sábado, 17 de setembro de 2016

NIETZSCHE – GRAMÁTICA METAFÍSICA DO MUNDO (PARTE I)

Ao palhaço de circo Domingos Montagner - + setembro de 2016

Se eu tivesse algo a ver com isso, diria que a refundação do campo das ciências historiais da política deveria ter como objeto os discursos do mundo. O que são eles? Devemos procurá-los navegando a máquina de guerra estelar da gramática metafísica nietzschiana? 

A semblância do mundo é um fenômeno tão natural que dá vertigem e prazer sexual transestético, se ela é ligada à sociedade de narcose mundial. Ela foi capaz de bloquear a percepção filosófica levando o território filosófico para um beco sem saída e os professores de filosofia para um estresse melancólico permanente. Tal fato não é irreversível. Ele é um efeito da Spaltung que tem como causa a I Guerra Mundial.

Até hoje as ciências da política (incluindo a filosofia política, a sociologia e a historiografia) não encontraram a causa das duas guerras mundiais. Tal fantasma assombrou (e assombra) a tela gramatical do mundo do campo científico em geral.

O que vou revelar agora pode provocar um riso amarelo ou de escárnio no leitor ancilar da percepção sensível do mundo como senso comum filosófico. Ou revelo o verdadeiro de nossa época ou estou criando uma semblância que já não é a semblância do mundo do campo de poder mundial. O leitor decidirá no final da leitura, se perseverar.

A I Guerra Mundial é um acontecimento que tem como causa o desejo sexual perverso de uma espécie de multidão mundial hobbesiana que está ou aquém ou além da multidão da soberania popular modernista.

Tal multidão deseja se expressar como trans-sujeito mundial capitalista ex nihilo nihil fit?

Nunca será demais lembrar que a genealogia gramatical historial de um outro trans-sujeito está anunciada no Manifesto do Partido Comunista: “um espectro ronda a Europa – o fantasma do comunismo. Todas as forças da velha Europa se tem unido em santa cruzada para conjurar tal fantasma: o Papa e o tzar, Metternich e Guizot, os radicais franceses e os polizontes alemanes”. (Marx y Engels: 21).  

A I Guerra Mundial gerou as condições de possibilidade de criação do trans-sujeito mundial que se condensa na Revolução Bolchevique. Porém, quando tal fato se tornou impossível, o trans-sujeito bolchevique mundial adquiriu a forma stalinista de um trans-sujeito nacional – “ revolução em um só país”. Recomendo ao leitor estudar a história do comunismo realmente ex-sistente desse platô.

A causa da I Guerra é a emersão de um Trans-sujeito mundial militar condensado no Estado-nação militar fazendo pendant com a hegemonia do capital fictício no planeta. Qualquer Estado moderno é condensação da multidão hobbesiana. Porém, a plurivocidade do mundo significa que ele é constituído de mais de uma tela gramatical metafísica. Veremos tal fato na segunda parte desse texto.

Após a I Guerra, duas histórias nacionais se constituíram como um autodesenvolvimento do trans-sujeito mundial - história alemã e história americana. Como os alemães de hoje tem medo da sua própria sombra de sua gramática historial do passado, nada se investigou na Alemanha sobre esse acontecimento que é a causa da eclosão da II Guerra Mundial. A causa é o trans-sujeito alemão que se condensa no fascismo alemão e se personifica em Hitler. Se o acaso assim desejar, ainda apresentarei minha investigação sobre este fenômeno extraordinário, maravilhoso e fatal da história gramatical universal.

Em um texto que sairá em breve mostro os resultados da minha investigação provisória do trans-sujeito americano. Tenho sérias dúvidas sobre a utilidade dela para a classe governante em geral, mesmo ela sendo uma história gramatical da classe governante que articula o mundo do século XXI.

A vida do pensamento é assim mesmo inútil.   

Antes de mais nada é preciso dizer que os fundamentos da vida do TRANS-SUJEITO MUNDIAL são: SER (língua nacional), FORMA (tela gramatical historial da política universal), MATÉRIA (dinheiro/capital moderno/técnica), PODER (Estado/Okhrana mundial) e ESPÍRITO (na América, a revolução burguesa freudiana fazendo pendant com o homo industrialis: é claro que as adoráveis psicanalistas francesas vão torcer o nariz esnobe freudiano para tal hipótese). Este objeto é um centro tático da gramática historial do século XXI .

A revolução burguesa freudiana americana preparou o trans-sujeito mundial como território de autodesenvolvimento da sociedade de narcose freudiana. Ela também produziu um efeito maravilhoso inédito: a mulher livre e normal real. A revolução freudiana é aquela associada à metafísica mística judaica. Porque na América?

A burguesia americana oscila entre o ateísmo iluminista e o protestantismo anticatólico. A revolução burguesa freudiana é uma aliança do ateísmo com o misticismo judeu em uma tela gramatical freudiana mulher. Caminho para desfazer o significante mulher como não-todo de Lacan, pois, trata-se de um significante do trans-sujeito mundial cristão - que produziu tal efeito (mulher = não-todo) no discurso lacaniano.  

Porque Lacan não foi ao encontro de Freud quando este visitou Paris?  Lacan é o profeta que inventou a fórmula metafísica mística cristã (RSI Diabo) para a articulação do mundo a partir do Real como um todo RSI (Real/Simbólico/Imaginário). Esta fórmula é uma fusão herética de niilismo puro cristão místico com uma metapsicologia pós-freudiana para destruir o trans-sujeito mundial freudiano. Este evento no mundo da ciência é o campo de pensamento lacaniano das escolas psicanalíticas lacanianas. Elas não sabem que sabem que são o efeito subjetivo do trans-sujeito cristão lacaniano mundial. São instrumentos de uma revolução cristã lacaniana no século XXI.    

Lacan conjurou o Diabo (o todo RSI) para reunir todas as forças cristãs no planeta e aliados para recristianizar o mundo. A ideia é tornar reversível o axioma nietzschiano Deus está morto.  

Como o Papa é a personificação de Deus no território trans-sujeito cristão, o Papa não pode ser um simples sujeito sentado no trono de pedras preciosas da cidade-Estado do Vaticano. SE o sujeito é efeito de um significante (discurso), assim o Papa é efeito de um discurso de cristianização do planeta no século XXI. Se o trans-sujeito suprassume o significante (Lacan), o sujeito Papa é o efeito do trans-sujeito cristão mundial lacaniano. Efeito da gramática metafísica mística lacaniana de (re) cristianização da Terra no século XXI - que faz de Lacan o único verdadeiro Papa na Terra e no céu.  

TRANS-SUJEITO AMERICANO          

O trans-sujeito gramática metafísica historial da política periodiza a história ocidental. Na antiguidade ergue-se o homo politicus. Na idade Média europeia, o homo cristão. Na era moderna, o homo clausus (centro tático da sociedade dos significantes neurótica modernista) faz pendant como homo privatus e com o homo liberalis. A história moderna divide o trans-sujeito modernista na psicologia, na economia moderna do mundo-da-vida e na política representativa.

A I Guerra Mundial é a spaultung da modernidade associada à interpretação moral cristã do mundo. Tal Spaltung gera a condição de possibilidade para o trans-sujeito mundial. Trata-se de uma história muito rica em das Ding e sachen, coisas da realidade dos fatos e artefatos do mundo.

O trans-sujeito gramatical mundial tem sua genealogia econômica historial.         

Primeira evidência. O trans-sujeito americano faz pendant com o homo industrialis. Este é a matéria subjetiva do mundo como expressão universal da forma objetiva dinheiro/capital moderno.  

Ele possui sua genealogia gramatical política.

Segunda evidência. O trans-sujeito ex-siste em um campo de poder mundial. O autor hobbesiano dele é a multidão mundial. E os atores hobbesiano historias políticos são: profissional político associado ao homo liberalis modernista; cientista associado à física aplicada sobre Hiroshima; o jornalista da classe média industrial da tela homo informacionalis; o policial e o subator terrorista islâmico associados ao 11 de Setembro de 2001; O jurista associado à decisão do Supremo americano que decidiu a vitória da eleição Bush filho em 2000 mais o jurista associado à prática política italiana Mãos Limpas ou à brasileira Lava Jato; os ricos associados do mundo ligados à família burguesa aristocrática americana; o general do complexo industrial-militar mundial. E finalmente, a celebridade associada à revolução burguesa americana freudiana fazendo pendant com a sociedade do espetáculo.                

O homo freudiano é uma invenção americana do século XX. O homo perversus é um atractor no horizonte da refundação da história da gramatica metafísica no século XXI. Ele é gramaticalmente simular ao espectro do comunismo que rondava a Europa em 1848.  

NIETZSCHE PARA UM POBRE TERCEIRO MUNDISTA

I

Tomando o caminho de Nietzsche, a I Guerra Mundial é o efeito do fim da velha metafísica fazendo pendant com o colapso da razão ocidental. Aqui, usarei apenas o texto A vontade de potência (1884-1888).

O niilismo é o fenômeno global que desencadeia a I Guerra Mundial. Mas afinal, o que é o niilismo? Sigo Nietzsche, esta nova máquina de guerra estelar metafísica que veio das estrelas para fundar o mundo do século XXI.

O niilismo é a radical recusa de valor, sentido e desejabilidade sexual. O niilismo reside na miserável, indigente, interpretação moral-cristã da realidade dos fatos (mundo). Trata-se da ruína da interpretação moral do mundo, que é despojada de qualquer sanção, depois que tentou refugiar-se em um além, terminando em niilismo: “Tudo não tem sentido”:
“ (a inexequibilidade de uma única interpretação do mundo, a que foi dedicada uma força descomunal – leva a desconfiar se todas as interpretações do mundo são falsa -). Traço budista, aspiração pelo nada”. (Nietzsche: 429).

O niilismo tem sua genealogia nos ensaios filosóficos de superação do Deus moral em Hegel e no panteísmo, e também na superação do herói plebeu universal: o sábio, o santo e o poeta como atores de um campo de poder mundial.  Antagonismo entre “verdadeiro” e “belo” e “bom”: niilismo fazendo pendant com a transdialética materialista.

O niilismo se articula como crítica do espinosismo, como reação de uma espécie de multidão mundial hobbesiana contra os juízos-de-valor remanescentes nos sistemas socialistas e positivistas. A consequência niilista é a crença na ausência de valor na política representativa modernista e no senso comum do mundo-da-vida europeia como lógica de sentido:
“Vemos que não alcançamos a esfera em que pusemos nossos valores – com isso a outra esfera, em que vivemos, de nenhum modo ainda ganhou em valor: ao contrário, estamos cansados, porque perdemos o estímulo principal. “Foi em vão até agora! ” (Nietzsche: 430).

O niilismo faz pendant com uma máquina de guerra interpretativa moral ocidental do mundo. Trata-se da moral no comando da economia capitalista, da política mundial e da cultura europeia. O colapso dessa máquina de guerra maravilhosa faz do niilismo uma vontade/desejo sexual perverso de destruição do velho mundo ocidental. Trata-se do domínio da sociedade dos significantes perversa a céu a aberto! Esta forma de niilismo já é aquela da gramática metafísica do mundo mais extrema, que já ex-sistiu.

Assim, a I Guerra Mundial percebida por discurso que só fosse semblância natural da realidade dos fatos foi compreendida até agora como resultado da guerra capitalista colonial, do colapso dos impérios e da ascensão vitoriosa do Estado-nação. A hipótese nietzschiana a apresenta como uma guerra que tem como causa a autodissolução dos fundamentos metafísicos da tela gramatical lógica da vida do homem ocidental. Tal hipótese não é, no mínimo, a nova máquina de guerra de pensamento gramatical poiética/metafísico do século XXI?

Nietzsche pensa o niilismo como estado psicológico. Não é mais a psicologia do homo clausus modernista do século XIX. Trata-se da nova psicologia metafísica do trans-sujeito. Metapsicologia freudiana? O niilismo é a multidão articulada como máquina de guerra gramatical condensada na vontade de destruição do velho mundo metafísico ocidental. Trata-se, portanto, do trans-sujeito niilismo:
“O niilismo como estado psicológico terá de ocorrer, primeiramente, quando tivermos procurado em todo acontecer por um ‘sentido’ que não está nele: de modo que afinal aquele que procura perde o ânimo. Niilismo é então o tomar consciência (multidão/trans-sujeito) do longo desperdício de força, o tormento do ‘em vão’, a insegurança, a falta de ocasião para recrear de algum modo, de ainda repousar sobre algo – a vergonha de si mesmo, como quem se tivesse enganado por demasiado tempo...Aquele sentido poderia  ter sido: o ‘cumprimento’ de um cânone ético supremo em todo acontecer, a ordenação ética do mundo; ou o aumento do amor e harmonia no trato dos seres; ou a aproximação de um estado de felicidade universal; ou mesmo o livrar-se um estado universal de nada – um alvo é sempre um sentido ainda. O que há de comum em todos esses modos de representação é que algo deve, através do processo, mesmo, ser alcançado: - e agora se concebe que com o vir-a-ser nada é alcançado ...Portanto, a desilusão sobre uma pretensa finalidade  do vir-a-ser  como causa do niilismo: seja em vista de um fim bem determinado, seja, universalizando, a compreensão da insuficiência de todas as hipóteses finalistas até agora, no tocante ao ‘desenvolvimento’ inteiro (o homem não mais como colaborador, quanto mais centro do vir a ser”. (Nietzsche: 430).

O homem como finalidade e fundamento da vida racional ocidental é suprassumido pelo trans-sujeito mundial que é a causa do colapso da civilização europeia. No livro Mal-estar na civilização, absolutamente aturdido com a I Guerra Mundial Freud pensou na fundação de uma sociedade de narcose para evitar o uso do desejo sexual perverso condensado na guerra mundial como modo de evitar o tédio associado ao trans-sujeito niilista?

A felicidade da sociedade de narcose gramatical freudiana só foi possível de ser realizada transformando a droga no significante-mestre da vida “ocidental’ e além. Ela é o avesso da sociedade dos significantes perversos. Ela é a semblância do mundo articulado como sociedade perversa. Ela tão pouco é a aproximação gramática metafísica de um estado de felicidade universal.                                       

A sociedade de narcose é uma ficção fantasmática que surge (como efeito da metapsicologia ou psicologia metafísica freudiana, que é o avesso da psicologia física, empírica, do século XIX) em uma Banda de Moebius que começa na segunda metade do século XX penetrando no século XXI.

Na década de 1920, Freud já havia mergulhado na clareira da nova gramática metafísica dos estados psicológicos de Nietzsche. A sociedade de narcose é um estado psicológico de um trans-sujeito nietzschiano, uma multidão mundial nietzschiana. Hoje, há 180 milhões de usuários de marijuana no planeta. O trans-sujeito homo informacionalis significa produção de informação diária na tela informacional eletrônica (informação droga + real); a internet é a superfície da geração da droga digital neurônica, da sociedade do homo digitalis (trans-sujeito mundial).          

II

A autodissolução dos fundamentos da vida do homem é obra da máquina de guerra interpretativa niilista:
“O niilismo como estado psicológico tem ainda uma terceira e última forma. Dadas essas duas compreensões, de que com o vir-a-ser nada deve ser alvejado e de que sob todo vir-a-ser não reina nenhuma grande unidade em que o indivíduo pode submergir totalmente como um elemento de supremo valor: resta como escapatória condenar esse inteiro mundo do vir-a-ser e inventar um mundo que esteja para além dele como verdadeiro mundo. Tão logo, porém, o homem descobre como somente por necessidades psicológicas esse mundo foi montado e como não tem absolutamente nenhum direito a ele, surge a última forma do niilismo, que encerra em si a descrença em um mundo metafísico, que se proíbe a crença em um mundo verdadeiro”. (Nietzsche: 431).

Assim, para todo discurso gramatical metafísico do mundo está bloqueada a forma do discurso que não fosse semblância. Desaparecimento da dialética da essência e aparência, a aparência do mundo reina na percepção da multidão mundial sujeito grau zero gramatical metafísico.        

O efeito da autodissolução gramática metafísica do mundo é o vir-a-ser como transdialética do real impossível de ser suportada:
“Desse ponto de vista admite-se a realidade do vir-a-ser como única realidade, proíbe-se a si toda espécie de via dissimulada que leve a ultramundos e falsas divindades – mas não se suporta esse mundo, que já não se pode negar...” (Nietzsche: 431).   

A autodissolução dos fundamentos da gramática metafísica do ex-sistência do homem no mundo é a spaltung como motor das duas guerras mundiais, que começa na Europa:
“- O que aconteceu, no fundo? O sentimento da ausência de valor foi alvejado, quando se compreendeu que nem com o conceito de “fim”, nem com o conceito “unidade”, nem com o conceito “verdade” se pode interpretar o caráter global da existência. Com isso, nada é alvejado e alcançado; falta a unidade abrangente na pluralidade do acontecer: o caráter da existência não é “verdadeiro”, é falso... não se tem absolutamente mais nenhum fundamento para se persuadir de um verdadeiro mundo... Em suma: as categorias “fim”, “unidade”, “ser”, com as quais tínhamos imposto ao mundo um valor, foram outra vez retiradas por nós – e agora o mundo parece sem valor...” (Nietzsche: 431).

O problema da metapsicologia (nietzschiana, freudiana) é ela não se constituir em uma gramatica metafísica narrativa do mundo e mundial? Tal problema será ultrapassado se ela descer do céu metafísico filosófico para se tornar a gramática metafísica narrativa da physis do mundo. A metafísica desliza do território trans-subjetivo da filosofia para o território da gramática metafísica do trans-sujeito historial mundial do século XXI:  transmetafísica.

Como o niilismo destruiu a dialética (Hegel, Marx e Lenin), no lugar dela, a gramática transdialética nietzschiana é o caminho para se pensar um mundo narrativo gramatical articulado como um todo RSI em autodissolução. A metafísica lacaniana/leninista da verdade do mundo como o verdadeiro para a multidão mundial aponta para a suprassunção do significante pelo trans-sujeito mundial, sendo este um trans-sujeito cristão do século XXI. As implicações e consequências desse enunciado/desejo é evitado de ser explorado como alternativa ao trans-sujeito perversus mundial (homo perversus), como se ele fosse o diabo que foge da cruz.

Nietzsche pensa claramente que as categorias da razão (fim, unidade e ser) articulam uma interpretação do mundo que é o campo dos discursos do mundo como semblância (mundo fictício): “Resultado: A crença nas categorias da razão é a causa do niilismo – medimos o valor do mundo por categorias, que se referem a um mundo puramente fictício”. (Nietzsche: 431).

Os discursos do mundo que só fossem semblância é um (des)valorar o mundo na percepção do mundo como pura ficção. A razão é a categoria que faz pendant com a categoria homem/valor do mundo articulada para formações humanas de dominação projetada na essência das coisas. Trata-se de entender e viver o mundo a partir do sujeito e não a partir da tela gramatical das coisas (objetos de desejo, em Lacan e Freud ) - gramática do desejo sexual do valor do mundo/fático como artefático (Das Ding e sache). Pôr o sujeito como lógica de sentido e medida do valor das coisas é o que faz dos discursos do mundo imbecis servindo à sociedade de significantes dominação:
“Resultado final: todos os valores com os quais até agora procuramos tornar o mundo estimável para nós e afinal, justamente com eles, o desvaloramos, quando eles se demonstram inaplicáveis – todos esses valores são, do ponto de vista psicológico, resultados de determinadas perspectivas de utilidade para a manutenção e intensificação de formações humanas de dominação: e apenas falsamente projetados na essência das coisas. É sempre ainda a hiperbólica ingenuidade do homem: colocar a si mesmo como sentido e medida de valor das coisas”. (Nietzsche: 432).

A semblância da tela gramatical ficcional do mundo articula, naturalmente, um desvalorar do mundo como uma atmosfera metabolizada como o verdadeiro pela multidão que a leva rumo ao desejo sexual perverso da stasis ou da pólemos condensado em trans-sujeito militar mundial? A sociedade de narcose evita a articulação de um trans-sujeito militar mundial? Isso é um evento possível como resposta às duas guerras mundiais e inúmeras revoluções?

Depois da II Guerra Mundial, o Estado militar americano (atômico) da física relativista e o da URSS evitaram a emersão do trans-sujeito mundial militar pelo equilíbrio do terror. A III Guerra mundial não acontece. Com sua emersão em Hiroshima, o trans-sujeito mundial einsteiniano põe no lugar da desvaloração do mundo o relativismo como valor do mundo. Trata-se da revolução historial da política fazendo pendant com a física do século XX. O trans-sujeito einsteiniano não era uma recreação do discurso da universidade europeia.      

Um axioma einsteiniano define o homem assim: duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”. É uma versão do físico da palavra de Cristo na cruz: Pai (Deus judeu), perdoai-vos, “eles não sabem o que fazem”. O sujeito não sabe que faz, pois ele é um efeito estúpido do trans-sujeito. O sujeito ocidental é um efeito estúpido do trans-sujeito ocidental (Deus da narrativa bíblica judaica). A cristianização do mundo significa a emersão do trans-sujeito cristão cujo efeito é um sujeito menos estupido?

O trans-sujeito cristão como gramática metafísica historial do mundo ocidental articulou a Idade Média. Não seria altamente iluminador para o século XXI voltar a Era das Trevas para ver seus objetos de desejo e seu sujeito como efeito do trans-sujeito cristão. Um efeito do trans-sujeito em tela é a sociedade dos guerreiros feudais e suas cruzadas santas contra o Islã - articulação de um trans-sujeito militar cristão europeu. Mas um outro efeito é a criação da sociedade de corte com seu culto à mulher cortesã. Seria este o primeiro ensaio gramatical ficcional da ex-sistência da mulher livre e normal?

A penitência articula o trans-sujeito cristão em uma tela gramatical militar sagrada. O ator hobbesiano dessa tela  sagrada é o sujeito cristão como semblância da máquina psicopática cristã. 

Continua...

MARX E ENGELS. Obras de Marx e Engels. Tomo II. Madrid: Editorial Fundamentos, 1975

NIETZSCHE. Os Pensadores. Nietzsche. SP: Nova Cultural, 1999  

                    
       
                 
  



   

Nenhum comentário:

Postar um comentário