segunda-feira, 14 de março de 2016

13-M: A ESFINGE SEM SEGREDO



“Parecia inquieto, perturbado e em dúvida a respeito de alguma coisa. Senti que não podia ser o cepticismo moderno, pois Murchison era um dos conservadores mais inabaláveis e acreditava no Pentateuco com a mesma firmeza com que acreditava na Câmara dos Pares. De modo que conclui que havia alguma mulher naquilo e perguntei-lhe se ainda não se havia casado.
- Meu caro Geraldo - respondi - Lady Alroy era simplesmente uma mulher com a mania do mistério.
Alugava aqueles quartos somente pelo prazer de ir ali, de véu descido e imaginando ser uma heroína.
Tinha paixão pelo segredo, mas não passava de uma simples esfinge sem segredo”. (A esfinge sem segredo. Oscar Wilde).
 Os analistas políticos e jornalistas políticos são Gerald Murchison. Eles estão apaixonados pelas massas 13-M e, para eles, elas têm um segredo como Lady Alroy.
 «Oh! meu senhor, não diga!» - disse a mulher. - «Era a minha melhor inquilina. Pagava-me três guinéus por semana simplesmente para vir sentar-se nesta minha sala de vez em quando».
«Encontrava-se com alguém aqui?» - perguntei, mas a mulher garantiu-me que tal não ocorria, que ela sempre vinha sozinha e não via ninguém.
«Mas afinal que fazia ela aqui?» - exclamei.
«Ficava simplesmente sentada na sala, meu senhor, lendo livros e às vezes tomava chá» - respondeu a mulher.
As massas 13-M movem-se à céu aberto na cultura política. Tais massas sabem que o grupo político dominante está protegido em Brasília. Elas sabem que a superfície da política é uma cidade fortificada pela ideia de JK de trocar a capital do país do Rio para Brasília. No Rio, 1.000.000 de pessoas se reuniram em uma marcha na Av. Atlântica em Copacabana. Em São Paulo, 2.000.000 ocuparam a Avenida Paulista e adjacências. Como sempre a Polícia Militar conta as massas por baixo. A PM contou 1.400.000 paulistas exigindo, ou impeachment, ou cassação do mandato da chapa Dilma/Temer, ou “renúncia já”. A voz que Dilma ouve não é a voz das massas! Dilma não é Lady Alroy.   
O 13-M é um movimento da classe média branca de milhões de pessoas em 239 cidades das 5 regiões do país? A Globo News fabricou esta imagem eletrônica das massas de São Paulo. Trata-se do último vestígio do bolivarianismo global dos repórteres e cinegrafistas bolivarianos. No Rio, as massas mestiças coloriram Copacabana. (O regime de imagens eletrônico bolivariano da Globo News é a racialização da cultura política brasileira). Em todo o país as massas mestiças lembraram a música cantada por Cazuza às avessas:
“Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim”.
Porém, outra música cantada por Cazuza põe e repõe o 13-M como a esfinge sem segredo:
 “Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver”
O deputado capitão do Exército Jair Bolsonaro usou publicidade política para ser metabolizado pelas massas e não foi vaiado como o governador de São Paulo (PSDB) e Aécio Neves (Aécio Never para as massas; o sobrinho encarna, finalmente, o tio alcunhado pelo general Figueiredo de Tancredo Never). Os jornais comparam Bolsonaro a Donald Trump. Até os jornalistas da imprensa brasileira já sabem que Trump é a vanguarda do fenômeno fascista eletrônico mundial. Donald é o ditador-herói fascista como personificação da ditadura fascista do capital corporativo eletrônico mundial.  
Bolsonaro é uma viúva da ditadura militar que aparece como o segredo de Lady Alroy? Há fractais das massas 13-M que são aquelas massas eletrônicas de São Paulo do carnaval de fevereiro de 2016 da Globo News. Há no Rio uma ditadura fascista eletrônica peemedebista/Grupo Globo. As massas fascistas eletrônicas não são uma novidade deste 13-M. Elas querem uma ideologia fascista eletrônica que as salvem da crise brasileira! Estas massas fractais eletrônicas são mais direitas que a própria direita!
As massas 13-M são massas sujeito zero social e racial. Trata-se do grau zero subjetivo social e racial. Como massas mestiças elas estão disponíveis para a trans-subjetivação democrática em um campo de poder ditatorial
“Neste dia 13, o Povo brasileiro foi às ruas. Entre os diversos motivos, para protestar contra a corrupção que se entranhou em parte de nossas instituições e do mercado. Fiquei tocado pelo apoio às investigações da assim denominada Operação Lavajato. Apesar das referências ao meu nome, tributo a bondade do Povo brasileiro ao êxito até o momento de um trabalho institucional robusto que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e todas as instâncias do Poder Judiciário. Importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas e igualmente se comprometam com o combate à corrupção, reforçando nossas instituições e cortando, sem exceção, na própria carne, pois atualmente trata-se de iniciativa quase que exclusiva das instâncias de controle. Não há futuro com a corrupção sistêmica que destrói nossa democracia, nosso bem-estar econômico e nossa dignidade como País”.
13/03/2016
Sergio Fernando Moro”
O juiz Sérgio Moro é o campeão das massas sujeito zero 13-M, inegavelmente. Moro é o ditador-herói de uma possível ditadura bonapartista eletrônica da comunidade jurídica? Juízes do Tribunal Superior Eleitoral vão manobrar abjetamente para jogar a decisão sobre a cassação da chapa Dilma/Temer para 2017? A Constituição de 1988 diz no Artigo 81, parágrafo 1°. “Ocorrendo a vacância nos dois últimos anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei”.
Esta situação ocorrerá com Gilmar Mendes na presidência do STF. Trata-se de um antigo juiz de FHC, que é um motor biográfico do velho Pacto Oligárquico ditatorial civil como caminho lógico da crise brasileira. O bonapartismo eletrônico dos juízes é uma força ditatorial irrevogável (e indestrutível) da nossa conjuntura historial de produção do contemporâneo.
O 13-M é um choque no sistema político partidário? As massas sujeito zero rechaçam o modelo oligarquia política híbrida e o presidencialismo de coalizão (alternância no governo nacional entre PT e PSDB que cooptam uma maioria no Congresso com cargos, sinecuras, empregos para as suas massas intelectuais e corrupção sultanesca instalada como sistema (Societas sceleris) envolvendo o grupo político dominante, altos funcionários públicos e empresas). Oligarquia política híbrida e presidencialismo de coalizão (ou societas sceleris) são formas políticas do campo de poder ditatorial eletrônico, atualmente.  
As massas 13-M veem o sistema partidário como inconstitucional? O Artigo 17, parágrafo 4° determina: “É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização para militar”. Relendo a Constituição liberal-democrática pela física lacaniana da política, digo que a definição constitucional de partido político é o anverso do partido máquina de guerra freudiana, que usa violência simbólica ou real paramilitar sem limite sobre os adversários (o PT e o PSDB destruíram no campo simbólico Marina Silva com uma campanha paramilitarizada eletrônica nas eleições presidências de 2014). Aliás, a explosão do avião de Eduardo Campos do PSB passou para os anais dos aviões abatidos (pela Stasi) como o do ministro Marcos Freire no governo ditatorial de José Sarney. Por outro lado, a máquina de guerra partidária age sobre as massas ao fazer leis como a lei antiterrorista (lei Mateus) e ao usar a violência real sem limite da PM para quebrar o movimento das massas sujeito zero governamental.  
Hoje, Marina Silva retorna com a clara vivencia intencional de transformar seu partido Rede em mais uma máquina de guerra partidária. A máquina de guerra partidária transforma biografias humanas, como a de Marina, em nanomáquinas de guerra na cultura política do estado de guerra oligárquico eletrônico, que articula a lógica da política brasileira.               
 “Um mês depois regressei e a primeira coisa que vi no Morning Post foi a notícia da morte de Lady Alroy. Apanhara um resfriado na Ópera e morrera, dentro de cinco dias, de congestão pulmonar”
Espero não ler no Estadão, ao retornar de minha viagem, sobre a morte das massas 13-M por ter sido infectada pelo vírus Zika.


                        

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