domingo, 14 de junho de 2015

EPISTEME CAPITALISTA/PODER NEOPLATÔNICO BRASILEIRO


Comunidade da Física Freudiana 

JOSÉ PAULO BANDEIRA DA SILVEIRA 
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Comunidade da física freudiana significa um campo de pensamento pacífico para o funcionamento do discurso do físico. O campo freudiano foi o ponto de partida para a fabricação da física freudiana da história. Esta é um contracampo de pensamento na linha de força do pensamento eclético de Cícero, ST* Agostinho, Marx, Weber Freud e Habermas. Trata-se de um contracampo científico transdisciplinar. O discurso do físico trabalha com o contraconceito de episteme política e ele se constitui a partir de uma contraepisteme que sustenta o discurso do físico articulado ao inconsciente político mestiço. A física é um artefato contratotalitário.



SOCIEDADE DE CONSUMO/NAZISMO/INCONSCIENTE POLÍTICO
O “recalque da sedução” é um mecanismo elementar no funcionamento do insconsciente político. Trata-se do problema da acumulação/desacumulação, distribuição/condensação da energia narcísica em um nó (ponto) da cadeia de significantes: indivíduo, tribo, família, sociedade, comunidade, aparelho, instituição, povo, elite, país. Vejamos dois casos. A sociedade de consumo americana foi um levantamento da barreira da energia narcísica (queda do recalque da sedução), sendo tal energia condensada na classe média americana. A classe média passou a existir como um ser do inconsciente político americano diferente das outras classes médias da cadeia de significantes sociais mundial. Como cultura política, ela se definiu por uma interpretação economicista da vida, da existência. O economicismo existencial a transformou em uma máquina de guerra existencial modelada pela lógica do valor de troca, ou seja, pela cultura política do dinheiro, conforme o axioma de Benjamin Franklin: Time is Money. Este axioma é um elemento axial da cultura articulada pelo fetichismo da mercadoria. O efeito é a reificação do mundo, como mostrou Lukács.
Na história dos povos com elites vertebradas, a língua é um artefato cujos significados são estabelecidos pela cultura política aristocrática. Volk significa povo no sentido de vulgar, de plebe. Trata-se da língua como um artefato articulado ao inconsciente político ariano. Há claramente um recalque aristocrático da sedução nessa definição de povo. A energia narcísica é recalcada na definição de volk. Ou seja, neste lugar há uma baixa concentração de energia narcísica pelo recalque da sedução. Isso tem como finalidade histórica a definição de um sistema de valor entre superior (aristocracia) e inferior (plebe = volk). A aristocracia é contemplada como altas doses de energia narcísica que a torna superiormente sedutora. A liturgia do poder aristocrático está associada ao levantamento do recalque da sedução no inconsciente político ariano desde a civilização arcaica. Então, o Faraó pode seduzir a sua própria irmã! Isso é normal no inconsciente político ariano!
A sedução da aristocracia é a sedução dos próprios signos do discurso e do poder. Trata-se de um processo circular, reversível, de desafio, de lances e da morte. A posição do senhor aristocrático não é a posição daquele que não teme a morte? É também a posição daquele que não tem necessidade de ser reconhecido pelo escravo: volk = povo = plebe vulgar = escravo. A sedução é o sexual contrário à sua forma reduzida, circunscrita em termos energéticos de desejo, sendo o desejo uma forma de organização da energia narcísica, também! Na sedução, não se trata de sexo ou de inconsciente freudiano. O ato sexual é vivido e interpretado na cultura política como ato ritual, cerimonial ou guerreiro, no qual a morte é o desenlace obrigatório (o tema do incesto nas tragédias da antiguidade é um bom exemplo), a forma simbólica paradigmática da execução do desafio.   
O totalitarismo alemão do século XX foi uma revolução (subversão política, simbólica e energética) da cultura aristocrática mundial. Ele redefiniu o sentido de volk pelo levantamento da barreira do recalque da sedução. O fascismo alemão liberou altas doses de energia narcísica para a constituição do povo alemão como o avesso da plebe vulgar = escravo. Outro sentido (e único) foi dicionarizado para volk. O Volk é o lugar habitado por uma raça superior aos outros povos da história mundial do século XX (raças inferiores). A superioridade ariana se define pelo dominus do inconsciente político ariano na história universal: Volk ariano. Esse é o axioma mitológico mais poderoso do totalitarismo alemão. O nazismo fez um laço social na cultura política mundial sob o dominus do inconsciente político ariano!  Ele não era louco apesar de desencadear acontecimentos políticos mundiais que tem a clara aparência de um estado de loucura generalizado. Percebam que a política da sedução nazista seduzia até generais americanos, como George Patton. Philip Roth escreveu um romance (“Complô contra a América) sobre a sedução nazista na política dos USA. Os generais americanos se autodefinem como parte de um estamento aristocrático no coração da mais estável República Democrática de Massa de classe média dos últimos dois séculos. Isso é Baudrillard relido pela física da história!

FIM DA MODERNIDADE/CULTURA PÓS-MODERNISTA/BURACO NEGRO EPISTÊMICO
A cultura política pós-modernista foi a revolução epistêmica que jogou a última pá de cal na cultura política modernista. Ela foi o dilúvio que significou o fim da lógica do sentido, da Verdade (absoluta, ou relativa, ou semidita), de Deus, da Revolução, do Sujeito da história, do Valor. Ela é a revolução epistêmica mais epistêmica que a própria episteme. Ela é a hiperepisteme, isto é, o simulacro de simulação epistêmico. Ela é mais verdadeira que a própria verdade e, simultaneamente, mais falsa   que o próprio falso. Ela faz mais sentido que o próprio sentido ao estruturar um mundo constituído por objetos-fantasmáticos (simulacros de simulação) iluminados por um sol negro. Um buraco negro epistêmico tragou a cultura política moderna povoada pelo sentido, pela verdade profunda, por Deus (como a grande verdade do grande Outro ou campo simbólico), pelo valor como forma de organizar o mundo hierarquicamente, habitada pela Revolução política como recurso quase evolutivo darwinista na história modernista.
A cultura pós-modernista atribuiu um novo significado ao significante artefato. Este aparece como o fundo vertical que erige em signos puros (claros e distintos) objetos-fantasmais, isolados de seu contexto referencial. Trata-se do fim do referente nas linguagens que articulam e são articuladas pela cultura política pós-modernista. Como a história não existe sem referente histórico, advém o fim da história como um acontecimento real. A previsão de Hegel do fim da história finalmente acontece como um evento histórico: apocalipse da história universal. Com isso, a episteme modernista é tragada pelo buraco negro como uma metafísica obsoleta que continua a existir como lógica do fantasma (metafísica positivista) através do discurso da universidade. Ela é substituída por uma nova metafísica que ainda não é a metafisica do superhomem nietzschiano cujos axiomas estão estabelecidos no “Assim falou Zaratustra”. A metafísica pós-modernista põe um fim na organização hierárquica espacial do mundo-da-vida (como espaço privilegiado pelo olho e pela visão), denunciando na sua prática cultural que tal organização modernista do mundo era um mero simulacro de simulação, que fazia funcionar o mundo moderno como artefato da cultura política modernista. Ela substitui tal modernismo mundano pelas espécies do TOCAR, por um hiperespaço táctil das coisas, como se os objetos pudessem ser apreendidos pelos cinco sentidos a partir da cultura política pós-modernista. Tratar-se-ia de um mundo estruturado pela lógica dos sentidos como simulacro de simulação.  Nesse sentido, a lógica pós-modernista não está contemplada na teoria do pequeno objeto parcial (objeto a) de Jaques Lacan? Objeto que se define como objeto articulado pelos 5 sentidos, se aí incluirmos o objeto táctil aos 4 objetos parciais desligados do corpo: o seio (objeto de sucção); as fezes (matéria fecal/objeto de excreção); a voz e o olhar (objetos do próprio desejo); enfim, o tátil como objeto primordial da sedução da criança pela mãe (das Ding, Coisa). Como tais objetos sensíveis estruturam o mundo pela metafísica dos 5 sentidos? Eles estruturam o mundo como metáfora real dos significantes que articulam tal mundo-da-vida como metáfora simbólica. Assim, o Real subsumi o Simbólico! Assim, a sedução como um fenômeno de sedução dos próprios signos pelo objeto dos sentidos é a energia mítica (narcisismo) que desloca o sentido do discurso e o desvia da verdade. Ela é o discurso do mais “superficial” onde não existe o abismo do sentido, da interpretação do sentido, inconsciente freudiano. Isso tudo é desmascarado como metafísica da cultura política modernista. No entanto, a cultura pós-modernista é o simulacro de simulação da organização (articulação) do mundo-da-vida pelos 5 sentidos. Como realidade do real, o pós-modernismo é uma articulação do mundo pela sedução (como simulacro de simulação) como uma forma de energia - energia narcísica que é um mito do inconsciente político ariano que articula as culturas políticas desde a civilização arcaica. Em Aristóteles ex-iste a metafísica e a física em uma relação dialética e materialista na história universal das culturas políticas. Então, depois da história metafísica (e da história mitológica) não advém a física da história aristotélica?                    

                                     
                                                                                                        
                                
DOM CASMURRO/MACHADO DE ASSIS
No Capítulo Primeiro/Título (Dom Casmurro), Machado apresenta a essência do romance. Trata-se da produção do significante na literatura realista como sendo um significante da realidade do real? Com efeito, tal processo instala um aparelho de linguagem hiper-realista onde o realismo (do significante) é mais real que o próprio real. No trem da Central, Bento Santiago (protagonista e narrador) encontra um jovem do bairro (Engenho Novo) que apaixonadamente quer ler poemas para Bento. Este cochila provocando a ira do poeta que lhe atribui a alcunha de Dom Casmurro. Casmurro significa para o vulgo homem calado e metido consigo. Dom é um acréscimo irônico que atribui a Bento FUMOS de fidalgo. Os vizinhos que não gostam de pessoas concretas com hábitos reclusos e calados deram livre curso à alcunha, que acabou colando nas costas do narrador. Isso não perturbou Bento. Tal estado subjetivo do personagem não é a prova de que a alcunha (o significante Dom Casmurro) não articulava o sujeito-Bento? Ele, então, conta como piada aos amigos que transformam o significante vulgar (negativo) em um significante positivo capaz de gerar a emoção significada da alegria e do carinho da rede de amigos.
A vizinhança é a pequena máquina de guerra cortesã que usa da violência simbólica com limite em Bento alcunhando-o de Dom Casmurro. A comunidade dos amigos é articulada a partir da ética da cidade (ética da polis aristotélica) que instaura um espaço urbano pacífico, civilizado. O limite do uso da violência da vizinhança é dado pela ética da cidade do Rio de Janeiro (condensada na comunidade dos amigos metonimicamente) que é a alma da cidade hiperacolhedora, uma cidade sem as grandes máquinas de guerra freudianas como dominus. Esta é uma diferença entre o Rio do século XIX e o Rio do século XXI. Um dia, o Rio foi uma cidade normal. Não esquecendo que o marxismo paulista mostrou os personagens de Machado como efeito (parcial) das relações sócias de produção citadinas, como espelho da cidade marxista do século XIX (sociedade de classes), quero suplementar tal abordagem dizendo que Machado trabalha literariamente com cultura política. O Dom de fidalgo articula a literatura com a cultura política, assim como a vizinhança máquina de guerra cortesã e a comunidade dos amigos pela ética da polis. (Leitores interessados em Machado sabem da ligação dele com a cultura universal e com a literatura universal). No século XIX do romance, a cultura política é aristocrática e escravocrata em uma sociedade onde o homem livre é o homem aristocrata. Como FUMOS (fantasma) de fidalguia, Dom é a ironia que diz que Bento é um fantasma biográfico individual aristocrático na cadeia metonímica onde Bento é a parte pelo todo (aristocracia). Ele é um fantasma biográfico do passado ao lado da República como fantasma do futuro da cultura política aristocrática enquanto a aristocracia é o fantasma coletivo do passado da República. A série de significantes supracitados (Dom, máquina de guerra cortesã, cidade aristotélica etc.)   só ex-istem  na cultura política urbana-literária do Rio de Janeiro: “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso  do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama;  só não lhe dou moça”. A moça é a moça livre como parte de uma comunidade de homens livres e normais, ou seja, de uma comunidade aristocrática. Ela não é escrava sexual ou mercadoria: uma coisa no circuito do valor de troca. Enfim, não seria muito útil o estudo da episteme sexualis na obra de Machado?    

VOTO OBRIGATÓRIO/CULTURA POLÍTICA TOTALITÁRIA

 Entre 18 anos e 70 anos - dentro dessa faixa etária, quem deixar de votar precisa justificar a falta ou pagar uma pequena multa. Se não fizer isso, fica sujeito a penalidades: não pode se inscrever em concurso público; ser empossado em cargo público; obter passaporte; renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial; obter empréstimos em bancos oficiais; e participar de concorrência pública ou administrativa”. Este axioma da lei eleitoral brasileira é um axioma da cultura política totalitária brasileira! 
Um princípio elementar da cultura política liberal que a participação na política é um problema de escolha individual. Isso define um princípio de liberdade política no qual o indivíduo não deve ser obrigado a fazer parte do corpo político pelo poder cujo suporte é uma lei despótica: estatal ou de qualquer outra espécie. Na democracia grega da antiguidade (politeia), jamais passou pela cabeça dos dirigentes (que representavam o Estado) obrigar os cidadãos a participarem da política. Isso põe e repõe na história o problema da relação da biografia individual com a biografia do Estado. A obrigação de participar na política não transforma a politeia (democracia antiga normal e justa) em democracia despótica? Nesta, o demagogo popular (ou populista) associa-se às massas populares em uma articulação totalitária da política. A virtù de tal política (unidade do demagogo com as massas) é a obrigação de participação da política como um dever amoroso com o discurso do mestre. A democracia despótica é a articulação da democracia popular pelo discurso do mestre que faz da lógica particularista das massas o soberano: privatismo das massas. Os teóricos do populismo latino-americano se referiam a obrigação de participação política das massas pelo conceito de “massas disponíveis para a política demagógica”. Isso é certamente o axioma do populismo como fenômeno totalitário. Aqui a obrigação da participação das massas estabelece-se pelo vínculo entre líder populista e massas. No entanto, há um terceiro neste vínculo. Tal laço social só faz sentido se o vínculo se transforma em Estado. Octávio Ianni designou tal fenômeno como Estado populista na América Latina. Neste continente político, o voto obrigatório é uma herança totalitária do populismo. No caso brasileiro do populismo getulista. No caso brasileiro, trata-se de um recurso evolutivo totalitário do poder brasileiro que estabeleceu, na Constituição de 1988, uma transação pactual entre as facções da elite de que a participação numérica da grande maioria da população na eleição é suficiente para sustentar a democracia despótica (democracia totalitária). Este recurso totalitário populista bebeu na fonte da experiência da democracia populista (1946-1964). Mas esta democracia continuou a tradição estabelecida no Código eleitoral de 1932 do voto obrigatório. A Constituição de 1933 na Seção II Dos Cidadão artigo 99 diz: “ O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os homens, sob as sanções que a lei determinar. Esta é considerada uma Constituição liberal. A Constituição de 1946 no artigo 133 reza: “O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, salvo as exceções previstas na lei”. Esta Constituição afirma o voto como uma tradição da cultura política brasileira republicana cujo Príncipe é Getúlio Vargas. Getúlio foi a grande máquina de guerra freudiana populista que articulou como demiurgo a cultura política totalitária brasileira como parte da nossa história política mitológica do século XXI. A Constituição de 1988 não rompe com tal tradição. No capítulo IV (Dos direitos Políticos), o artigo 14 vaticina que o voto é obrigatório para os maiores de 18 anos. Por que vias a elite aprendeu que o voto facultativo era uma fonte de instabilidade do poder nacional civil na democracia?  Através do voto obrigatório, a democracia totalitária brasileira pretendeu eliminar a FORTUNA política, a lógica do caos político inerente à democracia justa, normal. Ela encontrou um recurso que faz da vontade popular um simulacro de simulação de virtù nacional. A constituição de 1988 tinha como um de seus objetivos candentes fazer desaparecer da cultura política nacional a possibilidade do aparecimento de um divórcio claro e irreversível entre o povo e o sistema político no espaço da cultura política eletrônica. Assim, a defesa do voto obrigatório é, inevitavelmente, a defesa da cultura política totalitária brasileira.     

O PODER NEOPLATÔNICO BRASILEIRO
Em algumas filosofias políticas dos séculos XVII e XVIII (inclusive jurídicas) o poder do Estado é concebido por uma vontade coletiva de homens, e o elemento constitutivo dessa vontade é a vontade de cada um de ser membro de uma tal comunidade. O poder é concebido pela lógica comunitária que é o avesso da lógica dialética. Aquela existe em uma realidade concreta dos homens, mulheres e crianças como finalidade de instaurar a paz. Ao contrário, a dialética é a lógica da realidade do real, a lógica da guerra. A sociedade de classes (luta de classes) é supressiva da lógica comunal? Ou o poder de classe se superpõe ao poder comunal? Na era moderna, o Estado-nação é um artefato sob o jugo do poder de classe? Ou, então, o Estado tem um objetivo, sobre o qual as vontades contraentes estão de acordo e ao qual elas dão seu consentimento, cada uma no que lhe concerne e no que dela depende. O objetivo do Estado é definido (não com relação à existência do próprio poder de Estado, ou dos interesses das classes)  em relação aos interesses e necessidades dos contratantes. Este é o CONTRATO moderno, um axioma da episteme política moderna. O corolário do contrato é o direito de revogá-lo se o objetivo pelo qual ele foi instituído se acha desviado, falsificado, ou se perdeu seu interesse para os contratantes. Assim, o poder de Estado pode ser julgado e declarado caduco. Na tradição de juristas e de filósofos do direito natural pode ser encontrado e convocado (e exortado) um debate público sobre o direito de revolta (depois seria designado como direito à revolução política) que tem uma linhagem no quadro do agostianismo, sob o nome de direito de tiranicídio. A revolução social está ligada à sociedade de classes. Ela está além da realidade concreta comunal ou do vivere civile coletivo: poder comunal ou poder civile; lógica comunal ou lógica civile. O direito à rebelião (direito à revolução política) é uma dessacralização da política sacralizada no significante Príncipe que no neoplatonismo é o demiurgo que introduz a ordem no caos primitivo da política. Esta não é a lógica neoplatônica do poder brasileiro? A revolução social não se constitui a partir de um direito natural, mas a partir da ex-istência da realidade do real que é a realidade materialista e dialética: guerra de classes O poder brasileiro é um enigma? Ele não obedece nem a lógica comunal, nem a lógica civile, nem a lógica dialética. Até agora, não havia pensamento político no Brasil, nenhum pensamento político formal. A física da história é a fundação na história da cultura política brasileira do primeiro pensamento político entre nós. Será ela capaz de descobrir qual é a verdadeira lógica do poder brasileiro? O agir pelo qual se pode entusiasmar uma vontade política de si (vontade de saber) é a exortação. O discurso do físico é a decisão de uma virtù a se pôr a obra! A lógica neoplatônica do poder brasileiro precisa ser desmontada como lógica e como história!     

PÓS-MODERNISMO/BURACO NEGRO CONTRAEPISTÊMICO
A cultura política pós-modernista substitui a produção do espaço político pela sedução do espaço político. Assim, ela pode fazer tudo, imitar tudo, parodiar tudo nesse espaço. Isso significa o fim da autonomia absoluta do político em relação ao econômico (autonomia que constituiu o objeto da ciência política universitária americana) e uma alteração radical da autonomia relativa entre o espaço político e o espaço econômico. A cultura política pós-modernista faz do espaço político moderno (que funciona pela lógica da representação) um espaço articulado pela lógica do simulacro de simulação. Trata-se da hiperpolítica. Nesta, o espaço político articulado pelo econômico é mais ECONÔMICO que o próprio espaço ECONÔMICO. A hiperpolítica quebra a barreira entre o político e o econômico; ela caba com a autonomia relativa do espaço político em relação ao espaço econômico. O espaço político torna-se um espaço privatíssimo das forças econômicas: apogeu do privatismo. O bloco no poder nacional ou continental - em um sentido político = (União Europeia) - torna-se parte da política mundial na qual o capital fictício mundial (oligarquia financeira mundial) assume o lugar hiperhegemônico. Trata-se da hegemonia que é mais hegemônica que a própria hegemonia. Tal hiperpoder (o poder que é mais poder que o próprio poder) foi a causa até agora do fracasso absoluto dos movimentos das multidões na política mundial. Este hiperpoder funciona como um universo político constituído como um espelho opaco erguido diante do olho, e não há nada por trás. Essa é propriamente a esfera da aparência do espaço político: nada para ver; são as coisas que nos veem. O hiperpoder não pode ser visto pelo olhar da multidão, ele é a Coisa (das Ding) que vê a multidão. Ele vê a multidão como o processo hegeliano da lógica conceitual: a multidão em conceituação inevitável de desintegração! No entanto, a cultura pós-modernista opera uma alteração radical do conceito de espaço do poder. Na modernidade, tal espaço funcionava pelo princípio da realidade como efeito da perspectiva (desenvolvido na pintura renascentista). O Príncipe moderno (Gramsci/Maquiavel) ex-siste em função de tal princípio da realidade perspectiva. Esse é o segredo do poder que é capturado como mimeses e paródia no pós-modernismo. Uma ironia simulada está na origem do poder moderno. A política moderna não ex-iste em função de um princípio da realidade do real (como a luta de classes). Ela é um modelo de simulacro de simulação cujos atos manifestos não constituem uma prática política em ato, mas uma simulação de praxis política. Trata-se do fim da política em si. A cultura política pós-modernista é o reverso da modernidade política (banda de Moebius). Elas não constituem dois espaços descontínuos; apenas um espaço contínuo com verso e reverso. Assim, cai o princípio de realidade da política que diz e rediz que a política representativa era real, não uma ficção. Ela é a hiperficção, isto é, a ficção que é mais ficção que a própria ficção. Hans Kelsen formulou algo que vai nessa direção! Acabo com um paralelo entre as culturas políticas cristã e pós-modernista. O Papa, o Grande Inquisidor, os grandes jesuítas não sabiam que sabiam que Deus como Grande Outro era um simulacro de simulação para a massa cristã. A fé em Deus na massa cristã é um simulacro de simulação de fé. Os políticos profissionais não sabem que sabem que para as massas pós-modernistas, a crença no princípio de realidade perspectivo da modernidade política é um simulacro de simulação. Assim, o político profissional torna-se o sujeito esquizo do Casa-Grande e Senzala. Ele é um sujeito repartido: moderno e pós-moderno! A lógica da cultura política pós-modernista só pode ser desmontada por uma praxis histórica, por uma junção do discurso do físico com as massas que tem a virtù de escapar do buraco negro epistêmico que tragou as massas modernas e liberou as massas líquidas pós-modernas. O discurso do físico é o buraco negro contraepistêmico que pode liberar as massas em contraconceituação: praxis histórica além da cultura política pós-modernista!     

POUR FHC
" Pensando no Brasil, não cabe simplesmente fazer o seu funeral" (FHC).
Quem está pensando o Brasil na atualidade? Se FHC ainda não esqueceu o que é pensar, ele deve dizer para a opinião pública (e publicada) que a física da história é o campo de pensamento (nascido e desenvolvido no Brasil) que está pensando o Brasil. Não existe pensamento sobre o Brasil sendo desenvolvido no Instituto FHC ou no PSDB. O “pensamento” produzido nestes lugares é a relação intelectual como atração pelo mesmo, exaltação mimética da própria imagem, miragem ideal da semelhança, o espelho cultural como miséria do imaginário da cultura intelectual brasileira. A física não está pensando o Brasil para sepultá-lo. Brasil é um significante que tem sua fundação no século XVI e XVII. Grandes máquinas de guerra freudianas articularam o significante Brasil: entradas e bandeiras. Isso liga tal significante à história universal. A história moderna é a vontade secular (de secularização da máquina de guerra) de constituir uma cultura política não-articuladora à máquinas de guerra, mas à instituições como o partido político moderno. Na história brasileira recente, o MDB foi o tipo ideal de partido político moderno, e a política não se espelhou nesse tipo ideal. A política brasileira contemporânea tem como dominus o partido-máquina de guerra. Não se trata de uma repetição do início da história do Brasil? Este eterno retorno do começo não significa o fim da história do significante Brasil? Qualquer significante tem um nascimento, uma vida útil e finalmente morre! Do pó vieste, ao pó voltaras! O significante surge ex-nihilo, do pó (do não-sentido). A máquina de guerra é da ordem do não-sentido. Ao pó voltarás. O não-sentido produzirá o fim do significante frente ao esgotamento energético da episteme do Engenho que articula a política no Brasil como história mitológica das máquinas de guerra.  A CRISE BRASILEIRA é a crise epistêmica da realidade. O princípio da realidade é a estruturado (como estrutura) pela lógica do sentido, que é uma lógica divina, da ordem do mito. A realidade é um conceito criado pela história universal desde a civilização arcaica. A CRISE BRASILEIRA é a crise do conceito de realidade. O significante Brasil é uma realidade em crise conceitual. E tal crise provocou, ao menos na ordem da palavra escrita, uma guinada de FHC de volta ao marxismo com pinceladas inspiradas no marxismo de Gramsci. No início de sua vida intelectual, FHC foi marxista. Veja o texto seguinte: “Neste momento o que importa é que o povo veja quem foram os verdadeiros responsáveis pelo desastre que aí está. Ele é fruto de decisões desatinadas do lulopetismo e da obsessão pela permanência no poder, com a ajuda da corrupção e de medidas populistas que nada têm a ver com desenvolvimento econômico e social ou com os interesses nacionais e populares” (FHC). O que o discurso do físico está dizendo é: “o significante Brasil das máquinas de guerra chegou a seu fim, finalmente”. No lugar dessa história das máquinas, é preciso construir a realidade brasileira baseada em uma lógica do sentido do contrasignificante que não é moderna ou pós-moderna. É preciso fabricar instituições (que só funcionam pela lógica do sentido do contrasignificante, para começar, como limite do uso da violência física ou simbólica) começando pela criação de partidos políticos, universidades, empresas privadas (instituições econômicas), igrejas (instituições religiosas), mídias eletrônicas (instituições da cultura popular), mídias digitais (comunidade cultural) etc. Trata-se obviamente da fundação do contraconceito de Brasil. Isso é o pensar da física da história sobre o Brasil. Pensá-lo como um contrasignificante da física da história. A propósito, Gramsci fez a física marxista da política. Ele está no debate sobre a produção do contemporâneo!     
INÁCIO LOYOLA BRANDÃO/ FREUD/BILL CLINTON
“Naquele momento, percebemos que criar é escapar, fugir de uma realidade que nos aflige. (ILB).
Tal enunciado foi dito no Pará no “primeiro Sarau Literário, iniciativa da Imprensa Oficial do Estado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e a Fasepa, em uma unidade de ressocialização. Adrenalina geral, ansiedade, alegria, nervosismo (ILB). Ele seria mais o movimento browniano ao redor dos três significantes: criar, escapar e realidade. O enunciado tem sabor, cheiro e tactilidade dos olhares literários que fascinam, encantam. Ele é um encantamento do mundo de uma comunidade em um dos estados de maior miséria material e espiritual do país. Isso é a realidade da qual a criação literária faz escapar os caboclos paraenses, os mestiços paraenses. No entanto, o conceito de realidade de Loyola Brandão não é simplesmente empírico. Ele é uma noção extraída (metabolizada na subjetividade desse literato) da episteme sexualis freudiana. Nessa, o mundo funciona segundo os princípios de prazer e da realidade. A criação literária está associada ao prazer da sublimação. E o princípio do prazer tem por objetivo proporcionar prazer, sem entraves, sem limite (como o lactante no seio da mãe, por exemplo. O princípio da realidade modifica o princípio do prazer, impondo-lhe as restrições necessárias à adaptação à realidade externa. O princípio do prazer obedece a uma lógica anárquica, ele é o princípio da comunidade utópica anarquista: comunista primitiva. No livro “ O Estado e a Revolução”, Lenin usou a lógica desse princípio anarquista para fascinar a esquerda revolucionária mundial. Ele concebeu a sociedade comunista como anarquista primitiva seguindo os passos do Marx anarquista. Ele fez uma magia discursiva cujo objetivo é o desaparecimento do princípio da realidade freudiano. Tal princípio é semelhante à concepção de cultura (“Mal-estar da civilização”) freudiana. Trata-se de um poder repressivo (hipótese repressiva desmontada por Foucault) de um poder despótico necessário e capaz de fazer o mundo existir e funcionar. Essa concepção não é aquela que faz ex-istir e funcionar a cultura política totalitária articulada a partir da episteme sexualis? Ligado ao princípio do prazer, o sexo é o lugar da desordem, de um mundo entregue à lógica do caos. Na história universal, o despotismo do poder do princípio da realidade põe e repõe a ordem no mundo através da cultura política totalitária. A episteme  sexualis é a episteme arcaica e nela e através dela o sexo é o mito do caos. O sexo é homólogo a Plutão? Plutão que, no presente como no passado, a um simples gesto, cria, destrói, governa todas as coisas sagradas e profanas. A cultura eletrônica americana não é o artefato - como apogeu no século XXI - da associação entre sexo e Plutão? Bill Clinton não foi objeto, por excelência, desse artefato? E se Loyola Brandão pensasse a criação literária em uma relação complexa com o conceito de realidade (não como poder despótico totalitário) como algo articulado pela lógica do sentido? Criar (literatura na e com a comunidade) não seria mais escapar, fugir da realidade!    

EPISTEME CAPITALISTA/ECONOMICISMO
A era moderna se constituiu em um desafio entre epistemes emergentes que passaram a ex-istir e funcionar na forma da subsunção formal ou real à episteme capitalista liberal no século XIX. No século XX, a episteme do socialismo realmente existente dividiu a hegemonia da história mundial com a episteme capitalista. Mas elas não escapam da história regida pela lógica da banda de Moebius. Não se trata de um espaço descontínuo (capitalista/socialista), mas de um espaço contínuo, um único espaço. A episteme economicista engloba capitalismo/socialismo. Nesta episteme, a produção (força produtiva) organiza o mundo das coisas, das pessoas, e faz a história mundial. O stalinismo (marxismo-leninismo) é a sua ideologia (é, porque ainda continua como estrutura ideológica de partidos e movimentos ao redor do planeta), e a ciência econômica (outrora burguesa) age como discurso da universidade pequeno-burguês na cultura política do dinheiro. Esse discurso econômico pequeno burguês se sustenta por defender que o mundo deve ser organizado por uma forma de capitalismo produtivo liberal. No entanto, o capitalismo neoliberal é a forma de capitalismo que tem como dominus o capital fictício, a oligarquia financeira mundial. Há uma crise global da episteme capitalista? O colapso do socialismo real não desfez, parcialmente, o poder mítico da episteme economicista? Essa episteme fez da economia a profundidade da história mundial cujos segredos só os economistas podiam revelar (“explicar”). Não são eles, com efeito, que acabam se apoderando do poder de Estado? Por outro lado, a revolução social seria realizada nas águas profundas da economia mundial para liberar as forças produtivas bloqueadas pelas relações sociais capitalistas (sociedade burguesa). A revolução social é o apogeu da episteme economicista no fim da história da luta de classes. A episteme economicista tem como axioma que só existe o corpo produtivo: “só está morto para nós aquele que não consegue produzir”. Marx teceu a linguagem da episteme economicista (e desvendou o funcionamento dela) com contraconceitos da estirpe da física da história como, por exemplo, capital morto e capital vivo. O capital só ex-iste pela lógica do valor, do mais-valor: como expropriação de valor, da mais-valia. Ele só ex-iste e funciona através da dialética materialista com o trabalho. O capital é trabalho excedente dialeticamente materializado, morto ou vivo! A técnica moderna (em junção com a ciência capitalista) não altera tal definição. Elas são um único artefato produzido pelo trabalho intelectual. (Habermas fez a sociologia do trabalho intelectual como força produtiva capitalista). O trabalho intelectual abriu a possibilidade para o capitalismo corporativo mundial assumir a hegemonia na história econômica mundial a partir da década de 1990. No entanto, o globalismo capitalista tornou-se um globalismo do capital fictício no século XXI. A episteme capitalista contemporânea é a episteme capitalista fictícia. Ela articula a cultura política do dinheiro moderna como auri sacra fames. Se a episteme capitalista liberal ainda sustentava a ética capitalista em homologia com a ética protestante, a episteme capitalista fictícia põe fim a qualquer ética econômica baseada em um contrato entre capitalistas e sociedade capitalista. O contrato liberal-protestante é substituído por um pacto que se estabelece por uma relação dual entre capital e grande Outro (campo simbólico) subsumida à realidade do real. Esta é o mundo da regra! A lógica do sentido (que institui a realidade como cultura política concreta) é substituída pela lógica do hipersentido: onde o sentido é mais sentido que o próprio sentido. Isso é da ordem da cultura política abstrata. Não se trata mais de um contrato baseado na troca regulamentada por qualquer lei, ou seja, a lei do valor (que só ex-iste na cultura política concreta) que rege a relação entre capital e trabalho. A lei é substituída pelo mundo da regra, isto é, a força da lei do capital fictício que gere, em última instância, o conceito de modo de produção flexível: modo de produção neoliberal. Trata-se da soberania da cultura política abstrata, da cultura política do dinheiro moderna na história mundial! A episteme capitalista fictícia é uma abstração da relação de produção capitalista como dialética materialista entre o capital e o trabalho. Ela é o fim da história do trabalho como artefato de uma cultura política capitalista benevolente. Ela é o fim da história cristã do trabalho na sociedade capitalista! O século XX não se caracterizou por uma junção da cultura política capitalista com a cultura política cristã pré-moderna? 

CIDADE MARXISTA/DAVID HARVEY

“O que acontece é que há uma intenção crescente de militarizar o descontentamento popular. E receber o descontentamento popular com repressão. Isso é legitimado, cada vez mais, por essa retórica antiterrorismo, essa mentalidade antiterrorista de que todos que não estão agindo em conformidade com o sistema são potencialmente terroristas”. (DH)
O marxista pós-moderno David Harvey pensa a grande cidade como um espaço dialético envolvendo O Estado e a multidão popular. Ele fala de uma militarização crescente do descontentamento popular legitimado pela ideologia do antiterrorismo. Ele esquece de dizer que isso é a islamização americana das relações entre o Estado e o espaço urbano em quase todos os continentes. Mas a dialética de David não é materialista. Nessa dialética, o grau de abstração da relação cidade/multidão a torna um idealismo com tons empiristas. O que Harvey não consegue conceber é a relação cidade/multidão articulada pela dialética materialista. Faltam dois significantes materiais na concepção do autor inglês. O primeiro é o Estado como máquina de guerra freudiana prosaica que se define pelo uso sem limite, pelo uso despótico (ilegítimo) da violência que estrutura a cidade pela lógica da injustiça (Platão): fazer o bem para os amigos (para a classe dominante) e exercer a violência despótica sobre os não-amigos. A multidão é o lugar do não-amigo. Sobre a violência da multidão (popular ou de classe média), falta a David o significante material que permite falar dela como lógica do sentido que estrutura a realidade da cidade articulada pela multidão como contramáquina de guerra poética tolstoiana. Antes o axioma de Marx (“a violência é a parteira da história”) guardava um sentido vulgar. Pois não se trata de qualquer violência parteira da história, mas da violência justa da contramáquina de guerra poética. Isso significa que o uso da violência da multidão (limitada pela ética da cidade aristotélica) é justa, é legítima. Esta é a concepção dialética materialista da cidade!                     
“Acho que há uma distância em relação ao povo e aos sentimentos do povo. Parte do que está movendo a raiva da população é a sensação de que não há de fato uma democracia, canais reais de consulta e de engajamento ao processo político” (DH). David não percebe que a população não é sempre e todo o tempo um sujeito imbecil (Lacan). A população não sabe que sabe que o problema não é falta de democracia, mas um excedente de democracia: a democracia representativa despótica. Democracia despótica é um significante estabelecido por Aristóteles. O avesso da democracia despótica representativa é a democracia estruturada pela lógica da cultura política liberal. Mas o marxismo de Harvey tem um verdadeiro desprezo pelo liberalismo político. Enfim, Harvey não pensa a cidade como um espaço de confronto - entre o Estado e a multidão - para estrutura-la por diferentes lógicas do sentido, isto é, como realidade urbana. Sua obsessão pela cidade marxista (articulada pela luta de classes) significa para ele que: “As pessoas vão a um trabalho, que muitas vezes sentem sem significado. Há uma lacuna de significado na vida”. Somente a cidade marxista é a síntese de múltiplas determinações e plena   de significados. Com efeito, o que não tem mais significado é a teorética marxista de David sobre a cidade! 

“Somando a isso, a segregação entra no quadro. As pessoas se sentem trancadas em sua parte da cidade e há essas comunidades muradas onde elas não podem ir, todos esses locais proibidos onde as pessoas não podem circular ao invés de a cidade ser um ambiente aberto, onde as pessoas podem circular, interagir” (DH): universo finito versus universo infinito. Esta é a concepção da cidade na hipótese repressiva. A cidade articulada pela sociedade de classes como o poder espacial repressivo da classe dominante. Ele não pensa um segundo que essa é a cidade articulada pela lógica da cultura política totalitária. A luta de classes não existe a seco, ela ex-iste mediada, ou melhor, habitando o espaço-tempo das culturas políticas concretas ou abstrata. O marxismo pós-moderno fez da existência (concreta ou abstrata) da cultura política totalitária um tabu impensável no campo de pensamento das ciências humanas!    

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