segunda-feira, 3 de outubro de 2016

DA REVOLUÇÃO DEMON(CRÁTICA) ALEMÃ À REVOLUÇÃO DEMONCRÁTICA DO AMERICANISMO



A revolução demoncrática teve seu primeiro ensaio mundial na Alemanha da década de 1930. É possível lê-la a partir de dois fenômenos elementares do mundo da physis política alemã. O primeiro é a articulação do primeiro partido máquina de guerra psicótica militum perversus (O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou nazipartido). O segundo fenômeno é a invenção da ideologia agramatical industrial nacional socialista.

Deus, o nazi definiu o destino do mundo! 

A Alemanha de Hitler é a nação mundial da vontade de potência (Nietzsche) agramatical como revolução demoncrática. Alguns mestres do pensamento político pós II Guerra Mundial tentaram esclarecer, para os vivos e os mortos, usando gramática do significante, a revolução demoncrática.

Ela é uma agramática do significante revolução moderna. A máquina de guerra psicopática militum perversus e a ideologia nazi-industrial são as duas armas, estrategicamente fatais e sedutoramente melífluas, do destino do mundo. O caminho para confrontá-la é a metabolização, no agir político mundial, da revolução gramatical metafísica nietzschiana. Trata-se de uma invenção de uma máquina de guerra de pensamento gramatical estelar que veio das estrelas para derrotar o Diabo e sua revolução demoncrática, na Terra.

A revolução demoncrática articula o uso industrial da língua natural. Ela fez um pendant entre a língua natural nacional e as línguas industriais. Greimas e Courtés pensaram tal fenômeno assim: “Ao contrário, pois, de F. de Saussure L. Hjelmslev, para quem as línguas naturais são semióticas entre outras, as línguas naturais e o mundo natural nos parecem como vastos reservatórios de signos, lugares de manifestação de numerosas semióticas”. (Greimas: 410).

Tal interpretação da língua natural e do mundo como plurivocidade semiótica não significa a língua percebida como um artefato industrial do campo de poder hobbesiano mundial? A língua natural é o trans-sujeito esquizo mundial. Este é um campo linguístico de um equilíbrio transantagônico “pela oposição semióticas científicas/semióticas não científicas” (Idem: 410).

O uso industrial da língua natural faz pendant com linguagens artificiais:
“Dito isso, a construção das linguagens artificiais (linguagem documentária, por exemplo) mostra a existência de uma relação compensatória entre morfologia e sintaxe: uma taxionomia desenvolvida não exige a mobilização a não ser de um número relativamente restrito de relações sintáticas e – inversamente – uma rede de relações sintáticas muito ampla contenta-se com uma morfologia sumária. Observa-se, além disso, que o uso atual tende a confundir, quando não a identificar, os termos gramática e sintaxe”. (Idem: 212.

A ideia do uso industrial da língua inglesa associada ao capital eletrônico industrial é uma ideia do profeta laica canadense Marshall McLuhan. O uso industrial do inglês significa o trans-sujeito industrial militum perversus que cria e recria o enfant do americanismo como o adulto/futura máquina de guerra psicopática perversus:
“A presença maciça e abundante de matéria impressa e seus derivados na organização nova de espaço e tempo deu prestígio e autoridade aos absurdos aqui citados por Whyte. Assim, por exemplo, hoje as crianças nas escolas, quando são convidadas a considerar o baixo nível mental do que lhes é oferecido pelos meios de comunicação, ficam chocadas. Elas nutrem silenciosamente a ideia de que tudo o que o mundo adulto se empenha em realizar tem valor. Supõe que os adultos en masse jamais se entregariam a atividades perversas”. (McLuhan: 331).

A revolução demoncrática alemã cria a tela agramatical política alemã fazendo pendant com o trans-sujeito heteróclito militum perversus.

A revolução demoncrática do americanismo começa com o uso industrial da física atômica (semiótica científica) como máquina de guerra de pensamento militum perversus. O Estado heteróclito americano se autofundou como máquina de guerra heteróclita articulada por uma vontade de potência nietzschiana agramatical - destruindo Hiroshima e Nagasaki.

Foi um banho de sangue de centenas de milhares de pobres almas japonesas em solo japonês, sacrifício de inocentes civis (crianças, mulheres, velhos), que tiveram seus ossos reduzidos a pó e seu sangue transformado em poeira cósmica. Este fato foi a causa da capitulação das Forças Armadas japonesas e a mais vergonhosa situação moral política vivida por um imperador japonês na história moderna.

Hiroshima e Nagasaki implodiram a tela gramatical da moral política que articulara a política representativa moderna durante séculos.

O trans-sujeito nazi estabeleceu os fundamentos do campo de poder político mundial hobbesiano. Após a II Guerra Mundial, o trans-sujeito do americanismo transformou tais fundamentos alemães no campo de poder mundial fazendo pendant com a criação da multidão hobbesiano da soberania popular americana e dos atores hobbesiano. Entre eles, estão o rico da sociedade dos ricos associados mundial, a celebridade, o general, o policial, o jornalista, o cientista etc.

Com certeza, o campo de poder mundial do americanismo é aquele da Banda de Moebius do duplo Estado: Estado gramatical no lado direito/Estado agramatical lógico no avesso.

A revolução domoncrática alemã é o uso industrial da língua natural alemã como multimídia. Tal revolução inventou, industrialmente, o cinema cultural político econômico, a propaganda política, a publicidade, a tela agramatical musical política, a naziciência, a tela psiquiátrica industrial. A percepção sensível lógica industrial do mundo é uma invenção da revolução demoncrática lógica alemã.

A Alemanha articulou, manifestamente, um Estado-COISA (Coisa freudo-marxista). Estado como lógica econômica de um aparelho. Tal Estado é o domínio da máquina de guerra psicopática sobre o sujeito. Domínio da lógica do significante dos fatos do mundo sobre a gramatica metafísica do mundo.  

II

A revolução demoncrática do americanismo é uma vontade de potência nietzschiana agramatical que se desenvolve e acelera com a transformação da televisão em capital industrial/eletrônico. O uso industrial da língua natural inglesa (inglês industrial) é o trans-sujeito esquizo que selará o destino do século XX e a crise da primeira década e mais um pouquinho do século XXI.

Capitalismo monopolista internacional de Estado, imperialismo neocolonial, Império americano transnacional, golpes de Estado na América-Latina da Guerra Fria, o Estado militar neste continente quente, guerras comunistas na Ásia, guerras no Oriente Médio, terrorismo islâmico, 11 de Setembro de 2001, complexo-industrial militar, Okhrana (FBI pós II Guerra/CIA/NSA) etc. são efeitos do trans-sujeito esquizo do americanismo mundial. O leitor não deve ignorar que tais fatos são um efeito do campo de poder político mundial do americanismo.

Os chineses têm, com razão, temor que o americanismo os domine. Pois, o trans-sujeito língua agramatical industrial inglesa já invadiu e conquistou cidadelas importantes do território trans-sujeito asiático. Ele também domina o Japão e a Coréia do Sul. A elite econômica agramatical mundial fala o inglês do americanismo enquanto pensa em Shakespeare.   

Um ator hobbesiano da vanguarda militum do campo mundial do americanismo é o jornalista americano industrial. Ele faz um uso industrial agramatical do inglês natural e, simultaneamente, simula que não o faz. Mutatis mutandis, o jornalista industrial brasileiro faz o uso industrial da língua natural portuguesa com a semblância de que faz funcionar tal língua em uma tela gramatical literária pré-industrial.

No Brasil, o jornalista industrial é um analfabeto industrial da nossa língua natural. Ele não sabe, por exemplo, o que é o real, na gramática metafísica do real. Ele fala uma língua portuguesa agramatical fazendo pendant com a lógica do significante fato jornalístico. Para ele, é lógico usar cientistas sociais lógicos para falar dos fatos jornalísticos. É farinha do mesmo saco lógico!

A linguagem artificial da velha ciência política do americanismo é a mais solicitada pela máquina de guerra jornalística industrial. O conluio do jornalismo industrial com a velha ciência política transforma a universidade em uma máquina de guerra científica agramatical do americanismo. A melhor universidade americana é aquela faz com a maior competência a sua transformação em máquina de guerra heteróclita do capital mundial do americanismo: Harvard.

A revolução demoncrática é a revolução do Diabo e de suas legiões de máquinas de guerra psicopáticas na política e no mundo da vida. Não se trata do Diabo cristão, mas do Diabo do romantismo alemão. Goethe foi uma das mais importantes máquinas de guerra de pensamento estelar gramatical da literatura alemã e, também, do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.

O Diabo de Goethe encerra esse texto:
“Mefistófeles
Sou parcela do Além,
Força que cria o mal e também faz o bem!

O trans-sujeito esquizo do americanismo do Diabo cria o mal após a II guerra Mundial. Ele também faz o bem (o capitalismo mundial como semblância que é para todos), que é a semblância do mundo Ocidental.

Afinal, qual é o mal que ele cria?

Não será o campo de poder político mundial agramatical/lógico econômico do americanismo do Diabo romântico alemão?     

GOETHE, J. W. Fausto & Werther. SP: Nova Cultural, 2002
GREIMAS/COURTÉS, A. J. e J. Dicionário de semiótica. SP: Cultrix, sem data
MACLUHAN, Marshall. A galáxia de Gutenberg. SP: Companhia Editora Nacional, 1972  


             

                                             

     



  

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