sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ESTADO GRAMATICAL JORNALÍSTICO INDUSTRIAL


Em um de seus inúmeros escritos militares, Mao Tse Tung diz que o maior problema geopolítica da stasis (para o Partido Comunista) era estabelecer o alvo tático, um de cada vez. Estabelecer o alvo estratégico era simples. Tratava-se de estabelecer a gramática da guerra civil capaz de autodissolver o Estado chinês realmente existente. A guerra civil chinesa era uma guerra do território gramatical Terra.

As obras completas de Mao são o mapa gramatical dessa aventura pedestre do épico asiático revolucionário do século XX. Hoje, a China é mais grandiosa gramática de vontade de potência na Terra. Falta a ela ser a máquina de guerra de pensamento estelar que vai dominar a gramática do mundo orbital – eletrônico e, principalmente, digital. 

No Brasil, mergulhamos em uma stasis gramatical do mundo orbital. Então devemos começar do início.

No início estava o marxista italiano Antônio Gramsci na década de 1930. Gramsci preso na prisão fascista. Os intelectuais fascistas italianos haviam convencido nosso herói comunista de que a era do liberalismo político se autodissolvera. Assim, a ideia (e a prática política) do Estado liberal encerrado na esfera pública com uma autonomia absoluta em relação ao capital ( e as classes) da sociedade civil era apenas fumos machadianos (os fantasmas cariocas do romancista brasileiro Machado de Assis).

No lugar do Estado gramatical liberal, um Estado gramatical integral ex-sistia como um atractor no horizonte. Tratava-se de um fenômeno da physis do território político mundial Terra. Porém, o Estado integral na década de 1930, era, com efeito, uma ficção literária do transromance gramsciano.

O Estado integral é a gramática metafísica do Estado como sociedade política mais sociedade civil, dominação e hegemonia, ditadura e democracia. Assim, o jornalismo privado é a sociedade civil, a hegemonia e a democracia em um antagonismo à sociedade política, à dominação e à ditadura condensados no judiciário, na polícia, no executivo e no governo. O legislativo encontra-se no cruzamento desses dois caminhos do Estado integral. O heroi jornalista democrático é um ator hobbesiano da era liberal política.  

Durante várias décadas falei para os estudantes de ciência política de uma universidade federal carioca sobre o Estado integral gramsciano/fascista. Eles consideravam tal visão puras palavras retóricas sem lastro na realidade dos fatos mundiais.

Então, entre os alunos funcionou o Estado animal freudiano (das térmitas, formigas e abelhas) o mais eficiente estado de comunicação na ligação neurônica entre seus habitantes. A mensagem que se espalhou com o rastilho de pólvora foi: os cursos do professor Bandeira sobre a política mundial são delírios gramsciano. Assim, atravessei a era multiculturalista do bolivariano ministrando cursos para 3 alunos, a cada semestre. Em uma universidade privada, eu seria despedido.

Considerando a relação professor/aluno, as minhas aulas custavam uma pequena fortuna para os cofres públicos de um país com uma imensa população vivendo na pobreza mais abjeta. Eu me via (e vivia) como um personagem machadiano atormentando pelo sentimento de culpa, possuído pela dúvida fantasmática sobre a minha posição de direito na estrutura de classes nacional. Para aliviar minha alma do autodesprezo infame, ajudava famílias da zona oeste do Rio.

Como machadiano professor estatal carioca, sentimentalmente, solto no ar, minha experiência universitária era livre de cadeias hierárquicas burocráticas. Pode parecer fantástico o fato de não ex-sistir qualquer rede de autoridade burocrático-acadêmica regulando minha vida acadêmica por critério de produtividade. Mas era exatamente isso! 

No governo Sarney, uma lei tornou compulsório a carga horária de aula de duas disciplinas por semestre. Era um palano diabólico de Sarney para desmantelar a universidade estatal que tinha como principal tática o plano de demissão voluntária. Houve uma debandada geral. Aí descobri que os professores consideravam a profissão de professor infame. Que o sonho de consumo de todo professor é a aposentadoria. Como eu era muito novo para me creer nisso, continuei.

Só recentemente pude metabolizar que pertencia aos de baixo da classe média estatal com nível universitário. Eu formava alunos para as camadas superiores da classe média privada e pública. Um aluno recém-formado me procurou para dizer que havia ingressado na Petrobrás com o triplo do meu salário. Que trabalhava em sala com ar condicionado. No verão, eu ministrava aulas, com a temperatura acima de 40°. Hoje, algumas salas de aula possuem ar condicionado. Como me aposentei na era bolivariana, nesta época inesquecível porque desprezível, tais salas eram propriedade dos professores bolivarianos multiculturalistas, jovens possuídos por um profundo desprezo pelos antigos professores não-bolivarianos. Eles se referem a tais professores pejorativamente como os intelectuais.  Acabei minha longa vida universitária de quase 40 anos ministrando dois cursos, com 3 alunos cada um, em uma sala 40° graus.      

O estrato superior da classe média estatal era constituído pela comunidade jurídica e os funcionários de ricas corporações estatais como a Petrobrás puxando esse trem. Tratava-se da classe média jurídica público-privada (comunidade jurídica) e da classe média industrial estatal. Associada à classe média industrial privada do ABCD, a classe média industrial estatal possuía a hegemonia no bloco histórico bolivariano. Lula e o sindicalismo pelego bolivariano constituíram um fenômeno esperado pela esquerda brasileira desde 1920 - "A classe operária havia, finalmente, tomado o poder nacional".
Havia?

Havia tomado o poder nacional como uma corporativa classe média industrial privada e pública com Lulas, Meneguellis, Vicentinhos e a rapaziada da classe média do PT com Dirceus, Falcões, Delúbios e Genuínos. Assim, uma classe média política chegou ao planalto central do Brasil com lenço e documento caetanos. Tal classe média política construiu, quase do nada, um sistema político bolivariano multiculturalista como semblância do verdadeiro sistema político petista. Mulher, negro, gay foram cooptados en masse para fazer parte da burocracia estatal como cortina de fumaça para obnubilar os olhos da nação. Pois, o verdadeiro sistema político bolivariano multiculturalista significa a corrupção en masse dos políticos, dos partidos, dos sindicatos, do MST (movimento de massas rurais como parte de uma narrativa épica de luta contra o Estado militar) e das massas da physis da rua urbana das grandes capitais.

O famigerado assalto bucaneiro da classe média política à riqueza pública (sob os cuidados do Estado nacional) levou à destruição da ideia de carreira pública e de vidas orientadas por vocações públicas. O corrupto sistema político bolivariano multiculturalista autodissolveu a longa era da soberania da classe média que começou com a revolução militar da classe média privada do Rio e de São Paulo em 1964. Origem da Estada gramatical brasileiro.  E como legado, deixou um país em ruinas urbanas que lembram a paisagem das cidades da Alemanha no fim da II Guerra Mundial.     

O sistema corrupto multiculturalista bolivariano havia se constituído como o primeiro bloco histórico (Gramsci) na nossa história. Tratava-se do bloco histórico da classe média. No centro espiritual tático do bloco, uma fatal classe média industrial jornalística multiculturalista o ligava à physis do mundo orbital. Tal classe média jornalística era a verdadeira guardiã da genuína ideologia cultural política multiculturalista eletrônica. No centro tático (eis o nosso alvo finalmente) da classe média jornalística encontra-se a GloboNews dirigida por uma multidão intelectual de mulheres jornalistas. A GloboNews é uma condensação do capital eletrônico mundial. 

A tela gramatical jornalística multiculturalista eletrônica possui uma autonomia relativa ao bloco histórico bolivariano? Quando a presidente Dilma Rousseff foi destronada e, por um ato de misericórdia (que ela renegou, pois deseja sexualmente ser punida exemplarmente) do Senado, foi viver uma vida de felicidade privada e pública , à qual seu arquinimigo Eduardo Cunha não teve direito, o governo que a substitui era claramente antibolivariano multiculturalista.

Mulher, negro e gay não foram chamados para ocupar ministérios, nem foram cooptados en masse. A classe média artística privado/pública se revoltou pleiteando a participação no governo Michel Temer do PMDB. Caetano Veloso é o líder carismático do multiculturalismo artístico. Um mestiço baiano clarificado (Oliveira Vianna) era o chefe lídimo da multidão hobbesiana constituída por negro, mulhere, gay e LGBT. Euclides da Cunha e seu discípulo Gilberto Freyre tinham sua vingança poética, finalmente, com o mestiço Caetano Veloso e a música mestiça de Chico Buarque no proscênio da tela gramatical musical multiculturalista. Deus escreve certo por linhas tortas para o multiculturalismo bolivariano?

A classe média industrial jornalística mulher fazendo pendant com a classe média jurídico/policial público/privada mulher estabeleceram uma autonomia relativa ao bloco histórico bolivariano petista sobrevivendo ao fim desse fenômeno que jamais deverá ser esquecido pela nação? Assim, retornamos ao caminho que nos leva à Roma, ao Estado gramatical do século XXI e a gramática mulher. 

No início da civilização arcaica, uma gramática universal faz pendant com 4 atores hobbesiano: o Urstaat (Estado arcaico), a mulher como causa ausente althusseriana, a máquina de guerra psicopática e o capital arcaico. Pessoas se espantam com o fato de nenhuma época falar da mulher como ator hobbesiano.

Com efeito, a mulher dormia um sono milenar que acabaria no século XX com o despertar da mulher livre e normal como o objeto de desejo do café-society (a secretaria bilíngue das corporações capitalistas, as diretoras e roteiristas do início do cinema americano, as atrizes belamente espetaculares mais as modelos deliciosamente encantadoras, enfim, a multidão/mulher da revolução burguesa freudiana americana. Elas ex-sistiam para combater o tédio do homem branco da sociedade dos ricos associados - um ator hobbesiano que está na origem do campo de poder mundial atual. Tal mulher livre e normal nada tem a ver com a mulher do multiculturalismo.

Com efeito, o multiculturalismo transforma a mulher livre e normal em um ator hobbesiano do Estado gramatical mundial. A heroína da mulher multiculturalista é Hillary Clinton. O multiculturalismo-mulher é a experiência política mundial de fazer passagem da mulher não-todo lacaniano (mulher/facção como parte do todo fálico) para a mulher como um todo que não seja semblância. Trata-se da mulher como vontade de potência nietzschiana da classe média mulher (como interseção da classe mulher industrial jornalística com a classe média mulher jurídica público/privado) como ator hobbesiano do campo de poder mundial. Tal mulher toma de assalto o poder mundial através do mundo orbital eletrônico jornalístico. Ela é a força de trabalho simbólico do capital mundial. Com ela, o capital torna-se parte do Estado gramatical  integral.

Assim, só um poder gramatical de Estado possuidor de uma violência simbólica sem limite pode sustentar a semblância da gramátical liberal - separação absoluta Estado/sociedade, sociedade política/sociedade civil, democracia/ditadura do capital.      

Todos os prêmios que a GloboNews obtém na América são um simples efeito desse trans-sujeito multiculturalista mundial mulher.

A classe média industrial jornalística mulher fazendo pendant com a classe média policial/jurídica público/privada articula-se como um fenômeno mundial, e fez a passagem do Estado ficcional integral (Gramsci) para o Estado integral realmente ex-sistente. Nesse Estado integral da física hobbesiana, a mulher se transforma em poder policial de Estado, dominação, sociedade política e ditadura. Ela desperta de seu sono milenar ao tornar-se um ator hobbesiano do campo de poder mundial. Porém, há uma pedra poética drummondiana no caminho da classe média mulher multiculturalista. Trata-se do barão ladrão Donald Trump.

O campo de poder mundial hobbesiano condensado no Brasil explica a crise catastrófica brasileira. O bloco histórico multiculturalista populista resiste à sua autodissolução completa, pois, ele é também o Estado gramatical multiculturalista/mulher populista do século XXI. No centro desse Estado gramatical populista encontra-se a classe média industrial jornalística mulher da GloboNews. Hoje, o Grupo Globo e a poderosa família Marinho (da sociedade dos ricos associados carioca) comem na mão da classe média multiculturalista mulher. Para o cientista políticos heterodoxos, esse é o espetáculo inédito (que provoca vertigem) da sociedade do espetáculo da multidão revolucionária inventado pela Revolução Francesa.

A revolução atual da classe média industrial mulher ocorre na physis política do mundo orbital. A mulher multiculturalista industrial possui o poder do Estado gramatical orbital por ser a força de trabalho simbólica do capital eletrônico mundial.

Na crise brasileira catastrófica, a classe média industrial jornalística mulher é a tela gramatical caótica do atual Estado integral, entre nós. E a GloboNews mulher domina tal gramática caótica fazendo da família Marinho um apêndice ancilar de seu poder gramatical.

O governo Temer é um governo ingênuo de políticos enquanto um governo de homens antigos, de gentlemen. O multiculturalismo mulher fez do homem seu alvo a ser combatido com todas as armas da violência simbólica e/ou física sem limite) em uma guerra política sem quartel. A mulher multiculturalista é o Estado gramatical integral como sociedade política, dominação e ditadura.

Tenho inúmeros textos na internet sobre o agir ditatorial fascista eletrônico da GloboNews sob a hegemonia da classe média jornalística mulher. E sei que o desejo sexual da classe média mulher jornalística industrial é o desejo de dominar na cultura orbital como parte do estabelecimento do Estado gramtical populista do século XXI.

Esse acontecimento anuncia a mulher fazendo pendant com a soberania do trans-sujeito perversus mundial descoberto pelo psicanalista pós-modernista e psicanalista heterodoxo freudiano na década de 1980.

Apenas dois exemplos. A classe média jornalística mulher fez uma aliança com o bloco político no Congresso nacional B.B.B. (bala, bíblia, boi) para aprovar uma lei que faz do delegado de polícia um ator com mais poder no mundo-da vida das famílias do que o juiz. Trata-se de um resgate e de uma atualização da memória cultural política do campo de poder monárquico da era governamental de d. Pedro II. Tal fenômeno era nomeado como a ditadura dos delegados de polícia.  

Outro exemplo. Dirigido por mulheres, o programa Estúdio I da GloboNews faz punições exemplares (na tela gramatical eletrônica do trans-sujeito mundial informacionalis) de pobres mulheres mestiças professoras filmadas pelo poder informacionalis (ao alcance do celurar dos alunos)  em atos considerados racistas pelo julgamento sumário (ao arrepio da lei liberal, por um tribunal de exceção gramatical eletrônico) do trans-sujeito informacionalis multiculturalista mundial, que é a causa da gramática caótica do campo de poder mundial.

O desejo sexual perversus da classe média jornalística industrial mulher é dominar o governo Temer (pela violência simbólica jornalística industrial sem limite) fazendo desse governo um mero refém do poder do Estado gramatical integral, hoje, se encaminhando para uma forma tran-subjetiva ditatorial mulher a céu aberto. Como os gentlemen do sistema partidário corroído pela era bolivariana estão no controle da política nacional, eles se transformaram naturalmente no alvo tático (Mao) da revolução da classe média mulher público/privada.

O meu querido maître FHC diz que o governo Temer é uma pinguela em uma forte tempestade amazônica. Esse gentleman da política nacional tem uma visão pré-diluviana do campo de poder mundial. Ele jamais irá metabolizar (se se dignasse a ler meu texto) a revolução mulher multiculturalista. Isso não é verdadeiramente estar vivendo intencionalmente aposentado do mundo! 
       
O Mundo é Um Moinho (Cartola)

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés                            

                  
     A era do homem acabou e começou  a era da mulher?                                        
    
             

                                   

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