sábado, 26 de novembro de 2016

DA GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA FURTA-COR E A ATUALIDADE POLÍTICA

José Paulo Bandeira 

Na noite de 23/11/2016, o senado brasileiro votou a lei de repatriação de fortunas brasileiras acumuladas ilegalmente e guardadas no sistema financeiro mundial dos criminosos paraísos fiscais.    

A Receita Federal (RFB) acrescentou três novas questões ao “Perguntas e respostas” sobre repatriação de recursos no exterior na página do órgão na Internet.

Os novos esclarecimentos se referem à forma de regularização de bens adquiridos no exterior por contribuintes que estavam na condição de não residente, à dispensa do pagamento de multas pela não apresentação ou pela apresentação em atraso da DAA (declaração de ajuste anual) referente ao ano-calendário 2014 do optante pelo RERCT (Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária), e à incidência de IRPF sobre a variação cambial dos valores repatriados oriundos de depósitos em instituições financeiras no exterior.

Aprovado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 11 de julho de 2016, com as alterações aprovadas pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 6, de 9 de agosto de 2016, pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 9, de 25 de agosto de 2016, e pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 10, de 20 de outubro de 2016.
1).  Que tipos de bens e direitos podem ser declarados?
O sujeito gramatical enigmático bens e direitos da sociedade burguesa dos ricos associados.  

2). Que tipos de bens e direitos não podem ser declarados?
Todos os recursos e patrimônios não citados na resposta à pergunta de nº 1, tais como joias, pedras e metais preciosos, obras de arte, antiguidades de valor histórico ou arqueológico, animais de estimação ou esportivos e material genético de reprodução animal.

Este enunciado estatal se refere aos bens de vastas redes gramaticais da economia política criminosa mundial. 
(Art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.627, de 2016).
3). Posso declarar bens e direitos remetidos ou adquiridos após 31 de dezembro de 2014?
Não. São objeto de regularização somente os recursos de propriedade do declarante até 31 de dezembro de 2014.

Por que só esse conjunto sujeito gramatical econômico é favorecido? Quem é o sujeito gramatical da política pós 31 de dezembro de 2014? 
(Art. 3º da Lei nº 13.254, de 2016, e art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa RFB nº 1.627, de 2016).

4). Posso declarar bens e direitos remetidos ao exterior, mas que não tenha mais saldo nem a propriedade, posse ou titularidade em 31 de dezembro de 2014?
Sim. Nesse caso o declarante deverá descrever as condutas praticadas que se enquadrem nos crimes previstos no § 1º do art. 5º da Lei nº 13.254, de 2016, além de descrever os respectivos recursos, bens ou direitos de qualquer natureza.
(Art. 4º, caput e § 1º, V, da Lei nº 13.254, de 2016, e arts. 3º, § 2º, e 7º, VIII, da Instrução Normativa RFB nº 1.627, de 2016).

O sujeito gramatical da política é o reconhecimento da sociedade burguesa dos ricos associados lumpenarianos RIO/SP

5). Posso declarar bens ou direitos originados de atividade não permitidas ou proibidas pela lei?
Não, poderão ser objeto da regularização somente os bens e os direitos adquiridos com recursos oriundos de atividades permitidas ou não proibidas pela lei, bem como o objeto, o produto ou o proveito dos crimes previstos no § 1º do art. 5º da Lei nº 13.254, de 2016.
Por exemplo, não é permitida a regularização de bens originados de crimes de corrupção e tráfico de drogas.
(Arts. 2º, II, e 3º, caput, da Lei nº 13.254, de 2016, e arts. 2º, II, 3º, caput, e 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.627, de 2016).

Tal documento público da Receita Federal é o mapa geopolítico da lumpeneconomia política estabelecedora de uma ilegal sociedade burguesa dos ricos associados brasileiros, que é um fractal da sociedade financeira dos ricos associados criminosos mundiais. 
                                                                              I

Na era bolivariana, a acumulação de fortunas privadas e públicas familial e de bando fascista de teologia republicana incluiu a corrupção público/privada e a economia do tráfico de drogas ilegais. Trata-se do narcopoder:
 “ O narcopoder é como um iceberg. Ele jamais pode ter seu volume, tamanho ou magnitude observados a olho nu. Sua superfície é povoada por figuras adaptadas a baixíssimas temperaturas – o tempo metafórico da prisão -, figuras que parecem emergir de uma cultura política que a mídia visual-eletrônica lê como neogrotesco. Ele parece ter gerado um novo fenômeno político: a lúmpen-elite. Esta é uma emersão espectral de um fenômeno político mesclado à fenomenalidade estética da mídia eletrônica de massa. Ela é um fenômeno virtual gerado na fronteira da política com a cultura”. (Bandeira da Silveira: 123)        

A sociedade dos ricos associados faz parte das redes políticas e econômicas do narcotráfico do campo de poder hobbesiano mundial como narcopoder.  Tal ator hobbesiano é legitimado como sujeito gramatical industrial narrativo sem narrativa (grau zero da narrativa do grotesco) cinematográfico e das séries da TV. Tal fato é o início da sociedade civil burguesa gramatical teológica fascista que faz pendant com o Estado integral fascista lumpesinal mundial:
C’est vraiment la fin de l’État de démocratie raisonnable qui s’enclenche dans un processus apartidaire òu les syndicats et les groupes le plus disparates, le moins ˂ socialisés> sont appelés à jouer le premier rôle. Nous allons vers l‘éclatement des systèmes de production nationaux comme vers l‘individuation syndicale, telle qu’elle existe aux Etats-Unis par exemple, le travail humain dépendant moins de la productivité que du jeu des intérêts sur le marché de la main-d’oeuvre, ceci permettant avec la rupture de l’unité d’action politique toutes les manoeuvres imaginables les plus dispersées, les plus sauvages, au niveau justement de la survie même des vieux Etats politiques. La fin de la démocratie au Chile a été ainsi prévue et orchestrée par la C.I.A. et l’action exercée sur le système de voirie par les syndicats des transporteurs, les télécommunications etc. Mais que doit-on penser de la situation de faillite des vieilles forteresses urbaines, de la place de New York, de celle de Montreal. Le jeu syndical, relayé par celui des associations criminalles, tendent à y supplanter complètement l’admnistration et les services du viel employeur bourgeois, l’ordre dans le Bronx, règne grâce à la Maffia qui elle-même s’internationalise, visant cette fois une collaboration sans intermédiaires avec la classe militaire comme l‘a révelé un récent scandale, mettant en cause les relations existant entre des généraux israéliens et des membres du gangstérisme internationanal. Loin d’une jeu politique-militaire qui se déterritorialise, se désintéressant de toute forme de fixation sédentaire nationale ou autres, la gagne-petit du crime comme les grandes associations criminelles voient leur artisanat local singulièrement revalorisé; la classe militaire, séparée du plus en plus de son partenaire bourgeois, abandonne la rue, la route, ces vecteurs démodés, aux petites et moyennes enteprises du racktet à la protection”. (Virilio: 103-104).                                 

Na década de 1990, criei a tela gramatical teológica dromocrática narcopoder. Ela nasceu da ideia de Paul Virilio de que o campo de poder hobbesiano mundial fez uma passagem da revolução democrática para a revolução dromocrática, da sociedade democrática razoável para a sociedade dromocrática (Virilio: Terceira Parte). 

O Estado lumpesinal (criminostat) é um efeito da revolução dromocrática assim como a sociedade esperançosa e a sociedade sem esperança: 
“ Avec la réalisation d’un progrès de type dromocratique, l’humanité va cesser d’être diverse; pour tomber dans un état de fait, elle tendra à se scinder uniquement en peuple espérant (à qui il est permis d’espérer accéder à l’avenir, au futur, la vitesse qu’ils capitalisent leur donnant accès au possible, c’est-à –dire au projet, à la décision, à l’infinit, la vitesse est l’espérance de l’Occident).
ET des peuples désespérent , bloqués par l’infériorité de leurs véhicules techniques, habitant et subsistant dans um mode fini.
Ainsi la logique rapprochée du savoir/pouvoir est éliminée au profit du pouvoir/mouvoir, c’est-à-dire de l’examen des tendences, des flux. Ceci est tellement évident que, depuis des cinq ans, on n’enseigne même plus la géographie à l’Ecole Militaire en France et que la gendermerie expérimente actualment le ˂ criminostat>. (Virilio: 54-55).             

Está claro que a ideia de criminostat técnico industrial é o significante Estado como estatização do campo de poder hobbesiano/saber gramática em narrativa/narração ou/e gramática narrativa industrial como grau zero narrativo. Vitesse e Politique é de 1977, o livro Foucault, de Deleuze, é de 1986. 
Aliás, a Okhrana (F.B.I., C.I.A.) do complexo industrial militar é um efeito de tal campo de poder hobbesiano.

Deleuze diz:
“ Il n’y a pas d’Etat, mais seulement une étatisation, et de même pour les autres cas” (Deleuze: 82).  
Com efeito, prefiro dizer – e mostrar - que se trata da passagem da era homo ideologicussaber/poder para a tela gramatical teológica (homo gramaticalis) do campo de poder/saber gramatica em narrativa homo informacionalis ariano. 

Tal campo de poder hobbesiano mundial contém um ator hobbesiano entendido hegelianamente, por mim, na década de 1990:
“ O narcotráfico é uma potente economia mercantil que faz circular com as outras atividades do crime organizado 750 bilhões de dólares anualmente no planeta. Quase dois PIBs brasileiros. Ele é uma complexa realidade econômica que para sua reprodução ampliada necessita das instituições econômicas capitalistas e das instituições de inúmeros Estados-nações. Um fenômeno que parece instituir a atualidade conjuntamente com o sistema militar, a sociedade de comunicação, a transnacionalização da economia e a formação de blocos regionais de poder compostos por Estados. Na América Latina, notícias sobre o envolvimento do narcotráfico com o pessoal do Estado e dos clãs políticos, que controlam as estruturas de poder, fazem parte do caderno político dos grandes jornais. Na Europa, a Itália parece ser a capital da Mafia Incorporated e o exemplo mais acabado de um fenômeno político que Derrida -  o último filósofo francês estruturalista vivo – chamou de Estado-fantasma”. (Bandeira da Silveira: 120-121).     
                                                                              II
No Brasil, os meios de comunicação que tem o monopólio de fato do jornalismo secular (jornal O Estado de São Paulo, Grupo Globo, revista Piauí, TV Cultura) usa uma linguagem política que é a criação e recriação da semblância negra ariana de um campo mundial de poder/saber gramatical em narrativa industrial fática. Tal gramática burguesa ariana semblância em narrativa industrial tem a presença de uma semblância natural:
“ é que as semblâncias naturais e inevitáveis são inerentes a um mundo de aparências da qual não podemos escapar. Todas as criaturas vivas capazes de perceber aparências através de seus órgãos sensoriais e de exibir-se como aparências estão sujeitas às ilusões autênticas que não são as mesmas para todas as espécies, mas encontram-se vinculadas à forma e à modalidade de seu processo vital específico. Os animais também são capazes de produzir semblância – um número significativo deles pode até mesmo simular uma aparência física -, e tanto homens quanto animais têm a habilidade inata para manipular as aparências com o propósito de iludir. Pôr a descoberto a ‘verdadeira’ identidade do animal por trás de sua cor adaptativa temporária não é muito diferente de desmascarar o hipócrita. Mas o que aparece, então, sob a superfície ilusória, não é um eu interno, uma aparência autêntica, imutável e confiável em seu estar-aí. Pôr a descoberto destrói uma ilusão, mas não revela nada que apareça autenticamente”. (Arendt: 31-32).                 

O significante ator hobbesiano da tradição de tal campo em tela é o conjunto -  o rico associado mundial (não existe rico associado nacional, autárquico como mostra o documento da Receita Federal) o jornalismo industrial associado (ao rico), e, (como não consiste classe política no real mundial onde a política se forma) os bandos políticos, teologicamente republicanos, a sociedade gramatical do narcopoder mundial. 

A subjetividade gramatical teológica territorial do campo mundial de poder/saber gramatical em narrativa industrial supracitado está produzindo efeitos políticos espetaculares. O mais preocupante é as massas eleitorais americanas terem eleito Donald Trump presidente dos EUA. Aqui a dromocracia faz pendant com a democracia, à céu aberto. Trata-se de massas possuídas por um desejo sexual perverso fascista.  

O leitor pode pensar que esta realidade dos fatos mundiais dita aqui é uma autoilusão desse autor que lhes fala, pois, tal realidade dita por mim permanece invisível para a consciência histórica, pois, esta é um artefato uma forma ou configuração (Gestalten) do significante homem articulado como homo ethicus da politeia da antiguidade. 

Sem o homo ethicus é impossível entender a ideia e o exercício da política grega. A tela gramatical da política physis/metaphysis consiste na invenção da felicidade do cidadão da polis: 
“ Pero, sin duda, aunque convengamos en que la felicidad es el supremo bien, se desean aún algunas precisiones complementares sobre a su naturaleza. Se llegaría rápidamente a una conclusión, cayendo em la cuenta de lo que es la función propria del hombre”. (Aristoteles: 282).

Se ainda não está claro, eis a luz da política universal ocidental de que o homem feliz vive bem e se conduz bem, pois, praticamente, Aristóteles define a felicidade como forma de viver bem e conduzir-se bem. Tal ética é aquela da polis na politeia. A ética da polis é uma subjetividade gramatical territorial em língua grega que faz pendant com as biografias subjetivas individuais. Então:
 “Nuestra definición está concorde con los que pretenden que la felicidad coincide con la virtud en general o con alguna virtud particular, pues la actividad conforme a la virtud pertenece a la virtud”. (Idem: 286).

O campo de poder hobbesiano do industrialismo mundial não metaboliza a política da polis. Gadamer lamenta tal fato da metafísica da sociedade hobbesiana articulada à técnica industrial mundial, isto é, à physis da sociedade industrial:
“El ser ético como comportamiento específicamente humano se distingue del ser natural porque el ser ético no es simplemente un conjunto de capacidades o fuerzas activas. El hombre, por lo contrario, es un ser que sólo llega  a ser lo que y sólo se apropria de su comportamento por lo que hace, por el cómo de su accción. Es en este sentido en que Aristóteles distingue el campo del Ethos del campo da la Physis. El campo ético, aunque él no esté desprovisto de toda regularidad, se opone em razón  del carácter cambiante de los preceptos humanos al campo de la naturaleza, lugar de leyes estables”. (Gadamer: 82). 

A propósito, a ideia da história universal articulada pela topologia lacaniana da banda de Moebius physis (direito) metaphysis (avesso) tem o dedo de Jean-François Lyotard. 
Lyotard não pensa a matéria metafísica. Mas sua ideia de matéria (“A matéria enquanto organização de energia que se faz, se desfaz, e se refaz sem cessar. À escala corpuscular e/ou cósmica, digo” {Lyotard: 18]) nos faz crer na consistência da matéria metafísica freudiana como organização de energia narcísica que se faz, se desfaz, e se refaz sem cessar. 

O industrialismo da banda de Moebius mundial  physis/metaphysis é manifesta concretamente através da ideologia metafísica na tela gramatical ENTENDIMENTO. Por partes:
“ENTENDIMENTO (saber de coisas como manifestação de FORÇAS e com aparência – Erscheinung – governada pela razão gramatical) ”.

A ideologia economicista fascista burguesa da gramática em narração industrial discurso do físico (da sociedade ocidental ou da sociedade stalinista) com sujeito gramatical desenvolvimento acaba por estabelecer uma tela teológica metaphysis/physis (como sobredeterminação da era ideológica leninista) na qual a teologia metafísica da física geral articula a realidade dos fatos mundiais fazendo pendant com o discurso do físico como tal:
“ A descrição é abstrata. Seria mais fácil ilustrá-la se recorrêssemos a elementos, tão diversos na sua aparência como são os parceiros económicos ou sociais, as células de um órgão ou de um organismo, os constituintes da molécula ou do núcleo, as divisas monetárias, os poderes militares adversos. As novas tecnologias e os media são aspectos dessa mesma diferenciação”. (Lyotard: 13).

Nessas pegadas da banda de Moebius supracitada não há a junção Lacan/Lyotard? Leiam os detalhes da seguinte citação: 
“Veremos nas páginas seguintes como nos é possível procurar descrevê-la seguindo a hipótese geral, positivista, de um processo de complexização, de entropia negativa, ou para ser mais simples, de desenvolvimento. Esta hipótese não é apenas sugerida pela convergência das tendências que animam todos os subconjuntos da actividade contemporânea, ela é o próprio argumento do discurso do cientista, tecnólogos e seus filósofos acreditados mantêm a propósito das suas pesquisas, de forma a legitimar científica e tecnologicamente a possibilidade do seu desenvolvimento. É inevitavelmente um discurso da física geral, com sua dinâmica, a sua economia, a sua cibernética. Todo o discurso de física geral é um discurso de metafísica, isto desde os tempos de Aristóteles e de Leibniz.
Este discurso é igualmente aquele que serve a quem decide em política, socioeconomia para legitimar as suas opções: competitividade, melhor na repartição de cargos, democracia na sociedade, na empresa, na escola e na família. Não inclui, no entanto, os direitos do homem, originários de um horizonte completamente diferente, e que não podem ser chamados a reforçar a autoridade do sistema, da mesma forma que este não pode fazer desses mesmos direitos, por construção, mas do que um caso episódico”. (Lyotard: 13).    

Se trata, obviamente, do discurso soberano na tela gramatical teológica que determina gramaticalmente o conjunto dos outros discursos. Estes funcionam pela mimesis, pela assimilação gramatical vergonhosa, como dejetos gramaticais ou, então, como enjeitados metafísicos (Nietzsche: 434-435). 

A tela gramatical burguesa physis/metaphysis tem o discurso do físico como tutor do conjunto supracitado. A gramática em narração da física geral articula o campo de poder hobbesiano/língua científica em narração desenvolvimento ampliado da sociedade burguesa fascista, teológica ariana, da técnica industrial do americanismo. Trata-se da subjetividade territorial do americanismo em questão!          
                                                                            II    
O essencial da política do século XX é o discurso do físico institucionalizado (nas várias regiões do ser do ente da língua/gramática em narração (plurivocidade discursiva) como teologia metafísica da política para a metabolização das massas simbólicas:
“E como o desenvolvimento acaba por ser exactamente aquilo que subtrai à análise e à prática a esperança de uma alternativa decisiva ao sistema, como a política que ˂ nós> herdámos dos pensamentos e das acções revolucionárias se encontra para sempre sem emprego (independentemente de nos regozijarmos com isso ou de o lastimarmos) a questão que aqui coloco é a seguinte: que mais resta de ˂político> que não seja a resistência a este inumano? E que mais resta, para opor resistência, que a dívida que toda alma contraiu com a indeterminação miserável da sua origem, da qual não cessa de nascer? Ou seja, com o outro inumano? 
Esta a dívida que temos para com a infância e que não e saldada. Mas basta não a esquecer para resistir e, talvez, para não ser injusto. Esta é a tarefa da escrita, do pensamento, da literatura, das artes, aventurar-se a prestar testemunho”. (Lyotard: 15).

A política pós-moderna do sujeito lyotardiano aventurar-se a prestar testemunho significa que a tela gramatical burguesa do discurso do físico funcionava pela foraclusão da memória política econômica intelectual dos povos, sem exceção. Esta conjuntura gramatical da soberania do discurso do físico (cum sujeito desenvolvimento) está perdendo aceleradamente sua matéria metafísica (sua luz narcísica) articuladora da reprodução ampliada da sociedade burguesa dos ricos associados mundial. 
A crise do capitalismo mundial do globalismo é, por conseguinte, o limite de consistência da sociedade burguesa em tela do ser das regiões do ente nos territórios do Ocidente ao Oriente da subjetividade territorial nacional.   

Por que a China é um território de uma subjetividade territorial nacional até agora ignorada por nós latino-americanos?        
                    
                                                             III

O truque diabólico da dominação gramatical fascista da sociedade burguesa dos ricos associados mundial pós II Guerra Mundial foi fabricar a tela gramatical teológica do industrialismo cum   americanismo ariano que faz pendant com o campo de poder hobbesiano mundial ariano supracitado. 
Nessa tela teológica do americanismo ariano, o homem ocidental tornou-se configuração em vapor.

Ele é um fantasma/semblância do discurso jornalístico, do discurso político e do discurso da universidade associado ao discurso das Editoras industriais em torno das famosas ciências humanas.  O homem não é um ator hobbesiano consistente do campo de poder mundial em tela. Ex-siste como vapor barato na tela gramatical teológica fascista do americanismo ariano. O fascismo do americanismo da técnica industrial é uma ideia de Marcuse no seu livro One-dimensional man, de 1964:
“Nessa sociedade, o aparato produtivo tende a tornar-se totalitário no quanto determina não apenas as oscilações, habilidades e atitudes socialmente necessárias, mas também as necessidades e aspirações individuais. Oblitera, assim, a oposição entre a existência privada e pública, entre necessidades individuais e sociais. A tecnologia serve para instituir formas novas, mais eficazes a mais agradáveis de controle social e coesão social. A tendência totalitária desses controles parece firmar-se ainda em outro sentido – disseminando-se pelas áreas menos desenvolvidas e até mesmo pré-industrias e criando similaridades no desenvolvimento do capitalismo e do comunismo”. (Marcuse: 18). 

Na década de 1950, o sociólogo marxista furta-cor americano C. Wright Mills (estudando a máquina de guerra psicopática Elite do Poder) viu que o fenômeno supracitado era um efeito da subjetividade territorial burguesa do industrialismo cum americanismo.  

Para C. W. Mills, a subjetividade territorial industrial é a forma de violência sem limite de uma configuração R.S.I. americanismo (Real/Simbólico/Imaginário do industrialismo), que se tornaria o trans-sujeito industrial do americanismo mundial que invadiu a Europa ocidental e, inclusive, o território dos países do comunismo realmente existente:
“ Nenhuma classe dominante fixa, baseada na vida agrária e florescendo na glória militar poderia deter na América o impulso histórico do comércio e indústria, ou subordinar a si a elite capitalista – como os capitalistas se subordinaram, por exemplo, na Alemanha e no Japão. Nem poderia semelhante classe, em parte alguma do mundo, conter os capitalistas dos Estados Unidos, quando a violência industrializada passou a decidir a história. Basta ver a sorte da Alemanha e do Japão nas duas guerras mundiais do século XX – e também a da própria Grã-Bretanha e sua classe dominante modelar, quando Nova York tornou-se a capital econômica inevitável, e Washington a capital política do mundo capitalista ocidental”. (Mills: 22).     
     
Invenção da subjetividade territorial industrializada americana, o campo de poder mundial gramatical em narrativa industrial é um plurivocidade gramatical em narrativa sem narrativa, isto é, o grau zero narrativo da máquina de guerra narrativa do industrialismo, que se define por narrar a violência industrial R.S.I. Mas ele se sustenta com a semblância de que é gramatical narrativo com narrativa (sem polémios e/ou stásis{Derrida: 110-111} ), cujo sujeito é  paz mundial movido por um desejo sexual de paz nas nações e de soberania mundial  da democracia representativa. 

Tal gramática semblância do americanismo foi metabolizada em todo o ocidente europeu, também, no Japão pós II Guerra, na Austrália, Nova Zelândia e pela classe dominante da América Latina. O que as massas grau zero americanismo ainda não conseguiram ver, pois, não são capazes de estabelecer um furo na semblância solitariamente, é a rede de instituições de poder/gramática em narração política teológica fascista do americanismo como OKHANA, ou seja, uma configuração R.S.I. gramaticalmente teológica fascista industrial (FBI, CIA, NSA e outras menos visíveis ao redor do planeta). 

As massas simbólicas da política mundial grau zero fascista ainda permanecem no cárcere da forma de consciência CERTEZA SENSÍVEL (saber imediato de dados sensíveis, olhados simplesmente como indivíduos a ser referidos). A tela gramatical do capital eletrônico mundial usa essa tática de manter as massas simbólica no cárcere da consciência sensível apontando para elas e referindo-se à Okhrana como instituição sem predicado/propriedade próprio, a não ser, o predicado da semblância americana de ser uma instituição necessária defensiva (para a Segurança Nacional (e agora para a Segurança Mundial ocidental) de uma democracia representativa de dois séculos. 

O povo americano até hoje não sabe que sabe que a revolução dromológica foi uma invenção do campo de poder/gramática em narrativa técnica industrial dos EUA, que também inventou a demoncracia!     

Tais massas simbólicas não alcançaram a forma de consciência PERCEPÇÃO (saber mediado de dados sensíveis como COISAS gramaticais com predicado fazendo pendant com propriedades gramaticais). Assim, elas não podem furar a gramática teológica da semblância que invade e se apodera do proscênio da tela gramatical dromológica/demoncrática industrial da política do Ocidente e suas colônias R.S.I. 

Colônia é o ente escravo do discurso tutorial do americanismo como a rede de poder/gramática em narrativa industrial dos países coloniais como subjetividade apoio territorial em todo o planeta do trans-sujeito homo informacionalis mundial.             
                                                                    IV

A aparência hegeliana não é semblância: “ – ‘Como a consciência envolve essencialmente um objeto distinto de si mesmo, é APARÊNCIA ou ‘presença’ (erscheinend, isto é, não ‘ilusório’, mas apresentando-se, expondo-se em si, e, assim, dependendo de um outro’) em contraste com a alma, que ainda não adquiriu um objeto, e com a razão e o ESPÍRITO, que eliminam a alteridade do objeto”. (Inwood: 79).          

Para entendermos a função essencial da semblância no campo de poder mundial hobbesiano fazendo pendant com a tela gramatical do americanismo, socorro-me em Hannah Arendt.  

A semblância do real é algo que consiste no fato do real ser o lugar onde o SER se forma. Porém, anteriormente, não se deve trabalhar com um reducionismo da aparência à semblância, como já disse Hegel e Hannah metabolizou:
“Assim, há sempre um elemento de semblância em toda aparência: a própria base não aparece. Daí não resulta que todas as aparências sejam meras semblâncias. As semblâncias só são possíveis em meio as aparências como o erro pressupõe a verdade. O erro é o preço que pagamos pela verdade e a semblância é o preço que pagamos pelo prodígio das aparências. Erro e semblância são fenômenos intimamente relacionados, correspondem-se mutuamente”. (Arendt: 30-31).

A semblância da realidade dos fatos é o aparecer do real para a pluralidade de criaturas sensíveis, cada uma delas dotada das faculdades de percepção. Falamos da aparência do fenômeno como tal, exterior. A posição do sujeito gramatical no mundo e os órgãos específicos da percepção gramatical definem: O mundo aparece no modo do parece-me.(Arendt: 31). Tal modo:
“não só produz erros – que posso corrigir por uma mudança de posição, aproximando-me do que aparece ou aguçando meus órgãos específicos da percepção. Esse modo não só produz erros – que posso corrigir por uma mudança de posição, aproximando-me do que aparece ou aguçando meus órgãos perceptivos com o auxílio de instrumentos e implementos, ou ainda, usando minha imaginação para levar em conta outras perspectivas -, mas também dá origem a semblâncias verdadeiras, ou seja, à aparência ilusória que não posso corrigir, como corrijo, um erro, já que é causada por minha permanente posição na Terra e que continua inseparavelmente ligada à minha própria existência como uma das aparências terrenas. A semblância [dokos, de dokei moi], disse Xenofanes, está ‘inscrita em todas as coisas, de tal modo que ‘não há nem haverá nenhum homem que conheça claramente os deuses e tudo sobre o que falo; pois mesmo que alguém tentasse dizer o que aparece em sua realidade total, ele próprio não conseguiria”. (Arendt: 31).

Lacan não disse claramente que a verdade da política mundial só pode ser dita como semi-dizer por causa da semblância inscrita na realidade dos fatos. Esta realidade consiste em semblância verdadeira se minha posição na Terra da política for aquela da multidão terráquea que observa o sol nascer ou se pôr todo dia.  Trata-se desse sujeito (massas que veemobservar a physis da política orbital (do campo hobbesiano de poder/gramática em narrativa política burguesa ariana) na posição exterior à Terra na tela gramatical teológica furta-cor, ou destruir o próprio mundo orbital como no filme Elysium, de Neill Blomkamp? 

É possível observar a metaphysis da política na tela gramatical teológica: “nos termos de uma tradição teológica: Deus é ‘algo’; Ele ‘não é igual a nada’. Deus pode ser pensando, mas somente como o que não aparece, o que não é dado à nossa experiência, e, portanto, como o que é ‘em si mesmo’; e como ele não aparece, não é para nós”. (Arendt: 32-33).     

Na tela gramatical teológica cristã, Deus (Simbólico) não aparece, não faz a semblância do campo de poder/gramatica em narrativa política burguesa cristã. O simbólico como cadeia de significantes não aparece como dado à nossa consciência da certeza sensível. Porém, ele é percebido pela forma de consciência ENTENDIMENTO – saber gramatical do campo de poder hobbesiano de coisas como manifestação de FORÇAS (multidão hobbesiana e ator hobbesiano) e como aparência – Erscheinung – governada pela razão gramatical burguesa ariana. 

Kant pensa o real (coisa-em-si) por sob as meras aparências e semblâncias assim: 
“ na consciência que tenho de mim na pura atividade do pensar [ beim blossen Denken], sou a própria coisa [das Wesen selbst, ou seja, das Ding an sich], sem que, por isso, nada e mim seja dado ao pensamento”. (Arendt: 34). 

Tudo se resume ao quem é possuidor da atividade de pensar a política no campo de poder/gramática em narrativa da política mundial. Trata-se das massas simbólicas? Da vanguarda leninista, isto é, do Príncipe em filosofia leninista, por exemplo. Porém, a atividade de pensar pode ser o ato de pensar sobre todas as coisas, sem a ideia de uma única de tais coisas: pensamento sem ideia. Esta prática simbólica não faz revolução comunista furta-cor. Pois, a teoria oca, sem ideia, não é passível de ser metabolizável pela força pratica

A ideia é a junção em uma unidade de sentido subjetividade/objetividade (Inwood: 300). Ela é a interpretação da política como unidade de metaphysis/physis da política mundial.
Leibniz diz:
“Antes de tudo, porém, queremos dizer com a palavra ‘ideia’ alguma coisa que está em nossa mente. Logo, os vestígios gravados no cérebro não são ideias, pois tenho por certo que a mente é outra coisa que o cérebro ou qualquer parte mais sutil da substância cérebro”. (Leibniz: 401).

Leibniz foge do homo clausus. A MENTE pode ser aquela do Príncipe da tela gramatical em filosofia que se une à uma força prática do campo de poder hobbesiano/gramática em narrativa teológica.  
“Há, entretanto, muitas coisas em nossa mente, como por exemplo, os pensamentos, as percepções e os afetos, que sabemos não ser ideias, ainda que não se realizem sem as ideias. Para nós, com efeito, a ideia não consiste em algum ato de pensarmas sim na faculdade de o exercer, e afirmamos que temos a ideia da coisa, embora nela não pensemos, desde que possamos, dado o caso, pensar a seu respeito. 
Nisso, contudo, vai alguma dificuldade, pois, possuímos o poder remoto de pensar sobre todas as coisas (mesmo aquelas de que talvez não tenhamos nenhuma ideia), porque somos dotados do poder de receber as ideias de tudo. A ideia, por conseguinte, exige certa faculdade ou facilidade próxima de pensar sobre uma coisa”. (Leibniz: 402).            

O Príncipe em filosofia furta-cor em narração teológica é a facilidade da faculdade de exercer o ato de pensamento em gramática furta-cor, gerando a ideia gramatical da política mundial para a articulação da tela gramatical teológica furta-cor necessária à metabolização da teoria pelo poder de receber ideia a força prática furta-cor no campo de poder hobbesiano mundial. 

Assim a força prática autotransforma-se em vontade de potência gramatical revolucionária (pois, capaz de articular ideia com a percepção e o campo dos afetos e, também, ao estado de animus), que atua no campo de poder hobbesiano localizando o alvo tático e o modo de diminuir a força deste até alterar o equilíbrio do quadro global das forças. 

A experiência gramatical transcende não só a Aparência como o próprio Ser gramatical em narrativa teológica. A experiência revolucionária consiste na junção de teoria/prática revolucionária; junção do subjetivo com objetivo da revolução furta-cor pela ideia em um fluxo transdialético entre a teoria e a prática, entre o partido em filosofia e a força prática. Assim, surge o Príncipe em filosofia teológica prática com a gramática cum ideia da revolução furta-cor.                                                                                                                               
   
                                                                      FINAL  
A partir de Virilio e Hannah Arendt, o Príncipe em filosofia teológica prática faz furo na semblância ilusória do campo de poder mundial ariano fazendo pendant com a tela gramatical teológica fascista ariana. O primeiro efeito é as massas simbólicas grau zero burguesa ariana ver a banda de Moebius lacaniana dromoncracia fascista (direito) e demoncracia representativa (avesso). 

O furo na gramática da semblância discursiva do jornalismo fascista burguês ariano torna possível ver, finalmente, a evolução historial gramatical do campo de poder hobbesiano ariano/tela fascista ariana no século XXI, sem semblância, como presença das forças e como aparência – Erscheinung – governada pela gramatica do eterno retorno gramatical da situação global de todas as forças:
“ Tudo esteve aí inúmeras vezes, na medida em que a situação global de todas as forças sempre retorna. Se alguma vez, sem levar isso em conta, algo igual esteve aí, é inteiramente indemonstrável. Parece que a situação global forma as propriedades de modo novo, até nas mínimas coisas, de modo que duas situações globais diferentes não podem ter nada de igual. Se em uma situação global pode haver algo de igual, por exemplo, duas folhas? Duvido: isso pressuporia que tiveram uma gênese absolutamente igual, e com isso teríamos de admitir que, até em toda a eternidade para trás, subsistiu algo de igual, a despeito de todas as alterações de situações globais e de toda a criação de novas propriedades – uma admissão impossível”. (Nietzsche: 439). 

Descendo um pouco ao território da subjetividade territorial da física/metafísica nietzschiana, digo:  
A conjuntura em Marx sujeito gramatical 18 Brumário é a teoria de Nietzsche de uma nova situação gramatical de todas as forças da Revolução francesa. Esta retorna (em 1848-1851) com novas propriedades predicativas, articulando uma totalidade global de forças historial gramatical singular. 
Eis o melhor caminho para a ideia do campo de poder hobbesiano se universalizar na história do Ocidente? E na Ásia de 5 mil anos de tradição historial sem gramática indo-europeia?                   

Enfim, o Príncipe em filosofia teológica força prática articula a transdialética physis/metaphysis entre a tela gramatical teológica e o campo de poder gramatical hobbesiano como banda de Moebius demoncracia (direito) e dromocracia digitalis (avesso). 

Hoje a nossa vitesse politique é vontade de potência homo digitalis informacionalis teológicus ariano. Podemos sair desse cárcere/labirinto barroco?  

No Brasil, tal vitesse politique do homo informacionalis carioca articulou a ditadura fascista senatorial, e, ENCORE, a câmara de deputados nacional como uma societas sceleris fascista burguesa (sokiĕtas skelēris) banhada na transestética do lumpengrotesco burguês: ˂ CRIMINOSTAT>.

ARENDT, Hannah. A vida do espirito. O Pensamento, o Querer, o Julgamento. Rio: UFRJ/Relume Dumará, 1992
ARISTOTELES. Obras. Madrid: Aguilar, 1982
BANDEIRA DA SILVEIRA, José Paulo. Política brasileira em extensão: para além da sociedade civil. RIO: Edição de autor, 2000
DELEUZE, Gilles. Foucault. Pari: Les Éditions de Minuit, 1986
DERRIDA, Jacques. Politiques de l'amitié. Paris: Galilée, 1994
GADAMER, Hans-Georg. El problema de la consciência histórica. Madrid: Tecnos, 1993
INWOOD, Michael. Dicionário Hegel. RIO: Jorge Zahar Editor, 1997
LEIBNIZ, G. W. O que é a ideia. Pensadores. v. XIX. SP: Abril Cultural, 1974
LYOTARD, Jean-François. O inumano. Considerações sobre o tempo. Lisboa: Estampa, 1989
MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial. O homem unidimensional. RIO: Zahar Editores, 1973. 
MILLS, C. Wright. A elite do poder. RIO: Zahar Editores, 1975, original de 1956
NIETZCHE. Os Pensadores. SP: Editora Nova Cultural, 1999
VIRILIO, Paul. Vitesse et politique. Paris: Galilée, 1977      

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