terça-feira, 16 de agosto de 2016

HIPÓTESE GERAL (CAPITAL/ESTADO GRAMATICAL/TRANS-SUJEITO)











I

Pensar o discurso do capital fazendo pendant com o discurso do capitalista significa uma reviravolta na teoria lacaniana dos discursos? Trata-se da passagem do campo freudiano para o campo da física lacaniana ou física dos discursos lacanianos. As imagens gráficas supracitadas serão muito úteis para o leitor acompanhar o desenvolvimento de meu texto.

O discurso do capitalista é uma condensação RSI (Real/Simbólico/Imaginário) e o discurso do capital uma condensação RSIcpe (Real/Simbólico/Imaginário/cultural política econômica). Trata-se da passagem do campo lacaniano para o campo de pensamento laco-hobbesiano. O discurso do capitalista ex-siste em uma Banda de Moebius (BM) com o discurso do mestre. O discurso do capital em uma BM com o discurso do analista. A aparência de heresia no uso do discurso do analista se dissolverá ao longo da narrativa. Toda narrativa possui, como não poderia deixar de ser, semblâncias no método de exposição.

O discurso do capital se expõe, propõe e se estabelece como interpretação/narrativa RSIcpe, ou seja, o capital como episteme política da sociedade dos significantes capitalista. Trata-se de interpretação científica e transromance constituindo uma outra totalidade ao lado da totalidade fálica e da totalidade não-todo (o fenômeno articulado pelo gozo da mulher).

A similitude entre a totalidade capital moderno e a totalidade não-todo consiste que elas ex-sistem na tela gramatical urbana. O capital de commodities já é uma articulação de uma tela gramatical caipira (rural) que se estabelece em uma transdialética materialista com a tela gramatical urbana do capital moderno. Trata-se de um antagonismo de equilíbrio que dependendo da nação econômica pode se transformar em um antagonismo de desequilíbrio favorável à tela gramatical caipira. O Brasil parece marchar irrevogavelmente para o domínio da tela gramatical caipira.   

O discurso do capitalista é condensação do RSI articulado a partir do real. A ciência econômica só lida com fenômenos econômicos reais, que são o objeto de desejo (objeto a) das massas simbólicas capitalista (burguesas). No discurso do capitalista o objeto a encontrasse no lugar da produção (força de trabalho). Objeto de desejo, a é o objeto de desejo da classe capitalista, da burguesia. O mercado de força de trabalho é algo desejado pelo capitalismo moderno. Um passo sem retorno para o desejo sexual da modernidade capitalista foi exposto de um modo simples e elegante por Marx:
“A que se reduz, em última análise, a acumulação primitiva, a origem histórica do capital? Quando não é transformação direta de escravos e servos em assalariados, mera mudança de forma, significa apenas a expropriação dos produtores diretos, isto é, a dissolução da propriedade privada baseada no trabalho pessoal, próprio”. (Marx. 1996: 879). 

No discurso do capital, o objeto a encontrasse no lugar do agente em similitude estrutural com o a do discurso do analista. Aí o a é o objeto de desejo que faz $ (trans-sujeito) desejar o capital. Assim, o capital passa a ser visto como um fenômeno trans-subjetivo com a/agente causa de produção de desejo do trans-sujeito pela sociedade de significantes capitalista. Então, o resumo da ópera consiste em saber o que é trans-sujeito. Trata-se, antes de mais nada, das massas sujeito zero subjetividade biográfica individual.

O discurso do capital é uma tela gramatical urbana econômica na qual a energia narcísica do trabalhador é reduzida ao grau zero na vida subjetiva narcísica, pois, ela serve à produção, exclusivamente, da mais-valia e do mais-gozar do capital. Alíngua é o inconsciente do discurso do capital: "Mas, enfim, esse é precisamente o inconsciente de todo discurso. Visto que o discurso verdadeiro é um discurso sem fala". (Lacan. Livro 16: 68). A ciência real do capital triunfará por ser verdadeira para as massas sujeito zero burguês - "mas não forçosamente por dizer a verdade". (Idem: 169). Esta é a ideia da relação entre verdade e verdadeiro na episteme política de Lenin, adotada por Lacan!        

Ao contrário do atual século XXI, o narcisismo do trabalho no final do século XX se realizou em uma tela gramatical urbana estética fazendo pendant como o desejo sexual narcísico subjetivo biográfico a partir da luta política das massas operárias na Europa. Luc Boltanski e Ève Chiapello designaram tal fenômeno como o novo  espírito do capitalismo (Boltanski: 197-203). A mudança dessa era historial (interseção da cultura política econômica com a physis do capital) ocorreu na França do governo do PSF com a instalação constitucional – pelo parlamento- do modo de produção flexível neoliberal em 2016.

Se o agente/capital como a faz desejar o trans-sujeito (trans-subjetividade como subjetividade das massas sujeito zero narcíco), se faz necessário pensar o SER do capital na relação com o RSIcpe e o discurso do capital.

Pensar o capital como um corpo dotado de desejo sexual é pensá-lo como alingua, ou seja, inconsciente lacaniano. Para Lacan não ex-siste a linguagem do ser capital, não há metalinguagem do capital (Lacan. Livro 20: 161). Mas há seres de saber: “Marx e Lenin, Freud e Lacan não são parelhas no ser. É pela letra que eles acharam no Outro que, como seres de saber, eles precedem dois a dois num Outro suposto. O novo, no saber deles, é que não é suposto que o Outro saiba nada deles – não por certo, o ser que ali faz letra – pois é mesmo do Outro que ele faz letra às suas expensas” (Idem: 132).

A relação do ser de saber com o Outro não pode ser interpretada como a relação do sujeito com o trans-sujeito? Da subjetividade individual com a subjetividade das massas sujeito zero? Se isto é verdadeiro, o ser do trans-sujeito se articula como desejo sexual de um corpo trans-subjetivo. Em Marx com Lacan, isso significa que o capital é uma relação “social” capital/trabalho, ou melhor, uma relação trans-subjetiva do ser (de desejo sexual) das massas capitalistas com o ser (de desejo sexual) das massas de trabalhadores articulada pelo desejo sexual de apropriação da riqueza excedente - mais-valia (Mehwert) e/ou mais-de-gozar (plus-de-jouir). Mehwert e plus-de-jouir constituem o direito e o anverso de uma Banda de Moebius no corpo material/espiritual (trans-sujeito) do capital.   

A dialética sujeito/trans-sujeito desfaz Lacan como o pensamento para o jardim-de-infância, que são as escolas de psicanalise do campo freudiano:
“É daí que eu digo que a imputação do inconsciente é um fato de incrível caridade. Eles sabem, eles sabem, os sujeitos. Mas enfim, mesmo assim eles não sabem tudo. No nível desse não-tudo não há senão o Outro a não saber (trans-sujeito). E o Outro que faz o não-tudo, justamente no que ele é a parte que de-todo-não-sabe nesse não-tudo” (Idem: 133).

O gozo da mulher é definido como não-todo (Idem: 49). Trata-se de uma espécie de trans-sujeito universal, ao lado do Urstaat e do capital. Baudrillard põe a mulher no lugar da semblância, pois, “a mulher nada mais é que aparência” (Baudrillard. 1991: 15). O discurso do analista põe o analista no lugar da semblância (lugar do agente/ator em Hobbes), e nesse lugar faz reinar o objeto a - o objeto de desejo sexual trans-sujeito. O idealismo autoilusório de Lacan aparece claramente no trecho seguinte:
“O analista, com efeito, de todas as ordens de discurso que se sustentam atualmente – e este termo não é um nada se damos ao ato seu pleno sentido aristotélico – é aquele que, ao pôr o objeto a no lugar do semblante, está na posição mais conveniente para fazer o que é justo fazer, a saber, interrogar como saber o que é da verdade”. (Idem: 129).

Nas Teses sobre Feuerbach, Marx diz algo sobre o trans-sujeito com unidade transdialética teoria/prática. Na modernidade, a teoria é a ciência (condensada na física moderna) e a prática é a revolução do capital. Tal trans-sujeito é, portanto, o capital moderno. O capital é um desejo sexual (gozo do capital) de interpretar o mundo imediatamente como revolução na Tese 11, na minha leitura obviamente (Labica: 164-191).  Isso põe e repõe a relação do trans-sujeito com a lógica e a gramática.

Não há lógica do significante no inconsciente freudiano e, portanto, no trans-sujeito.  Lacan segue seu antigo magister ludi Heidegger: “Mas todas as representações tradicionais referentes a ‘lógico’ e ‘lógica’, representações que acabaram se tornando usuais, devem ser mantidas definitivamente afastadas, supondo-se que sob a palavra ‘lógica’ e ‘lógico’ se pense algo de determinado e verdadeiramente fundamentado” (Heidegger: 13-14). Recorro a Lacan:
“Normalmente, um exercício dessa natureza só pode levar a uma profunda insuficiência lógica. Na realidade, isso é o que Freud quer dizer quando afirma que o inconsciente não conhece o princípio de contradição. O princípio de contradição é, na lógica, uma coisa excessivamente elaborada e da qual, mesmo na lógica, podemos prescindir, já que podemos construir toda uma lógica formal no campo do saber sem fazer uso da negação”. Não há lógica que articule o desejo sexual do trans-sujeito. Perfeitamente heideggeriano! Então, o trans-sujeito se articula factualmente e espontaneamente como na filosofia política econômica anarquista. Afinal, Lacan é movido por um desejo sexual anarquista? Não! A transdialética não é uma lógica dialética, mas ela é uma gramática dialética!  

Lacan diz: “ No entanto, se podemos servir-nos de um discurso que se liberta da lógica, nem por isso, com certeza, ele é desligado da gramática. Esse ter que permanecer dentro da gramática é algo muito rico em propriedades e consequências. Não há nada em que a fantasia se expresse do que numa frase que só tem sentido gramatical, que, pelo menos no funcionamento e na formação da fantasia, só é discutida gramaticalmente, ou seja, por exemplo, uma criança é espancada”. (Lacan. Livro 16: 268). A propósito, não ter lógica do significante não significa a falta de um organon lacaniano. (Idem: 204).

Como gozo do capital, o desejo sexual do capital não faz pendant com a lógica do significante capital. Tal lógica não ex-siste. No entanto, tal desejo tem no comando uma tela gramatical freudiana: “E o estreitamento, estreitamento confuso de onde o gozo toma sua causa, sua última causa, que é formal, não é ele da ordem da gramática que a comanda”. (Lacan. Livro 20: 37). Antes de prosseguirmos dou ciência do contraconceito tela gramatical. Trata-se de uma ideia de Wittgeinstein:
“E quem pinta não deveria pintar algo – e quem pinta algo, não pinta nada real? – Sim, o que é o objeto do pintar: a figura do homem (por exemplo) ou o homem representado pela figura?
519. Diríamos: uma ordem é uma imagem da ação, que foi executada, segundo a ordem; mas é também uma imagem da ação, que deve ser executada segundo ela.
520. ‘Mesmo quando se concebe a frase como imagem de um estado de coisas possível e se diz que ela mostra a possibilidade do estado de coisas, então, no melhor dos casos, a frase pode fazer o que faz uma imagem pintada ou plástica, ou um filme; e ela, em todo caso, não pode colocar o que não se dá. Portanto, depende inteiramente de nossa gramática o que é (logicamente) dito possível e o que não o é, - a saber, o que ela autoriza”. (Wittgeinstein: 148).        

II

As relações entre o ser do capital, desejo sexual e tela gramatical permite uma releitura do capital como trans-sujeito articulado como modernidade da physis econômica, desejo sexual, falta de almor (alma + amor) e máquina de guerra (de pensamento e narrativa). O capital é um corpo econômico com uma linguisteria? Pois a língua do trans-sujeito em Freud não é a linguagem que depende da linguística: “Meu dizer que o inconsciente é estruturado como uma linguagem não é do campo da linguística”. (Lacan. Livro 20: 25). Assim como a tela gramatical freudiana é o lado anverso do lado direito da gramática dos gramáticos. Lacan não desejou ir até o fim:
“O que não é signo do amor é o gozo do Outro, o do Outro sexo e, eu comentava, do corpo que o simboliza.
Troca de discurso – isso mexe, isso os, isso nos, isso se atravessa, ninguém marca a batida. Canso de dizer que essa noção de discurso deve ser tomada como liame social, fundado sobre a linguagem, e parece então não deixar de ter relação como que na linguística se especifica como gramática, nada parecendo modificar-se com isto”. (Lacan. Livro 20: 28).       

O liame social discursivo é sociologia marxista do sujeito lacaniano. Trata-se de pensar o liame trans-sujeito articulado como tela gramatical freudiana historial universal - do capital, do Urstaat, do Estado gramatical, do Estado heteróclito, da mulher e da máquina de guerra em geral. O trans-sujeito é um efeito do discurso do capital assim como o sujeito moderno um efeito do discurso do capitalista. (Lacan. Livro 16: 47). Não se trata de um efeito da lógica capitalista (Idem: 37), mas de um efeito da transdialética material gramatical do capital.     

O desejo sexual como gozo do capital é: “Gozar tem essa propriedade fundamental de ser em suma o corpo de um (capital) que goza de uma parte do corpo do Outro” [trans-sujeito = massas]. (Idem: 35). Como já vimos a tela gramatical está no comando desse gozo e a “gramática é aquilo que, da linguagem, só se revela por escrito”. (Idem: 61). A gramática lacaniana é a matematização do inconsciente através do significante letra:
“Para além da linguagem, este efeito que se produz por se suportar somente na escrita, está com certeza o ideal da matemática. Ora, recusar-se à referência à escrita é proibir-se aquilo que, de todos efeitos da linguagem, pode chegar a se articular. Essa articulação se faz naquilo que resulta da linguagem o que quer que façamos, isto é, um suposto aquém, e um além”. (Idem: 61).

A alingua é o inconsciente lacaniano feito de um ajuntamento de coisas absolutamente heteróclitas. A alingua está na gênese da tela heteróclita (Idem: 65), tela sem gramática freudiana, esta é a tela na qual inconsciente é estruturado como se fosse uma linguagem. (Idem: 77).

A alingua é o inconsciente no qual falta até o almor cortês: “Depois do meteoro do amor cortês, foi de uma partitura completamente diferente que veio o que o rejeitou à sua fertilidade primeira. Foi preciso nada menos do que o discurso científico (teoria do capital moderno), ou seja, algo que não deve nada aos pressupostos da alma antiga”. (Lacan. Livro 20: 115). Lacan não deixa brecha para dúvidas: “Então, o homem pensa com a sua alma, isto quer dizer que o homem pensa com o pensamento de Aristóteles. Com o que pensamento está naturalmente do lado do manche”. (Idem: 151). O gozo do capital que articula a modernidade (modo e produção especificamente capitalista) não é o gozo da antiguidade. (Idem: 153). Isso é a Spaltung que separa o mundo da antiguidade do mundo moderno.

A matematização da physis do capital na modernidade é a tela gramatical galilaica fazendo pendant com a ideia weberiana de que o capital é um ser, essencialmente, racional estrategicamente instrumental. Isso está na origem da modernidade: “E assim é, não só no que concerne ao espaço ideal. Ainda muito mais longe dos antigos estava a concepção de uma ideia similar, mas mais geral (posto que originada por abstração formalizadora), isto é, a ideia de uma matemática formal. Só nos alvores da modernidade começa a conquista e a descoberta propriamente dita dos horizontes matemáticos infinitos. ˂20> Despertam os alvores da álgebra, da matemática dos contínuos, da geometria analítico. Com a audácia e originalidade próprias da nova humanidade será a partir daí, em bem pouco tempo, antecipado o grande ideal de uma ciência oniabrangente, racional neste novo sentido, ou seja, a ideia de que a totalidade infinita do ente em geral é, em si, uma unidade total racional, que precisaria ser regida correlativamente, e sem resíduo, por uma ciência universal. Muito antes de esta ideia estar madura, ainda só como um pressentimento obscuro ou semiobscuro, ela já foi determinante para o desenvolvimento subsequente. As coisas não se foram satisfeitas, em todo caso, pela nova matemática. O seu racionalismo depressa se alastra para a ciência da natureza, e cria para esta a ideia, inteiramente nova, da ciência matemática da natureza:  ciência galilaica, conforme, com justiça, foi há muito denominada. Tão logo esta enceta o passo de uma realização bem-sucedida, transforma-se também toda a ideia da filosofia (como ciência do universo, do ente e do mundo) ”. (Husserl: 16).                

A matematização da physis como teoria do capital faz pendant com o inconsciente lacaniano do capital moderno. Isso é a verdadeira SPALTUNG como quebra do mundo da antiguidade com extensão na Idade Média na Tese 6 Marx (Labica: 113). Na barroca língua deslumbrante e antipática lacaniana é assim:
“Se eu disse que a linguagem é aquilo como o que o inconsciente é estruturado, é mesmo porque, a linguagem, de começo, ela não existe. A linguagem é o que se tenta saber concernentemente à função da alíngua.
Certamente, é assim que o próprio discurso científico a aborda, exceto que lhe é difícil realizá-la plenamente, pois ele não leva em consideração o inconsciente. O inconsciente é o testemunho de um saber, no que em grande parte ele escapa ao ser falante. Este ser dá oportunidade de perceber até onde vão os efeitos da alíngua, pelo seguinte, que ele apresenta toda sorte de afetos que restam enigmáticos. Esses afetos são o que resulta da presença de alíngua no que, de saber, ela articula coisas que vão muito mais longe do que aquilo que o ser falante suporta de saber enunciado.
A linguagem, sem dúvida, é feita de alíngua. É uma elocubração de saber sobre alíngua. Mas o inconsciente é um saber, um saber fazer como alíngua. E o que sabe fazer com alíngua ultrapassa em muito o de que podemos dar conta a título de linguagem.
Alíngua nos afeta primeiro por tudo que ela comporta como efeitos que são afetos”. (Lacan. Livro 20: 189- 190).

A alíngua como o inconsciente lacaniano do capital pega as massas, para começa, pelo campo dos afetos. Matematização dos afetos?   

O capital como transmissão de um saber científico é o fenômeno que vai articulando a modernidade: “É da noção de um saber que se transmite, que se transmite integralmente, que se produziu no saber essa peneiragem graças à qual um discurso que se chama de científico se constitui. Ele se constitui não sem numerosas desventuras. Hypotheses non figo, crê poder dizer Newton, eu não suponha nada”. É, ao contrário, sobre uma hipótese que a famosa revolução, que não é de modo algum corpenicana, mas newtoniana, se fez – substituindo ao isso gira um isso cai. A hipótese newtoniana é a de ter colocado que o isso gira astral é a mesma coisa que cair. Mas para constatar isto, o que permite eliminar a hipótese, foi mesmo preciso que primeiro ele a fizesse, essa hipótese”. (Idem: 193-194). A transmissão do saber científico é o método da escola de ciência da política de Hobbes. (Skinner: 403-404). Em Hobbes, há essa articulação da ciência da política com o capital!           

O capital é o saber do inconsciente da modernidade como matematização da physis no centro da alíngua: “Para introduzir um discurso científico concernente ao saber, é preciso interrogar o saber aonde ele está. Esse saber, na medida em que é no antro da alíngua que ele repousa, quer dizer o inconsciente. O inconsciente, eu não entro nele, não mais do que Newton, sem hipótese”. (Lacan. Livro 20: 194). Minha hipótese suprassume a hipótese lacaniana, pois, saiu de uma episteme política dominada por um formalismo estruturalista para o formalismo historial.

Lacan diz: “O saber do um se revela não vir do corpo. O saber do um, por pouco que possamos dizer disto, vem do significante Um”. (Idem: 195). O significante Um é a totalidade RSI condensada em um discurso que define o lugar do agente no discurso do mestre, discurso que funda a civilização arcaica com o Urstaat gramatical.

Na era moderna a totalidade RSI se condensa em um SUJEITO que é a personificação do capital mercantil. O capital ex-siste como Coisa (das Ding), ou mais exatamente, o conceito de capital de Ricardo é uma tela gramatical matemática metálica. (Ricardo: 391). Mas em Böhm-Bawerk ele é uma Coisa: “Denominamos em geral capital um conjunto de produtos que servem como meios para aquisição de bens”. (Böhn-Bawerk: 57). Ele diz que o capital Marx é uma coisa. (Böhn-Bawerk: 49). Ao contrário, em Marx, o capital ex-siste historialmente como classe mercantil e como uma máquina de guerra de linguagem alíngua. No século XIX, o capital passa a ex-sistir como discurso do capitalista com o sujeito $ (burguesia industrial) no lugar do agente. Trata-se do primeiro momento que anuncia o capital como possibilidade de ser trans-sujeito. Mas ainda faltava surgir o discurso do analista para tal acontecimento.     

A primeira hipótese de Marx é a sociológica do sujeito burguesia comercial como personificação do capital mercantil. O Império ultramarino português das Grandes Navegações faz pendant com o sujeito burguês mercantil: “A descoberta da América e a circunnavegação da África ofereceram à burguesia em ascenso um novo campo de atividades. Os mercados das Índias e da China, a colonização de América, o comércio colonial e a multiplicação dos meios de troca das mercadorias em geral imprimiram ao comercio, à navegação e à indústria um impulso até então desconhecido e aceleraram, com isto, o desenvolvimento do elemento revolucionário da sociedade feudal em decomposição”. (Marx. 1975: 23).         

Quando ele surge há uma Spaltung historial se o significante Um da modernidade for a totalidade RSI ex-sistindo com o capital já como um saber que é matematização da physis. O Spaltung é a alíngua como inconsciente do capital e epoché. Trata-se de uma epoché distinta da epoché fenomenológica transcendental:
“Reside na natureza específica da tarefa que se nos impõe que o método de acesso ao campo de trabalho da ciência moderna - no qual unicamente são dados os problemas de trabalho dessa ciência – articula-se numa diversidade de passos que têm cada um deles, de uma nova maneira, o caráter de uma epoché, da suspensão de validades natural-ingênuas e, em todo caso, de validades que já estão em efetivação. A primeira epoché necessária, o primeiro passo metódico, já entrou no nosso campo de visão pelo estudo prévio realizado. É necessária, contudo, uma formulação expressamente universal. É manifestamente necessária, antes de tudo mais, a epoché em relação a todas as ciências objetivas. Isto não quer dizer uma mera abstração sua, porventura à maneira de uma transformação simulada, pelo pensamento, da existência do homem contemporâneo, como se nada da ciência nele existisse. Visa-se, muito pelo contrário, a uma epoché de qualquer coefetuação dos conhecimentos das ciências objetivas, epoché de qualquer tomada de posição crítica, interessada na sua verdade ou falsidade, mesmo no que concerne à sua ideia diretora de um conhecimento objetivo do mundo. Em suma, efetuamos uma epoché em relação a todos os interesses teoréticos objetivos, a ˂139> todas as definições de fins e de todas as ações que nos sejam próprias como cientistas objetivos ou também tão somente como desejosos de saber” (Husserl: 110-111). Husserl está falando da ciência do capital?
O capital como uma vida intencional da burguesia dotada de sentido democrático (ou de falta de sentido) faz pendant com a crise das ciências europeias na primeira metade do século XX:
“Mas só se obtêm problemas puramente psicológicos, embora não isoladamente, quando nada mais se pretende ver com uma coerência universal (senão o sentido), nada mais se pretende perseguir em todos os seus modos subjetivos e na concreção universal da vida doadora e detentora de sentido, e na sua síntese oniabrangente de todas as doações de sentido e de todos os sentidos. Por outras palavras, só aquele que vive na epoché universal e através dela tem o horizonte universal da pura ‘vida interior’, da vida intencional como produtora e detentora de sentido, tem também a efetiva e genuína problemática da intencionalidade, absolutamente encerrada em si, insisto a da psicologia que pertence, então, a todas as ciências que se ocupam do psíquico (ciências psicofísicas, biológicas) ”. (Husserl: 196-197).

O capital como uma totalidade fenomenológica-psicológica anunciava a necessidade da passagem do discurso do capitalista para o discurso do capital na era do capitalismo monopolista de Estado? Hoje sabemos que mesmo a era do capital monopolista internacional de Estado não sobreviveu à revolução trans-subjetiva no mundo-da-vida e do trabalho nas décadas de 1960. Também suas contradições objetivas geraram a crise final dessa era na década de 1970 (Fioravante: Terceira Parte). O capital como forma completa de trans-sujeito já tinha aberto sua clareira como capital corporativo eletrônico transnacional desde a década de 1960. O lugar da esfera da publicidade nesse capital é o sintoma de que o capital passara a ex-sistir como uma máquina de guerra publicitária da sociedade de [significantes] consumo. (Baudrillard. 1981: 215-244). Mas a ex-sistência do discurso do capital - como incidência historial está articulado ao aparecimento do objeto a, que é um efeito da Banda de Moebius mais-valia e mais-de-gozar, da economia marxista no lado direito e do campo freudiano no anverso: "O objeto a é feito do discurso analítico e, nessas condições, o que digo dele é apenas esse próprio efeito". (Lacan. Livro 16: 45).        

A epoché da aurora da modernidade não é a epoché de Descarte: “Ou, o que para Descarte significa o mesmo: eu, o eu-efetuador da epoché, sou o único absolutamente indubitável, que exclui principalmente qualquer dúvida. Tudo o mais que ocorre como apodítico, como, por exemplo, os axiomas matemáticos, deixa decerto abertas possibilidades de dúvida e, logo, também a pensabilidade da falsidade – esta só é excluída, e a reivindicação da apoditicidade só é satisfeita na condição do êxito de uma fundamentação mediata e absolutamente apodítica que a reconduza àquela evidência apodítica única, à qual, precisamente, - se uma filosofia deve ser possível -, tem de reconduzir todo o conhecimento científico”. (Husserl: 63).

O problema da subjetividade fazendo pendant com “que espécie de eu é este, se é por ventura o eu do homem, do homem sensivelmente intuível, o eu da ˂81> vida vulgar. Ora, ele exclui o corpo somático – juntamente com o mundo sensível em geral, também este é entregue à epoché – e assim se determina, para Descarte, o ego como mens sive animus sive intellectus”. (Husserl: 63).
Descartes suprassume o capital como ciências da natureza que tratam de corpos e excluem a subjetividade como no conceito de capital de Ricardo ou do Marx da crítica da economia política. Nessa clareira, o conceito de intersubjetividade transcendental de Husserl articula o mundo (do capital) como intercâmbio entre os sujeitos, um intermundo, como designará Merleau-Ponty. (Dartigues: 63). A relação entre subjetividade e modernidade tem Descarte como paradigma, mas o sujeito moderno evolui em um campo de discurso antagônicos compondo a modernidade como “totalidade destotalizada” sartreana. (Sartre: 880-894; Cascardi: 3). O capital como intersubjetividade transcendental é um passo em falso, pois, ele faz cair o significante capital de sujeito em trans-sujeito. Um passo em falso apodítico!   

Em Descartes, a subjetividade faz pendant com o almor. Neste nó da rede cultural política intelectual da modernidade, Lacan pensa a subjetividade distinta do sujeito, pois este articulado ao almor significa falta de sexo. O capital como alíngua significa o jamais já almais, pois, a alma alma a alma significa que não há sexo na transação. A alíngua é o pôr em questão da alma pela matematização da physis do capital. Isto é a epoché do capital como alíngua.
“É aí que a alíngua, alíngua em francês, deve me dar uma ajuda – não, como acontece algumas vezes, me oferecendo um homônimo, do d’eux (deles) com o deux (dois), do peut (pode) com o peu (pouco), vejam este il peut peu (ele pode pouco) que está mesmo aí é para nos servir para alguma coisa – mas simplesmente me permitindo dizer que a gente âme (que a gente alma). Eu almo, tu almas, ele alma. Aí vocês veem que só nos podemos servir da escrita, mesmo para incluir o jamais j’âmais (o jamais já almais).
A existência, portanto, da alma, pode ser posta em questão – é o termo próprio para se perguntar se não se trata de um efeito do amor. Tanto que, com efeito, a alma alma a alma, não há sexo na transação. O sexo não conta neste caso”. (Lacan. Livro 20: 113).

Faço uma redução à física freudiana da alíngua onde o desejo sexual nada tem a ver com o corpo humano, mas com os significantes universais como Estado gramatical, capital, mulher e máquina de guerra em geral.        

Um sujeito historial sem almor encontra-se na aurora da modernidade na forma de uma burguesia colonizadora, de uma burguesia de Impérios coloniais impávidos, poiéticos, épicos e implacáveis com os povos colonizados e com os inimigos imperais. Trata-se do capital Coisa de uma tela heteróclita. Esta pode ser uma tela sem gramática (tela lacaniana) ou com gramatica patológica, lúmpen-gramatica.

III

Weber pensa a gênese da modernidade como tela heteróclita lacaniana. Um ajuntamento de significantes dispares e desarticulados que fundam uma totalidade capitalista. O direito racional moderno, a burocracia moderna (Estado racional como monopólio da violência real legítima), a ética capitalista protestante, a cidade moderna como sítio da possibilidade de uma política econômica planejada; partidos políticos; princípio do modo de vida político representativo; parlamento; empresa moderna. (Weber: 517-580). A estética weberiana do capital é a escultura de um artefato belo. Esta é a leitura pelo avesso que o Príncipe psicótico da sociologia alemão faz de Marx.

Sombart fez do burguês um objeto estético belo como chave para e pensar o gozo da modernidade capitalista: “Llamo comerciantes (en cuanto representantes de un tipo especial de empresario) a todos aquellos que han transformado en empresa capitalista el comercio de mercancias o de dinero” (Sombart: 105).

Sombart pensa a biografia subjetiva do empresário como o fenômeno chave para se pensar a modernidade. O burguês é: “una persona de muy peculiar conformación psíquica, para la que no tenemos otro apelativo que el que enpleamos corrientemente entre comillas cuando decimos ‘es um burguês’, com lo qual no pretendemos designar una clase social, sino simplemente un determinado tipo de persona (...) En lo que hoy llamamos espíritu de empresa y del afán de lucro, un grande número de cualidades psíquicas”. (Sombart: 115).

O sujeito burguês foi definido por Benjamin Franklin assim: “tempo é dinheiro”. (Idem: 127).  O sujeito fixado na tela gramatical monetária como uma borboleta. A moral dos negócios é a moral de fidelidade no cumprimento dos contratos como virtude pessoal. A reputação de uma honestidade consistente se estende como formalidade ao sistema capitalista (Idem: 133-136). A mentalidade calculadora já parte de uma subjetividade ligada à physis do capital. (Idem: 137-141). O princípio articulador é o desenvolvimento nacional do espírito do capitalismo como tela gramatical capitalista dos povos europeus e americanos. (Idem: 143-161). Sombart faz da história do capitalismo (cultura política econômica em interseção com a physis do capital) um artefato estético de uma narrativa civil bela do capitalismo alemão da segunda metade do século XIX entrando no século XX. Já o outro alemão ...

Marx pensa a modernidade capitalista por uma transestética do grotesco fazendo pendant com uma tela lúmpen-gramatical. O efeito pendant é a lúmpen-ditadura como essência da physis do capital produzindo efeitos terríveis na vida da cultura política econômica europeia. Vou citar os trechos sobre isso, pois, para tirar o leitor da perplexidade:
“O processo violento de expropriação do povo recebeu um terrível impulso, no século XVI, com a Reforma e o imenso saque dos bens da Igreja que a acompanhou. Á época da Reforma, a Igreja Católica era proprietária feudal de grande parte do solo inglês. A supressão dos conventos etc. enxotou os habitantes de suas terras, os quais passaram a engrossar o proletariado. Os bens eclesiásticos foram amplamente doados a vorazes favoritos da Corte ou vendidos a preço ridículo a especuladores, agricultores ou burgueses, que expulsaram em massa os velhos moradores hereditários e fundiram seus sítios. O direito legalmente explicito dos lavradores empobrecidos a uma parte dos dízimos da Igreja foi confiscado tacitamente. ‘Pauper ubique jacet’ exclamou a rainha Elizabeth após uma viagem através da Inglaterra. No ano 43 de seu reinado, foi o governo por fim compelido a reconhecer oficialmente o pauperismo, introduzindo o imposto de assistência aos pobres”. (Marx. 1996: 836-837).  

O espírito protestante capitalista nobiliário em Weber, torna-se uma narrativa do grotesco protestante, em Marx, mais exatamente, de um espírito protestante lúmpen-grotesco:
“O espírito protestante se retrata bem no seguinte caso. No sul da Inglaterra, proprietários de terras e arrendatários abastados se reuniram e formularam 10 questões sobre a interpretação a ser dada à lei de assistência aos pobres de Elizabeth, submetendo-as ao parecer de um célebre jurista da época, Sergeant Snigge, que foi nomeado juiz no reinado de Jaime I. ‘Nona questão: Alguns dos ricos arrendatários da paróquia imaginaram um método engenhoso com o qual se pode afastar todas as confusões que ocorrem na aplicação da lei. Propõem que se construa uma cadeia na paróquia. Será negada qualquer ajuda ao pobre que nela não se deixar encarcerar. Então toda a vizinhança será avisada de que qualquer pessoa que queira alugar os pobres dessa paróquia deve apresentar propostas lacradas, num dia determinado, fixando o menor preço pelo qual ficaria com eles. Os autores desse plano supõem existirem nos condados próximos pessoas que gostariam de viver sem trabalhar, mas não podem realizar seu desejo por não disporem de recursos ou crédito suficiente para arrendar terras ou conseguir um barco. Elas estariam inclinadas a fazer propostas vantajosas à paróquia. Se pobres morrerem aos cuidados do contratante, a falta recairá sobre ele uma vez que a paróquia já terá cumprido seus deveres em relação a eles. Receamos que a lei em vigor, do ano 43 de Elizabeth, não permita uma solução prudente como a que estamos imaginando. Informo-lhes, entretanto, que os demais proprietários alodiais desse condado e dos adjacentes se juntarão a nós para levar seus representantes na Câmara dos Comuns a propor uma lei que permita o encarceramento e o trabalho compulsório dos pobres, de modo que ficará sem direito a qualquer auxílio aquele que se opuser ao encarceramento”. (Marx. 1996: 837-838). Assim, o espírito protestante do capitalismo é uma ideologia cultural política ditatorial caipira grotescamente lúmpen. Ou não?   

Marx vê a revolução burguesa inglesa como parte de um Estado heteróclito lúmpen-gramatical capitalista:
“A ‘gloriosa revolução’ trouxe ao poder, com Guilherme III de Orange os proprietários da mais valia, nobres e capitalistas. Inauguraram uma nova era em que expandiram em escala colossal os roubos às terras do Estado, até então praticados em dimensões mais modestas. Essas terras foram presenteadas, vendidas apreços irrisórios, ou simplesmente roubadas mediante anexação direta a propriedades particulares. Tudo isso correu sem qualquer observação da etiqueta legal. Essa usurpação das terras da Coroa e o saque dos bens da Igreja, quando os detentores destes bens saqueados não os perderam na revolução republicana, constituem a origem dos grandes domínios atuais da oligarquia inglesa. Os capitalistas burgueses favoreceram a usurpação, entre outros motivos, para transformar a terra em mero artigo de comércio, ampliar a área da grande exploração agrícola, aumentar o suprimento dos proletários sem direitos, enxotados das terras etc. Além disso, a nova aristocracia das terras era a aliada natural da nova bancocracia, da alta finança que acabara de romper a casca do ovo e da burguesia manufatureira que dependia então da proteção aduaneira. A burguesia inglesa defendia seus interesses tão acertadamente quanto os burgueses suecos que, ao contrário, solidários com seu baluarte econômico, os camponeses, apoiaram os reis na sua retomada violenta dos bens da coroa que se encontravam em mãos da oligarquia, luta que começou em 1604 e prossegui com Carlos XX e Carlos XI”. (Marx. 1996: 839-840).  

Marx faz uma narrativa sobre fenômenos objetivos que calam fundo na trans-subjetividade popular do século XIX europeu. A aversão sexual ao capital faz da burguesia (dos burgueses) seres odiados e assim retratados como personagens na literatura desse século. As revoltas populares contra o capital, a revolução popular em Paris 1871, a criação dos partidos socialistas-marxistas, o sindicalismo-anarquista são significante literários historiais que se acumularam e acabaram por se condensar na Revolução Russa vitoriosa e na fracassada Revolução comunista alemã de Rosa Luxemburgo!  

Na segunda metade do século XX, o capital continua provocando aversão sexual ao magister ludi estruturalista da cultura intelectual francesa da psicologia: “Depois disso houve o novo entre-guerras, um entre-guerras fracassado, porque o fim não estava lá. É justamente isso que os embaraça, é aí que acontece o vencimento do prazo. O poder capitalista, esse poder singular cuja novidade eu lhes peço que a avaliem, precisa de uma guerra a cada vinte anos”. (Lacan. Livro 16: 235).

A invenção do capital como trans-sujeito se acelerou na década de 1990. A partir daí o discurso do capital torna-se soberano com o capital corporativo eletrônico e o capital corporativo digital mundiais no lugar da hegemonia do bloco-no-poder mundial. A hegemonia da narrativa militar do capital mundial militar tem uma história. Ela toma um impulso excepcional com o terror islâmico do 11 de Setembro de 2001 em solo americano. Isso despertou o espírito do capitalismo caipira/urbano da América .  

Agora, o Estado gramatical capitalista mundial encontrara o motivo para se desenvolver como tela heteróclita militar. Há dois Estados capitalistas no domínio do planeta. Um é o Estado gramatical capitalista. O outro é um Estado heteróclito lúmpen-militar. A 2° Emenda da Constituição americana é o signo mais mortal como Stasis mundial dessa tela heteróclita lúmpen-militar. Já mostrei em um outro texto que esse Estado heteróclito é a expressão do domínio do caipira/urbano americano na política mundial.  

Assim, o Estado capitalista mundial integral se constitui como democracia (tela gramatical jurídica) e ditadura (tela heteróclita lumpesinal), como previu Gramsci ao ver o desenvolvimento do Estado fascista, então hóspede político em uma prisão de Mussoline, na Europa da década de 1930.

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