quinta-feira, 14 de maio de 2015

HISTÓRIA IMPURA

Comunidade da Física Freudiana 

JOSÉ PAULO BANDEIRA DA SILVEIRA 
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Comunidade da física freudiana significa um campo de pensamento pacífico para o funcionamento do discurso do físico. O campo freudiano foi o ponto de partida para a fabricação da física freudiana da história. Esta é um contracampo de pensamento na linha de força do pensamento eclético de Cícero, ST* Agostinho, Marx, Weber Freud e Habermas. Trata-se de um contracampo científico transdisciplinar. O discurso do físico trabalha com o contraconceito de episteme política e ele se constitui a partir de uma contraepisteme que sustenta o discurso do físico articulado ao inconsciente político mestiço. A física é um artefato contratotalitário.

EPISTEME ROMÂNTICA/CONTRAEPISTEME MESTIÇA


A era moderna não é um campo de batalha entre epistemes políticas? Um campo da batalhas ente epistemes políticas  finalmente submetidas ao dominus da episteme capitalista em junção com a episteme científica? No século XVIII, a episteme ilustração faz a junção da cultura intelectual com a cultura em si e com a cultura política que articula o conceito de civilização moderna. O nosso marxista ilustrado-romântico Michel Löwy remonta o romantismo a Rousseau, o grande percursor do romantismo, no seu útil livro “Romantismo e messianismo”.  E assinala que a nostalgia pelo feudalismo europeu é o significante que estrutura o romantismo alemão clássico. Diz ainda da ligação do fascismo com o romantismo e do pacto que Thomas Mann propôs, nos anos de 1920, entre a concepção romântica da cultura e as ideias sociais revolucionárias: Grécia e Moscou, Hölderlin e Marx. A associação entre o romantismo clássico alemão e o nazismo não é um tema luminar do romance “Doutor Fausto” de Thomas Mann? O livro “O assalto a razão” (1953), de Lukács, não liga Schelling  (passando por Nietzsche) a Hitler? Considerando que a política mundial poderia ter sido totalitária alemã, a episteme romântica alemã poderia ter feito pendant com a episteme capitalista, substituindo a associação ente episteme capitalista e episteme ilustrada, defendida na atualidade por Habermas?

A episteme política alemã totalitária era (é) a junção da cultura política romântica com uma episteme capitalista transsubstancializada, com a classe operária literalmente, realmente, escrava do capital: trabalho escravo, trabalho servil. Ela queria inscrever no século XX a sociedade dos guerreiros feudais na política (o partido nazista é uma máquina de guerra freudiana cujo modelo é a máquina de guerra guerreiro feudal) governando o capitalismo mundial. Parece que o protótipo de capitalismo corporativo mundial da década de 1940 queria se adaptar nessa evolução política darwinista ao dominus da episteme totalitária romântica alemã sobre a política mundial. Na conjuntura europeia do século XXI, a episteme totalitária romântica parece ser um centro de gravidade mítico como fusão das energias míticas pulsão de morte e narcisismo. O narcisismo é o significante estruturador deste romantismo totalitário. Ele tem como modelo o narcisismo mortal da Mãe (das Ding, Coisa, Urstaat) que deseja assassinar seu bebe quando ainda grávida. Esse romantismo totalitário é um fluxo de narcisismo mortal como uso sem limite da violência física e/ou simbólica (pulsão de morte = mito). Ele é a expressão política mais acabada radicalmente do dominus do inconsciente político ariano na história universal. Arianos do mundo, uni-vos! contra o curso natural da história em si: a ex-sistencia do inconsciente político mestiço. A história em si é a história da contraepisteme mestiça como lógica do desmoronamento de qualquer episteme política. Ilusão histórica? Autoengano? Ou apenas um novo campo de força?     





BLOCO HISTÓRICO EPISTÊMICO

A partir do século XIX, a história política mundial torna-se inteligível pelo contraconceito bloco histórico epistêmico. Trata-se de um bloco dialético e materialista de conjuntos epistêmicos que articulam a cultura em si, a cultura intelectual e a cultura política. Não se trata de um campo pacífico, mas de um campo de batalha habitado por máquinas de guerra de pensamento, máquinas de guerra política e o capital moderno que é a máquina de guerra fáctica econômica. Podemos enumerar uma série de epistemes constituídas a partir do século XVIII como a ilustrada e a romântica. A episteme moderna científica também acelera sua construção no século XIX ao lado da episteme capitalista. Não há capital moderno sem ciência moderna! Marx fez a episteme do discurso capitalista (crítica da economia política) e uma episteme marxista anticapitalista. No século XIX, temos ainda a episteme biológica que é a lógica do desmoronamento da episteme teológica estratégica no funcionamento do feudalismo europeu e dos impérios da era moderna absolutista que, como simulacro de simulação, entra pelo século XIX e é um das causas da Primeira Guerra Mundial. A episteme médica que teria uma grande influência (axioma normal/patológico) na psiquiatria, na psicologia e na psicanálise (freudismo) acelera sua construção no século XX. O bloco histórico é a unidade destes conjuntos epistêmicos que constituem a modernidade política como guerra. A unidade é dada – na política mundial – pela hegemonia da episteme capitalista (junção da cultura política do dinheiro com o discurso científico) fazendo pendant com a episteme política representativa (civilização moderna). A democracia representativa, a política sob domínio do partido político (avesso da máquina de guerra política), a oligarquia política híbrida e o Estado-nação constituem a episteme civilização moderna em um Oceano Pacífico navegado por epistemes bárbaras. A Primeira Guerra Mundial, a revolução bolchevique, depois a revolução conservadora fascista e  a Segunda Guerra mundial são fenômenos que provam que o bloco histórico é dialético e materialista e, portanto, sujeito a materialidade do choque da dialética epistêmica. Na América Latina, a história do campo epistêmico ainda está por  ser feito. Sobre o Brasil, o discurso do físico já se debruça sobre a episteme do Engenho de cana-de-açúcar (discurso do mestre do Engenho, capitalismo de Engenho de commodities, capitalismo do Engenho dependente e associado etc.) e a luta fracassada de substituí-lo por uma episteme modernista associada ao capitalismo moderno. Na era do capitalismo corporativo mundial, a episteme globalista neoliberal se apoderou do século XXI. No entanto, ela se constituiu como um semblante de uma soberania absoluta que teria abolido o bloco histórico epistêmico no poder. Com a crise do capitalismo mundial em 2008, a política mundial parece estar retornando a ideia de uma governabilidade através de um bloco histórico. Tal repetição histórica parece ser o ocaso do semblante do dominus episteme capitalista fazendo pendant com a episteme civilização moderna. E José Serra continua rezando pela ladainha moderna de que não se pode dizer nada sobre o futuro!     


O MAIOR ENIGMA DA HISTÓRIA
A história universal não é a história dos humanos. O humano não faz a sua própria história, pois ela é feita pelas máquinas de guerra psicóticas e pelas comunidades psicóticas. A história é a história da barbárie (do dominus da máquina de guerra psicótica), da guerra como significante estruturador do mundo, dos Impérios que são a forma de Estado onde governa a máquina de guerra biográfica psicótica (imperador) sobre uma população majoritariamente psicótica, pois submetida a uma lei despótica, lei da barbárie. Trata-se de uma cultura política que não funciona pelo lógica do recalque do inconsciente político.   O recalque do inconsciente freudiano (como lei mecanismo da castração) é uma panaceia da episteme sexualis freudiana incapaz de explicar a história universal. Um axioma da episteme freudiana é estabelecer na cultura política moderna a lógica da identidade absoluta entre psicose e loucura. Em Roma, houve imperadores psicóticos e imperadores loucos. Cômodo, Pertinax, Heliogábolo, Caracala foram imperadores loucos. Nero era claramente psicótico, e por isso não conseguiu se defender da acusação de que incendiou Roma. Cômodo passava seus dias usando o poder soberano na ilimitada libertinagem da loucura de sua hybris sexual. Ele passava as horas em um serralho de trezentas belas mulheres e outros tantos rapazes, de todas as categorias e de todas as regiões; e sempre que as artes da sedução o entediavam, o brutal amante recorria ao banho de sangue. Ele ajudou muito na fixação do significado do significante sedução (na cultura política romana) como amplexus inferioris, ou seja, aquele que abraça o baixo, o inferior: mulheres e homens vulgares. A cultura política romana inventou o significante auri sacra fames: a loucura pelo ouro. Para os romanos, a comunidade dos psicóticos não possuía o monopólio da loucura. Na era moderna, a episteme médica estabeleceu o axioma normal/patológico. A psicologia, a psiquiatria e a psicanálise constituíram-se a partir desse axioma mitológico moderno. A psicanálise acabou transferindo para a cultura a ideia de que o normal (o sujeito passível de normalização) instituía a comunidade dos neuróticos que deveria controlar pela normalização policial perversos e psicóticos. Na Inglaterra de 1950, o notável matemático Alan Turing foi condenado à castração química (por ser homossexual) que o levou ao suicídio. Na Inglaterra civilizada das comunidades dos neuróticos, operavam leis despóticas (um regime legal de barbárie e loucura) até recentemente. Os psicanalistas acreditam que se o recalque do inconsciente freudiano for suspenso no mundo, o planeta será destruído em um apocalipse psicótico global. Os homens não fazem a sua própria história, as máquinas de guerra psicóticas fazem a história do mundo, a história delas e dos homens, mulheres e crianças. A Segunda Guerra Mundial foi decidida por duas das maiores máquinas de guerra psicóticas e terroristas da história universal: Stalin e Hitler. O filme argentino Relatos selvagens já opera com a autonomia relativa entre loucura e psicose. Os psicanalistas lacanianos argentinos conseguiram transmitir para a sua cultura cinematográfica a lógica do desmoronamento da episteme sexualis freudiana?     

A FÍSICA DA POLÍTICA DE LEWIS CARROLL
O Aventura de Alice no pais das maravilhas não contém a lógica da física da política latino-americana? a) “O poço era profundo demais, ou ela caía muito devagar, pois tinha tempo de sobra para olhar em torno e si durante a queda e perguntar-se sobre o que aconteceria em seguida”. O discurso do físico não trabalha com a lógica da queda  aliceana? Por isso, ele pode perguntar-se sobre o que aconteceria em seguida. b) “Gatos comem morcegos?’ Ou ‘morcegos comem gatos?’, pois como não sabia responder à pergunta pouco importava a maneira como fosse colocada”. Pouco importa a maneira de perguntar, pois a classe política latino-americana (especialmente a brasileira) não sabe responder à pergunta que vale 1000000000000 de dólares: gatos (máquinas de guerra política) comem morcegos (partidos políticos) ou morcegos comem gatos? c) “Alice abriu a porta e viu que dava para uma pequena passagem, não muito maior do que um buraco de rato”. Como Alice, a classe política não sabe que sabe que se trata de um buraco de minhoca simbólico? d) “Tantas coisas extravagantes tinham acontecido até então que Alice começava a pensar que quase nada seria impossível”. A lógica da política latino-americana é: o impossível pode acontecer! Por exemplo no Brasil, a desintegração do significante República. e) “Dessa vez achou uma garrafinha (‘que com certeza não estava aqui antes’ – pensou Alice). Em volta do gargalo estava amarrada um a papeleta à guisa de rótulo, com a inscrição ‘BEBA-ME’, brilhantemente impressa em letras grandes”. f) “Não, vou olhar primeiro – disse ela – e ver se não está marcado veneno. Pois já lera várias estorinhas sobre crianças que tinham se queimado ou tinham sido devoradas por feras selvagens, e outras coisas desagradáveis; tudo isso porque nunca se lembravam das regrinhas tão simples que os seus amigos lhes tinham ensinado, tais como: quando se bebe demais uma garrafa marcada VENENO, é quase certo que vai fazer mal, cedo ou tarde”. A classe política não segue as regras claras das crianças de não beber o líquido de uma garrafa com o rótulo veneno: NEOLIBERALISMO. g) “pois essa curiosa criança gostava muito de fingir que era duas pessoas. ‘Mas de nada adianta agora’ – pensou a pobre Alice – ‘fingir que sou duas pessoas! Ora, restou muito pouco de mim até pra ser UMA pessoa só que se respeite”. Gilberto Freyre concebeu o contraconceito sujeito esquizo (equilíbrio de antagonismos) para dizer a contraverdade sobre a construção da história brasileira. De novo, os paulistas do establishment intelectual das grandes Editorias atacam, covardemente, Gilberto Freyre ao se apropriarem da contraideia História mestiça desse psicótico divino pernambucano, para submetê-la à cultura política totalitária ariana mundial. Assim como os intelectuais europeus, esses paulistas neuróticos não sabem que o contraconceito de história mestiça estruturou o livro “Os Sertões” do psicótico divino Euclides da Cunha. Trata-se também de um significante basal na explicação da história do Brasil do “Populações Meridionais do Brasil”, do Oliveira Vianna, livro da década de 1920. Eles se aproveitam do APAGÃO SIMBÓLICO da cultura intelectual brasileira para tecer suas biografias intelectuais pestilentamente arianas! 
MAD MEN
As décadas de 1950 e 60 podem ser consideradas a época de ouro dos países centrais do capitalismo sendo os USA o centro dos centros. No livro “A sociedade de consumo”, Baudrillard fez a física dessa época do capitalismo mundial. É a época da abundância que só fazia sentido no desperdício da consumição: “Compreendes por acaso que necessitamos de um pequeno excesso para existir?” – diz Shakespeare no Rei Lear. No entanto, a lógica vai adiante, pois trata-se da lógica da destruição ritual da matéria e da vida de onde ela tira a prova de sua abundância. A sociedade de consumo precisa de seus objetos para existir e sente, sobretudo, necessidade de os destruir: “Só na destruição é que os objetos existem por excesso, dando testemunho da riqueza no próprio ato de desaparecimento. De qualquer maneira, é evidente que a destruição, quer sob forma violenta e simbólica (“happening”, “potlatch”, “acting out” destrutivo, individual ou coletivo) quer sob a forma de destrutividade sistemática e institucional, está destinada a tornar-se uma das funções preponderantes da sociedade pós-industrial”. Hoje sabemos que esta lógica não é a lógica do capitalismo do século XXI. O período de sua soberania é o período da publicidade como um artefato simbólico que auxiliou a mudança do capitalismo moderno clássico: “Produto mesmo do capitalismo monopolista, subproduto inevitável do declínio da competição de preços, a publicidade constitui parte integrante do sistema, tal como a própria empresa gigante”. Paul Baran e Paul Sweezy não a consideravam um dispêndio fantástico de recursos refletindo uma irracionalidade frívola, mas uma necessidade de sobrevivência das corporações corporativas quase mundiais. A publicidade agia pela lógica da persuasão psicótica para criar a procura de um a mercadoria e garantir vendas de produtos antigos. A persuasão foi uma técnica criada pela cultura política nazistas.  A lógica da publicidade agia sobre a lógica dos preços tornando-a um artefato simbólico útil na economia capitalista. A indústria cultural tem um papel decisivo no desenvolvimento da publicidade. Baudrillard diz: “A publicidade realiza o prodígio de um orçamento considerável gasto com o único fim, não de acrescentar, mas de tirar o valor de uso dos objetos, de diminuir o seu valor/tempo, sujeitando ao valor moda e à renovação acelerada. A sociedade de consumo precisa dos seus objetos para existir e sente sobretudo necessidade de os destruir. O ‘uso’ dos objetos conduz apenas ao seu desgaste lento. O valor criado reveste-se de maior intensidade no desperdício violento”. Se o animal despótico de Frajman é o apogeu do narcisimo, a sociedade de consumo é o apogeu do narcisismo capitalista; é o animal despótico capitalista. Na física de Baudrillard, trata-se do contraconceito sociedade de consumo como máquina de guerra freudiana-consumição. A lógica dessa máquina de guerra-consumição é o avesso da lógica capitalista da acumulação ampliada do capital - não para o desperdício - e de um consumo utilitarista. Ela obedece a visão nietzschiana vulgar (e a de Bataille) do ser vivo que, antes de tudo, quer “gastar a sua força”. Mad Men é o seriado da televisão americana que estabelece uma ligação da publicidade com o enlouquecimento da sociedade americana dos anos de 1960? No dizer de Baudrillard: “Em suma, o desperdício é sempre considerado como forma de loucura, demência, de disfunção do instinto, que impele o homem a queimar as usa reservas e a comprometer através de uma prática irracional as próprias condições de sobrevivência”. Por outro lado, a relação da publicidade com a cultura política não enlouqueceu a política no sistema representativo moderno?
  PUBLICIDADE/MAD MAN POLÍTICO
 A emergência da publicidade na cultura política faz da indústria de comunicação o campo simbólico da democracia representativa. Há um desenvolvimento desigual da indústria de comunicação ente os países que preciso ser levado em consideração em relação à hipótese acima. Mas o Brasil e a Argentina podem ser incluídos no conjunto de países onde essa hipótese funciona na realidade lacaniana: o concreto da vida humana. O significante narcisismo estrutura a relação da publicidade com a indústria cultural. Através da publicidade/indústria cultural, a política pode se resumir a uma luta entre personalidades privado-públicas. Isso gera um quadro explicativo dos acontecimentos descontextualizado de problemas de cultura política; gera a ocultação de fenômenos estruturais e do capital político nacional que está em risco, o esquecimento histórico, a negação de relações de poder trabalhando na sociedade e até a diferença capital, a saber: se o dominus da política é da máquina de guerra política ou do partido político. Negligencia-se então os dados abstratos e também os afrontamentos de grupos de interesses, de forças sociais, em proveito da apresentação da competição entre homens, encarnados em personalidades políticas.
Assim, a chave para a leitura da política publicitária é a leitura pela física freudiana da relação entre narcisismo e identificação tal como está desenvolvido no capítulo “Identificação” do texto “Psicologia de grupo e análise do eu”. Na passagem da psicologia do indivíduo para a psicologia de grupo e para a metapsicologia a identificação pode ser concebida como um fenômeno narcísico do inconsciente político. A identificação pode ser concebida como a forma mais primitiva de laço emocional. Na sociedade do espetáculo como discurso do Outro, a identificação é um acúmulo e distribuição de energia narcísica que toma a personalidade política (líder) como modelo (espelho-linguagem) biográfico ainda eletrônico (no caso do Brasil e da Argentina) do eu das massas como eu do inconsciente político nacional. A lógica da identificação da física freudiana diz respeito ao objeto narcísico renunciado ou perdido (das Ding, Coisa, Mãe) que encontra no discurso do Outro um sucedâneo introjetado parcialmente e por um breve tempo no eu das massas. A introjeção do objeto sucedâneo se faz na relação dos significantes personalidade política/indústria de comunicação/massas disponíveis para a política. Tal situação pode gerar o fenômeno da melancolia de massas. Trata-se de um estado de loucura de massas!  A massa surge como um fenômeno político do eu dividido em duas partes, uma das quais usa de violência simbólica contra a segunda. Essa é aquela que foi alterada pela introjeção e contém o objeto perdido (das Ding). A primeira parte é a esfera do narcisismo original (no qual o eu infantil desfrutava de autosuficiência) que será articulado como ideal do eu na cultura política pela acumulação de energia narcísica em fenômenos como o da consciência moral da política, entrando em choque com o eu que introjetou o objeto perdido. Esse campo de guerra pode gerar o delírio de observação pela desintegração desta instância que sustenta o laço emocional da personalização da política com as massas. Assim, isso também pode conduzir a um estado de loucura permanente das massas em período eleitoral e/ou em períodos de crise nacional. A publicidade articulada à indústria de comunicação como discurso do Outro é a denegação de qualquer possibilidade do eleitor racional, ou da política funcionando como racionalidade política, ou de solução racional para a Crise Nacional. Chego a esta triste conclusão contra minha vontade e pesarosamente! No entanto, os políticos atuam como o semblante (fazer parecer) de que tudo é racional na política! Eles não sabem que sabem que isso é um dos impossíveis freudianos do mundo contemporâneo em sociedades sob o dominus da publicidade política?   

TRAPÉZIO RELIGIOSO/DISCURSO DO OUTRO
O discurso do Outro funciona como um trapézio isósceles, ou seja, aquele cujos lados não-paralelos são iguais. A Igreja cristã foi o semblante do discurso do Outro durante um largo período da história ocidental. Na Idade Média, um lado não-paralelo igual foi aberto pela episteme política almor cortês. Esta existiu como modelo da política moderna em um desenvolvimento desigual nos países ocidentais e, também em países asiáticos. Após a segunda Guerra Mundial, a indústria de comunicação ou indústria cultural não passou a funcionar como um lado não paralelo no trapézio religioso? Não passou a funcionar como a religião laica da sociedade de massas secularizadas?   
O laço social de massas aparece como laço grupal libidinal na psicologia freudiana de grupo. Na física freudiana, o laço social de massas é articulado pela energia narcísica que é uma energia mítica que desfaz a ambiguidade da energia libidinal que remete para uma pseudobiologia. Assim, o significante narcisismo torna-se axial na leitura do discurso do mestre divino. Freud escreve: “Não há dúvida de que o laço que une cada indivíduo a Cristo (pai substituto) é também a causa do laço que os une uns aos outros”. Na física freudiana, o objeto adorado não é o pai substituto, mas A Mãe substituta (das Ding, Coisa, Urstaat). O desejo de junção da criança com a mãe transforma-se no inconsciente político em almor (identificação) pelo Urstaat. Trata-se de uma estrutura (trapézio-espelho) de identificação das massas da comunidade com Cristo-mariano (líder carismático divino) possível pela ação da energia libidinal, ou seja, da energia narcísica (=mito). Cristo é o lado-espelho de tal identificação de massas que se reflete como energia narcísica na identificação mútua entre os membros da comunidade cristão. O almor a Cristo significa que a Igreja é a religião do almor para os crentes, “ao passo que a crueldade que a crueldade e a intolerância para com os que não lhes pertencem, são naturais a todas as religiões”. Na era moderna tardia, a Igreja católica inibiu a pulsão de morte (crueldade, perseguição aos incrédulos) no seu fluxo narcísico. O mesmo se pode dizer da Igreja evangélica ou do Islã político?  
A indústria de comunicação é um lado não paralelo da igreja cristão em países de desenvolvimento desigual da cultura industrial associada sistema político representativo. Lacan escreve que a Igreja é um laço de massas que funciona pela lógica fáctica (Heidegger). A cultura industrial de massas também não funciona pela lógica fáctica? Nela, o real não faz laço com o imaginário e o simbólico? Ele também introduziu o conceito de sujeito suposto-saber (a crença das massas de que o mestre detém um saber) para pensar a Igreja e, por extensão, a física lacaniana aplica-o como contraconceito à cultura industrial de massas. A lógica fática faz da Igreja e da indústria de comunicação (IC) um significante (estrutura e fenômeno) como laço social das massas que funciona por processos de segregação baseado no privilégio da insubmersibilidade universal de que gozam tais “instituições”. No discurso do físico, o objeto central adorado é a Mãe no inconsciente freudiano que na superposição com o inconsciente político se transforma no Urstaat. A Igreja cristão e a IC constituem, portanto, estrutura-fenômeno que substituem o Urstaat no laço social das massas na comunidade cristã e na comunidade eletrônica. O Urstaat é o significante universal articulado pelo discurso do mestre divino desde a civilização arcaica. Ele é o significante universal (que pode adormecer como adormeceu na era moderna a partir do século XIX) da história política universal associado ao dominus do inconsciente político mestiço ainda neste século XXI. Ele não continua por outros meios seu dominus sobre a cultura política? Assim podemos afirmar como contraverdade que a indústria de comunicação é um artefato (e um fato) da lógica fáctica de tal inconsciente mestiço, mesmo contra a sua própria vontade!                                                                                                                                                                                                                                              
                              

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