si é um crime de lesa majestade política, quando escreveu:
“ Conforme o primeiro lado, a independência só confere ao encontrado a forma da individualidade consciente em geral, e, no que respeita o conteúdo, permanece no interior da efetividade universal encontrada. Mas, conforme o outro lado, a independência confere a essa efetividade ao menos uma modificação peculiar, que não contradiz seu conteúdo essencial, ou seja, uma modificação pela qual o indivíduo, como efetividade especial e como conteúdo peculiar, se opõe àquela efetividade universal. Essa oposição vem a tornar-se crime quando o indivíduo suprassume essa efetividade de uma maneira singular; ou vem a tornar-se um outro mundo – outro direito, outra lei e outros costumes, produzidos em lugar dos presentes – quando o indivíduo o faz de maneira universal e, portanto, para todos”. (Hegel. 1992: 194).              

                                                                             IV                              

A máquina de guerra industrial a ciência não pensa o ser é vontade de potência homo tecnicus fazendo pendant com o discurso do mestre industrial do americanismo heideggeriano. (Heidegger. 2000:156-157). Trata-se do discurso do capital do trans-sujeito industrialismo do americanismo.

Nesta direção, Danilo Marcondes formula assim: 
“A ciência e sua aplicação técnica seriam incapazes de pensar o ser, de pensá-lo fora da problemática do conhecimento e da consideração instrumental e operacional da realidade típicos do mundo técnico. Na verdade, o desenvolvimento do nosso modelo técnico industrial é consequência precisamente do ‘esquecimento do ser’ na trajetória da cultura ocidental”. (Marcondes: 272).   

No A questão da técnica, Heidegger diz:  “A seguir, questionaremos a técnica. O questionar constrói num caminho. Por isso é aconselhável, sobretudo, atentar para o caminho e não permanecer preso a proposições e títulos particulares. O caminho é um caminho de pensamento. Todos os caminhos de pensamento, mais ou menos perceptíveis, passam de modo incomum pela linguagem. Questionamos a técnica e pretendemos com isso preparar uma livre relação para com ela. A relação é livre se abrir nossa existência <Dasein> à essência da técnica. Caso correspondamos à essência, estaremos aptos a experimentar o técnico <das Technische> em sua delimitação. (Heidegger. 2007: 375). 

O primeiro passo é metabolizar a relação da técnica com a língua ser do trans-sujeito industrial do americanismo. O segundo é aceitar que ela tem uma essência:
“Assim, pois, a essência da técnica também não é de modo algum algo técnico. E por isso nunca experimentaremos nossa relação para com a sua essência enquanto somente representarmos e propagarmos o que é técnico, satisfizermo-nos com a técnica ou escaparmos dela. Por todos os lados, permaneceremos, sem liberdade, atados a ela, mesmo que a neguemos ou a confirmemos apaixonadamente. Mas de modo mais triste estamos entregues à técnica quando a consideramos como algo neutro; pois essa representação, à qual hoje em dia especialmente se adora prestar homenagem, nos torna completamente cegos perante a essência da técnica.

A essência de algo vale, segundo antiga doutrina, pelo que algo é. Questionamos a técnica quando questionamos o que ela é. Todos conhecem os dois enunciados que respondem à nossa questão. Um diz: técnica é um meio para fins. O outro diz: técnica é um fazer do homem. As duas determinações da técnica estão correlacionadas. Pois estabelecer fins e para isso arranjar e empregar os meios constitui um fazer humano. O aprontamento e o emprego de instrumentos, aparelhos e máquinas, o que é propriamente aprontado e empregado por elas e as necessidades e os fins a que servem, tudo isso pertence ao ser da técnica. O todo destas instalações é a técnica. Ela mesma é uma instalação; expressa em latim, um instrumentum”.  (Idem: 376). 

instrumentum é o ser da técnica. No entanto, a técnica ainda não revelou sua essência aí verdadeira: “Por isso, o que é meramente correto ainda não é o verdadeiro. Somente o verdadeiro nos leva a uma livre relação com o que nos toca a partir de sua essência. De acordo com isso, a correta determinação instrumental da técnica não nos mostra ainda sua essência”. 

Não metabolizar a verdade como articulando a realidade dos fatos, eis o desvio burguês do pensamento político como regra de ouro da filosofia política econômica dominante na modernidade, que define a técnica como a atmosfera razão instrumental da tela gramatical da sociedade de mercado capitalista industrial: “A técnica não é, portanto, meramente um meio. É um modo de desabrigar. Se atentarmos para isso, abrir-se-á para nós um âmbito totalmente diferente para a essência da técnica. Trata-se do âmbito do desabrigamento, isto é, da verdade”. (Idem: 380). 

O desabrigar pode ser o da antiguidade ou o da era moderna: 
  “O que é a técnica moderna? Também ela é um desabrigar. Somente quando deixarmos repousar o olhar sobre este traço fundamental, mostrar-se-á a nós a novidade <Neuartige> da técnica moderna. O desabrigar que domina a técnica moderna, no entanto, não se desdobra num levar à frente no sentido da po…hsiz. O desabrigar imperante na técnica moderna é um desafiar <Herausfordern> que estabelece, para a natureza, a exigência de fornecer energia suscetível de ser extraída e armazenada enquanto tal. Mas o mesmo não vale para os antigos moinhos de vento? Não. Suas hélices giram, na verdade, pelo vento, permanecem imediatamente familiarizadas ao seu soprar. O moinho de vento, entretanto, não retira a energia da corrente de ar para armazená-la. Uma região da terra, em contrapartida, é desafiada por causa da demanda de carvão e minérios. A riqueza da terra desabriga-se agora como reserva mineral de carvão, o solo como espaço de depósitos minerais. De outro modo se mostrava o campo que o camponês antigamente preparava, onde preparar ainda significava: cuidar e guardar. O fazer do camponês não desafia o solo do campo. Ao semear a semente, ele entrega a semeadura às forças do crescimento e protege seu desenvolvimento. Entretanto, também a preparação do campo entrou na esteira de um tipo de preparação diferente, um tipo que põe <stellt> a natureza. Esta preparação põe a natureza no sentido do desafio. O campo é agora uma indústria de alimentação motorizada. O ar é posto para o fornecimento de nitrogênio, o solo para o fornecimento de minérios, o minério, por exemplo, para o fornecimento de urânio, este para a produção de energia atômica, que pode ser associada ao emprego pacífico ou à destruição”. (Idem: 381-382). 

A técnica não se reduz a uma prática humana, pois, trata-se de requerer o real enquanto subsistência. O real é a junção da história do homem no requerer o real com a história da physis viva, em primeiro lugar: 
“Assim, a técnica moderna, enquanto desabrigar que requer, não é um mero fazer humano. Por isso, devemos também tomar aquele desafiar, posto pelo homem para requerer o real enquanto subsistência tal como se mostra. Aquele desafiar reúne o homem no requerer. Isto que é reunido concentra o homem para requerer o real enquanto subsistência”.
 A técnica moderna faz pendant com a física: 
“A moderna teoria física da natureza é a preparação, não da técnica, mas da essência da técnica moderna. Pois o recolher que desafia no desabrigar requerente já impera na física, embora propriamente ainda não se manifeste nela. A física moderna é, em sua proveniência, a desconhecida precursora da armação. Por muito tempo a essência da técnica moderna ainda se oculta, mesmo ali onde máquinas de força são inventadas, onde a eletrotécnica e a técnica atômica são colocadas em curso”. (Idem: 386). 

A técnica é o contrasignificante (deslizamento do significante do plano literário para o plano da língua em narração) que invade o real:
“A essência da técnica moderna conduz o homem para o caminho daquele desabrigar por onde o real, em todos os lugares mais ou menos captável, torna-se subsistência. Conduzir por um caminho significa em nossa língua: enviar <schicken>. Denominamos aquele enviar que recolhe e que primeiramente leva o homem para o caminho do desabrigar, como sendo o destino <Geschick>. A partir daqui determina-se a essência de toda história <Geschichte>. Ela não é nem somente o objeto da historiografia <Historie> nem somente a ratificação do fazer humano. Este, somente quando é algo destinal <geschickliches> é algo histórico <geschichtlich>. E somente o destino na representação objetificante torna acessível o elemento histórico <das Geschichtliche> como objeto para a historiografia <Historie>, isto é, para uma ciência, e a partir disso torna apenas possível a corrente equiparação do histórico <Geschichtlichen> ao historiográfico <Historischen>. Enquanto desafiar no requerer, a armação envia num modo de desabrigar. A armação é um envio <Schickung> do destino, assim como todo modo de desabrigar. Destino, neste sentido, é também um produzir, é po…hsij. O descobrimento do que é passa sempre por um caminho de desabrigar. O destino do desabrigar sempre domina os homens. Nunca é, porém, a fatalidade de uma coação. Pois o homem se torna justamente apenas livre na medida em que pertence ao âmbito do destino e, assim, torna-se um ouvinte <Hörender>, mas não um servo <Höriger>. A essência da liberdade, originariamente, não está ordenada segundo a vontade ou apenas segundo a causalidade do querer humano”. (Idem: 388). 

A propósito, o Príncipe em física é um Partido em filosofia gramatical narrativa atômica que definiu e articulou a história política mundial do século XX com Hiroshima e Nagasaki?      
Chegamos enfim à relação da técnica com o trans-sujeito (discurso do senhor) e o sujeito no reino da liberdade. O discurso do mestre industrial do americanismo significa maquinação em um sentido especial. Porém antes de invadir a maquinação, cito Danilo Marcondes sobre o sujeito e o Dasein:
“ Contra essa tendência do dominante, Heidegger visa trazer à luz o ser, pesquisar o sentido do ser enquanto desvelamento, manifestação. É necessária uma análise ontológica e hermenêutica (interpretativa, de compreensão de sentido) que revele ‘o ente que nós somos’, o ser-aí, o Dasein. Para Heidegger, o homem é o único ente que busca o ser. Em sua terminologia, Dasein deve substituir ‘sujeito’, ou ‘eu’, devido ao sentido que estes termos adquiriram na filosofia da consciência e da subjetividade do período moderno”. (Marcondes: 271). 

Nas pegadas de Heidegger, Lacan preferiu surfar a onda da revolução linguística de Saussure e desferir um golpe de Estado psicanalítico na Língua da filosofia ocidental da modernidade. Lacan tomou de assalto o significante Sujeito, reformando o campo da gramática de sentido do Sujeito pelo deslocamento dele para o campo freudiano burguês. 

O problema central tático de Lacan sempre foi Reforma gramatical burguesa ou Revolução gramatical comunista do campo da gramática de sentido da Língua em narrativa filosófica. 
              
Retomando a questão da técnica, chegamos à necessidade do desvelamento do ser da Língua da tela da sociedade revolução gramatical do ente comunista do século XXI:
“Que a maquinação enquanto o abandono do ser característico do ente precisa propagar o esquecimento do ser e assim no mais extremo ainda passar ao largo do que ela mesma é. 
A auto-destruição de sua verdade – o incondicionado da destruição é a desertificação em meio ao abandono do ser. Sob a aparência contudo do nada nulo, em contraposição ao qual todo e qualquer ‘real’ é corretamente estabelecido por que é real e exige ‘desmenbramento’ com o instinto da manutenção da incondicionalidade do cálculo e da técnica.
A incondicionalidade da ‘técnica’, que chega justamente ao poder lá onde é assegurado que ela se encontra dominada, é a máscara da impotência da maquinação frente a sua própria essência. A impotência é o modo da desertificação plena que excede essencialmente toda destruição porque evoca ainda uma vez (no impotente) a constância da presentificação (do soterrado mesmo) e com isto a entidade.
A técnica só é dominada de um modo tal que lhe é dado espaço até mesmo no aparentemente não técnico (isto significa aqui maquinal). O poder da ‘organização’ é escravo da técnica e ‘domina’ esta última, assim como o escravo liga o senhor a si próprio através da plena submissão”. (Heidegger. 2000.155).
Para não pairar a menor sombra de dúvida de que se trata do Diabo industrial do americanismo, faço uma última citação de Heidegger:
“ A maquinação é o acabamento incondicionado do ser enquanto vontade de poder. Mas mesmo a maquinação enquanto essência do ser tem ainda uma inessência. 
A inessência da maquinação exige uma humanidade que desertifique toda tradição, mas propague para além da desertificação, isto é, para o interior de sua inessência, justamente uma tradição desertificada da metafísica (e, isto é, da história ocidental), essencialmente, sem raízes. Esta instauração da inessência da maquinação está reservada ao americanismo. 
Mais tenebroso do que toda e qualquer selvageria asiática é esta ‘moralidade’ desenraizada e alastrada até o engodo incondicionado.
Somente aqui o abandono do ser alcança a condição extrema de uma constância.
Será que reconhecemos suficientemente que tudo o que há de tenebroso reside no americanismo e de modo algum no mundo russo? ” (Heidegger. 2000: 156-157).
Sobre o Diabo da técnica industrial do americanismo, Heidegger parece estabelecer o caminho a partir da clareira por ele aberta. Mas quanto ao stalinismo, ele não capinou para estabelecer uma clareira e muito menos um caminho por dentro da Floresta Amazônica, ou ainda da Floresta Negra.            
HABERMAS ainda acreditava que a tela sociedade revolução gramatical comunista poderia ser fabricada na Europa na década de 1980 através da fabricação de uma tela gramatical de sentido metafísico do seer comunista?  Parece que não!
“La mission que le peuple situé au coeur de L’Europe devait remplir dans l’histoire universelle ne subsiste que’au niveau de la grammaire; elle survit dans le privilège métaphysique de cette langue allemande dans  laquelle Heidegger continue de voir la seule héritière legitime de la langue grecque. Jusque dans l’entretien accordé au Spiegel, il est clair qu’il faut parler allemand pour être à même de comprendre  Hölderlin. Le règne intermédiere des ˂ demi-dieux> - des chefs créateurs – disparaît lui aussi sans laisser de traces. Les grands créateurs sont sublimés en poètes et penseurs; la philosophe entre pour ainsi dire dans une relation immédiate avec L’Être. L’obédience politique de naguère est généralisée, désormais valable pour tous, dans l’obéissance dont il s’agit de faire preuve vis-à-vis du décret de LÊtre: ˂ Seule une telle injonction peut offrir um fondement solide et créer des liens> ”.  (Habermas. 1988: 52-53).

Habermas é o marxismo alemão ocidental burguês que não entendeu (como Lacan o fez) a luta do pensamento político de Heidegger contra o Diabo industrial do americanismo. Habermas se alinha com a filosofia universitária do americanismo, que acusa Heidegger de profetismo e lobo solitário da filosofia, arredio ao espaço público procedural. Ele nunca desconfiou sequer, por um minuto, que tal espaço procedural estava sob domínio do americanismo:      
“Il lui assigne une allégeance plutôt que la communauté d'un dialogue. S'il prend ses distances de façon si particulière, ce n'est pas là seulement l'attitude de réserve qui convient à un grand philosophe, cést le penseur prophétique qui veille à marquer une différence de niveau. La notion de communication n'appartien pas aux concepts fondamentaux de cette philosophie”. (Habermas. 1974: 100). 
                                                                                  V     

Da sociedade sexualis freudiana do tato à sociedade lacaniana digitalis do dizer. 
Étienne de Condillac. TRATADO DAS SENSAÇÕES.
Segunda Parte: Do tato, ou do único sentido que julga por si mesmo os objetos exteriores.

O filme Fan Girl apresenta a ideia de que há algo para além da sociedade cultural política econômica do ver/falar/ouvir/cantar/e do tato (Grécia da politeia sofística/Roma da antiguidade da oratória, de Quintiliano e Cícero, do tribunus plebis); do falar/ouvir/cantar (sociedade política cristã do púlpito, da confissão, da música sacra, ou seja, da clínica psicanalítica cristã e da música industrial pós II Guerra Mundial).

Do tato, trata-se da sociedade freudiana sexualis da América após II Guerra Mundial. Sociedade da conversação da comunidade (familial, da vizinhança etc.) de homens, mulheres e crianças em quase todas as sociedades de diferentes épocas e civilizações; e da sociedade primitiva.
Condillac diz que todas estas sociedades fazem pendant com a cultura do tato, que a juventude D (de digitalis/DIZER) deveria tomar conhecimento.

O Filme Fan Girl diz que o trans-sujeito industrial digitalis criou, finalmente, a SOCIEDADE DO DIZER lacaniana.

A geração D não é aquela da prática da conversação. ELA é a prática digitalis do DIZER.

TAL ACONTECIMENTO INVENTADO NA AMÉRICA, HOJE, É MUNDIAL.

Tal acontecimento inventado no território nacional americano, hoje é um fenômeno da matéria metafísica da physis da sociedade lacaniana mundial. 

Ele tem um NOME -ERA LACANIANA ÀS AVESSAS.

Há essa invenção do século XXI - TRANS-SUJEITO DIGITALIS LACANIANO MUNDIAL!

Ele faz a junção do território orbital/território nacional em redes neurônicas de dizer digitalis mundiais
                                                                                VI

 COMO DERROTAR O DIABO INDUSTRIAL DO AMERICANISMO

O Real é uma palavra disputada por todos, do jornalista ao cientista, do psicanalista ao filósofo. A ciência do real pensa o real do campo gramatical/agramatical de poder/saber hobbesiano mundial. Neste campo, o real é o estado de natureza ou estado de guerra indeterminado da multidão hobbesiana e do ator hobbesiano. Tais forças lutam por tomarem de assalto (ou conservar) o poder da Língua política em narração mundial. Pari passu, a luta se dá na banda de Moebius território nacional da terra (direito) e no território orbital do capital mundial (avesso).

A dominação mundial do Diabo do americanismo passa pelo domínio da língua inglesa técnica industrial como língua vulgar da elite do poder mundial. Tal território da língua inglesa industrial vulgar é a técnica heideggeriana como matéria metafísica da língua em narração do trans-sujeito industrial do americanismo sobre o planeta até a China continental. O Partido Comunista chinês é parte estratégica da elite do poder mundial na língua inglesa industrial em narração da realidade dos fatos da última banda de Moebius supracitada.

O terreno tático principal da luta contra o Diabo não é aquele do campo de batalha de algum território da physis política da terra nacional. O terreno central vivo do campo de batalha para derrotar o Diabo é aquele da técnica da modernidade como ser da língua industrial vulgar mundial. 

Atores hobbesiano americanos e ingleses se constituem como as forças universais, que ao se constituírem em uma vontade de potência gramatical, podem vir a tomar de assalto o real onde o ser da técnica se forma e articula sua hegemonia sobre quase todo o planeta. A Tela gramatical da política do ser da língua inglesa vulgar é o real ao qual deve ser tomado de assalto. 

O leitor deve ter prestado atenção que o Prêmio Nobel desse ano foi dado ao músico caipira/urbano Bob Dylan. Tal premiação foi dada para a língua técnica literária do Diabo. Este fato é a prova que a Europa da alta cultura caiu sob o domínio do Diabo da técnica do americanismo. Não se deve esperar grande coisa dos europeus como Dasein na luta, sem quartel, contra o Diabo.   

Então, o problema consiste em qual será a reação do Diabo contra o Partido em filosofia gramatical capaz de inscrever a gramática do desmoronamento da articulação hegemônica mundial do Diabo (introduzida pelo Partido Comunista Lacaniano). A língua inglesa industrial gerou a ruina da narrativa em vários planos - do romance à historiografia até o campo da ciência do homem em geral. O efeito mais visível desse acontecimento é o colapso do discurso da universidade do americanismo nos EUA, Europa, Japão e América-Latina. 

A crise mundial do domínio do americanismo da técnica heideggeriana já está um passo à frente da percepção da língua inglesa industrial. Tal crise abalará o ser econômico do capital mundial como sociedade de mercado capitalista nos EUA, na Europa e no Japão.

Tal crise gramatical mundial do capitalismo poderá abrir uma época de grandes transformações. O PCL pensa que a nova tela gramatical do comunismo lacaniano deve se propor como alternativa na língua portuguesa em narrativa de uma tela gramatical revolucionária comunista mundial. 

A máquina de guerra gramatical hobbesiana americana contra o Diabo não pode tomar de assalto à língua do Diabo do americanismo, usando a tela gramatical da língua portuguesa comunista em narrativa (do PCL) como alavanca?  

A conjuntura política gramatical atual mundial da linguagem inglesa técnica vive um tempo frágil e insignificante na história gramatical metafísica do Ocidente:
“Todavia somente Aristóteles dá uma interpretação metafísica mais clara do logos no sentido da proposição enunciativa. Distingue onoma, como semantikon aneu chronou e rhema, como prossemainon chrono (De interpretatione, c. 2-4). Essa concepção da Essencialização do logos tornou-se padrão e norma para a constituição posterior da lógica e gramática. E por mais que a interpretação logo se tenha degradado no acadêmico, o seu objeto manteve sempre a importância normativa. Os manuais dos gramáticos gregos e latinos foram por mais de um milênio os textos de ensino do Ocidente. Eram tempos esses nada frágeis e insignificantes”. (Heidegger. 1978: 86)  

Relendo Platão cum Heidegger, o Príncipe em filosofia gramatical é o rhetor da revolução política gramatical, isto é, o magister ludi dos jogos políticos da gramática em língua narrativa de um trans-sujeito da história universal: 
“ Antes de tudo se deve meditar sobre a circunstância de que a distinção decisiva das formas fundamentais das palavras (substantivo e verbo, nomem e verbum) na forma grega de onoma e rhema se elaborou e fundamentou pela primeira vez em conexão a mais íntima e imediata com a concepção e interpretação do Ser, que posteriormente se tornou normativa para todo o Ocidente. A conjugação íntima desses dois acontecimentos ainda hoje nos é acessível, intacta e com plena clareza de exposição no diálogo, O Sofista, de Platão. É certo que os títulos, onoma  e rhema, já eram conhecidos antes de Platão. Todavia também então, como ainda para Platão, tratava-se de títulos que designam qualquer emprego de palavras. Onoma significa duas coisas: a designação linguística, como tal, em oposição à pessoa ou coisa designada, e o pronunciar de uma palavra, que mais tarde a gramática concebeu, como rhema. Enquanto rhema significa, por sua vez, a sentença, a oração. Assim rhetor é o orador, que não só pronuncia verbos, mas também onomata, no sentido restrito de substantivo”. (Heidegger. 1978: 85).                

A revolução gramatical comunista não é um impossível freudiano como governar, analisar e ensinar (Freud: 282). O impossível freudiano é a tela gramatical homo logicus, isto é, é impossível governar, analisar e ensinar o percipio homo logicus burguês. Ao contrário, a revolução gramatical comunista da política mundial é possível:
“É mesmo bom, que os alunos, em vez disso, aprendam de seus mestres alguma coisa sobre a história originária e primitiva dos germanos. Todavia tudo isso se afunda logo no mesmo vazio, se não se consegue transferir para a Escola, e desde os fundamentos, o mundo do espírito, o que significa: se não se cria na Escola uma atmosfera de espírito, que substitua a científica. E para tanto o primeiro passo é uma revolução real nas relações com a linguagem. Nesse sentido, porém, temos que revolucionar os professores, o que implica, que primeiro as universidades se devem modificar e compreender a sua tarefa, em lugar de estufar-se com banalidades. Já nem mesmo imaginamos que aquilo que sabemos bastante e de há muito, poderia, sem embargo, ser diferente. Que essas formas gramaticais não são algo, que, desde toda eternidade, dividem e regulam a linguagem. Ao contrário, nasceram de uma interpretação bem determinada da Língua Latina e da Grega. Sendo também um ente, a linguagem pode tornar-se acessível e ser configurada de determinados modos, apenas tanto uma como outra coisa dependem naturalmente, em sua realização e validez, da concepção fundamental do Ser, que lhe serve de guia”. (Heidegger. 1978: 82). 

A propósito, o leitor vê que Heidegger tem como inimigo figadal – a academicismo. E Habermas personificou na Alemanha o apogeu do academicismo do marxismo ocidental universitário na durante décadas da segunda metade do século XX.          
         
“Se não se cria na Escola uma atmosfera de espírito, que substitua a científica”. Eis o problema do trans-sujeito na era do fim da modernidade (trans-sujeito da língua técnica industrial) condição para necessária para a Era Atual do trans-sujeito Diabo técnico do americanismo. Trata-se do inglês industrial como língua em narrativa (sem narrativa ou com narrativa oca em significações gramaticais dialéticas materialistas) da articulação de hegemonia da política mundial.         

Só é possível fazer revolução gramatical em alemão?

Afinal, só é possível fazer a revolução gramatical comunista da política mundial na Língua alemã? 
Marx dominou o francês e o inglês, pois, acreditou que a revolução gramatical comunista moderna, a revolução das lutas de classe poderia ser realizada na língua inglesa ou na francesa da Comuna de Paris, de 1871. Também acreditou que ela poderia ser feita em língua russa:
“El análisis presentado en El capital no da, pues, razones, en pro ni en contra de la vitalidad de la comuna rural, pero el estudio especial que de ella he hecho, y cuyos materiales he buscado en las fuentes originalis, me ha convencido de que esta comuna es el punto de apoyo de la regeneración social en Rusia, mas para que pueda funcionar como tal será preciso eliminar primeramente las influencias deletérias que la acosan por todas partes y a continuación asegurarle las condiciones normales para un desarollo espontáneo”. (Marx. 1980: 61)             

A linguagem como ente rhetor percipio da tela gramatical comunista mundial surgiu na Língua portuguesa ou não? 

O PCL, isto é, o Partido Comunista Lacaniano não é tal rhetor percipio?   

BOUDIEU, Pierre. A ontologia política de Martin Heidegger. Campinas: Papirus, 1989
FREUD. Obras Completas. Análise terminável e interminável (1937). RJ: Imago, 1975
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HABERMAS, Jürgen. Martin Heidegger. L’ouvre et l’engagement. Paris: Les Édition du CERF, 1988
HEIDEGGER, Martin. Pensadores. Que é metafísica? SP: Abril Cultural, 1973 
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LACAN, Jacques. Le Seminaire. Livre XX. Encore. Paris: Seuil, 1975
LACAN, Jacques. O Seminário. Livro 16. De um Outro ao outro. RJ: Zahar, 2008
LENIN. V. I. Materialismo y empiriocriticismo. Barcelona: Grijalbo, 1975
MARX e Engels. Escritos sobre a Rusia. II. El porvenir de la comuna rural rusa. México: Siglo XXI, 1980
NIETZSCHE. Par-delà bien et mal. Paris: Gallimard, 1971
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Dos pré-socráticos a Wittgenstein. RJ: Zahar, 2007
ROSENFIELD, Denis L. Política e liberdade em Hegel. SP:  Brasiliense, 1983 
     

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