sábado, 27 de julho de 2013

Notas sobre a política mundial

José Paulo Bandeira da Silveira

I
A política mundial funciona como uma cadeia de significantes políticos envolvendo cidades globais, nações, países, bloco de países como a União Europeia, simulacros políticos de blocos regionais como o Merco Sul e a Alba. Na cadeia política mundial, nota-se a desintegração da hegemonia dos EUA e uma incerteza sobre que situação política vai substituir tal hegemonia. No entanto, os EUA continuam com potência política para pressionar regiões como o pacífico asiático e a Europa. Em relação a esta, os EUA pressionam contra a aprovação do projeto da União Europeia que tem por objetivo garantir a privacidade no uso de dados da internet pelos internautas. Na América Latina não há privacidade para os internautas e os governos fazem pouco caso de tal situação.
As corporações mundiais de origem norte-americana da área digital atuam para impor seus interesses aos cidadãos da União Europeia. A invasão da privacidade dos internautas pela publicidade é a colonização da internet pela lógica da mercadoria, que faz funcionar uma nova “hegemonia”. Trata-se da “hegemonia” do capital digital que vem substituir a antiga hegemonia dos EUA sobre a política mundial. O capitalismo corporativo mundial do espaço virtual instaura o discurso do capitalista como uma nova forma de discurso do mestre, articulando economia e política como um novo tipo de dominação política em alguns elos importantes da cadeia política mundial.  O discurso do capitalista no espaço virtual é o suporte da existência do Estado-espião nas democracias ocidentais. Tal dominação de um novo tipo articula a política mundial como uma cadeia de significantes políticos que remete para o funcionamento dos discursos como a retomada do discurso do mestre na política pós-moderna e o desvanecimento do discurso universitário como forma da dominação burocrática moderna.
Hegel assinalou a substituição do discurso do mestre pelo Estado moderno na era capitalista. O Estado-educador introduziu na política a hegemonia intelectual e moral para além da dominação do discurso do mestre. Além disso, o Estado moderno funciona como dominação burocrática weberiana que faz o discurso da ciência operar no planejamento das cidades e do campo, no cuidado da população, na biopolítica. Os campos de saber modernos como a engenharia, a biologia, a medicina, a arquitetura fazem funcionar o discurso universitário como um fator fundamental da política moderna.
No entanto, mesmo com a emergência e o funcionamento regular do Estado moderno, a política no século XX foi invadida pela tirania moderna, como mostrou Leo Strauss. Trata-se da emergência do discurso do senhor, que usou a dominação burocrática e o Estado moderno para a reprodução de regimes despóticos que a literatura política moderna equivocadamente designou como regimes autoritários e ditaduras.
Na política pós-moderna, o cerco à modernidade política advém dos líderes carismáticos que fazem do discurso do mestre um fenômeno político cada vez mais regular da política mundial. Há também o cerco que advém do fundamentalismo religioso – católico, evangélico, muçulmano – ao Estado secular e aos movimentos secularistas de minorias como os gays e as mulheres.
Na América Latina, um fenômeno político específico se associa ao discurso do mestre religioso na contrarrevolução conservadora que tem como objeto político a ser alvejado as tribos indígenas. As velhas e novas oligarquias rurais retomam um lugar estratégico no bloco no poder, inclusive em países bolivarianos, para se apossar dos territórios tradicionais indígenas, pilotadas por políticas capitalistas depredadoras da natureza. No Brasil, na Guatemala e no Equador as tribos indígenas encontram-se novamente envolvidas por uma situação global de forças que ameaça catastroficamente o seu modo de vida tradicional.
A América Latina também assiste o discurso do mestre tomar o lugar das ideologias de esquerda no bolivarianismo que fez de Hugo Chaves o líder carismático maior da região. A implosão da esquerda latino-americana como tribuno do povo, ou seja, como sujeito político capaz de defender e cuidar dos interesses da população, é uma ameaça à continuidade do bolivarianismo na Venezuela, na Argentina, na Bolívia e no Brasil. O desencaixe destes países do capitalismo corporativo mundial põe a economia contra qualquer projeto político que tenha como objetivo a longo prazo diminuir a desigualdade social e promover uma distribuição da riqueza que reproduza de forma ampliada a classe média. No Equador, o presidente Rafael Correa inclina-se para um despotismo a céu aberto como mostra a Lei da Comunicação e o ataque aos territórios indígenas através de uma aliança com o capitalismo das mineradoras e com a oligarquia rural. Na Nicarágua, Daniel Ortega, através de sua esposa Rosana Murillo, se aproxima da Igreja católica, outrora inimiga mortal dos sandinistas na década de 1980. O novo discurso místico de Ortega e Murillo é o sinal mais claro dos novos rumos da esquerda na região. No Chile, a esquerda perdeu sua identidade ideológica após um mergulho profundo no neoliberalismo instalado na era Pinochet. Agora ela tenta retomar a função de tribuno do povo para reassumir o poder na eleição presidencial em novembro, inspirada no movimento de massa estudantil e propondo a ruptura com a era Pinochet através de uma Assembleia Nacional Constituinte. No México, a esquerda vê diminuída sua presença na política diante do novo mestre da política mexicana, o presidente da República Peña Nieto, do “novo” PRI.
II
No Sul da Europa e no Brasil, o partidarismo, ou seja, a dominação dos partidos oligárquicos (Michels), mergulha em uma crise política crônica. No norte da Europa, na Inglaterra assim como em alguns países da América Latina como Argentina, México, Colômbia e Peru, a crise política do partidarismo não faz parte do cotidiano da política. Nem nos EUA e no Canadá. No Japão, o partidarismo parece se fortalecer com a retomada do nacionalismo e a nova “revolução econômica” neoliberal. Como é fácil constatar, a política mundial ainda não esgotou as possibilidades de funcionamento da democracia moderna. É o caso também dos países do Oriente Próximo e de muitos países asiáticos. Já na Rússia, a oligarquia política domina através do discurso do mestre putiniano. E na China, o marxismo funciona como uma espécie de discurso do mestre ao colocar a burocracia do PC chinês como agente da política e do Estado.   
A cadeia política mundial não tem história. Todavia não se trata do fim da história no sentido hegeliano. O Estado moderno e o saber absoluto não são os significantes do fim da história da política mundial. Também não se trata do fim da história pelo desvanecimento da luta de classe. De fato, não há tempo histórico na cadeia política mundial que se mova por um processo sem Sujeito e sem fim. A história não é a condição que torna possível a leitura dos fenômenos políticos. Estes podem existir como prolongamento da modernidade política ou como implosão do moderno. A implosão do Estado moderno aparece na Inglaterra, no Brasil, na Espanha, em Portugal, na Itália, na França, mas não é parte de outros pontos da cadeia. No México, o Estado moderno surge como um objetivo da política de Peña Nieto e como uma vontade política da população ao lado da contrarrevolução conservadora. Trata-se de um país no qual a oligarquia política exerce um poder despótico acima da lei moderna. A evolução política no México trabalha com uma realidade povoada de paradoxos. Nos EUA e no Canadá, o Estado moderno é visto como um bem comum pelos vários espectros políticos e pela população. Não há um sentido unívoco na cadeia da política mundial. Esta não obedece a lógica da dialética hegeliana. Talvez em alguns casos obedeça a lógica da dialética negativa (Adorno) onde as multidões lutam contra o despotismo. A própria contrarrevolução conservadora não alcança a totalidade da política mundial.
III
Uma questão candente da atualidade é a disputa entre o discurso do capitalista da era digital e o anarquismo dos internautas pela subjetividade e pelo inconsciente político da multidão. A multidão na rua é onde cessa de funcionar o discurso do capitalista como dominação política sobre a população, ou seja, como discurso do senhor. Este, ao parar de funcionar, permite a suspensão da servidão voluntária (La Boétie) de parte da população. A multidão mostra o caminho para a população fazer parar de funcionar sobre si a servidão voluntária articulada através do discurso do mestre irradiado na sociedade de espetáculo. Na Antiguidade, a tirania usava o lúdico – “a sociedade de espetáculo” da época – para submeter a população à servidão voluntária. Na era moderna, a servidão voluntária da sociedade de espetáculo funciona como dominação que acaba por favorecer à oligarquia política. Esta é o mestre da televisão! Não pretendemos apagar a distinção entre o privado e o público, mas de mostrar o vínculo político entre eles para além do lúdico. O caminho da multidão política pretende pôr a dominação burocrática a serviço da sociedade. A multidão é o tribuno do povo da política pós-moderna. Ela retoma a ideia de bem comum da antiguidade indo além da simples defesa do interesse popular. A multidão pós-moderna retoma a ideia de democracia justa, de democracia legítima de Aristóteles. Para este, a “classe média” é o suporte da democracia legítima, pois esta se sustenta pelo meio-termo entre os pobres e os ricos. Incluindo a China, a expansão da classe média na política mundial põe a democracia em um contraponto aos regimes e situações despóticas. Todavia este fenômeno não é uma marca em toda a cadeia política mundial. A história não retorna por este significante sociológico. Marx disse em 1848 que um fantasma assombrava a Europa: o comunismo. Talvez na segunda década do século XXI, a classe média seja o fantasma que assombra o despotismo em muitos elos da cadeia política mundial.
III
Um relevante fenômeno político na política mundial é a aliança da televisão com as Igrejas e as máfias capitalistas que controlam o futebol mundial. Trata-se do uso político das massas apolíticas religiosa e futebolística. Tais massas ocupam as cidades em situações como a Jornada Mundial da Juventude, em protestos evangélicos contra os direitos das minorias, em jogos de campeonatos locais, nacionais, regionais e mundiais em um contraponto com as multidões políticas.
Em junho de 2013, na Copa das Confederações, Pelé declarou que o povo brasileiro deveria torcer pela seleção ao invés de protestar e um dirigente da FIFA declarou que a Rússia era o país modelo para a realização dos campeonatos mundiais. Em Julho de 2013 no Rio de Janeiro, a JMJ funcionou como uma experiência capaz de fazer a população esquecer as manifestações contra a oligarquia política brasileira de junho. O discurso do mestre católico e o discurso do capitalista no futebol funcionam como agenciamento do inconsciente político das massas que, em última instância, serve à dominação da oligarquia política. O bispo de Roma, Francisco, ao pisar em solo brasileiro para a JMJ, foi recebido pela presidente da República, pelo presidente do Senado, pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, pelo prefeito do Rio além de um grupo de políticos e autoridades da República. O PMDB foi o partido que representou o Brasil junto ao Papa. A oligarquia política sabe que as massas católicas veem este encontro como uma aliança entre o poder político e a Igreja. Para o Papa, o encontro pode ser apenas percebido como um caso de prestígio para ele e para a Igreja. Mas a televisão transformou em um espetáculo político o encontro do bispo de Roma com as autoridades republicanas e as atividades do Papa com as massas nas ruas. A televisão, como dispositivo da sociedade de espetáculo, faz a associação da Igreja (e das máfias capitalistas do futebol) com o exercício do poder da oligarquia política como um fato a ser celebrado no imaginário popular.
A televisão, como irradiação do discurso do mestre para as massas, serve ao poder da oligarquia política para além da hegemonia. A hegemonia que a televisão exerce sobre a população-espectador não é a hegemonia intelectual e moral Gramsci-hegeliana, pois ela é a dominação da servidão voluntária do discurso do mestre sobre a massa-espectadora. A luta dos internautas e da multidão política na rua contra a oligarquia política e a televisão quebra o simulacro político de hegemonia da sociedade espetáculo exercido sobre a população-espectadora. Em muitos elos da cadeia política mundial, oligarquia política, igrejas, máfias capitalistas do futebol e televisão articulam ou servem à contrarrevolução conservadora.
IV
Em junho de 2013, a multidão política da era digital ocupou as ruas das cidades do Brasil rechaçando a dominação dos partidos e da oligarquia política. Para a população se tornou visível o tipo de dominação da democracia moderna brasileira comandada por uma classe política de feição ainda colonial e a natureza da República brasileira: um simulacro de República. Junho também botou em questão a “hegemonia” da televisão sobre a população. A televisão transformou em um espetáculo infame a violência das ruas em uma clara disputa com os internautas e a multidão política pela hegemonia da população. Sobre a violência ainda não ficou claro quem são os agentes dela. Internautas acusam os governos e a polícia de agenciar o lumpesinato político como agente provocador misturado à multidão para aterrorizar as cidades     (http://almirpereirablog.blogspot.com.br/2013/07/vandalismo.html?spref=fb). Os governos acusam minúsculos grupos de anarquistas como responsáveis pela violência. Todavia, no Rio de Janeiro, membros da Abin (os serviço de espionagem do governo federal) foram presos depredando lojas no Leblon. Membros da P2 (serviço de espionagem da Polícia Militar) se infiltravam na multidão com objetivos escusos. Um professor da UFRJ foi sequestrado por falar para um jornal impresso sobre a violência da Polícia Militar sobre a multidão. Nada disto foi abordado pela televisão que insistiu até o fim na caracterização da violência como praticada por grupos de vândalos da própria multidão. A televisão fez funcionar o discurso do mestre da oligarquia política sobre a multidão na rua que atribui toda a violência aos grupos anarquistas da internet como o anonymous e o black bloc.
No Rio, o choque entre o governador Sergio Cabral e a massa instalou uma dialética política entre o palácio do PMDB e a rua. Cabral e a televisão, ao perseguirem os anarquistas da internet, acabaram contribuindo para o surgimento de um movimento de massa anarquista que fez um protesto real contra Cabral na visita do Papa ao Palácio Guanabara. Ela dizia palavras de ordem como “Cabral, governador do capital” e portava faixas que falavam de um sindicalismo revolucionário. Trata-se da retomada do anarquismo brasileiro da Velha República das primeiras décadas do século XX? Ao Papa, deve ter ocorrido a lembrança do anarquismo nas ruas de Buenos Aires  da crise argentina de 2001. Nas ruas do Rio, o “não nos representam” da multidão de junho se expressou através de um anarquismo real. O anarquismo da multidão é o motor de um movimento anarquista que na rua questiona o domínio do discurso do capitalista sobre a população brasileira.    
 No final do governo despótico de Sarney, o PMDB foi associado metonimicamente à Nova República (1985-1990) como o significante mestre que representava o governo autocrático de Sarney – um regime autoritário civil –, para o país. Na eleição presidencial de 1989, o PMDB teve cerca de 3% de votos. Isto depois de ter sido o partido dominante da Nova República e uma força importante na Assembleia Nacional Constituinte. Depois de reinar no país como campeão da “abertura democrática”, o PMDB se transformou no significante político maior do despotismo do governo autocrático de Sarney. Junho de 2013 pôs fim na estratégia do PMDB de continuar dominando a política nacional através de uma aliança com o PT. Junho não parece ter encerrado finalmente a Nova República? Junho encerrou a estratégia do PT-PMDB de obter uma vitória no primeiro turno com Dilma na cabeça da chapa e o PMDB na vice-presidência. Como na Nova República, o PMDB é novamente associado à dominação oligárquica autocrática, pois a oligarquia política dominante – formada pelo PMDB-PT e pelos governos federal e do Rio de Janeiro – estava disposta a desfechar um golpe de Estado branco ao passar uma lei no Congresso – sob o domínio do PMDB – para impedir a criação de novos partidos que impossibilitariam a vitória de Dilma no primeiro turno. A oligarquia também queria aprovar a Lei do Terrorismo para enquadrar como terroristas os manifestantes de junho O candidato do bolso de colete de Cabral da eleição para governador em 2014 é o bispo Crivella: evangélico, senador e ministro de Dilma. Tal bispo é o formulador da Lei Terrorista, que tem como objetivo produzir terroristas a granel a partir das manifestações da multidão em um país que desconhece o fenômeno do terrorismo. A dialética entre Cabral como um tirano provincial e a multidão não põe um fim na candidatura de Crivella? Para a multidão e para a população do Rio a violência da polícia contra as massas não é um instrumento da tirania de Cabral nas ruas do Rio? Para o tirano, ou a rua é o lugar da paz dos cemitérios, ou é o espaço político para as manifestações de massa que o louvem, como aconteceu no episódio em que o governador botou cerca de cem mil manifestantes para protestar contra a distribuição dos royalties do petróleo entre os governos da federação. Como na Nova República, um PMDB aturdido vê novamente a possibilidade real do fim do seu reinado no Estado do Rio de Janeiro. No plano nacional, vislumbra o fim de sua posição como partido dominante do Congresso e da oligarquia política, posição esta estabelecida através de sua aliança com o PT e com Dilma Roussef.
V
Junho de 2013 operou uma mudança na eleição presidencial de 2014 no Brasil. O movimento da multidão gerou uma associação metonímica entre Dilma e a dominação dos partidos oligárquicos (PMDB-PT) que tem como agente a oligarquia política dominante. Trata-se da repetição de um fenômeno político da era Sarney, ou seja, a repetição de um fenômeno político da Nova República como demanda de um novo lúdico. Na Nova República, durante a campanha para a eleição presidencial de 1989, o candidato Ulisses Guimarães, presidente do PMDB, foi associado metonimicamente ao regime autocrático civil governado por Sarney no espaço simbólico político da população. Nesta eleição, Ulisses obteve cerca de 3% de votos. Na eleição de 2014, Dilma é o Ulisses do século XXI, pois ela aparece para a população como signo político da cultura do partidarismo e da oligarquia política dominante a partir do movimento da multidão de junho de 2013. Ao desabar para 30% de intenção de votos, Dilma se torna a candidata que deve ceder seu lugar para o mestre. Se a saúde de Lula não se tornar um obstáculo intransponível, a oligarquia política no poder nacional pode prolongar sua dominação, pois Lula tem  40% de intenção de votos. Todavia, a ideia de Lula é trocar o candidato da vice-presidência, substituindo o PMDB pelo PSB. A decadência do PMDB no Rio só tornaria mais consistente esta substituição da aliança partidária, pois o candidato à vice-presidência pelo PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, junto com o Bolsa-Família, garantiria a quase totalidade dos votos do Nordeste.
A dupla Lula-Campos é o possível casamento do discurso do mestre lulista com a oligarquia rural nordestina. Esta seria o pivô de uma articulação da nova oligarquia rural do capitalismo de commodities como solução para a crise de hegemonia do bloco no poder sob domínio do capitalismo urbano moderno do sudeste. A hegemonia do capitalismo de commodities no bloco no poder pode levar o Estado moderno capitalista a parar de funcionar e a ser substituído por um outro tipo de Estado. Também tal hegemonia pode ser a causa de uma inflexão na República Democrática que passaria a existir como uma forma perversa de democracia no sentido aristotélico, concluindo o golpe de Estado branco em curso administrado pela oligarquia política dominante no Congresso. A contrarrevolução conservadora no Brasil agenciaria a aliança do PT-PSB com os fundamentalismos católico e evangélico, um passo para a nova face da oligarquia política chegar ao poder central como condição necessária da hegemonia do capitalismo de commodities no bloco no poder. Neste cenário político perverso, a televisão seria estratégica na irradiação do discurso do mestre da oligarquia política para submeter a população à contrarrevolução conservadora.   
Vivemos em uma época em que o problema de Wittgeinstein – “deves te calar, logo o podes”! – prevalece na política mundial e, especialmente, no Brasil? O silêncio dos artistas e dos políticos – principalmente da esquerda não-petista – sobre junho de 2013 é da ordem do discurso do mestre wittgeinsteiniano? Todavia, a multidão não é o reverso de tal discurso do mestre, quando ela não quer calar sobre o império do despotismo na cadeia política mundial? A multidão política é o único evento na atualidade que faz parar de funcionar o discurso do mestre como instrumento da tirania na política mundial. No Brasil, Lula tem certeza que a população percebe o PMDB como significante-mestre do partidarismo e da dominação da oligarquia política, como partido que tem as presidências da Câmara e do Senado. O presidente do Senado Renan Calheiros aparece para a população como símbolo da dominação perversa da oligarquia política como prolongamento no século XXI dos déspotas nordestinos Sarney e Collor do século XX. Ele encarna a figura do tirano com todos os vícios apontados por La Boétie.
Assim como em muitos elos da cadeia da política mundial, no Brasil, para a multidão política, o despotismo faz as próprias condições gritarem:
Hic Rhodus, hic salta!
Aqui está Rodes, salta aqui!                                   
         



  

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