segunda-feira, 21 de março de 2016

TRANSESTADO GEOPOLÍTICO – MITO E RAZÃO


I.Física lacaniana da política - Mito e Razão
O significante geopolítico diz respeito, até um certo ponto, ao choque sobre a humanidade dos significantes guerra e revolução. Esta tem sido a preocupação especial dos teóricos geopolíticos (Blackburn: 17). Uma visão de mundo geopolítica historial está resumida na citação seguinte:
“As grandes épocas da história nas variadas zonas ou campos de força se distinguem uma das outras pelo grau e segurança que oferecem a seus habitantes, tanto interna como externamente, e pelo seu desenvolvimento característico de Poder de Estado, imperialismo e pacificação social. Assim, a história tem sido determinada, fundamentalmente, pelo desenvolvimento secular da tecnologia militar e transporte e de outras tecnologias a serviço da guerra, por um lado, e pelo desenvolvimento da lealdade de grupo e, recentemente, do nacionalismo, por outro, ao invés de o ser por técnicas de produção e estruturas e luta de classes. O primeiro, como o mais premente dos dois, determinou o último, e não vice-versa” (Idem: 23).
O primado historial do significante geopolítico sobre a luta de classes e sobre a economia é, certamente, um modelo interpretativo contrário ao de Engels:
“Vemos, portanto, que o exemplo pueril inventado expressamente pelo senhor Dühring para provar que a violência é o fator “historicamente fundamental”, demostra na realidade que a violência não é mais que o meio, e que o fim, em contrapartida, é o proveito económico. E do mesmo modo que o fim é “mais fundamental” que os meios utilizados para o alcançar, na história é mais fundamental o aspecto econômico das relações que o seu aspecto político” (Engels: 23).
A técnica e as máquinas de guerra freudianas (violência e guerra) na história remetem para o campo da física geopolítica historial.
Blackburn sublinha o nacionalismo (Estado-nação) como um significante geopolítico decisivo historialmente ainda na década de 1990. Para continuar precisamos de uma imagem conceitual razoável do significante técnico Estado-nação. 
Ives Lacoste nos fornece tal imagem conceitual associando Estado e cultura política intelectual nacional: “Os Estados-nações incluem um certo número de minorias culturalmente diferentes da nação majoritária e situadas geralmente em regiões periféricas. Se tal ou qual dessas minorias estima se levantar culturalmente como uma nação vizinha que tem constituído seu próprio Estado, haverá cedo ou tarde (onde isso aconteceu) contestação e conflito de fronteiras” (Lacoste: 10). A cultura política freudiana da guerra parece articular até a cultura política nacional moderna
 O capital e o Estado-nação são os significantes técnicos de uma língua literária que ex-siste como visão de mundo (Weltanschauung) da cultura política mundial articulada pelo capital econômico eletrônico mundial como subsunção real do discurso da universidade americano. No entanto, o espetáculo historial não transformou qualitativamente os significantes capital e Estado em geral e Estado-nação em particular?
Como significante geopolítico, o Estado remete para as rivalidades de poderes sobre territórios. Não existe Estado sem território. A territorialidade é o exercício de um poder em princípio soberano e reconhecido sobre um território nitidamente delimitado por fronteiras. Para isso precisa de forma política objetiva como instituições estatais.
As duas características fundamentais geopolíticas de um Estado são sua configuração territorial e a ordem de grandeza do efetivo de sua população. Na física geopolítica, a grandeza do PIB só faz sentido olhada como parte essencial de uma cultura política econômica capaz de manter eficazmente o funcionamento do aparelho de Estado (Forças armadas, polícia, redes de transporte, finanças ou Estado fiscal, sistema de educação). A decadência da cultura política educacional está associada ao declínio do significante literário geopolítica nacional.  
Assim como os EUA e a Austrália, o Brasil é uma sociedade de significantes poderosa em termos de cultura política através de sua grande e inegável unidade cultural política. Tal sociedade de significantes inclui o capital eletrônico corporativo mundial (CECM) territorializado no espaço brasileiro com um fator que acresce poder geopolítico ao nosso Estado nacional?
O CECM faz pendant hegemônico no bloco-no-poder mundial com o capital digital corporativo mundial. Na territorialização do bloco-no-poder mundial no espaço brasileiro (através da banda de Moebius entre espaço mundial e espaço nacional que faz estas superfícies serem contínuas), um bloco-no-poder nacional tem como força hegemônica quase absoluta o capital eletrônico mundial condensado no capital eletrônico nacional. Daí a hegemonia do Grupo Globo na sociedade do espetáculo eletrônica brasileira. Mas temos o verso do anverso!  
Antes de diferenciar os Estados em função de seu regime político ou segundo os princípios do direito internacional, a autointerpretação da cultura política intelectual geopolítica se prende às características territoriais deles. O território é traçado pelas relações de força objetivas entre os Estados, como já foi dito. O Brasil é um gigante continental nas Américas por sua extensão territorial e o tamanho de sua população (mercado interno). Os EUA e os outros países das Américas sempre tiveram isso como um dado geopolítico elementar de suas políticas interna e externa. Porém, hoje, o Brasil perdeu a imagem de um significante literário gigante do futuro. Por quê? O que aconteceu?
Como territorialidade, o território é relação de força objetiva e também trans-subjetiva das massas sujeito zero elite (trabalho manual) ou popular (trabalho intelectual). O Estado é basicamente uma operação levada a cabo pelo trabalho intelectual que se transformou em um significante técnico geopolítico fundamental que suprassumiu o trabalho manual. Assim, as massas sujeito zero popular suprassumem a soberania popular.
A territorialidade da trans-subjetivação do trabalho intelectual é estratégica geopoliticamente na resiliência da reprodução ampliada do Estado. Quando se instala a crise da territorialidade trans-subjetiva das massas intelectuais sujeito zero nacional em um país (grau zero da subjetividade biográfica nacional), o significante Estado se perde como língua literária nacional. Se o país não possui sólida tradição estatista e aparelhos de Estados relativamente eficazes, como certos Estados asiáticos, se tal pais se inclina, ao contrário, para a situação africana de aparelhos de Estado mais e mais ineficazes, então casa a crise da forma política objetiva com o processo permanente em crise da trans-subjetivação das massas intelectuais sujeito zero nacional. O globalismo não é o fator que explica sozinho a desterritorialização do Estado-nação!
O capital eletrônico é um processo permanente de desterritorialidade trans-subjetiva. O que ele vende com a mão esquerda (a unidade cultural política da nação), ele retira com a mão direita. Trata-se da desterritorialização da nação por sua integração à cultura política eletrônica informacionalis mundial, que se tornou uma linha de força historial sem retorno com o globalismo da década de 1990.
O maravilho Henri Lefebvre se interrogava na década de 1970: O Estado? Uma consciência, a consciência da nação? Uma personne morale ou jurídica? Uma substância ou um conjunto de relações?  Uma realidade? Uma forma? Um sujet? Ou um objet? Ou bem o nome de uma ausência, de uma simulação de l’être ou da presença coletiva pela soberania popular? (Lefebvre: X).
Lefebvre não poderia imaginar que o Estado hoje é a banda de Moebius constituída pela forma política objetiva e pelo estado de trans-subjetivação permanente das massas sujeito zero nacional. Tal fenômeno significa a abolição da lógica da representação em termos absolutos como fator da articulação da política em geral. A cultura política da representação foi desterritorializada pelo capital eletrônico mundial. Ela foi despontencializada como trans-subjetivação das massas sujeito zero popular (lumpenelite) que a resolveram tratá-la como mero simulacro.
Quando a classe política (classe dirigente, classe governante) se vê e se metaboliza como homo simulacrum, ela transforma-se, na lógica política fática, em lumpenelite, lumpenclasse política. Este fenômeno é mundial!  Mas ele se desenvolve de um modo desigual e combinado na cadeia leninista mundial (no sentido de que os países são elos da cadeia do capitalismo). Hoje nos EUA e na Europa assistimos a ascensão do lupemfascismo eletrônico com Donald Trump, a família Le Pen e os populistas alemães (populismo alemão é um eufemismo - criado pelo jornalismo em conluio com o discurso da universidade - para fascismo alemão eletrônico).
                      
E o Brasil?
Há uma crise de territorialidade trans-subjetiva das massas intelectuais sujeito zero nacional? A ciência política jornalística eletrônica jura de pés juntos com uma retórica democrática xumbrega que não há crise institucional, crise da forma política institucional. A instituição estatal é a panaceia universal que evita a autodissolução da dominação brasileira. Como ela não conhece o campo da física lacaniana da política, ela não consegue pensar por uma epistemologia política que mostra que a instituição é algo morto sem a trans-subjetivação das massas sujeito zero institucional, que dá vida à forma morta (a instituição é um espectro mitológico, ficcional).
A Operação Lavajato é o processo de trans-subjetivação das massas intelectuais e “manuais” que dá vida a forma política judiciária espectral e, portanto, a forma espectral, ou então, mitológica Estado, ao fazer a passagem do espectral, do ficcional e do mito para o historial. A trans-subjetividade das massas sujeito zero mundial até a I Guerra Mundial era fundada na cultura política intelectual mitológica do culto do herói associado à tradição espectral do inconsciente nietzschiano ariano (Cassirer: 295). Depois, há algo no ar diferente dos aviões de carreira!    
A cultura política mundial do século XXI pode ser definida como o equilíbrio transantagônico materialista entre duas forças: mito e razão? (Cassirer: 298). Pode ser vista como uma relação de força trans-subjetiva entre mito e razão? Tal trans-subjetividade continua sendo governada por lei escrita, estatutos, instituições ou constituições, cartas de direito ou cartas políticas? O significante técnico de uma língua literária fascista eletrônica ditatorial não está colhendo as maçãs democráticas no território do vizinho? O território trans-subjetivo não é sempre o do vizinho com suas macieiras, que fazem a passagem do mito para o historial? A lógica fática do capital eletrônico não dispensa cartas de direito ou cartas políticas na política mundial?   
No Brasil, mito e razão são duas forças cultural políticas em choque para agenciar as massas intelectuais da classe dirigente (classe política e classe simbólica). Uma subclasse política mitológica está em um choque agônico com uma classe simbólica racional. Uma cultural política mitológica bolivariana ditatorial confronta-se intensamente e agudamente com um fractal de classe simbólica da comunidade jurídica (Sergio Moro/PF/MPF).
O erro do comandante Moro é ignorar a relação de força trans-subjetiva que envolve as massas intelectuais sujeito zero racionais em um involucro de relação de força da cultura política mitológica ditatorial. Minha interpretação da Lavajato tinha como tática alertar Moro para este fato. Foi em vão! Moro não lê o material da física geopolítica lacaniana. Se os bolivarianos estão usando a física para atacar Moro, isso mostra que o juiz Sergio precisa se inscrever também no território trans-subjetivo da física geopolítica. Caro Sérgio, o inimigo tem esta vantagem sobre o senhor!
Os bolivarianos estão usando a física como arma ideológica contra o Lavajato, ou seja, eles usam a física para fazer terrorismo branco no campo da cultura política intelectual do direito. Moro não deve (não pode) fazer sua luta jurídica no campo do inimigo que é o campo ditatorial da sociedade do espetáculo eletrônica. Não tenho como combater as massas intelectuais bolivarianas que usam significantes da física como bonapartismo eletrônico e fascismo eletrônico para disseminar o terror branco entre as massas digitalis, através do estupro selvagem da gramática da física lacaniana da política. Foi através desta prática terrorista branca comandada por Rui Falcão que eles agenciaram 150.000 manifestantes em São Paulo.
A sociedade de significantes é trans-subjetivação permanente das massas sujeito zero do significante. Sendo grau zero do significante, ela é uma sociedade de trans-significantes. Através da CLACSO do México, os bolivarianos brasileiros sabem que a física é um campo de pensamento decisivo para a fundação da transdialética materialista esquerda/direita mundial digitalis. Aprendendo a usar a física eles pretendem se inscrever como narrativa digitalis nesta Nova ordem Mundial. Claro que eles querem um lugar de destaque na aurora da esquerda digitalis mundial. Então para o bolivarianismo é uma questão de vida ou morte perder o governo nacional no Brasil!             
A Lavajato é um choque da razão do direito com a mitologia ditatorial bolivariano que articula também a comunidade jurídica, ao ponto desta comunidade não ter dado um pio de objeção à Lei de Segurança Nacional fascista eletrônica do PT/PSDB/PMDB e partidos satélites. Trata-se de Mateus ou, seja da famigerada, na internet, “lei antiterrorista” de Aloysio Nunes Ferreira, Sérgio Cabral/Dilma Rousseff. Antes de passarmos para o TRANSESTADO, cito o filósofo e físico historial Cassirer:
“Isso leva-nos a outro aspecto do problema. Falta ainda uma faceta na nossa descrição dos mitos políticos modernos. Como salientamos, nos Estados totalitários os chefes políticos têm de desempenhar todas as funções que nas sociedades primitivas competiam ao mágico. Eram os governantes absolutos; os curandeiros que prometiam curar todos os males sociais. Mas isso não era bastante. Numa tribo selvagem o feiticeiro tem ainda outra tarefa importante. O homo magus é ao mesmo tempo o homo divinans. Recebe a vontade dos deuses e advinha o futuro. O vidente tem o seu lugar firme e o seu papel indispensável na vida social primitiva. Mesmo nos estádios mais desenvolvidos da cultura política, ele encontra-se ainda na posse de seus velhos direitos e privilégios” (Cassirer: 306).
Lula é o homo magus/homo divinans bolivariano totalitário, ou mais exatamente, o herói-ditador magus da trans-subjetivação das massas bolivarianas sujeito zero democrático. A presença do movimento LGBT mostra o grau de irracionalidade (mito) das massas que seguem o homo magus/divinans. Assim como o movimento de mulheres, o LGBT é uma trans-subjetivação que só se movimenta pela lógica de sentido (racional) como sujeito zero ditatorial. O LGBT se deixa iludir com a retórica democrática bolivariana? É isso? Confesso que não consigo simbolizar tal fato!
A sociedade de trans-significante trans-subjetiva do século XXI digitalis é a passagem do mito para a história. A lógica de sentido de tal passagem significa um equilíbrio transantagônico materialista no qual a razão trans-subjetiva digitalis das massas sujeito zero eletrônico suprassume, permanentemente, a cultura política mitológica. O LGBT (e o movimento de mulheres) não pode ficar prisioneiro do mito e contrário à lógica de sentido historial de produção da contemporaneidade do século XXI. Assim ele vai deslizar por toda a cadeia sinonímia do significante anacrônico: fora de época, desatualizado, página digital fixa, retrógado! Sinto até um forte aperto no coração!       
II. TRANSESTADO     
A imagem conceitual mais comum do significante geopolítico Estado é aquela que significa autonomia dos poderes estatais em um campo de poder liberal democrático. A comunidade jurídica precisa trabalhar cotidianamente nesta trans-subjetivação liberal democrático das massas jurídicas sujeito zero ditatorial, ou então, as profissões da comunidade jurídica correm o risco de se estiolarem. Isso é o que sustenta a fé perceptiva de tais massas na forma objetiva do direito, das instituições e procedimentos do campo do direito. O significante, diferente, lúdico, oposto ao significante liberal democrático racional do direito ocidental é a ditadura fascista alemã. Agora, é a ditadura fascista eletrônica!
Nos EUA, uma Corte Suprema sob o domínio do Partido Republicano significa o golpe de Estado, quando for necessário - navegar (e golpear as massas) é preciso, urgente - na trans-subjetivação das massas grau zero ditatorial. Não há autonomia relativa entre o poder judiciário, o poder legislativo e a ditadura dos partidos na América. Os EUA são regidos por uma ditadura partidária. Isso é a lógica de sentido (mitológica) do bipartidarismo americano. Porém, uma poderosa comunidade jurídica contém forças democráticas fractais espalhados pela cultura política intelectual do direito americano e além.
Em tal campo ditatorial trans-subjetivo das massas intelectuais americanas sujeito zero, ou ditatorial. ou democrático ergue-se, desde o governo Bush Jr de 2000, um Estado que já não é um Estado, pois é um TransEstado que se define pela ausência de autonomia política relativa entre os poderes da República Americana. Os americanos não sabem que sabem que vivenciam intencionalmente um TransEstado? Tal fenômeno cria a banda de Moebius da continuidade entre a superfície cultural política nacional e a superfície da cultura política mundial. Logo, o TransEstado é vivenciado intencionalmente como um Estado mundial sobreposto ao Estado americano no inconsciente nietzschiano ariano.
A eleição americana para presidente da República é um fenômeno político fáctico mais mundial do que doméstico. No entanto, o capital eletrônico mundial (condensado no capital eletrônico americano) faz as massas vivenciarem trans-subjetivamente a eleição como um fenômeno nacional envelopado com política intraestatal (relações internacionais). O discurso da universidade americano fornece a sustentação para esta visão de mundo irradiada pelo capital eletrônico. Será preciso fazer estudos sérios sobre este complexa fenômeno para que a trans-subjetivação da produção do mundo contemporâneo leve a autodissolução de tal cultura política mitológica da universidade americana e do capital eletrônico.
No Brasil, o ministro Gilmar Mendes é o sinthoma do TransEstado. Ele que é um juiz liberal diz que o STF não é dominado pelo bolivarianismo. Da cúpula do governo Dilma Rousseff, o senador Delcídio do Amaral (preso pelo juiz Teori Zavascki por fazer obstrução de justiça no caso do Lavajato) clama no deserto que o STF é bolivariano. O senador Aloísio Mercadante (ministro da Educação e conselheiro íntimo de Dilma Rousseff) também obstruiu a Lavajato e foi flagrado com o mesmo tipo de prova que levou Delcídio para o cárcere. Todavia, Mercadante não só não foi encarcerado pelo STF como continua ministro. Jorram “explicações” jornalísticas na comparação desta sinonímia factual. Como os jornalistas, Gilmar Mendes tem que defender que Mercadante não foi preso por ser íntimo de Dilma Rousseff. A presidente não cometeria o mesmo erro que cometeu com Delcídio não impedindo que Teori Zavascki prendesse, a sangue frio, seu líder de governo no Senado.
Tal fenomenologia jurídica (e jornalística) tem interesse em dizer que há separação relativa entre os poderes da República. Dizer que o país vive sob o regime liberal democrático da carta de 1988. Ao contrário, o controle do STF pelo triunvirato do monge negro Lula (mais Dilma e o PT) mostra que não há autonomia relativa entre o poder judiciário e o poder executivo/partido dominante. Gilmar não que simbolizar que vive em uma ditadura bolivariana eletrônica. Nesta, Mercadante jamais será preso pelo mesmo crime que cometeu Delcídio. Mercadante é o avesso do homo sacer, pois, é a encarnação do homo simulacrum bolivariano.
O presidencialismo de coalizão é o vocábulo criado para sustentar que o país tem uma forma política objetiva que é a condensação da carta liberal democrática de 1988. Tal forma política cria a autoilusão trans-subjetiva nas massas da lumpenclasse política de que o governo nacional só governa se o Congresso deixar. De fato, o governo faz uma operação privatista dos partidos dominantes no Congresso que significa a corrupção da elite política, econômica e do funcionalismo público. Este fenômeno político transforma a classe política em uma lumpenclasse política. Assim, a classe governante deixa de ser uma classe nacional, uma classe dirigente governando em função do interesse público nacional. Ela passa a governar em função do privatismo (apropriação privada da riqueza pública), em função de seu interesse particular. Isso significa a suprassunção do espaço público pelo espaço privatista e, portanto, o fim do Estado nacional, que sobrevive como ficção factual.
A NAÇÃO não é uma substância institucional ou então somente uma comunidade articulada no imaginário político de um país. Ela é um processo de trans-subjetivação permanente das massas sujeito zero privado. O que ainda não se tinha mostrado é que o privatismo como significante-mestre no território do vizinho (massas sujeito zero em geral) articula uma lumpencultura política mundial. Tal lumpencultura significa a desterritorialização trans-subjetiva das massas da nação e, consequentemente, a desterritorialização do Estado nacional. O trans-subjetivo tem o primado sobre a instituição (e para não esquecer também sobre a luta de classes).
A lumpencultura política é aquela do TransEstado que povoa, para quem quiser ver, o espaço das relações internacionais transformando-a em política mundial como tal do TransEstado mundial. Tal Estado que já não é um Estado é a transestatização do campo de poder ditatorial ocidental. Assim, a política mundial transforma a ditadura do capital fictício (ditadura econômica mundial) em uma ditadura política, ou melhor, em TransEstado.
A física pretende acompanhar o desenvolvimento do TransEstado também como fenômeno historial. É claro que muitas tempestades estão se armando e ameaçando o físico e o campo da física. Então quem viver, verá!
BLACKBURN, Richard James. O vampiro da razão. SP: UNESP, 1992
CASSIRER, Ernest. O mito do Estado. RJ: Zahar, 1976
ENGELS, Friedrich. Temas militares. Lisboa: Editorial Estampa, 1976
LACOSTE, Ives (org.). Dictionnaire geopolitique des Etats. 1996. Paris: Flammarion, 1995
LEFEBVRE, Henri. De l’Etat. 1. L’Etat dans le monde moderne. Paris: Union Générale d’Éditions, 1976    

                                                                                                                                                          

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