quarta-feira, 2 de março de 2016

DONALD TRUMP – REVOLUÇÃO FASCISTA ELETRÔNICA MUNDIAL


Os poucos leitores da física historial lacaniana sorriem condescendentemente quando digo que a física é a linguagem-espelho da realidade do real mundial. Mas eles não conseguem imaginar que alguém que nasceu em Belém do Pará possa ser o nome o autor de um campo de pensamento pós-pós-modernista. O leitor tem o complexo de vira-lata cultural, parodiando o nosso Nelson Rodrigues?
Quando Donald Trump saltou para fora do mar eleitoral da política americana de 2015, vi um peixe grande a ser pescado no Real da política mundial. Aí comecei a pensar no fascismo eletrônico e na revolução fascista eletrônica mundial. Em março de 2016, a campanha democrata compara Trump levianamente com Mussolini e Hitler. Os americanos democratas gostam (ou melhor gozam ao chamar o inimigo de fascista) de se referir ao candidato cada vez mais provável do Partido Republicano como um nazista da década de 1930. Assim, eles ignoram o fenômeno real americano (fascismo eletrônico do século XXI) que está assombrando o mundo.
Donald é subjetivamente um fascista clássico? Duvido! Ele é a personificação do capital fascista conceitualmente econômico cujo modus operandi é a destruição criativa de empresas saudáveis e de empregos em massas para obter lucros criminosamente fascistas; ele é o ditador/herói/econômico como ersatz do ditador-herói fascista alemão. Trata-se da trans-subjetivação econômica fascista de Donald. Trump é, portanto, obscenamente uma máquina de guerra terrorista econômica biográfica americana, ou melhor, mundial.
Por que ele é um fascista eletrônico? Tal conceito encontra-se subjacente no romance Complô contra a América de Philip Roth: “ O medo domina estas lembranças, um medo perpétuo. Toda infância, é claro, tem seus terrores, mas me pergunto se eu não seria uma criança menos assustada se Lindbergh não tivesse chegado à Presidência e se eu não fosse filho de judeu” (Roth: 9). O romance é sobre a trans-subjetivação fascista americana. Trump é o Lindbergh que pula da literatura para a história!  
Na década de 1960, Marcuse desenvolveu a ideia de que a racionalidade tecnológica tinha se tornado razão política (Marcuse: 19). E conclui a seco: “ Em virtude do modo pelo qual organizou a sua base tecnológica, a sociedade industrial contemporânea tende a tornar-se totalitária” (Idem: 24). Paul Baran e Paul Sweezy estabeleceram as linhas de força historiais que permanecem no cenário cultural político ocidental do século XXI: militarismo (complexo industrial militar mundial), racismo e publicidade.
A racialização da política mundial junta Trump, a família Le Pen, Victor Orban e quejandos como mito publicitário da tela eletrônica. A publicidade é a máquina de guerra publicitária eletrônica da sociedade de consumo: “A função da publicidade, talvez a sua função dominante hoje, torna-se assim a de travar, em nome dos produtores e vendedores dos bens de consumo, uma guerra incessante contra a poupança e em favor do consumo” (Baran e Sweeze: 132). Esta lógica publicitária econômica foi exportada para a publicidade política. Ela é a máquina de guerra publicitária contra o cidadão e os homens livres e normais
O consumo é um artefato da cultura política mitológica publicitária: “Se a sociedade de consumo já não produz mitos é porque ela constitui o seu próprio mito” (Baudrillard: 241). Está claro que “O consumo constitui um mito” (Idem: 241). Como todo mito que se respeita, também o mito do “Consumo” tem seu discurso e antidiscurso. Por isso, “ a publicidade parodia-se cada vez mais a si própria, integrando a contra-publicidade na respectiva técnica publicitária. France-Soir, Match, a rádio, a TV, os discursos ministeriais possuem como recitativo obrigatório a lamentação da “sociedade de consumo” em que os valores, os ideais e as ideologias se perdem em proveito apenas dos prazeres da quotidianidade” (Baudrillad: 243). A publicidade faz a guerra com estratégia e táticas de desinformação, contrainformação e informação para manipular, persuadir e sugestionar os homens livres e normais. Sugestionar significa manipulação/persuasão psicótica da trans-subjetivação das massas sujeito zero (estabelecer a subjetividade como grau zero da liberdade como tal).     
A sociedade de consumo em interseção com a sociedade do espetáculo eletrônico é o apogeu narcísico da trans-subjetivação das massas pelo capital: “Generalizou-se a lógica da mercadoria, que regula hoje não só os processos de trabalho e os produtos materiais, mas a cultura inteira, a sexualidade, as relações humanas e os próprios fantasmas e pulsões individuais. Tudo foi reassumido por esta lógica, não apenas no sentido de que todas as funções, todas as necessidades se encontram objectivadas e manipuladas em termos de lucro, mas ainda no sentido mais profundo de que tudo é espectacularizado, quer dizer, evocado, provocado, orquestrado em imagens, em signos, em modelos consumíveis. (Baudrillard: 238). Caçar e capturar as massas na cultura política do dinheiro são ações de poder do capital homólogas às ações de poder do Urstaat da civilização arcaica.   
A sociedade de consumo é máquina de guerra publicitária da sociedade da abundância que se define por uma nova violência distinta da violência que como tal fazia sentido: “ a boa violência guerreira, patriótica, passional e, no fundo, racional –a violência sancionada por um objetivo ou por uma causa, a violência ideológica ou ainda a violência individual do revoltado, que brotava do estetismo individual e podia considerar-se como uma das Belas-Artes”. (Idem: 220). A violência da sociedade de consumo eletrônica é uma trans-subjetivação capitalista publicitária das massas sujeito zero (grau zero da subjetividade da violência como tal): “ a nova violência reassume aos olhos de todos parte da função simbólica perdida, por muito pouco tempo, apenas antes de ser também ela reabsorvida como objeto de consumo” (Baudrillard: 221) publicitário. Trata-se da violência trans-subjetiva das massas (como função simbólica perdida da violência arcaica do Urstaat) que tem como causa dela a tela eletrônica em interseção com o capital eletrônico corporativo transnacional.
A racialização na cultura política publicitária é a configuração RSI (Real/Simbólico/Imaginário) da cultura política eletrônica informacionalis mundial. Tal linha de força racialista torna-se um paradigma publicitário com o fascismo alemão: “Aparecimento, portanto, no fim do século XIX, daquilo que poderíamos chamar de racismo de Estado: racismo biológico e centralizado (...) De uma parte, a transformação nazista, que retoma o tema, instituído no final do século XIX, de um racismo de Estado encarregado de proteger biologicamente a raça” (Foucault: 96).
Mas o racismo fascista alemão articula estética e cultura política. O que Goebbels, em 1933, admira no Encouraçado Potemkine de Eisenstein é a transformação do feio em belo. Os fenômenos políticos (como tendência estética a mais malcheirosa visualmente, pois se trata das massas operárias) são suscetíveis de propagação à condição de se servir das mais altas qualidades técnicas (isto é a lógica de funcionamento da publicidade ocidental): “ O belo é um instrumento de fascinação, de sugestão, de submissão dos indivíduos” (Richard: 19, 18) e das trans-subjetivação estética das massas sujeito zero (grua zero da subjetividade da estética do feio). Toda criança judia sabe (por instinto de sobrevivência) que a estética do belo é uma máquina de guerra publicitária fascista como signo do campo de concentração para judeus!  
Baran e Sweeze definem a publicidade capitalista como manipulação, persuasão e sugestão (Baran e Sweeze: 120, 125) trans-subjetiva das massas de consumidores pela estética do belo. O paradigma é a cultura política fascista alemão. O publicitário brasileiro Washington Olivetto explicou na televisão que a publicidade escapa dos processos de racismo fazendo uma cena com dez crianças louras e uma criança negra bela. A criança negra é o álibi da estética racista ariana. A publicidade é a máquina de guerra estética do inconsciente nietzschiano ariano em choque com o inconsciente nietzschiano mestiço na cultura política da história universal.
A estética publicitária é o modelo fascista da cultura política eletrônica informacionalis. A televisão mostra um mundo feio, que provoca horror, para que o tele espectador frua do belo fascista publicitário. Ao usufruir do belo fascista das imagens eletrônicas ocorre o processo permanente da trans-subjetivação ditatorial fascista das massas sujeito zero (grau zero da real subjetividade estética das massas).
O choque de Hillary e Trump é um choque que faz tremer o território nacional trans-subjetivo do velho modelo político oligarquia política híbrida ou, melhor, ditadura bipartidária eletrônica criada no conluio do capital eletrônico corporativo transnacional com o discurso da universidade americana. Leitores, este modelo político está fazendo água nos EUA e na Europa ocidental.
Trata-se de um modelo de governar afetado por poderosas forças da cultura política mundial como por exemplo o homo digitalis, ou melhor, a trans-subjetivação das massas digitalis e objetivamente a técnica digital como território objetivo da forma de capital que define a conjuntura historial do século XXI. Porém, o processo de trans-subjetivação ditatorial fascista das massas eletrônicas é algo da acumulação e condensação da cultura política eletrônica que se iniciou no pós-Segunda Guerra Mundial.    
Hillary é a personificação grotesca do velho capital industrial transnacional (como o complexo industrial-militar e a indústria do petróleo), e Trump é a personificação do capital eletrônico mundial e sua trans-subjetivação permanentemente fascista eletrônica mundial. Trata-se do choque entre duas formas de capital que representam a velha ordem mundial do pós-Segunda Guerra Mundial. Tal ordem só se torna um fenômeno palpável através do campo da física lacaniana da política que já definiu qual é a transdialética materialista da produção do contemporâneo do século XXI. Trata-se do choque transdialético entre o capital corporativo digital mundial e o capital eletrônico corporativo mundial na guerra trans-subjetiva pela hegemonia no bloco-no-poder mundial. A hegemonia só pode ser um significante técnico hoje como algo da relação trans-subjetiva entre o bloco-no-poder mundial e as massas sujeito zero.
A eleição americana não é mais uma eleição USA. Ela é uma eleição mundial no território nacional trans-subjetivo americano. O que está em jogo é a reterritorialização do capital eletrônico mundial em solo americano com a ditadura ocidental saindo do armário democrático. Tal movimento é o movimento da velha ordem mundial que não quer morrer na conjuntura historial da produção do contemporâneo como nova ordem mundial.

BIBLIOGRAFIA

BARAN E SWEEZY. Capitalismo monopolista. Ensaio sobre a ordem econômica e social americana. RJ: Zahar editor, 1974
BAUDRILLARD. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1981
FOUCAULT. Em defesa da sociedade. SP: Martins  Fontes, 1999
MARCUSE. A ideologia da  sociedade industrial. O homem unidimensional. RJ: Zahar Editor, 1979
RICHARD, Lionel. Le nazisme et la culture. Bruxelles: Editions Complexe, 1982
ROTH, Philip. Complô contra a América. SP: Companhia das Letras, 2005  
                                                 
                                
    

      



      

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